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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Vila Real de Santo António

Brasão de Vila Real de Santo António

Localização

         Vila Real de Santo António é uma cidade portuguesa no Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, é sede de um pequeno município com 57,53 km² de área e subdividido em 3 freguesias. É um dos poucos municípios de Portugal territorialmente descontínuos,1 dividindo-se numa porção ocidental, a freguesia de Vila Nova de Cacela, e uma porção oriental, onde se situa a cidade e Monte Gordo. A parte oriental é limitada a norte e oeste pelo município de Castro Marim, a leste pelo Rio Guadiana, que define a fronteira com Espanha, município de Aiamonte, e a sul tem litoral no oceano Atlântico; a parte ocidental é limitada a norte e leste por Castro Marim, a oeste por Tavira e a sul tem litoral no oceano Atlântico.


História

        Vila Real de Santo António foi fundada em 1774, por vontade expressa do Marquês de Pombal, perto da foz do Guadiana. A cidade constitui um testemunho histórico importante devido ao facto de ter sido construída de raíz em apenas dois anos, segundo o padrão iluminista do século XVIII, caracterizado pela planimetria, altimetria e volumetria. A vila começou a ser construída em 1774 com base num processo de pré-fabrico e estandardização, técnicas que a Casa do Risco das Obras Públicas empregava desde a reconstrução de Lisboa, ficando em Agosto do mesmo ano concluída toda a parte destinada à Sociedade das Pescarias, foi rápida a sua construção, pois assim o exigiam as contingências da política face a Espanha e a vontade férrea do Marquês de Pombal, ministro do rei D. José I (1714-1777). Iniciada a marcação do plano da cidade em 2 de Março de 1774, em 6 de Agosto estavam já concluídas as Casas da Câmara e da Alfândega, os quartéis e iniciava-se a Igreja.
O final do séc. XIX e as décadas seguintes foram de prosperidade para Vila Real de Santo António. A presença de sardinhas e de atum nas águas do litoral algarvio transformaram a vila num importante centro conserveiro, enquanto o seu porto era demandado pelos barcos que subiam o Guadiana para carregar o minério extraído nas minas de São Domingos. A comprovar o seu dinamismo e riqueza refira-se que foi a primeira localidade do Algarve a ter iluminação a gás (1886). A história do concelho não começa, porém, com a fundação de Vila Real de Santo António. Esta área do litoral foi habitada desde tempos recuados, como comprovam a anta e “tholos” em Nora, perto de Cacela. Os romanos, e mais tarde os árabes, fizeram de Cacela povoação importante. Tomado o seu castelo, em 1240, por D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem de Sant'Iago, Cacela foi o ponto de partida para a reconquista de todo o Algarve.
No Século XVII, os tempos eram outros e os desafios também. A edificação da vila neste importante ponto fronteiriço visava controlar o comércio e desenvolver as pescas, estimulando assim o aparecimento de uma indústria conserveira que se iria manter quase até os nossos dias. O rigor arquitectónico do Marquês de Pombal está ainda hoje integralmente presente e integrado no eixo urbano. A Praça Marquês de Pombal em conjunto com as históricas ruas pombalinas tece a principal área comercial da cidade. Na Praça encontramos um obelisco central, quatro torreões delimitando os vértices e o edifício da Câmara Municipal e Igreja Matriz. Junto ao rio, o edifício da Alfândega, primeiro a ser concluído, a par com os antigos edifícios da Sociedades das Pescarias, divide a cidade em duas metades simétricas, sendo o conjunto rematado por dois torreões que serviam de vigia à vila, para além da sede do concelho, Vila Real de Santo António inclui ainda o aglomerado urbano de Hortas, estendendo-se ao longo do troço da Ex-Estrada Nacional 125 que liga Vila Real à vila de Monte Gordo e as freguesias de Monte Gordo, uma importante estância balnear, e Vila Nova de Cacela. Essse aglomerado está, em termos administrativos, "dividido" entre as freguesias de Vila Real de Santo António e Monte Gordo. Esta última inclui ainda o aglomerado urbano da Aldeia Nova, no troço da Estrada Nacional 125 que liga Monte Gordo à freguesia de Altura, no concelho de Castro Marim.
Uma curiosidade interessante na geografia do concelho de Vila Real de Santo António é justamente o facto da freguesia de Vila Nova de Cacela surgir "separada" das outras duas freguesias do concelho pela freguesia de Altura, que constitui a "saída para o litoral" do concelho de Castro Marim, cuja sede se situa já no barrocal algarvio, a cerca de três quilómetros de Vila Real de Santo António.

