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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Tavira

Brasão de Tavira

Localização

          Tavira é uma cidade portuguesa no Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, é sede de um município com 606,98 km² de área e subdividido em 9 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município de Alcoutim, a leste por Castro Marim e pela parte ocidental do concelho de Vila Real de Santo António, a sudoeste por Olhão, a oeste por São Brás de Alportel e por Loulé e a sul tem litoral no oceano Atlântico. Fica na zona Sotavento (Algarve oriental).


História

        Cidade por grandeza dos tempos idos, Tavira está situada no lado oriental do Algarve, a meia distância entre o Cabo de Santa Maria e a foz do rio Guadiana. Dista dois quilómetros do mar e está implantada nas margens do estuário do rio Gilão, ao abrigo da restinga que protege a Ria Formosa, de Faro até Cacela. Tal localização foi fator do seu desenvolvimento e apogeu, e depois da sua letargia e enfraquecimento. Tavira é, essencialmente, uma cidade de estuário e a sua História está, naturalmente, ligada à evolução do seu porto e das atividades com ela relacionadas. Os dados conhecidos permitem estabelecer a continuidade da presença humana no local, hoje, ocupado por Tavira a partir do domínio muçulmano. Sabe-se, porém, que entre finais do século VIII a.C. e o século VI a.C., os fenícios - ou populações com grandes afinidades com eles - colonizaram este local, construindo uma espessa muralha na colina hoje designada de Santa Maria, da qual ainda restam vestígios, com a chegada do século VI a.C., a forte influência fenícia dará origem na região à Turdetânia, a qual se estendia desde o Estreito de Gibraltar até ao Cabo de S. Vicente. Deste período sobraram vestígios descobertos junto à atual Praça da República que documentam a atividade piscatória e conserveira dos turdetanos, nomeadamente, um molhe de acostagem, um armazém de ânforas com preparados piscícolas e, imagine-se, a mais antiga rede de pesca de atum conhecida até ao momento.
O período de dominação romana deixou marcas, a poucos quilómetros, a ocidente de Tavira - entre Santa Luzia e a Luz de Tavira -, na antiga Balsa (cerca de 30 a.C.), célebre cidade referenciada nas fontes antigas, cujo riquíssimo espólio arqueológico se encontra disperso por museus nacionais. Toda a vasta zona designada pelos muçulmanos de Al Garb al Andaluz (ou seja, a ocidente de Andaluz) foi ocupada por estes a partir do ano 712. Aquando da sua chegada, Tavira estaria deserta ou, na melhor das hipóteses, perdera o fulgor económico e mercantil de outras épocas. As primeiras notícias são do século XI e referem-se ao movimento do seu porto. Os muçulmanos conferem à urbe um novo fôlego, chegando esta a ser capital de um Reino Taifa e, durante período almóada, capital de um distrito. Durante este período reconstruíram-se as muralhas, que estão em parte conservadas. O mais famoso vestígio islâmico da cidade é o inusitado Vaso de Tavira, em cerâmica, de cariz popular, integrando figuras humanas e animais moldados, com ingénua profusão de pormenores, fazendo deste achado um dos mais eloquentes testemunhos da vida no Al Andaluz no século XI. Tavira é conquistada aos mouros em 1242 pela Ordem de Santiago, liderada por seu mestre D. Paio Peres Correia. Foi na colina de Santa Maria, cercada pelas muralhas do castelo, que os conquistadores cristãos consolidaram a sua presença civil, militar e religiosa. Aí se instalaram as primeiras igrejas, algumas reaproveitando o que restava das antigas mesquitas árabes. Nos séculos XIV e XV acentua-se a expressão urbana da vila, funda-se o primeiro convento - de franciscanos - e beneficiam-se as muralhas, florescendo o comércio marítimo com flamengos, ingleses, italianos, franceses, biscainhos e galegos. A expansão portuguesa dos séculos XV e XVI faz de Tavira o mais próspero centro urbano do Algarve, beneficiando a urbe da sua importância estratégica para apoio, defesa e manutenção das praças conquistadas no Norte de África. Consequentemente, a vila é elevada a cidade, em 1520, por D. Manuel I. Atesta a sua riqueza o grande número de edificações militares, civis e religiosas que surgem por esta época, destacando-se as obras renascentistas do arquiteto André Pilarte. A partir da segunda metade do século XVI começa a ser indisfarçável o declínio económico e estratégico da cidade, agravado pelo abandono de algumas possessões no Norte de África, pelo domínio espanhol e pelo progressivo assoreamento do rio Gilão, contribuindo para a diminuição do movimento comercial do porto de Tavira. Mais tarde, fazem-se sentir os efeitos de uma peste devastadora (1645-1647) e da longa campanha da guerra da Restauração, retirando à cidade o protagonismo que adquirira no passado. Apesar da perda de importância, continuam a surgir na cidade novas construções - como os conventos dos paulistas e dos capuchos -, erguidas dentro do austero "estilo chão", estilo caracterizado pela sobriedade formal e pelo despojamento decorativo, valores que farão fortuna na arquitetura até ao eclodir do barroco no século XVIII. Os anos de estabilidade de D. Pedro II e D. João V parecem travar a estagnação da cidade. O abrandamento da agressividade do corso e da pirataria, bem como uma percetível recuperação económica, contribui para um crescimento longo e sustentado da população entre os finais do século XVII e meados do século XVIII. A cidade regista neste período o desenvolvimento da atividade das Ordens Terceiras, das confrarias ou irmandades, favorecendo a proliferação e o esplendor de igrejas e capelas, mandadas erigir e decorar pelos confrades. Neste contexto, é rica a arquitetura de Tavira realizada na época barroca, especialmente, devido às obras de Diogo Tavares de Ataíde (1711-1765), tido como o maior arquiteto do barroco algarvio - autor, entre outras, das remodelações do convento da Graça e da igreja e hospital do Espírito Santo. O terramoto de 1755 atinge alguns dos mais antigos edifícios da cidade como a igreja matriz de Santa Maria, que será reconstruída dentro do espírito neoclássico que caracteriza o fim do século XVIII. Após o sismo, a cidade passa a contar com a presença regular do Governador e Capitão General do Algarve, dotando-se equipamentos de apoio à sua política. Surgem, neste âmbito, o palácio do Governador no Alto de Santa Ana, um hospital militar (1761) e o Quartel da Atalaia (1795), destinado a alojar condignamente o regimento da cidade. No âmbito de uma política nacional de recuperação económica, o Marquês de Pombal funda em Tavira, em 1776, uma fábrica de tapeçarias, cuja produção, no entanto, foi precária e efémera. A instabilidade proporcionada pelas invasões francesas, pelas lutas liberais e por uma grave epidemia de cólera não ajuda a cidade a ultrapassar o seu apagamento durante as primeiras décadas do século XIX. O campo tende a mandar na economia local, depois da redução significativa da pesca, em virtude do quase total desaparecimento do atum das áreas onde habitualmente surgia. O liberalismo introduzirá uma nova consciência social, levando à construção do Mercado da Ribeira (1885) e do Jardim Público (1889). Desaparecem, no entanto, partes consideráveis da muralha antiga da cidade e de antigos conventos, como o de São Francisco. O início do século assiste ao aparecimento da linha ferroviária (1905), que acabará por influenciar o espaço urbano com o rompimento de novas artérias de ligação ao centro da cidade. O regime republicano investe em novos equipamentos públicos, como a cadeia, um matadouro, um cemitério e a instalação de iluminação elétrica. Nas áreas limítrofes instalam-se unidades fabris de conserva de peixe. Durante o Estado Novo (1926-1974) surgem novos arruamentos e edifícios públicos, alguns seguindo os moldes oficiais: escolas da Porta Nova e da Estação, o Palácio da Justiça, o Posto Agrário e o antigo edifício dos Celeiros da Federação Nacional de Produtores de Trigo, entre outros.

