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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de Velas - Açores

Brasão de Velas

Localização

            Velas é uma vila portuguesa na ilha de São Jorge, Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 119,08 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a leste pelo município da Calheta, e tem litoral no oceano Atlântico em todas as outras direcções.
Esta vila está localizada num extenso terreno relativamente plano junto à costa ao lado das montanhas e longas arribas junto a uma longa enseada.



História

           A origem do nome desta localidade nunca foi esclarecida pelos historiadores. Pode no entanto, segundo esses mesmos historiadores poder remeter-nos para as "velas" das embarcações, para vigias ou para o termo velar, para o nome de povoações com o mesmo nome no continente português, para o termo "velhas" ou mesmo para a palavra "belas". É, no entanto, mais provável que o nome provenha dos termos “velas de embarcação”, ou dos termos velar/vigília. Tendo em atenção as embarcações usadas no tempo da sua fundação e a outra, tendo em atenção as forças telúricas que se movimentam nestas ilhas e que muitas vezes obrigavam as populações a ficar a velar ou de vigília durante as crises vulcânicas para poderem dar o alerta em caso de necessidade. Esta vila encontra-se entre os povoados mais antigos da ilha de São Jorge. E foi edificada em consequência do testamento do Infante D. Henrique datado de 1460, feito numa igreja debaixo da invocação de São Jorge. O município de Velas foi criado por volta de 1490 ou mesmo antes, sendo que a elevação da povoação à categoria de vila terá ocorrido por volta de ano de 1500, por carta de D. Manuel I de Portugal.1 Esta localidade já surge como vila num mapa de 1507. No ano de 1570 as Velas teriam cerca de 1000 habitantes e 2000 habitantes no fim do século XVII, número que aumentaria para 4200 no ano de 1822, e que mais tarde diminuiu devido à emigração. No dia 19 de Setembro de 1708 uma esquadra naval, comandada pelo pirata Francês René Duguay-Trouin constituída por 8 naus de linha e 3 navios Corsários de grossa artilharia, atacam a vila das Velas, não tendo no entanto conseguido entrar no Porto de Velas, ao primeiro ataque os habitantes da vila, comandados pelo Sargento Mor Amaro Teixeira de Sousa, conseguem impedir o desembarque tentado a 19 de Setembro. No dia 20 deu-se novo ataque e os habitantes não conseguiram opor-se com êxito a esta tentativa. Pelas 9 horas da manhã em que, dividindo as suas forças em duas colunas, enviara, uma para as portas das Velas (6 barcos) e outra, mais forte (10 barcos), para os lados do Morro das Velas e, desembarcando junto ao Arco, lançaram em terra mais de 500 homens, com morte d'alguns dos sitiados. Os franceses permaneceram nesta vila 5 dias em que saquearam completamente as igrejas e casas abastadas. Em local sobranceiro ao sitio onde se efectuou o desembarque, foi construído o Forte de Nossa Senhora do Pilar, também conhecido por Castelo da Eira.

Bandeira de Velas

Heráldica

Armas - De azul, uma caravela de negro realçada de ouro, vestida de prata e encordoada de ouro, tendo as velas carregadas de cruzes de Cristo,vogante sobre três faixetas ondadas de prata e verde. Chefe de ouro, carregado de um açor estendido de vermelho flanqueado por duas quinas; coroa mural de prata; listel branco com os dizeres «Velas» de negro.

Bandeira - Esquartejada de amarelo e negro, cordões e borlas de ouro e negro; haste e lança dourada.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Velas».


