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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Albufeira

Brasão de Albufeira

Localização

           Albufeira é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, é sede de um município com 140,66 km² de área e subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a noroeste pelo município de Silves, a nordeste por Loulé, e a sul tem uma costa ampla para o Oceano Atlântico. 



História

            Desconhecem-se as origens de Albufeira, mas tudo leva a crer Foto de Albufeiraque a região já era povoada em tempos pré-históricos e que o local onde hoje se ergue a cidade teria sido, alguns séculos antes da nossa era, uma importante povoação com o seu porto marítimo. A primitiva povoação foi ocupada pelos Romanos que lhe deram o nome de Baltum. Introduziram uma organização administrativa centralizada e desenvolveram uma intensa actividade agrícola e comercial. Construíram aquedutos, estradas e pontes das quais ainda hoje existem vestígios.
O topónimo Albufeira provem da denominação árabe "Al-buhera" que significa "castelo do mar", razão que poderá estar ligada à proximidade do oceano e/ou da lagoa que se formava na zona baixa da localidade. Os árabes construíram sólidas fortificações defensivas, tornando-a quase inexpugnável, o que até certo ponto não era infundado, porque Albufeira foi uma das praças que os árabes conservaram por mais tempo em seu poder. O desenvolvimento da agricultura foi notável e verificou-se a introdução de novas técnicas e de novas culturas. Os Árabes usavam já a charrua e os adubos, assim como as noras para a elevação de águas nos poços. Introduziram novos sistemas de irrigação nos campos, salientando-se os açudes e levadas, transformando assim zonas incultas em hortas e pomares. Quando D.Afonso III ocupou o trono, já parte do Algarve tinha caído em poder dos cristãos. Templários e Hospitalários, ordens militares que auxiliaram na Reconquista, salteavam frequentemente as terras que ainda estavam sob domínio Árabe, mas detinham-se sempre diante das fortes muralhas de Albufeira. Somente depois da tomada de Faro é que a situação de Albufeira se tornou insustentável, cercada de inimigos por todos os lados, a praça caiu em poder de D.Afonso III, que imediatamente a doou à Ordem de Aviz.
Os mouros foram perseguidos de tal forma, que só escaparam ao furor dos vencedores os que fugiram e se refugiaram numa caverna, denominada Cova do Xorino, situada por baixo das rochas delimitantes da cidade pelo lado sul. No reinado de D. Manuel I já a vila reconquistara a sua antiga importância, pois este monarca concedeu-lhe foral em 20 de Agosto de 1504.
Albufeira foi das cidades algarvias a mais castigada por cataclismos naturais. Mas foi o terramoto e que causou os maiores estragos. O mar invadiu a vila com ondas que atingiram 10m de altura, destruindo quase todos os edifícios, tendo apenas ficado de pé 27 habitações e estas muito arruinadas. A Igreja Matriz, antiga mesquita árabe adaptada ao culto cristão, onde a população se refugiara, pedindo misericórdia, desabou causando 227 vítimas. Depois deste terramoto continuou todo o Algarve a sofrer abalos violentos até 20 de Agosto do ano seguinte o que não impediu que se iniciassem de imediato as obras de reconstrução por ordem do Bispo D. Francisco Gomes de Avelar.
Em 1833, durante a guerra civil entre absolutistas e liberais, Albufeira foi cercada e atacada pelos soldados do Remexido: um chefe popular absolutista que danificou profundamente a vila e executou grande número dos seus habitantes, a partir de meados do século XIX verificou-se um desenvolvimento da economia graças à actividade piscatória. Nas primeiras décadas do século XX registou-se um aumento acentuado da exportação de peixe e de frutos secos. A vila tinha, então, cinco fábricas que empregavam 700 a 800 pessoas, sobretudo mulheres de pescadores, de 1930 a 1960 registaram-se tempos de decadência, as armações de pesca arruinaram-se, as fábricas fecharam, as embarcações desapareceram e muitas casas foram abandonadas. A população ficou reduzida a metade e a pesca tornou-se novamente numa actividade de subsistência. No início da década de 60, assistiu-se ao nascimento do fenómeno turístico, Albufeira foi procurada por turistas nacionais, mas foi sobretudo com os ingleses que prosperou, na década de 80, verificou-se um enorme surto urbanístico, tendo a cidade crescido para nascente, local para onde se transferiu a maior parte dos serviços administrativos, incluindo a Câmara Municipal.