Bandeira de Tavira

Heráldica

                Um dos mais antigos registos das armas da cidade de Tavira consta da iluminura do Foral dado pelo rei D. Manuel I no ano de 1504. Aí se vê um desenho representando uma ponte de três arcos sobre um rio em que navega um barco com três mastros. Sobre os encontros da ponte ergue-se, em cada um deles, uma torre com duas ordens de ameias. Mais três torres se levantam sobre o passadiço, sendo a do meio mais alta que as colaterais. Um escudo nacional sobrepõe-se a cada uma das torres dos encontros. Seguindo a ordem do tempo, encontramos depois a pedra de armas da cidade incrustada na frontaria da Igreja da Misericórdia do ano de 1551. Examinando este símbolo, verificamos ainda hoje que nele figura uma ponte de um só arco, flanqueada por duas altas torres, sobre um rio em que navega um navio de antanho, de um único mastro com vela recolhida, guindada. Sobre o passadiço da ponte, ao meio dele, outra torre de dois andares. E de um e outro lado, entre a torre central e as duas referidas laterais, o escudo nacional com as cinco quinas, tal como o desenho da folha de entrada do Foral de 1504. No século XIX, com a Revolução Liberal, a ponte perde a torre central, ficando apenas com as dos dois encontros. O navio mantém os três mastros iniciais e o escudo passa a sobrepujar o passadiço. É assim que consta da pedra de armas que ainda hoje encima a fachada central do andar nobre dos Paços do Concelho, munida de cartela com data de 1837. Mas outra Revolução, a de 1926, havia de providenciar a substituição dos brasões municipais. Para o caso de Tavira chamaram para o efeito um conhecido nome da heráldica, Afonso de Dornellas. No parecer que apresentou à Secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, em sessão de 26-11-1932, indicou o modo como deveriam passar a ser constituídas as armas, o selo e a bandeira de cidade de Tavira:
de prata com uma ponte de sete arcos de vermelho, entre duas torres do mesmo(vermelho), iluminadas de negro, saínte de rio de duas faixas ondadas de azul e prata, seguidas de um mar de quatro faixas ondadas de prata, alternadas de três de verde. Vogando neste mar, um barco de negro realçado de ouro, vestido de prata e mastreado e encordoado de negro. Em chefe uma branca coroada de ouro e uma cabeça de carnação negra com turbante de prata. Coroa mural de prata de cinco torres. Bandeira quarteada de oito peças de branco e negro. Listel branco com os dizeres a negro.”
Afonso de Dornellas, não se tendo apercebido da existência dos desenhos do antigo brasão de armas de Tavira, guiou-se, para propor um novo, pelas descrições do anterior feitas por alguns autores que apenas referiam a ponte entre duas torres e o navio sobre as ondas. A ponte simbolizava, na sua opinião, “a importância que a ponte tem para a vida local”, e o navio “dá a ideia da sua importância comercial alfandegária”. Mas Afonso Dornellas considerando que “devemos tornar mais completos os selos municipais” deu à ponte o número de arcos que ela realmente hoje tem e acrescentou na parte superior (designada por chefe) uma cruz - espada da Ordem de Santiago, usada pelos cavaleiros que tomaram Tavira aos mouros, e duas cabeças – uma branca, do “Rei Cristão”, e outra, negra, do “Chefe Mouro”.


