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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Mértola

Brasão de Mértola

Localização :

          Mértola é uma vila portuguesa do distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, a vila encontra-se situada numa elevação na margem direita do rio Guadiana, imediatamente a montante da confluência da ribeira de Oeiras.
É sede de um dos maiores municípios de Portugal, com 1 279,40 km² de área e subdividido em 9 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios de Beja e de Serpa, a leste pela Espanha, a sul por Alcoutim e a oeste por Almodôvar e por Castro Verde.


História : 

         Nas terras deste concelho existem vestígios de Mértola ter sido um entreposto comercial importante na época dos Fenícios, Cartagineses, Romanos e Árabes, devido à existência de via fluvial e terrestre com ligação ao sul da península.O seu nome originalmente seria Myrtilis, na época romana, passando posteriormente a ser Mértola. Os Árabes deixaram uma fortaleza ocupada pelos cristãos, e uma mesquita, que viria a ser transformada em igreja paroquial da sede do concelho. Em 1238, D. Sancho II conquistou Mértola aos mouros, doando a vila à Ordem de Sant'Iago para esta a repovoar.
No século XIII, iniciou-se o povoamento definitivo destas terras, facto comprovado pelos achados arqueológicos dessa época. Em Alcaria Longa existem diversos testemunhos da presença de comunidades pastoris. Recebeu novo foral em 1512 outorgado por D. Manuel, no século XIX e ainda no século XX, a economia de Mértola dependia muito da exploração das minas de S. Domingos, que se transformaram num grande centro de extração de pirite cúprica.

Bandeira de Mértola

Cultura e Turismo : 

          A nível do património arquitectónico, são de realçar o Campo Arqueológico de Mértola, que apresenta um vasto programa museológico, sendo Mértola considerada uma vila-museu com diferentes áreas de intervenção e investigação, organizadas em três núcleos: o Núcleo Romano, o Núcleo Visigótico, que inclui uma basílica cristã, e o Núcleo Islâmico, onde se pode ver uma das melhores colecções portuguesas de arte islâmica (cerâmica, numismática e joalharia). De destaque ainda é o Castelo de Mértola, medieval, que culmina no morro com duas torres – a torre de menagem, que foi construída em 1292 pelo primeiro Mestre da Ordem de Santiago. Existem alguns torreões amparando muralhas, em grande parte obra de mouros, mas com muita silharia romana. Referência também para a Igreja de Nossa Senhora da Anunciação, matriz de Mértola, dos séculos XI-XIII e que sofreu alterações no século XVI, em estilo manuelino e renascentista.
Destaca-se ainda o Santuário de Nossa Senhora de Aracelis ou Araceles e o património mineiro, como o porto de escoamento do Pomarão, o bairro dos mineiros e as suas infra-estruturas, que constituem marcos importantes da época de exploração mineira.



Gastronomia : 
                                                                                                            Bolo de Requeijão 
Bolo de Requeijão Migas de Mértola
Migas de Mértola  

Nógados de Mértola
Nógados de Mértola
      

terça-feira, 2 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Castro Verde

Brasão de Castro Verde

Localização : 

          Castro Verde é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, é sede de um município com 567,31 km² de área e subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a Norte pelos municípios de Aljustrel, e de Beja, a Este por Mértola, a Sul por Almodôvar e a Oeste por Ourique.
Castro Verde está situado no Baixo Alentejo, na região do Alentejo, num território conhecido como o Campo Branco. Uma grande parte do território do município encontra-se dentro de uma zona da Rede Natura 2000 da União Europeia, representadas por uma Zona de Protecção Especial (ZPE) para as espécies de aves estepárias ameaçadas como a abetarda e o peneireiro-das-torres.3 As fronteiras do município são marcadas nas bermas das estradas que conduzem até aos limites do território com o emblema logótipo do concelho - o marco do município - "Uma janela sobre a planície".



História : 