Bandeira de Albufeira




Heráldica

         As armas são de prata, com um castelo de vermelho aberto e iluminado de ouro. Em chefe, uma águia de negro, acompanhada por duas cabeças, uma coroada de ouro e outra de carnação negra com um turbante de prata. Em contrachefe, duas faixas ondadas de verde. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com os dizeres "Cidade de Albufeira". A prata indicada para o campo é o metal que heraldicamente significa humildade e riqueza. O castelo é de vermelho esmalte, que significa a vida, força, vitórias e guerra. O ouro aberto e iluminado do castelo é o metal, que significa nobreza, fidelidade e poder. O negro da águia é o esmalte, que representa firmeza e honestidade. O mar é representado heraldicamente por faixas ondadas de prata e de verde. Este esmalte significa esperança e fé.
A título de curiosidade, podemos referir que Albufeira já foi representada pela imagem de uma vaca em campo azul, símbolo da abundância de gado; porém nada se sabe acerca da sua proveniência, embora conste nas Ordenações Filipinas e no Dicionário Chorográfico de Portugal Continental e Insular.


Cultura e Turismo

                Se é adepto de momentos de lazer e diversão, tem ao seu dispor um leque muito variado de actividades, o Zoomarine, um espaço privilegiado, onde encontrará mamíferos marinhos, peixes e aves aquáticas é sem dúvida uma excelente proposta. A partir da Praia da Oura pode embarcar num cruzeiro e percorrer toda a costa litoral num ambiente agradável, o mergulho subaquático é uma outra actividade que tem ao seu dispor mas se estiver interessado em momentos de aventura e de descoberta, pode participar num dos muitos passeios de jeep, onde vislumbrará a beleza do Algarve interior.
Para quem é aficionado, poderá ainda assistir na Praça de Touros de Albufeira a uma corrida à portuguesa. Ao longo de todo o ano Albufeira oferece várias manifestações. Folclore, artesanato, música erudita, concertos com grupos da actualidade, teatro, diversas salas de cinema, literatura e um rol infindável de manifestações, além de exposições de artes plásticas, é o que Albufeira oferece a todos aqueles que a visitam ou nela residem, de destacar as comemorações do Dia do Municipio e o programa de Fim de Ano que tem vindo a marcar significativamente a oferta nacional para esta época festiva, a culminar um dia passado na praia ou em passeio pela região, nada mais agradável do que tomar a sua bebida predilecta ao ar livre, numa das muitas esplanadas que, nos mais variados locais convidam a apreciar o encanto único das noites de Albufeira. Para garantir um fim de dia tão descontraído como divertido, tem igualmente à sua escolha inúmeros bares, clubes e discotecas que, com ambientes movimentados e excelente música, vão, seguramente, proporcionar-lhe momentos memoráveis.
Quer procure uma original e característica peça de artesanato, ou uma boutique das mais sofisticadas, Albufeira tem um pouco de tudo para lhe oferecer, tanto em lojas modernas e bem equipadas como nos típicos mercados, por todo o lado, à semelhança do resto do Algarve, multiplicam-se os exemplos de todo o tipo de artesanato, tapetes de esparto, capachos em carepas de milho com decorações, produzidas na povoação de Almeijoafras, Monte Novo e Cerca Velha (Paderne). Dentro da cidade os melhores miradouros são os mirantes do Rossio e o Bem Parece. Existem muitas grutas e túneis a explorar, como por exemplo: a Cerro do Malpique, o Lajem do Cónego, a Cova do Xorino, entre outros locais, Albufeira tem cerca 30 km de costa. Na época balnear de 2011, 20 praias foram classificadas com bandeira azul , tendo sido o concelho português com mais distinções.