Cultura e Turismo

           O concelho de Tavira possui uma linha de costa com mais de 18 quilómetros de extensão onde se encontram as ilhas de Tavira e Cabanas, oferecendo praias de areia fina e branca e onde a temperatura média da água do mar ronda os 22º C. A ilha de Tavira possui uma extensão de, aproximadamente, 11 quilómetros e nela se inserem as praias da Ilha de Tavira, Terra Estreita, Barril e Homem Nú. A ilha de Cabanas possui uma extensão de 7 quilómetros. Na zona central da mesma localiza-se a praia, que pela sua acessibilidade e disponibilidade de equipamentos de apoio aos utentes, é a área mais predisposta e sujeita à utilização balnear. Em toda a zona litoral do concelho existem várias áreas naturais de salinas, sapais e dunas repletas de biodiversidade, inseridas em pleno Parque Natural da Ria Formosa, e onde existe a possibilidade dos visitantes realizarem diversas actividades de contacto com a natureza e observação da fauna e flora local, sendo por isso um privilegiado destino de férias para os amantes da natureza. A Serra do Caldeirão é maior cordilheira Algarvia, estendendo-se desde a Ribeira de Odelouca até aos planaltos do Nordeste algarvio. O seu ponto mais alto no concelho de Tavira localiza-se em Alcaria do Cume (535 m).
Trata-se de uma paisagem com elevações arredondadas e relevo acidentado com densa rede hidrográfica, constituída na sua maioria por cursos de água temporários ladeados por galerias ripícolas, onde predomina o freixo. A Serra do Caldeirão é formada maioritariamente por rochas xistosas onde predominam as estevas. As espécies mais notáveis de fauna presente são: a águia-de-bonelli, o veado, o javali, o coelho e a lebre.
As culturas agrícolas predominantes na serra do Caldeirão são as de sequeiro – amendoeira, alfarrobeira e oliveira. A floresta é dominada: pelo sobreiro, azinheira, pinheiro e eucalipto. O Centro Histórico de Tavira é um local de cruzamento de diversos povos e culturas – fenícios, turdetanos, árabes, judeus – foi após a reconquista cristã sede de um concelho com crescente influência no reino de Portugal. Terra do Rei e de importância fulcral para os sucessos da expansão portuguesa para o Norte de África nos séculos XV e XVI, viu crescer o seu prestígio político, religioso e económico, permitindo desenvolver uma notável atividade construtiva e artística, de que é exemplo a célebre escola de arquitetura renascentista de André Pilarte, e mais tarde, durante o século XVIII, a atividade do mestre Diogo Tavares de Ataíde. O intercâmbio de distintas épocas e sensibilidades culturais marcou indelevelmente a paisagem, a morfologia urbana, a arquitetura e a arte, no fundo, o seu desenvolvimento artístico em geral. E, não obstante algumas calamidades cíclicas – terramotos, cheias, crises político-sociais –, a herança patrimonial tem conseguido sobreviver, sendo hoje um exemplo de uma cidade mediterrânica fortificada, no limite da Europa, excecional pela qualidade formal, harmonia e coerência de alguns espaços urbanos, onde confluem modelos medievais e renascentistas, com um conjunto distinto de imóveis ilustrando várias épocas, usos, estilos artísticos e cambiantes regionais, dificilmente encontramos em Portugal, tão bem como em Tavira, os elementos históricos constitutivos de uma cidade de estuário atlântico-mediterrânica, com formas que muitas vezes foram assimiladas além-mar e reproduzidas localmente. O Alto de Santa Maria, ligeira colina junto ao rio Gilão, foi primeiramente povoado no século VIII a.C. por gentes relacionadas com contexto expansionista fenício a Ocidente do Estreito de Gibraltar. O local permitia a boa visibilidade do tráfego comercial fluvial e das eventuais aproximações inimigas. Escavações arqueológicas dirigidas há poucos anos por Maria Maia e Manuel Maia no subsolo da pensão Netos revelaram parte da espessa muralha que cercava o antigo povoado. Os achados encontrados indiciam a vivência de um povo que cultivava a leitura e a escrita, e realizaria alguma produção metalúrgica em ferro e prata, eventualmente utilizada para negociar com outros povoados. Os “poços votivos” localizados onde hoje se situa o Palácio da Galeria indicam que este povo marinheiro teria aqui, muito provavelmente, um lugar reservado a práticas religiosas consagradas ao deus Baal, crê-se que o povoado fenício de Tavira terá sobrevivido e mantido alguma relevância económica e comercial regional entre os séculos V e IV a.C., acabando, mais tarde, por falir. A riqueza científica dos vestígios encontrados é, até agora, única em Portugal e deverá ser conjugada com o futuro núcleo museológico fenício. Em Tavira são parcos os dados arqueológicos do período romano, indiciando que a colina de Santa Maria terá sido secundarizada face à proximidade de Balsa, a maior cidade romana do Sul do país, a escassos oito quilómetros de distância. Os muçulmanos retomam a povoação de Tavira em finais do século X ou inícios do XI, bem como a vocação portuária e comercial do lugar. O topo da colina é refortalecido com o castelo, destinado a proteger o vau do Gilão que permitia o trânsito entre as duas margens, supostamente, antes da construção da ponte. O perímetro muralhado atinge cerca de cinco hectares, todavia, é patente que a extensão da cerca sofre mutações ao longo da presença islâmica, sensível às circunstâncias militares e à sucessão dos poderes (almorávida, taifas, almóadas). No topo estaria a alcáçova, concentrando os edifícios políticos e religiosos - duas mesquitas, posteriormente convertidas em igrejas católicas. Partes da muralha islâmica ainda se avistam pela cidade, na Bela Fria por exemplo, mas também no interior das casas da atual praça da República. São muros constituídos por uma fortíssima amálgama de cal, areia e pedras revestidas por pedra aparelhada. Outra herança da muralha islâmica é a torre hexagonal que cai para a rua da Liberdade que, apesar de refeita, deve ser colocada em paralelo com outras torres poligonais ibéricas de época muçulmana. Encontramos um vislumbre da cultura urbana deste período no que resta do bairro almóada descoberto no subsolo do convento da Graça, constituindo um dos melhores exemplos em território nacional do modelo de casas e ruas citadinas usado na Península Ibérica e no Magreb durante o período em apreço. Todo o acervo de peças recolhidas neste e noutros contextos arqueológicos islâmicos espalhados pela cidade demonstram, não só as áreas que foram habitadas, mas também os hábitos e as posses dos seus residentes. Por vezes com algum fausto. Exemplo disso é o célebre Vaso de Tavira e todo um conjunto de artefactos menos conhecidos, mas igualmente admiráveis. A conquista de Tavira pela Ordem de Santiago acontece em 1242. A mudança do poder tem efeitos na feição urbana. Dentro das muralhas deixa de caber a comunidade muçulmana, desalojada, passando esta a residir do lado exterior, diante da antiga e desaparecida Porta do Postigo. Aí ficava a mouraria, da qual a memória toponímica é ainda bem patente na rua dos Mouros, ou no Largo do Pocinho dos Mouros, mais portas atravessavam a muralha. A principal, junto ao rio, chamava-se Porta da Vila, acrescentando-se a esta as portas da Alfeição, do Buraco, da Vila Fria, a Porta Nova contra o Cano e a Porta dos Pelames. Todas são definidoras das vias que estruturam a “vila-a-dentro”, caracterizada pela conjugação de uma malha regular e densa com uma área pouco construída e sem uma estruturação clara dos quarteirões.
Os reis portugueses promovem beneficiações na muralha. D. Dinis faz obras no castelo e D. Fernando terá alargado a cerca. Inevitável, no entanto, é a expansão do núcleo medieval para a zona exterior da cerca. Além da Mouraria, nascem os núcleos do alto de São Francisco, as Tercenas (ao longo da margem direita do rio) e um primeiro desenvolvimento na margem esquerda. Desenvolve-se também um eixo principal confinante com a muralha e definido pela Rua do Malforo (rua Miguel Bombarda), Rua Nova Grande (rua da Liberdade), praça da Ribeira (República) e a ponte, do qual depois progridem as áreas ribeirinhas nas duas margens. Orlando Ribeiro realça justamente Tavira como raríssimo exemplo de cidade fluvial portuguesa que contaminou indiferentemente as duas margens, sem quebra de unidade. Salienta o facto de, em épocas recuadas, a ponte ter sido habitada, o que conferia uma imagem de edificação contínua que superava a natural divisão oferecida pelo rio, para tal contribuirá também o acelerado desenvolvimento urbano durante o reinado de D. Manuel I. É notável a urbanização que nasce na zona ribeirinha em finais da Idade Média, à ilharga da “vila-a-dentro”, denunciando princípios renascentistas e características fundamentais do urbanismo português de então. Designadamente, o chamado “urbanismo regulado” (baseado na regulamentação e não no desenho). Alinhando num esquema de rua-travessa, geram-se áreas que apresentam uma enorme regularidade quer no traçado das ruas, quer na sua própria base cadastral e altimétrica. Com uma malha regular orientada pelo rio, esta “nova” cidade articula-se habilmente com a “velha” através da Praça da Ribeira, com o campo através da Corredoura e com o mundo através do Gilão. 
Na definição do espaço urbano saliente-se o papel dos numerosos edifícios religiosos. Igrejas, capelas e conventos marcam o perfil de ruas, largos, servindo como pólos de referência para esses espaços. Aglutinam normalmente conjuntos urbanos e os seus adros potenciam a criação de zonas amplas (largos ou praças) propícias à afluência e concentração de fiéis. É notável o conjunto de arquitetura religiosa que a cidade possui. Apesar de não ter sido escolhida para sede do Bispado do Algarve no século XVI, quando Silves se encontrava em decadência, Tavira manifesta uma enorme sensibilidade religiosa, erigindo inúmeros centros de devoção, o que é igualmente sintomático da sua importância e prosperidade aos longos dos séculos.

