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domingo, 11 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de Vila Franca do Campo - Açores

Brasão de Vila Franca do Campo

Localização

            Vila Franca do Campo é uma vila portuguesa na ilha de São Miguel, Região Autónoma dos Açores, sede de um pequeno município com 78,00 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelo município da Ribeira Grande, a leste pela Povoação, a oeste por Lagoa e a sul tem litoral no oceano Atlântico.



História

         Vila Franca do Campo foi, durante o primeiro século de povoamento, a mais importante povoação da ilha, nela se fixando Gonçalo Vaz Botelho, o capitão do donatário, e as principais instituições oficiais, como a Alfândega e a Ouvidoria, de onde o epíteto de "primeira capital micaelense". Foi elevada a vila em 1472, a segunda no arquipélago. É testemunho de seu desenvolvimento o fato de contar com hospital em época anterior à da fundação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (1498), por efeito de disposição testamentária de D. Isabel Gonçalves que, em 1483, legou os seus haveres para a sua instituição. Na noite de 21 para 22 de Outubro de 1522, sofreu um violento terramoto - a chamada "subversão de Vila Franca" - que causou um grande escorregamento de terras nas encostas sobranceiras à vila, causando um lahar que soterrou a maior parte do povoado. Como consequência estima-se que pereceram milhares de pessoas, não apenas em Vila Franca, mas também em muitas outras povoações da ilha, tendo se registado ainda grandes escorregamentos de terras na Maia e região circunvizinha, e em Ponta Garça. A tragédia inspirou diversos escritos e, pelo menos, um romance de raiz oral intitulado "Romance que se fez d'algumas mágoas, e perdas que causou o tremor de Vila Franca do Campo", editado por Teófilo Braga. Apesar da destruição, Vila Franca manteve importância regional até ao século XVIII, apenas atrás de Ponta Delgada, quando foi suplantada pela Ribeira Grande. O cronista Gaspar Frutuoso, assim a refere:
"...a antiga e nobre Vila Franca do Campo com seus ricos pomares de muitas frutas, de que está rodeada, chamada Franca porque, segundo dizem, logo no princípio, tirando os dízimos que somente se pagam a El-Rei, era franca de todas as mais coisas e direitos, para melhor ser povoada esta ilha e chamou-se do campo por ser situada em um formoso campo." e acrescenta, sobre o seu crescimento: "...tanto em edifícios e comércio que parecia uma pequena corte, com seus ilustres capitães e fidalguia de gente nobre, que governava com prudência e zêlo."
Em Vila Franca tiveram lugar alguns dos mais importantes eventos das lutas entre os partidários de D. António I de Portugal e de Filipe II de Espanha, que culminaram na batalha naval de Vila Franca, travada ao longo do litoral sul da ilha de São Miguel a 26 de Julho de 1582. Após a batalha, D. Álvaro de Bazán, marquês de Santa Cruz de Mudela, desembarcou na vila, aqui estabelecendo o seu quartel general e fazendo supliciar por enforcamento cerca de 800 prisioneiros franceses e portugueses, no maior e mais brutal massacre jamais ocorrido nos Açores. Em Julho de 1562 nasceu nesta povoação Bento de Góis, que empreendeu na Ásia Central, entre 1602 e 1606, a maior viagem de exploração terrestre portuguesa e uma das maiores de sempre da história da humanidade. Aqui está sepultada a primeira freira micaelense, Petronilha da Mota, filha de Jorge da Mota. e que, com o nome de Madre Maria de Jesus, foi a primeira abadessa do Convento de Santo André.

Bandeira de Vila Franca do Campo

Heráldica

Armas - De azul, com um braço de carnação, alado de ouro, movente do direito, segurado na mão uma espada, de dois pratos, de ouro; em orla a legenda "Quis Sicut Deus?", de ouro. Coroa mural de quatro torres de prata. Listel branco com os dizeres a negro "Vila Franca do Campo".

Bandeira - Amarela, com as armas no centro. Bordas e cordões entrançados de ouro e azul.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal de Vila Franca do Campo".


