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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Avis

Brasão de Avis

Localização : 

           Integrado no distrito de Portalegre, o concelho de Avis ocupa uma área de 605.6 km2, distribuída por oito freguesias, faz fronteira a Sudeste, com o concelho de Sousel, a Este com Fronteira e Alter do Chão e a Oeste, com Ponte de Sor.
A morfologia do concelho é marcada por terrenos planos, com alguns planaltos e montes de altitudes baixas, como o da Torre e o Alcorrego, quanto aos recursos hídricos, são de destacar: a ribeira de Seda, a ribeira de Almadafe, a ribeira Grande, a ribeira de Serrazola e a ribeira de Cantarinho, assim como a albufeira do Maranhão.
A ribeira Grande, também conhecida como ribeira de Avis é um dos importantes cursos de água que atravessa o concelho, desaguando perto da vila de Avis, na margem esquerda da Ribeira de Seda.


História : 

           O povoamento primitivo do território que corresponde ao atual concelho de Avis é bastante remoto, tendo sido encontrados vários vestígios arqueológicos que comprovam a sua ancestralidade. O levantamento arqueológico mais exaustivo efetuado até à data foi realizado na década de 50 e diz respeito à identificação das antas do concelho, tendo sido então registados 65 exemplares, alguns dos quais foram posteriormente afetados pela albufeira da barragem do Maranhão. Os princípios da vila de Avis são nacionais, remontando aos primeiros decênio do século XII e estando intimamente relacionada com criação da Ordem de Avis. Ordem militar fundada com o nome de Nova Ordem, por D. Afonso Henriques, em 1147 e que depois de 1162, foi dada a regra de S. Bento, com a reformação de Cister. Teve sede em Coimbra, passando depois a Évora e para obediência da ordem militar castelhana de Calatrava. Os seus cavaleiros eram então conhecidos como "Freires de Évora", tendo ocupado parte da cidade ainda hoje conhecida por Freiria.
Em 1211, D. Afonso II, doa aos Freires de Évora as terras de Avis, com a condição de aí construírem um castelo e de povoarem o lugar. Esta Ordem instalou-se nestas terras e passou então a ser designada Ordem de Avis. No entanto, segundo a tradição, terá sido a Ordem a dar o nome ao local e não o invés. Reza a lenda que alguns freires partiram com a missão de descobrir o local ideal para a construção do castelo e a dada altura, num outeiro em frente ao território sob domínio muçulmano, viram duas águias empoleiradas num sobreiro. Como desde tempos remotos as águias têm sido consideradas como um sinal favorável a Deus, decidiram que aquele seria o local adequado e chamaram-lhe Avis. D. João I foi o vigésimo mestre da Ordem Militar e a partir dessa altura esta ficou diretamente na dependência da Coroa. Em 1834, quando foram extintas as ordens religiosas pelos liberais, a Ordem de Avis possuía 18 vilas, 49 comendas e 128 priorados e vigarias.

Bandeira de Avis

Heráldica :

Brasão: de prata com uma cruz florenciada de verde sobre o cruzamento um escudete de ouro com uma árvore de verde, troncada e arrancada de negro. Esta árvore arrematada por uma águia aberta de negro. Coroa mural de prata de quatro torres.

Bandeira: de verde. Cordões e borlas de ouro e de verde. Listel branco com os dizeres: «Vila de Avis» a negro. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Dentro de círculos concêntricos os dizeres: «Câmara Municipal de Avis».


Cultura e Turismo : 

           Pelos seus recursos naturais e belíssima paisagem, bem como pelo seu património cultural e edificado, o concelho de Avis dispõe de vários pontos de interesse turístico. A nível do património monumental, destacam-se: as ruínas do Convento de S. Bento de Avis, as muralhas do Castelo e várias igrejas e capelas. As ruínas do Convento de S. Bento de Avis, cuja origem remonta a 1211 e que foi sofrendo alterações ao longo dos tempos; as antigas dependências monásticas, situadas no lado Sudoeste, encontram-se, atualmente em avançado estado de ruína, mantendo-se a grande parede exterior, que na parte mais a norte assenta diretamente na muralha medieval (erguidas no séc. XIII, as muralhas de Avis, foram modificadas por ordem de D. Pedro). O Convento de S. Bento foi sede da Ordem de Avis desde o século XII, sendo o conjunto das suas instalações formado pela igreja, sacristia, sala do capítulo, refeitório, claustro e torre sineira (todos de estilo manuelino). Na antiga Sala dos Monges e do Capítulo estão expostas, para além de antiguidades e objetos típicos do concelho, algumas peças de artesanato tradicional, réplicas de monumentos (Igreja Matriz e Pelourinho de Avis), achados arqueológicos, principalmente os vestígios romanos retirados das Estações romanas de "Bembelide", "Entre Águas" e "Ervedal".
Do Castelo de Avis, da época medieval, subsistem três das suas seis torres e alguns panos de muralha, adaptados para construções modernas: Torre da Rainha ou do Convento (junto às portas do Anjo e do Arco), Torre de Santo António (a ocidente) e Torre de S. Roque (a nordeste). A Igreja Matriz, reconstruída em 1890, encontra-se toda forrada a azulejos de tapete, possuindo, ainda, joalharia do século XVII. Destaca-se ainda a Capela de Nossa Senhora de Entre Águas, que tem embutida na parede uma lápide romana, e a lapa pré-histórica, que possui um altar feito pelos freires da Ordem de Avis. No que diz respeito às atividades de lazer, uma especial referência para a barragem do Maranhão, um local propício para a pesca, sendo que nos seus arredores situa-se o Clube Náutico que oferece serviços do parque de campismo e infra-estruturas para a prática de desportos náuticos.