Hoje em dia são vinte e uma igrejas. Com efeito, ainda mal terminara a conquista do lugar pela Ordem de Santiago e já este contava com as matrizes de Santa Maria e de Santiago, em resultado do aproveitamento e adaptação das antigas mesquitas árabes.

O desenvolvimento urbano será sempre pontuado pela Igreja, seja através das matrizes, dos templos de ordens terceiras e confrarias ou através de instalações mais amplas, como os conventos. A Igreja também beneficia da próspera conjuntura socioeconómica dos séculos XV e XVI, associada ao crescimento demográfico, à expansão urbana e ao período em que o porto de Tavira era o de maior irradiação para a defesa e manutenção das praças lusas do Norte de África. A arquitetura e a produção artística para ornamento dos templos conhecem nestes séculos uma atividade considerável através das paróquias, ordens religiosas, irmandades e confrarias. Nota-se, aliás, que a origem de algumas casas religiosas reflete a estreita relação de Tavira com o projeto de expansão da coroa para o Norte de África, caso do convento de N. Sr.ª da Piedade, fundado por D. Manuel I em ação de graças pelo levantamento de um cerco mouro a Arzila; ou do convento agostinho de Nossa Senhora da Graça, fundado em Tavira após uma tentativa frustrada de o fazer erguer em Azamor. A diminuição da importância da cidade nos séculos posteriores não afeta sobremaneira o ritmo de fundação de novos edifícios religiosos, os quais são marcados com mais ou menos austeridade de acordo com as flutuações estilísticas e temporais. Os tavirenses manterão a proximidade aos centros de devoção. Exemplo disso são os anos de estabilidade de D. Pedro II e D. João V, enquadrados pela exultação barroca da Igreja contrarreformista, favorecendo um novo período de grande atividade na construção de igrejas e na ornamentação das existentes.
Os sentimentos anticlericais que caracterizam os séculos XIX e XX traduzem-se na secularização ou desaparecimento de alguns templos, fazendo reduzir para vinte e um os cerca de vinte e cinco anteriormente existentes. O saldo histórico apresenta-se, ainda assim, extremamente vantajoso para a cidade, é de realçar a riqueza artística acumulada ao longo de séculos nestas igrejas, a pluralidade de estilos, disciplinas e artistas que nelas se encontram. A qualidade dos vestígios góticos e manuelinos da matriz de Santa Maria ou do antigo convento de São Francisco, a elegância personalizada do renascimento na Misericórdia do mestre André Pilarte, a força do “estilo chão” nas igrejas de São Paulo ou da Graça ou ainda exuberância decorativa dos espaços barrocos do Carmo ou São José, definem em conjunto, nestes ou noutros templos da cidade, todo um percurso sugestivo da arte portuguesa, das suas cambiantes estilísticas e interpretações locais. A história de Tavira encontra-se indissoluvelmente ligada à atividade militar. A preocupação com a defesa de um território e com a segurança de uma comunidade que, como vimos, atingiu períodos de grande relevância estratégica e económica, manifesta-se na construção de diversas infraestruturas e na fixação de corpos militares. Já aqui foram elencados alguns monumentos castrenses que são marcos de identidade na definição do traçado e da estrutura urbana do aglomerado. A muralha fenícia fixou o local e determinou o seu desenvolvimento posterior. O castelo medieval predomina e testemunha aspetos particulares que se referem aos conturbados anos da reconquista cristã e à afirmação da soberania portuguesa sobre o território do Algarve. Na orla costeira, as ruínas do Forte de Santo António e a Fortaleza de São João de Cabanas são a memória de um tempo em que o perigo vinha, essencialmente, do mar. Quer o projeto de expansão além-mar, quer a dinâmica da Guerra da Restauração (1640-1668) são responsáveis pelo aparecimento de mecanismos defensivos na costa, tendo em atenção a proteção das pessoas e das pescas face aos constantes ataques de piratas mouriscos ou de corsários encorajados pelos rivais europeus, mas não só de fortificações se compõe a arquitetura militar de Tavira. A presença regular de corpos militarizados e a flexibilidade dos engenheiros militares – que amiúde se assumem como arquitetos de todo o tipo de edifícios utilizados pelas tropas – justificam a construção de interessantes equipamentos de apoio. São os casos do antigo hospital militar da rua dos Mouros (1761) e do imponente Quartel da Atalaia (1795); sendo ainda de destacar um dos mais distintivos símbolos de Tavira: a ponte antiga sobre o Gilão, concebida segundo modelos da arquitetura militar, fruto da reconstrução de 1657 dirigida por Mateus do Couto e Pedro de Santa Colomba, dois homens ligados ao exército.




