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sábado, 1 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho da Moita

Brasão de Moita

Localização : 

            A Moita é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Setúbal, região de Lisboa e sub-região da Península de Setúbal, é sede de um pequeno município com 55,08 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte e a leste pelo município do Montijo, a sueste por Palmela, a oeste pelo Barreiro e a noroeste tem uma estreita faixa ribeirinha no estuário do Tejo.


História : 

         As origens da ocupação humana no Concelho da Moita remontam aos inícios do Neolítico e correspondem a uma ocupação de carácter habitacional com cerca de seis mil anos, como atestam os achados arqueológicos da jazida do Gaio.
Contudo, não se conhece uma continuidade da ocupação do espaço, na medida em que só a partir de meados do século XIII podemos apontar a existência de um núcleo humano em Alhos Vedros , como certifica o mais antigo documento que se conhece referente a esta localidade, que confirma a existência desse lugar com um capelão chamado Fernão Rodrigues, datado de 30 de Janeiro de 1298. O povoamento da faixa ribeirinha, na qual se integra o território do actual concelho da Moita, só terá ocorrido de uma forma mais ou menos contínua com a pacificação de toda esta zona, o que nos faz supor que apenas terá sucedido após a reconquista definitiva de Alcácer do Sal em 1217.
Toda esta extensa região (doada por D. Sancho I, no ano de 1186) que se estendia desde a Margem Sul do Rio Tejo até à extrema do Alentejo estava na dependência directa da Ordem Militar de Santiago. É neste contexto que surge a designação de Riba Tejo, termo utilizado pelos freires de Santiago para denominarem o vasto território compreendido entre o rio de Coina e a ribeira das Enguias e no qual nasceram e se foram desenvolvendo vários núcleos populacionais, atraídos pela força do estuário. É no âmbito desta estrutura organizacional que surge a freguesia de São Lourenço de Alhos Vedros, confirmada documentalmente por uma sentença, datada de 5 de Outubro de 1319. O período que medeia os séculos XIV e XVI é propício ao desenvolvimento económico e populacional de Alhos Vedros, de tal forma que vê crescer a sua importância no contexto regional, ao receber o estatuto de vila (1477), o poder municipal (1479) e a carta de foral (1514).
Contudo, no final da centúria de quatrocentos e início de quinhentos, é que terá assumido o seu período áureo, abrangendo o seu termo um extenso território que compreendia os actuais concelhos do Barreiro e da Moita, estendendo-se desde a Ribeira de Coina até Sarilhos Pequenos. Embora detivesse uma área de jurisdição, o antigo concelho de Alhos Vedros estava na dependência directa da Ordem Militar de Santiago, a sua donatária, pelo que constituía uma comenda da Mesa Mestral da Ordem. É neste contexto espácio-temporal que vão surgindo pequenos aglomerados, constituídos por pouco mais do que uma dezena de habitantes, demonstrando que a humanização, no território do actual concelho da Moita se fez muito lentamente, o que se deveu, em grande parte, à estrutura do solo, coberto exclusivamente por matas e extensos pinhais. Dados os imperativos geográficos, os aglomerados que nasceram no termo de Alhos Vedros cresceram em estreita articulação com o trabalho no rio, através de uma rede efectiva de ligações fluviais com a outra margem, o que permitia uma rápida circulação de pessoas e de bens. Aliás, o desenvolvimento da Moita está indissociavelmente ligado ao transporte de cabotagem, actividade que a converteu numa terra de passagem e num importante nó de ligação entre o Sul do país e a cidade de Lisboa.
Assim, à medida que assistimos ao crescimento da Moita, que culmina com a sua elevação a vila em 1691, Alhos Vedros vai lentamente declinando, situação que se reflecte na desintegração do seu território e consequentemente no decréscimo da população, de modo que, no século XVIII, Alhos Vedros tinha apenas 124 moradores, enquanto a Moita já registava 225 “vizinhos” e o lugar de Sarilhos Pequenos 55 “vizinhos”.
Nos finais do século XVII, passámos a ter duas vilas e dois concelhos com as respectivas áreas jurisdicionais, administradas individualmente por dois juízes ordinários, vereadores, um procurador do concelho, escrivão da Câmara, juiz dos órfãos com o seu escrivão, dois tabeliões, um alcaide e uma companhia de ordenança.
No século XIX, no decorrer das reformas administrativas empreendidas pelo governo liberal, Alhos Vedros perdeu definitivamente a sua autonomia municipal e foi integrado como freguesia, num primeiro momento, no Barreiro (1855) e, num segundo momento, na Moita (1861). Na última década do século, com a segunda extinção do concelho da Moita (1895), a freguesia de Alhos Vedros voltou a ser anexada, por mais três anos, ao Barreiro, para ser de novo reintegrada, em definitivo, no concelho da Moita (1898). 

Bandeira de Moita

Heráldica : 

Brasão: de prata com um sobreiro de verde, frutado de ouro e troncado e arrancado de negro, realçado de prata. Em chefe uma cruz de Santiago, de púrpura, acompanhada de dois cachos de uvas de púrpura, folhados de verde. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres: «Vila da Moita», a negro.

Bandeira: esquartelada de amarelo e de verde. Cordões e borla de ouro e verde. Lança e haste douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro dos círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal da Moita».


