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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho do Alvito

Brasão de Alvito

Localização

         Alvito é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, é sede de um município com 264,81 km² de área e subdividido em 2 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Viana do Alentejo, a leste por Cuba, a sul e oeste por Ferreira do Alentejo e a oeste por Alcácer do Sal.


História

          Os vestígios mais antigos revelam a presença humana na idade do cobre, do bronze e do ferro. Durante o século I, este foi ocupado pelos romanos, que deixaram construção ainda observável, eg as villae de S. Romão, de S. Francisco e Malk Abraão. Também visigodos e muçulmanos ocuparam posteriormente estas antigas villae . Foi finalmente conquistada pelos Portugueses em 1234, e em 1251 a povoação é doada a D. Estêvão Anes, chanceler-mor do reino, por D. Afonso III e pelos Pestanas de Évora. A partir desta data, sobretudo através da acção do Chanceler, procede-se ao seu repovoamento, passando Alvito a ser uma povoação com dimensões consideráveis para a época . Em 1279 com a morte de D. Estêvão Anes, a vila fica em testamento para a Ordem da Santíssima Trindade, a qual lhe concede carta de foral a 1 de Agosto de 1280, que viria a ser confirmado por D. Dinis em 1283. Em 1387, D. João I doa Alvito a D. Diogo Lobo, em troca dos bons serviços prestados na batalha de Aljubarrota (1385) e na conquista de Évora aos espanhóis (1387), ficando a vila ligada à história desta família ao longo de todo o restante período do regime monárquico . A 24 de Abril de 1475, D. Afonso V concede ao Dr. João Fernandes da Silveira, esposo de D. Maria de Sousa Lobo, o título de Barão, passando Alvito a ser a «cabeça» da primeira baronia instituída em Portugal. Nesta época já a povoação desfrutava de um crescimento acentuado, fruto da conjuntura favorável em que o reino se encontrava e que permitiu um forte crescimento populacional em todo o país . Tal crescimento teve fortes repercussões na economia da vila, dado que Alvito passa a ser um dos principais centros político- económicos de todo o Alentejo, durante o período moderno, tendo quase 1700 habitantes e 364 fogos, segundo as estatísticas do senso de 1527. Este facto justifica o esplendor que se pode observar em muitos monumentos: Castelo, Igreja Matriz, Igreja da Misericórdia, Igreja de Nossa Senhora das Candeias, bem como na representatividade da arte manuelina de Alvito . Na época de transição do século XVIII para o século XIX, o crescimento e prosperidade de Alvito estagnam, começando o seu declínio a partir de meados do século XX, sobretudo durante as décadas de 60 e 80. 

 Bandeira de Alvito

Heráldica

Brasão: de prata, com um castelo composto de um pano de muralha ladeado por duas torres circulares de azul, aberto e iluminado do campo. Em chefe, um ramo de oliveira e um ramo de azinheira, ambos de verde frutados de negro, cruzados em ponta e atados de vermelho. Em contrachefe, duas faixas ondadas de azul entre um arco de ponte de negro realçada de prata. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres: «Vila de Alvito», de negro.

Bandeira: azul. Cordões e borlas de prata e de azul. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro dos círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Alvito».


Cultura e Turismo

               Quer a freguesia sede de concelho, quer Vila Nova da Baronia fazem parte da “Rota do Fresco”, um itinerário patrimonial que convida à visita dos turistas. O concelho é beneficiado pela Barragem de Odivelas, que se vem revelando ao longo do tempo como um produto turístico bastante apelativo para actividades como o passeio a cavalo, a pesca desportiva, entre outras. Por outro lado, a caça surge como actividade muito abundante no concelho. Do ponto de vista desportivo e cultural, o concelho apresenta características muito favoráveis pois existem associações muito dinâmicas que promovem actividades diversificadas e que sabem conciliar a actividades desportiva e cultural com o rico património histórico existente no concelho, de forma a valorizá-lo e a potenciá-lo, colocando-o ao serviço de todos. 





