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domingo, 24 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Alcobaça

Brasão de Alcobaça

Localização

            Concelho do distrito de Leiria, Alcobaça ocupa uma área de 417 km 2, sendo constituído por dezoito freguesias, oito das quais constituem vilas (Alfeizerão, Aljubarrota (Prazeres), Aljubarrota (S. Vicente), Benedita, Cela, Pataias, S. Martinho do Porto e Turquel) e a cidade de Alcobaça, é limitado a norte pelo município da Marinha Grande, a leste por Leiria, Porto de Mós e Rio Maior, a sudoeste pelas Caldas da Rainha e a oeste envolve por completo a Nazaré e tem dois troços de costa no Oceano Atlântico. Encontra-se inserido na região da Estremadura entre a serra de Candeeiros e a costa atlântica. É banhada pelos rios Alcoa e Baça, nomes de cuja aglutinação a tradição faz derivar o seu nome – o que está longe de ser consensual. Foi elevada a cidade em 1995.


História

          O topónimo principal do concelho, "Alcobaça" parece ser de origem arábica, à semelhança do que acontece em muitos outros topónimos deste concelho. De facto, segundo Frei João de Sousa "Alcobaxa, vila acastelada. Significa os carneiros. Foi assim designada pelos muitos outeiros que a cercam". Pinho Leal, sustenta a mesma opinião ao afirmar que o nome desta vila "é composto do artigo al e de cobaxa (carneiros), isto é al-cobaxa, os carneiros". Outros autores defendem ainda que o topónimo "Alcobaça" resultou da junção do nome dos dois rios que atravessam o concelho: "Alcoa" e "Baça". No entanto, de acordo com Manuel Vieira Natividade, o topónimo é de origem mais recuada, remontando aos tempos de dominação romana, povo que aqui fundou a povoação de "Helcobatiae", estando aí a origem do topónimo e do povoado. O povoamento do território que corresponde ao atual concelho de Alcobaça é bastante remoto e certamente anterior à fundação da nacionalidade. Este facto é comprovado através da arqueologia que nos dá notícia de civilizações romanas e pré-romanas em vários pontos do concelho, nomeadamente nos arredores da cidade de Alcobaça, onde foi descoberta uma inscrição relativa a Minerva, caso singular na arqueologia portuguesa. A ocupação romana pode ser comprovada através dos vestígios encontrados na estação arqueológica de Parreitas, localizada na freguesia do Bárrio. Posteriormente, esta povoação foi habitada por uma colónia árabe que aí construiu um castelo.O concelho de Alcobaça está historicamente ligado à abadia cisterciense que influenciou de modo decisivo o povoamento e desenvolvimento desta região. Ligada a fundação do Mosteiro de Alcobaça está a célebre promessa que D. Afonso Henriques fizera ao passar a serra de Albardos para o assalto a Santarém em que se tivesse êxito doaria à Ordem de Cister, na pessoa de S. Bernardo, todo o território que dali se avistava até ao mar. No entanto, a verdade histórica parece ser outra: a fundação da famosa abadia parece ser resultado da política religiosa de D. Afonso Henriques, por intermédio dos grandes eclesiásticos portugueses do tempo. Assim, a 8 de Abril de 1153, D. Afonso Henriques outorga a carta de fundação de Alcobaça à Ordem de Cister, através da Abadia de Claraval. Em Maio de 1157, D. Afonso Henriques privilegiou o Mosteiro com uma carta de couto, privilégio esse que viria a ser confirmado, mais tarde, por vários monarcas. Ao longo da primeira dinastia, os vários reis foram concedendo cada vez mais privilégios, o que se traduzia na posse de um vasto território que abrangia na sua área treze coutos: