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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de Ponta Delgada - Açores

Brasão de Ponta Delgada

Localização : 

           Ponta Delgada é uma cidade portuguesa localizada na ilha de São Miguel, na Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 231,90 km² de área e subdividido em 24 freguesias. O município é limitado a leste pelos municípios da Ribeira Grande e da Lagoa e tem costa no oceano Atlântico a norte, sul e oeste. É a capital administrativa do Governo Regional desde que os distritos foram extintos, por volta de 1976 (conjuntamente com Angra do Heroísmo (sede de diocese) e Horta, onde se sedia o Parlamento regional).







História : 

            Ponta Delgada foi elevada a cidade, no reinado de D. João III, conforme reza a carta régia de 2 de Abril de 1546, depois da primeira capital da ilha - Vila Franca do Campo - ter sido devastada pelo terrível terramato de 1522.  A historiografia celebra o século XIX como a época áurea da cidade de Ponta Delgada e da ilha de S.Miguel, pela prosperidade económica, graças à exportação de citrinos para o Reino Unido, e pelo cosmopolitismo, graças à fixação de numerosos comerciantes estrangeiros, nomeadamente de inúmeras famílias judaicas, a partir de 1818. A imitação do gosto inglês ficou, então, patente na plantação de jardins ao gosto romântico - como os de António Borges, José do Canto, Jácome Correia e Visconde Porto Formoso (actual Universidade dos Açores) -, na construção de belíssimos palacetes e no "embelezamento" progressivo da urbe, com a proibição da deambulação de animais nas ruas, a abertura de novas ruas, a localização do cemitério público no extremo Norte da cidade e a periferização dos mercados do peixe, do gado e das frutas. Graças à importância da actividade mercantil, Ponta Delgada era, então, considerada a terceira cidade do país, em riqueza e em número de habitantes. Recorde-se, por exemplo, a surpresa do poeta Bulhão Pato, traduzida nas suas Cartas, com a extraordinária riqueza dos proprietários das quintas de laranja - os gentlemen farmers - senhores da terra e da especulação do solo urbano, exportadores de laranja e de milho, banqueiros e usurários, industriais e armadores - que faziam do investimento emblemático e simbólico do espaço, uma forma privilegiada de afirmação económica e de estratégia de reprodução social. No início do século XX, Ponta Delgada ainda se encontrava em oitava posição no seio do universo urbano português. No decurso das últimas décadas, porém, o crescimento urbano em Portugal, por força da acelerada industrialização e da perda de importância da economia rural - à semelhança do se tinha verificado no mundo desenvolvido, desde os inícios de oitocentos -, veio contribuir para que não só crescesse o número de cidades, como aumentasse a população urbanizada a nível nacional, e, nesse sentido, Ponta Delgada, tomando por base o critério do número de habitantes, com os seus menos de cinquenta mil habitantes, foi "atirada" para o ranking das pequenas cidades portuguesas. Ponta Delgada, contudo, nunca deixou de ser a primeira do arquipélago pela riqueza gerada, pelo número dos seus habitantes, pelo seu inestimável património, pela sua importância cultural e pelo seu cosmopolitismo.

Bandeira de Ponta Delgada


Cultura e Turismo : 

                Desembarcando na ilha, logo o visitante se dirige a Ponta Delgada, seu principal centro populacional e a maior cidade açoriana, onde dispõe de uma rede hoteleira apta a acolhê-lo com conforto e qualidade. Ainda na cidade e em jeito de aperitivo, poderá começar por apreciar toda a monumentalidade dos seus edifícios mais antigos e de maior valor arquitectónico, a maioria deles hoje redutos da vida política, administrativa, religiosa e cultural, não só micaelense, como também açoriana. Começando pelas Portas da Cidade, verdadeiro ex-libris de Ponta Delgada com os seus três imponentes arcos construídos no séc.XVIII, convidando a um passeio cultural pela cidade, talvez mereçam especial destaque, pela sua importância e valor histórico:
As três imponentes Igrejas paroquiais das três freguesias da cidade, a da Matriz de São Sebastião, a de São Pedro e a de São José, autênticas obras de arte da construção dos sécs.XVI; XVII e XVIII;

Igreja de São Sebastião - Construída no local onde havia uma ermida com S.Sebastião. Ficou pronta em 1547. Estrutura gótica mas o exterior com estilo Manuelino. Modificado no século XVIII, principalmente a fachada com o estilo Barroco. No interior bordados a ouro, madeiras raras (pau-santo).

Igreja São José - Construída em 1709. Imagens com influência hispano-mexicana, azulejos azuis e brancos e mobilia de madeira jacarandá- estilo barroco.

Igreja Matriz
Igreja São Pedro - Imagens do séc. XVI, XVII, XVIII, altar em talha dourada, e o quadro do Pedro Alexandrinho Carvalho “Pentecostes”. 

