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terça-feira, 7 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Monforte

Brasão de Monforte

Localização

         Integrado no distrito de Portalegre, o concelho de Monforte ocupa uma área de 419.6 km2, distribuída por quatro freguesias, faz fronteira com os concelhos de Crato e Portalegre, a Sul; Arronches e Elvas, a Este; e com Fronteira e Alter do Chão, a Oeste.
A vila sede de concelho situa-se numa eminência junto à margem da Ribeira Grande, sendo que como principais elevações do concelho destacam-se os montes da Amendoeirinha (328 m), o monte Sete (320 m) e o de Vaiamonte (393 m). Como recursos hídricos, destacam-se a ribeira da Carrinha, a ribeira da Matança, a ribeira dos Freixos, a ribeira da Coutada e a ribeira de Algalé.



História

      O topónimo principal do concelho advém da sua localização, numa eminência do terreno, tendo sido chamado "Monti Forti" ou "Monte Forte". O povoamento do território que corresponde ao atual concelho de Monforte é bastante remoto, tendo sido encontrados vários vestígios arqueológicos que atestam a sua antiguidade. A localidade terá sido habitada pelos romanos que aí teriam edificado um povoado fortificado. De facto, estudos efetuados na villa de Torre de Palma (local onde foram descobertos dois complexos balneários, celeiros, lagares e a planta de uma Basílica Paleo-Cristã), levaram à conclusão de que a região foi ocupada desde o séc. I até à época visigótica. Do período Visigótico, restam-nos apenas as fundações de uma importante Basílica Paleocristã, situada nas proximidades da supracitada "Villa" Romana. Posteriormente, Monforte foi ocupada pelos mouros, tendo sido conquistada por D. Afonso Henriques, em 1139. Durante os inícios da monarquia, Monforte sofreu com as guerras com os mouros e depois com os castelhanos tendo ficado bastante arruinada. D. Afonso III reedificou a povoação e em 1257 concedeu-lhe foral. Em 1281 a vila foi oferecida por D. Dinis a sua filha D. Isabel como dote de casamento, sendo que o mesmo monarca foi responsável pela edificação de uma importante fortificação militar, concluída em 1309. Em 1357, D. Pedro I, entregou o castelo a Aures Afonso, um vassalo seu, e no ano seguinte, o mesmo monarca, confirmou amplos privilégios aos homens de Monforte.
Na crise de 1383-85, a vila de Monforte tomou o partido de Castela, resistindo ao cerco de Nuno Álvares Pereira, após a batalha dos Atoleiros, no entanto, apesar da oposição, D. João e os seus filhos D. Duarte e D. Afonso V confirmaram os anteriores privilégios aos habitantes e moradores da vila e termo de Monforte. Em 1445, D. Afonso V, concedeu a posse da alcaidaria do castelo a D. Fernando, sendo que dez anos depois, a vila passa para as mãos da Casa de Bragança, através da doação de D. Afonso V ao Conde de Arraiolos. Em 1483, a vila passa de novo à posse da coroa e D. João II concede aos seus habitantes novos privilégios. No entanto, em 1501, a vila retorna à influência da Casa de Bragança, através de uma carta de doação de D. Manuel e a partir dessa data nunca mais a Casa de Bragança deixou possuir a posse administrativa e judicial da vila de Monforte, incluindo a posse das igrejas paroquiais que existiam na vila. O mesmo monarca, concedeu uma nova carta de foral à vila e termo de Monforte, em 1521. Ainda no século XVI, foi construído em Monforte o Mosteiro do Bom Jesus, fundado pelo padre Fernão Zebreyro Moutoso; surgiu o Hospital da Santa Casa da Misericórdia, situado junto à Igreja de Nossa Senhora da Graça. O século XVII, foi marcado pela Guerra da Restauração e por constantes ataques das forças espanholas o que resultaria na ocupação temporária de Monforte. Em 1693, D. Pedro II, concede a Monforte alvará para uma feira anual, a realizar nos dias 19,20 e 21 de Agosto, na área do Rossio de Monforte. Em 1834, com a extinção das Ordens Religiosas, o Mosteiro do Bom Jesus entrou em declínio e foi posteriormente vendido em hasta pública. Em 1895, em consequência da reforma administrativa, o concelho de Monforte foi extinto e integrado no de Arronches. A 13 de Janeiro de 1898, o concelho de Monforte foi restaurado.