Cultura e Turismo

              Se esta Vila, com os seus monumentos, seus belos jardins e ruas ensolaradas, todas elas traçadas na direcção dos quatro pontos cardeais, donde se espreita o mar a cada canto, com as suas belezas naturais, as suas praias amplas e limpas, ela torna-se um centro de atracção turística tanto para nacionais como estrangeiros, que correm o mundo a deliciar o espírito e à procura de novos motivos a colher na objectiva da máquina de filmar que os acompanha nas suas digressões.
Uma visita ao Ilhéu dá motivos para uma boa filmagem da sua piscina natural, da vista panorâmica que se goza do alto de qualquer das suas elevações que o compõem, nos diferentes aspectos que nos oferece, a cada passo, a volta ao Ilhéu. Aos amadores da pesca desportiva ou submarina é oferecido um largo campo de acção nas águas fundas do Ilhéu e até sobre a pedra, na pesca de cana. Hoje é uma reserva natural. A costa é fértil em pescaria de corrico, caniço ou linha, e, no alto mar, na pesca de albacora e de bonito, à linha apanham-se chernes, matulas, lírios, gorazes, abróteas, pargos, etc., etc.. Na Ribeira da Praia há trutas de apreciáveis dimensões. As praias de Vila Franca são amplas, limpas e bem defendidas. Aos sábados e domingos são povoadas por quem ama os prazeres de um reconfortante banho de mar ou de sol, acompanhados de um bom piquenique.
Neste concelho há duas das mais belas lagoas de São Miguel. A Lagoa do Fogo, de aspecto ainda rústico, donde se pode admirar um dos mais soberbos panoramas desta ilha, vendo-se do alto da Barrosa o mar da costa norte e da costa sul, na parte mais estreita e mais plana de toda ela. Temos ainda a Lagoa do Côngro, soturna, reflectindo um verde muito escuro, que lhe é transmitido pelas rochas alcantiladas dos montes que a cercam, a contrastar com a alacridade da sua vizinha Lagoa dos Nenúfares, de superfície quase totalmente coberta por essas formosíssimas flores. Oferece ainda, Vila Franca aos seus visitantes um interessante museu etnográfico na Casa do Povo, o Museu Municipal e o fabrico da louça de barro, pelo processo mais primitivo da roda. Os oleiros da Vila são únicos na sua arte. Fazem a delicia de quem por aqui passa, as célebres Queijadas da Vila que tiveram a sua origem na doçaria do Convento de Santo André e ainda hoje são fabricadas em segredo religiosamente mantido por duas famílias apenas.
As proporções arqueológicas levadas a efeito pelo Dr. Sousa Oliveira nalguns pontos da Vila soterrada em 1522 despertaram muito interesse por parte dos estudiosos, que as visitaram, admirando os achados que podem fazer luz sobre o valor e a importância da antiga Capital.
O Ilhéu de Vila Franca do Campo é o maior atractivo natural deste concelho. Cratera de um vulcão extinto, abriga uma piscina natural perfeitamente circular, onde se podem praticar os mais variados desportos nauticos. Na parte sul do ilhéu erguem-se dois farelhões, um mais alto do que o outro. O ilhéu e o mar envolvente são "Reserva Natural". Existe um serviço regular de barco, a partir do cais de Vila Franca, nos meses de Junho a Setembro. A Praia de Água d'Alto, na freguesia do mesmo nome, é um dos mais concorridos areais da ilha durante a época balnear. Para além deste existem ainda os areais da Praia do Degredo, da Praia do Corpo Santo e da Praia da Vinda d'Areia. A Lagoa do Congro, com as suas águas de um verde escuro e envolta por um denso arvoredo, e a Lagoa dos Nenúfares, quase totalmente coberta por estas flores, merecem uma visita cuidada. O Cerrado dos Bezerros, um agradável Parque Florestal, com grande variedade de plantas e flores, é muito procurado no Verão para merendas ao ar livre.

Ilhéu de Vila Franca do Campo 


Gastronomia

          
           Queijadas de Vila Franca do Campo 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho da Ribeira Grande - Açores

Brasão de Ribeira Grande

Localização

            A Ribeira Grande é uma cidade portuguesa na ilha de São Miguel, Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 180,15 km² de área e subdividido em 14 freguesias. O município é limitado a leste pelo município de Nordeste, a sul pelos de Povoação, Vila Franca do Campo e Lagoa, a oeste pelo de Ponta Delgada, e a norte tem costa no oceano Atlântico.



História

          Os primeiros habitantes terão chegado a este lugar do Norte da Ilha de São Miguel no último quartel do século XV. Estabeleceram-se, ao que parece, a nascente da grande ribeira que mais tarde daria o nome ao povoado: Ribeira Grande.Observemos o que o Doutor Gaspar Frutuoso escreveu sobre a Ribeira Grande de inícios de quinhentos e do seu tempo:
‘A vila da Ribeira Grande, nobre com seus moradores, rica em suas terras, bem assombrada com seus campos e fértil com seus frutos, está situada de aquém e de além de uma grande ribeira, de que ela tomou o nome, quase no meio da ilha, em uma grande baía da banda do norte, ao pé de uma serra muito fresca [que, por estar perto da sua planície, está uma coisa realçando a outra, fazendo-a juntamente mais graciosa que outras muitas vilas]; e a ribeira corta a vila em duas partes, de pouco tempo a esta parte, porque até ao ano de mil e quinhentos e quinze não havia da ponte para a parte do ponente mais de duas casas somente. Mas, veio depois em tanto crescimento, que é agora a maior vila, mais rica e de mais gente que há em todo este Bispado de Angra. Dantes era lugar sufragâneo a Vila Franca do Campo, até que el-Rei Dom Manuel, quatrozeno Rei de Portugal e primeiro deste nome, estando em Abrantes, aos quatro dias do mês de Agosto da era de mil e quinhentos e sete, o fez vila, com uma légua de termo ao redor, contada do Pelourinho dele para todas as partes em redondo’. Parece que a aspiração a cidade nasceria em 1852. Muito gosto se teria em conhecer os argumentos que estariam na base do Projecto de Lei apresentado à Câmara dos Deputados. Segundo Luciano de Resende Mota Vieira, no Jornal Correio dos Açores, 11 de Abril de 1979, a futura cidade seria constituída pelas freguesias de Nossa Senhora da Estrela [hoje, Matriz] e de Nossa Senhora da Conceição [actual, Conceição]. Para além de possuidora de forte riqueza patrimonial, nomeadamente, ao nível da sua arquitectura, civil e religiosa, a pujança económica da Ribeira Grande ajudaria a ditar a sua elevação a cidade aos 29 de Junho de 1981. Actualmente, o Concelho é o terceiro mais populoso do Arquipélago dos Açores, logo a seguir a Angra do Heroísmo e a Ponta Delgada, bem como, no seio do mesmo, é dos que mais contribui para a sua economia. 

Bandeira de Ribeira Grande

Heráldica

Armas: De vermelho, com uma estrela de ouro, em chefe um açor voante de sua cor, com um escudete das quinas de Portugal nas garras; em contrachefe uma ponte de prata realçada de azul, sobre uma faixa ondulada de prata e azul, de três peças.

Bandeira: Esquartelada de azul e de branco, tendo ao centro o escudo das armas, encimado por coroa mural de prata, de quatro torres. Por baixo do escudo, listel de branco com letras de negro, que dizem: ‘Ribeira Grande’. Haste e lança douradas. Cordões e borlas de azul e de prata’.