O Convento de Santo André, onde funciona o Museu Carlos Machado, recheado de ricas colecções de pintura, escultura, gravura, azulejos, zoologia, botânica, etc. e apresentando uma secção etnográfica com interessantes cenas da vida açoriana (O Museu Açoreano que apareceu em 1880 no Liceu Nacional com exposições em zoologia, botânica, geologia e mineralogia mais tarde exposições de arte e etnografia popular. Depois mudou para o Mosteiro de Santo André em 1930. Agora com colecções de pintura, escultura, azulejaria, porcelana, ourives, brinquedos e exposições originais. Pintura sobre tábuas de santos, e arte contemporânea.). Além destes, outros edifícios há que, não possuindo a grandiosidade dos mencionados, apresentam no entanto curiosos exemplos de arquitectura urbana do séc.XVII ao XIX que completam o panorama arquitectónico de Ponta Delgada, merecendo por isso um pouco da nossa atenção. Além destes, outros edifícios há que, não possuindo a grandiosidade dos mencionados, apresentam no entanto curiosos exemplos de arquitectura urbana do séc.XVII ao XIX que completam o panorama arquitectónico de Ponta Delgada, merecendo por isso um pouco da nossa atenção. Toda a zona litoral da cidade é percorrida pela Avenida Marginal, um dos importantes centros da vida quotidiana de Ponta Delgada. Ao longo de toda a sua extensão, um constante vaivém de pessoas na sua azáfama diária dá lugar, à noite e especialmente nos serões das quentes noites de verão, a uma calma concentração de cidadãos em saudável convívio social. No extremo poente, a avenida dá acesso ao porto comercial onde se movimenta todo o tráfico marítimo da ilha. Na zona nascente da avenida marginal, o complexo marina-piscina municipal é local que convida a agradáveis momentos de recreio e lazer. Na viagem de regresso, através de uma verdejante e florida estrada sinuosa, que em alguns troços se assemelha a autênticos túneis de vegetação, soberbas panorâmicas sobre a costa norte de São Miguel constituem, sem dúvida, matéria suficiente para boas recordações, não só fotográficas como também de vídeo, não esquecendo as paragens obrigatórias na  Maia, na Gorreana (plantação de chá), na praia de Porto Formoso, o miradouro de Santa Iria, já perto da Ribeira Grande, é ocasião a não perder...
Atravessando esta cidade e continuando pela estrada ao longo da costa norte, a sequência de bonitas paisagens é uma constante, passando a freguesia piscatória de Rabo de Peixe, as Capelas como centro histórico da caça à baleia e culminando com a extraordinária vista do miradouro da Ponta do Escalvado, na freguesia da Várzea, sobre a freguesia e Ilhéus dos Mosteiros e sobre a Ponta da Ferraria. Subindo da Várzea para o interior da ilha, em direcção à cumeada e desta descendo ao fundo da enorme caldeira que se nos depara, a pitoresca e atraente freguesia das Sete Cidades com as suas duas magníficas Lagoas, a Verde e a Azul, é razão forte para mais um inebriante momento de estreito contacto com a Natureza e com o de belo que ela nos pode dar. Uma agradável caminhada a pé pelas margens das lagoas onde poderá repousar um pouco junto ao túnel, notável obra de engenharia destinada ao escoamento das águas pluviais em excesso que caem dentro da bacia hidrográfica e um passeio pelas ruas do aglomerado urbano, donde se destaca a Igreja Paroquial dedicada a São Nicolau, e imponente Casa Solarenga do engenheiro Caetano de Andrade, herds., é a tentação natural de quem visita as Sete Cidades, perante a sua extasiante beleza. Subindo ao miradouro da Vista do Rei, toda esta inolvidável beleza, concentrada dentro da cratera principal do último vulcão que rebentou em São Miguel, hoje completamente extinto se torna ainda mais bela a nossos olhos. As características ímpares desta magnificente cratera justificaram, em 1980, a sua classificação como Paisagem Protegida. No regresso a Ponta Delgada, a estrada do Pico do Carvão oferece extraordinários quadros paisagísticos sobre a parte central da ilha desde a costa norte à sul, onde, das pastagens planas de um verde claro se erguem cortinas de abrigo naturais de verde mais carregado, o que faz com que São Miguel também seja conhecida como a Ilha Verde.





Gastronomia : 

             As velhas receitas tradicionais mantêm-se em pratos suculentos, como o caldo azedo, couves solteiras, os fervedouros, o polvo guisado em vinho de cheiro, os torresmos em molho de fígado, as caldeiradas de peixe, o arroz de lapas, o ensopado de trutas, as lapas de molho Afonso, a que se deve juntar o sempre curioso cozido das Furnas, em que o tacho contendo as carnes e os legumes é enterrado envolto num saco para que o calor vulcânico actue, e passadas algumas horas está pronto a deliciar o paladar com o seu sabor. Lagosta, cavaco, caranguejos e as estranhas cracas, escondidas nos orifícios que escavam nas pedras, satisfazem os apreciadores de mariscos. No que respeita a queijos, São Miguel oferece o branco e macio queijo de cabra fresco e o queijo da Ilha, de sabor picante quando seco. A antiga doçaria conventual faz as delícias dos gulosos nas queijadas de Vila Franca do Campo, nos confeitos da Ribeira Grande, no bolo lêvedo das Fumas, na barriga-de-freira, massa sovada, bichos de amêndoa e compota de capucho, pequeno fruto de uma planta herbácea. A região da Caloura produz vinho de cheiro, ou morangueiro, com perfume característico e pouco encorpado. Os licores de maracujá e de ananás são formas agradáveis de terminar uma refeição.
                                                                                                               Bolos lêvedos 
Bolos Lêvedos
Cozido das Furnas
Cozido das Furnas 



terça-feira, 6 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho do Nordeste - Açores

Brasão de Nordeste

Localização : 

          O Nordeste é uma vila e um município português na ilha de São Miguel, Região Autónoma dos Açores, com 101,51 km² de área e subdividido em 9 freguesias. O município é limitado a sul pelo município da Povoação e a oeste pela Ribeira Grande e tem costa no oceano Atlântico a norte e leste.



