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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Viagem e visita ao Parque Natural Sintra - Cascais


Localização

           O Parque Natural de Sintra-Cascais é um parque natural localizado em Portugal. Estende-se desde a zona de Sintra até às zonas da praia do Guincho e do Cabo da Roca. Divide-se em duas zonas distintas: a zona agrícola com vista a produzir fruta e vinho, e a zona costeira, com praias, falésias e dunas.






História

         O Parque Natural de Sintra-Cascais foi criado a 15 de outubro de 1981, segundo o Decreto-Lei n.º 292/81, ocupando uma área de 23 280 hectares.  Situado próximo de Lisboa, o Parque Natural de Sintra-Cascais engloba parte dos concelhos de Sintra e de Cascais, incluindo as vilas de Sintra e Colares, os cabos Raso e da Roca, a Boca do Inferno, a serra de Sintra e todo um conjunto de praias turísticas, desde a Foz do Falcão até ao Forte da Cidadela. Zona de grande valor natural e cultural, está sujeita a grandes pressões urbanísticas. Para norte do cabo da Roca e até à Foz do Falcão, toda a linha de costa é elevada e escarpada. De uma forma geral, as praias são muralhadas pelo interior por arribas altas, o que dificulta o acesso, enquanto a maré alta se encarrega de as cobrir quase completamente. Aroeira, Ursa, Adraga, Cavalo, Lagoa e Rodízio são uma sucessão de pequenos areais meio escondidos que se estendem até à vigia de Colares, limite sul da Praia das Maçãs. Ainda mais a norte e até ao limite da área da paisagem protegida, na foz do Falcão, a costa não perde a sua característica altura e escarpamento, sendo a Aguda, o Magoito e a Samarra praias de reduzidas dimensões e de difícil acesso. A partir do Focinho da Rocha, caminhando para sul, ver-se-á desenhar um amplo arco que conduz até ao cabo Raso. Com exceção do Abano e do Guincho, a orla costeira quase não é interrompida por praias, constituindo um planalto calcário que desce suavemente até ao mar. As falésias altas deixam de se ver, para apenas tornarem a surgir, mas com uma altitude bem menos elevada, na vizinhança de Cascais. O mar deposita a areia no litoral e o vento encarrega-se de a distribuir, daí que parte dos calcários da plataforma se encontrem cobertos em largas extensões por areias que se apresentam sob a forma de uma sucessão dunar orientada no sentido nor-noroeste-su-sudeste, como se pode observar a partir do Guincho. Às dunas móveis segue-se, para sul, uma formação de dunas consolidadas, com especial interesse, para a Duna Consolidada da Crismina, em Oitavos, considerada a maior da Europa. Já próximo de Cascais, o modelo cársico conjugado com os efeitos da erosão marinha é particularmente evidente na Boca do Inferno. Em toda esta paisagem litoral a atenção também é atraída pela compartimentação dos terrenos feita por sebes vivas à base da cana ou caniço que, graças à sua permeabilidade e elasticidade, protegem as culturas dos ventos fortes de norte e noroeste que assolam a região durante boa parte do ano. E é assim que, a poente da Malveira da Serra e até quase junto ao mar, o panorama das terras equivale a um enorme puzzle.



Biodiversidade

            No que diz respeito à flora, o coberto vegetal de toda a faixa litoral reflete as condições que aí se fazem sentir. Assim, na Boca do Inferno deparamos com uma vegetação liquénica, cuja sobrevivência, em ambiente fracamente hostil para uma planta, se prende com as suas exigências mínimas, facto que lhe permite subsistir num horizonte tão pobre. Quando nos deslocamos à área do Guincho, surge então um coberto arbóreo constituído fundamentalmente por pinheiro-de-alepo e eucalipto, nos terrenos calcários mais próximos de Cascais, e pinheiro-bravo, pinheiro-manso e zimbro, na zona do cabo Raso e na Quinta da Marinha. Nas dunas móveis surge uma associação vegetal dominada pelo estorno e que inclui muitas das espécies mais comuns da vegetação das areias litorais, enquanto nas dunas fixas, mais para o interior o zimbro assume um papel de maior relevo. De uma forma geral, os matos espontâneos predominam ao longo da costa, cedendo o lugar a matas de resinosas e folhosas à medida que se caminha pelas encostas da serra de Sintra e pelo interior da zona do Cabo Raso.
A serra de Sintra sobe até aos 529 metros da Cruz Alta alongando-se de leste para oeste e terminando de forma abrupta, sob a forma de uma falésia alta, no Cabo da Roca. A vegetação da serra é constituída fundamentalmente por árvores de grande porte pois na realidade não há falta de humidade. Envolvendo o arvoredo surgem os liames (trepadeiras de grande comprimento que se enroscam às árvores) conferindo por vezes às matas, sobretudo quando o porte e densidade da vegetação é mais elevado, aspeto de floresta tropical. A mata de Sintra acaba por ser um misto de associação natural e de algo construído, pois grande parte das espécies que nela se encontram são na realidade exóticas. É de salientar o parque de Monserrate que possui a maior concentração de espécies vegetais introduzidas, nomeadamente os abetos do género Thuja. Hoje em dia, a omnipresença do homem fez desaparecer animais de certa corpulência como o caso do veado ou do javali. De entre os mamíferos apenas se podem observar alguns que, por comuns em várias zonas do território português, não adquirem em Sintra qualquer expressão de raridade. É o caso da raposa, da gineta, da toupeira, da doninha, do musaranho ou do vulgar coelho-bravo, que partilham uma área com todo o conjunto das aves, desde as aves de presa, como a águia-de-asa-redonda, até passeriformes, como o gaio. A área do Parque Natural de Sintra-Cascais assenta num território de antiquíssima humanização e um pouco por toda a parte surgem vestígios arqueológicos pertencentes ao Paleolítico. Os Árabes deixaram bem assinalada a sua presença, construindo por volta dos séculos VIII ou IX o castelo que D. Afonso Henriques iria conquistar em 1147. O consorte de D. Maria II dinamizou a florestação ordenada e mandou erguer um edifício que é o Palácio da Pena. O parque que o circunda, outra construção da época, são quase 200 hectares de manchas contrastadas de verdura.