Gastronomia

            A gastronomia está intimamente ligada à história e às características geográficas e sociais de uma região. No passado, Tavira foi um importante porto de pesca, sendo a captura e transformação do atum, até cerca de 1950, uma das principais atividades económicas, os produtos do mar são os ex-libris da nossa gastronomia, destacando-se os mariscos, o polvo, o atum e o peixe grelhado. Contudo, não podemos esquecer a serra e o interior, onde a perna de cabrito no forno, a açorda de galinha, a caça, os enchidos, o queijo fresco de cabra e ovelha fazem parte da oferta gastronómica.
Nos restaurantes e pastelarias de Tavira, poderá ainda deliciar-se com os magníficos doces feitos à base de amêndoa, gila, alfarroba, figo e com os folhados de Tavira. Provar uma aguardente de medronho ou figo, produzidas artesanalmente nas freguesias de Santo Estêvão e Santa Catarina da Fonte do Bispo. A importância do vinho na região do Algarve remonta à presença muçulmana, não só pelo cultivo da vinha, mas também pelo comércio e exportação, bastante acentuados em Tavira. Neste momento, a única adega da região demarcada de Tavira é a Quinta dos Correias. Surpreenda-se com a qualidade da vinha situada em terreno arenoso, com calhau e argiloso e com alguns afloramentos calcários. A vinha é composta por cascas Castelão, Cabernet-Sauvignon e Touriga-Nacional.
                                                                                                         Perdiz estufada 
Perdiz EstufadaArroz de Polvo
Arroz de polvo


Bolo Mimoso
Bolo mimoso

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Vila Real de Santo António

Brasão de Vila Real de Santo António

Localização

         Vila Real de Santo António é uma cidade portuguesa no Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, é sede de um pequeno município com 57,53 km² de área e subdividido em 3 freguesias. É um dos poucos municípios de Portugal territorialmente descontínuos,1 dividindo-se numa porção ocidental, a freguesia de Vila Nova de Cacela, e uma porção oriental, onde se situa a cidade e Monte Gordo. A parte oriental é limitada a norte e oeste pelo município de Castro Marim, a leste pelo Rio Guadiana, que define a fronteira com Espanha, município de Aiamonte, e a sul tem litoral no oceano Atlântico; a parte ocidental é limitada a norte e leste por Castro Marim, a oeste por Tavira e a sul tem litoral no oceano Atlântico.


História

        Vila Real de Santo António foi fundada em 1774, por vontade expressa do Marquês de Pombal, perto da foz do Guadiana. A cidade constitui um testemunho histórico importante devido ao facto de ter sido construída de raíz em apenas dois anos, segundo o padrão iluminista do século XVIII, caracterizado pela planimetria, altimetria e volumetria. A vila começou a ser construída em 1774 com base num processo de pré-fabrico e estandardização, técnicas que a Casa do Risco das Obras Públicas empregava desde a reconstrução de Lisboa, ficando em Agosto do mesmo ano concluída toda a parte destinada à Sociedade das Pescarias, foi rápida a sua construção, pois assim o exigiam as contingências da política face a Espanha e a vontade férrea do Marquês de Pombal, ministro do rei D. José I (1714-1777). Iniciada a marcação do plano da cidade em 2 de Março de 1774, em 6 de Agosto estavam já concluídas as Casas da Câmara e da Alfândega, os quartéis e iniciava-se a Igreja.
O final do séc. XIX e as décadas seguintes foram de prosperidade para Vila Real de Santo António. A presença de sardinhas e de atum nas águas do litoral algarvio transformaram a vila num importante centro conserveiro, enquanto o seu porto era demandado pelos barcos que subiam o Guadiana para carregar o minério extraído nas minas de São Domingos. A comprovar o seu dinamismo e riqueza refira-se que foi a primeira localidade do Algarve a ter iluminação a gás (1886). A história do concelho não começa, porém, com a fundação de Vila Real de Santo António. Esta área do litoral foi habitada desde tempos recuados, como comprovam a anta e “tholos” em Nora, perto de Cacela. Os romanos, e mais tarde os árabes, fizeram de Cacela povoação importante. Tomado o seu castelo, em 1240, por D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem de Sant'Iago, Cacela foi o ponto de partida para a reconquista de todo o Algarve.
No Século XVII, os tempos eram outros e os desafios também. A edificação da vila neste importante ponto fronteiriço visava controlar o comércio e desenvolver as pescas, estimulando assim o aparecimento de uma indústria conserveira que se iria manter quase até os nossos dias. O rigor arquitectónico do Marquês de Pombal está ainda hoje integralmente presente e integrado no eixo urbano. A Praça Marquês de Pombal em conjunto com as históricas ruas pombalinas tece a principal área comercial da cidade. Na Praça encontramos um obelisco central, quatro torreões delimitando os vértices e o edifício da Câmara Municipal e Igreja Matriz. Junto ao rio, o edifício da Alfândega, primeiro a ser concluído, a par com os antigos edifícios da Sociedades das Pescarias, divide a cidade em duas metades simétricas, sendo o conjunto rematado por dois torreões que serviam de vigia à vila, para além da sede do concelho, Vila Real de Santo António inclui ainda o aglomerado urbano de Hortas, estendendo-se ao longo do troço da Ex-Estrada Nacional 125 que liga Vila Real à vila de Monte Gordo e as freguesias de Monte Gordo, uma importante estância balnear, e Vila Nova de Cacela. Essse aglomerado está, em termos administrativos, "dividido" entre as freguesias de Vila Real de Santo António e Monte Gordo. Esta última inclui ainda o aglomerado urbano da Aldeia Nova, no troço da Estrada Nacional 125 que liga Monte Gordo à freguesia de Altura, no concelho de Castro Marim.
Uma curiosidade interessante na geografia do concelho de Vila Real de Santo António é justamente o facto da freguesia de Vila Nova de Cacela surgir "separada" das outras duas freguesias do concelho pela freguesia de Altura, que constitui a "saída para o litoral" do concelho de Castro Marim, cuja sede se situa já no barrocal algarvio, a cerca de três quilómetros de Vila Real de Santo António.