Cultura e Turismo : 

        Neste concelho que nasceu e se desenvolveu em estreita relação com o rio Tejo, vale a pena vir à descoberta da sua zona ribeirinha. Da Baixa da Banheira a Sarilhos Pequenos, a paisagem é diversa mas o Tejo, esse é comum. São 20 Km de margens, alternando entre as zonas verdes tratadas, sapais e antigas salinas, cais e estaleiros navais, praia fluvial, além da animação desportiva e cultural a cargo das associações locais e das autarquias. Também a riqueza do património religioso e civil faz com que valha a pena uma visita mais demorada ao Município da Moita. 
Na Baixa da Banheira, deixe a EN11 e vire em direcção ao Parque da Zona Ribeirinha. Estacione o automóvel, se for o caso, e faça uma caminhada ao longo do Parque que acompanha o recorte natural das margens do Tejo. Pode também subir ao miradouro e apreciar uma outra perspectiva do vasto parque ribeirinho, construído para reaproximar esta vila operária do seu rio. 
Já em direcção à Moita, visite, à entrada da antiga vila de Alhos Vedros, o Parque das Salinas, cuja concepção segue a mesma filosofia do anterior. Também aqui a área verde de lazer foi "ganha" ao rio, através da recuperação das antigas salinas desactivadas e vazadouros. Virada para o Parque das Salinas, está a Igreja Matriz de S. Lourenço de fundação medieval. Com as suas interessantes capelas, esta é uma das mais importantes peças do conjunto patrimonial desta vila. Chegado à Moita, meta pela Rua do Rosário, no fim da Avenida Marginal, em direcção à característica localidade do Gaio. Aí procure a indicação "Estaleiro Naval" ou "Parque das Canoas", cujo nome não poderia ser mais apropriado. Construído junto ao antigo Estaleiro Naval de barcos tradicionais do Tejo, este parque é o local ideal para passar um fim de tarde no sossego da beira-Tejo.
Entre Sarilhos Pequenos e Alhos Vedros, vários são locais onde são ainda visíveis os restos de antigas salinas, junto aos sapais e outras zonas naturalizadas. Destacamos, pela sua acessibilidade, a zona da antiga Quinta do Esteiro Furado, para ver da estrada municipal entre Sarilhos e Rosário (trata-se de propriedade particular) e as antigas salinas junto à estrada entre o Gaio e a Moita, à chegada a esta vila. 
Entre as várias espécies de aves aquáticas que aqui se podem observar, contam-se os flamingos, visíveis durante quase todo o ano na baixa-mar (com mais facilidade, na Caldeira da Moita), sobretudo a partir do fim do Verão até ao Inverno, época em que o Tejo chega a albergar vários milhares de indivíduos dispersos por todo o estuário.
O Cais do Descarregador em Alhos Vedros é uma paragem obrigatória para quem se interessa pela história e pelas actividades tradicionais ligadas ao rio. Junto ao Cais, encontra-se o Moinho de Maré e a sede da Associação de Desportos Náuticos "Amigos do Mar". 
Na Moita, o antigo cais, construído no séc. XVIII, testemunhou o vaivém dos barcos do Tejo, carregando e descarregando produtos agrícolas e passageiros entre esta margem e capital. O Centro Náutico Moitense situa-se igualmente nas imediações. Em Sarilhos Pequenos, no Esteiro da Elisa, pode visitar o estaleiro naval, propriedade de Jaime Ferreira da Costa & Filhos. Aqui, apesar das técnicas de construção terem acompanhado a evolução tecnológica, a vocação dos barcos do Tejo e o enquadramento na paisagem conferem-lhe características únicas. E, mais uma vez, o clube náutico local – Associação Naval SariIhense  – não se encontra longe, embora o caminho até lá justifique uma volta mais atenta pela povoação de antigos marítimos, onde são conhecidos os excelentes artesãos de miniaturas de barcos típicos do Tejo.
Durante o Verão, sugerimos um dia passado na Praia do Rosário, descansando nas calmas areias salpicadas por conchas das famosas ostras do Tejo (cuja apanha constituiu outrora o único sustento de muitas famílias), ou petiscando no agradável parque de merendas ou, ainda, deliciando-se com uma caldeirada à fragateiro num dos restaurantes locais. Se for dia de largada de touros na praia, previna-se contra as investidas mas não deixe de apreciar a particular luminosidade do fim de tarde no adro da capela manuelina alcandorada sobre o Mar da Palha que apaixona, até hoje, fotógrafos, realizadores de cinema e publicitários, para já não falar dos próprios rosarenses.

Tauromaquia : 

Na Moita, já em 1837, os festeiros da Festa em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem realizavam duas corridas de touros. Passadas três décadas, o desenvolvimento da «aficion» local permitirá perspectivar a exploração económica do espectáculo com touros, edificando-se, para o efeito, a Praça de Touros Nª. Sr.ª da Boa Viagem, em 1872, também designada, por vezes, como Praça da Caldeira. Em 1947, a velha praça de touros conclui a sua função na história da tauromaquia moitense. De 1872 a 1947, foram cumpridos 75 anos ao serviço da festa brava, interrompidos pela vistoria que detectou carências ao nível das condições de segurança. Sem praça de touros que estimulasse festeiros não se realizaram as Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem em 1948 e 1949. Sendo uma circunstância insustentável para os moitenses, tem início um movimento para a construção da nova praça de touros, constituindo-se a Sociedade Moitense de Tauromaquia, proprietária da actual praça de touros, que tomou a denominação de Daniel do Nascimento. A inauguração da Daniel do Nascimento ocorreu em 16 de Julho de 1950.
Ao longo destes anos, a Moita tem consolidado uma posição cimeira no panorama tauromáquico, detendo actualmente aquela que é conhecida como a mais importante feira taurina de Portugal, que se realiza em Setembro, aquando as Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem.
De salientar, ainda, na forma de festejo popular, as tradicionais largadas de touros, na Avenida Dr. Teófilo Braga, Moita; as largadas na Praia do Rosário, no Gaio-Rosário; em Sarilhos Pequenos; em Alhos Vedros e na Barra Cheia. 