           Desde há cerca de 3000 anos que a paisagem da região de Castro Verde é objecto de uma profunda humanização. Marcada pela presença de comunidades humanas que teriam na exploração mineira e na pastorícia as suas principais actividades, desde cedo que aqui se instalam estruturas comunitárias fortemente desenvolvidas, conhecedoras da escrita e com profundos “contactos comerciais" com o Mediterrâneo. Exemplo do extraordinário desenvolvimento e conhecimento da escrita dessas comunidades, é o famoso Silabário da Espanca, pedra gravada com caracteres de origem fenícia, dos séculos V/IV a.C., e que terá servido como suporte para ensinar um dos mais antigos abecedários conhecidos na Europa, denominado por "Escrita do Sudoeste". Nessa “pedra” estão, na parte superior 27 letras cuidadosamente desenhadas, enquanto na parte inferior existe uma cópia do “alfabeto” em cima lavrado na lousa. 
É de sempre que toda esta região se encontra ligada ao mundo mediterrânico. A sua riqueza metalífera está, indubitavelmente, na origem desta realidade histórica, tantas vezes retratada por várias autores. Em particular, porque o concelho de Castro Verde é atravessado pela Faixa Piritosa Ibérica, que se caracteriza pela formação de ocorrências metálicas de fácil exploração, onde abundam o cobre, a prata, o estanho e o ouro. As escavações realizadas no couto mineiro de Neves-Corvo, ou os diversos achados ocasionais referenciados em locais como o Castelo de Montel, são bem a prova da riqueza deste território já profundamente conhecido pelos povos mediterrânicos ainda antes do advento dos “romanos”. A chegada destes à região traz a multiplicação de vias de comunicação e, em particular, dos chamados castella, cronologicamente datados dos séculos II/I a.C., normalmente associados a estruturas de armazenamento e guarda de metais preciosos, e que se distribuem em particular na região de Castro Verde, estando localizados neste concelho cerca de 65% desses conjuntos edificados.
A proximidade do porto fluvial de Mértola e a importância que as minas de Aljustrel têm para as receitas imperiais, fazem de toda esta região um território particularmente romanizado que poderá estar na origem do nome de Castro Verde, eventualmente um espaço utilizado como acampamento militar. Para a justificação da origem do topónimo Castro Verde há, pelo menos, duas versões. Uma primeira defende que deriva de Castra Castrorum, a que se juntou o adjectivo verde que significaria o mais novo. Mais consistente é a versão que defende a origem do topónimo do nome Castrum Veteris, o castro mais antigo, em contraposição com um outro que existiria no pequeno planalto onde actualmente se encontra a capela de S. Martinho e que terá sido abandonado na Idade Média. O termo “Castro” deriva de castrum, estabelecimento ou acampamento militar.  Mas é em Santa Bárbara de Padrões que mais fortemente se manifesta a presença romana, através dum testemunho único e de dimensão internacional. Junto ao local onde actualmente se encontra a Igreja Matriz, e ao longo de toda a encosta nascente da aldeia, encontra-se um importante povoado de época romana, onde para além dos vestígios dum espaço religioso basilical, se descobriu um depósito de lucernas, cuja cronologia se baliza entre o século I e III d.C., tendo sido recolhidos fragmentos de mais de dez mil lucernas. Uma colecção que pode ser visitada no Museu da Lucerna, localizado em Castro Verde. Para muitos autores, este local corresponderia ao antigo oppidum de Aranni ou Arandis, referenciado no Itinerário de Antonino como estação intermédia entre Ossonoba (Faro) e Pax Julia (Beja) e distante da primeira daquelas cidades cerca de 60 milhas (aproximadamente 90 quilómetros). Associado ao processo de romanização e, em particular, a partir do século III d.C., está o aparecimento de estruturas de carácter fundiário identificadas como villae, que se podem associar em termos de funcionalidade aos nossos “montes alentejanos” da primeira metade do século XX, em que, de uma forma simplista, o proprietário procura que a sua propriedade seja auto-suficiente e, ao mesmo tempo, crie excedentes para venda ou troca. Em todo o concelho essas propriedades marcam o território e estabelecem uma lógica de ocupação territorial baseada genericamente na auto-suficiência que se estende até à ocupação islâmica, no século VIII d.C..  