Lazer e Passeios :

Parque e Palácio de Monserrate :

 A quatro quilómetros do centro de Sintra fica o Parque de Monserrate, com o seu exuberante jardim e requintado palácio, o sonho realizado do milionário britânico Francis Cook no século XIX. O relvado fronteiro ao Palácio convida a fazer uma merecida pausa na exploração de um dos mais ricos jardins botânicos portugueses, obra do paisagista William Stockdale, do botânico William Nevill, do mestre jardineiro James Burt e, sobretudo, do fortemente romântico Francis Cook, que se viria a tornar no primeiro Conde de Monserrate. Situado no Património da UNESCO da Paisagem de Sintra, o Parque de Monserrate caracteriza-se por  caminhos sinuosos por entre as ruínas com múltiplos recantos onde se escondem lagos e cascatas. Um cenário encantado de um conto de fadas, quase a  sugerir o domínio da natureza sobre o Homem num espaço que mistura em harmonia as espécies botânicas portuguesas com outras plantas originárias de todo o mundo. Assim, uma visita ao Parque de Monserrate permite num só dia viajar por cenários mexicanos, com fetos arbóreos e araucárias, agaves e palmeiras ancestrais e também mergulhar em paisagens japonesas cheias de camélias, azáleas, rododendros e bambus.
O palácio, reaberto ao público em 2007, após cerca de meio século de encerramento, foi objeto de um projeto de recuperação, podendo uma parte do seu interior ser visitado pelo público. Com motivos exóticos e vegetalistas, constitui uma das referências obrigatórias da arquitetura do período romântico em Portugal, beneficiando ainda do generoso Parque de Monserrate em toda a sua envolvência. Parque e Palácio foram premiados, em Setembro de 2013, com o European Garden Award.     

  

Peninha :

Situado num dos mais altos cumes da Serra de Sintra, a 13 quilómetros da vila, fica o Santuário da Peninha, um conjunto composto pela antiga Ermida de São Saturnino, atualmente Capela de Nossa Senhora da Penha, e um palacete revivalista de estilo romântico erguido em 1918, que por fora tem um aspeto similar a uma fortaleza. Apesar da localização recatada pela qual os turistas mais incautos podem passar sem se aperceberem da sua importância, a Peninha é um local de intensa peregrinação envolto numa aura de magia e misticismo. Erguida no local onde tinha anteriormente sido erigida no século XIII a Ermida de São Saturnino, a atual Capela de Nossa Senhora da Penha é uma pequena capela de reduzidas dimensões em estilo barroco. Apesar do aspeto simples que o seu exterior apresenta, guarda no seu interior um importante e rico património, com mármores embutidos e paredes forradas a belos azulejos de cores brancas e azuis que espantam todos os que alcançam este ponto de peregrinação no topo da Serra. Começada a construir no século XVII, a data que se conhece como final para a construção do Santuário da Peninha é de 1711, como datam os azulejos localizados sobre a porta de entrada da Capela. Os painéis de azulejos no interior representam diversas cenas da vida da Virgem Maria, a quem é associada uma aparição milagrosa neste local, e são da autoria de diversos autores. Entre os que contribuíram para este património destaca-se o nome de Manuel dos Santos, artista que integrou no século XVIII o circulo que ficou conhecido como “Grandes Mestres”. Além do seu carácter religioso, a Peninha é também um excelente local para se deixar envolver pela Serra de Sintra, alcançado generosas paisagens pela sua localização sobranceira sobre este património natural.




Parque e Palácio da Pena :

Referência incontornável do Romantismo português, o Parque e Palácio da Pena constituem uma experiência inesquecível para qualquer visitante. Erigido no topo da serra, sobre as ruínas de um convento quinhentista que D. Fernando II adquiriu, aquela que seria inicialmente a residência de verão da família real resultou num palácio marcado por uma exuberante mistura de elementos mouriscos, góticos, manuelinos e até influências dos palácios da Baviera, dado a autoria da obra ser do Barão de Eschwege, arquiteto germânico, também iniciativa de D. Fernando II, o parque da Pena traduz a expressão estética romântica que alia a busca do exotismo ao fascínio pelo ímpeto da natureza. O parque integra um elenco botânico insólito, composto por espécies florestais não só da Europa, mas também da América do Norte, da Ásia e da Nova Zelândia. Percorrendo-lhe os caminhos, encontramos sequoias, tuias, faias, magnólias e cameleiras que se destacam pela sua imponência e beleza e pela forma como complementam o harmonioso conjunto formado pelo Parque e Palácio da Pena. Nos vários percursos, alguns aproveitando trilhos recuperados do parque, descobrem-se pontos de referência de inigualável beleza natural e de grande relevância histórico-patrimonial, como a Cruz Alta, a Gruta do Monge, a Fonte dos Passarinhos, o Vale dos Lagos e o deslumbrante Chalet da Condessa D’Edla e respetivos jardins. Local obrigatório de visita para quem quer conhecer Sintra, o Parque e Palácio da Pena são um verdadeiro ex-lybris que espanta todos os que visitam o Património da Humanidade da UNESCO da Paisagem Cultural de Sintra.