Cultura e Turismo

           O Jardim da Praça da República ocupa o largo principal da vila de Velas, local onde em tempos idos esteve localizado o mercado da localidade. Este jardim encontra-se delimitado por muros baixos dotados de um gradeamento superior, canteiros de formas variadas, arbusto e algumas árvores. Ao centro possui um coreto. A regularização da antiga praça e a sua adaptação a jardim iniciou-se em 1836, quando a Câmara Municipal de Velas emitiu uma deliberação no sentido do arranjo urbano daquele espaço. Esse documento obrigava "os porcos do concelho a andarem com anel no focinho e a não atravessarem a praça". Depois, vieram as plantações de árvores já em meados do século; a instalação do coreto em 1898; a iluminação em 1899; os arranjos dos canteiros e outras decorações em pedra queimada, bem como os muros e gradeamentos nos inícios do século XX. O jardim encontra-se no centro de uma envolvente de edifícios e integrado num espaço que não lhe dá qualquer hipótese de crescer. Beneficia no entanto de uma excelente enquadramento arquitectónico dos prédios urbanos que tem em volta. Desses edifícios sobressai o edifício da Câmara Municipal, um dos exemplos máximos do barroco insular na ilha de São Jorge. Do lado oposto a este, ergue-se o edifício da sociedade filarmónica velense, ostentando a sua fachada Art déco característica dos anos 20 e 30 do século XX, de forte colorido, apresenta amplas fenestrações por entre elementos decorativos estilizados da tradição beaux artiana. O Largo João Inácio de Sousa antigamente chamava-se "Largo do Mercado" e, antes ainda, "Praça Velha". Caracteriza-se por se localizar num dos locais mais nobres da vila, encontra-se em frente à Igreja Matriz de São Jorge e ao lado do edifício da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Velas. Para que fosse possível construir esta praça foi necessário proceder à expropriação de parte da quinta do Dr. Miguel Teixeira Soares de Sousa, bem como uma capela e algumas casas. Esta antiga praça que foi local de venda de frutas e hortaliças, tem actualmente o nome de um dos beneméritos da ilha de São Jorge, que emigrado para os Estados Unidos acabou por fazer fortuna nesse país na área dos petróleos, tendo depois dado apoio a várias instituições da ilha, nomeadamente à misericórdia de velas, conforme é possível ler numa plana aplicada na estatua de João Inácio de Sousa, que foi posta no centro do largo. A Fajã da Ponta Furada é uma fajã portuguesa, localizada no Toledo, concelho de Velas, ilha de São Jorge, nestas encantadora e exótica fajã, dizem as lendas que São José, vindo dos Nortes com Nossa Senhora e o Menino, queria atravessar o calhau para o Toledo (Velas); mas como encontrou pela sua frente o grande promontório que é a Ponta Furada, teve de abrir caminho e assim, com a ponta de um dedo empurrou o meio da rocha fazendo cair a pedra do Garajau que deixou uma passagem em forma de arco na Ponta Furada. Junto a ela desagua uma grande ribeira que apanha águas das serras do Toledo (Velas) e arredores. Em tempos muito recuados, e segundo os ditos populares daqui saíam emigrantes clandestinos para a América do Norte e para o Brasil. Terá existido um pequeno barco de madeira que era varado em terra com a ajuda dum gancho preso na rocha. Uma das suas missões secretas era levar, em noites escuras de mar manso, indivíduos que se haviam escondido nas rochas e furnas, para bordo dos barcos piratas que ali passavam e eram parte dum plano organizado para fazer sair os candidatos a emigrantes, sem papéis. Havia um sinal de fumo combinado assim como o preço das passagens. Qualquer navio podia fundear junto à Ponta Furada porque o mar aí é muito fundo. Também por ali fugiam os mancebos que não criam cumprir a tropa. Este lugar recôndito e misterioso é hoje conhecido apenas por alguns pescadores destemidos que aí vão à pesca de fundo e à lapa. O aceso difícil obriga a que descem por uma corda, apoiando os pés descalços em pequenos buracos escavados na rocha, onde por vezes só cabe um dedo ! Situada entre a fajã das Fajanetas e a fajã Rasa de Santo António, a fajã da Ponta Furada, que agora se encontra praticamente abandonada, foi servida por um caminho de carro de bois com a extensão de dez km. Aí existiam sete casas onde as pessoas ficavam enquanto cuidavam das terras e do gado. O Miradouro do Mirante é um miradouro português localizado no concelho das Velas, ilha de São Jorge, arquipélago dos Açores. Este miradouro localiza-se num local alto dobre a falésia sobranceira à Vila das Velas e oferece uma paisagem grandiosa, não só de parte da costa Sul da ilha de São Jorge, mas da ilha do Pico e da ilha do Faial, no outro lado do Canal do Faial, junto a este miradouro é possível observar uma abundante vegetação endémica típica da Macaronésia onde a Laurissilva se faz representar por diversas espécies com predominância para a Myrica faya e a Erica azorica. O Portão do Mar localiza-se no cais da vila e freguesia das Velas, a estrutura foi edificada como parte do sistema defensivo da vila, entre os anos de 1797 e 1799, por Matias de Avelar, da conhecida família dos "Arquitetos Avelares" ou "Arquitetos Velenses" que, por mais de 150 anos exerceram o seu ofício na ilha, produzindo algumas das suas mais emblemáticas obras arquitetónicas, como em uso à época, as muralhas do porto das Velas eram fechadas por portões no acesso do cais para terra, que eram fechados à noite, na parte superior deste portão encontram-se as armas reais de Portugal. Atualmente este portão e as muralhas do Forte de Nossa Senhora da Conceição são tudo o que resta das antigas defesas da vila. 