Gastronomia

         Destaca-se  também a doçaria regional (pastéis de chila e grão), os licores e, em Vila Nova da Baronia, os deliciosos enchidos (Enchidos da Baronia) e os vinhos da Herdade das Barras.
O evento gastronómico de maior relevo é, desde 2007,  o Ciclo Gastronómico "As Ervas da Baronia".
Em Fevereiro e  Junho realizam-se semanas gastronómicas em que participam os restaurantes do concelho, oferecendo pratos em torno de espargos, catacuzes e carrasquinhas (na 1ª semana) e beldroegas (na 2ª semana). Trata-se de um verdadeiro ciclo das Ervas na Cozinha!
Para viver (e apreciar)... Devagar!
                                                                                                         Sopa de Beldroegas
Sopa de BeldroegasFeijão com Catacuzes
Feijão com Catacuzes

Pastéis de Chila e Grão
Pastéis de Gila e Grão 

domingo, 16 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Cuba

Brasão de Cuba

Localização

       Cuba é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, tendo sido elevada à categoria de vila por Dona Maria I, Rainha de Portugal, por alvará de 18 de Dezembro de 1782.4 É sede de um município com 171,32 km² de área e subdividido em quatro freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Portel, a leste pela Vidigueira, a sul por Beja e a oeste por Ferreira do Alentejo e pelo Alvito.


História

          Os inúmeros achados arqueológicos são testemunho da ocupação do espaço onde actualmente se situa a Vila de Cuba desde a pré-história, sendo também evidentes os vestígios de uma importante ocupação na época Romana.
Uma das teorias sobre a origem do topónimo "Cuba" aponta para a tomada da povoação aos Árabes por parte das hostes de D. Sancho II, tendo os soldados se deparado com a existência de inúmeras cubas utilizadas no fabrico de vinho.Não sendo de descartar a hipótese que o nome desta terra,derive do termo "Caaba",santuário sagrado de Meca, Arábia. Da ocupação Árabe é testemunho um dos primeiros arruamentos abertos na Vila, que ainda hoje se denomina como "Rua da Mouraria", sendo que tal como noutras povoações, mesmo após a reconquista alguns habitantes Árabes terão ficado a residir no território. O traçado dos arruamentos é, de resto, indicativo da evolução histórica da Vila, denotando-se claramente o desordenamento da zona de construção inicial, do qual faz parte a Rua da Mouraria, a Rua Álvaro de Castellões e o Largo do Tribunal, entre outros arruamentos, merecendo ainda destaque a toponímia atribuída a um pequeno arruamento de acesso a este Largo, denominado como Travessa do Paço, numa referência ao desaparecido Paço que o Infante D.Luís, Duque de Beja e filho do Rei D. Manuel I, possuía em Cuba, e onde o Rei D. Sebastião terá jantado em 1573, quando viajava de Évora para Beja. Por outro lado, verifica-se também a existência de zonas de nítida influência Pombalina, com arruamentos de traçado rectilíneo, sendo essa influência acentuada por algumas denominações, comuns à Baixa Pombalina de Lisboa, como a Rua Augusta e a Rua do Carmo.
Em Cuba viveu e veio a falecer, em 1911, o grande escritor português Fialho de Almeida, encontrando-se no cemitério local um monumento funerário que alude a uma das suas maiores obras, "Os Gatos", bem como uma placa comemorativa na casa onde o escritor residiu, numa das artérias da Vila, e uma lápide na Quinta da Graciosa, uma das antigas propriedades da família do escritor, localizada próximo de Cuba. Em 2006, foi inaugurada na Vila uma estátua da autoria de Alberto Trindade em homenagem ao descobridor oficial da América, Cristóvão Colombo, no mesmo dia (28 de Outubro) em que o navegador terá aportado à ilha de Cuba em 1492. Segundo a tese defendida pelo historiador português Mascarenhas Barreto ("Colombo Português: Provas Documentais"), o ilustre almirante teria nascido em Cuba, em 1448, como filho ilegítimo do Infante Dom Fernando, duque de Viseu e de Beja, e da indocumentada "Isabel Zarco". O nome de Colombo em castelhano, "Cristóbal Colón" seria um seu pseudónimo e código de guerra (CC seria espião ao serviço de D. João II), sendo o seu verdadeiro nome um indocumentado Salvador Fernandes Zarco, alegado neto materno ilegítimo do navegador e corsário João Gonçalves Zarco.

