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terça-feira, 11 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Mourão

Brasão de Mourão

Localização

       Mourão é uma vila portuguesa, no Distrito de Évora, região Alentejo e sub-região do Alentejo Central, é sede de um município com 278,54 km² de área e subdividido em 3 freguesias. O município é limitado a norte pelo município do Alandroal, a leste pela Espanha, a sueste por Barrancos, a sul por Moura e a oeste por Reguengos de Monsaraz.


História

      A região em que se insere a vila de Mourão encerra uma grande diversidade espácio-temporal relativamente à presença humana. Os conhecimentos existentes actualmente acerca das populações que viveram e circularam neste espaço revelam que a área, tanto a mais próxima (margens) como a mais afastada (vila e freguesias de Mourão) do rio Guadiana, conheceu uma ocupação contínua de grupos humanos desde a pré-história até aos nossos dias, sendo o rio e os seus afluentes factores motivadores e determinantes para a existência de vestígios de tal ocupação. O rio atraiu assim para as suas margens actividades essenciais ou complementares ao ciclo tradicional de subsistência económica.
Desde o período pré-histórico que esta zona apresenta diversos e abundantes registos de presença humana. Locais como a Barca, a Quinta da Fidalga e Agualta, o Mercador e o Porto das Carretas, entre outros, atestam tal presença, visível nas indústrias líticas, nos restos de cerâmica, nas manifestações de arte rupestre e nos monumentos megalíticos, como a Anta da antiga fábrica de celulose (Portucel).
 A presença mais marcante dos romanos no território de Mourão manifestou-se na envolvente da antiga aldeia da Luz. O Castelo da Lousa, construção fortificada do período romano (século I a. C.), foi o elemento patrimonial da herança romana mais visível no concelho, actualmente encontra-se submerso. 
Entre este período e o medieval é incerta a caracterização humana de Mourão. Com as suas origens históricas perdidas no tempo e envoltas na tradição, a primitiva vila de Mourão ter-se-ia localizado, eventualmente, na chamada Vila Velha. Esta foi objecto de escavações arqueológicas, antes de ficar submersa pelas águas do Guadiana, registando-se a existência de uma necrópole associada a uma igreja, bem como a identificação de uma zona habitacional de grandes dimensões. No período medieval há referências a Mourão, mas a sua titularidade apresenta-se como um elemento que se integra na indefinição de fronteiras entre os vários reinos resultantes da reconquista cristã, ora pertencendo aos reis de Castela e Leão ora sob o domínio do reino de Portugal.
 O prior da ordem do Hospital, D. Gonçalo Egas, concedeu a Mourão o seu primeiro foral em 1226 e D. Dinis, confirmou-o a 27 de Janeiro de 1296. Este rei reconheceu, no encontro de Salamanca (1298), D. Teresa Gil como senhora da localidade, passando Mourão para a coroa portuguesa após a sua morte. Após as exéquias de D. Teresa Gil, o rei português concedeu a um fidalgo espanhol, D. Raimundo de Cardona, o privilégio de poder comprar Mourão, facto que se consumou em 1313, contraindo para tal um empréstimo de avultada quantia a um judeu. Dada a impossibilidade de cumprir honradamente os compromissos assumidos, a praça de Mourão foi novamente sujeita a leilão, em 19 de Abril de 1317, no alpendre da Igreja de Nossa Senhora do Tojal, sendo desta vez adquirida por um mercador de Monsaraz, de seu nome Martim Silvestre, por 11 000 libras. No entanto, dadas as incompatibilidades sociais entre o mercador e o rei, este vai exigir a sua devolução pelo mesmo preço de aquisição, fazendo nova concessão a D. Raimundo e a seu filho Guilherme de Cardona.
 Relativamente à crise de 1383-85, a praça de Mourão aderiu à causa do Mestre de Avis, como é referido na crónica de Fernão Lopes, tendo sido alvo de devastadoras incursões castelhanas. No que diz respeito à alcaidaria de Mourão, esta foi atribuída pelo futuro rei D. João II a Diogo de Mendonça, estando nesta família até ao reinado de D. Afonso VI. Aquando da instauração da monarquia dualista (1580), Mourão, através do seu alcaide-mor Francisco de Mendonça, aderiu à causa espanhola. Após 60 anos, a vila passou, na pessoa de Pedro de Mendonça Furtado, para o lado dos conspiradores. O herdeiro da alcaidaria de Mourão, amigo íntimo do Duque de Bragança, sentiu a necessidade de dignificar a imagem da sua família, sendo dos primeiros conjurados a tomar parte nos acontecimentos que conduziram ao 1º de Dezembro, em 1640. Após a Restauração, no âmbito das guerras da independência, Mourão sofreu o impacto das frequentes escaramuças fronteiriças, sendo a sua praça assolada pelo exército inimigo em diversas ocasiões. É de realçar o cerco da mesma pelo exército do Duque de S. German, durante o qual, sob o comando do Capitão João Ferreira da Cunha, a praça conseguiu resistir apenas durante seis dias, revelando desse modo a fragilidade das muralhas do castelo. Dado que a reconquista de Mourão se tornou numa prioridade fronteiriça, a rainha regente, D. Luísa de Gusmão, empenhou-se profundamente na tomada da vila aos espanhóis, ocorrendo esta a 29 de Outubro de 1657. Nessa reconquista teve um papel determinante Joane Mendes de Vasconcelos.
No século XVIII, Mourão sofreu os efeitos do terramoto de 1755,  que, conjuntamente com os trabalhos de arranjo, ampliação e consolidação da estrutura defensiva do castelo, iniciados no século XVII, e o estado de destruição deixado pelos inimigos levaram ao redesenhar da traça urbanística da vila. No século XIX, a nova reforma administrativa levou à criação de novos limites concelhios, o que no caso de Mourão contribuiu para que este fosse extinto e anexado ao concelho de Reguengos de Monsaraz, pelo decreto de 24 de Outubro de 1853. Em 1861, o concelho de Mourão foi novamente restabelecido.
Mourão encontra-se actualmente rodeado pela água do Alqueva, perfilando-se este novo recurso natural como um dos motores do desenvolvimento económico sustentado desta localidade e do concelho.