Inicia-se então uma fórmula de ocupação do território distinta, assistindo-se a um aumento generalizado da população, a uma maior concentração populacional e ao natural aparecimento de pequenos núcleos populacionais designados por alcarias. No concelho de Castro Verde e, em particular, na faixa que corresponde administrativamente à freguesia de Santa Bárbara de Padrões, essas qarias são em grande número e correspondem a pequenas comunidades, tradicionalmente identificadas como clãs, que têm na exploração dos recursos endógenos e, em particular, das ricas pastagens e eventualmente de pequenos afloramentos metálicos, realidades naturais e geológicas que caracterizam os Campos de Ourique. Topónimo que identifica a sudoeste do Baixo Alentejo. A região de Castro Verde está intrinsecamente ligada ao processo de formação de Portugal e ao fundador. A lendária Batalha de Ourique, em que Afonso I “derrota cinco reis mouros”, tem como pano de fundo o sítio de S. Pedro das Cabeças, localizado a cerca de quatro quilómetros de Castro Verde. Conta a lenda que a batalha decorreu nos dias 24 e 25 de Julho, do ano de 1139, e que a mortandade foi tanta que as águas da Ribeira de Cobres se tingiram de vermelho. No entanto, e apesar da lendária e vitoriosa batalha, a Reconquista cristã só se apodera, definitivamente, desta região no reinado de Sancho II, em meados do século XIII, à volta do ano de 1234, quando é conquistado o Castelo de Aljustrel. 
A nova realidade política e religiosa, introduz uma nova estrutura socio-económica na região de Castro Verde. Ainda tendo a criação de gado como pano de fundo, mas dando ao cultivo de cereais uma muito maior importância. O concelho, assim como toda esta região, é então priorado da Comenda de Santiago, que tem como donatários os Duques de Aveiro. O concelho de Castro Verde resume-se à realidade administrativa centrada na actual sede de concelho e das pequenas hortas que a cercam. Casével e Entradas ganham autonomia administrativa. Santa Bárbara de Padrões pertence ao concelho de Padrões. S. Marcos da Atabueira pertence a Mértola.  O desenvolvimento da agricultura "extensiva" leva ao reaparecimento das estruturas agrárias, tipo monte alentejano, cuja organização se manteve quase até aos nossos dias. Contudo, a pastorícia assume-se como factor fundamental na vida económica da região. São os Campos de Ourique que nos séculos XVI e XVII são, por natureza, o destino para as invernias dos grandes rebanhos vindos de Castela e da Serra da Estrela, tendo por isso, o fenómeno da transumância, marcado fortemente económica, social e culturalmente o concelho. Na vila de Padrões realiza-se uma importante feira de gado que irá ser substituída mais tarde pela Feira de Castro, que ainda hoje é tida como uma das mais importantes feiras do Sul de Portugal. Nasce no ano de 1620, por ordem de Filipe II, com o objectivo de que o resultado dos terradegos, ou dos impostos provenientes da venda dos locais de venda nas feiras, fosse utilizado nas obras da Igreja dos Remédios. 
O concelho de Castro Verde é então um território diminuto. Entradas, Casével e Castro Verde são concelhos autónomos que têm em D. Manuel I, entre 1510 e 1512, o donatário dos forais que lhes dão a dignidade de cabeça de município. E Castro Verde assume uma importância superlativa ligada à lendária batalha de Ourique, que leva o Rei D. Sebastião, na sua breve passagem pela vila em 1573, a promover a construção da Igreja Matriz, como forma de assinalar o desfecho maior para as hostes cristãs. Da mesma forma, é do século XVII a Igreja dos Remédios que, marcada por uma rica iconografia regional, guarda os traços de dois pintores fundamentais da imaginária do sul: os pintores Pardalinho e Diogo Magina. O concelho de Castro Verde tem no período histórico que medeia o século XVI e o século XIX, um tempo de assinalável riqueza económica que se reflecte, muito particularmente, no número de monumentos religiosos que aparecem representados em todo o seu território administrativo que, à época, se divide em cinco concelhos: Castro Verde, Casével e Entradas como sede de concelho. Santa Bárbara como parte integrante do concelho de Padrões. E S. Marcos da Atabueira como freguesia integrante do concelho de Mértola.  A 6 de Novembro de 1836, no âmbito da reforma do Código Administrativo de Passos Manuel, que extingue 466 dos 817 concelhos do reino, são integrados no concelho de Castro Verde os territórios de Entradas, Santa Bárbara e S. Marcos da Atabueira. Casével é então deslocado para o renovado concelho de Messejana. Só a 24 de Outubro de 1855, no âmbito da reforma administrativa de Rodrigo da Fonseca Magalhães, Ministro do Reino de D. Pedro V, quando é extinto o município da Messejana, é que Casével integra definitivamente o Município de Castro Verde. 
Castro Verde é um concelho de carácter profundamente rural e assim entra no século XX. E neste mundo de natureza rural, o mundo do sagrado tem na região um tempo de culto imemorial, profundamente representado nos seus templos que se distribuem por toda a área do concelho. Ermidas e capelas, igrejas e pequenos templos. Nessa religiosidade ancestral que caracteriza as populações desta região, esses espaços marcam a paisagem e os séculos. Da mesma forma que se reflecte nas tradições culturais e nos costumes que, ainda hoje, marcam regularmente as manifestações culturais e os rituais das gentes de Castro Verde.