História : 

          O Nordeste, segundo diversos historiadores, deve o seu topónimo provavelmente por ficar situado no ponto cardeal que tem o seu nome. Em 1831, quando D. Miguel governava o país, a Achadinha foi palco de um acontecimento que dificilmente será ali esquecido – o desembarque, no seu calhau, das tropas liberais, que, vindas da Terceira e dirigidas pelo Conde de Vila Flor, se haviam revoltado contra o governo absolutista de D. Miguel, com a vitória da batalha absolutista da Ladeira Velha, os liberais conseguem a Ilha de São Miguel para a sua causa. No séc. XIX a Povoação junta-se ao Nordeste, foi também no séc. XIX, precisamente em 1820, que o Nordeste viu a sua área duplicada com a inclusão das localidades compreendidas entre os Fenais da Ajuda e as Lombas da Povoação. Mais tarde, em 1839, o Nordeste perdeu a Povoação, Faial, Água Retorta, Achadinha e Fenais da Ajuda que passam a constituir, juntamente com as Furnas, o novo concelho da Povoação. Entra outros factos interessantes sucedidos no concelho, há ainda a salientar que existiu ali, até aos primeiros anos do séc. XX, uma curiosa instituição de assistência aos agricultores pobres, denominada Monte da Piedade. O seu fundador e ano, não se conhecem, embora já apareça referenciada no séc. XVII, funcionava como uma espécie de banco de trigo, onde as pessoas carenciadas iam levantá-lo para as sementeiras ou para a alimentação, pagando na altura das colheitas um cabazinho por alqueire de cereal e uma moeda de três réis para as contas dos resíduos, era assim no séc. XVII, mas ao longo do tempo houve algumas alterações e descuidos que fazem desaparecer esta instituição no início do séc. XX. O Nordeste teve ainda a honra (e a sorte) de contribuir largamente para a eleição em 1878, de um homem na altura ignorado, mas que havia de ser Primeiro-ministro – Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro. Graças à colaboração deste político e à insistência do seu particular amigo, o grande António Alves de Oliveira (que possui uma estátua na Praça da República), o Nordeste vai arranjar-se e embelezar-se. São desta época a Ponte Sete Arcos da Vila, Farol do Arnel, Edifício dos Paços do Concelho e outros melhoramentos. O grande salto que o Concelho dera no seu desenvolvimento em finais do séc. XIX vai de novo abrandar até meados do séc. XX. Nessa época são criados os Serviços Florestais que vão repovoar e aproveitar uma vasta área que hoje é uma riqueza pública do Concelho. Ao longo da década de 60 o Concelho começa a recuperar de novo a sua vitalidade, quando são implementadas obras municipais de grande interesse como as instalações balneares da Foz da Ribeira. Com a Autonomia, o Nordeste ganha um novo surto que permite a beneficiação da rede viária em todas as localidades, assim como a construção de diversos equipamentos, nomeadamente: Campo de Jogos da Vila, Escola Preparatória de Nordeste (agora básica e secundária), Edifício dos Bombeiros, Centro de Saúde e a conclusão do abastecimento de energia eléctrica e de água. Obra de grande vulto foi ainda o saneamento do coração da Vila com a cobertura da grota dos Pelames. Nos últimos anos, outras infra-estruturas mudaram o rosto da sede do concelho, com destaque para a criação da Variante ao Viaduto (agora prolongada até ao parque industrial), da Estalagem dos Clérigos, do Lar de Idosos, da Esquadra da Polícia de Segurança Pública, do Complexo de Piscinas Municipais.

Bandeira de Nordeste

Cultura e Turismo : 

