Translate

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de Angra do Heroísmo - Açores

Brasão de Angra do Heroísmo

Localização

            Angra do Heroísmo é uma cidade que se localiza na costa Sul da Ilha Terceira, nos Açores, é sede de um município com 239 km² de área e subdividido em 19 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município da Praia da Vitória, sendo banhado pelo Oceano Atlântico em todas as demais direcções, constitui-se na capital histórica e em sede da diocese dos Açores. Abriga ainda um destacamento militar, o Regimento de Guarnição nº 1. A riqueza de seu património edificado fê-la ser classificada como cidade Património Mundial pela UNESCO desde 1983. Juntamente com Ponta Delgada e Horta, Angra constitui uma das capitais regionais.


História

           O local escolhido pelos primeiros povoadores foi uma crista de colinas, que se abria, em anfiteatro, sobre duas baías, separadas pelo vulcão extinto do Monte Brasil. Uma delas, a denominada "angra", tinha profundidade para a ancoragem de embarcações de maior tonelagem, as naus. Tinha como vantagem a proteção de todos os ventos, exceto os de Sudeste.
As primeiras habitações foram erguidas na encosta sobre essa angra, em ruas íngremes de traçado tortuoso dominadas por um outeiro. Neste, pelo lado de terra, distante do mar, foi iniciado um castelo com a função de defesa, à semelhança do urbanismo medieval europeu: o chamado Castelo dos Moinhos. Por carta passada pela Infanta Dna. Beatriz em 2 de abril de 1474, a capitania de Angra foi doada a Álvaro Martins Homem, que ao tomar posse dela deu início aos trabalhos da chamada Ribeira dos Moinhos, aproveitando a forças de suas águas e lançando as bases para o futuro desenvolvimento económico da povoação. A partir da proteção propiciada pelo Castelo dos Moinhos (atual Alto da Memória), o casario acompanhou a Ribeira dos Moinhos até à baía, primitivamente por ruas e vielas sinuosas - ruas do Pisão, da Garoupinha, de Santo Espírito, das Alcaçarias - cuja toponímia conservou a memória de suas actividades económicas. Martins Homem deu início à chamada Casa do Capitão, posteriormente acrescentada por João Vaz Corte Real, que também procedeu à canalização da Ribeira, à construção do primitivo Cais da Alfândega, da muralha defensiva da baía de Angra e do Hospital de Santo Espírito, ao mesmo tempo, liberava a àrea do vale para que, de acordo com os princípios do urbanismo do Renascimento, pudessem ser abertas ruas obedecendo a um plano ortogonal, organizadas por funções, de acordo com as necessidades do porto que crescia com rapidez. Nesse plano ortogonal serão abertas as ruas da Sé e Direita, ligando os principais elementos da cidade: o porto e a casa do capitão nos extremos do braço menor, os celeiros do Alto das Covas e a Câmara Municipal nos do braço maior. Ao longo do século XVI a cidade crescerá até ao Alto das Covas e a São Gonçalo, embora com ruas de traçado mais irregular. Desse modo, em poucos anos, desde 1478, a povoação fora elevada à categoria de vila e, em 1534, ainda no contexto dos Descobrimentos, foi a primeira do arquipélago a ser elevada à condição de cidade. No mesmo ano, foi escolhida pelo Papa Paulo III para sede da Diocese de Angra com jurisdição sobre todas as ilhas dos Açores, as razões para esse vigoroso progresso deveram-se à importância do seu porto como escala da chamada Carreira da Índia, centrado na prestação de serviços de reabastecimento e reaparelhamento das embarcações carregadas de mercadorias e de valores. Por essa razão desde as primeiras décadas do século XVI aqui foi instalada a Provedoria das Armadas, com essa função e a de apoiar a chamada Armada das ilhas. Posteriormente, no contexto da Dinastia Filipina, a estes vieram juntar-se os galeões espanhóis carregados de ouro e prata, oriundos das Índias Ocidentais, numa rota que se estendia de Cartagena das Índias, passava por Porto Rico e por Angra, e alcançava Sevilha. Para apoiar essas fainas, foram implantados os primeiros estaleiros navais, na Prainha e no Porto das Pipas, e as fortificações que fecham a baía: o chamado Castelo de São Sebastião e o de São João Baptista. A cidade, mais de uma vez, teve parte ativa na história de Portugal: à época da Crise de sucessão de 1580 resistiu ao domínio Castelhano, apoiando António I de Portugal que aqui estabeleceu o seu governo, de 5 de Agosto de 1580 a 6 de Agosto de 1582. O modo como expulsou os espanhóis entrincheirados na fortaleza do Monte Brasil em 1641 valeu-lhe o título de "Sempre leal cidade", outorgado por João IV de Portugal.
Posteriormente, aqui esteve Afonso VI de Portugal, detido nas dependências da fortaleza do Monte Brasil, de 21 de Junho de 1669 a 30 de Agosto de 1684, Angra constitui-se na capital da Província dos Açores, sede do Governo-geral e em residência dos Capitães-generais, por Decreto de 30 de Agosto de 1766, funções que desempenhou até 1832, foi sede da Academia Militar, de 1810 a 1832. No século XIX, Angra constitui-se em centro e alma do movimento liberal em Portugal. Tendo abraçado a causa constitucional, aqui se estabeleceu em 1828 a Junta Provisória, em nome de Maria II de Portugal. Foi nomeada capital do reino por Decreto de 15 de Março de 1830. Aqui, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), Pedro IV de Portugal organizou a expedição que levou ao desembarque do Mindelo e aqui promulgou alguns dos mais importantes decretos do novo regime, como o que criou novas atribuições às Câmaras Municipais, o que reorganizou o Exército Português, o que aboliu as Sisas e outros impostos, o que extinguiu os morgados e capelas, e o que promulgou a liberdade de ensino no país, em reconhecimento de tantos e tão destacados serviços, o Decreto de 12 de Janeiro de 1837 conferiu à cidade o título de "mui nobre, leal e sempre constante cidade de Angra do Heroísmo", e condecorou-a com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada.
A cidade sempre teve forte tradição municipalista, e a sua Câmara Municipal foi a primeira do país a ser eleita, já em 1831, após a reforma administrativa do Constitucionalismo (Decreto de 27 de Novembro de 1830). Em Angra encontraram refúgio Almeida Garrett, durante a Guerra Peninsular, e a rainha Maria II de Portugal entre 1830 e 1833, durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834). Por aqui passou Charles Darwin, a bordo do "HMS Beagle", tendo aportado a 20 de Setembro de 1836. Darwin partiu daqui para a ilha de São Miguel em 23 de setembro, após fazer um passeio a cavalo pela ilha, onde entre vários locais visitou as Furnas do Enxofre, tendo na altura afirmado que a nível biológico "nada de interessa encontrar". Mais tarde, e reconhecendo o seu erro, pediu a vários cientistas, nomeadamente a Joseph Dalton Hooker, a Hewett Cottrell Watson e a Thomas Carew Hunt que lhe enviassem espécimes da flora endémica da Macaronésia e também amostras geológicas. 