Bandeira de Vila Real de Santo António


Cultura e Turismo

            A cultura algarvia tem em Vila Real de Santo António um importante centro de divulgação. Nesta cidade nasceram e trabalharam vários artistas que deixaram a sua marca na literatura, nas artes plásticas, entre outras áreas culturais.
Um dos mais conhecidos é António Aleixo, poeta popular da primeira metade do século XX; famoso pela ironia e crítica social, é um dos mais aclamados poetas algarvios. Também Manuel Cabanas foi uma figura de destaque no panorama artístico vila realense; o Mestre Cabanas, como era conhecido, foi xilogravador e um opositor convicto do Estado Novo. É ainda a cidade natal de Lutegarda Guimarães de Caires, ativista e poetisa, promotora do Natal dos Hospitais e diversas causas sociais em Portugal. Para os turistas que visitem Vila Real de Santo António, existe um variado leque de zonas históricas e de lazer que poderão visitar nas diferentes freguesias do concelho.

Cacela Velha
           
          A cerca de 12 quilómetros da sede do concelho, foi a sua primitiva sede, antes da fundação de Vila Real de Santo António. A sua existência como centro urbano remonta ao tempo dos Romanos e Árabes, embora se lhe atribua origem fenícia. Ao tempo dos romanos, foi uma importante "villa" ligada à pesca e à salga de peixe. No período da ocupação muçulmana tinha muralhas de defesa, após a reconquista cristã, foi vila com foral outorgado em 1283, pelo Rei D. Dinis. Hoje, Cacela Velha é uma pequena povoação onde a agricultura e a pesca constituem ainda a principal actividade das suas gentes, caracteriza-se por casas brancas e térreas, ao estilo algarvio, oferecendo um magnífico miradouro sobre o mar e os vastos areais da Ria Formosa, detém a credencial de Imóvel de Interesse Público desde 23 de Setembro de 1983.

Praia da Manta Rota

           A Praia da Manta Rota, na Freguesia de Vila Nova de Cacela,é uma das mais extensas da Europa, caracterizando-se por águas cálidas e um areal a perder de vista, na "fronteira" entre o mar aberto e o cordão de dunas e ilhas-barreira que constitui a Ria Formosa, menos explorada em termos turísticos que a zona de Monte Gordo, oferece recantos sossegados, mesmo no pico da chamada época alta, em que a maioria das praias da região "fervilha" de turistas. Vastas dunas e frondosos pinheiros quase a beijarem o mar têm contudo atraído, nos últimos anos, cada vez mais pessoas, que procuram também as suas águas cálidas e límpidas. Foi distinguida com a Bandeira Azul da Europa.


Praia de Monte Gordo

          Monte Gordo é uma praia com luminoso areal a perder de vista e águas seguras e cálidas. Essas características ímpares atraíram grande número de turistas estrangeiros, logo a partir da década de 60. No seu limite nasceu um dos primeiros hotéis do Algarve. A Praia de Monte Gordo foi assim o "motor" que transformou, em poucas décadas, uma aldeia de pescadores num grande centro turístico internacional. Nos últimos anos, tem sido feito um esforço de transformar esta praia numa zona balnear verdadeiramente "para todos", dotando-a de acessos para pessoas com mobilidade condicionada. Durante a época balnear, existe também um serviço de cadeiras de rodas anfíbias, os chamados "tiralots", que permite a essas mesmas pessoas disfrutar das cálidas águas da baía, sem paralelo mesmo noutras zonas do Algarve, os muitos snack-bares e restaurantes espalhados pela praia permitem também tomar uma refeição ou uma bebida refrescante sem ter de sair da praia. O areal a perder de vista convida a um passeio, para quem quer ficar em forma ou simplesmente relaxar, recarregar baterias para mais um ano de trabalho. A bandeira Azul da Europa atesta a qualidade desta praia, "delimitada" por uma extensa Marginal, em calçada portuguesa.

