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domingo, 4 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de S. Vicente - Madeira

Brasão de São Vicente

Localização

        São Vicente é um município português na ilha da Madeira, Região Autónoma da Madeira, com sede na freguesia homónima. Tem 78,82 km² de área e subdividido em 3 freguesias. O município é limitado a leste pelo município de Santana, a sul por Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Calheta e Ponta do Sol, a oeste pelo Porto Moniz e a norte tem litoral no oceano Atlântico.
Foi neste concelho que nasceu o ilustre escritor madeirense Horácio Bento de Gouveia, nomeadamente na freguesia de Ponta Delgada.


História

          A atribuição do nome São Vicente deve-se ao facto de, segundo a lenda, este santo ter aparecido na cova de um rochedo, à foz da ribeira, de modo que lhe edificaram uma capelinha, sendo um santo de grande devoção. Provavelmente, o povoamento de São Vicente ocorreu em meados do século XV, tendo sido colonizado mais tarde do que a encosta sul da ilha por razões de maior fertilidade e facilidade de desbravamento desta última, os primeiros locais a serem povoados terão sido São Vicente e Ponta Delgada, respectivamente. O actual Concelho de São Vicente engloba as Freguesias de Boaventura, Ponta Delgada e
São Vicente, esta última, sede do Concelho.
Tendo ascendido a Vila no ano de 1744, São Vicente, ganhou, progressivamente, o estatuto de localidade mais populosa do Norte da Ilha da Madeira, amplamente conhecida por uma região secularmente produtora de madeiras e vime. Embora não se saiba ao certo quando terá ocorrido o processo de povoamento tudo leva a crer que já em finais do século XV, estas gentes do Norte, com a matéria-prima existente no espaço a habitar, construíram os poios e as habitações que hoje, graciosamente, humanizam uma terra verdadeiramente humilde e pitoresca. Mas, foi sobretudo, a partir do século XVIII, aliado ao cultivo da vinha e da cana-de-açúcar, das madeiras e da produção de cal, que São Vicente conheceu um outro expoente socio-económico, tornando-se na mais importante região do Norte da Ilha. A própria orografia acidentada do terreno .  levou à abertura de uma rede de veredas e caminhos de forma a garantir a acessibilidade de pessoas e produtos. Contudo, foi o mar, essa importante "estrada aquática", com a prática de uma navegação de cabotagem, aquela que garantiu, efectivamente, o escoamento de alguns produtos para outros portos da Ilha. Não podendo esquecer aqui, o papel desempenhado pelos "barcos de carreira" que faziam as ligações com outros pequenos portos ou embarcadouros da costa madeirense. O progressivo aumento da sua população terá contribuído para o desmembramento de São Vicente da capitania de Machico, sendo elevada a vila e sede de concelho, por alvará régio de 25 de Agosto de 1774. As actuais freguesias do Porto Moniz, Seixal, Arco de São Jorge e São Jorge estiveram sobre a sua alçada.
Em 1835, uma reestruturação conduziu ao aparecimento de dois novos municípios, Santana e Porto Moniz, o que fez reduzir a área do concelho de São Vicente. Porém, esta situação durou pouco já que, por decreto, em 1867 São Vicente regressa à extensão inicial. Novamente, em 1898, com o restabelecimento dos municípios extintos, o concelho volta à actual área. Actualmente, o concelho regista um desenvolvimento do sector turístico, aliado ao turismo rural.