Bandeira de Angra do Heroísmo

Heráldica

Armas - De prata com um castelo de vermelho aberto e iluminado de ouro, assente num contra-chefe de quatro faixas, duas de verde e duas de prata. Em chefe um açor de sua cor, voante, tendo nas garras uma quina de Portugal. Coroa mural de prata de cinco torres. O escudo acompanhado lateralmente e no pé pelo colar da Ordem da Torre e Espada. Listel branco com os dizeres “Cidade de Angra do Heroísmo” de negro.

Bandeira - Quarteada de quatro peças de amarelo e quatro de vermelho. Cordões e borlas de ouro e de vermelho. Haste e lança douradas.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres “Câmara Municipal de Angra do Heroísmo” de negro.


Cultura e Turismo

          A riqueza de um Concelho vai muito mais além do que o seu património edificado, Angra, conhecida e reconhecida pelo seu rico património histórico, pela traça única da cidade, alberga em si um vasto património natural que urge promover, divulgar, revelar os seus segredos a todos os angrenses e a quem nos visita. Das grutas aos trilhos pedestres, das lagoas aos miradouros, o Concelho de Angra revela-se impar na sua diversidade, permitindo conhecer o que somos e o que fomos, revelado pelo património subaquático da baía de Angra, pela imponência das crateras dos vulcões do Monte Brasil e da serra de Santa Bárbara, pela existência de uma flora que o tempo e a geografia foram preservando únicas, um Concelho que associa a história à preservação ambiental, cujo conhecimento se torna agora mais acessível, através do magnífico trabalho efectuado. Angra e o seu património fazem-nos perder nas delícias de um passeio, na observação de paisagens luxuriantes que podem surgir do nada. Cada espaço estimula a descoberta, cada descoberta encobre outra.Existe no concelho de Angra do Heroísmo um conjunto de locais com observação privilegiada sobre a paisagem, que exibem algumas das melhores características do seu património natural ou na adaptação do meio às necessidades da população, operadas pelo Homem ao longo dos séculos.
Miradouro da Memória - Onde outrora estava uma antiga fortaleza, foi terminado em 1856 o monumento a D. Pedro IV, esta pirâmide quadrangular em pedra, vulgarmente conhecida como a Memória, verdadeiro ex-líbris da cidade. Deste admirável e sobranceiro Miradouro da Memória, que tende a concentrar o olhar na baixa da cidade e no seu jardim público, tem-se no entanto uma panorâmica alargada sobre esta cidade Património da Humanidade. Entre os edifícios classificados, agarrados às suas típicas varandas, e as ruas de traços geométricos e calçadas paralelepipédicas, destacam-se a Sé Catedral dos Açores, a Baía de Angra e os Castelos de São João Baptista e de São Sebastião.