Bandeira de Cuba

Heráldica

Brasão: de verde, com um ramo composto de quatro espigas de trigo de ouro e uma haste de oliveira de verde florida de prata, tudo atado em vermelho. O ramo acompanhado por dois cachos de uvas de púrpura folhados e sustidos de ouro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Cuba» de negro.

Bandeira: esquartelada de amarelo e de púrpura. Cordões e borlas de ouro e de púrpura. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro dos círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Cuba».

Cultura e Turismo

        O Baixo Alentejo é marcado pela planície e pela serra, e é este contraste que contribui em muito para a diversificação de vegetação existente, com características tão diferentes, quer na  sua coloração, quer nos tipos de ramagem. No Concelho de Cuba a paisagem predominante é a planície, com solos espessos e barrentos de elevada qualidade, que se incluem nos denominados “Barros de Beja”.
Em termos climatéricos, Cuba insere-se no clima do Baixo Alentejo, o qual é considerado um clima mediterrânico. A região caracteriza-se pela pouca e mal repartida precipitação anual, concentrando-se a maior parte da pluviosidade no período do Outono/Inverno. O Verão é, nesta região, uma estação quente e seca. As temperaturas médias no Inverno são baixas, variando entre os 8º e os 12º e, no Verão elevadas, variando as temperaturas médias entre os 21º e os 25 º, mas atingindo-se frequentemente temperaturas superiores a 35º durante o dia. No concelho de Cuba, propomos um percurso de BTT matinal recheado de paisagem, fauna, património arquitetónico e arqueológico, e um saboroso refrescar nas águas da ribeira de Mac Abrãao. Da parte da tarde, para digerir o almoço ou já depois da sesta, caminhe calmamente pelas lindíssimas paisagens que o trajecto lhe proporciona, sobretudo se coincidir com o quente pôr-do-sol alentejano. 

Foi sob o nome de Cristóvão Colon que se consagrou, nos quatro cantos do Mundo, o homem que descobriu a América, em finais do Século XV. A partir dos anos 80, a questão da nacionalidade do navegador adquire  uma nova dimensão, a par da notoriedade, através das obras de Mascarenhas Barreto. Este autor abriu caminho a uma nova perspetiva: Cristóvão Colon não só seria português, como da Cuba do Alentejo! 
Em Outubro de 2006 colocou-se em frente ao edifício do Tribunal da Comarca, no centro da Vila de Cuba, uma estátua de bronze do almirante.

Cristóvão Cólon, o navegador nascido na Cuba:

"O navegador Cristóvão “Colon” será português, alentejano, nascido na Cuba? A tese, algo surpreendente para quem se habituou à versão oficial, tem alguns defensores, entre os quais se destaca o investigador Mascarenhas Barreto. A polémica promete alastrar, já que oficialmente aquele descobridor, de origem humilde terá nascido  em Génova, Itália. Estranho é que um homem do povo possa ter embarcado numa cruzada de magnitude inquestionável, e que tivesse sido recebido pelos Reis Católicos de Espanha e pelo nosso Rei D. João II, como poucos nobres o eram. Mistérios que começam no próprio nome do descobridor das Américas: Cristoforo Colombo, Cristobal Colón ou Cristóvão Colom? A tese de Mascarenhas Barreto é o resultado de 15 anos de uma verdadeira epopeia em busca do verdadeiro “Colombo” – que nem italiano sabia falar ou escrever. 