              No Nordeste existem muitos pontos turísticos como a Miradouro da Ponta do Sossego, Miradouro da Ponta da Madrugada, Serra da Tronqueira, Farol do Arnel, Parque Natural dos Caldeirões, entre outros miradouros que permitem avistar paisagens panorâmicas para o mar. O Nordeste é muito conhecido pela sua vegetação e pelas lindas flores como as hortênsias ou as azáleas que enfeitam as estradas do concelho.
Aqui se localiza o Pico da Vara, ponto mais alto da ilha de São Miguel, com cerca de 1100 metros de altitude. O seu relevo é de carácter montanhoso, recortado por ribeiras que deslizam por entre a vegetação. Com uma extensão aproximada de 1982 hectares, incorpora uma grande quantidade de vegetação endémica e típica da Macaronésia, assim como todo um conjunto de flora rara e de grande valor. O Priolo, ave endêmica da ilha, encontra aqui o seu habitat. Do Pico da Vara, miradouro natural, daqui se consegue ter uma impressionante panorâmica sobre grande parte da ilha, com destaque para o Planalto dos Graminhais, o Pico Verde e a Serra da Tronqueira, a sul, e as encostas da caldeira das Furnas e as serras de Água de Pau e Devassa, a oeste. Nordeste, há quem o compare à típica vila suíça, dada a rara beleza dos jardins, a que se junta o arranjo das bermas das estradas. O ar puro, os picos e as serras imponentes sobre a encosta recortada, onde o mar parece mais extenso e a linha do horizonte indefinível, o Nordeste é porta de entrada para o sossego e contemplação da natureza. O município de Nordeste situa-se na costa norte/nordeste da ilha de São Miguel entre a Ribeira da Salga e a grota da Fonte. A circundá-lo está o concelho da Ribeira Grande, a oeste, e a este e sul (pela serra) o da Povoação. A sua área total é de 101 km2. Temperado e ameno, de diminutas oscilações térmicas entre o Inverno, 14º C, e o Verão, 22º C), o concelho de Nordeste oferece óptimas condições a quem procura o turismo de natureza.
Segundo diversos historiadores, deve o seu topónimo provavelmente por ficar situado no ponto cardeal que tem o seu nome. No dizer de Gaspar Frutuoso, o Nordeste é “assim chamado por ter o rosto a este vento, de modo que o seu contrário vento desta ponta é o Nordeste, junto do morro alto que, de vinte a trinta léguas do mar, primeiro se vê dos navegantes que vêm de oriente”.
Ao demandar o Nordeste, entrando pela freguesia da Salga, sugere-se um desvio ao Salto da Farinha e Miradouro da Ponta do Estorninho. Se entrar na freguesia, visite o artesanato da loja A Folha de Milho e aprecie ao vivo o trabalho das artesãs. Prossiga em direcção à Vila do Nordeste. Pare na Achadinha (terra natal do escritor João de Melo e pano de fundo para muitas das suas obras), admire o Padrão das Almas e o Monumento aos Liberais. Se tiver interesse por arte religiosa visite a Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
Abalance-se outra vez ao caminho e pare na Parque da Ribeira dos Caldeirões, entre as freguesias da Achadinha e Achada, para apreciar a cascata ali existente e o conjunto de moinhos de água, património dos Açores. Entre depois na freguesia da Achada, desça no miradouro do Adro da Igreja, e admire o lindíssimo panorama da costa norte da ilha. Apoveite ainda para visitar o pequeno museu etnográfico que se encontra ali perto. Depois siga em direção a Santana (freguesia que congrega as localidades de Feteira Pequena e Feteira Grande). A localidade da Feteira Grande merece bem uma visita pelo simpático Miradouro do Pesqueiro, daqui avistando a maior altitude da ilha, o pico da Vara. Retome a estrada em direcção à Vila do Nordeste, fazendo paragem obrigatória na Vigia das Baleias, freguesia de Algarvia, onde encontra outra vista mágnifica sobre a costa e uma pequena "vigia" da antiga atividade da caça à baleia. Se tiver a intenção de fazer o Trilho do Pico da Vara, encontra nesta freguesia um dos melhores acessos. Mais à frente, na Lomba da Fazenda, desça até ao Parque Endémico (parque de plantas originais dos Açores) e desfrute da vegetação e do mar ali tão próximo. Já na vila de Nordeste, o Porto de Pescas e o Farol do Arnel, a Casa de Trabalho (artesanato), o Museu Municipal, a Igreja Matriz e o Parque Florestal, merecem uma visita demorada. Dirija-se depois às salas de visita do concelho, às deslumbrantes vistas do Pico do Bartolomeu, do Miradouro da Tronqueira e miradouros da Ponta da Madrugada e da Ponta do Sossego, para o lado sul do concelho. A Reserva Florestal de Recreio da Cancela do Cinzeiro e o Centro Ambiental do Priolo poderão ser outras opções de visita, com acesso a partir da localidade da Pedreira.
O Nordeste é rico em jardins e parques que se estendem ao longo de todo o concelho. Os parques florestais na localidade da Pedreira e na Vila do Nordeste convidam ao descanso. Aqui o ar é ainda mais puro e os olhos extasiam-se com a densa vegetação envolvente. Entre a Vila do Nordeste e a Lomba da Fazenda, na Ribeira do Guilherme, o Jardim da Quinta do Moinho salta à vista pela pequena cascata e pelas flores que ladeiam o acesso ao moinho de água ali existente. Mais à frente, na Lomba da Fazenda, sugere-se a descida ao Parque Endémico do Pelado para apreciar a vegetação endémica que aqui aflora, muito próxima do mar. O Parque Natural da Ribeira dos Caldeirões é ponto de referência no concelho do Nordeste. Situado junto à Estrada Regional, exibe uma magnífica cascata e um extenso jardim, ao longo do qual se estendem alguns moinhos de água, um deles em funcionamento e os restantes adaptados a funções de apoio ao parque.
Os miradouros são as salas de visita do Nordeste. A costa alta, o mar, a imponente serra e a sabedoria dos nordestenses permitiram fazer do Nordeste um dos locais com as vistas mais soberbas da ilha.
Ponta da Madrugada e Ponta do Sossego são locais de visita obrigatória no concelho. Serra e mar misturam-se aqui, envolvidos por extensas zonas de jardim, onde o silêncio impera e os olhos se perdem na imensidão da paisagem. Ambos os miradouros estão dotados de palheiros e de equipamentos adequados a uma estadia demorada. É tradição a confraternização de famílias nestes locais durante o Verão, vindas de vários pontos da ilha para o típico churrasco de lenha.
A caminho da Vila do Nordeste, outro miradouro majestoso nos é oferecido, o Miradouro da Ponta do Arnel. Daqui Avista-se o Farol do Arnel, a encabeçar o caminho de acesso ao Porto de Pescas.
Outros miradouros de igual beleza se estendem ao longo do concelho. A maioria das freguesias oferece vistas sobre o mar ou para a serra, estando todos devidamente sinalizados ao longo da Estrada Regional. Na Algarvia, no Miradouro da Vigia das Baleias se vigiavam as baleias em tempos em que a baleação se fazia nos Açores. Com um posto de vigia, este miradouro tem uma vista soberba sobre o mar e sobre a encosta. O local está dotado de palheiros para merenda, churrasqueiras, instalações sanitárias e parque infantil. Na Freguesia da Salga, os Miradouros do Salto da Farinha e do Salto do Cavalo são também referência. O primeiro, tem vista sobre uma cascata, com cerca de 40 metros. A zona inclui um agradável parque de merendas. Do Salto do Cavalo, mesmo no extremo do concelho, vislumbram-se o exuberante Vale das Furnas e as costas norte e sul da ilha de São Miguel. 