Aljubarrota, Coz, Maiorga, Évora de Alcobaça, Turquel, Alvorninha, Pederneira, Cela, Alfeizerão, S. Martinho do Porto, Santa Catarina, Paredes e Alcobaça. É possível que algumas destas antigas vilas devam o seu nascimento aos aforamentos operados pela abadia, no entanto, na maior parte dos casos o aforamento fazia-se para promover o desenvolvimento da agricultura e para regular os direitos e deveres de vassalos e senhorio. O Mosteiro de Alcobaça gozou também de grande importância militar, pois uma Lei de D. Duarte ordenou que existissem nos coutos do mosteiro vinte e oito besteiros. O Mosteiro permaneceu donatário destas terras até finais do Antigo Regime, sendo que em 1834, com a extinção das ordens religiosas, o Mosteiro foi vendido em hasta pública e das treze vilas (concelhos) que lhe pertenciam, apenas Alcobaça permaneceu como sede de concelho. Um outro importante facto histórico relativo ao concelho de Alcobaça diz respeito a uma das vilas que o compõem. Trata-se da batalha de Aljubarrota. Esta batalha teve lugar a cerca de 12 quilómetros para Norte da povoação de Aljubarrota, onde se deu o encontro entre os exércitos português e castelhano, no dia 14 de Agosto de 1385 que marcou de forma decisiva a guerra luso-castelhana de 1384-1397. A esta batalha encontra-se ligada a célebre lenda da "Padeira de Aljubarrota". Segundo a tradição, em Aljubarrota viveu Brites de Almeida, natural de Faro e conhecida pela sua bravura e valentia, originária de uma família pobre e humilde. Apesar da sua reputação, um soldado, encantado com a sua bravura, propôs-lhe casamento, ao que Brites impôs a condição de lutarem antes do casamento. Como resultado o soldado ficou ferido de morte e Brites viu-se obrigada a fugir para Espanha, no entanto, o barco em que seguia foi capturado por piratas e Brites foi vendida como escrava em Argel. Com a ajuda de outros dois escravos portugueses, Brites conseguiu escapar para Portugal. Ainda procurada pela justiça, Brites cortou os cabelos, disfarçou-se de homem e tornou-se almocreve. Em Aljubarrota, aceitou o trabalho como padeira e casou-se com um lavrador. A 14 de Agosto de 1385, com o decorrer da Batalha de Aljubarrota, Brites não conseguiu resistir ao apelo da sua natureza guerreira e juntou-se ao exército português que naquele dia derrotou o invasor castelhano. Segundo a tradição, ao chegar a casa, Brites encontrou no seu forno sete castelhanos escondidos. Imediatamente pegou na sua pá de padeira e matou-os logo ali. Conta a história que a célebre "Padeira" acabou os seus dias junto do seu lavrador, ficando para a história como símbolo da independência portuguesa, sendo que a sua pá foi religiosamente guardada como estandarte de Aljubarrota por muitos séculos, fazendo parte da procissão do 14 de Agosto.  O Mosteiro de Alcobaça, classificado como património da Humanidade pela UNESCO em Dezembro de 1989, é atualmente a principal referência do concelho de Alcobaça. Este grandioso edifício com um comprimento de cerca de 220 metros é formado por três corpos: a igreja; e as Alas Norte e Sul onde, respectivamente, se situavam os aposentos dos reis e da corte em visita, e as residências do Abade e dos Monges. Na Igreja encontram-se os túmulos de D. Pedro e D. Inês de Castro (também abrangidos pela classificação da UNESCO), testemunhos da trágica história de amor entre estes dois personagens da História de Portugal. A vila de Alcobaça foi agraciada com a Torre e Espada por Decreto n.º 5.664 de 10 de Maio de 1919 e foi elevada à categoria de cidade em 21 de Janeiro de 1995.