Cultura e Turismo

               A paisagem do concelho da Ribeira Grande corresponde à expressão do seu relevo, resultante de uma forte actividade vulcânica devida aos três vulcões centrais activos (Sete Cidades, Fogo e Furnas), cuja dinâmica eruptiva se situa na base da morfologia do terreno aqui verificada. Como consequência verifica-se uma acidentada e irregular linha de costa acompanhada, ao longo de todo o concelho, por caldeiras ou cones de escórias. O território é, assim, marcado por fortes inclinações, que acompanham transições altimétricas acentuadas, ao longo de um relevo enrugado de orientação generalizada a Norte. O clima é de tipo oceânico temperado, húmido e chuvoso, de grande instabilidade e acentuada queda de chuva estival.
A influência da corrente quente do golfo, o envolvimento oceânico e a presença do anticiclone dos Açores assumem-se como as principais condicionantes climatéricas. 

Caldeira Velha - Este Monumento Natural Regional faz parte da Reserva Natural do vulcão do Fogo. Trata-se de um vale profundo e irregular, inserido na encosta da Serra de Água do Pau. Aqui, encontra uma cascata de água morna e rica em ferro. Encontra uma espécie de represa onde poderá tomar um banho relaxante. Estacionamento fácil, na estrada regional, a caminhada até à fumarola e cascata leva cerca de 5 minutos.

Salto do Cabrito - O Salto do Cabrito é uma cascata com cerca de 30 m de altitude. Escondida no meio da vegetação luxuriante, entre a estrada da Lagoa do Fogo e Caldeiras da Ribeira Grande. Aqui pode aproveitar para fazer o trilho pedestre, visitando a cascata e o vale das Caldeiras da Ribeira Grande.

Vale das Lombadas - Saindo das Caldeiras da Ribeira Grande faça um desvio em direção à montanha, através desta estrada poderá contemplar uma vista deslumbrante sobre a costa norte, bem como sobre a parte ocidental da ilha. O Vale das Lombadas, declarado como Reserva Natural, proporciona aos seus visitantes uma paisagem fascinante e diferente, selvagem, intocável, onde a vegetação endémica luxuriante cresce em abundância em torno das suas nascentes de água mineral. É aqui que o fluxo das suas águas límpidas dá o nome á cidade da Ribeira Grande.

Lagoa do Fogo - A Lagoa do Fogo é uma das maiores lagoas dos Açores e a terceira maior da ilha de São Miguel, classificada como Reserva Natural desde 1974. Uma enorme lagoa de águas transparentes e limpidas com praias de areia branca. Conserva no interior da sua caldeira um conjunto importante de endemismo. É um lugar de rara beleza, de um silêncio mágico, onde reina a tranquilidade. 



Gastronomia

          Os apreciadores da boa mesa podem encontrar neste Concelho a típica ‘sopa de feijão vermelho’, o ‘fervedouro’ [sopa: água, banha de porco, batata grada, cebola, couve repelada, sal, talos de couve e hortelã], a ‘morcela’ e o ‘chouriço’ [condimentados enchidos de porco], as ‘favas guisadas’, os ‘torresmos de vinho [tinto] de alhos’, os ‘chicharros com molho de vilão’, as ‘lapas de molho afonso’, e o ‘cozido à portuguesa’, nas Caldeiras. No capítulo da doçaria, os ‘confeitos’ da Ribeira Grande ocupam o lugar de honra. Trata-se de um doce feito à base de açúcar e funcho, cuja receita se manteve durante muitos anos em segredo, guardando assim toda a sua originalidade. Os dias de festa ainda fazem surgir outros doces de nomes inspirados e de origem conventual: ‘biscoitos de aguardente’, ‘súplicas’, ‘suspiros de açúcar’ e ‘barriga de freira’. De cariz popular e tradicional, os ‘quadrados de abóbora’ são muito apreciados.

                                                                                                        Arroz de lapas
Arroz de LapasBarrigas de Freiras
Barrigas de freiras 


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho da Povoação - Açores

Brasão de Povoação

Localização

        A Povoação é uma vila portuguesa na ilha de São Miguel, Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 110,30 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios da Ribeira Grande e de Nordeste, a oeste por Vila Franca do Campo e tem costa no oceano Atlântico a leste e sul.



História

                O descobrimento dos Açores envolve alguma controvérsia, pelo que nos vamos limitar à versão defendida pela maioria dos historiadores. Os mais recentes estudos apontam para a probabilidade do Arquipélago dos Açores ter sido descoberto por Diogo de Silves, a mando do Infante D. Henrique, em 1427. Crê-se que a ilha de S. Miguel, à semelhança de outras ilhas, foi baptizada com nome de um Santo, fruto do espírito religioso vivido na época. 
Os descobridores aportaram, pela primeira vez, na então chamada Povoação Velha – actual Concelho da Povoação. “Chegando aqui às ilhas os novos descobridores tomaram terra no lugar onde agora se chama a Povoação Velha pelo que fizeram depois […] e, desembarcando entre duas frescas ribeiras de claras, doces e frias águas, (a Ribeira de Além e a Ribeira de Pelames) entre rochas e terras altas, (Morro de Santa Bárbara e Lomba dos Pós) todas cobertas de espesso arvoredo de cedros, louros, ginjas e faias, e outras diversas”. Desde logo, o local impressionou os descobridores pois era abundante em vegetação, facto que indicava tratar-se de uma terra fértil. Procedeu-se então ao povoamento da Ilha, transportando para a mesma gado, sementes de trigo, legumes e algumas alfaias agrícolas. 