Gastronomia :

           As migas com carne de porco e o ensopado de borrego são os pratos mais tradicionais que se cozinham na região.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Coruche

Brasão de Coruche

Localização : 

           Localizado na margem Sul do rio Tejo, o concelho de Coruche está integrado no distrito de Santarém e na sub-região da Lezíria do Tejo. O concelho pode ser dividido em duas zonas distintas: a zona do vale do Sorraia e a zona florestal, constituída essencialmente pelo montado do sobro, ocupa uma área de 1113.1 km2, distribuída por oito freguesias. Faz fronteira a Norte com Almeirim e Chamusca; a Sul, com Vendas Novas e Montemor-o-Novo; a Este com Ponte de Sor, Mora e Arraiolos; e a Oeste, com Salvaterra de Magos e Benavente. 



História : 

       Apesar de não se saber ao certo muito sobre a sua origem, Coruche é uma povoação muito antiga. O seu topónimo principal, de etimologia incerta parece derivar de "corucho", que designa um "cume" referindo-se possivelmente à encosta sobranceira à margem direita do rio Sorraia, onde existiu uma fortificação, destruída pelos mouros em 1180. D. Afonso Henriques conquistou-a aos mouros em 1166 e doou-a à Ordem de Avis, em 1176. Quatro anos depois, a vila voltou a cair em posse dos mouros e foi reconquistada definitivamente em 1182. Afonso Henriques encarregou-se então do seu povoamento e concedeu-lhe foral a 26 de Maio do mesmo ano, confirmado por D. Sancho, em 1218. D. Afonso III ampliou e confirmou os privilégios já concedidos, com um novo foral passado em Santarém a 29 de Janeiro de 1218. D. Manuel I deu-lhe foral novo a 28 de Março de 1513. O município de Coruche tinha então representação nas cortes, com assento no 14º banco. Ainda D. Manuel concedeu foral novo também a Erra a 10 de Julho de 1514. 
Em 1836, os municípios de Erra e S. José de Lamarosa que passaram à categoria de freguesia, foram integrados no concelho de Coruche que passou a ser formado por nove freguesias. Nas alterações territoriais sofridas de 1836 a 1936 Coruche é repartida apenas por duas freguesias: Coruche e Couço. Em 1962 é criada mais uma freguesia, no entanto, apenas em 1984 o concelho passa a ser constituído pelas actuais 8 freguesias. Eclesiasticamente, a freguesia de Coruche era vigararia da apresentação do rei, como grão-mestre da Ordem de Avis, sendo prior titular da igreja o prior-mor da Ordem que apresentava dois beneficiados, os quais constituíam uma colegiada. Por Decreto de 25 de Junho de 1851, passou a colegiada a ser constituída por um reitor e oito beneficiados.

Bandeira de Coruche

Heráldica :

 Brasão: de ouro com uma torre torreada de vermelho, aberta e iluminada de prata acompanhada de dois pinheiros de verde com troncos de negro e arrancados do mesmo, rematados por duas corujas afrontadas de sua cor. Em chefe uma cruz antiga de Aviz, de verde. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com dizeres a preto.

Bandeira: de verde com 1 metro quadrado de área. Cordões e borlas de ouro e verde. Lança e haste de ouro.

Selo: redondo com as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Dentro de círculos concêntricos, envolvendo o selo, os dizeres «Câmara Municipal de Coruche».


Cultura e Turismo : 

       A belíssima paisagem natural é uma das características do território concelhio, bastante apreciado. Os rios que percorrem a região são pólos de atração para os que procuram o refúgio da natureza. De facto, o rio Sorraia, com um curso de aproximadamente 60 Km, confere ao concelho um importante recurso, sendo que no seu caudal abundam várias espécies, nomeadamente bogas, carpas, barbos e bordalos, tendo-se desenvolvido em toda a zona, a pesca artesanal de rio. Esta riqueza piscícola tornou-o também local privilegiado para a prática da pesca desportiva. 
Na margem do rio Soraia podem ainda ser encontrados os portos de João Felício e de João Ferreira. O primeiro era um antigo porto de passagem, sendo que o segundo constituía o principal porto do Sorraia e o local onde se situava a alfândega e onde os oficiais do fisco vigiavam as entradas e saídas das mercadorias. Um destaque também para: o açude da Agolada, a cerca de 3 quilómetros da vila de Coruche, com uma albufeira de cerca de 1 quilómetros de comprimento; e o açude do Monte da Barca, situado a cerca de cinco quilómetros de Coruche, com uma albufeira de cerca de 3 quilómetros e que é propício à prática de desportos aquáticos variados e pesca desportiva. No concelho de Coruche destacam-se também os seus elementos patrimoniais como: a ponte da Coroa; o pelourinho de Coruche, uma reconstituição de 1914 do antigo pelourinho quinhentista; várias casas senhoriais; e as igrejas da Misericórdia e de Nossa Senhora do Castelo.