Bandeira de Castro Verde

Heráldica : 

Armas: de prata, castelo de verde, aberto e iluminado de vermelho. Em chefe, à dextra, cinco escudetes de azul postos em cruz com dois flancos virados para o centro e todos carregados de cinco besantes de prata. 

Bandeira: esquartelada de branco e vermelho, haste e lança de ouro, cordões e borlas de branco e vermelho. Em chefe, à sinistra, cruz de Santiago de vermelho. Em contra-cheque, duas espigas de trigo amarelo-torrado cruzadas e sobrepostas a uma picareta de mineiro de negro colocada ao eixo do escudo. Escudo Nacional encimado por uma coroa mural de quatro torres de prata. Listel Branco com letras a negro: MUNICÍPIO DE CASTRO VERDE. 

Selo: circular com as peças do escudo inscritas ao centro e rodeadas de um listel com a frase: “MUNICÍPIO DE CASTRO VERDE”.


Cultura e Turismo : 

       Um dos seus mais bonitos monumentos é a Basílica Real, com espantosos azulejos que retratam cenas da Batalha de Ourique, na qual, reza a lenda, D. Afonso Henriques venceu cinco reis mouros, expulsando-os da região e conquistando o sul do país. Castro Verde é uma terra de encontros. É o ponto de encontro de todos os caminhos que há séculos e séculos construíram e constroem as planuras e serras do ocidente peninsular. Gentes calcorreando caminhos atrás dos gados; mineiros procurando na terra o brilho dos metais; gentes lançando a semente à terra do seu sustento. Neste mosaico social e económico, Castro Verde construiu e constrói a sua cultura, os seus hábitos, as manifestações do seu património de raízes imemoriais. Expressões visíveis no seu artesanato, nas feiras, no saber estar destas gentes campaniças. Mas é o cante que reflecte um dos traços culturais mais genuínos do concelho, onde sempre se cantou de modo muito próprio, traduzindo uma oralidade muito rica. Agora o cante é dinamizado pelos grupos corais, que organizados em associações procuram dinamizá-lo, de forma a transmitir às novas gerações os sons únicos deste cantar de Castro. Ainda é possível ouvi-lo ao final da tarde em algumas tabernas, nas ocasiões em que o petisco e o convívio o proporcionam, e se o “cante” é um dos mais puros reflexos do património cultural desta região, a viola campaniça, instrumento cordiforme, tem aqui um dos seus últimos redutos e depositários da memória musical dos descendentes dos instrumentos de cordas medievais. Utilizada para acompanhar o cante de despique e baldão, bem como algumas modas campaniças, o seu som oferece emoções únicas e diferentes. Outrora era instrumento utilizado nos bailes populares. Ao longo de todo o ano, são estes e outros “bailhos” uma forma de reencontro da comunidade castrense. Na Pinha, na Semana Santa, nos Santos Populares, nas festas religiosas ou nas simples comemorações de aldeia. Mas a Feira de Castro continua a ser o ponto de encontro destas culturas musicais transtaganas, mescladas num sabor de Sul que pouco a pouco os tempos vão apagando. Contudo, aqui ainda resiste um certo exotismo que nos oferece, em particular, o sábado e o domingo da feira. Feira centenária, foi criada em 1620/1621 por Filipe III, com o intuito de reverter as receitas do terradego (imposto por ocupação de espaço na feira), na construção ou restauro da Igreja das Chagas do Salvador, agora os Remédios, que a tradição dizia ter sido mandada construir por D. Afonso Henriques. O pedido dos castrenses foi atendido pelo rei filipino, mas removendo a feira que se realizava então na Vila de Padrões. E a feira foi-se construindo ao longo dos séculos assente numa lógica profundamente comercial para toda a região sul. “Quem vai à Feira de Castro /E se apronta tão bonito /Não pode acabar a Feira /Sem entrar no bailarico /Sem entrar no bailarico /A modos de bailação /Ai que me deu um fanico /Nos braços de um manganão…”. É esta melodiosa envolvência que Paulo Abreu e Rui Veloso imortalizaram numa canção bem recente, que ainda veste a Feira de Castro dos dias de hoje. Ali tudo se vende. Roupa, plásticos, loiça, cadeiras de verga, as últimas novidades “made in china”, produtos hortícolas, frutos secos e artigos regionais. A feira é um leque interminável de cores, de vozes, de falares num rendilhado quantas vezes ininteligível. A Feira de Castro é o espaço de reencontro. Entre a tradição e a modernidade. O ontem e o hoje. As gentes de hoje trazendo as memórias de ontem. E aqui, a tradição oral que a Feira invoca, renasce no cante ao baldão, no cantar ao desafio, nas expressões tradicionais de transmissão do património imaterial. O concelho de Castro Verde carrega nas suas vivências este património da idade dos homens. E é dessa memória que faz os novos caminhos. Um largo caminho que começa quando os primeiros povos mediterrâneos chegam aqui em busca dos minérios destes campos de cobre, estanho, ouro e prata. Os mesmos metais nobres que entre o século I a.C. e o século III d.C. os romanos exploraram na região, levando-os a construir uma impressionante grelha de pequenos entrepostos em todo o território, os castella, e que ainda hoje se assumem como referentes paisagísticos no suave ondulado destas terras. Castelo do Vale de Mértola, Castelo das Juntas ou o Castelo das Amendoeiras, são alguns desses sítios que entretanto terão sido reutilizados como villae agrícola. Mas do processo de romanização, o Castelo Velho do Cobres é, sem dúvida, a grande estrutura amuralhada que marca a ocupação protohistórica no concelho de Castro Verde. A riqueza das pastagens do “Campo Branco” e, em particular, das terras da região de Castro Verde, leva ao aparecimento de pequenos aglomerados agro-pastoris em particular no território dos concelhos de “Entradas”, “Padrões” e Castro Verde. E é com os processos de transumância dos séculos XV/XVIII, que todo o concelho vai ganhar uma personalidade económica de invejável pujança, que leva ao aparecimento de um importante conjunto de edifícios religiosos, demonstrativo da importância social deste “concelho” na estrutura sócio-económica da região, procure e desfrute os olhares, os sons e os saberes do concelho. 
O concelho de Castro Verde tem no seu espaço geográfico um conjunto de actividades que contribuem para a riqueza do mosaico artesanal do Alentejo. O artesanato é aqui um hino às mãos.
Aqui, o cadeireiro ainda encontra no buínho o melhor material para criar o entrelaçado para o melhor dos assentos. A tecedeira, ao som da velha cantiga do tear, continua a transformar a lã em mantas e em meias. Há artesãos que fazem réplicas dos objectos reais do quotidiano socioeconómico de outros tempos, em miniaturas de beleza fascinante. Há rendas, meias de linha e tapetes de tipo Arraiolos. Novas ceramistas moldam o barro com as cores do Alentejo. E, a crescer, há aventuras na construção da rara Viola Campaniça. As mãos são um instrumento fundamental no reino dos velhos ofícios. As mãos sensíveis do moleiro apuram a finura do trabalho da mó na farinha que, acompanhada de outros ingredientes, há-de sentir as mãos de quem ainda a transforma no pão alvo que cresce no velho forno com cheiro à esteva, que serviu para aquecer as suas paredes seculares.
As mãos das boleiras guardam os segredos das queijadas de requeijão e dos folhados de gila, tal como as cozinheiras, de alguns restaurantes, conhecem os milagres das ervas aromáticas na comida da nossa terra. O Posto de Turismo de Castro Verde ajuda-o a descobrir o mundo das nossas mãos, do artesanato, da gastronomia... incluindo as mãos de outros tempos, as mãos que fizeram monumentos e costumes. 
Com uma paisagem pouco acidentada, de vegetação parca, solos xistosos e terras claras, a região de Castro Verde é o coração do Campo Branco. O coberto vegetal esclerófilo, de folhagem dura, caracteriza-se por manchas raras de azinheiras, alguns sobreiros e pequenas cercas de olival. Aqui e ali, pequenas linhas de água rasgam a morfologia padronizada na planície deste concelho. Duas pendentes caracterizam a região de Castro Verde, fazendo correr as águas de Inverno para o Guadiana e para o Sado. Duas bacias hidrográficas marcadas, a primeira, pelas ribeiras de Cobres e Maria Delgada, Terges e Oeiras; a segunda, pelos barrancos da Gata, do Montinho e das Almoleias. Os sistemas cerealíferos extensivos e as pastagens seminaturais que caracterizam o concelho de Castro Verde, têm marcado sistematicamente, e durante centenas de anos, o território natural do concelho. Padrão de ocupação do solo muito particular, terra limpa, com rotações de cereais e pousios longos. Neste habitat pseudo-estepário, adaptaram-se várias espécies de aves, hoje na sua maioria em vias de extinção. A Abetarda, a verdadeira rainha da estepe, o Sisão, o Cortiçol de Barriga-Preta, o Penereiro-das-Torres, o Grou, o Rolieiro, a Cegonha Branca, entre muitas outras, compõem a riqueza do mosaico natural, que está momentaneamente protegido pelo Projecto Biótopo Corine. 