Bandeira de São Vicente

Cultura e Turismo : 

Parque Urbano - Caminhar hoje entre a vila e o Calhau de São Vicente é um prazer. Os incómodos da velha estrada, os perigos pela partilha do espaço entre peões e automóveis são coisas do passado. O parque urbano possibilita não apenas caminhadas relaxantes, como novos espaços de lazer e convívios para naturais e forasteiros. O enorme espaço incaracterístico invadido pela vegetação selvagem e pouco cuidado foi substituído por uma mancha  verde  cruzada  por caminhos pedonais, centros de interesse, luz, flores e água. A seu lado continua a correr a ribeira, acondicionada ao seu espaço garantindo que a natureza segue o seu caminho. O Parque Urbano conta com lojas comerciais, como padaria, cafés, lojas de artesanato e de
vários serviços. As duas margens da ribeira de São Vicente estão ligadas por uma ponte em madeira, o que permite a ligação à antiga vereda. Aliás, o moderno e o antigo estão em perfeita sintonia. Uma das imagens mais bonitas do novo espaço é a das “ilhotas” ajardinadas que acompanham a ribeira. Enfim, várias razões para que as pessoas em geral se desloquem ao Norte da ilha. Um óptimo espaço para se passar momentos de qualidade em família ou com amigos. O Parque Urbano e auto-silo de São Vicente, inaugurado a 1 de Setembro, comporta um jardim, circuitos pedonais, um polidesportivo, um parque infantil, cinco lojas e dois cafés. Quanto aos jardins, o destaque vai para os mirantes inclinados, sobre a ribeira, com vista para o mar, bem como para uma ponte pedonal, em madeira, com 44 metros, também sobre a ribeira, que liga o Parque Urbano ao antigo Caminho Real (que ligava a Ribeira Brava a São Vicente e se estendia até terras de Boaventura). Realce-se ainda duas árvores em pedra, bem como um parque infantil, com 270 metros quadrados, equipado com o que há de mais moderno (junto ao “snack-bar” mais a norte) e ainda um polidesportivo com oitocentos metros quadrados. Este recinto tem a particularidade de a cobertura, em rede, ser inclinada, garantindo que as bolas não passarão daquele espaço. Para um concelho que é todo ele um autêntico regalo à vista, os pontos panorâmicos podem proporcionar verdadeiros momentos de contemplação que nos despertam sentimentos por vezes esquecidos. Desde a Encumeada, Bica da Cana, Boca das Voltas e a partir de inúmeros pontos por todo o concelho, é possível desfrutar de excelentes panorâmicas sobre os vales e vertentes que caracterizam o concelho de São Vicente. O Concelho de São Vicente apresenta ao visitante a oportunidade de testemunhar a confecção de uma diversificada  prática artesanal. O bordado Madeira é, efectivamente, aquele que ainda hoje caracteriza os tempos livres quotidianos, aliado à confecção do artesanato de vimes - sobretudo cestaria - pelas terras da freguesia da Boaventura.  Não podemos esquecer, o fabrico de uma espécie de castanholas chamadas, vulgarmente, por brincos ou brinquinhos, elaboradas pelo artesão Manuel Pereira Júnior.  De influência nortenha os brinquinhos, construídos em madeira de Vinhático, são utilizados como instrumento musical no folclore madeirense. 


Gastronomia

               Entre os vários pratos típicos regionais, em São Vicente destacam-se as seguintes especialidades: o Caldo da Romaria, confeccionado com a carne de chambão (ou osso buco), cebola, cenoura, pimentos, tomates, banha de porco, batatas, água e sal; a Sopa de Milho Pisado; as Cavalas com Molho de Vilão (um molho feito com sal, alho, orégãos, pimenta, vinagre e vinho branco) e o Inhame, uma espécie de tubérculo que se usa na alimentação regional.




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de Santana - Madeira

Brasão de Santana

Localização

              Santana é um município português na ilha da Madeira, Região Autónoma da Madeira, com sede na cidade e freguesia homónima. Tem 95,56 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a leste pelo município de Machico, a sul por Funchal, a sudoeste por Câmara de Lobos, a oeste por São Vicente e a norte tem litoral no oceano Atlântico. O concelho de Santana é considerado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera.