Gastronomia

                  

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho da Calheta - Açores

Brasão de Calheta

Localização :

          A vila da Calheta é uma das mais antigas povoações da ilha de São Jorge, depois da sua fundação em 1483 rapidamente cresceu graças a possuir um porto que lhe facilitava bastante a comunicação com a ilha Terceira, próxima. É sede de um município com 126,51 km² de área e subdividido em 5 freguesias. O concelho é limitado a noroeste pelo concelho de Velas, sendo banhado pelo Oceano Atlântico em todas as outras direcções. 



História

           Foi elevada a vila em 3 de Junho de 1534, por carta régia de D. João III de Portugal, a 12 de Maio de 1718, autorização da fundação do convento da vila da Calheta. Em 1732, tem início da reedificação da sua Igreja Matriz, a Igreja de Santa Catarina, o seu núcleo populacional à medida que foi crescendo foi também irradiando para as localidades próximas; foi o caso da Fajã Grande, Ribeira Seca, Relvinha, Biscoitos e Norte Pequeno. O seu crescimento justificou que no ano de 1534 fosse desanexada do Concelho de Velas e elevada a Vila. Ao longo da sua história esta localidade foi por diversas vezes atacada e saqueada por piratas e corsários. Só no ano de 1597 a população conseguir repelir um ataque, chegando ao ponto de se apoderarem da bandeira dos piratas.
Arrasada pelo grande terramoto de 9 de Julho de 1757, que ficou conhecido na história como o Mandado de Deus ao que "ficou sem casa onde se recolhesse o Santíssimo Sacramento", foi atingida em 1945, a 4 de Outubro, por grande Levante do Mar, esta vila possui monumentos e edifícios de interesse público e arquitectónico, seja pela arquitectura utilizada seja pela sua imponência ou características próprias. Exemplo deste caso é a Igreja de Santa Catarina cuja construção é posterior a 1639, pois a 8 de Janeiro desse ano, um grande incêndio destruiu a primeira que remontava ao século XVI. O desenvolvimento humano da localidade foi progredindo ao longo dos séculos. Sendo que uma das maiores manifestações populares organizativas são as filarmónicas que existem desde 1868. Além dos recentes festivais musicais organizados pela Câmara Municipal da Calheta e as actividades desenvolvidas pela Escola de Ensino Complementar "Padre Manuel de Azevedo da Cunha".
 Em tempos idos no Porto da Calheta chagaram a ser construídos navios que faziam a rota de Gibraltar e da América do Norte. A primeira plataforma portuária digna deste nome e que substituiu o pequeno cais então existente foi construído em 1755, no entanto só lhe foi colocado um farolim de sinalização em 1873. Facto curioso e histórico foi construído em lugar alto, destacado e bastante visível a partir do mar, sobre a vila da Calheta uma forca que durou até 1666. Nunca foi utilizada como tal. Esta forca tinha por finalidade servir de aviso à ameaça representada pelos piratas e corsários que se aproximassem da povoação.