Onde ficar :

Hotel Nova Sintra
Largo Afonso De Albuquerque N.º 25
Sintra, Portugal

Descrição :

Situado em Sintra, Hotel Nova Sintra é o lugar perfeito para explorar Sintra e seus arredores. A partir daqui, hóspedes podem desfrutar do fácil acesso a tudo o que a animada cidade oferece. Um refúgio para descanso e relaxamento, o hotel oferecerá total renovação apenas alguns passos das numerosas atracções como Parque Natural de Sintra-Cascais, Museu de Arte Moderna, Parques de Sintra - Monte da Lua.
No Hotel Nova Sintra, todo esforço é feito para o hóspede se sentir confortável. Para isso, o hotel fornece o melhor em serviços e amenidades. Para o conforto e conveniência dos hóspedes, o hotel oferece aluguer de bicicletas, restaurante, serviço de quartos, bar, viagens turísticas.
O hotel dispõe de 10 quartos muito bem decorados, cada um incluindo quartos para não fumadores. O hotel oferece uma excelente variedade de facilidades redireccionais, incluindo jardim, campo de golfe (a menos de 3 km). Seja qual for o propósito da visita, Hotel Nova Sintra é um excelente escolha para sua estadia em Sintra.






Villa Das Rosas Hotel
Rua Antonio Cunha, n.º 2 e 4, 
Sintra,  2710-531 Portugal 

Descrição : 

Bem posicionado em Sintra, Villa Das Rosas Hotel é o ponto ideal de partida para suas excursões em Sintra. A partir daqui, hóspedes podem desfrutar do fácil acesso a tudo o que a animada cidade oferece. Para opções de passeios e atrações locais, não é preciso procurar muito, pois o hotel oferece proximidade com Museu de Arte Moderna, Parque Natural de Sintra-Cascais, Parques de Sintra - Monte da Lua. As facilidades e serviços fornecidos pelo Villa Das Rosas Hotel assegura uma estadia agradável para os hóspedes. O hotel fornece Wi-Fi nos espaços públicos, serviço de estacionamento, lavandaria, parque de estacionamento, serviço de shuttle para assegurar aos nossos hóspedes um maior conforto.
O hotel dispõe de 7 quartos muito bem decorados, cada um incluindo jornal diário, quartos para não fumadores. O hotel oferece muitas oportunidades únicas, tais como massagem, piscina exterior, jardim, campo de golfe (a menos de 3 km). Quando você está procurando por uma acomodação confortável e conveniente em Sintra, faça do Villa Das Rosas Hotel sua casa longe de casa.








Sao Miguel Guest House
Rua Soto Maior15,
Sintra,  2710-628 Portugal

Descrição :

Para os visitantes que desejam desfrutar das vistas e da sonoridade de Sintra, Sao Miguel Guest House é a escolha perfeita. A partir daqui, hóspedes podem desfrutar do fácil acesso a tudo o que a animada cidade oferece. Este hotel moderno está nas proximidades das atracções populares da cidades, tais como Palácio Nacional de Sintra, Museu do Brinquedo, Quinta da Regaleira. No Sao Miguel Guest House, todo esforço é feito para o hóspede se sentir confortável. Para isso, o hotel fornece o melhor em serviços e amenidades. Os hóspedes do hotel podem desfrutar dos recursos locais como babysitting, comodidades para reuniões/banquetes, Wi-Fi nos espaços públicos, serviço de shuttle, transporte de e para o aeroporto.
Experiência de facilidades quartos de alta qualidade, incluindo quartos para não fumadores, para ajudar você recarregar as baterias depois de um longo dia. As facilidades do hotel, que incluem jardim são projectadas para a fuga e relaxamento. Sao Miguel Guest House é seu destino de parada para acomodação no hotel de qualidade em Sintra.






terça-feira, 15 de outubro de 2013

Viagem e visita ao Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros


Localização

        O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros é uma área protegida criada em 4 de Maio de 1979 pelo Decreto-Lei Nº 118/791 e tem por objectivo a protecção dos aspectos naturais assim como a defesa do património arquitectónico existente nas serras de Aire e Candeeiros; possui uma área de 38 900 hectares. Marcando a fronteira entre o Ribatejo e o Oeste abrange os municípios de Alcobaça e Porto de Mós no Distrito de Leiria e Alcanena, Rio Maior, Santarém, Torres Novas e Ourém no Distrito de Santarém.