História

                 A ilha da Madeira começou a ser povoada no ano 1420. Foram nomeados 3 capitães donatários que tomaram posse cada um deles, das três capitanias em que foi dividida a ilha da Madeira. O território que hoje é o concelho de Santana fazia parte da capitania de Machico, atribuída a Tristão Vaz. Desta capitania, faziam parte as povoações de Machico, Santa Cruz, Porto da Cruz, Faial, Porto Moniz, São Jorge, São Vicente e Ponta Delgada. Assim, Faial e São Jorge foram das primeiras freguesias do actual concelho de Santana. Segundo alguns historiadores, a criação das freguesias do Faial e de São Jorge terá sido simultânea. (in Ilhas Zarco e Elucidário Madeirense)
O concelho de Santana foi criado em 1832, com sede na freguesia do mesmo nome. Desde a data da sua criação até 1862, o concelho era composto por seis freguesias, nomeadamente Porto da Cruz (1577), São Roque do Faial (1848), Faial (1550), Santana (1564), São Jorge (1515) e Arco de São Jorge (1676). A partir de 1852, o Porto da Cruz passou a fazer parte de Machico, passando o concelho de Santana a ser constituído por cinco freguesias. Em 1989 foi reconhecida oficialmente à Ilha o estatuto de freguesia, pertencente a este Município, sob o Decreto Legislativo Regional n.º11/89/M, de 15 de Abril, passando a ter 6 freguesias, as quais se mantém até à actualidade.

Bandeira de Santana


Heráldica

ARMAS – de prata, um ramo florido de hortênsias de sua cor e dois ramos de milho verde, espigadas de ouro, tudo posto em roquete. Coroa mural de prata de quatro torres.

SELO – Circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres “Câmara Municipal de Santana”.

BANDEIRA – De verde, com o escudo das armas ao centro e por baixo um listel de prata com a inscrição “Santana” em letras de negro.


Cultura e Turismo

              Casas típicas cobertas de colmo. Em tempos, este tipo de habitação era característico em toda a Ilha da Madeira. Actualmente encontram-se basicamente no concelho de Santana. Segundo dados da Direcção Regional dos Assuntos Culturais (DRAC) existem cerca de 120 casas habitadas em todo o concelho. Igreja Matriz de São Jorge edificada em 1660 sobre os alicerces de uma pequena capela do século XV, a qual possui um templo em obra de talha dourada, sobressaindo a do altar-mor, uma das mais admiradas da Madeira, e a do púlpito; Fortim do Faial limitado por um muro de pedra aparelhada e ornamentado em volta com canhões de fraca potência, apontados para o mar, e que, segundo consta, pertenciam aos barcos ingleses dos séculos XVIII e XIX;  Serragem de água, na freguesia de São Jorge.   

    



Gastronomia

             O concelho de Santana mantém o seu carácter rústico e tradicional na forma de estar e de viver, nomeadamente na sua gastronomia. Aqui poderá deliciar-se com os sabores de pratos tradicionais, confeccionados na sua grande maioria à base de produtos agrícolas locais.
Existe uma forte preocupação por parte dos restaurantes do Concelho em preservar, valorizar e retratar a tipicidade dos seus pratos, mantendo deste modo as valências rústicas que definem a gastronomia local. A preparação desta gastronomia supõe a utilização de produtos hortícolas associados ao modo de vida da população local, dos quais se destaca o feijão, o milho, as semilhas (batatas), a couve e o inhame. As carnes de porco, de vaca, de galinha, entre outras, provenientes da criação caseira fazem também parte da ementa diária. A Mostra Gastronómica de Santana, realizada no mês de Julho, tem o intuito claro e objectivo de demonstrar a todos os visitantes o resultado do trabalho de confecção de especialidades e curiosidades gastronómicas, fazendo uma apologia constante à utilização de produtos locais.
Para esta elevada qualidade contribuem os saberes e tradições que passam de geração em geração, o esmero e o carinho com que a população de Santana trabalha os alimentos, a produtividade agrícola constante, que permite o acesso a alimentos sempre frescos, muitos deles produzidos através de métodos biológicos e caseiros. Nos restaurantes locais poderá desfrutar da boa comida ao estilo caseiro, num ambiente tão acolhedor como aquele que encontraria na casa de qualquer habitante local.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de Santa Cruz - Madeira

Brasão de Santa Cruz´

Localização

         Santa Cruz é um município português na ilha da Madeira, Região Autónoma da Madeira, com sede na cidade e freguesia homónima. Tem 81,50 km² de área e subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a norte e a oeste pelo município de Machico, a oeste pelo Funchal e a sueste tem litoral no oceano Atlântico. As ilhas Desertas, localizadas alguns quilómetros a sudeste da ilha da Madeira, fazem parte deste município.