Gastronomia : 

          Terra de marítimos e fragateiros, a gastronomia da Moita está estreitamente ligada ao Rio Tejo. Nos vários restaurantes do concelho, podem ser provadas iguarias que fazem parte da gastronomia local e que merecem ser apreciadas demoradamente: destaque para a Caldeirada à Fragateiro, seguida da Massinha da Caldeirada, Ensopado de Enguias, Arroz de Marisco, Choco Frito, Massa de Peixe, Massinha de Sapateira ou simplesmente grelhados no carvão.
                                                                                                        Ferradura 
Massa de Cherne 

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho do Seixal

Brasão de Seixal

Localização : 

        O Seixal é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Setúbal, região de Lisboa e sub-região da Península de Setúbal, é sede de um município com 93,58 km² de área, subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a este pelo município do Barreiro, a sul por Sesimbra, a oeste por Almada (com quem mantém uma forte afinidade) e a norte pelo estuário do Tejo, através do qual tem ligação a Lisboa. O concelho do Seixal possui um grande braço do Tejo, com o sapal de Corroios a oeste e o rio Judeu a leste.


História : 

         Da história remota da sede do Município pouco se sabe. Contudo, esta cidade terá tido origem, muito provavelmente, num pequeno núcleo de pescadores e o seu nome poderá estar associado à grande quantidade de seixos existentes nas praias ribeirinhas que seriam utilizados como lastro nas embarcações.
Foi no Seixal que os irmãos Vasco e Paulo da Gama construiram as embarcações para a viagem até à Índia. Enquanto Vasco da Gama estava em Lisboa a preparar a viagem, Paulo da Gama comandava os carpinteiros e calafates na construção das naus. Estêvão da Gama, pai dos navegadores, foi comendador do Seixal.
No início do século XVI, a população rondava as três dezenas de fogos e no dealbar do século XVIII, o número de habitantes ascendia a cerca de 400 pessoas. Actualmente, o Concelho tem 180 mil habitantes.
A organização administrativa e territorial do Seixal sofreu várias alterações ao longo dos tempos. Assim, na época de Quinhentos, o povoado do Seixal fazia parte da freguesia de Arrentela, estando incluído no termo de Almada. Só após a revolução liberal, na sequência da reforma administrativa de 1836, no reinado da Rainha Dona Maria II, é que viria a ganhar direitos de concelho. Contudo, em 1895, viria a ser extinto.
A Freguesia de Amora foi então integrada no concelho de Almada e as de Arrentela, Aldeia de Paio Pires e Seixal no concelho do Barreiro. Três anos mais tarde, o concelho do Seixal foi de novo instituído, passando também a abranger a freguesia de Corroios, criada em 1976.
As alterações de estatuto administrativo acompanharam a evolução e desenvolvimento das povoações. O Terramoto de 1755 fez-se sentir violentamente no Seixal, tendo obrigado as populações ribeirinhas a procurar refúgio nas barrocas do Conde de Vila Nova. A reconstrução foi lenta.
A partir da segunda metade do século XIX, começou a registar-se um significativo surto de desenvolvimento económico e industrial, com a instalação de diversas unidades fabris (têxtil, vidro e cortiça). Ficaram conhecidas a Companhia de Lanifícios de Arrentela, a vidreira Fábrica da Amora e as corticeiras Mundet e Wicander. Há cerca de 100 anos, o Seixal era o principal centro corticeiro do País.Nos anos sessenta, a instalação da Siderurgia Nacional (inaugurada em 1961) e a ponte sobre o Tejo (1966) deram um novo impulso ao desenvolvimento económico do Concelho, com grande incidência no crescimento demográfico e na alteração profunda das suas características urbanísticas.
Em 27 de Maio de 1993, é criada a freguesia de Fernão Ferro, resultante da subdivisão da antiga freguesia de Arrentela. Em 20 de Maio do mesmo ano, as vilas do Seixal e Amora adquirem o estatuto de cidade e Corroios ascende a vila.
A presença do Tejo neste concelho, nomeadamente da Baía do Seixal, condiciona o aparecimento de um conjunto de profissões - pescadores, marinheiros, moleiros, calafates, carpinteiros de machado - que, durante anos, constituíram o principal modo de vida das populações.
A fisionomia urbana do Concelho foi também definitivamente marcada pela presença do rio, com a construção de moinhos de maré, estaleiros navais e de actividades ligadas à pesca, tais como a antiga seca do bacalhau na Ponta dos Corvos.

Bandeira de Seixal

Heráldica : 

Brasão: escudo de vermelho, uma muleta de azul realçada de ouro, mastreada e encordoada do primeiro e vestida de prata, vogando em três faixetas ondadas, duas de azul e uma de prata, acompanhadas por seixos de prata realçados de negro. Em chefe, uma enxó cruzada com um machado sobre o macete, tudo de ouro. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com a legenda em maiúsculas a negro: "SEIXAL".

Bandeira: gironada de oito peças de amarelo e azul. Cordão e borlas de ouro e azul. haste e lança de ouro.

Selo: circular, com as peças do escudo sem a indicação de cores e metais, tudo envolvido por dois círculos concêntricos, onde corre a legenda: "Câmara Municipal do Seixal".