Mata

          Numa extensão com cerca de 3 Km entre Vila Real de Santo António e Monte Gordo, poderá passear tranquilamente num dos vários "caminhos no pinhal", observando o meio ambiente envolvente, observe a vegetação dunar constituída principalmente por estorno (Ammophila arenaria), cordeiros-da-praia (Otanthus maritimus), cardo-marítimo (Eryngium maritimum) e narciso-das-areias (Pancratium maritimum).
Junto a Monte Gordo encontra-se um parque de merendas onde poderá relaxar à sombra dos pinheiros mansos (Pinus pinea). A Mata Nacional das Dunas Litorais de Vila Real de Santo António assume um papel de protecção desta região, funcionando como meio de fixação do sistema dunar, controlando os ventos marítimos e abrigando fauna selvagem. A Mata alberga uma importante população de Camaleão, réptil que tem aqui um dos últimos redutos do seu habitat natural, o solo arenoso dificulta a fixação da vegetação sendo o coberto arbóreo constituído, quase exclusivamente, por Pinheiro-bravo e algumas manchas localizadas de Pinheiro-manso. A mata tem actualmente uma importante função social cuja manutenção é essencial para a valorização da qualidade de vida da população em seu redor.

Ria Formosa

       O Parque Natural da Ria Formosa reúne um conjunto ambiental de rara beleza onde a natureza foi mantida intacta. Desde a zona do Ludo, no concelho de Loulé, até Cacela Velha, no concelho de Vila Real de Santo António, ao longo de cerca de 60 Km, podemos observar um sistema lagunar de grandes dimensões constituído por várias ilhas barreira e 2 penínsulas arenosas que se estende mais ou menos paralelamente à costa, protegendo uma laguna onde se desenvolve um labirinto de sapais, canais, zonas de vasa e ilhotes, a sua constituição sedimentar prende-se sobretudo pela acção das marés, ventos e correntes marítimas, proporcionando um habitat de excepção para inúmeras espécies raras como o camaleão (Chamaleo chamaleon), a marrequinha (Anas crecca), ou a gaivota de cabeça preta (Larus melanocephalus). A maioria da população desta zona dedica-se a actividades ligadas à Ria Formosa - a pesca, a mariscagem e a moliscicultura, sendo esta uma área de produção natural de bivalves com predominância para as amêijoas e ostras. 




Gastronomia

            A região do Algarve é uma região marcada pelo sol, peixe, marisco e gastronomia serrana. Ao longo do Algarve há uma grande diversidade de alimentos na composição da gastronomia tradicional de cada cidade e há diferenças entre o interior e o sul.
Vila Real de Santo António sendo uma cidade algarvia a sua gastronomia é rica e diversificada. Os seus pratos são feitos a partir de alimentos oriundos do mar, tais como: conquilhas, amêijoas, chocos, atum, berbigão e lingueirão, mas em Vila Real de Santo o rei é o atum. Nesta cidade confecciona-se o atum de várias maneiras, no entanto a maior parte dos portugueses conhecem o atum em conservas, entre os pratos típicos de Vila Real de Santo António encontra-se o Arroz de polvo, Arroz de berbigão, Arroz de lingueirão, Choquinhos com tinta, Espinheta (guisado de atum com batatas) e a Estupeta. Os doces típicos de Vila Real de Santo António são: bolinhos de amor, as tartes de amêndoa, os Dom-Rodrigo, as estrelas de figo, o morgado, os bolos de alfarroba e ainda com as “areias’’.
                                                                                                              Arroz de Lingueirão 
Arroz de LingueirãoEstupeta
Estupeta
                                                                                                          Morgado 
MorgadoEstrelas de Figo
Estrelas de figo 

terça-feira, 9 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Castro Marim

Brasão de Castro Marim

Localização

       Castro Marim é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, é sede de um município com 299,83 km² de área e subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte e oeste pelo município de Alcoutim, a leste pela Espanha, a sul por Vila Real de Santo António (território principal) e pelo Oceano Atlântico, a sudoeste pela freguesia de Vila Nova de Cacela (Vila Real de Santo António) e a oeste por Tavira.