Bandeira de Mourão

Heráldica

Brasão: de azul, com um castelo em ouro, lavrado, aberto e iluminado de negro; em chefe um escudete de prata com as quinas de Portugal, entre um sol de ouro e um crescente de prata. Listel branco com a palavra «Mourão», em letras negras. Coroa mural de quatro torres de prata.

Bandeira: de amarelo, com escudo das armas ao centro. Haste e lança douradas. Cordões e borlas de amarelo e azul.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Mourão».


Cultura e Turismo

          Mourão, tem tradição na utilização do buínho no fabrico de cadeiras.com pouca expressão económica, regista-se a cestaria e esteiras, isto na freguesia da Granja, a produção de rendas e bordados disseminada um pouco por todo o concelho, e a confecção de artigos de pele e curtumes. O concelho de Mourão tem como património cultural classificado o Castelo de Mourão (Imóvel de Interesse Público). O Castelo da Lousa, Villa fortificada romana, construído no sec. I aC classificado como Monumento Nacional, foi submerso pelas águas de Alqueva.

Castelo - Apesar de na sua lápide de fundação a construção do Castelo de Mourão ter ocorrido durante o reinado de D. Afonso IV, desconhece-se quem efectivamente o mandou fazer, já que documentos de datas anteriores referem o Castelo de Mourão, mas provavelmente terá sido a Ordem do Hospital.
A muralha apresenta 5 portas militares e 11 torres quadradas, das quais se destacam a Torre de Menagem e a Torre do Relógio encimada por um campanário.
No período da Guerra da Restauração, a estrutura defensiva do castelo foi ampliada e reforçada segundo o sistema Vauban, o que resultou na construção de uma nova cintura abaluartada, conferindo-lhe a forma de estrela irregular.




Gastronomia

        Os queijos, os enchidos e presuntos artesanais, as azeitonas, a doçaria e as variadas açordas recheadas de plantas aromáticas, bem acompanhadas pelo vinho da Cooperativa Agrícola de Granja, Crl e de Vale Formoso, tornam a gastronomia típica do Concelho verdadeiramente tentadora.