Bandeira de Alcobaça

Heráldica

Brasão: escudo de vermelho, uma torre de ouro assente num contrachefe de cinco faixetas ondeadas, três de prata e duas de azul, acompanhada por dois crescentes de ouro; chefe de azul, carregado de três flores-de-lis de ouro. Coroa mural de prata de cinco torres. Colar da Ordem de Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas: «ALCOBAÇA».

Bandeira: gironada de oito peças de amarelo e azul, cordão e borlas de ouro e azul. Haste e lança de ouro.

Selo: nos termos da lei, com a legenda: «Câmara Municipal de Alcobaça».


Cultura e Turismo

             O concelho de Alcobaça, famoso pelo seu Mosteiro, considerado Património da Humanidade pela UNESCO, dispõe de várias atrações turísticas que possibilitam a prática de várias atividades  É o caso dos desportos náuticos, em S. Martinho do Porto; da pesca desportiva, nos vários cursos de água existentes no concelho; do termalismo, nas termas da Piedade (freguesia de Vestiaria); e ainda do veraneio, nas praias de S. Martinho do Porto e de Paredes da Vitória, esta última na freguesia de Pataias. O Museu Nacional do Vinho é a principal unidade museológica do concelho e aí pode-se encontrar exposições de alfaias agrícolas, máquinas e objetos ligados à vinicultura. Para além deste museu, pode-se visitar em Alcobaça o Museu Municipal, instalado na Ala Sul do Mosteiro de Alcobaça; e o Museu Agrícola da Escola Profissional de Agricultura de Cister que possui uma vasta coleção de alfaias agrícolas do século XIX. O concelho dispõe também de várias associações culturais responsáveis pela organização de variados eventos ao longo de todo o ano. Num desses eventos, o Concurso de Música Moderna, atuou pela primeira vez o grupo que se iria tornar um dos grandes fenómenos da música nacional: The Gift. Esta banda, originária de Alcobaça, formou-se em 1994, sendo composta por Sónia Tavares (Voz), Nuno Gonçalves (Teclas e programação de ritmos), John Gonçalves (baixo e samplers), Miguel Ribeiro (Guitarra e baixo) e Ricardo Braga (Bombardino). Em 1997, surgiu o primeiro trabalho discográfico, Digital Atmosphere, e um ano depois surge o álbum Vinyl, o principal êxito da banda. Os The Gift foram galardoados com vários prémios, entre os quais o de Melhor Disco Nacional do Ano de 1998 pelo Diário de Notícias; o Melhor Videoclip de 99, atribuído a "Ok! Do You Want Something Simple", na gala "TMN Videoclip do Ano 99" ; e Melhor Nacional, Melhor Single, Imagem Feminina 2000 (Sónia Tavares) e Melhor Banda em 2000, prémios atribuídos na "Gala Nova Era".
                                                                                               Museu do Vinho
Praia de S. Martinho do Porto

Gastronomia

             Da gastronomia tradicional do concelho de Alcobaça, destaca-se o frango na púcara e na doçaria, as delícias de Frei João, o pão-de-ló de Alfeizerão e o pudim de ovos do Convento de Alcobaça.
                                                                                                     Pão de ló de Alfeizerão                 

Frango na Púcara 

sábado, 23 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Porto de Mós

Brasão de Porto de Mós

Localização

         Integrado no distrito de Leiria, o concelho de Porto de Mós ocupa uma área de 264.9 km2 distribuída por treze freguesias, duas das quais com sede em vila: Juncal, Mira de Aire. Existe também a Vila de Porto de Mós, constituída por 2 freguesias sendo elas: Porto de Mós (S. João Baptista) e Porto de Mós (S. Pedro). Parte da área geográfica deste concelho está inserida no Parque Natural das Serras de Aire e dos Candeeiros, sendo dominada pelas bacias hidrográficas do Alviela e do Asseca.



História :

          O topónimo principal do concelho deriva do termo romano "Porto Molarum", sendo uma referência às mós produzidas nas margens do rio Lena e que depois eram "exportadas" por via fluvial. Por altura da atribuição do topónimo, o rio Lena era navegável, ocupando o que hoje é conhecido por Vale do Lena. O território deste concelho foi habitado desde tempos bastante remotos, tendo sido encontrados vários vestígios da passagem de várias civilizações por esta região, sendo a mais notável talvez a romana. Nos arredores de Porto de Mós, tanto na Serra como no Vale do Lena, foi localização de várias estâncias romanas, sendo de crer que o atual castelo se ergue na base de um primitivo castro. É no século XII que aparecem as primeiras referências escritas relativas a Porto de Mós. Segundo alguns autores, o castelo de Porto de Mós terá sido edificado pelos mouros, por volta do século IX, que o utilizavam como abrigo e terá sido conquistado por D. Afonso Henriques, em 1148. No entanto, esta indicação não parece corresponder à verdade, sendo que a conquista de Porto de Mós deverá ter ocorrido entre a terceira reconquista de Leiria, em 1140 e a conquista de Lisboa em 1147. Isto no caso de efetivamente ter existido uma conquista e não estar já o castelo abandonado e refugiada a sua guarnição em Santarém, Sintra ou Lisboa. De resto, todas as memórias que se referem a Porto de Mós em inícios da Nacionalidade, estão rodeados em várias lendas, em volta do célebre D. Fuas Roupinho, o primeiro alcaide-mor da vila. D. Sancho I mandou reedificar o castelo, ampliando-o e a 24 de Julho de 1305, Porto de Mós recebeu foral de D. Dinis, posteriormente renovado por D. Manuel I a 18 de Fevereiro de 1515. O senhorio de Porto de Mós foi dado por D. João I a Nuno Álvares e deste passou para os Duques de Bragança. No século XV o castelo foi completamente reformado pelo Conde de Ourém que o transformou num paço solarengo. A vila e concelho era constituída pelas freguesias de Porto de Mós (S. João Baptista) (Colegiada e priorado de apresentação da Casa de Bragança e depois do padroado real); Porto de Mós (S. Pedro), também da mesma apresentação e da mesma colegiada; e Nossa Senhora dos Murtinhos (vigairaria da apresentação da Mitra e comenda da Ordem de Cristo). Em 1840 esta última foi anexada à freguesia de Porto de Mós (S. João Baptista), sendo que atualmente o concelho conta com treze freguesias.