História :

          Criado pelo Decreto-Lei n.º 188/79, de 4 de maio de 1979, o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros insere-se no Maciço Calcário Estremenho, elevando-se no litoral português acima dos 400 metros. É constituído fundamentalmente por afloramentos do Jurássico Médio. Ocupa uma área de 34 000 hectares, e integra parte dos concelhos de Alcanena, Alcobaça, Ourém, Porto de Mós, Rio Maior, Santarém e Torres Novas.
De paisagem vigorosa e agreste, possui algumas das mais interessantes formações geológicas do país. No interior do parque podem ver-se as maiores belezas e os mais relevantes aspetos científicos. Na verdade, o maciço calcário, resultante de movimentos orogénicos de grande amplitude, revela-nos um conjunto variado de acidentes, com numerosas falhas que deram origem a escarpas por vezes com centenas de metros de altura e grutas de muito interesse. A permeabilidade das formações calcárias a que se associa a fácil dissolução da rocha, permitindo fissuras por onde se infiltra a água das chuvas, justifica que não existam cursos de água permanentes à superfície mas, em contrapartida, a região é riquíssima em correntes subterrâneas, que são levadas até locais cavados pelas águas no fundo de grutas enormes, e que ressurgem à superfície, em fontes. A erosão cársica originou uma série de formações características, tornando a área do Parque Natural na mais rica concentração destes acidentes geomorfológicos de todo o país. São especialmente notáveis os poljes, depressões fechadas originadas por erosão cársica, que acumulam água, formando pequenas lagoas, entre as quais, pelas suas dimensões, se destacam as de Mendiga, Alvados e Minde. No Arrimal há ainda pequenas lagoas que são notáveis exemplos de dolinas, depressões de origem cársica, em forma de funil, em que o bico atinge os lençóis freáticos. A exuberância das grutas revela-se no facto de já estarem localizadas e identificadas mais de 130 só na área do Parque; algumas delas são espectaculares, estando as grutas de Santo António, Alvados e Mira de Aire a ser exploradas comercialmente. As grutas continuam a ser motivo de atracção irresistível para muitas pessoas. Uvalas, stochs, algares, lapas, campos de lapiaz são outros tantos fenómenos geomorfológicos que se encontram no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. É de referir também o vale tifónico, a nascente de Rio Maior e os afloramentos de margas salinas da Fonte da Bica, onde se explora o sal-gema desde o tempo da presença dos Romanos na região.




Biodiversidade :

              No que diz respeito à flora, o património natural é ainda completado com o valor da vegetação espontânea, de que restam vestígios, integrando alguns endemismos. Certas encostas estão cobertas de denso matagal de carrasco a que se associam o sanguinho, a aroeira, o zambujeiro e o trovisco. Subsistem alguns núcleos de carvalho-português e há vastas formações de rosmaninho e de alecrim. Nas linhas de água, a mata ribeirinha está muito degradada, mas ainda se encontram ulmeiros e densa vegetação arbustiva de associação ripícola.
A fauna foi drasticamente atingida com a ocupação humana deste território que devastou os habitats e destruiu recursos. Além de algumas rapinas e muitos passeriformes, vale a pena destacar, por ser rara, a gralha-de-bico-vermelho que aqui nidifica. São também de salientar várias espécies de morcegos que habitam as grutas, estando estes ameaçados de extinção. O povoamento destas zonas montanhosas é muito antigo, havendo indícios de ocupação humana desde o Paleolítico. Sabe-se que a região foi muito ocupada durante o domínio dos Romanos. A agricultura pratica-se nos melhores solos de vales encaixados e em todo o planalto de Santo António; o pastoreio é um dos apoios da economia rural, e as atividades florestais têm hoje reduzida expressão. Uma das atividades mais importantes da área do Parque é a extração de inertes, sobretudo de pedras de calcário quer para britagem quer para pavimentação e cantarias. O Parque Natural tem sede em Rio Maior e procura alargar a sua implantação através de novas instalações, nomeadamente com vista a aspetos culturais e divulgação, ou de apoio direto às populações. Iniciou-se o trabalho para instalar um centro de tecelagem em Chãos e uma casa-abrigo para espeleologia em Valverde. Iniciaram-se também os processos de criação de um posto de informações em Minde e de um novo centro de interpretação em Porto de Mós. Está em fase de recuperação a Igreja de Mira de Aire. O apoio às atividades da região revela-se ainda no projeto de revitalização do núcleo das lagoas de Arrimal, em colaboração com o cantão de Vaud (Suíça), e na constituição do apiário do parque que dará colaboração aos apicultores, quer promovendo cursos de formação quer fazendo o inventário e a divulgação de novos processos e técnicas em apicultura. O Parque Natural desenvolve intensa atividade cultural sendo de salientar a realização da "Semana da Pedra", conjunto de realizações como um concurso nacional de Escultura, de Fotografia e Desenho; folclore e espetáculos, incluindo um concerto subterrâneo numa gruta. Com enormes potencialidades no domínio do recreio de ar livre e do turismo rural, o Parque Natural poderá ser uma área fundamental na estrutura de recreio e de lazer ainda sob a influência da cidade de Lisboa.















O que visitar :

           Neste Parque Natural pode visitar as grutas de Mira de Aire, Alvados, Santo António e Moeda, que são referências turísticas nacionais. Junto às grutas de St.º António, existe a Reserva de Burros, a partir de onde se podem fazer passeios de burro à descoberta da serra. Mais perto de Fátima, na localidade de Bairro, encontra-se o Monumento Natural das Pegadas dos Dinossáurios. São cerca de vinte pistas de pegadas, que datam do médio-jurássico (175 milhões de anos) e constituem o mais longo trilho de pegadas de dinossáurios saurópodes conhecido em todo o mundo. Os muros de pedra solta que dividem as propriedades agrícolas são baixos e tortuosos e conferem à paisagem uma forte identidade, juntamente com os moinhos de vento dispersos pelos cabeços, as casinas (abrigos de pastores) e as cisternas que recolhem as águas pluviais. Nas aldeias assiste-se aos processos agrícolas e artesanais do passado no fabrico de queijos, apicultura e tecelagem. São também visíveis os vestígios pré-históricos, como o Castro de Santa Marta, e os sinais da presença romana, como as Minas de salgema. Nas imediações do Parque situam-se os Moinhos da Pena, provavelmente o maior aglomerado de moinhos de vento em Portugal, alguns dos quais recuperados para alojamento turístico.