Ponta da Madrugada - Pedreira

Situado na Lomba da Pedreira, antes do início da zona urbana da localidade (no sentido de norte-sul) e junto à Estrada Regional, é o primeiro miradouro para quem entra pelo lado sul do concelho e é o melhor local para ver o nascer do sol, pois está situado numa das extremidades da ilha. Durante todo o ano é frequente pernoitarem no local forasteiros para apreciar o nascer do sol, complementando a estadia com a calma que oferece este paradisíaco local, onde abunda a vegetação, extensas zonas ajardinadas e a deslumbrante vista para o mar e para a Serra da Tronqueira.


Ponta do Sossego - Pedreira

O Miradouro da Ponta do Sossego, também situado na Lomba da Pedreira, um pouco mais à frente da Ponta da Madrugada, oferece uma vista soberba sobre a costa, mas aqui o paraíso são mesmo os jardins. A diversidade de flores e de canteiros, sempre muito cuidados durante todo o ano, fazem deste local o maior jardim do concelho de Nordeste. A vista para o mar é igualmente soberba, podendo daqui avistar-se a Fajã do Araújo e a Praia do Lombo Gordo. 
No Miradouro da Ponta do Sossego é tradicional as famílias reunirem-se para um piquenique de fim-de-semana ao ar livre. A afluência de visitantes ao Miradouro da Ponta do Sossego é de tal ordem no Verão que por vezes se torna difícil encontrar uma churrasqueira disponível entre as muitas dispersas pelo parque.


Salto da Farinha - Salga

Mais à frente do Parque dos Caldeirões, antes de entrar no povoado da Salga, surge outra cascata, com cerca de 40 metros e com maior fluxo de água durante os meses de Inverno. O nome Salto da Farinha vem da moagem de cereais que aqui se fazia antigamente. Aproveitando a vista que este local tem sobre o mar, foi aqui construído um miradouro, apetrechado com parque de merendas e sanitários. Uns metros mais abaixo, encontra-se o Miradouro da Pedra dos Estorninhos, com ampla vista sobre o mar e uma zona para piquenique.



Gastronomia : 

         A gastronomia de montanha é a surpresa das surpresas para quem nos visita. Verdadeira festa de sabores e paladares, a gastronomia do interior de Portugal é rica e variada, confeccionada à base de produtos e métodos tradicionais. É ampla a oferta de boa carne, criada nas melhores quintas da região, desde o gostoso e tenro cabrito, o porco, a vaca e o suculento novilho, aos tão apreciados pratos de caça de perdiz, lebre, faisão ou de javali, sem esquecer os enchidos. São as receitas ancestrais que passam de geração em geração, com as suas mil e uma maneiras e preparados, que lhe proporcionam um verdadeiro manjar dos deuses. O bacalhau é outra das iguarias portuguesas que se tem prestado a uma surpreendente imaginação em infinitas receitas, de cozidos ou assados e mesmo gratinados. Não há quem não goste e repita. Não há nenhum país com uma relação tão forte com esta espécie de peixe como o nosso. Deguste estes sabores em afamados restaurantes portugueses, como o Bull & Bear, no Porto, ou a Estalagem do Caçador, em Macedo de Cavaleiros. Distinta e completa ficará a sua refeição regada com um bom vinho tinto encorpado do Douro ou da região de Távora-Varosa e uma sobremesa divina como os doces conventuais, o leite-creme ou o arroz-doce. Brinde com um Vintage ou um Moscatel de Favaios que ajudará a sua digestão.

Arroz doce 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de Lagoa - Açores

Brasão de Lagoa

Localização : 

          A Lagoa é uma cidade situada na costa sul da ilha de São Miguel, Açores, é sede de um pequeno município com 45,57 km² de área e subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a norte pelo município da Ribeira Grande, a leste por Vila Franca do Campo, a oeste por Ponta Delgada e a sul pelo Oceano Atlântico.