Bandeira de Monforte

Heráldica

Brasão: de negro, com castelo coberto de prata, aberto e iluminado de vermelho, rematado por cruzes de ouro com bandeiras brancas carregadas pela Cruz Vermelha de S. Jorge. O castelo assenta num monte de penhascos de verde realçados de negro. Bordadura de ouro com um ramo de oliveira e um ramo de azinheira de verde, frutados e sustidos do mesmo, atados em ponta de vermelho. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres: «Vila de Monforte» de negro.

Bandeira: esquartelada de branco e de verde. Cordões e borlas de prata e de verde. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Monforte».


Cultura e Turismo

         O concelho de Monforte reúne uma oferta turística bastante vasta devida à riqueza e diversidade do seu património arquitetónico  cultural, natural e gastronómico. Por todo o concelho pode-se praticar a caça e a pesca, com uma grande diversidade de espécies cinegéticas (coelhos, lebres, perdizes, patos, tordos, pombos) e uma grande variedade de espécies de peixes (achigã, carpas, bordalo, barbo).
Ao nível de infra-estruturas desportivas, o concelho de Monforte dispõe de vários complexos desportivos, entre os quais, um pavilhão gimnodesportivo, dois courts de ténis, piscinas municipais e vários campos de futebol e polidesportivos. Em Monforte existe ainda uma sala de espetáculos que pertence à Sociedade Filarmónica Monfortense "Os Encarnados", uma galeria que é propriedade da Câmara Municipal. Na Igreja Madalena há uma exposição permanente onde estão expostos alguns dos objetos encontrados na estação arqueológica de Torre de Palma.







Gastronomia

        A sopa de grão, a carpa assada, o sarrabulho e as migas de batata constituem os principais pratos da gastronomia concelhia.
                                                                                                         Coelho Frito
Coelho Frito  Arroz Doce do Convento do Bom Jesus
Arroz doce do Convento do Bom Jesus 


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Sousel

Brasão de Sousel

Localização :

         Integrado no distrito de Portalegre, o concelho de Sousel abrange uma área de 278.9 km2, distribuída por 4 freguesias, faz fronteira com os concelhos de Avis e Fronteira, a Norte; com Estremoz, a Este; e com Arraiolos, a Sul. O concelho é essencialmente constituído por terras planas ou por relevo pouco acentuado e é cortado pela Serra de S. Miguel com 391 metros de altitude.
Como recursos hídricos, destacam-se a ribeira das Mulheres, a ribeira de Alcôrrego e a ribeira de Sousel.