História

         Tudo começa com um tronco. É verdade. Imagine-se, a origem da freguesia, que é hoje sede de concelho e de cidade, proveio de um tronco seco, com duas braçadas em forma de cruz. Um tronco encontrado na mata de loureiros no litoral sul. O povoamento acontece nos primórdios da colonização da ilha da Madeira. Entre de 1425 a 1440.  A freguesia de Santa Cruz teria sido criada no segundo quartel do Século XV, sendo uma das mais antigas da ilha. A povoação de Santa Cruz é uma das mais antigas de toda a ilha, datada dos inícios do século XV. O concelho foi criado em 26 de Junho de 1515, sendo elevada à categoria de cidade a 2 de Agosto de 1996. Os descobridores, quando chegaram a estas terras, viram uns cepos velhos derrubados pelo tempo, dos quais o capitão mandou fazer uma cruz e pendurá-la no alto de uma árvore, dando ao lugar o nome de Santa Cruz. Aqui parece estar a origem da toponímia do concelho. Para comemorar a construção da cruz, por ocasião do descobrimento, fez-se levantar no local um cruzeiro, em mármore, que foi posteriormente destruído, em 1889.

Bandeira de Santa Cruz

Cultura e Turismo

             A nível do património arquitectónico, destacam-se a Igreja Matriz de Santa Cruz, mandada construir por D. Manuel I, que começou por ser um pequena capela, edificada em 1533, e que possui um portal gótico; a Capela Madre de Deus no Caniço, fundada em 1536; a Capela da Consolação, do século XVI, reformulada nos séculos XVIII e XX e que apresenta trabalhos em madeira talhada e embutida, alfaias religiosas em prata e várias imagens; a Capela de Santa Isabel, do início do século XVIII, que possui um belo altar-mor em talha dourada; a Igreja da Misericórdia, datada do século XVI; a Capela de Nossa Senhora da Conceição, do início do século XVII; a Capela de Nossa Senhora dos Remédios e a Capela de Nossa Senhora da Piedade, do fim do século XVII, e a Igreja Paroquial de Gaula, de meados do século XVIII, que conserva um recheio de alfaias litúrgicas, de que faz parte uma cruz processional do século XV, em prata. O concelho de Santa Cruz tem uma oferta variada para os amantes de sol e praia:
Complexo Balnear da Praia da Palmeiras em Santa Cruz, Complexo do Aquaparque em Santa Cruz, o único na Região, e Complexo da Praia dos Reis Magos no Caniço.
Santa Cruz, nomeadamente o Santo da Serra, foi o berço do golfe no arquipélago da Madeira, onde foi construído o Clube de Golf Santo da Serra em 1937, tendo sido redesenhado em 1991 pelo arquitecto de golfe Robert Trent Jones, que concebeu um novo campo de golfe com 27 buracos. O Open da Madeira, um torneio integrado no PGA European Tour, decorre anualmente neste campo de golfe. No Caniço, na localidade do Garajau, existe um centro de mergulho à disposição dos amantes deste desporto. Desta forma, organizam-se mergulhos que proporcionam ao visitante a visão de um novo mundo, o mundo submarino, com a sua diversidade de espécies e de cores, uma actividade a não perder. Vale a pena referir a existência da Reserva Natural do Garajau, na mesma área, onde estão protegidas diversas espécies marinhas.   



Gastronomia :

          Devido à proximidade do concelho à faixa costeira, a gastronomia local é enriquecida pela enorme variedade de peixe e de marisco, sendo recomendadas as lapas grelhadas, os caramujos, o bodião, o pargo, a abrótea e a garoupa. Outras especialidades são também o milho com favas e os bolos de milho cozidos em folha de couve. Entre as bebidas, poderá provar a sidra do Santo da Serra, feita à base da maçã.