História : 

         A Lagoa começou a ser povoada pouco depois da descoberta da Ilha de S. Miguel. Os seus primeiros habitantes estabeleceram-se nos locais, onde mais tarde surgiram, as vilas de Lagoa e Água de Pau. A Lagoa foi o local escolhido pela sua abrigada enseada, tornando-se desde cedo local de embarque e desembarque. Foi a partir do Porto dos Carneiros que foi lançado gado, incluindo carneiros, e outros animais na Ilha.
“A villa d’ALagoa, chamada assim por uma que teve defronte da porta da Egreja principal acima d’um recife e porto que tem onde podiam entrar bateis, na qual antigamente se tomou já muito pescado, por entrar ás vezes o mar nela, e bebia o gado e nadavam por passatempo algumas pessoas (…).” Gaspar Fructuoso. O próprio nome de Lagoa é elucidativo de como os primeiros povoadores escolhiam lugares propícios à sua fixação. Nela encontraram água e um porto de abrigo, foi na zona da actual Igreja de Santa Cruz que os fundadores da então Vila da Lagoa se fixaram (junto a uma lagoa ali existente, razão do nome atribuído ao povoado). Ao longo do séc. XV, a população da ilha não cessa de aumentar e na Lagoa o seu povoado foi-se desenvolvendo para oeste, em direcção a uma baía que acolheu os primeiros barcos de pesca: o Porto dos Carneiros. A leste da Lagoa foram-se fixando algumas famílias atraídas por prometedoras terras de cultivo e um excelente curso de água – Água de Pau.
Graças ao seu progresso social e económico, Água de Pau viria a ser elevada a Vila em 1515 e foi sede de Concelho por 338 anos, (altura em que é incorporada no Concelho de Lagoa). A 11 de Abril de 1522 a Lagoa é elevada a Vila e sede de Concelho, altura em que já contava com 1600 habitantes e 300 habitações. Em 1522 quando a Lagoa foi elevada a Vila era considerada uma das melhores regiões agrícolas da ilha, predominando as culturas de trigo, do pastel e do vinho. O seu porto desempenhava um papel importante na actividade económica (exportação de trigo e venda de peixe). Entretanto, a introdução da cultura de laranja e a subsequente exportação para a Europa fez prosperar a Vila de Lagoa e Água de Pau. A construção de moradias intensifica-se assim como solares e capelas. A prosperidade acentuou-se no séc. XIX quando a Vila de Lagoa viu surgir fábricas de cerâmica e destilação de álcool. No séc. XX, surgiram novas fábricas, designadamente de óleo vegetal, sabão e de ração para animais. A exploração agro-pecuária e a pesca também ganharam expressão no Concelho.
No final do séc. XX e na actualidade o sector terciário assume-se como o principal empregador do Concelho (58,2% da população activa) e o número de empresas deste sector sedeadas na Lagoa, cresceu na ordem dos 17,2%, de 2001 para 2004. Na actualidade, pode-se afirmar que a Lagoa começa a despontar para o desenvolvimento turístico e as empresas de serviços começam a crescer em número e em importância na economia do Concelho.

Bandeira de Lagoa

Heráldica : 

Bandeira – Esquartelada de vermelho e de branco, com as armas ao centro e por baixo do escudo um listel branco com a palavra Lagoa, de negro; haste e lança douradas. Cordões e borlas de vermelho e de prata.

Armas – De prata, com uma cruz maçanetada de vermelho; em chefe em acorde negro segurando nas garras um escudete de quinas. 

Selo – Circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres “Câmara Municipal de Lagoa”.

Cultura e Turismo :