A crença de que o navegador afinal Salvador Fernandes Zarco terá nascido em Cuba no Alentejo tem  atraído muitos curiosos ao concelho, Cuba alberga desde 2011 o Centro Cristovão Colon que reúne um espólio de telas, livros e mapas, que pretendem demonstrar a veracidade desta tese.
As mãos dos nossos artesãos ainda trabalham a madeira, a cortiça e a pele de animais, confecionando uma gama variada de produtos que podem ser comprados localmente. De realçar os móveis rústicos, as botas e os sapatos em pele feitos à mão, numa tradição que passa de geração em geração, as típicas capas e capotes alentejanos, bem como as miniaturas de alfaias agrícolas.


Gastronomia

        A Gastronomia é um dos principais motivos que origina a viagem de um turista e o nosso País é conhecido, mundialmente, pela sua cozinha de excelência. No Alentejo, a par da boa mesa, os vinhos produzidos regionalmente constituem, também eles, um dos motivos de visita. 
Uma das bases essenciais da gastronomia alentejana são as ervas aromáticas e é impressionante como, um recurso tão simples, enriquece de forma sui-generis o paladar dos pratos regionais.
No concelho de Cuba a cozinha tradicional inclui os pratos típicos do Alentejo, como as saborosas sopas de tomate ou de cação perfumadas com alho e azeite, as diversas receitas de carne de porco e de borrego, sempre acompanhadas do tradicional Pão Alentejano e “regadas” com um belo vinho. Aqui, em Cuba o paladar é um mundo aberto aos sabores puros. A existência em Cuba do Convento do Carmo e a grande proximidade ao Convento de Nª Sr.ª da Conceição de Beja, faz com que a doçaria conventual assuma na região um papel preponderante. As receitas elaboradas pelas doceiras locais obedecem ao método ancestral de confecção e apresentação. Na doçaria local  os bolos folhados, com e sem chila, os pastéis de grão, outros fritos como filhózes, queijadas de requeijão e o delicioso bolo podre, assumem papel preponderante.
                                                                                                          Pastéis de Grão
Pastéis de GrãoSopa de Cação
Sopa de Cação 

                                                                                                         Bolo Podre 
Bolo PodreBolo Folhado
Bolo Folhado 

sábado, 15 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho da Vidigueira

Brasão de Vidigueira

Localização

           A Vidigueira é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, é sede de um município com 314,20 km² de área e subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Portel, a leste por Moura, a sueste por Serpa, a sul por Beja e a oeste por Cuba.


História

        A existência da Vidigueira como povoação só se encontra documentada a partir do século XIII. A análise das personalidades marcantes da região, aliada aos factos históricos mais importantes, contribuem para melhor conhecer o percurso do concelho até aos nossos dias. As descobertas arqueológicas revelaram um património importante. A própria natureza encarregou-se de dotar as terras da Vidigueira com maravilhas que constituem o património natural destas terras. O concelho da Vidigueira fica no coração do Alentejo, na fronteira do Baixo com o Alto Alentejo, entre Beja e Évora. A Serra do Mendro, que dá corpo a essa fronteira, abriga o concelho pelo lado norte; a leste corre o Rio Guadiana, enquanto a sul e oeste se espraia a vasta planície.
Na serra, os montados alimentam de bolota o porco alentejano, dando origem a saborosos enchidos e presuntos, e a flora silvestre dá às abelhas a matéria-prima para um mel de primeira. Na planície, as hortas, os laranjais, e a trilogia mediterrânica que domina os campos, feita de searas, olivais e vinhas, dá origem a afamados produtos de qualidade (o pão, o azeite, e sobretudo, o vinho) que projectam o nome da Vidigueira no exterior. É neste cruzamento de serra, planície e rio, que assenta a diversidade e o carácter excepcional destas terras de pão e de vinho, e suas gentes de paz e de cante. 
A história da região estende-se ao longo dos séculos, mantendo-se até hoje vestígios dos povos que por lá passaram. Na riqueza histórica são notórias as influências da igreja católica. Entre o valioso património da Vila da Vidigueira destacam-se a Igreja de S. Francisco, a Torre do Relógio e a Torre de Menagem (vestígio do que foram os Paços do Castelo).
Esta riqueza de património histórico também é visível no resto do concelho. Em Pedrógão, está presente na Igreja Matriz, Torre do Relógio e Capela de Santa Luzia. Na aldeia de Marmelar, já no sopé da serra, sobressai entre o típico casario, a Igreja Paroquial de Sta. Brígida, de inspiração mudéjar. Selmes é uma aldeia tradicional na planície alentejana, atravessada pela Ribeira do mesmo nome, sobre a qual se ergue uma pequena ponte que se diz ser romana. Dos seus monumentos destacam-se a Igreja Matriz de Sta. Catarina e um conjunto urbano típico, pontuado por 6 nichos em alvenaria que constituem as Estações da Via Sacra. Na mesma freguesia, mas já no sopé da serra, está Alcaria da Serra, pequena aldeia de interessante arquitectura popular, onde se destaca a Igreja de N. Sra. das Relíquias.
Nas proximidades da Vila de Frades, encontram-se as Ruínas Romanas de S. Cucufate. Este impressionante conjunto arquitectónico é exemplar único na Península Ibérica, e conserva ainda um primeiro andar. Posteriormente adaptado a Convento, manteve-se aberto ao culto até ao século XVIII. Pode visitar-se também na povoação e arredores, as Igrejas Matriz e da Misericórdia, as Ermidas de S. Brás e de Sto. António.