Quinta da Mimosa


Gastronomia : 

           Entre as especialidades gastronómicas do concelho de Coruche, salientam-se a sopa de feijão frade de Couço, a açorda de bacalhau, a cachola com batatas e o cabrito frito. Na doçaria, o destaque vai para os bolos brancos, o arroz doce e os campinos do Sorraia.

                                                                                                         Bolos Brancos
Bolos BrancosAreias do Sorraia
Areias do Sorraia

terça-feira, 30 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho de Salvaterra de Magos

Brasão de Salvaterra de Magos

Localização : 

        Integrado no distrito de Santarém e na sub-região da Lezíria do Tejo, o Concelho de Salvaterra de Magos abrange uma área de 244.7 km2, distribuída por seis freguesias, o concelho é limitado a Norte por Almeirim; a Poente com o rio Tejo que o separa dos concelhos do Cartaxo e de Azambuja; a Sul, faz fronteira com Benavente; e a Nascente com Coruche. 



História : 

         Acerca do topónimo principal deste concelho, supõe-se que Salvaterra refere "terra salva" de certas obrigações pela concessão de privilégios; já o segundo elemento do topónimo, "Magos", é uma pequena corrupção da palavra persa "majus", que significa "filósofo", referindo-se a uma religião ou seita de magos que adoravam o fogo. O povoamento do território de Salvaterra de Magos é bastante remoto, a julgar pela proximidade de povoações ricas em achados arqueológicos, tal como a de Muge. A freguesia de Muge está situada na margem esquerda da ribeira homónima, afluente do Tejo, numa situação que ao longo da história lhe proporcionou acesso relativamente fácil aos grandes centros populacionais. Povoação antiquissíma  Muge conquistou notoriedade nos meios científicos em virtude de, nas proximidades da ribeira do mesmo nome, terem sido descobertos abundantes e notáveis restos da atividade do homem pré-histórico; dessa época foram descobertos alguns concheiros e esqueletos humanos sendo os mais importantes os de Moita de Sebastião, Cabeço da Amoreira e Cabeço da Arruda; deles se têm retirado conchas de moluscos, misturados com ossos de animais, cinzas, carvões, utensílios de pedra, osso e chifre. Os cadáveres têm dado origem a controvérsias e discussões entre os mais versados no assunto, pois enquanto para uns pertenciam a um tipo antropológico não identificável, para outros o referido tipo de ossadas será uma variedade do homem de Cro-Magnon. 
"A história de Salvaterra de Magos está intimamente ligada à vida das cortes e dos nossos reis, especialmente aos seus tempos de lazer". A povoação foi fundada através do foral de 1295, de D. Dinis, que doou a vila ao Bispo de Lisboa, que um ano depois ali mandou construir a igreja da nova paróquia; este foral foi mais tarde confirmado por Foral Novo de D. Manuel I, a 20 de Agosto de 1517. 
Salvaterra de Magos foi uma comenda e senhorio dos Condes de Atalaia, que apresentavam o vigário; o senhorio da vila pertenceu sucessivamente ao Infante D. Fernando, Rodrigo Afonso, Pedro Correia e a D. Nuno Manuel; em 1542 a povoação é cedida ao Infante D. Luís, que ali mandou construir o famoso palácio real, em cujas tapadas se realizaram grandes caçadas ao javali. Alguns estudiosos afirmam que D. Luís não mandou construir, mas sim reconstruir um castelo que já existia; no entanto, Francisco Cancio, um conceituado monografista ribatejano, afirma que o primitivo castelo já existia, mas nas ruínas da Falcoaria Real. D. Pedro II beneficiou o palácio e mandou fazer grandiosos jardins. As corridas de toiros realizadas em Salvaterra de Magos, alternadamente com as caçadas ao javali, começaram a tornar-se bastante célebres. D. José inaugurou um sumptuoso teatro de Salvaterra de Magos e foi a sua corte que deu grande relevo às corridas de touros que vieram a ter um desenlace trágico com a morte na arena do 7º Conde dos Arcos; seu pai, o Marquês de Marialva vingou a morte do seu filho descendo à arena e matando o touro. Este acontecimento deu origem a uma magnífica obra de Rebelo da Silva: A última corrida de touros em Salvaterra.

A 17 de Setembro de 1817, um violento incêndio deflagrou na sala dos Archeiros, que se propagou a todo o edifício, escapando apenas a Capela Real e o Teatro. As obras de reconstrução começaram de imediato, terminando em Agosto do ano seguinte. Nesta mesma época, foram realizadas reparações na Falcoaria Real e no Telheiro dos Escaleres, local onde se guardavam os bergantins reais, que transportavam a corte pelo Tejo até Salvaterra de Magos. Nos finais do reinado de D. João VI, o palácio foi destruído por um novo incêndio, restando apenas algumas paredes que acabaram por ruir com o terramoto de 11 de Novembro de 1858. Um outro terramoto, a 23 de Abril de 1909, destruiu muitos edifícios em todo o concelho; foi o caso da Matriz de Salvaterra de Magos, mandada construir por D. João Martins de Soalhães, Bispo de Lisboa, da Misericórdia, fundada em 1660, e do palácio real, do qual subsistem apenas a capela real e as chaminés do antigo paço. Em 1845, a junta da paróquia de Salvaterra de Magos decidiu criar o "aforamento" daquela vasta área de terreno em que se constitui hoje parte do concelho. Iniciado de forma espontânea, o processo tinha como objectivo o desbravamento de todo o matagal que cobria o solo, tornando-o cultivável. O aforamento das terras não demorou a demonstrar o seu sucesso, surgindo novas formas de explorar a terra, como a exploração direta  de parceria e de arrendamento; todos estes sistemas favoreceram a fixação de pessoas naqueles territórios, e necessariamente, o grande incremento populacional se verificou.