            A imaginação é uma das principais características do povo açoriano, o que leva a inimagináveis horizontes. Os Artesãos de Flores de Escamas de Peixe são um exemplo de criatividade ilimitada e habilidade manual inata. No entanto, é importante salientar a paciência e sensibilidade destes artesãos no domínio das suas técnicas. Estes artefactos são verdadeiras maravilhas, buscando de certa forma, a perfeição. As escamas de peixe, depois de lavadas, escolhidas e recortadas, com o auxílio de uma pequena tesoura, tomam a forma de flores, que se agrupam em ramos com fio de canotilho e que são adornadas de prateados fios e pequenas pérolas. Este é um produto emblemático do artesanato açoriano. O fabrico de bonecos de presépio é uma tradição da Vila da Lagoa. Muitas destas figuras são produzidas em oficinas improvisadas no espaço doméstico, em horário pós-laboral. Esta é uma das formas encontradas para angariar fundos para o sustento familiar, embora também constitua uma forma de ocupar os tempos livres.
O processo técnico de feitura obedece a determinadas regras e técnicas, pois, sendo um processo artesanal, o fabrico de peças é único e inigualável. As figuras dos presépios da cidade de Lagoa encontram-se espalhados por várias partes dos Açores e, ainda, pelas comunidades de emigrantes do Canadá e Estados Unidos da América. Esta tradição implantada pelos Mouros, mantém-se há centenas de anos. Na Vila de Água de Pau, havia grande quantidade de linho de russo (espadana) e do próprio linho. Existiam diversas fábricas que produziam cordas e paralelamente a estas cordas, os capachos. Ainda num passado recente, era possível ver grupos de mulheres sentadas nos capachos, também conhecidos por esteiras. Estes capachos também eram utilizados para secar os cereais. Actualmente, para além dos capachos de porta de diversos tamanhos, também são produzidos capachos decorativos para o chão, a parede e cordas, os grandes mestres desta arte foram José Medeiros Carreiro e Manuel Tavares, ambos naturais da Vila de Água de Pau. Actualmente, apenas dois artesãos dedicam-se a esta arte tradicional. 
O Concelho de Lagoa proporciona aos amantes da natureza uma excelente oferta paisagística, constituindo no seu todo, um óptimo cartão-de-visita, impressionando todos os que por aqui passam. 
O ex-libris turístico do Concelho é constituído pelo lugar da Caloura. Vinhedos entre muros de pedra negra, o típico porto protegido pela alta falésia de rochas vulcânicas e o conventinho caiado de branco, fazem as delícias dos seus visitantes. Não se trata de uma praia, mas sim de um porto, com uma piscina natural e vários acessos ao mar por escadas e cobiçada pelas suas águas límpidas. O fundo do mar é coberto por cascalho e alguma areia. Mesmo ao lado existe um pequeno porto de pesca artesanal, com uma moderna rampa de varagem e câmara frigorífica e apresenta sempre um aspecto muito limpo, por se tratar de uma obra recente. Nesta zona, existe um bar com esplanada, que serve refeições, e dois balneários. Beneficiando de um microclima favorável, a Caloura é um lugar de veraneio muito procurado. Oferece a oportunidade de um refrescante banho de mar nas águas transparentes do seu porto, galardoadas com o Programa Bandeira Azul. Daí ser considerada um paraíso junto ao mar, o acesso é feito por uma estrada regional, tendo estacionamento com capacidade para 100 veículos. Aqui, realizam-se diversas actividades culturais durante o ano, sendo a mais relevante a Festa do Pescador, que atrai milhares de forasteiros à Caloura. Esta festa inclui festival de folclore e várias actividades náuticas. O serviço de apoio no Porto da Caloura é composto por um nadador salvador e um vigilante, diversos equipamentos de salvamento, um pequeno porto com rampa de acesso para actividades náuticas (barcos e motas), contentores e papeleiras de lixo, ainda em Água de Pau, no Pico da Figueira, temos o Miradouro do Monte Santo, onde se pode desfrutar de um belíssimo panorama das redondezas. Mais acima, na Estrada Regional entre esta Vila e a freguesia da Ribeira Chã, encontra-se o Miradouro do Pisão, que oferece uma linda panorâmica sobre a região da Caloura e a costa sul da ilha de São Miguel, paisagem esta que ganha outra perspectiva, lá em baixo, no miradouro junto ao Convento. Em Água de Pau, pode ainda passar pelo Jardim dos Anjos. Inicialmente construído nos anos sessenta, este tem passado por diversas remodelações, tendo sido a última em 1991. Situa-se em frente à Igreja Paroquial desta Vila. A freguesia de Santa Cruz abriga o parque florestal Chã da Macela, com uma extensa área onde crescem várias espécies vegetais, umas endémicas (louro, queiró, urze, cedro do mato, uva da serra), outras introduzidas (araucárias, criptomérias, cedros, acácias, pinheiros). Aqui, além da exuberante vegetação, pode admirar os animais que aí habitam, aproveitar para descansar nos verdejantes espaços de lazer e admirar a paisagem do centro da ilha a partir do seu miradouro.
Outro miradouro encontra-se mais acima, no Caminho do Lagoa do Fogo, oferecendo outra admirável perspectiva sobre a ilha. O Jardim do Convento dos Franciscanos é um dos mais importantes pontos turísticos da freguesia de Santa Cruz. No Rosário, no Largo do Porto dos Carneiros, situa-se a baía onde aportavam os primeiros barcos de pesca da Lagoa. Foi na zona do actual porto que antes do início do povoamento foi lançado gado na ilha, de modo a alimentar os futuros povoadores, daí o nome de Porto dos Carneiros, este local, que recentemente foi alvo de obras de beneficiação, apresenta uma arquitectura muito interessante, onde se destaca o bonito edifício “Mercado de Peixe”, actual Lota. É uma bonita zona de lazer com excelentes restaurantes.  Ainda no Rosário, aprecie um dos melhores complexos de piscinas da ilha de São Miguel – Complexo Municipal de Piscinas de Lagoa. Situado na Rua Cidade de New Bedford, este complexo surge como um verdadeiro “monumento” em homenagem a todos os que gostam do sol e do mar. Além de uma piscina coberta, possui piscinas naturais, uma piscina semi-olímpica, piscinas para crianças e excelentes infra-estruturas de apoio, como bar com esplanada, vestiários, sanitários e parque de estacionamento. Trata-se de um conjunto de baixios que se estendem de forma irregular por cerca de 150 metros, numa zona em que a costa se apresenta bastante recortada e em que se fez o seu aproveitamento para espaço de lazer. É de salientar que esta não é uma obra de hoje. No local que deu origem ao actual Complexo de Piscinas já existia anteriormente a chamada Piscina Municipal, mas que em virtude do temporal a 26 de Dezembro de 1996, que causou avultados prejuízos, houve necessidade de se proceder a obras de recuperação. Este Complexo goza de uma adequada integração paisagística, possui excelentes condições técnicas e preserva as excepcionais condições costeiras, nomeadamente a qualidade das suas águas, que por isso mesmo tem alcançado ano após ano a Bandeira Azul. Por tudo isto, pode-se dizer que o Complexo Municipal de Piscinas na Lagoa usufrui de condições únicas, para que os amantes do sol e do mar possam passar os seus dias de férias de forma inesquecível. Ao sol, associa-se o cheiro da maresia, um céu azul, águas límpidas e transparentes que permitem um horizonte de emoções e pensamentos, num espaço que é rico em convívio e boa disposição. A Praça de Nossa Senhora da Graça também é uma área de agradável permanência e lazer, existindo um anfiteatro ao ar livre, destinado a manifestações de âmbito cultural e recreativo. Largo de Ville Sainte Thérèse, na Freguesia do Rosário, advém de um protocolo, realizado no ano de 1996, entre o Concelho da Lagoa e a Ville de Sainte Thérèse, no Canadá. Este largo simboliza a amizade existente entre as duas comunidades.