História

        Segundo a tradição popular, a fundação de Sousel deve-se a D. Nuno Álvares Pereira, sendo que segundo o padre António Carvalho da Costa, a "Quatro léguas ao Noroeste de Villa Viçosa, e duas ao Norte de Estremoz, ao pé de huma Serra, estã plãtada a Villa de Sousel, que fundou o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, o qual estando em campanha contra os Castelhanos, que havião entrado neste reyno com poderoso exército, se lhe oppoz com grande valor, e antes de entrar na batalha pedio a Deos o ajudasse naquela empreza, e começou a orar; e vendo os nossos que os inimigos vinhão acometendo, chamárão pelo Conde, que estava todo entregue à oração, e arrebatado em extasi, o qual despertando disse para os seus: «Ora Sus a Ell», frase cõmua entre elles naquele tempo. Deo-se a batalha, conseguio-se a vitória, e em memória della edificou o Condestável a Igreja, que hoje existe nesta Villa, dedicada a Nossa Senhora da Orada, e a povoação se chamou Suzael, corrupto hoje em Sousel, a qual tem quinhentos vizinhos (...)". Apesar da lenda acerca da origem do nome não ter fundamento, pois o topónimo é mais antigo, D. Nuno Álvares Pereira passou de facto por Sousel, tendo acampado o seu exército no local chamado atualmente de Vencerei. Quanto à verdadeira origem do topónimo "Sousel", parece tratar-se de um diminutivo de Sousa, de alguma família ou nome antigo.
A primeira referência histórica relativa a Sousel surge no foral medieval de Estremoz em que são referidos os "reguengos de Souzel", sendo que entre 1258 e 1259, D. Afonso III faz três doações no reguengo de Sousel: a primeira a "Pedro Anes, seu reposteiro, pelo muito serviço que este lhe fez, três cavalarias de herdade, em seu Reguengo de Sousel, no termo de Estremoz, com as suas fontes, águas e pastagens, entradas e saídas, para ele e os seus sucessores, podendo vende-la, dá-la e fazer dela o que lhe agrade"; a segunda a "Pedro Fernandes, copeiro de El-Rei, pelo serviço que lhe fizera, três cavalarias de herdade, em seu Reguengo de Sousel, no termo de Estremoz, com casas e cortinhal que estão na dita herdade, fontes, águas, pastagens e entradas e saídas, para ele e seus sucessores"; e a terceira a "João Anes, porteiro-mor da Rainha, pelo serviço que fizera ao monarca e à Rainha, duas cavalarias de herdade em seu Reguengo de Sousel, no termo de Estremoz, com montes, fontes, pastagens, entradas e saídas, para ele e os seus sucessores".
Em 1408, D. João I faz a doação da vila de Sousel, com outras posses, a D. Nuno Álvares Pereira, em troca de outras terras. Por Carta de 4 de Abril de 1442, o Condestável faz a doação da vila de Sousel à Casa de Bragança. Em 1527, segundo o Cadastro da População do Reino, Sousel tinha 457 moradores e pertencia ao Duque de Bragança, como comenda e uma das alcaidarias da primitiva Casa de Bragança. A vila recebeu foral manuelino em 1515, no entanto, chegou até aos nossos dias apenas uma cópia desse foral, existindo somente no Arquivo Histórico da Casa de Bragança. No inicio do século XVIII, Sousel era concelho que além da freguesia da sede, tinha a de S. João Baptista, com as ermidas anexas de S. Pedro, S. Miguel e S. Bartolomeu da Serra. Era governado no cível por um juiz de fora, três vereadores, um escrivão de Câmara, um procurador do concelho, um juiz dos órfãos  com seu escrivão e dois tabeliães do judicial e notas. Em 1842, o concelho de Sousel compreendia 4 freguesias: S. João da Ribeira, Sousel, Cano e Casa Branca. Extinto por decreto de 24 de Outubro de 1855, passou a pertencer à comarca e concelho de Fronteira, sendo restaurado por Lei de 10 de Julho de 1863. Voltou a ser extinto com a reforma administrativa de 26 de Setembro de 1895 e as suas freguesias passaram a integrar o concelho de Estremoz. Foi novamente restaurado a 13 de Janeiro de 1898, englobando as freguesias de Cano, Casa Branca, Ribeira e Sousel.
De notar que antes da sua incorporação no concelho de Sousel, Cano havia sido concelho, extinto em 26 de Dezembro de 1826; a freguesia de Castelo Branco pertenceu ao concelho de Cano e antes da sua transição definitiva para o de Sousel, esteve anexado ao concelho de Avis. A freguesia de Santo Amaro pertenceu ao concelho de Fronteira e só foi anexada ao de Sousel por Decreto de 21 de Dezembro de 1932.

Bandeira de Sousel

Heráldica

Brasão: escudo de azul, com duas setas de ouro, cruzadas em aspa atadas de vermelho e acompanhadas de quatro abelhas de ouro. Contra-chefe ondado de prata e azul. Coroa mural de torres de prata. Listel branco com letras pretas.

Bandeira: amarela, cordões, borlas, haste e lança de ouro.


Cultura e Turismo

     São vários os locais de interesse turístico no concelho de Sousel, destacando-se em particular o seu património cultural e edificado. Assim, uma especial referência para: a Torre do Álamo, também conhecida como Torre de Camões, onde, segundo a tradição, esteve alojado Luís de Camões; a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça, do século XVI; a Igreja da Misericórdia, datada do século XVII; a Igreja de Nossa Senhora da Orada, construída no século XV e modificada posteriormente e a Igreja do Convento de Santo António, datada de 1605.
No que diz respeito a infra-estruturas culturais, o concelho de Sousel possui uma biblioteca, inaugurada a 19 de Setembro de 1992.



Gastronomia

      A açorda alentejana, os miolos com espargos, as beldroegas com queijo, a sopa de tomate, as migas gatas e o ensopado de borrego constituem os principais pratos da gastronomia concelhia.

                                                                                                          Coelho com salsa
Coelho com SalsaAzevias
Azevias 


domingo, 5 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Fronteira

Brasão de Fronteira

Localização

          Composto por três freguesias, o concelho de Fronteira abrange uma área de 245.2 km2, estando inserido administrativamente no distrito de Portalegre, é limitado a Norte, pelo concelho de Alter do chão; a Este, pelo de Monforte; a Sul, por Sousel; e a Oeste por Avis. As suas principais elevações são os montes de Banamar que atinge a altitude de 253 metros e o Monte Branco do Mato, de altitude de 254 metros.
Como recursos hídricos, destaca-se a ribeira de Carvalho, a ribeira de Chaminé, a ribeira de Vide, a ribeira Grande, a ribeira de Ana Louro, a ribeira da Aldeia e a ribeira de Juncal.