Bandeira de Vila Real de Santo António


Cultura e Turismo

            A cultura algarvia tem em Vila Real de Santo António um importante centro de divulgação. Nesta cidade nasceram e trabalharam vários artistas que deixaram a sua marca na literatura, nas artes plásticas, entre outras áreas culturais.
Um dos mais conhecidos é António Aleixo, poeta popular da primeira metade do século XX; famoso pela ironia e crítica social, é um dos mais aclamados poetas algarvios. Também Manuel Cabanas foi uma figura de destaque no panorama artístico vila realense; o Mestre Cabanas, como era conhecido, foi xilogravador e um opositor convicto do Estado Novo. É ainda a cidade natal de Lutegarda Guimarães de Caires, ativista e poetisa, promotora do Natal dos Hospitais e diversas causas sociais em Portugal. Para os turistas que visitem Vila Real de Santo António, existe um variado leque de zonas históricas e de lazer que poderão visitar nas diferentes freguesias do concelho.

Cacela Velha
           
          A cerca de 12 quilómetros da sede do concelho, foi a sua primitiva sede, antes da fundação de Vila Real de Santo António. A sua existência como centro urbano remonta ao tempo dos Romanos e Árabes, embora se lhe atribua origem fenícia. Ao tempo dos romanos, foi uma importante "villa" ligada à pesca e à salga de peixe. No período da ocupação muçulmana tinha muralhas de defesa, após a reconquista cristã, foi vila com foral outorgado em 1283, pelo Rei D. Dinis. Hoje, Cacela Velha é uma pequena povoação onde a agricultura e a pesca constituem ainda a principal actividade das suas gentes, caracteriza-se por casas brancas e térreas, ao estilo algarvio, oferecendo um magnífico miradouro sobre o mar e os vastos areais da Ria Formosa, detém a credencial de Imóvel de Interesse Público desde 23 de Setembro de 1983.

Praia da Manta Rota

           A Praia da Manta Rota, na Freguesia de Vila Nova de Cacela,é uma das mais extensas da Europa, caracterizando-se por águas cálidas e um areal a perder de vista, na "fronteira" entre o mar aberto e o cordão de dunas e ilhas-barreira que constitui a Ria Formosa, menos explorada em termos turísticos que a zona de Monte Gordo, oferece recantos sossegados, mesmo no pico da chamada época alta, em que a maioria das praias da região "fervilha" de turistas. Vastas dunas e frondosos pinheiros quase a beijarem o mar têm contudo atraído, nos últimos anos, cada vez mais pessoas, que procuram também as suas águas cálidas e límpidas. Foi distinguida com a Bandeira Azul da Europa.


Praia de Monte Gordo

          Monte Gordo é uma praia com luminoso areal a perder de vista e águas seguras e cálidas. Essas características ímpares atraíram grande número de turistas estrangeiros, logo a partir da década de 60. No seu limite nasceu um dos primeiros hotéis do Algarve. A Praia de Monte Gordo foi assim o "motor" que transformou, em poucas décadas, uma aldeia de pescadores num grande centro turístico internacional. Nos últimos anos, tem sido feito um esforço de transformar esta praia numa zona balnear verdadeiramente "para todos", dotando-a de acessos para pessoas com mobilidade condicionada. Durante a época balnear, existe também um serviço de cadeiras de rodas anfíbias, os chamados "tiralots", que permite a essas mesmas pessoas disfrutar das cálidas águas da baía, sem paralelo mesmo noutras zonas do Algarve, os muitos snack-bares e restaurantes espalhados pela praia permitem também tomar uma refeição ou uma bebida refrescante sem ter de sair da praia. O areal a perder de vista convida a um passeio, para quem quer ficar em forma ou simplesmente relaxar, recarregar baterias para mais um ano de trabalho. A bandeira Azul da Europa atesta a qualidade desta praia, "delimitada" por uma extensa Marginal, em calçada portuguesa.

Mata

          Numa extensão com cerca de 3 Km entre Vila Real de Santo António e Monte Gordo, poderá passear tranquilamente num dos vários "caminhos no pinhal", observando o meio ambiente envolvente, observe a vegetação dunar constituída principalmente por estorno (Ammophila arenaria), cordeiros-da-praia (Otanthus maritimus), cardo-marítimo (Eryngium maritimum) e narciso-das-areias (Pancratium maritimum).
Junto a Monte Gordo encontra-se um parque de merendas onde poderá relaxar à sombra dos pinheiros mansos (Pinus pinea). A Mata Nacional das Dunas Litorais de Vila Real de Santo António assume um papel de protecção desta região, funcionando como meio de fixação do sistema dunar, controlando os ventos marítimos e abrigando fauna selvagem. A Mata alberga uma importante população de Camaleão, réptil que tem aqui um dos últimos redutos do seu habitat natural, o solo arenoso dificulta a fixação da vegetação sendo o coberto arbóreo constituído, quase exclusivamente, por Pinheiro-bravo e algumas manchas localizadas de Pinheiro-manso. A mata tem actualmente uma importante função social cuja manutenção é essencial para a valorização da qualidade de vida da população em seu redor.

Ria Formosa

       O Parque Natural da Ria Formosa reúne um conjunto ambiental de rara beleza onde a natureza foi mantida intacta. Desde a zona do Ludo, no concelho de Loulé, até Cacela Velha, no concelho de Vila Real de Santo António, ao longo de cerca de 60 Km, podemos observar um sistema lagunar de grandes dimensões constituído por várias ilhas barreira e 2 penínsulas arenosas que se estende mais ou menos paralelamente à costa, protegendo uma laguna onde se desenvolve um labirinto de sapais, canais, zonas de vasa e ilhotes, a sua constituição sedimentar prende-se sobretudo pela acção das marés, ventos e correntes marítimas, proporcionando um habitat de excepção para inúmeras espécies raras como o camaleão (Chamaleo chamaleon), a marrequinha (Anas crecca), ou a gaivota de cabeça preta (Larus melanocephalus). A maioria da população desta zona dedica-se a actividades ligadas à Ria Formosa - a pesca, a mariscagem e a moliscicultura, sendo esta uma área de produção natural de bivalves com predominância para as amêijoas e ostras. 