Bandeira de Salvaterra de Magos

Heráldica : 

Brasão: de azul com um touro possante de ouro. Em chefe um cacho de uvas de púrpura folhado de ouro, acompanhado de dois molhos de três espigas cada um, do mesmo metal. Coroa de prata quatro torres. Por debaixo uma fita branca com os dizeres: «Vila de Salvaterra de Magos», de negro.

Bandeira: esquartelada de azul e amarelo. Cordões e borlas de ouro e de azul. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Salvaterra de Magos».


Cultura e Turismo : 

           Com esplêndidas paisagens, Salvaterra de Magos mantém também magníficos monumentos, sendo de destacar: a Igreja Paroquial, de invocação a S. Paulo, que data de 1296 e que também ficou bastante danificada com os terramotos; os edifícios da Real Falcoaria; a Capela do antigo Paço Real de Salvaterra de Magos; a Igreja da Misericórdia; e a Igreja de Glória do Ribatejo. De destacar também é a zona histórica da freguesia de Muge, integrando o vasto património cultural e edificado desta freguesia a casa Cadaval, a Igreja Matriz, o coreto, as fontes da Costa, da Nossa Senhora e a do Pião, os concheiros de Muge, a ponte romana e alguns moinhos de vento. 
Para além da sua zona histórica, a freguesia tem outros pontos de interesse para os locais e turistas, como: a ponte D. Amélia, a praia fluvial do Porto do Sabugueiro e a adega da casa Cadaval.
Ainda a destacar no concelho de Salvaterra de Magos é a barragem e albufeira de Magos, localizada na ribeira de Magos, na bacia hidrográfica do rio Tejo, projetada em 1936 e que apresenta condições naturais com vocação turística; a aldeia de pescadores do Tejo de Escacorim; e o parque natural da Mata Nacional.




Gastronomia :

               Da tradicional gastronomia do concelho destaca-se a açorda de sável à Ribatejana, a sopa camponesa, a furjoca, a lapardana, a açorda de saboga e rancho à moda dos foros.

                                                                                                          Broa
BroaBarretes
Barretes 


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho de Benavente

Brasão de Benavente

Localização :

         O Concelho de Benavente pertence ao distrito de Santarém que ocupa uma área de 521.5 km2 distribuída por quatro freguesias, está localizado na margem esquerda do rio Tejo, integrando a sub-região da Lezíria do Tejo e faz fronteira a Norte com o rio Tejo e o concelho de Salvaterra de Magos; a Sul, é limitado pelos concelhos de Montijo, Alcochete e Palmela; a Nascente por Coruche e a Poente, com Vila Franca de Xira.
No concelho de Benavente está integrada a Reserva Natural do Estuário do Tejo, com terrenos alúvio-mediterrânicos de natureza hidromórfica, com características naturais de pauis e sapais.



História :

          O topónimo principal do concelho parece indicar a colonização por leoneses da Ordem de Calatrava, sediada no castelo de Benavente, e da qual derivou a Ordem de Avis. Este topónimo aparece não só em Portugal, mas também em Espanha e Itália, sob a forma "Benevento". Dos primórdios da sua história, muito se tem escrito, contudo, sem fundamento ou provas; para alguns autores, é uma povoação antiquissíma  que já existia no tempo dos romanos; para outros, esteve na sua origem um núcleo de estrangeiros que se fixaram na margem sul do Tejo e cuja vinda para Portugal foi consequência da política de povoamento de D. Sancho I, no ano de 1199.
Não há vestígio algum do domínio romano nem do domínio muçulmano em Benavente, nem no seu antigo termo; contudo, o mais certo é que não se pode negar a existência de povoação antes do domínio português, mas era certamente pouca, tão diminuída que levou esta povoação a estar praticamente desabitada até ao reinado de D. Sancho I e, só a partir de então, a meados de 1200, D. Paio ou Pelágio, bispo de Évora a reedificou, povoou, e lhe deu foral a 23 de Março do mesmo ano, confirmado pelo referido monarca; este foral é o mais antigo documento que se conhece de Benavente.
O local onde foi fundada a povoação de Benavente, além de ser próximo do Tejo, apresentava um amplo espaço para o crescimento da população, com encostas que facilmente poderiam ser fortificadas e defendidas; vantagens sem dúvida de grande importância, numa época tão tumultuosa como era a dos finais do século XII, em plena reconquista.
No eclesiástico deve assinalar-se a instituição da paróquia de Santa Maria de Benavente, ao que tudo indica nos princípios do século XIII. A Ordem de Calatrava apresentava o pároco, razão porque aparece posteriormente como priorado apresentado pelo rei, este como grão-mestre da Ordem de Avis.