Gastronomia

             Centro Internacional, Albufeira prima por uma culinária rica e diversificada. A grande variedade de restaurantes oferece-lhe, desde pratos regionais às mais refinadas especialidades da cozinha Francesa, Italiana, ou Alemã, região ligada ao mar, os pratos de peixe e marisco constituem uma presença marcante na gastronomia. A sardinha, o linguado, o robalo, são sempre frescos e deliciosos. A lagosta e as gambas, um verdadeiro "Manjar dos Deuses". A caldeirada, mistura dos mais variados peixes com batatas, pimentos e salsa é um dos pratos mais apreciados e primorosamente confeccionado pelos pescadores.
As amêijoas na cataplana, o arroz de marisco, os choquinhos com tinta e a salada de polvo são especialidades a que não deve resistir, o atum, abundante na costa até princípios da década de 70, destacou-se há muito na gastronomia algarvia, sendo cozinhado de diversas formas, isto não esquecendo o Xerém (papas de milho) as favas e as ervilhas à algarvia, com um bom vinho algarvio a acompanhar.
No final da refeição, não deixe de experimentar todos os doces confeccionados à base de amêndoas, gila e figos, mas prove também os bolinhos de alfarroba e os famosos D.Rodrigos.

                                                                                                        Amêijoas na cataplana
Amêijoas na CataplanaArroz de Marisco
Arroz de marisco 
                                                                                                         Bolinhos de alfarroba
Bolinhos de AlfarrobaSalada de Polvo
Salada de polvo 

Morgadinhos
Morgadinhos 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho da Lagoa

Brasão de Lagoa

Localização

          Lagoa é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Faro, é sede de um pequeno município com 88,50 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município de Silves, a noroeste por Portimão e a sul tem costa no Oceano Atlântico.


História

          Muito antes das relatadas conquistas de D. Paio Peres Correia (1242–1246) as terras de Lagoa foram sendo conquistadas aos árabes e consequentemente integradas no reino de Portugal, ficando anexadas ao termo das terras de Silves. Em meados de 1550, a pedido da Rainha D. Catarina, fixaram-se nessas terras os frades Carmelitas da Antiga Observância, e foi fundado um importante mosteiro dessa mesma ordem religiosa: o Convento de Nossa Senhora do Carmo.
A 16 de Janeiro de 1773 por alvará do Rei D. José I foi criado o concelho de Lagoa, tendo sido elevada à condição de vila a sua principal povoação – Lagoa. Segundo fontes históricas o primitivo aglomerado de Lagoa terá nascido em redor de uma lagoa, cujos pântanos foram sendo secos com a finalidade de se criarem terras férteis e habitações onde os povos do império muçulmano acabaram por se instalar.
As potencialidades naturais desta região contribuíram decisivamente para actual estrutura económica assente nas seguintes actividades: agricultura, pesca, pequena indústria e turismo. A actividade piscatória (das comunidades de Ferragudo, Benagil, Carvoeiro e Senhora da Rocha), a cultura da vinha e a tradicional cultura de sequeiro constituíam, até algumas décadas atrás, as principais fontes de receita do concelho. Dinamizada pela pesca, a indústria conserveira, no início do século passado, assolou estas paragens trazendo consigo grande prosperidade e riqueza, no entanto, a partir da década de 60, foi o turismo o principal impulsionador do desenvolvimento do concelho, criando as estruturas necessárias de apoio à dinamização do tecido económico, com importantes reflexos, no mercado de emprego, nomeadamente ao nível da criação de postos de trabalho. Rapidamente esta actividade se afirmou como motor da economia local, a grande alavanca do desenvolvimento, convertendo-se num marco permanente e estrutural da economia do concelho. Em paralelo com o turismo, foi crescendo todo um conjunto de actividades complementares, nomeadamente na área dos serviços, da construção civil, comércio e indústria.