Gastronomia

            A região do Algarve é uma região marcada pelo sol, peixe, marisco e gastronomia serrana. Ao longo do Algarve há uma grande diversidade de alimentos na composição da gastronomia tradicional de cada cidade e há diferenças entre o interior e o sul.
Vila Real de Santo António sendo uma cidade algarvia a sua gastronomia é rica e diversificada. Os seus pratos são feitos a partir de alimentos oriundos do mar, tais como: conquilhas, amêijoas, chocos, atum, berbigão e lingueirão, mas em Vila Real de Santo o rei é o atum. Nesta cidade confecciona-se o atum de várias maneiras, no entanto a maior parte dos portugueses conhecem o atum em conservas, entre os pratos típicos de Vila Real de Santo António encontra-se o Arroz de polvo, Arroz de berbigão, Arroz de lingueirão, Choquinhos com tinta, Espinheta (guisado de atum com batatas) e a Estupeta. Os doces típicos de Vila Real de Santo António são: bolinhos de amor, as tartes de amêndoa, os Dom-Rodrigo, as estrelas de figo, o morgado, os bolos de alfarroba e ainda com as “areias’’.
                                                                                                              Arroz de Lingueirão 
Arroz de LingueirãoEstupeta
Estupeta
                                                                                                          Morgado 
MorgadoEstrelas de Figo
Estrelas de figo 

terça-feira, 9 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Castro Marim

Brasão de Castro Marim

Localização

       Castro Marim é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, é sede de um município com 299,83 km² de área e subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte e oeste pelo município de Alcoutim, a leste pela Espanha, a sul por Vila Real de Santo António (território principal) e pelo Oceano Atlântico, a sudoeste pela freguesia de Vila Nova de Cacela (Vila Real de Santo António) e a oeste por Tavira.



História

         Castro Marim, povoação que ressurgiu de velhas civilizações que aí deixaram seus testemunhos, foi conquistada aos Mouros por D. Paio Peres Correia em 1242.
Durante estas lutas da reconquista ficou gravemente fragilizada, tendendo a desaparecer devido a um grande decréscimo populacional. Devido a este problema, os primeiros monarcas concederam-lhe foros, privilégios, concessões e doações, iniciados por D. Afonso III em 1277, confirmados e ampliados em 1282 por D. Dinis, seu filho.
Durante o reinado de D. Afonso III (1245-1279), esta sociedade era constituída por indivíduos de diversas condições sociais. A maior parte da população vivia do cultivo da terra, mas a posição estratégica de Castro Marim retirava do mar e do rio, através da pesca, outros produtos importantes para a economia da região, passando mais facilmente a negociarem os seus produtos com o Reino do Algarve e a vizinha Andaluzia. Com D. Dinis, Castro Marim viu reconhecida a importância da sua localização geográfica, acolhendo por bula decretada pelo Papa João XXII a primeira sede da Ordem de Cristo, em 14 de Março de 1319, a vila desenvolveu-se, inicialmente, dentro das muralhas do Castelo, situado no cimo de uma colina, permanecendo este como cabeça da Ordem, sediada na Igreja Matriz de Santiago, primeira freguesia deste concelho, até ao reinado de D. Pedro I (1320-1367), em 1356, ano da transferência desta Ordem para Tomar. Esta transferência tornou-se num sinal de progressivo desprestígio desta vila, que apesar de ser vila raiana, a população não se fixava, fazendo com que a vila se despovoasse.
Trabalhando no sentido de atrair população à vila, D. Fernando I, que andava em guerra com Castela, concedeu novas mercês e prerrogativas aos vizinhos do lugar em 1372, e reparou as ruínas da vila.
Em 1375, Castro Marim foi novamente entregue, por pouco tempo, à Ordem de Cristo, com os direitos e privilégios de outrora. Com a entrada no século de 400, grandes modificações sofreu o Algarve, já que foi aqui que o Infante D. Henrique, filho de D. João I, Mestre de Avis, encontrou a localização adequada às guerras da conquista ultramarina. Na qualidade de situação defensiva e comercial privilegiada, Castro Marim voltou a ter Foral em 1504 por D. Manuel I (1495-1521).
Castro Marim passou a ter um papel fundamental na luta contra a pirataria muçulmana dada a sua proximidade com Marrocos, tornando-se a principal praça de guerra do Algarve após as obras de restauro que D. Manuel I mandou fazer em 1509 ao Castelo, a vila torna-se num importante ponto de segurança e porto piscatório e comercial, contribuindo para o aumento da população, atingindo o seu apogeu nos séculos XV e XVI. Deste prestígio resultaram o aparecimento de outras duas freguesias, a de Nossa Senhora da Visitação em Odeleite, referida na Visitação de 1534, e a outra, a "Capela Curada do Santo Espírito" (Espírito Santo) do Azinhal, referenciada em 1565. A freguesia da Altura foi recentemente criada em Junho de 1993, alargando o concelho para quatro freguesias administrativas.
Desde os fins da Idade Média até aos séculos XVI e XVII, esta vila foi importante porto piscatório e comercial. Durante o século XVII, com as Guerras da Restauração em 1640, foi o castelo restaurado por ordem de D. João IV e acrescido de novas fortificações como foi o Forte de São Sebastião, ampliando a sua estrutura muralhada. No século XVIII, grande abalo sofreu toda a vila, aquando do terramoto de 1 de Novembro de 1755 que muito a arruinou, pelo que deixaram de ser utilizadas as habitações no interior da muralha medieval. A vila cresceu extramuros sem no entanto nunca conseguir recuperar a importância de séculos passados, agravada pelo nascimento de Vila Real de Santo António, que junto do assoreamento dos esteiros, provocou a sua decadência. 

Bandeira de Castro Marim

Heráldica

Armas: De ouro com um castelo de vermelho aberto e iluminado do campo, sobre um terrado de uma cor e acompanhado das cruzes das milícias do Templo e de Cristo de vermelho. Em chefe, duas chaves de negro cruzadas em aspa, acompanhadas por uma cabeça de carnação branca coroada de ouro e por uma cabeça de negro de turbante de prata. Em contra chefe, quatro faixas o­ndadas, duas de prata e duas de azul. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Castro Marim» de negro.