Bandeira de Vidigueira

Heráldica

Brasão: de negro, com uma torre torreada de prata aberta e iluminada do campo, envolvida por uma videira troncada da sua cor, folhada de verde e frutada de púrpura. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila da Vidigueira» em negro.

Bandeira: esquartelada de branco e de verde. Cordões e borlas de prata e de verde. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal da Vidigueira».


Cultura e Turismo

            Na região da Vidigueira existem vários pólos de interesse, desde os monumentos históricos, passando pelos vestígios arqueológicos e com particular realce para a beleza natural das margens do Guadiana e outros cursos de água. A riqueza do município está presente em cada recanto, cada povoação que vale a pena conhecer. 
Único monumento nacional do concelho, as ruínas arqueológicas encontram-se em local pouco elevado, mas dominando visualmente a paisagem a sul, até Beja. As suas origens estão associadas à época romana, altura em que foi instalada uma villa no centro de uma exploração agrícola. No entanto, acredita-se que a sua ocupação inicial remonta à Idade de Ferro. Por volta de finais do IV milénio, já os nossos antepassados do neolítico final tinham escolhido aquele local de habitat, talvez temporário, uma vez que não foi encontrada qualquer estrutura associada aos materiais arqueológicos dessa época.
Sem dúvida, foram as realizações do período romano que, de forma indelével, marcaram este sítio. Com algumas descontinuidades, transformações e adaptações, a ocupação deste mesmo espaço prolongou-se até aos finais do século XVIII. No período mulçumano (séc. X ou XI) estabeleceu-se no edifício uma comunidade de frades que ali viveu possivelmente até à segunda metade do sec. XII, tendo S. Cucufate por seu padroeiro. O edifício foi abandonado, talvez por ameaçar cair em ruína. No decorrer das escavações arqueológicas descobriu-se nas traseiras da villa o cemitério medieval dos frades. A adaptação da antiga villa a templo cristão deixou marcas na arquitectura. A descoberta de pinturas murais nas ruínas de São Cucufate contribuiu para colocar este importante marco da história local no caminho da rota dos frescos. As pinturas estiveram durante muito tempo escondidas por detrás de uma camada de cal. Após a villa romana ter sido considerada um monumento nacional, o IPPAR criou em Vila de Frades um Núcleo Museológico na Casa do Arco, edifício cedido pela Câmara Municipal da Vidigueira. As paredes gastas de São Cucufate guardam segredos que ainda estão por desvendar. Guardião da planície, abençoa e enche de orgulho as gentes da região.
Da antiga residência da família Gama restou apenas uma torre quadrada, que se eleva no lado ocidental da vila. Não existem descrições ou registos de como seria a contrução e decoração deste edificio. Torna-se difícil saber se nos seus tempos aúreos esta edificação seria uma fortaleza ou um paço acastelado. A sua construção data do século XV por acção do 2º duque de Bragança, D. Fernando, senhor da vila nessa época. Serviu de domicilio a Vasco da Gama e aos condes da Vidigueira que o procederam. Foi depois abandonado, não se sabe nem quando nem porquê. O povo da Vidigueira acelerou o processo de decadência, ao retirar as pedras do castelo para serem utilizadas na construção das suas casas. Na década de 80, a Câmara Municipal, com a intenção de salvaguardar o que restava deste património, mandou restaurar e elevar os muros ainda existentes. Colocou-se ao lado uma janela, possivelmente do século XVI e de estilo manuelino, encontrada em Vila de Frades. Suspeita-se que a janela chegou a fazer parte do antigo palácio dos condes da Vidigueira. Construiu-se ainda um adarve a que se pode subir por uma escada exterior, proporcionando acesso a um improvisado miradouro, de onde se tem uma vista que abrange a vila da Vidigueira, os campos e povoações circundantes. Pode ainda avistar-se ao longe a torre de menagem do castelo de Beja.