O concelho de Angra do Heroísmo apresenta um diversificado património espeleológico, sendo conhecidas cerca de 44 cavidades naturais, de diferentes tipos. Correspondem a vários quilómetros de caminhos subterrâneos, onde se escondem muitos segredos e estranhas formas de vida.
Gruta do Natal - A Gruta do Natal localiza-se no interior da ilha Terceira, dentro da área protegida da Serra de Santa Bárbara e Mistérios Negros. É actualmente uma das duas grutas visitáveis turisticamente na ilha Terceira. No seu interior podem ser observadas estruturas geológicas diversas: escorrências de diferentes tipos de lava, estafilites e pequenos balcões laterais. Apresenta-se como um espaço didáctico a que cada vez mais pessoas recorrem, para tomarem um primeiro contacto com algo de diferente e compreenderem as manifestações vulcânicas que se encontraram na génese destas ilhas. Esta cavidade vulcânica terá tido a sua origem nas lavas de erupções fissurícolas ocorridas nas suas imediações, em data incerta. Este tubo de lava, com 697 m de comprimento total, apresenta um trânsito fácil no seu interior, um chão com poucos desníveis e tectos altos. O circuito interno é feito para que o visitante percorra no regresso um trajecto diferente. À esquerda do Altar apresenta-se outra secção da gruta, que poderá ser visitada por pessoas mais experientes. A Associação Os Montanheiros, ONGA responsável pela gestão da Gruta, organizaram a 25 de Dezembro de 1969 a primeira Missa de Natal no interior da mesma, que assumiu assim a actual designação de Gruta do Natal. Esta data marca ainda a abertura da gruta pela primeira vez à população em geral, para tal tendo sido construído um acesso simples e instalada uma iluminação rudimentar. A 1 de Dezembro de 1998 foi inaugurada a primeira Casa-apoio para exploração turística desta gruta, com ampliação em 2006, num projecto que colocava como prioridade a integração do edifício na paisagem envolvente. No interior do edifício é possível apreciar uma exposição fotográfica, da actividade histórico-social ocorrida nesta gruta, nomeadamente dos baptizados, missas e casamento realizados no seu interior.

Jardim Duque da Terceira - No centro da cidade de Angra do Heroísmo situa-se o Jardim Duque da Terceira, um dos mais belos jardins clássicos dos Açores, criado em 1882, por iniciativa do Governador Civil Afonso de Castro, ocupando uma área de cerca de 17.500 m2. Está implantado nas antigas cercas dos Conventos Franciscano e Jesuíta que se localizam nas proximidades. Ainda conserva dois interessantes testemunhos da antiga cerca dos Franciscanos: O “Tanque do Preto”, antigo tanque de rega da cerca, tendo, num dos topos, uma híbrida estátua de negro com cocar de índio brasileiro soprando água por um tubo; e o conjunto de quatro painéis de azulejos representativos da parábola do “Filho Pródigo”, de fabrico lisboeta de c. 1740, com muito interesse pela figuração de ambientes rústicos e cenas domésticas. Deve a sua concepção original ao agrónomo belga Francisco José Gabriel. Desde o seu início, foram várias as concepções estéticas aplicadas, sejam o rústico, geometrizado francês e romântico inglês, com uma maravilhosa mata de que restam poucos exemplares, formando um requintado mosaico cultural. À volta do coreto, no plano mais baixo, ainda hoje é privilegiado o tipo de jardim francês. A sua construção foi, primeiramente, com o propósito de passeio público, dando origem a um jardim de aclimatização devido às características edafo-climáticas dos Açores, que proporcionam condições excepcionais para o desenvolvimento de plantas dos mais variados quadrantes do mundo. A grande variedade de espécies botânicas do jardim dispõe-se ao longo da encosta que, do centro da urbe, conduz ao alto da Memória, admirável miradouro sobre a cidade e onde, em monumento com a forma de obelisco, construído entre 1845 e 1856, se relembra D. Pedro IV e a causa liberal.