Bandeira de Benavente

Heráldica : 

Brasão: de prata uma cruz florenciada de verde, vazia do campo, ladeada por duas travas de vermelho em pala e acompanhada por uma bandeira quadrada, requifada em facha de prata e de verde, franjada e realçada de negro, desfraldada, para a sinistra no chefe e com a haste e lança de negro colocada em pala. Coroa mural de prata, quatro torres. Listel branco, com os dizeres a negro: «Benavente».

Bandeira: esquartelada de prata e verde; cordões e borlas de prata e verde; haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes e em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Benavente».


Cultura e Turismo : 

        Integrado na lezíria ribatejana, numa paisagem de transição entre o Ribatejo e o Alentejo, o concelho de Benavente tem a oferecer ao visitante vários locais de interesse turístico. De facto, para além da belíssima paisagem da região, destacam-se neste concelho como locais a visitar, os Montes da Saúde e da Foz, este a cerca de três quilómetros da vila de Benavente, na margem do rio Sorraia; a Reserva Natural do Estuário do Tejo, criada em 1976, pelo Decreto-Lei 565/76 de 19 de Julho, e que é uma zona de transição entre as águas salgadas do oceano e doces do rio Tejo; e o Centro Equestre Berço de Prata, onde periodicamente se realizam vários eventos.
Benavente é também um concelho com um valor patrimonial considerável, de onde se destaca o cruzeiro Largo do Calvário, a Igreja de Nossa Senhora de Oliveira, o Pelourinho de Benavente, Cruzeiro e Igreja Matriz em Santo Estêvão, Igreja da Misericórdia, a Ermida de S. Brás e o Convento de Jericó, de frades arábicos, fundado pelo Infante D. Luís.
Em termos de unidades museológicas, o destaque vai para o Museu Municipal de Benavente, instalado num palacete do século XVIII. Anteriormente o edifício funcionou como casa de habitação, sendo que em meados do século XX passou aí a funcionar o Pensionato do Colégio de Benavente. Destaque ainda para o Núcleo Agrícola do Museu Municipal de Benavente, instalado no antigo edifício do Matadouro Municipal e que apresenta uma exposição dedicada à vida rural da região.
O concelho dispõe ainda de duas bibliotecas: a Biblioteca Municipal de Benavente, a funcionar na antiga Casa de Calheiros; e a Biblioteca de Samora Correia, instalada no Palácio do Infantado.



Gastronomia : 

         Dos pratos tradicionais confeccionados no concelho de Benavente, destacam-se as migas de bacalhau, a sopa de molho de toucinho, o ensopado de enguias e os linguadinhos fritos com arroz de feijão.
                                                                                                          Delícias de Batata 
Delícias de BatataMigas com Entrecosto
Migas com Entrecosto 

Viagem e visita ao concelho de Vila Franca de Xira

Brasão de Vila Franca de Xira

Localização : 

            Vila Franca de Xira é um concelho do distrito de Lisboa, com uma área de 293.9 km2, distribuída por 11 freguesias. A vila e sede do concelho dista cerca de 29 quilómetros de Lisboa e está situada na margem direita do rio Tejo, no Ribatejo. O concelho de Vila Franca de Xira é limitado a Norte pelos concelhos de Alenquer e Azambuja (separado deste e em pequena parte do de Azambuja pelo curso do Tejo); no extremo Nordeste, pelo concelho de Salvaterra de Magos; a Este, pelo concelho de Benavente (separado pelo rio Sorraia); a Sul, pelo estuário do Tejo e pelo concelho de Loures; e a Oeste, pelos concelhos de Loures e Arruda dos Vinhos. É atravessado pelo rio Tejo que nele começa a alargar o seu vasto estuário, formando três ínsuas, abrangidas na área do concelho: o Mouchão da Póvoa, o Mouchão do Lombo do Tejo e o Mouchão da Alhandra. Na margem direita fica a zona mais acidentada do concelho, mas também a mais populosa e mais industrializada; na margem esquerda, fica a vasta lezíria ribatejana, cortada pela estrada do cabo e ainda por cursos de água que fazem a drenagem das terras baixas e inundáveis, além do Sorraia, o Mar de Cães, o Esteiro do Vinagre, a Aberta do Infante, o esteiro do Ruivo, entre outros.



História : 