A barragem de Pedrogão, situada na freguesia de Pedrogão, foi construída com a finalidade primária de funcionar como barragem de contra-embalse, recuperando-se assim parte da água usada em Alqueva para produzir energia e para servir os subsistemas de rega de Ardila e Pedrogão. A sua construção deu origem à Albufeira de Pedrógão, um espelho de água que é hoje uma zona protegida. A variedade e riqueza de ecossistemas que se encontram no lago artificial constituem mais uma razão para uma visita à região. A própria barragem, com uma altura de 43 metros, comprimento de 472 metros, impressiona quem por ali faz um passeio. A natureza permanece em constante renovação. A abundância de água torna as terras ainda mais férteis. Existe o cuidado de preservar a fauna e flora características daquela zona. Os passeios ecológicos constituem uma opção saudável para quem visita o concelho. O projecto da barragem de Pedrógão veio impulsionar a economia e turismo da região. A albufeira que origina tem uma capacidade útil de cerca de 54 hm3 possuindo um espelho de água de 11 km2. É a segunda maior barragem do empreendimento Alqueva beneficiando a população envolvente com um estimulo económico decorrente de actividades promovidas em torno da albufeira, sejam elas da vertente agrícola ou turística.

São CucufateBarragem de Pedrogão


Gastronomia

           A Vidigueira orgulha-se da sua gastronomia tradicional, que reúne à mesa os produtos regionais, como o pão, o azeite, as carnes e peixes do rio, numa combinação original e saborosa. O extenso receituário inclui pratos simples, como a típica açorda d'alho, ou outros mais elaborados. Segredos passados de geração em geração, que conquistam quem tem a boa sorte de os degustar. Para a panela vão todos os legumes que a terra produz, nas pequenas hortas da região. Batatas, couves, cenouras, feijão, favas... mais uns enchidos ou toucinho para dar gosto. Quando os legumes escasseiam, basta um pouco de azeite, coentros, alhos e água quente para molhar umas fatias de pão e fazer uma saborosa açorda. Na serra, os montados alimentam de bolota o porco alentejano, dando origem a saborosos enchidos e presuntos. O borrego é outro dos animais criados na região. A caça, uma actividade com bastantes adeptos, fornece também carnes de qualidade, que estão na base dos tradicionais ensopados e assados. Um manancial de pratos que ganham fama fora das fronteiras do município. A influência do rio Guadiana na gastronomia da Vidigueira traduz-se em imensas receitas à base de peixe. Os pescadores trazem para a mesa enguia, sável, saboga, lampreia, tainha, bogas, corvina, esturjão e robalo. A arte da culinária alentejana transforma o peixe fresco em pratos de complexidade diversa e de dar água na boca. Confeccionados à base de carnes, moluscos e legumes, a mesa alentejana é rica em petiscos. No verão, os caracóis e as ameijoas estão prontos para ir ao lume, temperados com uma mão cheia de ervas aromáticas colhidas no campo. No inverno, os cogumelos da região, conhecidos como silarcas, são preparados com ovos ou carne frita, um verdadeiro manjar dos deuses. A gila e o mel fazem parte intriseca da doçaria alentejana. Receitas que são relíquias legadas pelas freiras e doceiras, passadas de geração em geração. Dos fornos da Vidigueira saem biscoitos e bolos regionais como as pupias, bolos de mel, bolos folhados e escarapiadas. No Natal sobressaem as filhós e na páscoa o arroz doce e o tradicional folar.