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho da Ribeira Brava - Madeira

Brasão de Ribeira Brava

Localização

           A Ribeira Brava é um município português na ilha da Madeira, Região Autónoma da Madeira, com sede na freguesia homónima. Tem 65,40 km² de área e é subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de São Vicente, a leste por Câmara de Lobos, a oeste pela Ponta do Sol e a sul tem litoral no oceano Atlântico.



História

        (…) e pozeram muitos dias no caminho até chegarem dahi a três léguas a uma furiosa ribeira, na praya da qual estava aguardando o capitam, que em terra desembarcara, e tinha ahi traçado huma povoação, a que deu nome Ribeira Brava, pela que corria neste logar (…)  Gaspar Frutuoso, Saudades da Terra (respeitando-se a grafia original do autor)
A origem do nome deve-se à sua ribeira (a Ribeira Brava), que em épocas de chuvas apresentava um caudal muito forte, chegando a causar, no passado, estragos ao longo dos oito quilómetros do percurso.
Localizada na costa sudoeste da ilha da Madeira, a Ribeira Brava é uma das localidades mais antigas da Madeira. Esta localidade, devido à sua orografia, teve um papel muito importante nas comunicações entre todos os pontos da ilha. Começada a povoar nos inícios do século XV, entre o primeiro e o segundo quartel, foi das primeiras freguesias da ilha, logo criada na sequência das do fuchal e Machico, pouco depois da morte do infante D.Henrique em 1460. Nasceu a importância da Ribeira Brava da sua ribeira, comunicação essencial com o interior da ilha e do seu porto mar. Era então um porto onde os barcos não encostavam ou ancoravam, mas encalhavam. Só entre 1904 e 1908 foi construído um pequeno caís de acostagem e desembarque, furando-se a rocha a leste da futura vila, para acesso ao pequeno desembarcadouro (hoje de maiores dimensões, permitindo a acostagem de barcos de pequeno e médio porte). Este concelho é o de criação mais recente na ilha da Madeira, criado precisamente em 1914, no dia 6 de Maio, e recebeu categoria de vila em 1928, sendo sede de município. O concelho da Ribeira Brava, com uma área de 65 km2, é formado por quatro freguesias; Campanário, Ribeira Brava, Serra de Água e Tabua; foi criado a 6 de Maio de 1914, para o qual contribuíram em grande parte os esforços do Visconde da Ribeira Brava, Francisco Correia Herédia. Devido à sua paixão pela vila, mais tarde adicionou o nome Ribeira Brava ao seu nome, passando a ser, Francisco Correia de Herédia Ribeira Brava. O Visconde dotou a vila de grandes melhoramentos, tais como, o alargamento e abertura de ruas, a construção de um pequeno teatro e a reedificação do forte de S. Bento.
A economia municipal assenta na agro-pecuária, comércio retalhista e turismo (restauração e hotelaria), destacando-se ainda o papel da administração local. Na agricultura, predomina o cultivo da batata, de culturas hortícolas extensivas, a horta familiar, os frutos subtropicais e a vinha. A pecuária tem também um peso importante na economia concelhia, nomeadamente na criação de aves, suínos e caprinos. Somente cerca de 13% (138 ha) do seu território é coberto de floresta e cerca de 510 ha correspondem a terrenos para a prática agrícola. Este concelho é rico em actividades e produtos artesanais, como os bordados, a cestaria em vime, os tapetes de retalhos, o empalhamento de garrafas, os trabalhos em fósforos, as obras de cana e os bordados da Madeira em tela.

Bandeira de Ribeira Brava

Heráldica

Armas - Em campo de verde, uma torre de prata; em chefe, quatro estrelas de cinco pontas do mesmo metal; em contraa-chefe, uma banda ondada, de ponta, aguada de azul.