          O povoamento do território que corresponde ao atual concelho de Vila Franca de Xira é bastante remoto, datando do paleolítico inferior os mais antigos vestígios de ocupação humana, tratando-se de instrumentos de pedra lascada, recolhidos em Alverca do Ribatejo. Também na freguesia de Castanheira do Ribatejo foram encontrados artefatos de pedra lascada que testemunham acampamentos temporários de caçadores-recolectores nos terrenos junto ao rio. Do período do neolítico, chegaram até aos nossos dias vestígios da existência de pequenas comunidades que ocuparam as elevações sobranceiras ao Tejo e outras bacias hidrográficas como os vales de Vialonga, Calhandriz e S. João dos Montes. Já na Idade do Ferro, existiu em Castanheira do Ribatejo, o povoado fortificado do Monte dos Castelinhos que posteriormente foi romanizado. Da época de ocupação romana, foram também encontrados vários vestígios, disseminados pelas freguesias que compõe o atual concelho de Vila Franca de Xira, como é o caso das várias ânforas achadas no leito do Tejo, junto aos mouchões de Alhandra e da Póvoa de Santa Iria, e que denunciam a intensa atividade comercial romana; também lápides funerárias epigrafadas, existentes em várias freguesias do concelho, testemunham a presença romana. Eram duas as povoações que posteriormente deram origem ao topónimo composto do concelho e a uma só localidade, sendo essas: Vila Franca e Cira. A coroa, para promover o repovoamento desta região marginal do Tejo praticou a política das concessões territoriais a particulares nobres ou eclesiásticos. Assim, D. Sancho I doou em 1206 a "villa de Cira" a Froilhe Erminges, compreendendo nela o assento de Vila Franca; Alhandra foi doada aos bispos de Lisboa; S. João dos Montes parece ter sido atribuído aos Templários e Povos recebe foral próprio em 1195. Mais tarde, em 1203, o bispo Soeiro de Lisboa deu foral a Alhandra e em 1212 D. Froilhe Herminges outorga foral à sua "villa" de Cira. Nesse documento, distingue-se explicitamente a existência de uma primitiva herdade de Cira, situada mais no interior, e uma Vila Franca nas margens do rio. Principia o foral que estabelece o direito da inviolabilidade domiciliária, como garantia da segurança dos povoadores: quem entrasse pela força numa casa, usando armas, peitaria 500 soldos; se o violador ou "raptor" for morto dentro da casa violada, pagar-se-à deste crime, para satisfação da justiça, um maravedi; sendo apenas ferido o violador na casa, a multa era meio maravedi. Os crimes de homicídio e rousso públicos eram punidos com a multa de 500 soldos. Outro crime, excepcionalmente, considerado grave é o ferimento a couces e pontapés (equivalente a rousso ou homicídio), talvez por considerar-se lesivo da dignidade humana, como o lixo na boca. O foral trata depois do relego da dona da terra: durante o período reservado para ela a venda do seu vinho, não podia ninguém vender o seu, sob a pena de lhe pagar de multa (às duas primeiras vezes, cinco soldos por cada vez e à terceira de se lhe entornar todo o vinho, depois de dado o testemunho do atentado contra o relego); do vinho de fora que na localidade se vendesse, pagar-se-ia por cada carga um almude. Estabelecem-se depois os encargos sobre o pão, de que se daria a quinta parte; o vinho, de que se daria a oitava, no lagar; e no linho, de que se entregava a oitava também; dava-se ainda a oitava das azeitonas na tulha. Em seguida, o foral ocupava-se de outros casos de criminalidade: quem matasse alguém fora do couto peitaria sessenta soldos e quem ferisse, igualmente fora de balizas, peitaria trinta soldos; os ferimentos feitos na praça pública, equivaliam na multa, a meio homicídio. Mais tarde, D. Froilhe Ermiges declara que antes de Vila Franca receber foral, já o tinha recebido Xira. Faz tal declaração a fim de estender o foral de Xira a Vila Franca, permitindo a reunião das duas povoações, com igual foro. Em Maio de 1228, D. Froilhe doou a "villa" de Cira, inclusa Vila Franca, à Ordem do Templo, sendo mestre nos três reinos, D. Martim Sanches. Apesar de a doação ter sido feita à Ordem dos Templários, a verdade é que os Hospitalários também aí possuíam direitos, o que levantou, séculos depois, questões entre as duas ordens. No século XVI, Vila Franca e Xira passam a pertencer à Coroa. 
Em 1510, Vila Franca, Povos e Castanheira receberam Foral Novo, no âmbito da reforma dos forais promovida por D. Manuel I. O concelho de Vila Franca tinha então de termo, para a parte de Povos (concelho por si) um "tiro de besta"; para a de Alhandra (também concelho) meia légua; para a de Arruda, outra meia légua. Tratava-se, portanto, de um concelho muito diverso do atual  pois que para além daqueles concelhos (que atualmente são freguesias que o compõe) Castanheira também era concelho; S. João dos Montes pertencia aos Templários; Póvoa de Santa Iria era um lugar do concelho de Alverca; Calhandriz do termo de Lisboa; Cachoeiras da Casa da Rainha. Em 1527, pertenciam ao concelho de Vila Franca de Xira: o lugar de Aldeia dos Bispos e a "quintãa" do Paraíso, propriedade do Conde de Penela.
O inicio do século XIX, ficou marcado pelas invasões francesas, sendo que no concelho de Vila Franca de Xira se iniciava o sistema defensivo construído em grande sigilo entre 1810-1812, para fazer face ao invasor francês e que haveria de ficar conhecido por linhas de Torres Vedras. Um outro acontecimento importante do inicio desse século, a que ficou ligado o nome de Vila Franca de Xira, foi a "vilafrancada", golpe de estado comandado por D. Miguel que decorreu de 27 de Maio a 3 de Junho de 1823 em Vila Franca de Xira. Ainda no século XIX processou-se a reforma administrativa que viria a dar origem à constituição do concelho de Vila Franca de Xira, tal como hoje o conhecemos: em 1836 deu-se a extinção do concelho de Povos e no ano seguinte desapareceu o de Castanheira; em 1855 a reforma fez extinguir os concelhos de Alhandra e de Alverca, passando doravante Vila Franca de Xira a integrar toda esta área administrativa; em 1886, com a extinção do concelho dos Olivais, a freguesia de Vialonga passou para o concelho de Vila Franca e, finalmente, já no século XX, em 1926, a freguesia de Póvoa de Santa Iria foi também anexada alargando para Sul a área do município.