                                                                                                         Caracóis 
CaracóisBorrego
Borrego 
                                                                                                          Pupias 
PupiasEscarapiadas
Escarapiadas 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Portel

Brasão de Portel

Localização

          Portel é uma vila portuguesa, no Distrito de Évora, região Alentejo e sub-região do Alentejo Central, 
é sede de um município com 601,15 km² de área e subdividido em 8 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Évora, a leste por Reguengos de Monsaraz, a sueste por Moura, a sul pela Vidigueira, a sudoeste por Cuba e a oeste por Viana do Alentejo. A vila de Portel foi fundada em 1261, tendo recebido foral de concelho em 1262.



História

       Portel parece ter sido habitada por Romanos e por ventura Fenícios, exploradores de minas de metais, e os seus vestígios ainda são visíveis no sítio dos Algares, foi habitado por árabes e mouros que deixaram como vestígios da sua presença as muralhas de taipa que já se encontram em ruínas. Durante os períodos de guerra contra Mouros e Castelhanos os habitantes procuravam proteção dentro das muralhas do castelo vindo mesmo aí a fixar residência, com D. João I o medo bélico terminou e a vila precipitou-se a construir as suas habitações no sentido sul- norte em direção ao castelo, das habitações que se encontravam dentro do castelo pouco ou nada há a não ser ruínas e o relato da existência de três igrejas : de S. João, de S. Vicente e de S. Maria. Em 1257, D. João III, fez a primeira doação de Portel a D. João Peres de Aboim e o dotou de terras que iriam desde a Serra da Ossa até Marmelar, em 1261, D. Afonso III, ordenou a Pedro Moniz que reedificasse o Castelo e que fortificasse a vila de Portel, em 1262, D.João Peres de Aboim deu um foral aos povos das suas terras concedendo-lhes os foros e os costumes da Cidade de Évora, em 1268, Aboim deu ao Prior do Crato uma herdade dos seus domínios para fundar o Mosteiro de Vera Cruz de Marmelar que viria a ser concluída em 1281.
No Reinado de D. Dinis, este trocou Evoramonte e Mafra, por Portel, encorporando-o nos domínios da Coroa em 1305, com D. Pedro I, Portel viria a ser doado, em 1359, a Rui Martins Toscano e D. João II fez doação de Portel ao duque de Bragança tal como doou a coutada da vila a Duarte de Almeida, ao longo dos anos Portel continuou a ser doado ao duque de Bragança, tal aconteceu com D. João III, D. Sebastião e D. Filipe III, entretanto, Portel é comarca desde 20 de Dezembro de 1890.

Bandeira de Portel

Heráldica

Brasão: de prata, com uma cruz de Malta de vermelho, acompanhada em orla por sete torres de vermelho, abertas e iluminadas de azul. Coroa mural de prata, de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Portel» a preto.

Bandeira: de vermelho. Cordões e borlas de prata e vermelho. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Portel».