Gastronomia

              A gastronomia da Terceira é afamada pela alcatra, geralmente de carne de vaca, mas também de peixe. O prato é típico por ser cozinhado lentamente num tacho de barro, para apurar e espessar o molho composto por toucinho, cebola, alho, louro, pimenta e vinho, entre outros ingredientes. Acompanha geralmente com pão ou massa sovada. Este método de confecção é igualmente aplicado a outras iguarias: galinha, feijão, coelho, polvo e favas. Na doçaria ganha destaque as queijadas Dona Amélia, onde o mel de cana e a canela se associam a corintos e cidras. Diz a lenda que o nome do bolinho está associado à passagem da rainha D. Amélia pela Terceira. Os coscorões, as cornucópias (com recheio de doce de ovos) ou o arroz doce complementam a lista de sobremesas.  A paisagem da região dos Biscoitos é marcada pela vinha, disposta em “curraletos”. Das uvas da casta verdelho, nasce um tipo específico de vinho, defendido e divulgado desde 1993 pela Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos. Na Casa Agrícola Brum funciona um Museu do Vinho, onde o visitante tem o privilégio de provar o vinho licoroso Angelica. 

                                                                                                        Donas Amélias 
Donas AméliasAlcatra
Alcatra 


Cornucópias
Cornucópias 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de São Roque do Pico - Açores

Brasão de São Roque do Pico

Localização

           São Roque do Pico é uma vila portuguesa na ilha do Pico, Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 144,31 km² de área e subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a sul pelo município de Lajes do Pico, a oeste pela Madalena e a norte pelo oceano Atlântico.



História

           Este concelho foi criado por Foral datado de 10 de Novembro de 1542 por ordem do rei Dom João III de Portugal e desde então tem passado pela evolução dos tempos, sendo muito marcado pela caça à baleia que deixou, um pouco por toda a ilha do Pico, mas nesta vila em particular a sua marca. Foi igualmente um concelho exportador de trigo e pastel para o Reino. Os terrenos de lava foram arduamente trabalhados e transformados em férteis pomares de laranjeiras, cujos frutos são de grande qualidade. Cultivaram-se produtivos vinhedos, onde se destaca a Casta de Verdelho.