Gastronomia : 

          A cozinha do Campo Branco cumpre as regras simples da cozinha alentejana. Sabores únicos que obedecem à mão centenária do saber fazer das gentes campaniças. Esta é uma cozinha dos sabores da terra. O borrego é a base de muitos pratos. Tal como a lebre ou a perdiz. Naturalmente, o porco alentejano. A cozinha da região mistura o requinte do saber fazer com os produtos produzidos na região. Aventure-se a procurar neste concelho os sabores nascidos da terra, Sopas de pão, Açorda, Migas e Ensopado de Borrego, podemos encontrar estes pratos nos vários restaurantes de Castro Verde. Cabeça de Borrego Assada, especial destaque para a mítica Taberna do João das Cabeças, onde este é o prato típico e com um sabor único. Folhados de gila, Queijadas de requeijão, Popias de espécie e Popias brancas, estas são as maiores especialidades nestas terras do Campo Branco. Sabores inconfundíveis e convidando ao desfrutar prolongado.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Ourique

Brasão de Ourique

Localização : 

       Ourique é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, é sede de um município com 660,15 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios de Santiago do Cacém e Aljustrel, a leste por Castro Verde e Almodôvar, a sul por Silves e a oeste por Odemira. O território de Ourique, em termos geomorfológicos, faz a transição entre a peneplanície – dominante a Norte e na maior parte do espaço geográfico do concelho – e a serra de Monchique, na sua área Sul, numa passagem das planuras secas para uma orografia mais vigorosa, de maior altimetria média, e com um óbvio aumento do regime pluvial.
A peneplanície de predominância cerealífera integra-se na estepe cerealífera do Baixo Alentejano, o Campo Branco de Leite de Vasconcelos, cuja designação provém quer do aspecto topográfico de baixa variabilidade altimétrica, quer das condições biológicas dos ciclos naturais, quando na Primavera, os campos se cobrem de flores brancas (a profusa magaça ou camomila) e depois, no Verão, as terras se desnudam de vegetação e transformam em terrenos de cor esbranquiçada, dada a falta de água e as suas próprias características pedagógicas. De facto, os solos são de muito fraca capacidade agrícola, cuja produtividade foi ainda mais exaurida com as práticas de sobreexploração e intensidade relacionada com a célebre Campanha do Trigo. No entanto, estes solos, pobres e muito pobres, continuam a ser utilizados para o cultivo de cereais, num sistema agrícola caracterizado por rotações (de três e cinco anos), com pousios e pastagens semi-naturais.
Em termos climáticos, a região apresenta duas estações anuais bem definidas (Inverno, frio e pouco chuvoso, e Verão, muito quente e seco, com temperaturas que ultrapassam com frequência os 40° C), podendo ser designada como de regime mediterrânico. A pluviosidade é baixa, com regimes de precipitação irregulares, com grandes variações de ano para ano. A rede hidrográfica é marcada pelas bacias dos rios Sado e do Mira, rio que cruza longitudinalmente o concelho na sua parte mais estreita, nas proximidades de Fernão Vaz/Castro da Cola. A barragem do Monte da Rocha e parte significativa do regolfo da barragem de Santa. Clara são duas fontes hídricas importantes que marcam e caracterizam a paisagem e as actividades humanas na região. Em termos de cobertura vegetal, predomina a estepe cerealífera, algum montado e, na área Sul do concelho, a de relevo mais movimentado dada a aproximação e integração na serra, afirma-se o coberto de características mediterrânicas e o pinhal.
A planície estepária é caracteristicamente desarborizada, mas concentra uma diversidade avifaunísticas muito importante e única.



História : 