Monumento Natural das pegadas de Dinossauros da Serra de Aire 
Local: Bairro - Ourém 

O Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios no extremo oriental da Serra de Aire na povoação de Bairro, em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros contém um importante registo fóssil do período Jurássico, as pegadas de alguns dos maiores seres que alguma vez povoaram o planeta Terra: os dinossáurios saurópodes. Na laje calcária onde as pegadas de dinossáurios se conservaram ao longo de 175 milhões de anos, podem ser observados cerca de 20 trilhos ou pistas, uma delas com 147m e outra com 142m de comprimento. Os saurópodes eram animais possantes, herbívoros, quadrúpedes, de cabeça pequena, e cauda e pescoço compridos. A cauda serviria possivelmente para se defender dos predadores; o pescoço, tal como a cauda, ajudariam estes animais a manter o equilíbrio, permitindo-lhes chegar à vegetação mais alta e torná-los mais competitivos em relação a animais de menor porte.



Olhos D'Água do Alviela
Local : Nascente do Rio Alviela 

A nascente do rio Alviela situa-se na transição entre o Maciço Calcário Estremenho, zona onde predomina a rocha calcária, e a Bacia Terciária do Baixo Tejo, paisagem constituída principalmente por arenitos. A sua bacia de alimentação estende-se ao longo de cerca de 180 km2, onde a água percorre verdadeiros labirintos subterrâneos até chegar à nascente. O rio Alviela é alimentado durante todo o ano por uma nascente permanente, mas em períodos de maior precipitação a água é também expelida através de nascentes temporárias, nomeadamente por uma saída temporária de extravasamento situada junto à nascente principal (Olhos de Água) e por uma outra situada junto ao Poço Escuro.
A nascente dos Olhos de Água do Alviela é uma das mais importantes do nosso país, chegando a debitar 17 mil litros por segundo, ou seja, 1,5 milhões de metros cúbicos de água por dia (pico de cheia). Desde 1880 até bem próximo da actualidade, a nascente do Alviela foi uma das principais fontes de abastecimento de água à cidade de Lisboa (através da EPAL), e ainda hoje “abre portas” a um dos maiores reservatórios de água doce do país. Em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, o Complexo das Nascentes do Alviela oferece aos seus visitantes as mais variadas experiências de contacto com a Natureza, num ambiente bucólico de rara beleza paisagística. Repousar na Praia Fluvial, descobrir os caminhos que a água percorre até chegar à Nascente ou praticar desporto ao ar livre são apenas algumas das ofertas disponíveis no local.


Marinhas de Sal
Local : Fonte da Bica - Rio Maior 

"As Salinas da Fonte da Bica, também conhecidas por Marinhas de Sal de Rio Maior, são um património e uma actividade emblemáticos do concelho, a ponto de haver uma referência às suas pirâmides no próprio brasão autárquico. A exploração testemunha-se desde os tempos romanos e terá continuado pela Idade Média, havendo documentos que referenciam a actividade desde, pelo menos, 1177 (diploma em que parte das salinas passaram para a posse dos Templários). No séc. XV, o conjunto era importante o suficiente para o próprio monarca (D. Afonso V) ser proprietário de cinco talhos.
As salinas implantam-se no sopé da Serra dos Candeeiros e têm a particularidade de se localizar a ceca de 30 km do oceano Atlântico, facto que constitui um verdadeiro fenómeno natural. Este é formado a partir de uma jazida de sal-gema que é atravessada por m dos muitos cursos de água subterrâneos que percorrem o território calcário. A jazida contem um poço-mãe de aproximadamente oito metros de profundidade e quatro de largura, que é, desde há séculos, o verdadeiro centro alimentador desta indústria."    



Onde Ficar

 “CASAS DO ALTO DA SERRA”
Casa Grande e Casa Pequena

Morada: Alto da Serra , 2040 - Rio Maior

As Casas do Alto da Serra consistem num núcleo composto por dois edifícios: Casa Grande e Casa Pequena, respectivamente com a capacidade de 4 quartos duplos e 2 quartos duplos.
Encontram-se localizadas a cerca de 5 Km de Rio Maior e a 3 Km das Salinas, um dos ex-libris deste Parque Natural. Próximo da povoação do Alto da Serra, com ligação à EN 1, inserem-se junto à estrada que percorre a cumeada da Serra dos Candeeiros. Junto a ambas as casas existem duas zonas para merendas, equipadas com bancos, mesas e grelhadores. Na povoação do Alto da Serra, bem como nas Marinhas de Sal, existem vários restaurantes com gastronomia regional. 
Para Reservas Contactar:
Tlm 966 599 867
pnsacvisitas@gmail.com


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Maria João Rodrigues - Uma escritora da nova geração


Sobre a Escritora :

Mulher de múltipla facetas, Maria João Rodrigues nasceu a 19 de Janeiro de 1983 em Castelo Branco.