Cultura e Turismo : 

             Cidade plana que motiva o cicloturismo e, como tal, conta com uma ciclovia ao largo da baía ligando as cidades de Amora e Seixal, passando pelas localidades do Seixal, Arrentela e Amora.
Local onde Vasco da Gama e Paulo da Gama construíram a sua frota marítima para se deslocar até à Índia, conta com inúmeras quintas senhoriais, com um património riquíssimo testemunho dessa época (Quinta da Fidalga, Quinta do Álamo, Quinta da Trindade, Quinta de São Pedro, Quinta de Cheiraventos, etc.).
Terra de pescadores, viveiro de músicos, o Seixal e a Amora têm presente a qualidade artística das melhores bandas filarmónicas nacionais, tais como a Sociedade Filarmónica União Arrentelense, a Sociedade Filarmónica Operária Amorense e a Sociedade Filarmónica Timbre Seixalense.
Ao passear pelo Seixal por terra, visite o núcleo histórico com destaque para a Praça Luís de Camões, Patio do Genovês, Largo da Igreja, Praça dos Mártires da Liberdade e Rua Paiva Coelho, não esquecendo de saborear a magnífica gastronomia. Quando o visitar à beira-rio, deslumbre as embarcações típicas do Tejo e a vista sobre Lisboa.



Gastronomia : 

            A gastronomia seixalense estava dependente do que se produzia no solo, do que se pescava no mar e no rio e dos animais que se criavam. De facto, no início do século XX, o Seixal era um concelho rural e agrícola, onde se produziam frutas, legumes, vinho e azeite.
Dos cereais, o milho era o mais produzido, sendo no entanto também cultivado o centeio, a cevada e a aveia. Como culturas hortícolas de sequeiro, o tomate era o mais abundante, seguido pelo feijão, a fava, a ervilha e o grão-de-bico. Relativamente a culturas de regadio, era possível encontrar a couve, o repolho, o nabo, a cenoura e o feijão-verde. As culturas frutícolas eram essencialmente de laranjeiras e limoeiros. Havia também no concelho figueiras, macieiras, pereiras e nespereiras, damasqueiros e ameixoeiras. No estuário do Tejo, devido à proximidade com o Mar da Palha, existiam tainhas, enguias, robalos, peixe-rei, caboz, marinha, sardinha, linguado, patruça, xarroco, sargo, dourada, ruivo, salmonete, corvina, choco, lambujinha, camarão, camarinha, caranguejo, lagostas, santolas, navalheiras, berbigão e ostras. Todos estes elementos foram fundamentais para a riqueza gastronómica que o concelho do Seixal possui. Aliado ao percurso demográfico que sucedeu no concelho, pode afirmar-se que o Seixal, para além da riqueza patrimonial natural, possui também uma grande riqueza cultural, que deve ser valorizada e preservada.
A diversidade gastronómica do concelho deve-se ao facto de aqui se terem fixado homens e mulheres oriundos sobretudo das Beiras e do Alentejo, que trouxeram consigo o saber, adaptando-o aos recursos agrícolas e piscatórias existentes. 
Desta forma, foram implementados novos hábitos alimentares nesta região, hábitos esses que permanecem até hoje, resultando na riqueza gastronómica que o Seixal possui, tais como a feijoada de choco, a caldeirada, a massa de peixe, as enguias fritas e o ensopado de enguias.
Na doçaria tradicional encontramos os Pastelinhos de Santa Marta, o doce eleito do concelho, após o concurso de apuramento, que decorreu em 2006, inserido na 14.ª edição da Festa da Gastronomia do Seixal. Consta que eram confeccionados e vendidos em ocasiões festivas, especialmente durante a Festa de Santa Marta de Corroios, que viria a realizar-se até aos primeiros anos do século XX. A secular receita, que inclui farinha, açúcar, ovos, limão, canela e amêndoa, chegou ao conhecimento da proprietária do Restaurante O Virgílio como tendo sido duma anciã, de seu nome Henriqueta de Paiva, antiga residente na Quinta da Cabouca, no Alto do Moinho. Consta, da tradição oral do local, que esta senhora, nascida por volta de 1860 e que terá morrido na década de 1940, confeccionava os Pastelinhos de Santa Marta para consumo caseiro e em ocasiões festivas.
                                                                                                        Caldeirada de Peixe 
Caldeirada de peixe Pastelinhos de Santa Marta
Pastelinhos de Santa Marta 

Feijoada de Choco
Feijoada de Choco 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho do Barreiro

Brasão de Barreiro

Localização : 

            O Barreiro é uma cidade portuguesa no Distrito de Setúbal, região de Lisboa e sub-região da Península de Setúbal, é sede de um pequeno município com 33,81 km² de área e subdividido em 8 freguesias, sendo elas a do Alto do Seixalinho, Barreiro, Coina, Lavradio, Palhais, Santo André, Santo António da Charneca e Verderena. O município é limitado a Leste pelo município da Moita, a Sueste por Palmela, a Sul por Sesimbra, a Oeste pelo Seixal e a Norte pelo rio Tejo e o seu estuário. Na outra margem encontra-se a cidade de Lisboa.
De salientar que a cidade do Barreiro apresenta uma posição estratégica enquanto banhada pelo Tejo e apoiada por um importante terminal rodo-ferro-fluvial. Situa-se a cerca de 40 km de Lisboa – ligando a esta cidade pela Ponte 25 de Abril ou pela Ponte Vasco da Gama – e a cerca de 35 km de Setúbal, capital de distrito, cujo acesso mais destacado é pela A2. O Barreiro foi elevado a cidade a 28 de Junho de 1984. 