Bandeira de Povoação

Cultura e Turismo

           Por todo o Concelho se usufrui de um conjunto magnífico de paisagens, parques, miradouros, praias (inclusive uma de água tépida). A Lagoa das Furnas é, por seu turno, outro recanto ao qual não ficará indiferente pela beleza e magia que o envolve. Peremptoriamente, ao falarmos no Concelho da Povoação, não podemos deixar de realçar que no Vale das Furnas, de acordo com os especialistas na área, se encontra a nossa maior riqueza – os recursos hidrológicos, resultantes das manifestações de vulcanismo activo que se encontram patentes nas fumarolas e nos gaisers – manifestações únicas nos Açores. O Vale das Furnas detém 22 qualidades de águas minero-medicinais já classificadas, o que constitui em termos mundiais a maior hidrópole. Os Povoacenses dispõem de um concelho cada vez mais desenvolvido e, consequentemente, atractivo. Este facto deve-se ao aproveitamento dos recursos naturais existentes por todo o concelho, mas também ao trabalho efectuado a diversos níveis, nomeadamente a nível cultural e turístico. Deslocando-se ao concelho, além das paisagens paradisíacas de que desfrutará, pode visitar a título de exemplo o Museu do Trigo, o núcleo Museológico da Ribeira Quente, o Parque Terra Nostra, ou ainda o Parque Zoológico da vila da Povoação. Se preferir caminhar e estar em permanente contacto com a Natureza, não deixe de percorrer os trilhos recuperados a pensar em si e, naturalmente, na sua segurança. Tratando-se de um concelho em íntima ligação com o mar, não podíamos deixar de lhe proporcionar e propor momentos inesquecíveis ligados à prática de desportos náuticos. Podendo ainda, em alternativa, aderir às actividades propostas por empresas ligadas ao turismo. Se, por outro lado, prefere estar constantemente ligado ao resto do mundo, frequente simplesmente os nossos centros de informática. 
Aprecie impreterivelmente a gastronomia e doces regionais comodamente instalado numa das unidades de restauração de que dispomos. Se resolver permanecer no concelho, saiba que à sua disposição hotéis, residenciais, turismo de habitação, e / ou apartamentos. O Museu do Trigo, localizado entre a Lomba do Alcaide e a Lomba do Loução, é um espaço para apreciar os instrumentos outrora utilizados na ceifa do trigo. Dispõe de uma exposição permanente que retrata e explica as técnicas do cultivo, da colheita e da debulha do trigo e do uso da palha. Foi inaugurado a 31 de Julho de 2004, em resultado da reconversão museológica da debulhadora hidráulica da Ribeira do Engenho. Possibilita ainda a aquisição de produtos regionais confecionados na Povoação. O Parque Zoológico da vila da Povoação, o desaparecido Forte da Povoação, erguido para proteger do porto da vila. Era um pequeno forte, em cujos muros se abriam sete canhoneiras, o núcleo Museológico da Ribeira Quente, e nas Furnas, o Parque Terra Nostra.
O lugar das Furnas, de acordo com os especialistas na área, se encontra a nossa maior riqueza – os recursos hidrológicos, resultantes das manifestações de vulcanismo ativo que se encontram patentes nas fumarolas e nos gaisers – manifestações únicas nos Açores. O Vale das Furnas detém 22 qualidades de águas minero-medicinais já classificadas, o que constitui em termos mundiais a maior hidrópole. Observatório Microbiano das Furnas (OMIC). A atividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo que são celebradas praticamente em todas as ilhas. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que assim pediam proteção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o cetro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa. É também de destacar o festival de Povoação, na primeira semana de julho, um festival que inclui música, artesanato e gastronomia.
A nível de artesanato, destacam-se as flores de escamas de peixe, de papel, de penas ou de pano, os capachos de folhas de milho e espadana; os trabalhos de vime, os bordados de linho, os bonecos de folhelho de milho com trajes tradicionais, as colchas coloridas tecidas manualmente e os barretes de lã.
As personalidades ligadas ao concelho que mais se destacaram foram: o padre José Ernesto Jacinto Raposo, o primeiro ouvidor do concelho e cofundador da Santa Casa da Misericórdia e da Caixa Económica; José Honorato Gago da Câmara Botelho de Medeiros, engenheiro de construção naval, que doou as atuais instalações da biblioteca municipal e foi um benemérito do concelho, e o padre João de Medeiros, que legou toda a sua fortuna ao desenvolvimento cultural do concelho.




Gastronomia :

            
            Fofas da Povoação


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de Ponta Delgada - Açores

Brasão de Ponta Delgada

Localização

           Ponta Delgada é uma cidade portuguesa localizada na ilha de São Miguel, na Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 231,90 km² de área e subdividido em 24 freguesias. O município é limitado a leste pelos municípios da Ribeira Grande e da Lagoa e tem costa no oceano Atlântico a norte, sul e oeste. É a capital administrativa do Governo Regional desde que os distritos foram extintos, por volta de 1976 (conjuntamente com Angra do Heroísmo (sede de diocese) e Horta, onde se sedia o Parlamento regional).







História

            Ponta Delgada foi elevada a cidade, no reinado de D. João III, conforme reza a carta régia de 2 de Abril de 1546, depois da primeira capital da ilha - Vila Franca do Campo - ter sido devastada pelo terrível terramato de 1522.  A historiografia celebra o século XIX como a época áurea da cidade de Ponta Delgada e da ilha de S.Miguel, pela prosperidade económica, graças à exportação de citrinos para o Reino Unido, e pelo cosmopolitismo, graças à fixação de numerosos comerciantes estrangeiros, nomeadamente de inúmeras famílias judaicas, a partir de 1818. A imitação do gosto inglês ficou, então, patente na plantação de jardins ao gosto romântico - como os de António Borges, José do Canto, Jácome Correia e Visconde Porto Formoso (actual Universidade dos Açores) -, na construção de belíssimos palacetes e no "embelezamento" progressivo da urbe, com a proibição da deambulação de animais nas ruas, a abertura de novas ruas, a localização do cemitério público no extremo Norte da cidade e a periferização dos mercados do peixe, do gado e das frutas. Graças à importância da actividade mercantil, Ponta Delgada era, então, considerada a terceira cidade do país, em riqueza e em número de habitantes. Recorde-se, por exemplo, a surpresa do poeta Bulhão Pato, traduzida nas suas Cartas, com a extraordinária riqueza dos proprietários das quintas de laranja - os gentlemen farmers - senhores da terra e da especulação do solo urbano, exportadores de laranja e de milho, banqueiros e usurários, industriais e armadores - que faziam do investimento emblemático e simbólico do espaço, uma forma privilegiada de afirmação económica e de estratégia de reprodução social. No início do século XX, Ponta Delgada ainda se encontrava em oitava posição no seio do universo urbano português. No decurso das últimas décadas, porém, o crescimento urbano em Portugal, por força da acelerada industrialização e da perda de importância da economia rural - à semelhança do se tinha verificado no mundo desenvolvido, desde os inícios de oitocentos -, veio contribuir para que não só crescesse o número de cidades, como aumentasse a população urbanizada a nível nacional, e, nesse sentido, Ponta Delgada, tomando por base o critério do número de habitantes, com os seus menos de cinquenta mil habitantes, foi "atirada" para o ranking das pequenas cidades portuguesas. Ponta Delgada, contudo, nunca deixou de ser a primeira do arquipélago pela riqueza gerada, pelo número dos seus habitantes, pelo seu inestimável património, pela sua importância cultural e pelo seu cosmopolitismo.