                                                                                                          Gaspacho 
GaspachoCalducho
Calducho 
                                                                                                        Encharcada
EncharcadaSopa da Panela
Sopa da Panela 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Reguengos de Monsaraz

Brasão de Reguengos de Monsaraz

Localização

        Reguengos de Monsaraz é uma cidade portuguesa, no Distrito de Évora, na região do Alentejo e na sub-região do Alentejo Central, é sede de um município com 461,22 km² de área e subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a norte pelo município do Alandroal, a leste por Mourão, a sueste por Moura, a sudoeste por Portel, a oeste por Évora e a noroeste pelo Redondo.
Tornou-se sede de concelho pela primeira vez em 1838 (substituindo a anterior sede do concelho na vila de Monsaraz) e definitivamente em 1851. Foi elevada à categoria administrativa de vila em 1840 e elevada a cidade em 9 de Dezembro de 2004.
Reguengos de Monsaraz é segunda maior cidade do distrito de Évora (maior cidade da área suburbana de Évora), constituindo um dos quatro concelhos que compõem a área suburbana de Évora, os quais são Arraiolos, Montemor-o-Novo, Reguengos de Monsaraz e Viana do Alentejo.  


História

          A origem toponímica do termo Monsaraz não está suficientemente estudada, embora se possa colocar a possibilidade da decomposição do termo em Mon Saraz. A palavra Saraz pode derivar de Xarez ou Xerez que equivalia, durante o domínio muçulmano à forma arábica Saris ou Sharish. O equivalente em castelhano do vocábulo português Xara é Jara. Assim, Xarez ou Xerez corresponde aos equivalentes arcaicos castelhanos Jaraez ou Jarás que conduziram às formas actuais do Jerez castelhano ou Xerez português. Neste sentido, Monsaraz pode significar portanto MONTE XAREZ ou MONTE XARAZ, isto é, monte erguido no coração de uma terra nas margens do Guadiana, antigamente povoada por um impenetrável brenhal de estevas (ou xaras) e que, pela excelência de condições estratégicas – posição de altura com cobertura defensiva de um grande e importante rio – recomendava, naquele sítio de difícil acesso, a fundação de um povoado, quase naturalmente defendido. Esta vila surgiu a partir de uma conjuntura de prosperidade na qual a população aumentava e ultrapassava os próprios limites da zona intramuros. A sua posição estratégica permitia detectar o inimigo com antecedência, pois dava conta do perigo através da comunicação visual entre o conjunto fortificado e a rede de atalaias envolvente.
O sistema defensivo de Monsaraz é considerado sob duas tecnologias e épocas distintas:
 fortificação medieval – o castelo e a cintura de muralhas envolvente, que surgem numa altura em que não existiam armas de fogo (séc. XII – séc. XIV). Os panos de alvenaria são verticais e bem altos, construídos em alvenaria de pedra irregular de xisto, com excepção nos cunhais e bases, em aparelho regular de silharia de granito.
fortificação seiscentista – constituída essencialmente por baluartes do tipo Vauban, hipoteticamente atribuída a Nicolau de Langres, e coroada a norte por uma obra avançada. Os progressos de artilharia obrigaram os engenheiros militares à substituição das altas muralhas dos castelos por obras de defesa menos aparentes e vulneráveis. Os panos de muralha são de uma espessura bastante superior, em alvenaria de xisto um pouco mais aparelhado. A aterragem da plataforma era feita através de compactação do solo.
A posição estratégica da vila de Monsaraz permitia detectar o inimigo com antecedência, pois dava conta do perigo através da comunicação visual entre o conjunto fortificado e a rede de atalaias envolvente.
Quando nos debruçamos um pouco sobre a natureza das hostilidades fronteiriças ligadas às “Restauração”, compreendemos melhor não só a funcionalidade das “atalaias”, como aceitamos sem grande reserva que elas tenham sido construídas nesta época em resposta a necessidades estratégicas bem concretas.
A implantação das “atalaias” no terreno representou pois a resposta possível a uma ameaça permanente, visando criar um mínimo de condições que permitissem controlar visualmente e com alguma antecedência o movimento de tropas inimigas de modo a facilitar a fuga para o abrigo das fortalezas ou preparar o contra-ataque.
Especificamente no que diz respeito à região de Monsaraz, as atalaias ao longo do Azevel criavam uma linha de aviso suficientemente recuada em relação à fronteira física constituída pelo Guadiana, procurando detectar eventuais movimentos de envolvimento por Nordeste, em direcção a Monsaraz. Por sua vez, numa larga frente a Este, entre a foz do Azevel e a Foz do Álamo – com excepção da atalaia de S Gens, bastante afastada do Guadiana – não encontramos qualquer estrutura deste tipo nas proximidades do rio. Tal facto justifica-se pelo afastamento da linha de fronteira para Leste, o que fazia de Mourão e das quatro atalaias que rodeavam esta praça-forte, a principal frente contra eventuais incursões inimigas. Finalmente, a Sul da Ribeira do Álamo, a primeira linha de aviso passa de novo a situar-se ao longo da margem direita do Guadiana, preferencialmente junto aos portos ou vaus, locais de passagem obrigatória, mesmo em épocas de seca. Tal opção, apesar de o rio aqui também não servir de fronteira, explica-se pelo facto de entre as praças militares de Mourão e Lura (cerca de 40km), não existir qualquer impedimento, natural ou artificial, à passagem do inimigo. Considerando que a ribeira do Degebe representava um obstáculo de difícil transposição, protegia-se assim Monsaraz de manobras de envolvimento conduzidas de Sudeste.