História : 

      A cidade portuguesa de Barreiro teve origem numa «pobra» ou aldeia ribeirinha, repovoada após a reconquista, sob a égide dos Cavaleiros da Ordem de Santiago da Espada. A paróquia de Santa Cruz do Barreiro remonta aos séculos XIII-XIV, tendo sido comenda da Ordem de Santiago da Espada.
Os seus povoadores dedicavam-se às actividades piscatórias e da extracção do sal. Terra de pescadores e de gentes do campo levou vida obscura, se bem que tivesse sido elevada a vila em 1521. No esteiro do rio Tejo que no Barreiro entra pelo Rio Coina encontrava-se Vale de Zebro, onde outrora de erguiam fornos que fabricavam os biscoitos que abasteciam as naus que saíam de Lisboa, rumo à Índia e ao Brasil.
Nas duas margens dos esteiros funcionavam moinhos de maré que fabricavam a farinha para os biscoitos. Os celeiros, fornos e moinhos subsistiram até ao século XIX. O concelho do Barreiro, ao ser extinto o de Alhos Vedros a 24 de Outubro de 1855, passou a integrar na sua área as freguesias de Palhais e de Lavradio.
O desenvolvimento do Barreiro teve início em 1861, com a exploração das linhas férreas até Vendas Novas (57 km) e até Setúbal (13 km). A sua expansão deve-a, contudo, a partir de 1906, com a adjudicação a um grupo de industriais do Caminho-de-Ferro-Sul-e-Sueste, inicialmente entre o Barreiro e Vendas Novas. Com o surgimento deste meio de transporte, este haveria de despoletar um processo histórico, que viria a ser determinante, não só para o Concelho, como para o país. A implementação de indústrias pela Companhia União Fabril (CUF), desde 1898 dirigida pelo dinâmico e empreendedor empresário que foi Alfredo da Silva.
Desde então o Barreiro tornar-se-ia uma “moderna vila industrial e operária", transformando por completo o antigo aspecto da vila, tanto social, económica, como urbanisticamente, o Barreiro transfigurava-se. A malha urbana cresceria além dos limites do próprio concelho, até à vizinha Moita. Os vestígios deste passado são ainda hoje uma marca da cidade, através das Oficinas da CP, dos Bairros Operários, e em especial do ainda presente parque industrial-empresarial da Quimiparque (actual nome da antiga CUF e QUIMIGAL).  O Barreiro ascendeu ao título de cidade em 28 de Junho de 1984.

 Bandeira de Barreiro

Heráldica : 

Brasão: de prata, nó aberto de corda, de verde, posto em faixa e movente dos flancos. Em chefe, uma cruz de Santiago, de púrpura, acompanhada à dextra de uma roda de indústria, de verde, e à sinistra de um cacho de uvas púrpura folhado de verde. Uma ponta, duas faixas ondadas de azul, onde navega uma muleta (barco regional) de negro, realçada de ouro, vestida de vermelho mastreada e encordoada de negro. Coroa mural de cinco torres de prata. Listel branco com letras a negro «CIDADE DO BARREIRO».

Bandeira: gironada de vermelho e preto.


Cultura e Turismo : 

           A oferta turística no Barreiro divide-se entre pontos de interesse histórico, equipamentos culturais e desportivos. Há ainda um conjunto de serviços que permitem usufruir dos recursos naturais que o concelho tem para oferecer. Sem esquecer o passado industrial que proporcionou ao Barreiro um forte desenvolvimento económico e social, o Concelho continua a afirmar-se dentro da Área Metropolitana de Lisboa enquanto pólo de atracção de serviços e populações. Para esse facto muito contribui a sua localização privilegiada, na margem sul do estuário do Tejo.
Promover as potencialidades turísticas de um Município que cresça quantitativa e qualitativamente é o desafio do século XXI.
O Concelho possui uma extensa frente ribeirinha com potencialidades para o incremento da economia local e desenvolvimento de actividades económicas na vertente turística e de lazer, numa óptica de um turismo de qualidade. Está a ser desenvolvida a recuperação de uma vasta área de frente ribeirinha, a coberto do programa Polis e de outros, que se traduz num conjunto de intervenções urbanísticas e ambientais visando melhorar a atractividade e competitividade do Concelho. Existem variados pontos de interesse turístico que contribuirão para este desenvolvimento.



Gastronomia : 

       A Gastronomia do concelho do Barreiro foi influenciada pela sua proximidade ao rio. É assim natural a prevalência de pratos do peixe nele pescado - cataplanas, caldeiradas, arroz e “massadas”. Na doçaria é de salientar o bolo  Matateus, Bolos de coco, Argolas fritas, Bolo de família.

                                                                                                        Bolo Matateus  
Bolo MatateuCaldeirada de Enguias
Caldeirada de Enguias 

Argolinhas Fritas
Argolinhas fritas

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Almada

Brasão de Almada

Localização : 

              Almada é um concelho português pertencente ao Distrito de Setúbal, região de Lisboa e sub-região da Península de Setúbal, é sede do município com 70,2 km² de área, subdividido em 11 freguesias. Algumas das freguesias que fazem parte da cidade de Almada são o Feijó, Cacilhas, Cova da Piedade, Almada, Laranjeiro e Pragal, que constituem uma área urbana de 13,74 km². O município é limitado a leste pelo município do Seixal e a sul por Sesimbra, e possui uma longa costa a oeste para o Oceano Atlântico, e a norte e nordeste abre-se para o Estuário do Tejo, frente aos municípios de Lisboa e Oeiras. O rio Tejo, o maior da Península Ibérica desagua entre Almada e Oeiras.
O concelho recebeu foral de Dom Sancho I em 1190. Almada foi elevada à categoria de cidade em 1973. Outra localidade do município de Almada com estatuto de cidade é a Costa da Caparica, esta elevada a cidade em 2004.