Bandeira de Ponta Delgada


Cultura e Turismo

                Desembarcando na ilha, logo o visitante se dirige a Ponta Delgada, seu principal centro populacional e a maior cidade açoriana, onde dispõe de uma rede hoteleira apta a acolhê-lo com conforto e qualidade. Ainda na cidade e em jeito de aperitivo, poderá começar por apreciar toda a monumentalidade dos seus edifícios mais antigos e de maior valor arquitectónico, a maioria deles hoje redutos da vida política, administrativa, religiosa e cultural, não só micaelense, como também açoriana. Começando pelas Portas da Cidade, verdadeiro ex-libris de Ponta Delgada com os seus três imponentes arcos construídos no séc.XVIII, convidando a um passeio cultural pela cidade, talvez mereçam especial destaque, pela sua importância e valor histórico:
As três imponentes Igrejas paroquiais das três freguesias da cidade, a da Matriz de São Sebastião, a de São Pedro e a de São José, autênticas obras de arte da construção dos sécs.XVI; XVII e XVIII;

Igreja de São Sebastião - Construída no local onde havia uma ermida com S.Sebastião. Ficou pronta em 1547. Estrutura gótica mas o exterior com estilo Manuelino. Modificado no século XVIII, principalmente a fachada com o estilo Barroco. No interior bordados a ouro, madeiras raras (pau-santo).

Igreja São José - Construída em 1709. Imagens com influência hispano-mexicana, azulejos azuis e brancos e mobilia de madeira jacarandá- estilo barroco.

Igreja Matriz
Igreja São Pedro - Imagens do séc. XVI, XVII, XVIII, altar em talha dourada, e o quadro do Pedro Alexandrinho Carvalho “Pentecostes”. 

O Convento de Santo André, onde funciona o Museu Carlos Machado, recheado de ricas colecções de pintura, escultura, gravura, azulejos, zoologia, botânica, etc. e apresentando uma secção etnográfica com interessantes cenas da vida açoriana (O Museu Açoreano que apareceu em 1880 no Liceu Nacional com exposições em zoologia, botânica, geologia e mineralogia mais tarde exposições de arte e etnografia popular. Depois mudou para o Mosteiro de Santo André em 1930. Agora com colecções de pintura, escultura, azulejaria, porcelana, ourives, brinquedos e exposições originais. Pintura sobre tábuas de santos, e arte contemporânea.). Além destes, outros edifícios há que, não possuindo a grandiosidade dos mencionados, apresentam no entanto curiosos exemplos de arquitectura urbana do séc.XVII ao XIX que completam o panorama arquitectónico de Ponta Delgada, merecendo por isso um pouco da nossa atenção. Além destes, outros edifícios há que, não possuindo a grandiosidade dos mencionados, apresentam no entanto curiosos exemplos de arquitectura urbana do séc.XVII ao XIX que completam o panorama arquitectónico de Ponta Delgada, merecendo por isso um pouco da nossa atenção. Toda a zona litoral da cidade é percorrida pela Avenida Marginal, um dos importantes centros da vida quotidiana de Ponta Delgada. Ao longo de toda a sua extensão, um constante vaivém de pessoas na sua azáfama diária dá lugar, à noite e especialmente nos serões das quentes noites de verão, a uma calma concentração de cidadãos em saudável convívio social. No extremo poente, a avenida dá acesso ao porto comercial onde se movimenta todo o tráfico marítimo da ilha. Na zona nascente da avenida marginal, o complexo marina-piscina municipal é local que convida a agradáveis momentos de recreio e lazer. Na viagem de regresso, através de uma verdejante e florida estrada sinuosa, que em alguns troços se assemelha a autênticos túneis de vegetação, soberbas panorâmicas sobre a costa norte de São Miguel constituem, sem dúvida, matéria suficiente para boas recordações, não só fotográficas como também de vídeo, não esquecendo as paragens obrigatórias na  Maia, na Gorreana (plantação de chá), na praia de Porto Formoso, o miradouro de Santa Iria, já perto da Ribeira Grande, é ocasião a não perder...
Atravessando esta cidade e continuando pela estrada ao longo da costa norte, a sequência de bonitas paisagens é uma constante, passando a freguesia piscatória de Rabo de Peixe, as Capelas como centro histórico da caça à baleia e culminando com a extraordinária vista do miradouro da Ponta do Escalvado, na freguesia da Várzea, sobre a freguesia e Ilhéus dos Mosteiros e sobre a Ponta da Ferraria. Subindo da Várzea para o interior da ilha, em direcção à cumeada e desta descendo ao fundo da enorme caldeira que se nos depara, a pitoresca e atraente freguesia das Sete Cidades com as suas duas magníficas Lagoas, a Verde e a Azul, é razão forte para mais um inebriante momento de estreito contacto com a Natureza e com o de belo que ela nos pode dar. Uma agradável caminhada a pé pelas margens das lagoas onde poderá repousar um pouco junto ao túnel, notável obra de engenharia destinada ao escoamento das águas pluviais em excesso que caem dentro da bacia hidrográfica e um passeio pelas ruas do aglomerado urbano, donde se destaca a Igreja Paroquial dedicada a São Nicolau, e imponente Casa Solarenga do engenheiro Caetano de Andrade, herds., é a tentação natural de quem visita as Sete Cidades, perante a sua extasiante beleza. Subindo ao miradouro da Vista do Rei, toda esta inolvidável beleza, concentrada dentro da cratera principal do último vulcão que rebentou em São Miguel, hoje completamente extinto se torna ainda mais bela a nossos olhos. As características ímpares desta magnificente cratera justificaram, em 1980, a sua classificação como Paisagem Protegida. No regresso a Ponta Delgada, a estrada do Pico do Carvão oferece extraordinários quadros paisagísticos sobre a parte central da ilha desde a costa norte à sul, onde, das pastagens planas de um verde claro se erguem cortinas de abrigo naturais de verde mais carregado, o que faz com que São Miguel também seja conhecida como a Ilha Verde.