Fronteira

História

          O povoamento do território que corresponde ao atual concelho de Fronteira é bastante remoto, sendo a sua antiguidade atestada nos vários vestígios arqueológicos que aí foram encontrados, entre os quais se destacam as cerca de 30 antas. Segundo a tradição, a vila de Fronteira terá sido primitivamente edificada no outeiro denominado "da vila velha", onde é tradição ter existido uma atalaia nos tempos dos romanos. Diz-se ter sido o seu fundador D. Fernando Rodrigues Monteiro, 4º mestre da Ordem de Avis, no entanto, alguns autores, atribuem a sua fundação a D. Dinis que com certeza construiu o castelo da vila, com sete torres e cerca de muralhas, de que restam algumas ruínas. Também a origem do seu atual topónimo é atribuída a D. Dinis, uma vez que esse monarca teria mudado local da vila, por se achar muito arruinada ou pelas frequentes febres que nela se faziam sentir, para o outeiro fronteiro. Uma outra interpretação para a origem do topónimo tem origem no facto da vila ter sido erguida na fronteira entre os territórios cristãos e os ocupados pelos mouros sediados em Vaiamonte.
A 6 de Abril de 1384, no local pantanoso de Atoleiros, travou-se uma batalha entre as forças de Castela e as de Portugal, as últimas comandadas por D. Nuno Álvares Pereira, que saíram vitoriosas, graças à estratégia elaborada pelo referido comandante. D. Nuno Álvares Pereira utilizou uma nova técnica defensiva, introduzida na Europa com a Guerra dos Cem Anos, em que formou um quadrado eriçado de lanças, onde se "cravavam" os inimigos. D. Manuel concedeu foral a Fronteira a 1 de Junho de 1512 e em Janeiro de 1670, por carta de D. Pedro II, a vila foi doada a D. João de Mascarenhas, 2º Conde da Torre e primeiro Marquês de Fronteira. A doação dizia respeito apenas ao domínio útil da vila, já que o domínio direto da mesma pertencia à Ordem de Avis a quem o marquês estava obrigado a pagar uma determinada quantia anual. Entre os privilégios de que dispunha o marquês, contavam-se o direito de arrecadar grande parte das rendas e de poder nomear alguns funcionários municipais. Por decreto de 26 de Setembro de 1895, foram anexadas ao concelho de Fronteira, pela extinção do concelho de Monforte, as freguesias de Almuro e Vaiamonte, que depois voltaram para o de Monforte, restaurado a 13 de Janeiro de 1898.
A freguesia de Santo Aleixo, que foi também anexada ao concelho de Fronteira, passou para o de Estremoz, a 21 de Maio de 1896 e, finalmente, para o de Monforte, a 13 de Janeiro de 1898. A 21 de Dezembro de 1932 foi anexada ao concelho de Fronteira a freguesia de Cabeço de Vide que até então pertencera ao concelho de Alter do Chão. Teve também anexada a freguesia de Santo Amaro que desde 21 de Dezembro de 1932, pertence ao concelho de Sousel.

Bandeira de Fronteira

Heráldica

Brasão: de vermelho com um castelo de prata, carregado na sua torre do meio por uma cruz flor-de-lisada de verde. Coroa mural de prata, de quatro torres.

Bandeira: branca, com o escudo das armas ao centro e por baixo um listel vermelho com a palavra «Fronteira», de prata.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Fronteira».


Cultura e Turismo

             O concelho de Fronteira dispõe de vários locais de interesse turístico, com destaque para a praia fluvial Ribeira Grande, um dos locais mais aprazíveis do concelho. Aí pode encontrar um variado número de atividades desportivas como a canoagem, natação, rappel, orientação, escalada, B.T.T., entre outras. Uma outra atração turística deste concelho, são as termas de Sulfúrea em Cabeço de Vide. As suas águas têm características únicas, sendo hipossalínicas, sulfúricas e oxidriladas com predominância de iões de cloreto, sódio, cálcio e ainda um apreciável teor de sílica, indicadas para doenças de pele, respiratórias e reumáticas.
A nível do património monumental e arquitetónico  destacam-se: a Igreja Matriz, datada de 1594; a Igreja do Espírito Santo, datada de 1573, que apresenta um pórtico da Renascença; a Torre do Relógio, que foi construída em 1613 e restaurada em 1873; a Igreja do Senhor dos Mártires; a Igreja da Senhora da Vila Velha; os Paços do Concelho e as casas, moradias do século XVIII, com uma sacada de ferro forjado e lavrado e de janelas duplas.