         A fundação de Ourique é tradicionalmente datada de 711, ano da entrada dos muçulmanos na Península Ibérica. Contudo, vários factores apontam para uma existência mais recuada. São conhecidos diversos assentamentos populacionais, desde os tempos pré-históricos, locais documentados por diversas campanhas arqueológicas. 
Desde o Paleolítico, Calcolítico, Idade do Ferro e do Bronze, às presenças proto-históricas, romanas, celtas, árabes, um grande número de povos se cruzaram nestas terras. Quanto à origem do topónimo de Ourique, esta poderá estar entre Ouro (pela proximidade com explorações auríferas) e Orik (da palavra árabe para desgraça ou infortúnio, no seguimento da derrota mourisca na Batalha de Ourique). Dever-se-á também aos muçulmanos a edificação do Castelo de Ourique, estrutura militar lendária e que ainda hoje preenche memórias. Este Castelo terá, com toda a probabilidade, alternado várias vezes entre o Crescente e a Cruz, consoante a sorte de armas. Nos tempos da reconquista teria um papel essencialmente de atalaia defensiva, tendo como guarda avançada o Castro da Cola. Uma das referências mais importantes ao nosso Castelo é feita pelo cronista árabe Ahmed Benmohmed Arrazi que, no século X, se lhe refere como um dos mais fortes do termo de Beja.
A importância geográfica e estratégica de Ourique e do seu território, ou termo, é reconhecida ao longo dos séculos, pelo que sempre desempenhou ao Sul um importante papel militar e comercial, ao estabelecer ligação com o vale do Sado e com a serra algarvia. Desta forma, constituiu-se como uma das componentes centrais na conquista do território aos muçulmanos, tendo sido testemunha da célebre Batalha de Ourique. 
A Batalha de Ourique, ocorrida nos Campos de Ourique a 25 de Julho de 1139, foi decisiva para a Independência de Portugal. Lideradas por Afonso Henriques, as tropas cristãs venceram com grandes dificuldades os muçulmanos comandados pelo governador de Santarém. Segundo a lenda, antes da refrega Cristo terá aparecido a Afonso Henriques, garantindo-lhe a vitória, confiando nas motivações religiosas que moviam o nosso Príncipe. Desta forma, a Batalha que se seguiria estava, de certa forma, protegida pelo poder divino. A vitória em toda a linha contra os “cinco reis mouros”, permitiu que em seguida e em pleno campo da peleja, Afonso Henriques fosse aclamado pelo seu exército como Rei de Portugal. As Armas da Vila de Ourique evocam este passado glorioso: num campo de sangue, um guerreiro (representando El-Rei D. Afonso Henriques), vestido de ferro, com o braço direito levantado empunhando uma espada, monta um cavalo, sobre terra firme. Ourique tem também uma grande tradição pecuária, numa zona que corresponde aos Campos de Ourique. Esta localização resulta na concessão da Carta de Feira Anual por D. Dinis, em 14 de Junho de 1288. Esta feira tinha a duração de um mês (de 15 de Abril a 15 de Maio).
Já na primeira metade do século XIII o termo de Ourique foi frequentemente zona de atrito entre oficiais régios e da Ordem de Santiago, os primeiros interessados na actividade pecuária, enquanto que os segundos queriam conservar os montados ameaçados pela pressão dos pastores e dos seus gados. Os pastos de Ourique constituem-se, até finais do século XIV, como os mais vastos do reino, a relevância económica que Ourique vinha alcançando foi premiada por D. Dinis. Em 8 de Janeiro de 1290, e estando o Rei Lavrador em Beja, foi concedida Carta de Foral a Ourique, sendo por isso elevada a Vila, algo que significou a emancipação da localidade. Mais tarde torna-se também Cabeça de Comarca, tendo a jurisdição de muitos concelhos limítrofes. A Vila de Ourique pertenceu à Ordem de Santiago, andando a sua Comenda na Casa dos Condes de Unhão. Gozava de voto em Cortes, com assento no banco 15º (o que demonstra a sua importância política), onde se fazia representar por procuradores eleitos pela Câmara. Em 20 de Setembro de 1510, D. Manuel I atribui novo Foral a Ourique, confirmando os privilégios dados por D. Dinis. No primeiro “numeramento” da população portuguesa, em 1527, Ourique e o seu termo tem 582 habitantes, o que fazia desta Vila uma das mais povoadas de Além-Tejo. Em 1573, D. Sebastião, na sua jornada ao Alentejo e ao Algarve, visita Ourique. Segundo os relatos do cronista João Cascão, El-Rei veio jantar a Ourique e foi recebido pelos homens-bons da localidade, bem como por uma companhia de Ordenanças de cinco bandeiras, constituída por 1000 homens. Foi a melhor ordenança que acharam em todos os lugares que percorreram. D. Sebastião assistiu ainda a danças e ouviu missa, provavelmente na antiga Matriz (que ruiu no século XVIII), e aqui se demorou duas horas a jantar. Quanto ao património imóvel edificado, Ourique tinha Casa da Misericórdia (destaque para as portas de cantaria lavrada) e Hospital, remontando ambos ao século XVII. 

 Bandeira de Ourique

Heráldica :  

ARMAS DE OURIQUE:

   Escudo de vermelho, representando o Campo de Ourique ensanguentado depois da histórica Batalha de Ourique, um guerreiro vestido de prata empunhando uma espada, monta um cavalo do mesmo metal, selado e enfreado de vermelho, passante sobre um terrado de prata, realçado de verde.
Nos cantões do chefe, duas torres de prata, abertas e iluminadas do campo, sendo a da esquerda encimada por um sol de ouro e a da direita por um crescente de prata volvido, no cimo, coroa mural de prata de quatro torres, Listel branco com os dizeres “OURIQUE”, de negro.  


Cultura e Turismo : 

           O património imóvel religioso teve sempre bastante importância para as gentes de Ourique, como comprova a existência no seu termo das Ermidas de São Sebastião, São Lourenço, Nossa Senhora do Castelo (mais tarde Igreja Matriz), bem como as Ermidas ainda existentes de São Luís, São Brás e Nossa Senhora da Cola. No que se refere à Igreja Matriz de Ourique, este templo é de arquitectura maneirista, barroca e rococó. Reconstruída no século XVIII, a mando de D. João V, depois dos graves danos do terramoto de 1755, possui uma elegante fachada principal, com trabalhos de argamassa de feição rococó. 
No interior são de salientar os altares e outros elementos de talha dourada e policromada.
Já a Igreja de Nossa da Cola ou Ermida de Nossa Senhora da Cola, de grande devoção e história célebre, foi desde muito cedo um dos lugares de peregrinação mais importantes do Baixo Alentejo. No início do séc. XVIII, temos a informação de que a romaria do dia da Natividade de Nossa Senhora, 7 e 8 de Setembro, já então a mais importante, era organizada pelos grandes proprietários da região. A igreja, cuja edificação será anterior ao século XVI, possui uma belíssima talha dourada, e a imagem de veneração é muito antiga. 
Esta Igreja está profundamente relacionada com o Castro da Cola.
Na Freguesia de Garvão podemos destacar a Igreja Matriz de Garvão. Esta igreja é um exemplar da arquitectura manuelina, característica dos pequenos templos edificados no Baixo Alentejo durante o reinado de D. Manuel I, situada no limite da povoação, perto do cemitério velho, a igreja data do século XVI, em 1685 foram construídos os anexos. A torre sineira é do século XVIII.
Quanto à Freguesia de Panóias destacamos a Igreja de São Romão, conta a lenda que São Romão foi aqui sepultado, no que terá sido um mosteiro de eremitas de Santo Agostinho. Na igreja venera-se uma cabeça que se diz ser de São Romão.
No que se refere aos vestígios arqueológicos do Concelho de Ourique, destacamos o Castro da Cola e o Cerro do Castelo/Forte de Garvão. O Castro da Cola que domina o cimo de um monte, junto da ribeira do Marchicão e próximo do rio Mira, começou a ser ocupado nos inícios da Idade do Bronze, classificado como Monumento Nacional, o seu dispositivo defensivo completava-se por cercas muralhadas, de que ainda existem vestígios. Integra-se no Circuito Arqueológico do Castro da Cola, constituído por vários monumentos megalíticos, povoados calcolíticos e necrópoles das Idades do Bronze e do Ferro. 
Quanto ao Cerro do Castelo/Forte de Garvão, este está implantado numa elevação, do povoado fortificado restam muros feitos de pedra sobreposta e de taipa. Crê-se ter sido ocupado, pelo menos, desde a Idade do Bronze final. Foram encontrados muitos vestígios de romanização, tendo sido ainda ocupado durante o período árabe, foi Decretado Imóvel de Interesse Público em 1990.