Bandeira de Lagoa

Cultura e Turismo

           Podemos considerar, num ponto de vista antropológico, que a Cultura é a totalidade do conhecimento humano que integra crenças, costumes, tradições, valores morais, manifestações artísticas, capacidades tecnológicas apreendidas e desenvolvidas pelo homem como membro da sociedade. Neste sentido, o fundamento da memória colectiva que dá identidade a um povo assenta na sua Cultura. A Arte é uma das manifestações culturais mais elevadas do ser humano, podemos até afirmar, fazendo-se uma analogia com a agricultura (outra manifestação cultural do homem, que o fez evoluir de uma vida nómada de caçador – recolector na idade da pedra para o patamar civilizacional superior das sociedades agrícolas do neolítico), se a cultura agrícola produz alimentos para o corpo, a cultura artística produz alimentos para o espírito; se a quantidade e qualidade dos petiscos alimentares que consumimos são essenciais para um saudável equilíbrio do nosso corpo, também a qualidade e quantidade dos “petiscos” artísticos que digerimos são decisivos para o equilíbrio emocional e mental do nosso espírito. Lagoa é um concelho rico em praias. Possui praias em visível crescimento, quer de infra-estruturas, quer de qualidade das águas e dos ambientes envolventes, começando agora a competir com as apelativas praias de Portimão e Albufeira. Das praias deste concelho. Falar de artesanato em Lagoa, é falar de cerâmica, cujas origens se perdem no tempo. Habilidosas mãos dão forma ao barro transformando-o em magníficas peças. Atractivas pela forma e colorido, testemunham uma forte herança do passado, cujos inúmeros artífices continuam a perpetuar. 
A construção de miniaturas das típicas carroças algarvias e dos garridos barcos de pesca, os primorosos trabalhos de empreita são alguns dos exemplares trabalhos artesanais do concelho de Lagoa, que se destacam pela precisão e técnica da sua cuidada elaboração. A perfeição e a arte destas tradições descobrem-se, também, nos bordados em linho, nas pinturas em tecidos nos trabalhos realizados em ferro forjado, e nas mais variadas peças decorativas elaboradas com conchas.
Lagoa é, actualmente, um dos mais importantes concelhos turísticos do Algarve. São vários os factores que contribuem para este reconhecimento, nomeadamente a oferta diversificada (a beleza das suas praias - apoiadas por magníficas unidades hoteleiras, os campos de golfe, o património cultural), a correcta ocupação do solo em termos de ordenamento do território, a estabilidade social e a afabilidade das suas gentes. Com uma renovada visão cultural, preconizada pela actividade turística, Lagoa acarinha inúmeras técnicas ancestrais, ligadas à olaria, à doçaria, com o intuito de as potenciar e valorizar como componente do produto turístico, a comprovar esta dinamização está a grande mostra de artesanato, realizada anualmente no Parque de Feiras e Exposições de Lagoa – FATACIL.
Alguns conjuntos patrimoniais têm vindo a ser alvo de iniciativas que visam torná-los espaços vivos de cultura, nomeadamente a Biblioteca Municipal e o Convento de São José – Centro Cultural da Cidade de Lagoa - onde se leva a efeito espectáculos de vária ordem e origem, exposições, entre outras actividades. Por outro lado, há que referir também, as inúmeras actividades de âmbito cultural realizadas no Parque Municipal das Fontes, em Estômbar, ao longo do ano, nomeadamente teatro, danças e cantares tradicionais.
O grande desenvolvimento do Concelho tem assentado numa estratégia de grande preocupação ambiental. Lagoa tem resistido à invasão do desordenamento, preservando a sua linha de costa e mantendo uma harmoniosa conjugação entre habitações antigas e modernas. Construção equilibrada, sem impacto ambiental, onde os edifícios de muitos pisos não têm lugar. Nos últimos 15 anos, Lagoa registou um dos maiores índices de desenvolvimento económico suplantando todos os concelhos da região algarvia. Hoje em dia, encontra-se dotado de inúmeros equipamentos na área da saúde, do ensino e educação, desporto, lazer e turismo.