Bandeira: Esquartejada de vermelho e de negro. Cordões e borlas dos mesmos esmaltes. Haste e lança douradas.

Selo: Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Castro Marim».


Cultura e Turismo

Castelo de Castro Marim

         As populações que habitavam o espaço português conheceram, desde tempos muito remotos, a necessidade de se munirem de estruturas defensivas.
Está a vila de Castro Marim edificada sobre um monte do Castelo, umas das mais significativas invocações que a Idade Média introduziu na paisagem portuguesa, na margem direita do rio Guadiana.
A primeira fortaleza de Castro Marim deveria ter consistido num castro familiar ou de povoamento do período neolítico, levantado na coroa desse monte.
Devido à configuração topográfica e localização estratégica de Castro Marim, foi esta vila povoada por vários povos, entre eles, Fenícios, Cartagineses, Vândalos e Mouros, estes derrotados, aquando da conquista da vila por D. Paio Peres Correia em 1242. Em 1277, D. Afonso III concedeu-lhe Carta de Foral com grandes privilégios para atrair população mais facilmente aquela zona, erguendo a cerca medieval, onde inicialmente, a vila se desenvolveu. A vila cresceu, inicialmente, dentro das muralhas do castelo velho, de planta quadrangular, definido por quatro torreões cilíndricos nos ângulos e um pátio interno, com duas portas de acesso, uma a sul e outra norte.
Mais tarde, no reinado de D. Dinis, compensando a perda de Ayamonte que passou para o domínio de Castela, mandou o rei reforçar a fortificação, ampliando-a com a construção da Muralha de Fora, para abrigo e defesa da população, atraindo-a com a confirmação e ampliação dos privilégios atribuidos pelo seu pai D. Afonso III, concedendo-lhe nova Carta de Foral em 1282.
Durante todo o processo de conquista do Algarve, não se pode descurar a importância do papel das Ordens Militares Religiosas.
Castro Marim pela sua localização geo-raiana conseguiu atrair com a ajuda do rei D. Dinis e pela bula papal instituída pelo papa João XXII, a Ordem de Santiago, que terá herdado os bens da Ordem dos Templários extinta em 1321, instalando a sua sede no Castelo de Castro Marim em 1319 até 1356, ano em que foi transferida, por ordem de D. Pedro I, para Tomar, devido à cessação das lutas contra os mouros e de um progressivo desprestígio da zona. A partir dessa altura, a importância deste Castelo foi diminuindo e a vila começou a despovoar-se, apesar dos privilégios atribuídos pelos monarcas. Com a entrada do século XV, e com o incremento das campanhas ultramarinas, a Coroa Portuguesa encontrou no Algarve o melhor posicionamento geográfico e estratégico, pela proximidade ao Norte de África mantendo, assim, mais facilmente essas praças, controloando-as, para além de controlar possíveis ataques de corsários vindos do sul ou da vizinha Espanha.
Castro Marim tornava-se assim, pela sua localização geográfica, numa das principais praças de guerra aquando do destacamento das nossas tropas além-mar, perdendo o seu apogeu relativamente a outras praças de guerra algarvias durante o século XVI. Durante o reinado de D. Manuel I, com a nova Carta de Foral atribuída a esta vila em 1504, inicou-se relevante obras de restauro e defesa do Castelo, inicadas em 1509. estas obras visaram um duplo objectivo de apoio às conquistas ultramarinas e de vigilância aos possíveis ataques corsários a que esta vila estava sujeita.
Dentro do recinto muralhado, situavam-se as ruínas da Igreja de Santiago, primitiva matriz da vila, construída no século XIV, a Igreja de Santa Maria e antiga Igreja da Misericórdia, junto à porta de Armas, que serviu a população até ao século XVI, altura em que a vila começou a crescer para fora do recinto muralhado, significando o aumento de terra firme, por este motivo e com o incremento das estruturas abaloartadas durante o século XV, mandou D. João IV, aquando das Guerras da Restauração em 1640, dada a importância militar desse ponto, restaurar o Castelo e fazer novas obras de fortificação, construindo o Forte de S. Sebastião e de Revelim / Forte de S. António.

Praias

          Uma pequena faixa do Concelho de Castro Marim estende-se até à costa, o­nde se localizam algumas das mais belas praias do Sotavento Algarvio: são elas a Praia da Alagoa, a Praia Verde e a Praia do Cabeço. Com o passar do tempo, e com o incremento da actividade turística, estas praias têm vindo a ser consideradas como um polo atractivo o­nde o sol impera num ambiente rodeado por uma considerável biodiversidade. Muitas são as razões que atraem a atenção nestes locais: de facto o largo e vasto areal, que culmina num mar de águas calmas e amenas, é apenas uma parte do “pequeno paraíso” que aí podemos encontrar. Um cordão de dunas estáveis e densas, que separa a praia do pinhal, constitui um ecossistema rico, com uma grande diversidade na fauna e na flora, que permite a existência de espécies adaptadas ao meio litoral e continental. Desde giestas ao camaleão, muitas são as espécies que tornam esta zona um reduto de riqueza ambiental que todos podem desfrutar. O fresco da vegetação, combinado com a maresia, criam uma atmosfera especial e atractiva que assim se tem mantido graças em grande parte ao esforço de conservação, em prol de um desenvolvimento sustentável que se pretende que permita às gerações vindouras desfrutar deste rico ecossistema localizado no Sotavento Algarvio. 



Gastronomia

      A cozinha de Castro Marim é tão variada como a sua paisagem, do mar vêm as frescas douradas, robalos e outros peixes para grelhar e o delicioso camarão, do rio, a taínha, as lampreias e enguias para preparar segundo receitas tradicionais, enquanto o sapal fornece caranguejos. Já os suculentos pratos de carne de porco, de favas e de ervilhas e o refrescante gaspacho para os dias de Verão vêm da Serra. Na doçaria destacam-se os doces de figo, as queijadas de amêndoa, o bolo de massa do Azinhal com canela e erva-doce, e as típicas filhós. Do medronho apanhado na serra extrai-se, após lenta destilação, aguardente deliciosa... a melhor maneira de acabar uma refeição.

                                                                                                         Papas de milho 
Papas de MilhoAçorda de Galinha
Açorda de Galinha 

Queijadas de Amêndoa
Queijadas de amêndoa