Bandeira - Branca, com brazão ao centro e cordões e borla de verde. Listel branco, com a legenda "Ribeira Brava", de verde.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal da Ribeira Brava".


Cultura e Turismo :

             Situado a apenas quinze quilómetros do Funchal, o município da Ribeira Brava possui um património cultural do qual fazem parte a Igreja Matriz, uma pequena fortificação, o Forte de São Bento da Ribeira Brava, o Museu Etnográfico da Madeira, instalado numa antiga casa que funcionou, a partir do século XIX, como engenho de moagem de cana de açúcar e produção de aguardente e um pequeno núcleo museológico, dedicado a arte sacra, onde se encontra o tesouro da Matriz.
Podemos ainda encontrar a antiga moradia do fundador do Concelho, Francisco Correia de Herédia, visconde da Ribeira Brava. No antigo solar, datado dos séculos XVIII/XIX, encontra-se a funcionar o edifício da Câmara Municipal, possuindo no seu interior um magnífico jardim, com inúmeras espécies naturais. 
FORTE de SÃO BENTO - A defesa da Ilha foi sempre uma das preocupações constantes, tanto por parte dos reis, como dos donatários da ilha. Assim, era necessária a defesa da costa perante os inimigos. A sua construção foi determinada pelo governador Duarte Sodré Pereira para defesa daquele ancoradouro.
Por vezes alguns piratas atacavam a costa, vivendo as populações ribeirinhas em constante sobressalto.
Pequena Torre de planta circular, coberta por um terraço ameado com guarita. Embasamento em pedra aparente encimado por cordão saliente e, superiormente, em alvenaria de cimento apresentando tratamento respingado, com incisões a emitar cantaria.Na fachada principal virada a norte, abre-se um portal em arco de volta perfeita, encimado por inscrição e armas nacionais. Do lado do mar pode-se observar um pequeno nicho contendo uma imagem de S.Bento. Este forte foi mandado levantar em 1708 pelo Governador da Madeira, Duarte Sodré Pereira, com o intuito de defender as opopulações dos ataques de piratas e corsários. Em 1920 esta pequena fortificação foi alugada à Câmara Municipal para servir de prisão. 
Em 1815 há referências sobre a um pequeno forte triangular junto à embocadura da ribeira, e um outro denominado de Forte de S. Sebastião, que foram ambos arruinados por um aluvião em 1803, dos quais não restaram vestígios. Um outro é o Forte de S. Bento, que naquela época estava arruinado. Em 1916 adiantavam-se obras para a sua recuperação e embelezamento do que hoje pode ser visto na Marginal da Ribeira Brava.
Antigo Convento Franciscano -No início do século XVII, o Convento de Santa Clara do Funchal, possuía o domínio directo de diversas propriedades no lugar da Ribeira Brava, uma casa térrea na antiga Rua da Bagaceira , denominação seiscentista da artéria onde hoje se situa o Museu Etnográfico da Madeira, foreira àquele convento, foi adquirida por Luís Gonçalves da Silva, capitão das ordenanças da Ribeira Brava, que casou, em 1682, com D. Antónia de Meneses. O capitão Gonçalves da Silva, ampliou então a sua moradia, tendo-lhe acrescentado um piso e, na ilharga sul do prédio, mandou edificar, em 1710, uma capela dedicada ao patriarca São José, onde viria a ser sepultado. Ainda podemos observar, embora modificado, implantado no edifício onde se acha instalado o Museu Etnográfico, o portal da referida ermida. Luís Gonçalves da Silva e sua mulher, por disposição testamentária, efectuada em 1716, instituíram um vínculo perpétuo imposto na casa onde residiram, em diversas fazendas e na própria capela de São José, o qual seria somente abolido em 1860. Em 1853, José Maria Barreto, último administrador do vínculo de São José, converteu o arruinado solar numa unidade industrial, tendo para o efeito constituído uma sociedade com Jorge de Oliveira., foi então ali montado um engenho de moer cana-de-açúcar, de tracção animal e um alambique de destilação de aguardente , em 1862, a sociedade fabril, com um novo sócio, o Pe. João António de Macedo Correia e Freitas, passou a utilizar energia hidráulica, instalando-se, nesse ano, uma roda motriz de madeira, servida por una levada, e um engenho de moer cana com três cilindros de ferro horizontais. Em, 1868, funcionavam também naquela fábrica dois moinhos de cereais. 