Bandeira de Porto de Mós

Heráldica

Brasão: de vermelho, com um castelo de prata, realçado de negro aberto do campo. As torres laterais são rematadas cada uma por uma árvore de verde troncada de negro. O castelo é acompanhado em chefe por duas estrelas de prata de oito raios. Em contrachefe duas mós de prata abertas do campo, sustendo dois guarda-rios, também de prata, realçados de negro. No pé do escudo tem três parras de ouro, coroa mural de prata de quatro torres. No listel branco com os dizeres a negro «Vila de Porto de Mós».

Bandeira: esquartelada de branco e vermelho; cordões e borlas de prata e de vermelho; haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de circular concêntrica, os dizeres «Câmara Municipal de Porto de Mós».


Cultura e Turismo

           Integrado na Rota do Sol, da Sub-Região de Turismo Leiria-Fátima, o concelho de Porto de Mós está integrado num importante eixo de monumentos e locais de Interesse Turístico. O ex-librís desta vila é sem dúvida o seu castelo, construído com objectivos essencialmente militares e que viria a adquirir, com o passar dos tempos, uma arquitetura mais palaciana, tornando-se uma espécie de fortaleza-solar. O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, bem como as Grutas de Alvados, Santo António e Mira de Aire, constituem os pontos turísticos mais interessantes do concelho.

                                                                                                                   Grutas de Alvados
Castelo de Porto de Mós


Grutas de Santo António 
                                    
                                                                                                 Grutas de Mira D'Aire

Gastronomia :     

            Da gastronomia tradicional do concelho de Porto de Mós, são de se destacar a caldeirada; as morcelas e a cacholada.

                                                                                                        Morcela de Arroz 
Morcela de Arroz        Cabrito do Arrimal
         Cabrito do Arrimal                 
                       

sexta-feira, 22 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho da Batalha

Brasão de Batalha

Localização

             O concelho da Batalha está integrado administrativamente no distrito de Leiria, na região centro litoral de Portugal. Com uma área de 103.6 km2, dividida em quatro freguesias, o concelho da Batalha faz fronteira a Norte com Leiria, a Este com o concelho de Ourém e Alcanena; e a Sul com Porto de Mós. Grande parte do concelho é ocupado pela zona florestal do planalto de S. Mamede, uma área de terrenos pouco férteis para uso agrícola, composta sobretudo por pinheiros e sobreiros.
O principal curso de água da Batalha é o rio Lena que nasce na Serra d` Aire e desagua no rio Lis, próximo de Leiria. A Batalha está ainda integrada na Diocese Leiria/Fátima, faz parte dos municípios que constituem a Associação de Municípios da Alta Estremadura, a par de Leiria, Marinha Grande, Ourém, Pombal e Porto de Mós e integra a Região de Turismo Leiria/Fátima.