História : 

           A primeira referência histórica à região de Almada remonta para o período Neolítico, há cerca de 5000 mil anos. Este foi um ponto de passagem para comunidades como a Romana, Fenícia e Cartaginesa mas são os árabes que acabam por exercer maior influência na região. A sua localização na ponta Noroeste da Península de Setúbal, à margem do rio Tejo e em frente a Lisboa, faz desta ao longo dos vários anos ponto estratégico militar para a defesa e vigilância das rotas comerciais da região. O rio Tejo era um cruzamento de embarcações que faziam trocas de mercadorias como por exemplo: farinha, fruta, peixe, vinho, etc. e Almada (nomeadamente Cacilhas) era um dos principais portos da Península Ibérica. Na idade média, em 1147, D. Afonso Henriques, com o auxílio das cruzadas inglesas conquista Almada3 , uma das principais praças militares árabes a sul do Tejo. Mais tarde, em 1170, D. Afonso Henriques concede-a aos mouros que auxiliaram na conquista e repovoamento da região. Estes detiveram o seu controlo até D. Sancho I a conquistar no ano de 1186 e a atribuir à Ordem de Santiago. Em 1190, D. Sancho I concede o primeiro foral extensivo a cristãos e homens livres que viviam na vila e seu termo. Este primeiro foral manteve-se praticamente inalterável até ao séc. XVI.
A 1 de Dezembro 1297, D. Dinis negoceia com a Ordem de Santiago e incorpora Almada Nos Bens da Coroa em troca de outras vilas a sul do Tejo. Data desta troca a primeira delimitação oficial do território do concelho que abrangia sensivelmente os atuais concelhos de Almada e Seixal.
Em 1513, D. Manuel I atribui a Almada novo Foral, que proporciona transformações económicas, sociais e políticas. As primeiras referências da população e das freguesias de Almada começam a ser registadas em documentos cadastrais. O Termo de Almada adquiriu uma expressão significativa aquando da expansão marítima portuguesa, sendo parte integrante da zona de influência económica de Lisboa. Por volta do século XIX, o concelho de Almada altera-se como consequência de vários tipos de indústria, nomeadamente na área da tecelagem, da indústria naval, moagem e cortiça. Devido à união de duas características como o sector industrial e a disposição geográfica da cidade, Almada tornou-se um ponto de fixação da população. A 4 de Outubro de 1910 desenvolve-se a antecipação da proclamação da república neste concelho. Sendo dos primeiros concelhos a destacar-se nesta afirmação política. Em finais dos anos 40 até início dos anos 70, há um aumento abrupto do fluxo migratório devido à procura de emprego e de habitação, criando grandes mudanças no concelho, e consequentemente afectando os transportes, urbanismo e vida sociocultural. A 21 de Junho de 1973, devido ao desenvolvimento das infraestruturas e à evolução urbanística, Almada passa de vila a cidade – pelo Dec. Lei nº308/73 de 16 de Junho Com o 25 de Abril de 1974, inicia-se uma nova fase na história de Almada. Com o fim do regime ditatorial do Estado Novo os cidadãos passaram a poder organizar-se e discutir os problemas locais. Em Dezembro de 1976 realizam-se as primeiras eleições autárquicas. A evolução da cidade e das suas infraestruturas continuam num esforço de cobrir todas as necessidades básicas dos munícipes. Desde a evolução do saneamento básico, à ampliação das redes de água e esgotos, ao desenvolvimento do Ensino, concessão de projectos de intervenção social, até à introdução de arte pública. É na década de 90 a cidade de Almada sofre um importante desenvolvimento ao nível das suas principais infraestruturas: ampliação das principais redes de abastecimento de água e saneamento, incluído as primeiras estações de tratamento de água; investimento nas redes de transportes; expansão da Faculdade de Ciência e Tecnologia, do Instituto Piaget e a entrada em funcionamento do Instituto Superior de Ciências da Saúde e da Escola Egas Moniz. Tem início a primeira fase de um programa de habitação social, com mais de um milhar de habitações e o realojamento e inserção de famílias. Na área da mobilidade é a altura da entrada em funcionamento do comboio da ponte e do avanço da luta pelo Metro Sul do Tejo. Os anos 90 correspondem a uma acelerada transformação em todos os campos da vida local, individual e colectiva.

Bandeira de Almada

Heráldica : 

Brasão: de azul, com um castelo de ouro aberto e iluminado de vermelho, tendo a torre central carregada por uma cruz de Santiago, de vermelho, e as laterais carregadas, cada uma por um escudete de azul em ponta, besantado de prata. O castelo, assente num monte de penhascos de negro, realçados de prata e de verde, cortado por 3 faixas ondadas, duas de prata e uma de azul. Coroa mural, de prata, de 5 torres. Listel branco com os dizeres "Cidade de Almada" de negro.

Bandeira: gironada de azul e amarelo, cordões e borlas de ouro e azul. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Almada».


Cultura e Turismo : 

        Em Almada encontram-se vários espaços culturais e museus dos quais podemos destacar o Cristo Rei, uma das principais atracções turísticas a 215 metros acima do nível da água do mar, a Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, que tem como principal função a divulgação de arte contemporânea (desde 1993), o Museu da Cidade, O Convento dos Capuchos e o Teatro Municipal Joaquim Benite. Almada é conhecida por atracções especiais que são consequência da sua geografia, nomeadamente as praias, zona ribeirinha e o centro histórico de Almada Velha. As extensas praias que abrangem cerca de 13km de costa, com excelentes condições para a prática de desportos de mar como o Surf, o Kit-Surf, Windsurf, Bodyboard. Ao longo das praias há vários bares e restaurantes que oferecem o melhor da gastronomia local. Graças à sua localização banhada pelo rio Tejo  torna a zona ribeirinha bastante interessante para quem lá passa. Diversos restaurantes tiram partido da fantástica vista sobre Lisboa e oferecem uma gastronomia típica, tendo como base o os pratos de peixe. A zona de Cacilhas, ponto de embarque para quem viaja de barco entre Almada e Lisboa, é também um ponto de restauração importante do concelho. É aqui, na renovada Rua Cândido dos Reis que se situa o Centro Municipal de Turismo. Almada também possui um importante conjunto de parques e jardins urbanos, sendo o Parque da Paz o maior e considerado um dos melhores parques do país, concebido pelo Arq. Sidónio Pardal, tem uma dimensão de 60 hectares . No concelho de Almada existe o valioso património natural da Mata dos Medos, localizada frente ao mar, inserida na paisagem da Arrábida Fóssil da Costa da Caparica que possui 338 hectares.