Bandeira de Reguengos de Monsaraz

Heráldica

Brasão: de prata com um sobreiro de verde, frutado de ouro, troncado de negro e descascado de vermelho, acompanhado por dois cachos de uvas de púrpura folhados e sustidos de verde. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Reguengos de Monsaraz» de negro.

Bandeira: esquartelada de amarelo e de púrpura. Cordões e borlas de ouro e de púrpura. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz».


Cultura e Turismo

        De todos os concelhos que compõem o distrito de Évora, Reguengos de Monsaraz destaca-se pela vasta oferta em termos de turismo rural de alta qualidade[parcial] (nomeadamente de turismo de habitação), ao longo da extensa encosta de Monsaraz sobre o Rio Guadiana e Albufeira de Alqueva.
A cidade fornece uma vasta animação nocturna, que se figura em poucos estabelecimentos, isenta de criminalidade e com bom ambiente.[parcial]
Em termos comerciais, a cidade dispõe de vários supermercados e hipermercados (Pingo Doce, Lidl), dos quais dois estão inseridos em pequenos centros comerciais (Intermarché e Modelo). Em termos culturais e de lazer possui uma sala de cinema/auditório municipal, várias pastelarias e restaurantes típicos da região alentejana e ainda algum comércio tradicional, piscinas municipais, vários campos de futebol, circuito de manutenção, picadeiro municipal, várias praças com esplanadas, biblioteca municipal, espaço Internet, wireless gratuito na praça principal. Em termos de educação, dispõe de quatro escolas (jardim de infância/creche, escola primária, escola básica, escola secundária), e um polo da Universidade Aberta.


Gastronomia

        Quando visitar o Concelho de Reguengos não se esqueça de provar as famosas migas, o gaspacho, a açorda, o peixe do rio, bem como as peças de caça como o coelho, a lebre, a perdiz e o javali .

                                                                                                           Bolo Rançoso 
Bolo RançosoEnsopado de Borrego
Ensopado de Borrego 


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Évora

Brasão de Évora

Localização

        Évora é uma cidade portuguesa, capital do Distrito de Évora, e da região do Alentejo e sub-região do Alentejo Central, é a única cidade portuguesa membro da Rede de cidades europeias mais antigas.
É sede de um dos maiores municípios de Portugal, com 1307,04 km² de área e subdividido em 19 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Arraiolos, a nordeste por Estremoz, a leste pelo Redondo, a sueste por Reguengos de Monsaraz, a sul por Portel, a sudoeste por Viana do Alentejo e a oeste por Montemor-o-Novo. É sede de distrito e de antiga diocese, sendo metrópole eclesiástica (Arquidiocese de Évora).
O seu centro histórico bem-preservado é um dos mais ricos em monumentos de Portugal, o que lhe vale o epíteto de Cidade-Museu. Em 1986, o centro histórico da cidade foi declarado Património Mundial pela UNESCO.
O Concelho de Évora localiza-se em meio à grande planície alentejana, caracterizada por uma ondulação muito suave e altitude média de 240 metros. Com uma área de 1309 km², o concelho ocupa 5% da superfície da região do Alentejo. A área urbana de Évora abrange 1643 ha.
A paisagem da região de Évora caracteriza-se pelo cultivo extensivo de cereais, com manchas de pastagem e florestas de sobro a azinho. Vinhedos, olivais e arrozais também são parte da paisagem.