Cultura e Turismo

Castelo de Portel

Em um dos contrafortes da serra de Portel, ergue-se em posição dominante sobre a vila medieval. Nas vizinhanças merecem visita, além do castelo, a Igreja Matriz da Vera Cruz, as grutas de Algar e a barragem do Alqueva. Embora a região seja rica em testemunhos arqueológicos, a primitiva ocupação humana do sítio do castelo é obscura. A toponímia Portel Mafomede, referida à época de D. Afonso III (1248-1279), transparece uma presença Muçulmana. O castelo, em estilo gótico, apresenta planta heptagonal reforçada por torres de planta circular nos vértices. A sua forma, novidade na arquitectura militar portuguesa à época, parece ter sido inspirada no Castelo de Angers, na França. É dominado pos uma imponente torre de menagem, de planta quadrangular, que se ergue a cerca de vinte e cinco metros de altura, dividida internamente em dois pavimentos acima da linha do adarve, ambos cobertos por abóbada em cruzaria de ogiva. O pavimento inferior serviu de cárcere. Foi utilizada a pedra mármore nos cunhais e nas janelas góticas. A porta de acesso à torre é em ogiva.
Esta torre protege o portão de acesso, a Norte, em arco apontado. Pelo lado Sul, a Porta de Beja determina um eixo viário interno em linha reta, ligando as duas portas. O conjunto conta com mais três portas, entre as quais a Porta do Relógio e a Porta do Outeiro. Na praça de armas abre-se uma cisterna e pode-se identificar os vestígios da Capela de São Vicente e as ruínas do paço ducal.
A cerca medieval da vila, não sobreviveu até nós. A defesa do castelo era complementada por uma barbacã, de que se conservam ainda importantes troços a Sul, Norte e Oeste, compostos por cortina reforçada por cubelos de planta quadrangular. É a essa barbacã reedificada por D. Manuel I, que corresponde a porta gótica encimada por brasões reais sobrepostos.

Portel, tem no seu castelo o orgulho do passado, em cada recanto, na vila e nas aldeias, o seu património revela-nos a história deste território, dominado pela serra. Portel assume-se hoje como a capital do montado e a porta de entrada de Alqueva. Um lago de oportunidades à sua espera. O concelho de Portel é marcado pelo  seu património histórico, pela Serra de Portel,  dominada pelo Montado e pela Albufeira de Alqueva. Conhecer a vila e o seu património, passear a pé, descobrir as paisagens da serra e navegar no grande lado são algumas das experiências que pode usufruir no concelho. Os eventos são uma marca cultural do concelho de Portel que se estendem ao longo de todo o ano. O Congresso das Açordas, o Agosto em Festa e a Feira do Montado são alguns desses eventos que  anualmente atraem milhares de turistas à nossa região.



Gastronomia

           No concelho de Portel a oferta gastronómica é rica e variada. No Inverno, a carne de porco é um componente fundamental das migas, do cozido de grão de bico ou da rechina, são as viceras do porco confeccionadas com sangue, é o prato obrigatório da matança, tal como os enchidos. Porque estamos numa região de caça, não se pode perder a ocasião de degustar os pratos confeccionados à base do veado, corço, javali, coelho, lebre e perdiz. 
Ainda hoje se mantêm alguns dos hábitos tradicionais da população como, nos meses de Fevereiro e Março, a apanha das cilarcas, uma variedade de cogumelos obrigatória no calducho e no ensopado de borrego. Também algumas das ervas aromáticas, como o poejo ou a hortelã da ribeira, constituem preciosos condimentos para os pratos preparados à base de peixe do rio.
Os queijos de cabra e de ovelha e o mel constituem outras das grandes riquezas gastronómicas. A doçaria regional é representada pelos afamados bolos folhados com ou sem recheio de chila, pelo bolo de mel, pelas pupias e biscoitos. Os fritos, filhoses, pastéis de grão, borrachos ou bêbados confeccionados no Natal e no Carnaval, acompanhados pelo arroz doce, completam um vasto leque de irresistíveis especialidades.

                                                                                                        Migas
MigasCozido de Grão de Bico ou da Rechina
Cozido de grão de bico 


Pupias
Pupias