Gastronomia

             Lagoa banqueteia-nos com a sua sui géneris gastronomia, regada pelo mais afamado vinho da região – Lagoa, para além da apetitosa sardinha assada, aprecie as perfumadas sopas de peixe a que não falta a folha de louro, o ensopado de peixe ou a caldeirada. Não deixe de degustar os famosos carapaus alimados, a feijoada de buzinas, as papas de milho, as pitorescas receitas de carne de borrego, à moda arabesca e tantas outras especialidades, cujos segredos as ancestrais cozinheiras vão confidenciando no entardecer de suas vidas. Prazeres de uma cozinha típica a que se juntam os doces de amêndoa e figo.

                                                                                                         Papas de milho com berbigão 
Papas de Milho com BerbigãoCataplana de Marisco
Cataplana de marisco 

Doces de Figo e Amêndoa
Doces de figo com Amêndoas 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Portimão

Brasão de Portimão

Localização

            Portimão é uma cidade portuguesa no Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve. O centro da cidade está situado a cerca de 2 km do mar e é um centro importante de pesca e turismo, é a segunda maior cidade do Algarve. É sede de um município com 182,08 km² de área e subdividido em 3 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Monchique, a leste por Silves e Lagoa, a oeste por Lagos e a sul tem litoral no oceano Atlântico.



História

         Vestígios arqueológicos comprovam a presença humana na zona desde o neolítico, na zona de Alcalar encontra-se uma importante necrópole neolítica, da qual resta o "monumento n.º 7" composto por uma câmara circular de placas de xisto a que se acede por um corredor, a exemplo de monumentos idênticos espalhados por toda a Europa ocidental, com destaque para os monumentos encontrados na Irlanda.
O pavimento é de xisto e grés calcário. A cripta funerária, com dois nichos rituais laterais, era rematada por duas lajes, e protegida por uma mamoa. Perto de Alcalar existe outra necrópole em Monte Canelas.O vestígio mais marcante ainda existente, situa-se perto da aldeia da Figueira, na zona da Abicada, na confluência de duas ribeiras, onde se pode encontrar uma estação arqueológica romana com várias salas.
Também na zona da Coca Maravilhas foi descoberta uma cisterna desse período, que se apresenta muito bem conservada, no rio Arade foram encontrados vários achados arqueológicos, entre eles moedas de ouro. Da altura do rei D.Afonso III é um foral que fala do sitio de Portimão. Sob o rei D.Afonso V, a pedido de 40 moradores, nasce S. Lourenço da Barrosa que originará a Vila Nova de Portimão. Portimão no início do século devido ao seu desenvolvimento industrial tornou-se um dos grande bastiões da luta operária, sendo José Buísel (anarco-sindicalista) um dos seus principais líderes.
No ano de 1924, nomeadamente a 11 de Dezembro, a "vila nova " é elevada a cidade pelo então Presidente da República Manuel Teixeira Gomes. No mesmo ano é fundada a primeira comunidade cristã da Assembleia de Deus em Portugal, através do missionário José de Matos.
Após o pico e queda da indústria conserveira nas décadas de 1950 a 1970, a cidade observou um modelo de desenvolvimento de centro turístico, à semelhança do resto do Algarve, apresentando uma ampla oferta em hotéis, restaurantes e comércio local, tornou-se destino de férias popular principalmente devido à famosa Praia da Rocha e é também considerada como cidade com grande potencial para apreciadores de pesca grossa (ex: espadarte), entre outros desportos náuticos, como o jet ski, a vela, o windsurf, mergulho ou pesca submarina. Nos últimos anos, a foz do rio Arade tem sido palco de grandes eventos. É também lugar da prova portuguesa do campeonato internacional de Fórmula 1 em motonáutica.
Portimão é hoje um município de referência no Algarve. Pólo âncora do Barlavento Algarvio, distingue-se pela sua oferta turística, pelo seu pulsar e dinamismo, muito próprios, e por uma diversidade de actividades que fazem com que o seu dia-a-dia seja vivido, a variados níveis, de forma intensa e marcado por um ritmo que se mantém ao longo do ano.
Portimão devido ao seu enorme desenvolvimento turístico, é hoje uma cidade, assim como outras nesta região (ex: Quarteira, Armação de Pêra) caracterizada pela sua paisagem urbana caótica.
Actualmente, Portimão é o 3º porto a nível nacional (apenas atrás de Lisboa e Funchal), que mais passageiros recebe proveniente de navios de cruzeiro, reforçando assim o turismo de qualidade num concelho caracterizado pelo turismo de massas. Sede do Centro Hospitalar do Barlavento algarvio e do Autódromo Internacional do Algarve, cidade dotada de pólos industriais com capacidade de evolução e de serviços, sede da direcção regional de desporto do Algarve, maior multiusos a sul do Tejo, são alguns dos exemplos da importância que Portimão representa para o Algarve.