História

          Évora e sua região circundante tem uma rica história que recua a mais de dois milênios, como demonstrado por monumentos megalíticos próximos como a Anta do Zambujeiro e o Cromeleque dos Almendres. Alguns povoados neolíticos desenvolveram-se na região, o mais próximo localizado no Alto de São Bento. Outro povoado deste tipo é o chamado Castelo de Giraldo, habitado continuamente desde o 3o milênio até o primeiro milênio antes de Cristo e de esporádica ocupação na época medieval. Escavações arqueológicas, porém, não demonstraram até agora se a área da actual cidade era habitada antes da chegada dos romanos.
Segundo uma lenda popularizada pelo humanista e escritor eborense André de Resende (1500-1573), Évora teria sido sede das tropas do general romano Sertório, que junto com os lusitanos teria enfrentado o poder de Roma. O que é sabido com certeza é que Évora foi elevada à categoria de municipium sob o nome de Ebora Liberalitas Julia, em homenagem a Júlio César. A origem etimológica do nome Ebora é proveniente do celta antigo ebora/ebura, caso genitivo plural do vocábulo eburos (teixo), nome de uma espécie de árvore, pelo que o seu nome significa "dos teixos". A actual cidade de Iorque (York), no Norte de Inglaterra, na época do Império Romano, era denominada Eboracum/Eburacum, nome derivado do celta antigo Ebora Kon (Lugar dos Teixos), pelo que o seu nome antigo está hipoteticamente relacionado com o da cidade de Évora3 . Na época de Augusto (r. 27 a.C.-14 d.C.), Évora foi integrada à Província da Lusitânia e beneficiada com uma série de transformações urbanísticas, das quais o Templo romano de Évora - dedicado provavelmente ao culto imperial - é o vestígio mais importante que sobreviveu aos nossos dias, além de ruínas de banhos públicos. Na freguesia da Tourega, os restos bem-preservados de uma villa romana mostram que ao redor da cidade existiam estabelecimentos rurais mantidos pela classe senhorial. No século III, num contexto de instabilidade do Império, a cidade foi cercada por uma muralha da qual alguns elementos existem até hoje. O período visigótico corresponde a uma época obscura da cidade. Na época da dominação muçulmana, a cidade conheceu um novo período de esplendor económico e político, graças a sua localização privilegiada. As muralhas foram reconstruídas e um alcácer e uma mesquita foram construídos na área da acrópole romana.
A tomada de Évora aos mouros deu-se em 1165 pela acção do cavaleiro Geraldo Sem Pavor, responsável pela reconquista cristã de várias localidades alentejanas. Inaugurou-se assim uma nova etapa de crescimento da urbe, que chegou ao século XVI como a segunda cidade em importância do reino. D. Afonso Henriques concedeu-lhe seu primeiro foral (carta de direitos feudais) em 1166, e estabeleceu na cidade a Ordem dos Cavaleiros de Calatrava (mais tarde Ordem de Avis). Entre os séculos XIII e XIV foi erguida a Sé Catedral de Évora, uma das mais importantes catedrais medievais portuguesas, construída em estilo gótico e enriquecida com muitas obras de arte ao longo dos séculos. Além da Sé, na zona do antigo forum romano e alcácer muçulmano foram erguidos os antigos paços do concelho e palácios da nobreza local. A partir do século XIII instalam-se na cidade vários mosteiros de ordens religiosas nas zonas fora das muralhas, o que contribuiu para a formação de novos centros