Gastronomia : 
                                                                                                           Enchidos diversos 
Enchidos Diversos          Cabrito na Púcara
           Cabrito na púcara 


Cozido de Grão
Cozido de grão 


          

domingo, 30 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Odemira

Brasão de Odemira

Localização : 

      Odemira é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Alentejo Litoral, é sede do maior município português, com 1 719,73 km² de área e subdividido em 17 freguesias. É o maior município português em extensão territorial. O município é limitado a norte pelos municípios de Sines e Santiago do Cacém, a leste por Ourique, a sueste por Silves, a sul por Monchique e Aljezur e a oeste tem litoral no oceano Atlântico. O limite sudoeste, com o concelho de Aljezur, é marcado pela Ribeira de Seixe. A faixa litoral do município e o vale do Mira até à vila de Odemira faz parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. O concelho é atravessado pela Linha do Sul.



História : 

      A explicação do topónimo Odemira tem várias versões. A versão lendária sobre a origem do nome, remonta à altura da sua povoação árabe: um alcaide mouro de nome Ode, habitava o castelo com  a sua bela mulher uma moura encantadora, como todas as outras mouras das lendas populares. Quando esta viu chegar as tropas cristãs terá gritado: “Ode, mira para os inimigos, donde vêm sobre nós “tendo estado, este aviso, na origem do nome Odemira. Estudos históricos e semânticos revelam que o termo ode deriva do árabe wad que significa rio e o elemento mira terá origem pré céltica estando relacionada também com a ideia de água. Do que se depreende que o topónimo Odemira se refere em diferentes línguas à noção de curso de água, o que denota a importância do rio. A região terá sido habitada desde tempos remotos desconhecendo-se, contudo, a sua origem. Aqui estabeleceram-se vários povos, entre os quais romanos e árabes, que marcaram os usos e costumes das gentes da região. 
A reconquista de Odemira foi tardia, realizada, pensa-se, pelos frades guerreiros da Ordem de Santiago; em 1238 todo o Alentejo, incluindo Odemira, estava nas mãos dos cristãos. Em 1245, D. Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago, doa o castelo de Odemira ao Bispo do Porto – D. Pedro Salvadores. Em 1256, D. Afonso III concretiza a apropriação da vila para a coroa dando-lhe foral em 28 de Março. 
Este foral estabelece o termo do concelho e denota uma realidade profunda que já vinha do passado, retendo uma certa continuidade em relação à herança árabe. Odemira, situada perto do limite do troço navegável do Mira, ergue-se num local dominante sobre o rio constituindo-se como centro aglutinador de uma região vasta. Reflete assim um modelo territorial comum no sudoeste da península: uma povoação relativamente recuada em relação à linha de costa mas que a ela tem acesso por via fluvial, controlando economicamente uma área circundante relativamente vasta, neste caso a bacia do Mira. Trata-se da mesma lógica territorial (segundo António Quaresma) a que obedeceram povoações como Álcacer do Sal, Silves ou Mértola, Santarém, Coimbra, ou, em Espanha, Sevilha e Niebla. 
No reinado de D. Dinis, o senhorio de Odemira é doado a Manuel Pesanha (1319),um genovês que terá vindo ajudar a organizar a marinha portuguesa. Com D. Afonso IV, Odemira passa, por alguns anos, para a Ordem de Santiago, acabando por voltar à coroa em 1352. 
D. Pedro volta a entregar o castelo de Odemira à família Pessanha, desta vez a um filho de Manuel Pessanha – Lançarote Pessanha (1357). Posteriormente, em 1387, Lourenço Anes Fogaça recebe de D. João I a vila de Odemira. O último elemento desta família a deter o senhorio de Odemira foi João Fogaça, escudeiro da casa do Infante D. João. O primeiro Conde de Odemira foi D. Sancho de Noronha (1446), que obteve o título por carta passada por D. Afonso V. 
No âmbito da reforma dos velhos forais, levada a cabo por D. Manuel, Odemira recebeu foral novo em 1510, nele se revela a importância do porto de mar, dos montados de gado e dos filões de metais existentes. O condado de Odemira extinguiu-se no séc.XVII (1661), tendo sido a Casa incorporada na de Cadaval. No século XIX, o regime liberal reestrutura os limites do concelho, dando-lhe a sua configuração atual. O concelho abrange uma área extensa ao longo da costa e no seu interior uma vasta área de serras e campos com uma fauna e flora diversas; fazendo parte freguesias de outros concelhos, alguns deles extintos, como é o caso do de Colos e Vila Nova de Milfontes. 