Biografia :

Mulher de múltipla facetas, Maria João Rodrigues nasceu a 19 de Janeiro de 1983 em Castelo Branco. Passou a sua infância entre o campo e a cidade. Em 1998 frequentou o curso de Introdução ao Jornalismo e no ano seguinte, em 1999 o curso de Poesia Portuguesa do século XX, curso esse que viria a ser o seu despertar para a escrita. Em 2005 editou o seu primeiro livro de Poesia “Silentium” seguido de “O Ser e o Mundo” em 2007. Em 2009 concluiu a sua licenciatura em Engenharia Civil. Depois de dois livros de Poesia, Maria João Rodrigues elevou a fasquia, começando a escrever uma história (Prosa) que por palavras próprias referiu como sendo “um grande desafio para mim enquanto pessoa e que coloca à prova as minhas capacidades de escrita”. Deste modo a sua primeira prosa, “Impulso” surge em 2011.


Foto: Agora que o livro "Memorial" se encontra na gráfica em fase de impressão, decidi divulgar hoje a capa final do mesmo.
Espero que gostem. 
Como se trata de uma edição especial e limitada existirão ainda outras novidades :)

Artwork: Carlos Cardoso

Beijinhos e boas leituras.
Maria João Rodrigues

Capa do novo livro da Escritora, com o título " MEMORIAL "


Foto: Brevemente (talvez já na próxima semana) o livro "Impulso" irá estar disponível para venda em todas as livrarias Almedina do país.

Livro deitado pela Escritora com o titulo " IMPULSO " no ano de 2011


Uma breve entrevista cedida gentilmente pela Escritora Maria João Rodrigues e feita pelo amigo Silvio D'Avennes a quem agradecemos. 


Fomos encontrar Maria João Rodrigues na última fase da edição do seu último livro “Memorial”, que o lançamento está para breve:


Olá Maria João Rodrigues.
O que nos pode contar acerca deste novo livro “Memorial”?

Olá! Boa tarde.
Tal como refiro na nota de autor, que poderão ler no livro, “Memorial” é cada lembrança que transpor¬to comigo. São as notas musicais que suavemente se misturam com cada palavra minha. É cada apontamento que guardo na escuridão de uma gaveta fechada. “Memorial” sou eu e todo o meu percurso até aqui. Quem o ler, irá ter a oportunidade de me conhecer em várias vertentes, desde a poesia, à prosa, a simples pensamentos, ao trabalho que tenho desenvolvido na vertente musical. 
“Memorial” é uma edição limitada precisamente por se tratar de um trabalho que nem sempre é possível de se realizar. É um conjunto de sentimentos e vivências que revelam uma viagem ao passado e o fechar de um ciclo. É um livro bastante pessoal não só pelo que contêm cada linha como também por se tratar do meu primeiro trabalho como escritora e editora. Pela primeira vez consigo definir e editar o meu livro tal e qual como o imaginei, sem pressões nem cortes. 
É totalmente genuíno.



O nome “Memorial”, o que nos pode dizer sobre a escolha do mesmo?

Como referi anteriormente, este trabalho é o espelho de cada lembrança que transporto comigo, desde a edição do meu primeiro livro “Silentium” em 2005, ou seja, é um vasto conjunto de memórias e vivências e portanto o título “Memorial” foi desde logo o escolhido. 


Quando estará disponível este novo livro e como é uma edição especial, como se processará para quem estiver interessado em adquirir um exemplar?

A criação deste trabalho tem sido feita de “altos e baixos” com inúmeras pedras no caminho, quem me acompanha sabe do que falo, contudo espero ter a edição finalizada ainda este mês de Outubro e consequentemente o livro ficará disponível a partir dessa data.
Para todos aqueles que estejam interessados em adquirir um exemplar desta edição limitada, ou simplesmente saber um pouco mais sobre o meu trabalho literário, poderão fazê-lo através do meu facebook oficial (www.facebook.com/mariajoaorodrigues.livros) ou então através do meu email (livros-mariajarodrigues@hotmail.com). 
Este livro não irá estar disponível no circuito de livrarias nacionais precisamente por se tratar de um trabalho limitado e de autor.


Dando uma volta ao passado para quem ainda não conhece o seu trabalho, quando é que tudo começou e como deu por si a ter necessidade de escrever mais e mais?

Tudo começou quando tinha 14 anos. Numa aula de português a professora pediu como trabalho a criação de um poema que descrevesse o nosso melhor amigo, no caso a minha melhor amiga. Através da escrita desse poema encontrei a verdadeira essência da escrita e dos jogos de palavras que a compõem. 
Posteriormente frequentei um curso de Poesia (Poesia Portuguesa do século XX) e após o mesmo fiquei completamente rendida à beleza e delicadeza de um poema. Apaixonei-me pela escrita de Fernando Pessoa e Florbela Espanca. Senti uma vontade incontrolável de começar a criar os meus próprios poemas, descrever todos os meus sentimentos, todas as minhas vivências. E foi precisamente o que fiz! Deixei-me envolver pelo fascinante mundo da escrita e até hoje não consegui mais parar de escrever [Risos].



O primeiro passo foi o livro “Silentium” em 2005, quer-nos contar um pouco do seu percurso literário, assim como destacar algum momento alto em que pensou: “é por isto que escrevo”?