Bandeira de Vila Franca de Xira

Cultura e Turismo : 

          O concelho de Vila Franca de Xira caracteriza-se pela diversidade da sua paisagem, que vai desde a Lezíria, grande planície alagada nas margens do rio, despoluída, à zona interior mais acidentada. Ao longo dos tempos a pesca no rio Tejo e os trabalhos no campo, assim como, a criação e lide de cavalos e touros sempre marcaram vincadamente a cultura dos seus habitantes, sendo a tourada considerada um ex-libris deste concelho. O concelho destaca-se também pela sua riqueza patrimonial, destacando-se a esse nível: a Igreja da Misericórdia que alberga importantes obras de arte sacra; a Igreja de Alhandra; o Pelourinho Manuelino, considerado Monumento Nacional; o monumento ao Campino, peça de bronze datada de 1982 de autoria de Domingos Soares e António Trindade; a Praça de Touros Palha Blanco, inaugurada a 28 de Setembro de 1901 em substituição de um antigo tauródromo de madeira construído em 1810 e que ardeu nos finais do século XIX; a Igreja Matriz de Vila Franca de Xira (séc. XVII), antiga igreja da Ordem Terceira de S. Francisco, foi fundada em 1677 e reconstruída no século XX; o Monumento à Batalha das Linhas de Torres no Sobralinho; e a Capela de fundação Medieval no monte do Senhor da Boa Morte.
No que diz respeito a atividades culturais, a Câmara Municipal e as várias associações e colectividades existentes no concelho desenvolvem ao longo do ano um vasto leque de iniciativas, pretendendo ir ao encontro dos gostos e necessidades das diferentes camadas da população. De realçar a Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira que assume uma vertente de concurso de âmbito nacional, contando ainda com a participação de instituições, escolas e fotógrafos convidados pelo Comissariado e uma programação de exposições paralelas. O município assegura a programação de cinco galerias: a Galeria Municipal de Vila Franca de Xira e a Galeria de Exposições da Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira (Vila Franca de Xira); a Galeria do Fórum Cultural (Alverca do Ribatejo), a Galeria Municipal Augusto Bértholo – Casa/Museu Dr. Sousa Martins (Alhandra); e o Palácio Quinta da Piedade (Póvoa de Santa Iria). Dispõe ainda de dois auditórios, um em Alverca do Ribatejo (Auditório Municipal Scala) e outro em Vila Franca de Xira, na Biblioteca Municipal. A programação destes auditórios consiste sobretudo em actividades ligadas à música, ao teatro e á literatura.
O Museu Municipal de Vila Franca de Xira foi criado em 1951, por iniciativa do Dr. António Vidal Baptista que, em conjunto com Raúl de Carvalho, havia já fundado, quatro anos antes, a Biblioteca local. Em 1980, o museu foi encerrado, reabrindo cinco anos depois no edifício setecentista da Rua Serpa Pinto em Vila Franca de Xira. Em 1988 foi constituído o segundo núcleo museológico com a aquisição e recuperação de um Barco Varino do Rio Tejo, e em 1990 abriu o Núcleo Museológico de Alverca; já em 2001 foi inaugurado o Núcleo Museológico de Arte Sacra na Igreja do Mártir Santo São Sebastião em Vila Franca de Xira.




Gastronomia :

          Vila Franca de Xira é um concelho com grandes tradições, sendo os pratos típicos: peixe do rio (cozinhado de diversas maneiras), galinha do campo, sável frito com açorda de ovas, linguado frito, ensopado de enguias, enguias fritas e cabrito assado.
                                                                                                              Açorda de Sável
Açorda de SávelSopa de Bacalhau
Sopa de Bacalhau





domingo, 28 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho de Arruda dos Vinhos

Brasão de Arruda dos Vinhos

Localização : 

              Concelho do distrito de Lisboa, Arruda dos Vinhos, dista da capital cerca de trinta e seis quilómetros, para Norte. Abrange uma área de 77.7 km2, distribuída por quatro freguesias, faz fronteira a Norte com o concelho de Alenquer; a Oeste, com Sobral de Monte Agraço; a Sudoeste, com Mafra; a Sul, com Loures; e a Este com Vila Franca de Xira.