História

          O concelho da Batalha deve o seu nome à celebre batalha de Aljubarrota, sendo que a vila se desenvolveu em torno do mosteiro de Santa Maria da Vitória, erguido em memória da dita batalha. A cerca de 12 quilómetros para Norte da povoação de Aljubarrota, deu-se o encontro entre os exércitos português e castelhano, no dia 14 de Agosto de 1385, que marcou de forma decisiva a guerra luso-castelhana de 1384-1397. O rei de Castela, D. João I, alegando direitos de sucessão do trono português, invadiu o país contando com o auxílio de muitos fidalgos portugueses e com tropas constituídas por cerca de 22 000 homens. O mestre de Avis, D. João, aclamado rei em Coimbra quatro meses antes, tinha conseguido reunir apenas 7 000 soldados para se opor à invasão. Assim que, em inícios de Agosto, a invasão se definiu com segurança, pela Beira-Beixa, Nuno Álvares Pereira, que fora a Estremoz recolher gente para o combate, correu para Abrantes, onde o rei se encontrava. Aí se fez conselho onde Nuno Álvares expôs a necessidade de travar logo de início o invasor, em qualquer das linhas de ataque que este seguisse e tomar desde logo a iniciativa ofensiva para se opor ao adversário. Após o conselho, Nuno Álvares recolheu as suas tropas e avançou para Tomar e Porto de Mós ao mesmo tempo que os castelhanos chegavam a Leiria. A 13 de Agosto, viram os portugueses surgir das bandas de Leiria as tropas castelhanas. As tropas portuguesas, embora militarmente inferiores, conseguiram derrotar os Castelhanos graças ao excelente comando e às tácticas indicadas pelo Condestável Nuno Álvares. Durante três dias, a hoste portuguesa manteve-se no campo de Aljubarrota, em sinal de vitória, segundo o espírito cavaleiresco da época. Segundo a tradição, por ocasião de se preparar para a batalha de Aljubarrota, D. João I, Mestre de Avis, suplicou à Virgem santíssima que protegesse o seu exército e fez o voto de lhe erigir e dedicar um sumptuoso mosteiro caso lhe fosse concedida a vitória. Assim, no sentido de cumprir a sua promessa, o mestre de Avis mandou construir, a pouca distância do local de combate o convento de Santa Maria da Vitória, hoje conhecido como Mosteiro da Batalha e em torno do qual a povoação aí existente se desenvolveu. O povoamento do território que corresponde ao atual concelho de Batalha é bastante remoto, tendo sido encontrados vestígios que remontam à época de ocupação romana. De facto, segundo alguns achados arqueológicos encontrados na área, a cerca de quatro quilómetros para Norte da atual vila, é de crer que tivesse existido uma povoação romana denominada "Colipo". É um erro pensar-se que na altura da fundação do mosteiro, o local seria um ermo completo, bem pelo contrário, pois no lugar onde foi edificado e onde atualmente assenta a vila, existia uma grande "quintãa" chamada do Pinhal, junho à aldeia de Canoeira e que na altura pertencia a D. Maria Fernandes "de Meira" e a de seu filho Egas Coelho, um dos heróis de Aljubarrota. A aldeia de Canoeira constituiria pois as "fundações" daquela que viria a ser a vila da Batalha. No entanto, foi de facto a construção do mosteiro que fez desenvolver a região, tendo o povoado crescido primeiramente com a fixação dos operários que trabalhavam no mosteiro. O Mosteiro foi entregue à Ordem Dominicana logo em 1388 e esta doação prestigiou a Vila, nomeadamente ao nível dos estudos que no Mosteiro eram ministrados. O facto do Panteão de D. João I e da sua família estar neste Mosteiro deu-lhe também importância acrescida - uma tradição que se manteve até ao reinado de D. João II. Em 1498, a povoação era elevada à categoria de vila, antes mesmo de se tornar paróquia, o que só veio a acontecer em 1512, por iniciativa de D. Pedro, Bispo da Guarda. Nesse ano iniciou-se a construção da Igreja Paroquial sob a evocação da Exaltação da Santa Cruz que só veio a ser terminada durante o reinado de D. João III. O Mosteiro foi Convento dos Dominicanos até cerca de 1834, data da extinção das Ordens Religiosas em Portugal e 6 anos depois o monumento estava votado a um completo abandono. Em 1907 deu-se a sua classificação como Monumento Nacional e, em 1983 o Mosteiro passou a ser considerado Monumento do Património da Humanidade, pela UNESCO. Em 1855 a área administrativa do concelho da Batalha seria aumentada com a integração da freguesia de Reguengo do Fetal. Mais tarde, em 1895 o concelho foi extinto e anexado ao de Leiria, voltando a ser restaurado a 13 de Janeiro de 1898 e mantendo-se até à atualidade.

Bandeira de Batalha

Heráldica

Brasão: de prata, com uma cruz de S. Jorge de vermelho, firmada nos bordos, carregada pela imagem de Nossa Senhora da Vitória com um menino ao colo, vestidos de azul com mantos de prata e resplendores de ouro. A cruz acantonada por duas cruzes da Melícia de Aviz de verde e por duas cruzes do timbre de Nuno Álvares de vermelho. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres: «Vila da Batalha» de negro.

Bandeira: de vermelho. Cordões e borlas de prata e de vermelho. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal da Batalha».


Cultura e Turismo

O concelho da Batalha está inserido numa região turística de grandes potencialidades, onde a natureza, o património histórico e as tradições se combinam, sendo o concelho conhecido pela diversidade das atividades culturais e recreativas que desenrolam ao longo de todo o ano. O concelho dispõe de várias unidades museológicas  com especial destaque para Casa-Museu do Rancho Folclórico Rosas do Lena, que inclui a reconstituição de uma casa estremenha, do século XIX e um interessante núcleo museológico com o espólio histórico do Rancho Folclórico Rosas do Lena. Ao nível de infra-estruturas de desporto e lazer, o concelho da Batalha possui vários pavilhões e ringues gimnodesportivos, Piscinas Municipais e um Kartódromo.