História

         Castro Marim, povoação que ressurgiu de velhas civilizações que aí deixaram seus testemunhos, foi conquistada aos Mouros por D. Paio Peres Correia em 1242.
Durante estas lutas da reconquista ficou gravemente fragilizada, tendendo a desaparecer devido a um grande decréscimo populacional. Devido a este problema, os primeiros monarcas concederam-lhe foros, privilégios, concessões e doações, iniciados por D. Afonso III em 1277, confirmados e ampliados em 1282 por D. Dinis, seu filho.
Durante o reinado de D. Afonso III (1245-1279), esta sociedade era constituída por indivíduos de diversas condições sociais. A maior parte da população vivia do cultivo da terra, mas a posição estratégica de Castro Marim retirava do mar e do rio, através da pesca, outros produtos importantes para a economia da região, passando mais facilmente a negociarem os seus produtos com o Reino do Algarve e a vizinha Andaluzia. Com D. Dinis, Castro Marim viu reconhecida a importância da sua localização geográfica, acolhendo por bula decretada pelo Papa João XXII a primeira sede da Ordem de Cristo, em 14 de Março de 1319, a vila desenvolveu-se, inicialmente, dentro das muralhas do Castelo, situado no cimo de uma colina, permanecendo este como cabeça da Ordem, sediada na Igreja Matriz de Santiago, primeira freguesia deste concelho, até ao reinado de D. Pedro I (1320-1367), em 1356, ano da transferência desta Ordem para Tomar. Esta transferência tornou-se num sinal de progressivo desprestígio desta vila, que apesar de ser vila raiana, a população não se fixava, fazendo com que a vila se despovoasse.
Trabalhando no sentido de atrair população à vila, D. Fernando I, que andava em guerra com Castela, concedeu novas mercês e prerrogativas aos vizinhos do lugar em 1372, e reparou as ruínas da vila.
Em 1375, Castro Marim foi novamente entregue, por pouco tempo, à Ordem de Cristo, com os direitos e privilégios de outrora. Com a entrada no século de 400, grandes modificações sofreu o Algarve, já que foi aqui que o Infante D. Henrique, filho de D. João I, Mestre de Avis, encontrou a localização adequada às guerras da conquista ultramarina. Na qualidade de situação defensiva e comercial privilegiada, Castro Marim voltou a ter Foral em 1504 por D. Manuel I (1495-1521).
Castro Marim passou a ter um papel fundamental na luta contra a pirataria muçulmana dada a sua proximidade com Marrocos, tornando-se a principal praça de guerra do Algarve após as obras de restauro que D. Manuel I mandou fazer em 1509 ao Castelo, a vila torna-se num importante ponto de segurança e porto piscatório e comercial, contribuindo para o aumento da população, atingindo o seu apogeu nos séculos XV e XVI. Deste prestígio resultaram o aparecimento de outras duas freguesias, a de Nossa Senhora da Visitação em Odeleite, referida na Visitação de 1534, e a outra, a "Capela Curada do Santo Espírito" (Espírito Santo) do Azinhal, referenciada em 1565. A freguesia da Altura foi recentemente criada em Junho de 1993, alargando o concelho para quatro freguesias administrativas.
Desde os fins da Idade Média até aos séculos XVI e XVII, esta vila foi importante porto piscatório e comercial. Durante o século XVII, com as Guerras da Restauração em 1640, foi o castelo restaurado por ordem de D. João IV e acrescido de novas fortificações como foi o Forte de São Sebastião, ampliando a sua estrutura muralhada. No século XVIII, grande abalo sofreu toda a vila, aquando do terramoto de 1 de Novembro de 1755 que muito a arruinou, pelo que deixaram de ser utilizadas as habitações no interior da muralha medieval. A vila cresceu extramuros sem no entanto nunca conseguir recuperar a importância de séculos passados, agravada pelo nascimento de Vila Real de Santo António, que junto do assoreamento dos esteiros, provocou a sua decadência. 

Bandeira de Castro Marim

Heráldica

Armas: De ouro com um castelo de vermelho aberto e iluminado do campo, sobre um terrado de uma cor e acompanhado das cruzes das milícias do Templo e de Cristo de vermelho. Em chefe, duas chaves de negro cruzadas em aspa, acompanhadas por uma cabeça de carnação branca coroada de ouro e por uma cabeça de negro de turbante de prata. Em contra chefe, quatro faixas o­ndadas, duas de prata e duas de azul. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Castro Marim» de negro.

Bandeira: Esquartejada de vermelho e de negro. Cordões e borlas dos mesmos esmaltes. Haste e lança douradas.

Selo: Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Castro Marim».