Cristo Rei

      Em 1959, Almada inaugura um monumento de símbolo nacional, o Cristo Rei. Este forma o triângulo de ouro da Península Ibérica juntamente com o Santuário de N. Sra. De Fátima e Santiago de Compostela em Espanha. Com uma vista panorâmica de 360 graus a 215 metros acima do nível do mar, tornou-se visita obrigatória por peregrinos todos os anos.



Gastronomia : 

              Terra de sabores próprios Almada é também, terra acolhedora de diferente paladares trazidos por outras gentes que ao longo da História aqui aportaram. Montra de receitas tradicionais da região, do país e do mundo.
                                                                                                        Caldeirada de Peixe 
Caldeirada de PeixeSopa de Carapau
Soda de Carapau

Claudino Folhado com Doce de Ovo
Claudino folhado com doce de ovo 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Cascais

Brasão de Cascais

Localização :

       Cascais é sede de um município com 99,07 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Sintra e a leste por Oeiras e a sul e a oeste tem costa no Oceano Atlântico, na famosa Costa do Estoril.
Há pouco mais de um século, devido aos maus acessos, costumava dizer-se que a "Cascais, uma vez e nunca mais". Porém a vila de Cascais é, desde finais do século XIX, um dos destinos turísticos portugueses mais apreciados por nacionais e estrangeiros, uma vez que o visitante pode desfrutar de um clima ameno, das praias, das paisagens, da oferta hoteleira e gastronómica variada.
A 27 de Junho de 1964 o Concelho de Cascais foi feito Membro-Honorário da Ordem Militar de Cristo.


História : 

             A ocupação do território que corresponde ao actual concelho de Cascais é bastante remota, sendo que se pode fazer recuar ao calcolítico, nomeadamente no povoado Pré-histórico da Parede, ou Casal do Geraldo. Durante a época de dominação romana, a zona foi também ocupada, sendo que o principal vestígio dessa época é a Villa romana de Freiria. Esteve, como toda a região circundante, sob o poder dos árabes, aos quais foi conquistada após a tomada de Lisboa e Sintra, por D. Afonso Henriques que lhe deu foral em 1154, confirmado por D. Sancho I em 1189. 
Inicialmente, Cascais era um pequeno aglomerado de pescadores, dependente administrativamente de Sintra, de cujo termo fazia parte. O aumento das receitas da pesca, contribuindo para o abastecimento de Lisboa, levou ao desenvolvimento da povoação. O seu topónimo tem origem nas suas tradições piscatórias, provindo da palavra "cascas" que significa "conchas", referindo-se, provavelmente, aos montes de conchas do mar vazias. Dado o seu desenvolvimento, em 1364, os homens-bons de Cascais pediram a D. Pedro I a elevação da povoação a vila, com jurisdição cível e crime própria. O monarca acede ao pedido e em 1364 concede carta de vila, em troca de 200 libras anuais, para além do que lhe rendiam os direitos que já anteriormente detinha em Cascais. No entanto, apenas a 8 de Abril de 1370 seria atribuído termo a Cascais, dotando a vila de território rural. O senhorio da vila foi criado por D. Fernando em 1371, na pessoa de Álvaro Pires de Castro, 1º Condestável do reino e irmão de Inês de Castro. Posteriormente, D. João I doou a vila a João das Regras, doação que passou para sua filha, D. Branca da Cunha, e depois para a sua neta, D. Isabel da Cunha, que casou com o 1º Conde de Monsanto, em cuja casa continuou o senhorio de Cascais, até ser criado o marquesado de Cascais, sendo o seu primeiro marquês o 6º Conde de Monsanto, D. Álvaro Pires de Castro.
A 15 de Novembro de 1514, D. Manuel I concedeu Foral Novo a Cascais, estipulando-se, dessa forma, todas as obrigações e direitos dos seus habitantes. Em 1580, Cascais sofre os ataques da poderosa armada espanhola; o Duque de Alba desembarca e com a ajuda de alguns traidores conquista o Castelo. Com a restauração da soberania em 1 de Dezembro de 1640, Cascais recupera a sua importância e são construídas ao longo da sua costa várias fortificações. Mais tarde, em 1807, Cascais sofreu os horrores da invasão francesa e sucumbiu no dia 12 de Dezembro, tendo sido o Palácio da Cidadela ocupado e nele residido temporariamente o General Junot. Pela supressão do concelho de Oeiras a 26 de Janeiro de 1895, foram anexadas ao concelho de Cascais as freguesias de Carcavelos, Oeiras e S. Julião da Barra e Carnaxide que depois voltaram ao concelho de Oeiras, restaurado em 13 de Janeiro de 1898, com a excepção da primeira que permaneceu integrada no concelho de Cascais.
Nos primeiros anos do século XIX, Cascais viveu um período de estagnação e relativo abandono, situação que se viria a alterar com a decisão de D. Luís, em 1870 de transformar a Cidadela em residência de verão da família real. Entre 1870 e 1908, a corte frequentou Cascais como estação balnear o que promoveu uma verdadeira transformação da região, com a construção de palacetes, a inauguração da iluminação eléctrica, a construção da estrada Cascais - Oeiras, inauguração do caminho de ferro e a instalação do primeiro telefone. Em inícios do Século XX, surge o Estoril, localidade que se converterá em cartão de visita da "Riviera Portuguesa" transformando o modesto Santo António do Estoril, em centro de turismo internacional. Em 1916, por iniciativa de Fausto de Figueiredo, iniciou-se a construção do parque do Estoril que se transforma no bairro residencial de luxo que ainda hoje é perpetuando Cascais como estância turística e de veraneio.
Bandeira de Cascais