Bandeira de Portimão

Heráldica : 

Armas - De vermelho, com uma torre de prata aberta e iluminada de verde, assente em rochedos de negro realçados de prata cortados por três faixas onduladas, duas de prata e uma de verde, com um peixe de prata nadante. Em chefe, acompanhando a torre, uma cabeça de carnação branca coroada de ouro e uma cabeça de carnação negra com turbante de prata. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com os dizeres “Cidade de Portimão” de negro.

Bandeira - Quarteada de oito peças, quatro de branco e quatro de verde. Cordões e borlas de prata e de verde. Haste e lança douradas.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal de Portimão.


Cultura e Turismo

            Portimão também é uma cidade muito marcada pelo desporto. É aqui que se realizam, no Verão, o Mundialito de Futebol de Praia e a Etapa Portuguesa da Liga Europeia de Futebol de Praia. Por vezes, a Volta a Portugal em Bicicleta e foi palco do Rali Lisboa-Dakar, onde também se costumam praticar desportos náuticos, como o Surf e o Kitesurf e outros desportos de acção como o BMX e o Skate. Portimão também tem vários clubes desportivos como por exemplo o Portimonense, Portinado ou o Clube Bicross de Portimão. O desporto no concelho de Portimão ficou marcado pela data 2 Novembro 2008, pois nesse dia foi inaugurado, oficialmente, o Autódromo Internacional do Algarve. Parta à descoberta da natureza em Portimão e conheça a riqueza do património natural que o Município se empenha em conservar e valorizar. Desde as dunas e a Ria de Alvor, às praias de falésias exuberantes, esperam por si caminhos e passeios onde a natureza se impõe na sua perfeição. Para que possa usufruir da melhor forma destes tesouros escondidos, o Município concebeu cinco percursos, que pode realizar a pé, de bicicleta ou de barco. 