Gastronomia

             As velhas receitas tradicionais mantêm-se em pratos suculentos, como o caldo azedo, couves solteiras, os fervedouros, o polvo guisado em vinho de cheiro, os torresmos em molho de fígado, as caldeiradas de peixe, o arroz de lapas, o ensopado de trutas, as lapas de molho Afonso, a que se deve juntar o sempre curioso cozido das Furnas, em que o tacho contendo as carnes e os legumes é enterrado envolto num saco para que o calor vulcânico actue, e passadas algumas horas está pronto a deliciar o paladar com o seu sabor. Lagosta, cavaco, caranguejos e as estranhas cracas, escondidas nos orifícios que escavam nas pedras, satisfazem os apreciadores de mariscos. No que respeita a queijos, São Miguel oferece o branco e macio queijo de cabra fresco e o queijo da Ilha, de sabor picante quando seco. A antiga doçaria conventual faz as delícias dos gulosos nas queijadas de Vila Franca do Campo, nos confeitos da Ribeira Grande, no bolo lêvedo das Fumas, na barriga-de-freira, massa sovada, bichos de amêndoa e compota de capucho, pequeno fruto de uma planta herbácea. A região da Caloura produz vinho de cheiro, ou morangueiro, com perfume característico e pouco encorpado. Os licores de maracujá e de ananás são formas agradáveis de terminar uma refeição.
                                                                                                               Bolos lêvedos 
Bolos Lêvedos
Cozido das Furnas
Cozido das Furnas 



terça-feira, 6 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho do Nordeste - Açores

Brasão de Nordeste

Localização

          O Nordeste é uma vila e um município português na ilha de São Miguel, Região Autónoma dos Açores, com 101,51 km² de área e subdividido em 9 freguesias. O município é limitado a sul pelo município da Povoação e a oeste pela Ribeira Grande e tem costa no oceano Atlântico a norte e leste.



História

          O Nordeste, segundo diversos historiadores, deve o seu topónimo provavelmente por ficar situado no ponto cardeal que tem o seu nome. Em 1831, quando D. Miguel governava o país, a Achadinha foi palco de um acontecimento que dificilmente será ali esquecido – o desembarque, no seu calhau, das tropas liberais, que, vindas da Terceira e dirigidas pelo Conde de Vila Flor, se haviam revoltado contra o governo absolutista de D. Miguel, com a vitória da batalha absolutista da Ladeira Velha, os liberais conseguem a Ilha de São Miguel para a sua causa. No séc. XIX a Povoação junta-se ao Nordeste, foi também no séc. XIX, precisamente em 1820, que o Nordeste viu a sua área duplicada com a inclusão das localidades compreendidas entre os Fenais da Ajuda e as Lombas da Povoação. Mais tarde, em 1839, o Nordeste perdeu a Povoação, Faial, Água Retorta, Achadinha e Fenais da Ajuda que passam a constituir, juntamente com as Furnas, o novo concelho da Povoação. Entra outros factos interessantes sucedidos no concelho, há ainda a salientar que existiu ali, até aos primeiros anos do séc. XX, uma curiosa instituição de assistência aos agricultores pobres, denominada Monte da Piedade. O seu fundador e ano, não se conhecem, embora já apareça referenciada no séc. XVII, funcionava como uma espécie de banco de trigo, onde as pessoas carenciadas iam levantá-lo para as sementeiras ou para a alimentação, pagando na altura das colheitas um cabazinho por alqueire de cereal e uma moeda de três réis para as contas dos resíduos, era assim no séc. XVII, mas ao longo do tempo houve algumas alterações e descuidos que fazem desaparecer esta instituição no início do séc. XX. O Nordeste teve ainda a honra (e a sorte) de contribuir largamente para a eleição em 1878, de um homem na altura ignorado, mas que havia de ser Primeiro-ministro – Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro. Graças à colaboração deste político e à insistência do seu particular amigo, o grande António Alves de Oliveira (que possui uma estátua na Praça da República), o Nordeste vai arranjar-se e embelezar-se. São desta época a Ponte Sete Arcos da Vila, Farol do Arnel, Edifício dos Paços do Concelho e outros melhoramentos. O grande salto que o Concelho dera no seu desenvolvimento em finais do séc. XIX vai de novo abrandar até meados do séc. XX. Nessa época são criados os Serviços Florestais que vão repovoar e aproveitar uma vasta área que hoje é uma riqueza pública do Concelho. Ao longo da década de 60 o Concelho começa a recuperar de novo a sua vitalidade, quando são implementadas obras municipais de grande interesse como as instalações balneares da Foz da Ribeira. Com a Autonomia, o Nordeste ganha um novo surto que permite a beneficiação da rede viária em todas as localidades, assim como a construção de diversos equipamentos, nomeadamente: Campo de Jogos da Vila, Escola Preparatória de Nordeste (agora básica e secundária), Edifício dos Bombeiros, Centro de Saúde e a conclusão do abastecimento de energia eléctrica e de água. Obra de grande vulto foi ainda o saneamento do coração da Vila com a cobertura da grota dos Pelames. Nos últimos anos, outras infra-estruturas mudaram o rosto da sede do concelho, com destaque para a criação da Variante ao Viaduto (agora prolongada até ao parque industrial), da Estalagem dos Clérigos, do Lar de Idosos, da Esquadra da Polícia de Segurança Pública, do Complexo de Piscinas Municipais.