Bandeira de São Roque do Pico


Cultura e Turismo

             Para os apreciadores das caminhadas pela natureza são ideais os passeios turísticos pelos caminhos antigos do concelho. A visita às lagoas constitui outro dos pontos de interesse do município. Na vulgarmente designada “estrada do mato” São Roque – Lajes, passada a sinalização da “Reserva Natural da Montanha do Pico”, à direita encontramos a conhecida Lagoa do Capitão. Na mesma estrada, mas continuando pela esquerda, temos a partir do cruzamento de acesso à Lagoa do Caiado, percorrendo zonas cobertas de vegetação endémica, outras pequenas lagoas ao longo do planalto central.
O concelho é propício na oferta de actividades ao ar livre, desde os passeios a pé ou de bicicleta, à natação, pesca de rocha ou submarina, passando pela caça e campismo possui todos os atractivos para inesquecíveis dias de lazer. A diversidade de piscinas naturais, de águas límpidas, formadas por rochas vulcânicas, convidam à natação. Os amantes da pesca de rocha encontram dezenas de diferentes espécies, entre elas o sargo, o carapau, a garoupa e o pargo. A riqueza da flora e da fauna submarina, aliada a curiosas formações rochosas apelam à caça e observação submarinas. Além da possibilidade de observar cachalotes e golfinhos, recorrendo às empresas que se dedicam a essa prática.
Para os apreciadores da caça está aberta a do coelho durante todo o ano, sendo também permitido, mediante licença, caçar galinholas, perdizes e codornizes. O Jardim Municipal constitui mais um recanto de natureza em plena vila, com espaços adequados ao divertimento dos mais novos e actuações de que são exemplo os Concertos de Verão. Os parques florestais de Santa Luzia e Prainha, dotados de zonas de lazer e equipamentos adequados à realização de agradáveis piqueniques, oferecem, também, bons momentos de descontracção. Para quem gosta de acampar, o Parque de Campismo Municipal da Furna é um local privilegiado e acolhedor, com uma agradável arborização, restaurante e demais equipamentos de apoio, mesmo em frente a uma zona balnear. Além das actividades ao ar livre, o concelho oferece a possibilidade de visitar museus, como o da antiga Fábrica da Baleia, e as exposições sempre presentes no Centro Multimédia, visita ideal para quem deseja conjugar o contacto com a cultura local e a utilização da Internet num dos vários computadores de livre utilização disponíveis no local, ambos no Cais do Pico; e o Museu da Escola de Artesanato de Santo Amaro.
As festividades com base de cariz religioso são uma constante ao longo de todo o ano, destacando-se destas as festas de São Roque e da Nossa Senhora da Ajuda. Existe ainda o “Cais Agosto”, a maior festa do concelho, onde a animação diurna e nocturna está sempre garantida com acontecimentos desportivos, exposições e música, muita música, entre muitas outras actividades. A diversidade de infra-estruturas de restauração e hotelaria é visível na oferta de vivendas particulares para aluguer e nos empreendimentos em expansão, como é o caso do Aldeamento Turístico Águas Cristalinas, situado junto à zona balnear natural das “Poças” em S. Roque, na Residencial Montanha com boas condições de acomodação e privacidade; e no turismo rural com habitações antigas de pedra restauradas, tal como oferece a Adegas do Pico. é de salientar o Museu da Indústria Baleeira, antiga Fábrica de Vitaminas, Óleos, Farinhas e Adubos, cuja matéria prima era a baleia. Este museu é formado por três corpos rectangulares, alinhados pela fachada, com cisterna acoplada e localizada no Porto Comercial do Cais do Pico, esta fábrica actualmente encontra-se transformada num museu, o Museu da Antiga Fábrica das Armações Baleeiras permite a observação dos apetrechos e equipamentos utilizados na transformação daqueles cetáceos. Com umas impressionantes caldeiras e fornalhas é internacionalmente considerado um dos melhores museus industriais do seu género.
Nesta localidade é de referir a existência de um monumento em homenagem ao Baleeiro que se situa frente à já referida Fábrica de Vitaminas, Óleos, Farinhas e Adubos, tal como o imponente Convento de São Pedro de Alcântara, cuja construção recua ao século XVIII, este convento datado de 1658 e localizado no povoado do Cais do Pico e que pertence à Ordem dos Frades Menores veio absorver uma antiga ermida dedicada a Nossa Senhora do Livramento. Esta vila tem um dos principais portos comerciais da ilha do Pico, o Porto Comercial do Cais do Pico, a Câmara Municipal de São Roque do Pico, o Tribunal da Comarca do Pico, a escola secundária e as principais instalações comerciais e urbanas do concelho. Neste concelho existe um jardim onde é possível observar grande número de plantas endémicas da flora laurissilva, típicas das florestas da Macaronésia que é o Jardim dos Serviços Florestais; localizado na estrada regional. Este jardim tem percursos pedonais, zonas de merenda, balneários, uma vez que se encontra anexo a uma sonha de banho marítimos e um parque infantil, aqui existe uma apreciável variedade de árvores, arbustos e flores, destacando-se algumas araucárias, dragoeiros, ciprestes, criptomérias, cameleiras, metrosideros, urzes, Hibiscos, roseiras, jarros, narcisos, entre outras.
A zona balnear que se localiza junto ao mar é composta por piscinas naturais, estando os balneários de apoio localizados no interior do jardim. Numa das extremidades do jardim situam-se duas construções (habitação e instalações de serviços públicos) edificadas nos anos sessenta e uma outra mais recente.
Um pouco antes do referido jardim e do Convento de São Pedro de Alcântara, encontra-se uma estátua do rei D. Dinis de Portugal, com os olhos postos no mar. Esta estátua teve a sua inauguração no dia 16 de Agosto de 1940, nesse acontecimento fez-se o lançamento por avião de flores de hortênsias. A Igreja Matriz de São Roque ao longo dos séculos e devido as vicissitudes de se localizar num arquipélago fortemente marcado pelos acontecimentos telúricos teve várias reconstruções, o primeiro templo, e segundo Silveira Macedo, datava de 1480. Em 1542 foi necessário proceder à construção de um novo templo, que apesar de várias obras de manutenção, particularmente em 1776, é o que actualmente (2010) ainda se pode observar, neste templo salienta-se os seus preciosos altares em talha dourada, assim como imagens do século XVI do santo patrono e do Século XVII de Santa Ana, uma estante de missal em madeira de jacarandá com embutidos de marfim e um lampadário em prata oferecido pelo Rei D. João V de Portugal no século XVIII.