Gastronomia

            A alimentação da população de Portimão tinha como base tanto os produtos da terra como do mar. O porto de Portimão e a zona ribeirinha de Alvor eram locais de chegado dos barcos com o peixe fresco, algum do qual era logo consumido e outro salgado para ser utilizado mais tarde. As boas condições para a reprodução e apanha de bivalves (berbigão, amêijoa e conquilha), sobretudo na ria de Alvor, facilitavam o sustento das populações habituadas a tirar do mar grande parte do que necessitavam para viver. A localização das muitas fábricas de conserva de peixe em Portimão devia-se, fundamentalmente `a facilidade na obtenção de pescado. A terra proporcionava a outra parte do sustento. Predominava a pequena propriedade agrícola, donde cada família tirava os produtos para a alimentação, à base de cereais, legumes, frutos frescos e secos. De uma maneira geral, o peixe estava disponível ao longo do ano, enquanto muitos dos produtos da terra eram sazonais, por natureza e pela não existência de mecanismos de frio.
Na região, particularmente nos meios rurais, ainda se utilizavam, até há pouco tempo, expressões deste teor: “no tempo das ervilhas, no tempo das favas, no tempo das pêras...”, sinal evidente da sazonalidade dos diferentes produtos agrícolas. As azeitonas, graças à conserva caseira, eram consumidas ao longo de todo o ano, o mesmo se verificando com os frutos secos, figos e amêndoas. A introdução do milho no Algarve, a partir do século XVII, modificou, em parte, a gastronomia tradicional. Era um produto que se conservava bem ao longo do ano e era utilizado, sob a forma de farinha, na alimentação humana nas papas de milho, às quais, à beira-mar, se juntavam produtos do mar: sardinhas e berbigões. Deve registar-se o facto das papas serem um prato consumido preferivelmente no inverno, altura em que rareavam os produtos agrícolas frescos, o mesmo se verificando com os pratos feitos com feijão ou grão. Embora o cultivo do milho seja relativamente tardio, tornou-se, em poucos anos, um produto importante na alimentação dos algarvios, sobretudo entre a população mais débil que praticava uma agricultura de subsistência. Apesar da utilização desse cereal, o pão de trigo continuou a ser um alimento essencial na gastronomia da região. Na célebre oração cristã do Pai Nosso, pede-se a Deus que nos dê o “pão de cada dia”, porque, faltando ele, a subsistência corre risco. Era vulgar os camponeses dizerem que, se o pão faltasse, havia guerra, tal é a importância atribuída a este produto na alimentação. Mesmo actualmente, na maioria das refeições o pão está presente, mesmo ao lado dos manjares mais requintados. Na gastronomia algarvia, são frequente os molhos e o pão é utilizado para fazer sopas, ou na própria confecção dos pratos ou à mesa para cada um molhar e comer. Havia muitos casos em que algumas refeições fora de casa eram feitas com pão, a que se juntava o designado conduto: azeitonas, sardinhas, presunto, chouriço, toucinho..., acompanhados, quase sempre de vinho. Desde que não faltasse o pão, as pessoas já se sentiam confortadas.
No foral concedido aos moradores de Vila Nova de Portimão em 1504, por D. Manuel I, o primeiro dos produtos mencionados, sobre os quais recaíam os impostos é o pão (trigo, cevada, centeio, milho painço) e farinha de cada um deles. Nesse documento, faz-se referência ao pão que vem de fora, sinal evidente de que a produção, a nível local era insuficiente para as necessidades. A importância do pão é reforçada pelas disposições legais contidas naquele documento, referentes aos fornos. Estes eram necessários no fabrico do pão. Dos tempos antigos, chegou até nós a toponímia com a designação de rua do Forno, localizada muito perto do largo da Barca. Aí funcionou o forno colectivo, pertença do rei, a quem os utilizadores pagavam um pão de cada dezasseis cozidos. Esta disposição legal não se aplicava aos moradores das quintas ou herdades fora da vila. Estes podiam cozer o pão para as suas famílias nos fornos próprios, sem estarem sujeitos a qualquer imposto. A casa rural algarvia tinha sempre um anexo para o forno e uma das principais obrigações da dona da casa era cozer o pão, semanalmente, estando a seu cargo peneirar a farinha, amassar e tender. Por vezes, recorria ao marido para este meter e tirar o pão do forno, por se tratar de uma operação que exige mais esforço.