Bandeira de Odemira

Heráldica : 

Armas - De negro, com uma faixa de prata carregada por dois sobreiros de verde, lardeados de ouro, arrancadas de negro, troncado do mesmo e descascadas de vermelho. Em chefe, uma torre torreada de prata, aberta e iluminada de vermelho, acompanhada de dois ramos de três espigas de trigo de ouro. Em contra-chefe três faixas andadas, duas de prata e uma de azul carregada de três peixes de prata. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres "Vila de Odemira", a negro. 

Bandeira
Esquartelada de amarelo e verde. Cordões e borlas de ouro e de verde. Lança e haste douradas. 

Selo
Circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal de Odemira".


Cultura e Turismo : 

       Este setor foi o que, numa perspetiva de crescimento, maiores alterações sofreu nas últimas décadas. Essas alterações foram de tal ordem que transformaram um setor residual num dos setores, se não o setor, fundamental para o desenvolvimento do concelho de Odemira. 
Neste processo de crescimento foram “construídos” polos, hoje considerados tradicionais, de concentração da oferta turística (alojamento, restauração e animação) muito associados ao produto, também ele tradicional, de sol e praia. 
A Zambujeira do Mar, Longueira e Almograve e Vila Nova de Milfontes congregam a grande maioria da oferta turística do concelho e caracterizaram-se por um crescimento urbano de natureza exponencial ao longo das últimas décadas. O alojamento tem vindo a apresentar alterações substanciais ao longo dos anos e, ainda que exista um grande peso da oferta ao nível dos lugares em parque de campismo e alojamento complementar, o turismo em espaço rural foi que teve o maior crescimento em número de unidades e em número de camas turísticas. Esta oferta de turismo em espaço rural, muito bem adaptada à realidade da malha paisagística, veio acrescentar níveis muito relevantes de qualidade e de diversidade na oferta local.
A restauração afinou pelo mesmo diapasão do alojamento tendo em conta uma melhoria evidente nos padrões de atendimento e de adaptação às novas regras. No entanto, é aquele que tem muita margem de progressão tendo em conta a necessidade contínua de melhoria dos padrões de atendimento e à necessidade de construir um caminho de diferenciação do território a partir dos seus produtos gastronómicos. A animação turística, numa perspetiva empresarial, vem dando os seus primeiros passos no concelho o que muito contribui para uma articulação entre o alojamento e a restauração. Esta oferta, agarrada ao forte potencial do concelho em termos de desportos de ar livre ou de aventura, pode ser um dos caminhos determinantes para o combate à sazonalidade e para a construção de uma imagem de diferenciação do território. Odemira é um concelho que apresenta uma enorme diversidade de locais para visitar, nomeadamente devido à grande promiscuidade entre as várias paisagens: rio, mar, barragem, montanha e planície. Esta diversidade é o maior trunfo desta região, sendo a costa de Odemira a mais preservada da Europa. As praias do concelho integram o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, sendo esta a face mais apreciada da região e, também, a mais conhecida.
As praias de Vila Nova de Milfontes e Zambujeira, as mais procuradas da região, revelam-se verdadeiros paraísos para os visitantes. A fauna e a flora são particulares nesta zona e beneficiam da abundância da água potável ao longo da faixa costeira. Neste percurso, o Cabo Sardão é um local de visita obrigatória. Os portos de pesca de Milfontes, Lapa das Pombas, Entrada da Barca e Azenha do Mar são locais a visitar e testemunham a ocupação das gentes ribeirinhas ao longo dos anos. Fora das praias, o concelho em si oferece, ainda que ligadas à natureza, uma série de actividades, sobretudo para os mais aventureiros. Passeios pedestres ou a cavalo, de bicicleta ou em veículos todo o terreno, de barco ou de canoa são algumas ofertas turísticas. Explorar a serra, praticar desportos náuticos ou fazer subidas de rio são propostas que convidam ao contacto com a natureza e desfrute da paisagem. Procurando os vestígios da ocupação humana ao longo dos tempos, há que visitar a necrópole da Idade do Ferro, no Galeado. A melhor forma de conhecer a cidade de Odemira é percorrê-la a pé, sem pressas. As igrejas do Salvador e de Santa Maria merecem atenção, bem como o chafariz do largo principal.
O local ao qual ainda hoje se chama castelo constitui o núcleo primitivo da povoação. Neste local exista, efectivamente, um castelo erguido na época islâmica, mas que foi desaparecendo com o passar dos anos. Num dos pontos mais altos da vila existe um moinho de vento preservado e em pleno funcionamento, podendo ser apreciada a moagem tradicional de cereais.




Gastronomia : 

          Na área gastronómica o concelho de Odemira apresenta uma grande variedade. Um concelho que se reparte entre mar, terra e rio tem matéria-prima em abundância para a confecção de pratos. O peixe é servido sempre fresco: sargo, pargo, dourada, robalo, achigã da barragem, entre outros peixes de mar e rio. Por outro lado, e ainda nesta vertente, a feijoada de búzios e as caldeiradas também são especialidades desta região. As sopas de peixe, as migas de carne, chispe de coentrada, cozido e os enchidos são pratos e petiscos com garantia de qualidade no concelho de Odemira. O ensopado de safio, o arroz de tamboril, o marisco em geral, e os percebes em particular, ocupam posição de destaque nos menus regionais. No Alentejo os queijos e o pão são alimentos essenciais em qualquer mesa. A aguardente de medronho completa o quadro.

                                                                                                        Sargo grelhado 
Sargo GrelhadoFeijoada de Búzios
Feijoada de Búzios 

Alcôncoras
Alcôncoras