Igreja da Misericórdia Fronteira


Gastronomia

       O ensopado e assado de borrego, bem como os pézinhos de coentrada constituem os principais pratos típicos do concelho de Fronteira.
                                                                                                         Açorda Alentejana 
Açorda AlentejanaEnsopado de Borrego
Ensopado de Borrego 

Filhós
Filhós



sábado, 4 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Alter do Chão

Brasão de Alter do Chão

Localização

         O concelho de Alter do Chão está integrado no distrito de Portalegre, abrangendo uma área de 361.6 km2, distribuída por quatro freguesias: Alter do Chão, Chancelaria, Seda e Cunheira, faz fronteira com o concelho de Crato, a Norte, com Monforte, a Este; Fronteira, a Sudeste; e Avis e Ponte de Sor, a Oeste. 
Dos recursos hídricos, existentes no concelho destacam-se as ribeiras do Freixo, do Cornado, da Silada, do Papa Leite, do Vale de Galegas, Zambujo, de Seda e de Navalha.


História

          Alter do Chão terá provavelmente a sua origem na cidade romana Abelterium, atravessada por uma das três vias militares que ligavam Lisboa a Mérida e da qual, possivelmente, fazem parte as ruínas das Termas que se encontram junto à Vila. Um dos vestígios mais importantes da época de dominação romana é a ponte de Vila Formosa, sobre a ribeira de Seda e que ligava o eixo viário militar entre Lisboa e Mérida. Um outro vestígio importante relativo ao primitivo povoamento romano é o topónimo principal do concelho, tendo este origem no termo romano Abelterii que se desdobrou em Alter "Chão", com o adjectivo "chão" alusivo à situação plana característica do local, e Alter "Pedroso" por se caracterizar o lugar especialmente pela circunstância a que se refere o adjectivo. Mais tarde, o adjectivo do primeiro topónimo, sem com isso se alterar o sentido toponímico topográfico, passou a substantivo, com auxílio da preposição e artigo: Alter do Chão.
Segundo a tradição, a cidade romana de Alter terá sido mandada destruir pelo imperador Adriano no ano 120 antes de Cristo, em castigo da resistência oposta pelos seus habitantes ao avanço das legiões do império romano. No reinado de D. Sancho II, o Bispo da Diocese da Guarda D. Vicente, propôs "restaurar e povoar Alter", atribuindo-lhe o seu primeiro Foral no ano de 1232. D. Afonso III com o objectivo de incentivar o povoamento, manda reconstruí-la e terá concedido novo foral em 1249. D. Dinis atribui-lhe dois forais em anos consecutivos, o último data de 25 de Março de 1293 e conferia-lhe todos os privilégios de Santarém. 
A D. Dinis se atribui também a fundação do castelo de Alter Pedroso, apesar de alguns autores o considerarem de construção anterior, dada a sua localização, fazendo supor que a sua origem terá sido mourisca, ou mesmo romana. Em 1359, D. Pedro I mandou edificar o atual castelo e confirma-lhe, através de nova carta de foral os privilégios anteriores. D. João I, Mestre da Ordem de Avis, cede em senhorio a D. Nuno Álvares Pereira, passando os bens para a Casa de Barcelos e posteriormente para a Casa de Bragança. O Foral de Leitura Nova, foi-lhe atribuído a 1 de Junho de 1512 no decurso da nova reforma mandada efetivar por D. Manuel. O eclesiástico local é notável, especialmente pelos dois mosteiros que aqui existiram: o de capuchos da província da Piedade e o dos padres carmelitas descalços. O primeiro foi fundado por D. Manuel I, em 1524, a instâncias da sua terceira esposa, a rainha D. Leonor de Áustria. O segundo, foi fundado em 1595, poucos anos após a entrada dos carmelitas no país, com as rendas da confraria da igreja do Espírito Santo que fora antigamente uma albergaria destinada a peregrinos; a sua fundação deve-se essencialmente à atividade de Manuel do Rego. Em 1599, tendo morrido alguns religiosos, os restantes abandonaram o convento e passaram a Évora. Os moradores de Alter do Chão, sentindo esta ausência, alcançaram do padre geral a licença de novamente se povoar a casa, o que se fez com maior número de religiosos; mas passados cinco anos estes ausentaram-se secretamente, de noite, diz-se que pelos vexames sofriam, o que foi tão sentido por Manuel do Rego que se expatriou, para Valhadolide, onde veio a falecer. Novamente o povo, ou aqueles que melhor avaliavam a necessidade espiritual da vila de ter em si uma congregação, procurou promover o regresso de religiosos, intercedendo junto do Duque de Bragança para que alcançassem a vinda de religiosos da província da Piedade. Estimou o Duque, grandemente, a resolução e comprometeu-se a mandar fazer um convento novo à sua custa, do qual ficou sendo padroeiro. 
A atual composição concelhia data de meados do século XIX quando nele foram incorporadas as antigas vilas de Chancelaria e Seda, até então com jurisdição própria. Já a freguesia de Cunheira foi apenas criada a 20 de Fevereiro de 1976, desanexada da freguesia de Chancelaria.