aglutinadores urbanos. A área extra-muros contava ainda com uma judiaria e uma mouraria. O crescimento da cidade para fora da primitiva cerca moura levou à construção de uma nova cintura de muralhas no século XIV, durante o reinado de D. Dinis. As principais praças da cidade eram a Praça do Giraldo (originalmente Praça Grande) e o Largo das Portas de Moura e o Rossio. A Praça do Giraldo, sede de uma feira anual desde 1275, também foi sede dos paços do concelho (desde o século XIV) e da cadeia. Com o tempo, especialmente a partir do século XVI, o Rossio passou a concentrar as feiras e mercados da cidade. O século XVI corresponde ao auge de Évora no cenário nacional, transformando-se num dos mais importantes centros culturais e artísticos do reino. A partir de D. João II e especialmente durante os reinos de D. Manuel e D. João III, Évora foi favorecida pelos reis portugueses, que passavam longas estadias na urbe. Famílias nobres (Vimioso, Codovil, Gama, Cadaval e outras) instalaram-se na cidade e ergueram palácios. D. Manuel concedeu-lhe um novo foral em 1501 e construiu seus paços reais em Évora, em uma mistura de estilos entre o mudéjar, o manuelino e o renascentista. D. João III ordenou a construção da Igreja da Graça, belo templo renascentista onde planeou ser sepultado, e durante seu reinado foi construído o Aqueduto da Água de Prata por Francisco de Arruda. Nessa época viveram na cidade artistas como o poeta Garcia de Resende, os pintores Frei Carlos, Francisco Henriques, Gregório Lopes, o escultor Nicolau de Chanterenne e eruditos e pensadores como Francisco de Holanda e André de Resende. Em 1540 a diocese de Évora foi elevada à categoria de arquidiocese e o primeiro arcebispo da cidade, o Cardeal Infante D.Henrique, fundou a Universidade de Évora (afecta à Companhia de Jesus) em 1550. Um rude golpe para Évora foi a extinção da prestigiada instituição universitária, em 1759 (que só seria restaurada cerca de dois séculos depois), na sequência da expulsão dos Jesuítas do país, por ordem do Marquês de Pombal. Nos séculos XVII e XVIII muito edifícios importantes foram reformados ou construídos de raiz em estilo maneirista ("chão"). No património da cidade destaca-se a capela-mor barroca da Sé, obra do arquitecto Ludovice, e os muitos altares e painéis de azulejos que cobrem os interiores das igrejas e da Universidade.
No século XIX, Évora passou por muitas transformações urbanísticas, algumas de discutível qualidade. Na Praça do Giraldo, a cadeia e os antigos paços do concelho manuelinos foram demolidos e em seu lugar foi levantado o edifício do Banco de Portugal, enquanto que a sede do concelho foi transferida ao Palácio dos Condes de Sortelha, na Praça do Sertório. O Convento de S. Francisco também foi demolido (a igreja gótica foi poupada) e em seu lugar foi construído um novo quarteirão habitacional e um mercado. No lugar do Convento de S. Domingos foi erguido o Teatro Garcia de Resende (c. 1892). As muralhas medievais foram em grande parte preservadas, mas das antigas entradas apenas a Porta de Avis foi mantida. No século XX foi construído um anel viário ao redor do perímetro da muralha, o que ajudou na seua preservação. Évora é testemunho de diversos estilos e correntes estéticas, sendo ao longo do tempo dotada de obras de arte a ponto de ser classificada pela UNESCO, em 1986, como Património Comum da Humanidade.