Cultura e Turismo : 

           Cascais é um concelho vocacionado essencialmente para o turismo, sendo vários os seus atractivos naturais e patrimoniais. O concelho é abrangido pelo parque Natural de Sintra-Cascais, o que lhe confere características paisagísticas muito especiais. O Parque Natural foi criado em 1994, pelo Decreto - Regulamentar 8/94 de 11 de Março e subdivide-se em duas unidades paisagísticas: a extensa área agrícola a Norte de Colares que abrange o planalto de S. João das Lampas e a faixa costeira entre a foz do rio Falcão e a Cidadela de Cascais, dominada pelo Cabo da Roca e compreendendo uma sucessão de falésias marinhas calcárias, arribas baixas, praias e dunas de areia.
A costa do Estoril constitui, com as suas praias e o casino, uma das principais atracções deste concelho. Entre as praias mais afamadas desta zona, são de realçar: a praia de Carcavelos, bastante procurada pelos praticantes de surf, windsurf e bodyboard, devido à forte ondulação das suas águas, razão pela qual se disputam aí várias competições; a praia da Parede, que apesar de não ser uma zona destinada a banhos, dadas as suas características rochosas, é no entanto procurada pelos banhistas em virtude da sua orientação específica, em termos de exposição solar; a praia de Avencas, localizada a Sul da praia de Parede e de extensão relativamente reduzida, estando rodeada de arribas; a praia de Santa Marta, incluída no Parque Natural de Sintra-Cascais; a praia da Cresmina, também integrada no Parque Natural Sintra-Cascais e com uma grande extensão de areal; a praia Grande do Guincho, sendo uma das praias de maior afluência de banhistas, caracterizada por um ondulação e ventos fortes, sendo uma das praias próprias para a realização de desportos radicais e windsurf, sendo aqui efectuadas diversas competições de âmbito internacional; e a praia do Abano, situada na continuidade da praia do Guincho, embora menos frequentada, não só pela sua pequena extensão de areal como também pelos difíceis acessos existentes. Uma menção ainda para as praias da Barrufeira, de S. Pedro do Estoril, da Azarujinha, da Poça, do Tamariz, das Moitas, da Duquesa, da Conceição e da Ribeira de Cascais. O concelho dispõe também de várias associações e colectividades, ligadas às mais diversas áreas e que levam a cabo, ao longo de todo ano, várias actividades, como é o caso do Aeródromo Municipal de Cascais, o Clube Naval de Cascais, cuja origem remonta a 2 de Fevereiro de 1938 e que ao longo da sua existência conquistou uma invejável reputação na organização de provas e campeonatos de diversos níveis; o Clube de Ténis do Estoril que dispõe de 18 campos com todas as infra-estruturas necessárias à prática deste desporto, inclusive à noite; e o Hipódromo Municipal de Cascais onde são realizados periodicamente concursos hípicos. No que diz respeito a infra-estruturas culturais e de apoio à cultura destacam-se o Arquivo Histórico Municipal de Cascais criado em 1987 e que contém fontes essenciais para investigadores locais e nacionais, desde o Século XIV até aos nossos dias. No âmbito da difusão e promoção de estudos sobre o concelho, o arquivo tem organizado exposições e conferências, promovendo ainda, a publicação de trabalhos de investigação efectuados pelos seus leitores, sobre a documentação do Arquivo. 
O Centro Cultural de Cascais está instalado no antigo convento de Nª. Sra. da Piedade datado do século XVI, mandado construir para acolher a ordem religiosa dos Carmelitas Descalços. Trata-se de um espaço multidisciplinar, especialmente vocacionado para as artes plásticas, mas cuja polivalência poderá ser testada em seminários, concertos, espectáculos, etc.
Cascais dispõe igualmente de vários espaços museológicos: o Museu Condes de Castro Guimarães; Museu do Mar / Rei D. Carlos; Museu da Música Portuguesa; o Espaço Memória dos Exílios e o Museu Militar de Forte de S. Jorge de Oitavos. O Espaço Memória dos Exílios encontra-se instalado no piso superior da Estação de Correios e tem como principal objectivo a evocação da memória de um dos traços mais distintivos da história recente do concelho: o de ter representado um espaço de refúgio, espera e passagem para milhares de exilados e refugiados no contexto dos diversos conflitos europeus. Para além do núcleo de exposição permanente, o Espaço Memória dos Exílios é constituído por um auditório, uma zona de exposições temporárias, onde vão alternando mostras alusivas a estas temáticas. Já o Museu Militar de Forte de S. Jorge de Oitavos encontra-se instalado nessa fortificação, construída de 1641 e que foi um dos mais importantes baluartes de defesa da costa. Perdido o seu carácter militar, a autarquia de Cascais decidiu reconstituir a história do Forte de S. Jorge de Oitavos.





Gastronomia : 

               As especialidades gastronómicas do concelho de Cascais são o peixe e o marisco, sendo de mencionar o ensopado de peixe, o robalo grelhado, o linguado, o bacalhau seco, o arroz de marisco, a lagosta grelhada e os caranguejos estufados. Na doçaria, o destaque vai para as raivas, as joaninhas, as nozes de Cascais e os queijinhos.

                                                                                                           Raivas
RaivasAçorda de Lagosta
Açorda de Lagosta 

Joaninhas
Joaninhas