Bandeira de Alter do Chão


Heráldica : 

Brasão: cortado de prata e de negro. No primeiro, um castelo de vermelho, aberto e iluminado de negro, acompanhado de duas quinas de Portugal. No segundo, uma fonte de ouro realçada de negro, repuxando de prata aguado de azul, acompanhada de duas flores de lis de ouro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Alter do Chão», a negro.

Bandeira: esquartelada de amarelo e de vermelho. Cordões e borlas de ouro e de vermelho. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos os dizeres «Câmara Municipal de Alter do Chão».


Cultura e Turismo

            Para além da magnífica paisagem deste concelho que pode ser desfrutada do miradouro natural de Alter Pedroso, Alter do Chão dispõe de vários elementos de interesse turístico e cultural. Do seu património cultural e edificado são de destacar: o castelo de Alter do Chão, o Palácio de Álamo e os vários chafarizes existentes pelo concelho. O castelo de Alter do Chão, cuja construção remonta ao século XIV, serviu de residência senhorial após a passagem da sua propriedade para a Casa de Bragança. Em finais do século XIX, o castelo foi vendido a particulares, tendo sido adquirido mais tarde pela Fundação da Casa de Bragança. O Palácio e Jardim do Álamo, de arquitetura barroca, sofreu algumas remodelações em 1649 e em 1732, quando adquiriu a sua fisionomia atual   Posteriormente foi adquirido pela Câmara Municipal e aí funcionava a Biblioteca e o Serviço Sócio-cultural, sendo que atualmente  encontrando-se o palácio em obras, esses serviços funcionam no edifício do Cine-Teatro.
Do património religioso deste concelho destaque para: a Igreja de N. Sr. Jesus do Outeiro, monumento do século XVII; a igreja de Nossa Senhora da Alegria, decorada ao gosto da primeira Renascença, que apresenta como motivo de maior interesse, o portal compósito da fachada; e a igreja do Convento de Santo António. De mencionar também as capelas de Santa Ana, inicialmente edificada no século XVII; de S. Miguel; de S. Francisco; e da Misericórdia.
Também ligada ao concelho de Alter do Chão está a Coudelaria de Alter, fundada em 1748; passou a pertencer às Casa Real, em 1770, após ter permanecido na posse da Casa de Bragança. A primeira vintena do século XIX foi um período conturbado para a Coudelaria de Alter: roubo dos melhores cavalos Alter-Real, danos nas piaras, redução na área do pastoreio, vandalismo nas instalações e surgem as primeiras ameaças à integridade étnica da manada. Após a proclamação da república a Coudelaria foi integrada no Ministério da Guerra, com o nome de Coudelaria Militar de Alter do Chão. Em Janeiro de 1942 dá-se a integração da Caudelaria no Ministério da Economia, na jurisdição da Direção-Geral dos serviços pecuários. Atualmente  a Coudelaria de Alter está integrada num programa de desenvolvimento suportado pelo Ministério de Agricultura, do Desenvolvimento Rural e Pescas e do AVNA (PPDR, FEDER) - Ação de Valorização do Norte Alentejano. A Coudelaria toma a seu cargo a recuperação e a divulgação da Falcoaria portuguesa, sendo oferecido aos visitantes uma mostra temática sobre o património desta modalidade de caça. A Coudelaria dispõe ainda de um museu do Cavalo que conta com a colaboração de outros museus e instituições culturais.

Coudelaria Nacional
Coudelaria Nacional


Gastronomia :

         Da gastronomia concelhia destaque para o sarapatel (guisado de carne de porco, fígado, rim, bofes, etc.), o ensopado de borrego com arroz amarelo e as fatias da China.

Sarapatel
Sarapatel