Bandeira de Calheta


Cultura e Turismo

          Nesta vila existe uma igreja dedicada à evocação de Santo António que se encontra na Rua de Baixo, estrada de ligação com a Ribeira Seca. Igreja de Santo António foi concluída em 1816. é ainda de mencionar nesta vila um fontanário cuja construção recua a 1878. Esta localidade tem um Parque de Campismo que foi Inaugurado no dia 3 de Julho de 1993. A sua localização foi pensada de forma aproveitar as características excepcionais do local que o transformou num ponto privilegiado para o lazer e prática da natação e pesca. Encontra-se próximo da costa, junto às Poças de Vicente Dias e à Baía de Simão Dias. O Jardim Maestro Francisco de Lacerda, é um agradável jardim localizado no centro da Vila da Calheta em homenagem aquele que é um dos jorgenses mais conhecidos. Este jardim é composto por muros de empedrados, uma grande variedade de plantas e flores (na sua grande maioria não da Macaronésia, mas introduzidas), que se encontram dispostas em diferentes níveis ligadas por escadas. Podem ainda ver-se algumas aves, em pequenas casas construídas para esse efeito. Em lugar de destaque está a escultura do Maestro Francisco de Lacerda, da autoria de Didier Couto, como locais de lazer encontrará o Jardim Público <<Francisco de Lacerda>>,campos de jogos, piscina natural e parque de campismo da Fajã Grande ou um passeio a pé ao Cruzeiro, que assinala a passagem da Virgem, e seu miradouro, e porque não? ao largo do cais, o mais mercantil destas ilhas no séc. XIX.
Norte Pequeno -  Presépio no Norte da Ilha, passagem obrigatória, quer atravessando as estradas de penetração com miradouros das Brenhas, ou para visitarmos a Fajã dos Cubres com o seu miradouro sobre o canal e a Caldeira, que poderá visitar num belo passeio a pé ou a cavalo. Nesta freguesia, temos a igreja de S.Lázaro, Centro Social Polivalente da Casa do Povo, Cooperativa Agrícola e indústria de serração de madeiras. Festas principais:15 de Agosto, Senhora do Rosário. Possui no campo cultural a Filarmónica de S.Lázaro e o Grupo Folclórico sénior e juvenil. Como figura da Igreja Universal, temos o venerável Padre Lázaro Nunes, mártir em Chipre.
Fajãs - Quarta ilha açoreana na ordem da descoberta, São Jorge, é também a quarta em superfície e a segunda em comprimento, caracterizada pelo seu relevo altivo (lomba infindável), tem  depressões notáveis na costa junto ao mar - as chamadas "fajãs", que lhe dão uma característica única. Provenientes do abatimento da falésia , as fajãs são superfícies planas que se estendem pelo mar fora. Todas elas convertidas em férteis pomares, em campos de cultivo do inhame, milho, legumes, devido a microclimas, em algumas delas crescem o chá, café, frutos tropicais e belos dragoeiros.  As fajãs estendem-se de ambos os lados da Ilha. Na costa norte, a paisagem oferece-nos um azul-marinho, tendo como plano de fundo os mares da Graciosa e Terceira. Na encosta sobranceira, temos : - Penedia, Fajã do Norte Pequeno, Fajã dos Cubres, com o seu miradouro , e , num belo passeio a pé, encontramos a Fajã da Caldeira  de Santo Cristo, estas com as suas lagoas marinhas, onde se criam as amêijoas e os loiros camarões. 




Gastronomia

         Os pratos típicos da cozinha tradicional açoreana estão também presentes em São Jorge. Pertence-lhe , porém, o exclusivo das amêijoas, apanhadas nas águas da Caldeira, e a verdadeira abundância de outros mariscos. Nos doces, a variedade é grande e inclui coscorões, rosquilhas de aguardente, espécies, suspiros, doce de leite, bolos de véspera, cavacas, bolos de coalhada e doce branco.

                                                                                                   Rosquilhas de aguardente 
Bolo de coalhada 


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho da Vila do Porto - Açores

Brasão de Vila do Porto

Localização

         Vila do Porto é uma vila na freguesia portuguesa de Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores, Sede do concelho de mesmo nome, é a mais antiga vila açoriana, implantada sobre uma lomba, fronteira ao mar e entre duas ribeiras (a Grande, hoje chamada de São Francisco, e a do Sancho), urbanísticamente está dividida em duas partes:
abaixo da Igreja Matriz, onde se mantém o traçado primitivo das ruas de cariz medieval;
acima da Igreja Matriz, de ocupação mais recente, ao longo de uma rua comprida e larga, terminando na altura da Igreja de Santo Antão.
É sede de um pequeno município com uma superfície total de 97,18 km² e subdividido em 5 freguesias. O município corresponde à totalidade da Ilha de Santa Maria e está, portanto, rodeado pelo oceano Atlântico, sendo o município mais próximo o da Povoação, na Ilha de São Miguel, a Norte.