Cultura e Turismo

Castelo de Castro Marim

         As populações que habitavam o espaço português conheceram, desde tempos muito remotos, a necessidade de se munirem de estruturas defensivas.
Está a vila de Castro Marim edificada sobre um monte do Castelo, umas das mais significativas invocações que a Idade Média introduziu na paisagem portuguesa, na margem direita do rio Guadiana.
A primeira fortaleza de Castro Marim deveria ter consistido num castro familiar ou de povoamento do período neolítico, levantado na coroa desse monte.
Devido à configuração topográfica e localização estratégica de Castro Marim, foi esta vila povoada por vários povos, entre eles, Fenícios, Cartagineses, Vândalos e Mouros, estes derrotados, aquando da conquista da vila por D. Paio Peres Correia em 1242. Em 1277, D. Afonso III concedeu-lhe Carta de Foral com grandes privilégios para atrair população mais facilmente aquela zona, erguendo a cerca medieval, onde inicialmente, a vila se desenvolveu. A vila cresceu, inicialmente, dentro das muralhas do castelo velho, de planta quadrangular, definido por quatro torreões cilíndricos nos ângulos e um pátio interno, com duas portas de acesso, uma a sul e outra norte.
Mais tarde, no reinado de D. Dinis, compensando a perda de Ayamonte que passou para o domínio de Castela, mandou o rei reforçar a fortificação, ampliando-a com a construção da Muralha de Fora, para abrigo e defesa da população, atraindo-a com a confirmação e ampliação dos privilégios atribuidos pelo seu pai D. Afonso III, concedendo-lhe nova Carta de Foral em 1282.
Durante todo o processo de conquista do Algarve, não se pode descurar a importância do papel das Ordens Militares Religiosas.
Castro Marim pela sua localização geo-raiana conseguiu atrair com a ajuda do rei D. Dinis e pela bula papal instituída pelo papa João XXII, a Ordem de Santiago, que terá herdado os bens da Ordem dos Templários extinta em 1321, instalando a sua sede no Castelo de Castro Marim em 1319 até 1356, ano em que foi transferida, por ordem de D. Pedro I, para Tomar, devido à cessação das lutas contra os mouros e de um progressivo desprestígio da zona. A partir dessa altura, a importância deste Castelo foi diminuindo e a vila começou a despovoar-se, apesar dos privilégios atribuídos pelos monarcas. Com a entrada do século XV, e com o incremento das campanhas ultramarinas, a Coroa Portuguesa encontrou no Algarve o melhor posicionamento geográfico e estratégico, pela proximidade ao Norte de África mantendo, assim, mais facilmente essas praças, controloando-as, para além de controlar possíveis ataques de corsários vindos do sul ou da vizinha Espanha.
Castro Marim tornava-se assim, pela sua localização geográfica, numa das principais praças de guerra aquando do destacamento das nossas tropas além-mar, perdendo o seu apogeu relativamente a outras praças de guerra algarvias durante o século XVI. Durante o reinado de D. Manuel I, com a nova Carta de Foral atribuída a esta vila em 1504, inicou-se relevante obras de restauro e defesa do Castelo, inicadas em 1509. estas obras visaram um duplo objectivo de apoio às conquistas ultramarinas e de vigilância aos possíveis ataques corsários a que esta vila estava sujeita.
Dentro do recinto muralhado, situavam-se as ruínas da Igreja de Santiago, primitiva matriz da vila, construída no século XIV, a Igreja de Santa Maria e antiga Igreja da Misericórdia, junto à porta de Armas, que serviu a população até ao século XVI, altura em que a vila começou a crescer para fora do recinto muralhado, significando o aumento de terra firme, por este motivo e com o incremento das estruturas abaloartadas durante o século XV, mandou D. João IV, aquando das Guerras da Restauração em 1640, dada a importância militar desse ponto, restaurar o Castelo e fazer novas obras de fortificação, construindo o Forte de S. Sebastião e de Revelim / Forte de S. António.