Situando-se Portimão à beira-mar, o pescado era fundamental na alimentação, como se disse. O foral de Portimão dá também relevo a este produto de uso quotidiano. O rei tinha direito a um imposto sobre o pescado que entrasse ou saísse da vila, mas os que trouxessem peixe para si ou para dar aos amigos ou o que pescavam à linha estavam isentos de qualquer imposto. No passado, como no presente, é grande a variedade de peixes capturados pelos pescadores de Portimão: atum, besugo, carapau, cavala, safio, sardinha, tamboril... Em tempos, o atum destacava-se pelo seu valor comercial. Foi um dos elementos importantes da economia do Algarve, não tanto por ser um dos pilares da gastronomia local, mas, sobretudo, pela grande quantidade destinada à exportação. No Algarve, existiram almadravas ou armações de atum espalhadas pela costa, algumas das quais no actual concelho de Portimão. Essa faina ocupava muitos homens que, por vezes, se fixavam com as famílias junto a esses espaços durante o período de campanha da pesca dos atuns, a maioria dos quais preparados para a exportação.
A sardinha era e é o peixe de maior consumo e o pescado em maior quantidade, a ponto de, no século XVIII, um autor a ter considerado como um peixe destinado pela Providência à sustentação das pessoas de todas as classes sociais. Hoje em dia, no período de maior captura, entre Maio e Outubro, são frequentes as assadas de sardinha, sempre acompanhadas de batata cozida, salada de tomate e pimento grelhado. É frequente grupos de amigos combinarem uma confraternização em que o acepipe é uma sardinhada. Muitos restaurantes de Portimão têm no seu menu sardinha assada no período considerado, por ser um prato de grande procura. Os figos são também um dos produtos agrícolas mais generalizados e apreciados no Algarve, embora, actualmente, não se colham em tão grande abundância, como até há décadas atrás. Eram muito utilizados na alimentação, depois de secos,  porque se conservavam com facilidade e estavam disponíveis nos meses de inverno, quando não há muitos frutos. É igualmente utilizado na preparação do queijo de figo, consumido em festas ou encontros de amigos. A lenda das amendoeiras em flor, segundo a qual foram apresentadas uma princesa cristã, casada com um príncipe mouro para a compensar pela falta da brancura da neve das montanhas do norte, é um testemunho irrefutável da abundância deste fruto na região, em tempos idos. A maior parte das amêndoas produzidas alimentava o comércio externo e só uma pequena parte se destinava ao consumo interno, sobretudo na doçaria regional e no fabrico de amarguinha, bebida muito apreciada como digestivo. A alfarroba, fruto com a forma de vagem alongada, preto depois da maturação, constituía, com o figo e a amêndoa o grande rendimento dos camponeses que tinham algumas terras. Era exportada, mas também se utilizava na alimentação, sobretudo do gado e na confecção de licor e de doces muito apreciados nos nossos dias. Como em toda a bacia mediterrânica, as plantas aromáticas/condimentares têm grande aplicação na gastronomia, pelo agradável aroma e sabor que proporcionam, sem quaisquer efeitos negativos para a saúde. A salada de tomate fica mais apetitosa com umas folhinhas de orégão que também dão sabor ao molho de azeite e vinagre das cavalinhas e a algumas conservas de azeitonas, em que se utilizam também as próprias hastes. O tomilho, a hortelã, o alecrim e os coentros também tornam os pratos mais apetitosos. A tradição alimentar em Portimão tem como fundamento os condicionalismos geográficos e históricos atrás referidos. As pessoas foram-se adaptando às diferentes situações, sem que seja possível identificar outros factores. Vinda das Américas, como a batata comum ou redonda, a batata doce tornou-se “ o pão dos pobres”, no dizer de uma estudiosa do Algarve. O seu alto teor de água levou a que a considerassem um alimento fresco. Esta raiz entumescida apresenta alguns problemas de conservação, devendo ser mantida no escuro e raramente aguenta de uma colheita a outra. Tem aplicações variadas na gastronomia: assada, frita ou incorporando vários pratos, tais como caldeirada de choco ou sopas  diversas. A batata doce é um genuíno produto da gastronomia regional em franca recuperação.
                                                                                                         Feijoada de buzinas
Feijoada de BuzinasCataplana de Amêijoas
Cataplana de ameijoas 

Morgados
Morgados