Bandeira de Nordeste

Cultura e Turismo

              No Nordeste existem muitos pontos turísticos como a Miradouro da Ponta do Sossego, Miradouro da Ponta da Madrugada, Serra da Tronqueira, Farol do Arnel, Parque Natural dos Caldeirões, entre outros miradouros que permitem avistar paisagens panorâmicas para o mar. O Nordeste é muito conhecido pela sua vegetação e pelas lindas flores como as hortênsias ou as azáleas que enfeitam as estradas do concelho.
Aqui se localiza o Pico da Vara, ponto mais alto da ilha de São Miguel, com cerca de 1100 metros de altitude. O seu relevo é de carácter montanhoso, recortado por ribeiras que deslizam por entre a vegetação. Com uma extensão aproximada de 1982 hectares, incorpora uma grande quantidade de vegetação endémica e típica da Macaronésia, assim como todo um conjunto de flora rara e de grande valor. O Priolo, ave endêmica da ilha, encontra aqui o seu habitat. Do Pico da Vara, miradouro natural, daqui se consegue ter uma impressionante panorâmica sobre grande parte da ilha, com destaque para o Planalto dos Graminhais, o Pico Verde e a Serra da Tronqueira, a sul, e as encostas da caldeira das Furnas e as serras de Água de Pau e Devassa, a oeste. Nordeste, há quem o compare à típica vila suíça, dada a rara beleza dos jardins, a que se junta o arranjo das bermas das estradas. O ar puro, os picos e as serras imponentes sobre a encosta recortada, onde o mar parece mais extenso e a linha do horizonte indefinível, o Nordeste é porta de entrada para o sossego e contemplação da natureza. O município de Nordeste situa-se na costa norte/nordeste da ilha de São Miguel entre a Ribeira da Salga e a grota da Fonte. A circundá-lo está o concelho da Ribeira Grande, a oeste, e a este e sul (pela serra) o da Povoação. A sua área total é de 101 km2. Temperado e ameno, de diminutas oscilações térmicas entre o Inverno, 14º C, e o Verão, 22º C), o concelho de Nordeste oferece óptimas condições a quem procura o turismo de natureza.
Segundo diversos historiadores, deve o seu topónimo provavelmente por ficar situado no ponto cardeal que tem o seu nome. No dizer de Gaspar Frutuoso, o Nordeste é “assim chamado por ter o rosto a este vento, de modo que o seu contrário vento desta ponta é o Nordeste, junto do morro alto que, de vinte a trinta léguas do mar, primeiro se vê dos navegantes que vêm de oriente”.
Ao demandar o Nordeste, entrando pela freguesia da Salga, sugere-se um desvio ao Salto da Farinha e Miradouro da Ponta do Estorninho. Se entrar na freguesia, visite o artesanato da loja A Folha de Milho e aprecie ao vivo o trabalho das artesãs. Prossiga em direcção à Vila do Nordeste. Pare na Achadinha (terra natal do escritor João de Melo e pano de fundo para muitas das suas obras), admire o Padrão das Almas e o Monumento aos Liberais. Se tiver interesse por arte religiosa visite a Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
Abalance-se outra vez ao caminho e pare na Parque da Ribeira dos Caldeirões, entre as freguesias da Achadinha e Achada, para apreciar a cascata ali existente e o conjunto de moinhos de água, património dos Açores. Entre depois na freguesia da Achada, desça no miradouro do Adro da Igreja, e admire o lindíssimo panorama da costa norte da ilha. Apoveite ainda para visitar o pequeno museu etnográfico que se encontra ali perto. Depois siga em direção a Santana (freguesia que congrega as localidades de Feteira Pequena e Feteira Grande). A localidade da Feteira Grande merece bem uma visita pelo simpático Miradouro do Pesqueiro, daqui avistando a maior altitude da ilha, o pico da Vara. Retome a estrada em direcção à Vila do Nordeste, fazendo paragem obrigatória na Vigia das Baleias, freguesia de Algarvia, onde encontra outra vista mágnifica sobre a costa e uma pequena "vigia" da antiga atividade da caça à baleia. Se tiver a intenção de fazer o Trilho do Pico da Vara, encontra nesta freguesia um dos melhores acessos. Mais à frente, na Lomba da Fazenda, desça até ao Parque Endémico (parque de plantas originais dos Açores) e desfrute da vegetação e do mar ali tão próximo. Já na vila de Nordeste, o Porto de Pescas e o Farol do Arnel, a Casa de Trabalho (artesanato), o Museu Municipal, a Igreja Matriz e o Parque Florestal, merecem uma visita demorada. Dirija-se depois às salas de visita do concelho, às deslumbrantes vistas do Pico do Bartolomeu, do Miradouro da Tronqueira e miradouros da Ponta da Madrugada e da Ponta do Sossego, para o lado sul do concelho. A Reserva Florestal de Recreio da Cancela do Cinzeiro e o Centro Ambiental do Priolo poderão ser outras opções de visita, com acesso a partir da localidade da Pedreira.
O Nordeste é rico em jardins e parques que se estendem ao longo de todo o concelho. Os parques florestais na localidade da Pedreira e na Vila do Nordeste convidam ao descanso. Aqui o ar é ainda mais puro e os olhos extasiam-se com a densa vegetação envolvente. Entre a Vila do Nordeste e a Lomba da Fazenda, na Ribeira do Guilherme, o Jardim da Quinta do Moinho salta à vista pela pequena cascata e pelas flores que ladeiam o acesso ao moinho de água ali existente. Mais à frente, na Lomba da Fazenda, sugere-se a descida ao Parque Endémico do Pelado para apreciar a vegetação endémica que aqui aflora, muito próxima do mar. O Parque Natural da Ribeira dos Caldeirões é ponto de referência no concelho do Nordeste. Situado junto à Estrada Regional, exibe uma magnífica cascata e um extenso jardim, ao longo do qual se estendem alguns moinhos de água, um deles em funcionamento e os restantes adaptados a funções de apoio ao parque.
Os miradouros são as salas de visita do Nordeste. A costa alta, o mar, a imponente serra e a sabedoria dos nordestenses permitiram fazer do Nordeste um dos locais com as vistas mais soberbas da ilha.
Ponta da Madrugada e Ponta do Sossego são locais de visita obrigatória no concelho. Serra e mar misturam-se aqui, envolvidos por extensas zonas de jardim, onde o silêncio impera e os olhos se perdem na imensidão da paisagem. Ambos os miradouros estão dotados de palheiros e de equipamentos adequados a uma estadia demorada. É tradição a confraternização de famílias nestes locais durante o Verão, vindas de vários pontos da ilha para o típico churrasco de lenha.
A caminho da Vila do Nordeste, outro miradouro majestoso nos é oferecido, o Miradouro da Ponta do Arnel. Daqui Avista-se o Farol do Arnel, a encabeçar o caminho de acesso ao Porto de Pescas.
Outros miradouros de igual beleza se estendem ao longo do concelho. A maioria das freguesias oferece vistas sobre o mar ou para a serra, estando todos devidamente sinalizados ao longo da Estrada Regional. Na Algarvia, no Miradouro da Vigia das Baleias se vigiavam as baleias em tempos em que a baleação se fazia nos Açores. Com um posto de vigia, este miradouro tem uma vista soberba sobre o mar e sobre a encosta. O local está dotado de palheiros para merenda, churrasqueiras, instalações sanitárias e parque infantil. Na Freguesia da Salga, os Miradouros do Salto da Farinha e do Salto do Cavalo são também referência. O primeiro, tem vista sobre uma cascata, com cerca de 40 metros. A zona inclui um agradável parque de merendas. Do Salto do Cavalo, mesmo no extremo do concelho, vislumbram-se o exuberante Vale das Furnas e as costas norte e sul da ilha de São Miguel. 