Praias

          Uma pequena faixa do Concelho de Castro Marim estende-se até à costa, o­nde se localizam algumas das mais belas praias do Sotavento Algarvio: são elas a Praia da Alagoa, a Praia Verde e a Praia do Cabeço. Com o passar do tempo, e com o incremento da actividade turística, estas praias têm vindo a ser consideradas como um polo atractivo o­nde o sol impera num ambiente rodeado por uma considerável biodiversidade. Muitas são as razões que atraem a atenção nestes locais: de facto o largo e vasto areal, que culmina num mar de águas calmas e amenas, é apenas uma parte do “pequeno paraíso” que aí podemos encontrar. Um cordão de dunas estáveis e densas, que separa a praia do pinhal, constitui um ecossistema rico, com uma grande diversidade na fauna e na flora, que permite a existência de espécies adaptadas ao meio litoral e continental. Desde giestas ao camaleão, muitas são as espécies que tornam esta zona um reduto de riqueza ambiental que todos podem desfrutar. O fresco da vegetação, combinado com a maresia, criam uma atmosfera especial e atractiva que assim se tem mantido graças em grande parte ao esforço de conservação, em prol de um desenvolvimento sustentável que se pretende que permita às gerações vindouras desfrutar deste rico ecossistema localizado no Sotavento Algarvio. 



Gastronomia

      A cozinha de Castro Marim é tão variada como a sua paisagem, do mar vêm as frescas douradas, robalos e outros peixes para grelhar e o delicioso camarão, do rio, a taínha, as lampreias e enguias para preparar segundo receitas tradicionais, enquanto o sapal fornece caranguejos. Já os suculentos pratos de carne de porco, de favas e de ervilhas e o refrescante gaspacho para os dias de Verão vêm da Serra. Na doçaria destacam-se os doces de figo, as queijadas de amêndoa, o bolo de massa do Azinhal com canela e erva-doce, e as típicas filhós. Do medronho apanhado na serra extrai-se, após lenta destilação, aguardente deliciosa... a melhor maneira de acabar uma refeição.

                                                                                                         Papas de milho 
Papas de MilhoAçorda de Galinha
Açorda de Galinha 

Queijadas de Amêndoa
Queijadas de amêndoa 



segunda-feira, 8 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Monchique

Brasão de Monchique

Localização

         Monchique é uma vila portuguesa no distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, é sede de um município com 396,15 km² de área e subdividido em 3 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Odemira, a leste por Silves, a sul por Portimão, a sudoeste por Lagos e a oeste por Aljezur.



História

      No centro de duas grandes serras (Fóia e Picota), o concelho de Monchique entra na história com a presença dos romanos nas Caldas de Monchique, atraídos pelo poder curativo das suas águas. Nos séculos seguintes, a serra foi-se povoando lentamente e no século XVI Monchique era já uma povoação suficientemente importante para merecer a visita do rei D. Sebastião, que pretendeu conceder-lhe o estatuto de vila. A tecelagem da lã e do linho - os sólidos sorrobecos, orianos e estopas dos tempos antigos - entre outras actividades, como as relacionadas com a madeira de castanho, contribuíram para a prosperidade e desenvolvimento de Monchique, de tal forma que em 1773 foi promovida a vila.
As alterações económicas provenientes da industrialização significaram a perda da actividade têxtil e de outras manufacturas. Hoje, Monchique é vila airosa, virada para o turismo, com um artesanato activo e uma economia diversificada.
Possuindo das florestas mais ricas do Algarve, ricas em sobreiros, eucaliptos, castanheiros, entre outros, Monchique tem também como ex-líbris esta mata que dá a conhecer aos seus visitantes através de safaris, parques zoológicos e naturais e expedições pedestres.

Bandeira de Monchique

Cultura e Turismo

           Visitar a serra de Monchique, é visitar uma zona serrana com uma grande diversidade vegetal e clima suave, carinhosamente apelidado de "Jardim do Algarve". Património natural que induz à contemplação. Ribeiros cristalinos que desenham meandros no fundo de vales escarpados. Dotada de elevada qualidade ambiental, a frescura da serra apresenta-se como um contraponto ao caloroso litoral algarvio e Baixo Alentejo. No centro da vila pode desfrutar de uma magnífica vista a partir do miradouro do parque são Sebastião, visitar a igreja Matriz de Monchique datada do início do século XVI, o Convento de Nossa Senhora do Desterro e aproveitar para percorrer as estreitas ruas da vila, contemplando o vasto casario branco com as típicas chaminés de saia e parar para visitar as nossas casas de artesanato. Vale ainda a pena subir a Serra até á Picota ou até ao ponto mais alto do Algarve, a Fóia, de onde se avista uma grande extensão de paisagem desde o Cabo de são Vicente até à Serra da Arrábida. Merecedor de visita é ainda o Moinho do Poucochinho, no Barranco dos Pisões, onde pode se pode fazer um agradável picnic nas suas mesas de pedra e à sombra de uma das muitas árvores classificadas existentes na serra de Monchique - um Plátano. Não deixe de passar pelas Caldas de Monchique onde existe uma pequena praça envolta em grandes árvores e fontes, espaço propício a piqueniques e conheça  ainda as Termas e as suas nascentes de água mineromedicinal, usadas desde tempos antigos para tratamentos. 
Passear pelas localidades de Alferce, Marmelete e Vila de Monchique, desfrutar do património arquitectónico, histórico e cultural a par das muitas belezas naturais e provar a gastronomia tradicional, o mel, os doces, o medronho, é a nossa sugestão.