História : 

        O povoamento do território que corresponde ao atual concelho de Arruda dos Vinhos é tido como bastante remoto, apesar de serem parcos os vestígios arqueológicos e toponímicos. Um dos topónimos mais importantes relativo ao povoamento primitivo desta região é o do lugar de Anta, referindo-se este nome à existência de uma edificação dolménica, na altura da atribuição do topónimo. No que diz respeito ao topónimo principal do concelho, é composto por dois elementos, sendo que o primeiro deriva do latim ruta, "arruda", com o prefixo árabe al; já segundo elemento, refere-se à abundância de vinhas na região. A primeira referência escrita relativa a Arruda dos Vinhos data de 1172, constando no documento de doação de D. Afonso Henrique de "Arruta" à Ordem de Santiago. No entanto, essa doação parece não ter sortido efeito, visto que D. Sancho I a repetiu, sem qualquer alusão ao igual ato de seu pai. Esta doação de D. Sancho foi feita a 26 de Outubro de 1185, citando-se expressamente o castelo, o que mostra ter sido Arruda uma praça forte. Anteriormente, havia D. Afonso Henriques concedido foral a Arruda dos Vinhos (1160) que mais tarde foi renovado por D. Manuel (1517).
Uma das particularidades mais notáveis dos tempos afonsinos de Arruda, concerne ao sítio que então se chamava Vilar, onde foi fundado uma espécie de Mosteiro de "freiras" da Ordem donatária, isto é, donas afiliadas à Ordem de Santiago, tendo a dona que exercia a função de superiora, o título de "comendadeira". Em 1255 já não se encontravam nesse local pois nesse ano o Mestre da Ordem, D. Paio Peres Correia e o comendador de Mértola, D. Gonçalo Peres, doam a Estêvão Mendes o lugar de Vilar onde haviam habitado as freiras. Segundo consta, essas "freiras" de Santiago do Vilar partiram, no reinado de D. Sancho I, para Lisboa, depois de construído por esse rei o Mosteiro de Santos-o-Velho e mais tarde, no reinado de D. João II, passaram para Santos-Novos, sendo conhecidas como comendadeiras de Santos. Eclesiasticamente, a paróquia de Santa Maria de Arruda remonta ao século XII, ou pelo menos aos princípios do século XIII, mas certamente antes do senhorio da vila pela Ordem de Santiago dado que o padroado lhe escapou, sendo da apresentação dos cónegos regrantes de Santo Agostinho do Mosteiro de S. Vicente de Fora, vigararia que depois passou a priorado. A vila permaneceu na posse da Ordem de Santiago até meados do século XVI. Depois foi doada ao primeiro Duque de Aveiro, em cuja sucessão se manteve a sua donataria até 1759, data em que foi extinta essa casa titular. Passou então à posse da coroa, situação em que se encontrava ainda no final do Antigo Regime. Era nessa época vila da província da Estremadura, diocese de Lisboa, comarca do Ribatejo e provedoria de Torres e tinha juiz ordinário. 
Em 1855, sendo extinto o concelho de Sobral de Monte Agraço foram anexas as freguesias deste ao concelho de Arruda dos Vinhos. Em 1887 a sede de concelho foi transferida para o Sobral, o que provocou desavenças entre as duas vilas, com agressões aos comerciantes que iam de uma à outra fazer negócio. Esse conflito manteve-se durante 3 anos e só foi resolvido com a formação de dois concelhos: Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço. 
A 26 de Setembro de 1895, o concelho de Arruda dos Vinhos foi extinto, tendo sido anexado ao de Vila Franca de Xira; veio a ser restaurado a 13 de Janeiro de 1898, com as freguesias que tinha à data da eliminação, excepto a de Sapataria (que ficou integrada em Sobral de Monte Agraço).

Bandeira de Arruda dos Vinhos

Heráldica : 

Brasão: de prata, com uma torre de vermelho sobre um terrado de sua cor. A torre cercada por três videiras de sua cor, frutadas, de prata e tendo sobre a porta o escudete das quinas. Coroa mural de prata de quatro torres.

Bandeira: esquartelada de vermelho e de branco por as peças principais, o castelo e os cachos terem estas cores. Por baixo das armas uma fita branca com letras pretas: «Arruda dos Vinhos».

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos».


Cultura e Turismo : 

O turismo no concelho de Arruda dos Vinhos tem maior expressão no espaço rural e também no denominado turismo de fim-de-semana. No entanto, o património arquitetónico existente, assim como as festas anuais, as touradas e a gastronomia, atraem cada vez mais novos visitantes. Do seu importante património arquitetónico e histórico destaca-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Salvação (séc. XVI); a Igreja da Misericórdia (séc. XVI); o chafariz grandioso de estilo barroco, cuja edificação remonta do século XVIII; a Ermida de Nossa Senhora do Monte, de onde se pode vislumbrar a característica paisagem de Arruda dos Vinhos, sendo que a esta capela, na Quinta-feira de Ascensão, acorrem inúmeros peregrinos; o antigo edifício da Câmara Municipal com uma torre sineira, cuja edificação remonta ao século XVIII; e as ruínas da fortaleza da Guerra Peninsular Napoleónica (linhas de torres).
No que diz respeito a espaços culturais, no concelho de Arruda dos Vinhos, o destaque vai para a Galeria Municipal, localizada no primeiro andar das instalações do Posto de Turismo e que acolhe de três em três semanas exposições de todos os campos das artes plásticas: pintura, escultura, fotografia, joalharia etc; sendo as exposições individuais ou colectivas.






Gastronomia :

        A gastronomia tradicional do concelho de Arruda dos Vinhos abrange desde o cozido à portuguesa, à costeleta de novilho grelhada, ao bacalhau assado na brasa, aos peixinhos da Horta. No que respeita à doçaria, o destaque vai para o creme de amêndoas, para as famosas delícias e para as "Bruxas d`Arruda".


Bacalhau assado na brasa