Ponta da Madrugada - Pedreira

Situado na Lomba da Pedreira, antes do início da zona urbana da localidade (no sentido de norte-sul) e junto à Estrada Regional, é o primeiro miradouro para quem entra pelo lado sul do concelho e é o melhor local para ver o nascer do sol, pois está situado numa das extremidades da ilha. Durante todo o ano é frequente pernoitarem no local forasteiros para apreciar o nascer do sol, complementando a estadia com a calma que oferece este paradisíaco local, onde abunda a vegetação, extensas zonas ajardinadas e a deslumbrante vista para o mar e para a Serra da Tronqueira.


Ponta do Sossego - Pedreira

O Miradouro da Ponta do Sossego, também situado na Lomba da Pedreira, um pouco mais à frente da Ponta da Madrugada, oferece uma vista soberba sobre a costa, mas aqui o paraíso são mesmo os jardins. A diversidade de flores e de canteiros, sempre muito cuidados durante todo o ano, fazem deste local o maior jardim do concelho de Nordeste. A vista para o mar é igualmente soberba, podendo daqui avistar-se a Fajã do Araújo e a Praia do Lombo Gordo. 
No Miradouro da Ponta do Sossego é tradicional as famílias reunirem-se para um piquenique de fim-de-semana ao ar livre. A afluência de visitantes ao Miradouro da Ponta do Sossego é de tal ordem no Verão que por vezes se torna difícil encontrar uma churrasqueira disponível entre as muitas dispersas pelo parque.


Salto da Farinha - Salga

Mais à frente do Parque dos Caldeirões, antes de entrar no povoado da Salga, surge outra cascata, com cerca de 40 metros e com maior fluxo de água durante os meses de Inverno. O nome Salto da Farinha vem da moagem de cereais que aqui se fazia antigamente. Aproveitando a vista que este local tem sobre o mar, foi aqui construído um miradouro, apetrechado com parque de merendas e sanitários. Uns metros mais abaixo, encontra-se o Miradouro da Pedra dos Estorninhos, com ampla vista sobre o mar e uma zona para piquenique.



Gastronomia

         A gastronomia de montanha é a surpresa das surpresas para quem nos visita. Verdadeira festa de sabores e paladares, a gastronomia do interior de Portugal é rica e variada, confeccionada à base de produtos e métodos tradicionais. É ampla a oferta de boa carne, criada nas melhores quintas da região, desde o gostoso e tenro cabrito, o porco, a vaca e o suculento novilho, aos tão apreciados pratos de caça de perdiz, lebre, faisão ou de javali, sem esquecer os enchidos. São as receitas ancestrais que passam de geração em geração, com as suas mil e uma maneiras e preparados, que lhe proporcionam um verdadeiro manjar dos deuses. O bacalhau é outra das iguarias portuguesas que se tem prestado a uma surpreendente imaginação em infinitas receitas, de cozidos ou assados e mesmo gratinados. Não há quem não goste e repita. Não há nenhum país com uma relação tão forte com esta espécie de peixe como o nosso. Deguste estes sabores em afamados restaurantes portugueses, como o Bull & Bear, no Porto, ou a Estalagem do Caçador, em Macedo de Cavaleiros. Distinta e completa ficará a sua refeição regada com um bom vinho tinto encorpado do Douro ou da região de Távora-Varosa e uma sobremesa divina como os doces conventuais, o leite-creme ou o arroz-doce. Brinde com um Vintage ou um Moscatel de Favaios que ajudará a sua digestão.

Arroz doce