Caldas de Monchique

             A pouca distância do centro de Monchique, as Caldas são um dos seus maiores atractivos. Tem reputação a boa qualidade da água, considerada medicinal; as termas (hoje em dia dedicadas ao tratamento de algumas doenças), existem desde o tempo da ocupação romana. Este povo, que tanta importância deu à água, construiu neste local um importante balneário. Uma pequena praça envolta em sombras de grandes árvores é o centro desta pequena localidade, cujo encanto principal vem do parque onde se pode disfrutar de muita sombra, água murmurante, e, sobretudo, da grande tranquilidade que caracteriza este espaço propício a passeios repousantes e a piqueniques familiares nas mesas de pedra espalhadas por toda a colina. Dos romanos aos nossos dias, com períodos de glória, de controvérsia, da simples observação dos "milagres" da água ao estudo das suas características e compreensão dos benefícios da sua utilização para a Saúde, uma linha de pensamento perdura. Bicarbonatada, sódica, rica em flúor esta água é indicada principalmente no tratamento das afecções das Vias Respiratórias e Músculo – Esqueléticas.
Irrigação Nasal, Aerossol Sónico, Nebulizações, Piscina e Banheiras de Hidromassagem, Duche de Vichy, Duche de Jacto e Aplicação de Lamas são alguns exemplos de tratamentos termais possíveis de se realizar na estância. A Água Termal das Caldas de Monchique, bicarbonatada, sódica e rica em fluor é indicada particularmente para Afecções das Vias Respiratórias, Afecções Musculo-Esqueléticas, permitindo ainda Tratamentos de Beleza.

Centro de Monchique

           As casas têm a arquitectura algarvia tradicional nas paredes brancas, nas cantarias, nas manchas de cor das portas e janelas, embora exibam as típicas chaminés de saia, tão diferentes do litoral. O facto de treparem por colinas íngremes, de as ruas estreitas abrirem a cada passo novas perspectivas sobre a serra verdejante, dá-lhes, porém, um certo exotismo, aumentado pela presença de cameleiras e hortênsias, de árvores de fruto, evocadoras de jardins e pomares. Justificação para um prolongado passeio de descoberta de um recanto diferente do Algarve. Para apreciar bem como Monchique é uma vila linda, importa ir até ao largo de São Sebastião. O casario branco parece descer em degraus pelas encostas da serra, pequeno presépio envolto em verdes, flores e frescura.













Gastronomia

         A gastronomia doconcelho, resulta de saberes seculares e de usos e costumes tradicionais que se misturam com a imaginação presente no dia-a-dia das famílias da região de Monchique.
Tem por base os enchidos tradicionais como a chouriça, a farinheira, o molho e a morcela, sem esquecer o presunto, produtos cuja qualidade deram origem à “Feira do Presunto” e à muito apreciada “Feira dos Enchidos Tradicionais de Monchique”.
De entre os pratos típicos salientam-se a conhecida couve à Monchique, a assadura, o feijão com couve, feijão com arroz, grão com massa, todas confeccionadas à base de carne de porco preto, que  podem facilmente ser encontradas nos principais restaurantes. Embora o tempo passe, a cozinha tradicional continua a passar de gerações em gerações sem se perder.
A doçaria regional é muito diversificada e particular da região, como é o exemplo do Bolo de Tacho/Maio confeccionado à base de mel apenas em Monchique, no dia 1 de Maio. Destacam-se, ainda, os folares da Páscoa, o Dom Rodrigo, o pudim de mel e as filhós que poderão ser encontradas em suas épocas nas pastelarias existentes.
                                                                                                        Feijão com couve 
Feijão com CouveAssadura
Assadura 
                                                                                                        Dom Rodrigo 
Dom RodrigoBolo do Tacho
Bolo do tacho