Aos 19 anos os meus amigos mais próximos começaram a desafiar-me com o propósito de editar os meus próprios livros. Inicialmente achei que isso seria algo impossível de acontecer, não só porque sempre achei o mundo editorial muito fechado para novos autores como também porque as pessoas com quem privava me faziam crer que editar um livro era algo bastante complicado e que não era assim tão simples como eu pensava ser. Ainda assim, e como eu nunca fui pessoa de desistir ou de me deixar intimidar pelos desafios, a vontade de tentar uma edi¬ção foi crescendo cada vez mais e após muito trabalho, no ano de 2005, com 22 anos, consegui finalmente entrar no circuito editorial. 
Editei assim o meu primeiro livro de poesia, “Silentium”, em 2005. Em 2007 chegava o segundo livro, “O ser e o mun¬do”. Em 2011 a minha primeira prosa “Impulso”. Este ano, 2013, “Memorial”.
Quanto ao momento alto que me faz escrever devo dizer que escrevo primeiro que tudo para mim mesma como forma de me libertar do mundo que me rodeia, e em segundo lugar escrevo para todos os que gostam de literatura contemporânea e irreverente. Cada vez que me dão os parabéns pelo meu trabalho e me dizem que se identificaram com ele ou que ao lerem-no sentiram o sentimento que ali estava escrito, penso:  “É por isto que escrevo”.



Para terminar queremos-lhe agradecer esta oportunidade de falar consigo e deixar uma última pergunta: Já tem ideia de como será o seu próximo livro? Poesia ou prosa?

Quero agradecer igualmente a oportunidade de divulgação e o interesse pelo meu trabalho. Quanto ao meu próximo livro existem algumas ideias mas nada sólido por enquanto, existem também uns quantos convites para parcerias em alguns projectos mas para já estou focada no livro “Memorial” e na promoção do mesmo, existe ainda algum trabalho pela frente [Risos].


Muito Obrigado
Sílvio d’Avennes




Aqui fica o novo livro da escritora acabado de sair da editora, qualquer reserva é só contactar por e-mail que está nesta página e boas leituras.

domingo, 6 de outubro de 2013

Viagem e visita ao Parque Natural da Serra de S. Mamede



Localização

        O Parque Natural da Serra de São Mamede (PNSSM) é uma área protegida portuguesa, situada na Serra de São Mamede, na região fronteiriça do nordeste Alentejano. Ocupa uma área aproximada de 55.524 ha, distribuídos por cinco concelhos do distrito de Portalegre. A zona sul do parque apresenta um relevo suave e ondulado, com uma altitude que varia entre 300 e 400 m. O Patamar de Portalegre, que se situa a uma altitude de 400 a 500 m, forma uma espécie de degrau que sobressai da zona sul do parque. Constitui uma zona de transição entre a paisagem tradicional alentejana e a serra, a serra propriamente dita, que se situa na sua maioria a norte e centro da área do parque, com altitudes superiores a 800 m, é uma zona marcada paisagisticamente pelo atravessamento de cristas quartzíticas e por relevos proeminentes.
A criação do Parque Natural marca, em consonância com o seu património natural e paisagístico, o início de um processo de restauro dos sistemas agrícolas tradicionais da serra, em degradação desde finais do século XIX pelas campanhas cerealíferas.





História :

      O Parque Natural da Serra de S. Mamede foi criado a 14 de abril de 1989, segundo o Decreto-Lei n.º 121/89, ocupando uma área de 31 750 hectares, com cerca de 30 mil habitantes. O conjunto montanhoso conhecido por serra de S. Mamede constitui o principal acidente montanhoso do Sul de Portugal e é constituído por quatro elevações: Fria, Marvão, Castelo de Vide e São Mamede (o mais elevado, com 1025 metros) e estende-se através dos concelhos de Arronches, Castelo de Vide, Marvão e Portalegre, trata-se da Área Protegida mais habitada do país, com cerca de 30 mil habitantes. É o prolongamento da "Sierra de S. Pedro" em Espanha e constitui o limite da unidade paleogeográfica Ossa-Morena. A orientação noroeste-sudeste deste conjunto montanhoso que forma o maciço de S. Mamede confere-lhe, sob o ponto de vista da diversidade florística, características muito particulares. O facto deve-se à existência de um clima tipicamente mediterrânico, mais quente e seco, nas encostas voltadas a sudoeste e outro, mais fresco e húmido, nas encostas viradas a nordeste. Esta diferença microclimática favorece o aparecimento de uma flora variada.




Características :