História

          Frei Gonçalo Velho Cabral, fidalgo da Casa do Infante D. Henrique e Comendador da Ordem de Cristo, terá chegado à ilha em 1432. Santa Maria foi a sede da primeira Capitania das ilhas dos Açores, inicialmente abrangendo a própria Santa Maria e a de ilha de São Miguel. O seu povoamento terá se iniciado em 1439, após o desembarque das gentes na praia dos Lobos, no atual lugar dos Anjos.
O povoado do Porto terá sido fundado em 1450, por Fernão de Quental e João da Castanheira, em posição dominante numa lomba soalheira da costa Sul, frente a ampla enseada, entre duas ribeiras - a Ribeira de São Francisco, também referida como Ribeira Grande, a oeste, e a Ribeira do Sancho, a este -, que lhe asseguravam tanto a defesa quanto o abastecimento de água. Foi elevado a vila pelo o primeiro foral dos Açores, cerca de 1470. Genes Corvelo trouxe os papeis referentes à Câmara Municipal e à Igreja Matriz. A povoação encontra-se indicada no "Mapa dos Açores" (Luís Teixeira, c. 1584) como "Villa de S. Maria".
Sobre o primitivo núcleo urbano e população, refere Frutuoso:
"Tem esta Vila do Porto três ruas compridas, que correm direitas a esta ermida de Nossa Senhora de Concepção e ao porto, as quais começam do adro da igreja principal. A rua do meio, muito larga e formosa e de boa casaria, faz um cotovelo, pelo qual se não vê do adro da igreja principal a ermida da Concepção, que sobre o porto está, o que foi inadvertência dos primeiros edificadores, porque, vendo dali a dita ermida, ficava a rua com muito mais frescura. As outras duas ruas não são tão povoadas por se antremeterem nelas paredes de muitas hortas e quintais e sarrados (sic), divididas estas três ruas com outras azinhagas e travessas. Acima da igreja principal, para dentro da terra, ficam algumas casas, as mais delas de palha, em um caminho a modo de rua muito larga, que vai correndo antre sarrados e acabar antes que cheguem a uma ermida de Santo Antão, que está em um alto; da qual ermida para cima, ficam terras de pão e casais de homens que moram fora da Vila espalhados, pelo que tem a Vila mais de cem fogos, e com outros fregueses da mesma Vila, que a ela vêm ouvir missa, há na sua freguesia, que é a principal da ilha, trezentos e setenta e oito fogos, e almas de confissão mais de mil e trezentas." E ainda sobre a população e caráter dos naturais:
"É povoada esta Vila e toda a ilha de gente muito honrada, e muitos têm fidalguia por suas progénies, e outros por (a)lianças de casamentos com os Capitães e seus filhos, de que nasceram fidalgos. Todos os homens honrados, naturais da terra, quase geralmente são altos de corpo, bem dispostos e bem proporcionados, de bons e graves rostos e boas fisionomias, presumptuosos (sic) e amigos de honra, como o deve ser qualquer homem honrado, por não fazer coisa menos do que dele se espera. E todos de tão grandes espíritos, que, se saíssem da mãe para África ou lugares de fronteira, fariam sem dúvida feitos honrosos e ganhariam grande nome, mas na ilha não são dados a muito trabalho, pelo que nela não há muitas coisas boas e curiosas que pudera haver, se se deram a isso, com que foram mais ricos do que são, pois a terra de si é fértil, posto que pequena, para tão nobre e tanta gente. As mulheres, pelo conseguinte, da mesma maneira são generosas e nobres, bem postas e discretas, com uma grave formosura e virtude, que lhe acrescenta sua nobreza." 
Apesar de não haver conhecido atividade sísmica desde o povoamento - causadora de catástrofes ao longo da história das demais ilhas -, Santa Maria e Vila do Porto foram sempre marcadas pelo isolamento e inacessibilidade que lhe limitavam o poder defensivo diante de ataques de corsários e piratas da Barbária. Desse modo, já em 1480, de uma nau Castelhana, desembarcaram cerca de quarenta homens, armados de arcabuzes, no porto da Vila. Foram rechaçados por um grupo de moradores, sob o comando do 2.º capitão do donatário, João Soares de Albergaria, com tiros de pedreiro, na altura do Calhau da Roupa, afirmando-se que João Soares foi capturado e levado a ferros para Castela. Mais tarde, a vila seria atacada por corsários franceses (1553 e 1576), ingleses (1589), e piratas da Barbária (1616 e 1675). Acredita-se que o desaparecimento dos documentos relativos à fundação da vila tenha ocorrido na sequência dos saques e dos incêndios causados pelo ataque de corsários à vila em 1616. A vila desenvolveu-se numa linha Norte-Sul, desde o Forte de São Brás até à Igreja de Santo Antão. A prosperidade dos primeiros tempos é atestada pelos seus solares e templos, nomeadamente na parte antiga da vila, assim como pela implantação de um dos primeiros hospitais de Misericórdia do Arquipélago. Em 1901 recebeu a visita do rei D. Carlos e da rainha D. Amélia; ainda nesse mesmo ano, elegeu a primeira Câmara republicana do arquipélago.
Com a construção do Aeroporto, ao final da Segunda Guerra Mundial, a povoação e a freguesia adquiriram nova dinâmica, urbana, económica e cultural. Como exemplo, foram inaugurados o Clube Asas do Atlântico (1946), o "Cine Aeroporto" (1946, depois "Atlântida Cine") e o "Cine Mariense" (1953). A Central Termoelétrica, a diesel, que abastece a ilha, foi inaugurada no bairro do Aeroporto em 12 de agosto de 1970 e, em termos de energias renováveis, o Parque Eólico do Figueiral, inaugurado em 1988 foi o segundo em atividade no país e o primeiro no arquipélago, em 26 de junho de 1988 foi fundado o Clube Naval de Santa Maria. O novo Centro de Saúde de Vila do Porto foi inaugurado em 28 de Novembro de 1995, substituindo o antigo centro, nas dependências da Santa Casa, na rua da Misericórdia, que foi requalificado como Centro de Idosos. Em 2011 (20 de setembro) recebeu a visita oficial do presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva. De passado predominantemente agrícola, atualmente a sua economia baseia-se nos setores secundário e terciário.