Bandeira de Évora

Heráldica

Brasão: escudo peninsular de ouro, com um cavaleiro armado de prata, realçado de azul, galopando em cavalo negro e empunhando uma espada de prata ensanguentada; em contrachefe, duas cabeças de carnação, caídas e cortadas de sangue, uma de homem à dextra e outra de mulher à sinistra, toucadas de prata. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com a legenda a negro «Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Évora». Concedido pela 1ª República à cidade em 1919, o brasão ostenta o colar da Torre e Espada.

Bandeira: com cordéis e borlas de ouro e vermelho, haste e lança douradas, gironada de ouro e vermelho.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Évora».


Cultura e Turismo

          O Centro Histórico de Évora é um espaço urbano intra-muros, classificado como Património Mundial da UNESCO, localizado na cidade de Évora. A cidade-museu de Évora tem raízes que remontam ao tempo do Império Romano. A cidade ainda conserva, em grande parte no seu núcleo central, vestígios de diversas civilizações e culturas: Celtas, Romanos, Árabes, Judeus e Cristãos influenciaram a cultura eborense. Atingiu a sua época dourada no século XV, quando se tornou residência dos reis de Portugal. A qualidade arquitectónica e artística do casario branco ou decorado com azulejos e varandas de ferro forjado, datadas dos séculos XVI a XVIII, é única. Os monumentos da cidade tiveram também profunda influência na arquitectura portuguesa no Brasil.
O Centro Histórico de Évora, formado por ruas estreitas e travessas, pátios e largos, tem uma área de 107 hectares e é claramente demarcado pelas muralhas medievais, com extensão de mais de 3 km.
No lado sul da antiga Cerca encontra-se a Praça do Giraldo, da qual divergem as vias principais em estrutura radial.
O centro histórico de Évora é um dos mais ricos de Portugal, sendo classificado como Património Mundial desde 1986. Alguns dos seus principais monumentos são:
Templo romano de Évora: é um dos monumentos romanos mais importantes de Portugal. Situa-se no ponto mais alto da cidade e foi parte do forum romano. Pensa-se que foi criado por volta do século I para homenagear o Imperador Augusto, mas mais tarde passou a ser conhecido erradamente por Templo de Diana.
Sé Catedral: construída entre os séculos XIII e XIV em estilo gótico, é uma das catedrais medievais mais importantes do país, com plano inspirado na Sé de Lisboa românica. No século XIV foi construído um claustro e foram esculpidas as estátuas dos apóstolos do portal principal, obra-prima da escultura medieval portuguesa. No século XVIII a capela-mor foi reconstruída em exuberante estilo barroco.
Igreja de São Francisco: foi reconstruída a partir do reinado de D. João II e terminada na época de D. Manuel. Sua arquitectura e decoração mistura os estilos gótico, mudéjar e manuelino. A nave única, coberta por uma imensa abóbada de pedra, é uma obra-prima da arquitectura gótica portuguesa.
Capela dos Ossos: situada na Igreja de São Francisco, foi construída no século XVIII e é inteiramente forrada com ossos humanos. É conhecida pela famosa frase escrita à entrada "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos"
Palácio de D. Manuel: do paço construído na cidade por este rei nos inícios do século XVI sobreviveu a chamada Galeria das Damas, em que se misturam influências do gótico-mudéjar, manuelino e renascentista.
Convento dos Lóios: a igreja e o claustro do convento são bons exemplos do gótico-mudéjar e manuelino em Évora. Actualmente o convento abriga uma pousada.




Gastronomia

          Évora é o sítio ideal para conhecer os sabores alentejanos que nos conquistam à primeira garfada, se não ao primeiro aroma… Os pratos de carne de porco e de borrego, as sopas de pão com ervas aromáticas, os peixes do rio, os enchidos, queijos, vinhos, doces conventuais, entre outras iguarias, fazem desta cozinha uma das mais interessantes e saborosas do pais e quiçá do mundo. Da cozinha eborense destacam-se a açorda alentejana, a sargalheta de toucinho à moda de Évora, a sopa de cação, o coelho manso à moda do Convento de Santa Clara, as migas com carne de porco, os pezinhos de porco de coentrada. Nas sobremesas são típicos o bolo Joana do Convento de Santa Clara, o bolo Rolão, as queijadas, a encharcada do Convento de Santa Clara, a sericaia, o torreão real de Évora, o pão de rala e outros doces de ovos, amêndoa e chila. Os restaurantes eborenses apresentam ementas tentadoras quase todas privilegiando os pratos tradicionais do Alentejo que continuam a ser preparados como sempre foram!
É um passar de tradição que os alentejanos fazem questão em manter e que os apreciadores da boa mesa agradecem!

                                                                                                     Encharcada do Convento de Santa Clara
Encharcada Convento de Santa Clara
Sopa de Cação 


Queijadas
Queijadas