Gastronomia

            São diversos os pratos típicos, confeccionados com boa carne e peixe fresco. O “caldo de peixe”, o “polvo guisado com vinho de cheiro”, a “caçoila”, a “linguiça” ou os “torresmos com inhame”, a “morcela” e a “molha de carne”, acompanhados com pão ou bolo de milho de fabrico caseiro são alguns dos recomendados. Para os apreciadores de marisco não faltam os cavacos, lagostas, caranguejos de fundo e cracas. O “Queijo do Pico”, de massa macia e branca, ou o “Queijo de São João”, de casca amarelada, pasta mole e cheiro intenso caem sempre bem em qualquer mesa. A doçaria vem completar este saboroso quadro com os bolos ligados às Festas do Divino Espírito Santo: as “vésperas”, as “rosquilhas”, a “massa sovada” e o “arroz doce” e outros doces, como os “sonhos”, os “coscorões” e as “filhoses”. Tudo regado com o “vinho de cheiro” ou o bom branco, seco , leve e frutado – ideal para pratos de peixe ou marisco. Finalize com um copo de verdelho, uma aguardente de figo ou nêspera, ou a doce angelica.


domingo, 18 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho da Madalena - Açores

Brasão de Madalena

Localização

           A Madalena é uma vila portuguesa na Ilha do Pico, Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 149,08 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a leste pelos concelho de São Roque do Pico e das Lajes do Pico. Este concelho, situado no extremo ocidental da ilha do Pico, é o mais recente da ilha, tendo sido criado em 8 de Março de 1723. 



História

           O seu nome tem origem na imponente montanha (o terceiro maior vulcão do Atlântico), que termina num pico cónico, denominado “Pico Pequeno” ou “Piquinho”, o ponto mais alto de Portugal (2351 metros acima do nível do mar).
Raul Brandão, vulto enorme das nossas letras descreve-o admiravelmente e de um modo inigualável:
O Pico é a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma beleza que só a ela lhe pertence, duma cor admirável e com um estranho poder de atracção. É mais que uma ilha – é uma estátua erguida até ao céu e moldada pelo fogo – , é outro Adamastor como o do cabo das Tormentas”.

Bandeira de Madalena

Heráldica :  

Armas - De azul, com dois cachos de uvas de ouro folhados e sustidos do mesmo. Em contra-chefe , um terrado de prata realçado de negro, sustendo cinco montículos, sendo o do centro maior, rematados cada um por uma chama de ouro e de vermelho, sendo a do centro maior. O terrado, cortado por duas faixas ondadas de verde. Em chefe , um açor de sua cor, tendo nas garras um escudete das quinas. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres " Vila da Madalena", de negro.

Bandeira - Amarela com Cordões e borlas de ouro e azul. Haste e lanças douradas.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes, em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: "Câmara Municipal da Madalena".