Ocorreram depois, ao longo dos anos, sucessivas transacções das quotas da empresa e, finalmente, em 1974, os herdeiros de João Romão Teixeira, proprietários do edifício, venderam-no à junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal. O Governo Regional da Madeira decidiu instalar no antigo engenho de aguardente da Ribeira Brava o Museu Etnográfico da Madeira, projectado pelo arquitecto João Francisco Caíres foi inaugurado em 15 de Junho de 1996. 
IGREJA DE SÃO BENTO - Rª BRAVA - Não se sabe ao certo a data da fundação da antiga capela de São Bento, que foi a sede da paróquia e da colegiada, devendo a sua existência remontar ao segundo quartel do século XV. Esta capela sofreu varias alterações e reparos até que se construiu a actual igreja paroquial. É um dos mais antigos templos rurais desta diocese, tendo passado por diversos acrescentos e modificações, mas a sua primeira edificação não deve ser posterior à segunda metade do século XVI, no entanto, numa análise sobre a igreja hoje existente, chega-se à conclusão de ter sido um pequeno templo com um interessante portal pré-manuelino, em princípio, hoje colocado como portal da capela do Santíssimo. Trata-se de um portal de três arquivoltas góticas, dotados de capitéis historiados, praticamente sem paralelo na ilha. Por outro lado, podemos atribuir a essa pequena escola manuelina os trabalhos da pia baptismal e do púlpito da matriz, havendo, na inscrição da pia, a indicação de ser oferta do rei D. Manuel I.
Tendo com orago a S. Bento, a Igreja é dotada de um portal de três arquivoltas góticas, dotados de capitéis historiados, praticamente sem paralelo na ilha. A sua construção data do Séc. XVI, sendo modificada através dos séculos até chegar ao edifício actual. No seu interior, a igreja possui três altares principais: o altar-mor e outros dois laterais. A capela-mor é denominada por um magnífico retábulo de talha dourada e policromada dos finais do séc. XVII, atribuído à oficina da Manuel Pereira de Almeida, igualmente responsável pelos outros dois altares. Poderá encontrar também no conjunto interessante de imagens, uma imagem monumental da Nossa Senhora do Rosário, de produção flamenga, talvez das oficinas da Antuérpia, datada de cerca de 1520. A matriz ainda possui uma magnífica tábua atribuída ao pintor flamengo, Francisco Henriques, representando Nossa Senhora. S. Bento e S. Bernardo. No seu interior podemos encontrar trabalhos manuelinos como os capitéis, o púlpito da Matriz e a pia baptismal (oferta de D. Manuel I), bem com de um pequeno núcleo possuindo um espólio de 66 peças, no qual existem castiçais em prata, coroas, varas, galhetas, cálices, caldeirinhas e outros materiais em prata datados do séc. XVI, XVII.





Gastronomia

             Na gastronomia do concelho da Ribeira Brava destaca-se o bacalhau à Ribeira Brava, a carne vinho e alhos, a típica açorda madeirense, a espetada de carne de vaca, as semilhas com conduto de carne de porco, o bolo do caco, o pão caseiro amassado com batata-doce e o bolo de noiva. No que concerne a sopas, temos a sopa de abóbora amarela, a caldeirada de peixe, a sopa de trigo e a sopa de agrião. Na doçaria existe o bolo preto, o bolo de mel, as broas de mel entre inúmeros pudins confeccionados com os frutos da época. A nível de bebidas temos a tradicional poncha e os vinhos que provêm das vinhas do concelho.
                                                                                                                    Rebuçados de funcho e avenca
Açorda 

Bolo de mel