Bandeira de Vila do Porto

Heráldica

Bandeira - Gironada de branco e de vermelho com o brasão ao centro e, por baixo, um listel branco com a inscrição "Vila do Porto" de negro.

Armas - De prata, com uma imagem de Nossa Senhora dos Anjos, com vestes brancas e manto azul realçado de ouro, coroada do mesmo: chefe cosido de vermelho com um açor de sua cor, segurando nas garras uma quina de Portugal. Coroa mural de quatro torres.

Selo - circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal de Vila do Porto".


Cultura e Turismo

        Vila do Porto dispõe de um jardim central em jeito de praça com coreto. É lá que se dão as festas e romarias e é o palco de todas as festas. Dispõe de bancos de jardim onde os idosos vêm passar o tempo e onde se conversa sobre o passado e o futuro da terra. Na zona histórica está em fase de acabamento uma praça nova, destinada a promover a zona. A Vila dispõe ainda de um Parque Florestal onde é possível fazer piqueniques e churrascos, bem como brincar nos equipamentos infantis ou disfrutar da vista para o vale e brincar com os animais, naquilo que é o único parque zoológico da ilha. Na Banda 24 de Agosto existem também jardins onde se pode brincar em segurança. Nos Anjos foi instalado recentemente um equipamento de brincadeiras infantis. A atividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que assim pediam proteção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o cetro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa. Para além desta festa, celebrada praticamente em todas as ilhas, decorre a 15 de agosto a Festa da Nossa Senhora da Assunção. No último fim de semana de agosto tem lugar um dos festivais de música mais concorridos do arquipélago. 
No artesanato destacam-se a louça em barro vermelho e outras peças de olaria, cuja tradição se procura recuperar, as camisolas de lã feitas manualmente, as mantas de retalhos coloridas e os panos de linho, os chapéus de palha, os cestos de vime e vários objetos em ferro e madeira.
No aspeto cultural, de referir o Museu Etnográfico do Espírito Santo, o santo mais venerado no arquipélago, onde também se podem ver utensílios, potes, talha e outros objetos confecionados com barro vermelho da ilha. Vila do Porto guarda algumas histórias para contar. Uma delas está relacionada com a passagem de Cristóvão Colombo pela ilha, quando regressava da viagem de descoberta do continente americano. Era o ano da graça de 1493 e deu-se uma terrível tempestade que levou a frota de Cristóvão Colombo a procurar refúgio em Anjos, lugar de Santa Maria. A tripulação desembarcou, com o intuito de se abastecer e rezar uma missa de agradecimento por ter sobrevivido à tempestade. A população, pensando tratar-se de mais um ataque de piratas, cercou-os e prendeu parte da tripulação. Após explicações e negociações, os marinheiros foram finalmente libertados e puderam cumprir a promessa na Ermida de Nossa Senhora dos Anjos. Existe também uma lenda associada à Ermida de Nossa Senhora do Pilar ou Senhora dos Milagres. Um artista concebeu um retábulo lavrado com colunas salomónicas de pedra local. A obra foi de tal perfeição que o artista foi chamado para junto de Nossa Senhora, morrendo no dia em que concluiu a obra.





Gastronomia