Ermida e convento da Caloura: Ex-líbris da Vila de Água de Pau

       No formoso Vale de Cabaços, próximo do seu porto, entre as rochas moldadas pelo fogo dos vulcões, incessantemente batidas e galgadas pelo mar do Atlântico, ergue-se a ermida do convento da Caloura.


A construção do convento da caloura remonta ao século XVI, mas o seu atual aspeto é setecentista. Este foi o primeiro estabelecimento religioso feminino de todo o arquipélago açoriano, trata-se, por conseguinte, de uma das mais genuínas e valiosas relíquias do património religioso do concelho de Lagoa, atualmente, a ermida e convento da Caloura formam um conjunto arquitetónico que se assemelha à letra U, com abertura virada para poente, em que o corpo norte é constituído pela ermida, corredores anexos, sacristia e algumas celas, tendo-se a partir deste núcleo inicial e, conforme as necessidades, desenvolvido para sul a restante parte do imóvel. Erigido provavelmente no século XVII, em substituição de um templo primitivo, contrasta dos restantes edifícios pela sua riqueza. Em obra de cantaria, a gramática decorativa da fachada poderá situar-se no final do século XVII. O corpo central do frontispício é completamente revestido de azulejos de padrão de fundo azul, os quais são de modelo muito raro. O interior do templo é um autêntico relicário de arte religiosa dos séculos XVII-XVIII. O corpo da ermida está revestido por um raro conjunto de azulejos policromados, apresentando o altar-mor um retábulo de talha dourada com peculiares anjos de farto bigode e valiosas imagens. O ilustre etnógrafo Luís Bernardo Leite de Atayde afirma que “a Recoleta da Caloura contém repositório azulejar a fazer inveja a muita igreja maior ou a museu.” A imagem do “Ecce Hommo”, comummente conhecida por Senhor Santo Cristo dos Milagres está também ligada a esta Recoleta. Outrora, trazida para a Caloura, precisamente para este Convento, é agora venerada no Convento da Esperança, tornando-se o fulcro das maiores festas religiosas que se celebram no arquipélago dos Açores. Crê-se ter sido oferecida pelo Papa Paulo III a duas freiras do Convento da Caloura, tendo-se ali mantido até à saída das últimas freiras, que a levaram consigo para o Convento da Esperança, em Ponta Delgada.

A história desta Casa Recoleta remonta a 4 de julho de 2525, altura em que a Vila Franca do Campo estava a sofrer com os malefícios da peste. Para escapar à devastação deste mal contagioso, um nobre varão chamado Jorge da Mota, Cavaleiro do Hábito de Avis, fugiu para uma quinta sua e aí criou a sua filha Petronilha da Mota, mais tarde, Maria de Jesus (nome religioso) que logo fez amizade com Maria dos Anjos. Estas decidiram servir a Deus na condição de se tornarem religiosas numa ermida em Santa Clara, em Ponta Delgada. No entanto, nunca chegaram ao destino inicial pretendido, pois ao chegarem ao cume da ladeira do Pisão e vendo no vale da Caloura uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Conceição decidiram que tinha sido inspiração divina fazerem morada nessa mesma ermida. Viveram as duas companheiras na ermida, seis meses, numa clausura total. Só depois, outros peregrinos, ao verem a devoção das duas amigas, acabaram por se juntar a estas. Com a Bula Apostólica, o Convento passa a ser aceite oficialmente como mosteiro e aí, durante dez anos viveram 27 freiras. No entanto, como o mosteiro estava junto ao mar e era um lugar despovoado, as freiras temiam os piratas que naquela altura navegavam aqueles mares. Isto obrigou as freiras a se mudarem daquele mosteiro e, consequentemente, a fundarem um outro em Vila Franca, o Mosteiro de Santo André. Também mais tarde, outras freiras, da mesma Casa Recoleta da Caloura, fundaram o Convento de Nossa Senhora da Esperança, na cidade de Ponta Delgada. Ficou, deste modo, o Convento da Caloura deserto até ao ano de 1663, altura em que o Bispo D. João Pimenta D’Abreu deu licença aos Eremitas de Nossa Senhora da Conceição para o virem habitar, uma vez que o convento destes tinha sido destruído pelos sismos e vulcões que na altura assolavam as Furnas.  Atualmente pertence aos herdeiros de António de Albuquerque Jácome Correia. Classificado pelo Governo Regional como Imóvel de Interesse Público, o Convento da Caloura, é realmente uma obra religiosa de grande valor cultural, arquitetónico e patrimonial.
                                                                                                               Jardim dos Anjos
Miradouro da Caloura 


Convento dos Franciscanos 


Gastronomia : 

             A gastronomia do Concelho de Lagoa, baseada nos produtos da terra e do mar, satisfaz as delícias do apreciador de boa mesa. O “caldo verde”, a “sopa de feijão”, os “torresmos de molho de fígado”, as “lapas de molho Afonso” e a “caldeirada de peixe” são pratos tradicionais da Lagoa. O pão de trigo ou de milho, de fabrico caseiro, ou o “bolo de sertã” servem para acompanhar o prato principal. Os doces têm cariz popular e destaca-se a típica “massa sovada”, o “arroz doce” e as “malassadas”.

                                                                                               Torresmos com molho de figado 

Lapas de molho afonso 

                                                                                                     Malassadas 
Massa sovada