Cultura e Turismo

            Como monumentos ao acontecimento vulcânico que lhe deu origem, encontram-se mesmo frente à vila os ilhéus da Madalena, que dão pelo nome de Ilhéu Deitado e Ilhéu em Pé. Estas formações geológicas que constituem restos de um milenar cone vulcânico originado em erupções submarinas, encontram-se bastante erodidas pela acção das intempéries, tanto da abrasão marinha como pela acção do vento. Este local é muito frequentado pelas aves marinhas que os usam como local de descanso e de nidificação.
De terrenos muito férteis, para o que contribui a sua origem vulcânica, este concelho é detentor de uma forte capacidade agrícola, apresentando assim uma elevada produção agrícola bem como uma pecuária, uma Silvicultura elevadas em associação com uma abundante e variadas cobertura florestal, não só de plantio como acontece com o pinheiro bravo, mas com a existência de enormes florestas endémicas das florestas da Laurissilva típicas da Macaronésia, onde se destacam espécies como a Myrica faya ou a Erica azorica.
Facto também ainda ligado à terra, mas de grande importância para o concelho é a vitivinicultura que produz vinhos de elevada qualidade, alguns detentores de Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada, como é o caso do vinho Lagido, e do vinho Czar, (Cujo nome de deve à memória de em tempos idos este vinho ter sido servido às mesas dos czares da Rússia) e outros que ao longo dos séculos teem sido produzidos principalmente com base na casta de Verdelho. A grande maioria destes vinhos são comercializados pela Adega Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico que faz o recebimento das uvas produzidas e a vinificação das mesmas. É esta cooperativa que comercializa os vinhos Terra de Lava, branco e tinto, Basalto e Curral Atlântis, além de vários géneros de aguardentes.
A qualidade deste vinho levou à criação de várias zonas de protecção às vinhas, um pouco por toda a ilha, sendo que no caso deste concelho foram criadas as Área de Paisagem Protegida da Cultura da Vinha de São Mateus e São Caetano. Para a produção das vinhas, e devido às inclemências das condições do meio, principalmente a forte e sempre presente acção do mar levou à criação dessa paisagem única no mundo.
Foi necessário proceder à criação de centenas de quilómetros de muros de protecção dos vinhedos, os chamados “currais”, parcelas de terreno geralmente de pequena dimensão separadas por “canadas”, caminhos, simples que permitem a deslocação entre as parcelas. Esta divisão dos terrenos, e a natureza do material utilizado, pedra preta de origem vulcânica, levou a que a organização do espaço feita através destas miríades de muros negros, integrando protecções paralelas de paredes singelas ou dobradas em pedra, e constituindo particular e peculiar paisagem, fosse considerada, em meados de 2004, “Património da Humanidade” pela UNESCO, criando-se assim a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico.
O Museu do Vinho localizado neste concelho, faz parte integrante do Museu do Pico, e ocupa uma área considerável e contínua de uma parcela de vinhas da ilha do Pico da enorme propriedade que foi pertença da Ordem Religiosa do Carmo. Este museu inclui a residência da ordem, que é a casa de apoio e as instalações da mesma onde se processavam as tarefas relacionadas com a vinificação, facto é que a implantação da vinha na ilha do Pico muito deve as ordens religiosas. São o caso das Ordens dos Jesuítas e dos Carmelitas que para esta ilha trouxeram e deram origem a criação das condições favoráveis ao desenvolvimento dos bacelos, promoveram o aperfeiçoamento da fórmula de mistura das diversas castas envolvidas e responsáveis pelo vinho de cariz extremamente generoso, denominado por verdelho.
Os frades destas ordens não só incentivaram os povos existentes nas localidades a fazerem a produção do vinho, como trouxeram os conhecimentos que passaram às populações, trazendo assim uma enorme mais valia dado que se passou a cultivar terrenos até ali absolutamente incultos dado que muitos deles se encontravam com a pedra a vista e nem floresta produziam, dada a importância, é de referir que no espaço envolvente ao Museu do Vinho, existe o mais importante conjunto de dragoeiros que se conhece no mundo. Esta planta que se apresenta como árvore ornamental, com diversas aplicações práticas, encontra-se em vias de extinção e aqui encontrou um microclima especial e altamente propício à sua multiplicação espontânea. Os dragoeiros aqui existentes apresentam idades estimadas entre os 500 e os 1000 anos. Um pouco por todo o concelho da Madalena, mas especialmente na zona de produção vitivinícola surgem construções directamente relacionadas com vitivinicultura. Estas construções, adegas, armazéns e lagares, são na sua grande maioria construções simples feitas com os mesmos materiais com que os terrenos são divididos e protegidos, aparece assim a pedra de basalto preto, a madeira e a cobertura de telha de canudo regional.
A riqueza gerada a partir da produção dos vinhos fez enriquecer algumas famílias tradicionais da ilha do Pico e mesmo da ilha do Faial, detentoras de apreciáveis latifúndios, como foi o caso das famílias dos capitães donatários. Além dessas famílias tradicionais nasceu uma miríade de pequenos e médios detentores de terras. Essa riqueza levou à construção de aparatosos solares que são só por si uma demonstração da riqueza gerada. Um dos solares exemplificativos deste acontecimento é o Solar dos Salemas, local onde rodado a série televisiva de Mau Tempo no Canal, com base na obra homónima de Vitorino Nemésio.