              A serra de S. Mamede é de grande beleza paisagística e apresenta um grande número de exemplos de cooperação harmoniosa entre o Homem e a Natureza. A diversidade climática e morfológica do solo permitiram, neste reduzido espaço, a conjugação da floresta atlântica com a mata mediterrânica. Os percursos do Parque Natural da Serra de S. Mamede pretendem dar a conhecer aspetos gerais da sua geologia, do seu clima, do seu relevo, dos seus solos e da ocupação humana ao longo dos tempos, fatores que determinam a grande diversidade de habitats, de florística, de faunística e de paisagística existentes.
Quanto ao clima, podemos encontrar dois microclimas distintos: um mais fresco e húmido, principalmente no norte do Parque Natural e nas zonas de altitude, e outro mais quente e seco, no sul.
Geologicamente, a serra de S. Mamede é uma zona complexa onde se evidenciam dobramentos provocados por forças orogénicas e constitui o limite da unidade paleogeográfica Ossa-Morena. Cercada a norte e a leste por granitos, a geologia da serra traduz-se na presença de xistos, grauvaques, calcários e quartzitos, litologia que se reflete na variedade dos solos. Certas áreas estão cobertas por depósitos de vertente (recentes) e por depósitos aluvionares. A serra de S. Mamede surge a partir da planície alentejana, elevando-se até à altitude de 1025 metros, e apresenta cerca de 40 km de comprimento e 10 km de largura.
Tem uma orientação noroeste-sudeste e constitui o maciço montanhoso mais notável a sul do Tejo. Existem duas unidades geomorfológicas que se diferenciam da grande unidade regional que é a peneplanície alentejana: a serra e a plataforma de Portalegre. Esta última constitui uma zona de transição entre a serra e a peneplanície, comportando-se como um "degrau" ainda com características de serra mas com influências de peneplanície. Relativamente às formações vegetais, a serra e a plataforma de Portalegre apresentam características de índole centro-europeia e mediterrânica e características de índole atlântica. Podem-se encontrar aqui as plantas comuns da região de clima com características atlânticas. São pois notáveis as presenças, nas encostas e cimos da serra, de espécies como o selo-de-salomão, a erva-dos-três-passarinhos, a madressilva-das-boticas ou a rosa-albardeira e também o narciso-trombeta e a erva-pinheira-orvalhada. O carvalho-negral é a espécie que revestia a maior parte da serra, com clima atlântico constituindo a vegetação clímax. A área destes carvalhos caducifólios foi reduzida e progressivamente substituída pelo castanheiro.
No que diz respeito à fauna, é possível encontrar a presença de espécies protegidas, como a águia-de-bonelli e o grifo, que repartem o território com o gaivão-da-europa, a águia-cobreira, o peneireiro-cinzento, milhafres e a águia-caçadeira. É de salientar a existência de uma gruta, a mais importante do país e uma das mais importantes da Europa, abrigando uma colónia de criação de cerca de 20 000 indivíduos de morcego-de-peluche, espécie classificada como "vulnerável". O lobo é uma espécie que na região tem estado em declínio e encontra-se praticamente extinto. Quanto à arquitetura, notam-se influências da planície alentejana, de rusticidade beirã, e da arquitetura espanhola, aliadas aos fatores do clima, dos usos e costumes que determinam uma arquitetura própria. S. Mamede apresenta vestígios de presença humana desde o Paleolítico. Foram encontrados vestígios nos vales drenados pelas principais linhas de água, o caso do rio Sever e da Ribeira de Nisa e, fruto de uma atitude defensiva, de locais mais elevados como o Castelo da Crença ou o Cabeço do Mouro. Em período mais recente, a dominação romana deixou marcas bem visíveis nas várzeas do Caia e do Sever, realçando as ruínas do que foi a cidade de Amaia, meio escondidas pelos arvoredos e campos de cultura de Aramenha.






O que visitar

Pinturas Rupestres Lapa dos Gaivões
No limite sul do Parque, na freguesia de Esperança, concelho de Arronches, localiza-se o mais importante conjunto de pinturas rupestres de ar livre de Portugal. No exterior ou sob os abrigos, maioritariamente naturais, que se abrem nas cristas quartzíticas, vários painéis de pinturas parecem revelar a consagração deste espaço por comunidades do Neolítico, Calcolítico e Idade do Bronze.Abrigos virados à incidência solar serviram de suporte a diferentes expressões artísticas onde a conjugação de cores como o vermelho, o laranja e o preto, associados à rugosidade natural e às tonalidades da oxidação da pedra plasmaram, através de técnicas diferentes, representações humanas, animais, astrais e geométricas. Merece especial referência um painel de teto onde figuras humanas acompanhadas de um provável canídeo parecem perseguir vários cervídeos. Na extremidade poente, o movimento de um animal, provavelmente um cervídeo, foi obtido através da pintura de múltiplos membros. Na extremidade nascente do abrigo, um pequeno painel mostra uma representação humana heroificada, com capacetes de cornos, ladeada por duas figuras antropomorfas acéfalas ( figuras humanas sem cabeça).             

Chafurdões
Estas enigmáticas edificações marcam indelevelmente a paisagem da zona norte do Parque.Os mais comuns, de planta circular, apresentam diâmetros que variam entre os 3,5 m e os 7 m. Uma estrutura exterior cilíndrica, que pode ultrapassar os 3 m de altura é sobrepujada por uma cobertura em forma de calote de esfera. Estas formas resultam de uma técnica de construção que recorrendo a lages de granito ou xisto dispostas horizontalmente e de forma imbricada se constituem numa falsa cúpula. Uma porta, e por vezes uma pequena fresta que sobre ela se abre, são as únicas comunicações com o exterior.
No exterior a cobertura é completada por terra batida, desempenhando multíplas funções. Para além de conferir a toda a construção uma maior estabilidade ao preencher pequenos vãos ainda existentes, isola em termos de humidade e temperatura o seu interior. Nalguns chafurdões encontra-se, no interior, pequenos nichos, abertos na parede. Raras são as construções deste tipo que não apresentam a porta virada a nascente. Apesar de serem construções bastantes robustas, começam já a mostrar vestígios de degradação. Esta situação acelerou-se, principalmente, com o gradual abandono dos campos a que temos assistido nos últimos anos. O(A) agricultor(a) e o(a) pastor(a) ao servirem-se dos chafurdões para os mais diversos fins contribuíram para a sua manutenção. recolocando alguma pedra que caía, repondo terra na cobertura, cortando alguns arbustos que teimavam em crescer por entre a estrutura, os chafurdões conseguiram, assim, chegar aos nossos dias.

Ermida de N. Sra da Penha -
Erguida a 704 m de altitude sobre um dos afloramentos da crista quartzítica da serra da Penha, foi construída no séc. XVI. Dela se observa um panorama vasto, donde, para além da vista "aérea" de singular beleza sobre a vila de Castelo de Vide, se avistam trechos da serra de S. Mamede a sul, território da vizinha Estremadura espanhola a este e, nos dias de luminosidade favorável, a serra da Estrela a norte.