Igualmente um pouco por toda a ilha, na Madalena inclusive, e especialmente nos campos de vinha surgem poços de maré que durante séculos, até à instalação da água canalizada, foram estruturas fundamentais para o abastecimento de água às explorações vinhateiras, estes poços apresentam uma estrutura em pedra, com a parte ao nível do solo em pedra talhada em cantaria com forma geralmente rectangular com as pedras aparelhadas a interligarem-se por encaixe. A parte superior, a boca usualmente é coberta por uma tampa de madeira. Nas cotas de maior altitude e afastadas do mar onde começam a surgir campos de cultivo não destinados à vinha ou as pastagens, a paisagem adquire também características próprias, dado a adaptação que o homem teve de fazer a um terreno fortemente marcado pelo vulcanismo onde a pedra era uma constante e muito variável em dimensão.
Assim neste solo muito pedregoso foi necessário proceder-se a uma remoção das pedras para que o cultivo fosse possível. Devido a esse facto, e dado que a abundância da pedra não permitia arruma-la somente em muros divisórios surgem na paisagem os “maroiços”. Estes maroiços são na prática elevações de pedra feita pelo homem. Estas pedras são dispostas em camadas, geralmente formando degraus, cuja dimensão diminui da base para o topo. Estes degraus funcionam como estrutura basilar da construção em si e também como modo de acesso aos degraus superiores, as formas destes “maroiços” são variadas, conforme a arte e o engenho dos construtores, mas geralmente apresentado uma forma grosseiramente cónica, ou piramidais e por vezes alongadas. Surgem na paisagem de forma de forma dispersa, mas deixando sempre nesta uma presença forte e marcante.
Relativamente a produção florestal, esta faz-se aproveitando os terrenos que usualmente não podem ser usados para outros fins. Assim procede-se à exploração de madeira e ao corte de lenha utilizado arvoredo plantado para esse fim, usualmente o Pinheiro-bravo ou a Criptoméria. Com a mecanização e com o desbravamento de terras, principalmente em altitude, com modernas máquinas, actualmente surgem novas parcelas de terreno de pastagem onde se procede à criação de gado, principalmente bovino. Esta produção pecuária tem-se transformado numa importante base de sustento para muitas famílias do concelho. Faz-se a produção, venda de carne, de leite, e produz-se queijo de elevada qualidade que é exportado para o exterior do arquipélago. Esta produção de bovinos transformou-se um pouco por todos os Açores, no já chamado Ciclo da Vaca, uma vez que se estendeu por todas as ilhas, facto fortemente associada à qualidade natural das pastagens existentes.
Na ilha do Pico surgiram unidades familiares de produção de pequena dimensão que processam o leite de forma a fabricar o típico Queijo da Ilha do Pico. Relativamente à pesca é de mencionar uma tradição secular, que se inicia com o povoamento da ilha, visto as espécies pescadas serem variadas e a abundantes. Foram sempre uma importante fonte de proteína, principalmente em épocas de carência alimentar, causadas por tempestades que destruíam as colheitas ou por outros motivos naturais. Actualmente a pesca tem um cariz mais industrial e a sua exportação para a Europa continental, principalmente Portugal continental é uma importante fonte de receita. Ainda no âmbito da pesca torna-se necessário a referência à pesca da baleia dado a extraordinária importância que a captura destes cetáceos teve para as ilhas, particularmente para a ilha do Pico ao longo de cerca de duzentos anos. Um pouco por toda a ilha, ao longo da costa, existem locais onde esta pesca deixou a sua marca, para atestar esta importância encontra-se o Museu do Pico com as suas valências do Museu dos Baleeiros, no concelho das Lajes do Pico e o Museu da Indústria Baleeira no concelho de São Roque do Pico.
Com o evoluir dos tempos, a sociedade moderna trouxe outras actividades que contribuíram para o desenvolvimento do concelho da Madalena, como é o caso do turismo, do comércio e serviços.
A fantástica paisagem que se encontra nesta ilha, seja devido a Montanha do Pico que do cimo dos seus 2.351 metros acima do nível médio do mar, é o ponto mais alto de Portugal. É também o ponto mais alto da dorsal meso-atlântica, embora existam pontos mais altos em ilhas atlânticas, mas fora da dorsal. Medido a partir da zona abissal contígua, o edifício vulcânico tem quase 5.000 m de altura, quase metade submersa sob as águas do Atlântico. Seja devido ao facto de ter mesmo ao seu lado a ilha de São Jorge e a ilha do Faial. A beleza natural deste concelho, encontra-se directamente associada a um ambiente ainda pouco maculado pela acção do homem. Apresenta-se calmo, exótico e com uma autenticidade difícil de igualar. Em Alguns casos a natureza está no seu estado absolutamente puro, este facto tem levado ao nascimento de um turismo fortemente relacionado com a natureza, seja a ligado à terra como o ligado ao mar como o mergulho, os passeios de barco, a observação de cetáceos e o mergulho, assim tem nascido nos principais centros urbanos hotéis, restaurantes, discotecas e bares, e, consequentemente, o incremento de novos projectos e serviços no âmbito do ecoturismo, turismo rural e náutico.


Vinhas


Gastronomia :

            A gastronomia, arte de preparar iguarias de forma a proporcionar prazer a quem as come, apresenta-se muito rica e variada no concelho quer na confecção de pratos típicos ou doçaria, quer pela qualidade dos tradicionais vinhos. Peixe fresco, boa carne de vaca, bons queijos e bons mariscos são a matéria prima para a preparação de deliciosas refeições. Os famosos caldos de peixe, linguiça e torremos com inhames, molha de carne e polvo guisado são os pratos aconselháveis. O queijo do Pico, como entrada ou sobremesa, acompanhado por pão ou bolo de milho caseiros e com os vinhos de mesa, aperitivos, brancos, tintos e de cheiro recomenda-se. Na doçaria o arroz doce, a massa sovada, o bolo de véspera, as rosquilhas do Espírito Santo são especialidades características desta terra a experimentar.


Molha de Carne                                                                          Rosquinhas do Espírito Santo