                                                                                                    Pia do Urso


Pia do Urso 

Pia do Urso 

Gastronomia

            Relativamente à gastronomia do concelho, a Batalha beneficiou da presença do mosteiro que deixou fortes tradições gastronómicas, sobretudo na área da doçaria sendo de se destacar: as morcelas de arroz; os pudins da batalha, bolos de ferradura e as cavacas. Um especial destaque vai também para o bucho recheado, a canja de galinha e cabidela e para o tchadéu (fritada de porco em tacho de barro).

                                                                                                      Cabidela de Galinha
Bolos de Ferradura 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho da Marinha Grande

Brasão de Marinha Grande

Localização

             O concelho de Marinha Grande encontra-se localizado no centro litoral de Portugal, no limite Norte da Estremadura, caracterizando-se pela extensa planície de chão arenoso e saibrento e abrangendo grande parte do Pinhal de Leiria, antigamente conhecido como o Pinhal do Rei. É composto por três freguesias: Marinha Grande na cidade homónima, Vieira de Leiria, com sede na vila do mesmo nome, e Moita; estendendo-se por uma área de 181.4 km2. 



História

            O território que constitui o atual concelho de Marinha Grande, depois de conquistado aos mouros, em 1142, por D. Afonso Henriques, foi inicialmente administrado pelos padres Crúzios do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, a quem D. Afonso Henriques doara em testamento, juntamente com o Castelo e todo o termo de Marinha Grande, todos os terrenos que compunham as terras que hoje pertencem aos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Porto de Mós e grande parte dos de Alcobaça, Vila Nova de Ourém (hoje Ourém) e Pombal. Essa jurisdição dos Crúzios exerceu-se até ao ano de 1309 e, por ordem do Rei D. Dinis, passou para o poder da Casa Real. Poucos dados existem sobre a origem e evolução de Marinha Grande, contudo, admite-se que eram as atividades ligadas ao Pinhal e alguma produção agrícola que ocupavam a maior parte da sua população ativa. Segundo a tradição, o povoamento efectivo do território da Marinha Grande ou Nossa Senhora do Rosário (inicialmente denominado de Marinha ou Santa Maria da Marinha) terá sido iniciado por colonos- povoadores (lavradores, carreiros, lenhadores, e serradores) recrutados pelo rei D. Dinis, que os encarregou da vigilância do Pinhal de Leiria, entre os séculos XII e XIII. Para alguns autores, a Marinha Grande terá sido fundada por alguns colonizadores que se instalaram no local, para extrair o sal das marinhas existentes na região, que eram formadas por água do mar trazida pelas marés altas através dos riachos afluentes do rio Lis, que como dizia o historiador Tito de Sousa Larcher a este respeito: "era bastante caudaloso e navegável até às portas da cidade". Até ao ano de 1600, Marinha Grande e as povoações em redor pertenceram à freguesia de S. Tiago do Arrabalde da Ponte (atual lugar da freguesia de Marrazes), de onde o povo tinha que se deslocar a pé e atravessar o rio Lis em barcos quando queriam ouvir missa, registar os nascimentos e óbitos ou tratar dos éditos para os casamentos; pelo que no final do século XVI, os moradores da Marinha Grande pediram ao bispo D. Pedro de Castilho que lhes permitisse edificar uma capela sob a égide de Nossa Senhora do Rosário, o que lhes foi concedido. Construída a capela em 1590, os moradores da povoação solicitaram depois ao bispo, licença para que ali se celebrasse missa. Ainda a pedido dos habitantes, em 1600 foi criada a paróquia de Nossa Senhora do Rosário da Marinha Grande. Em 1750, era embaixador de D. João V nas cortes inglesa e austríaca, Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido por Marquês de Pombal, que se empenhou fortemente no reforço do poder régio, diminuindo o poder de algumas casas nobres. Isto acontecia, em grande parte devido às dificuldades económicas do Reino, provocadas sobretudo pela interrupção na exploração do ouro brasileiro que obrigaram o Marquês a retomar a política de fomento industrial que havia sido iniciada com o Conde da Ericeira. Assim se compreende o interesse do Marquês de Pombal por Marinha Grande que, até meados do século XVIII, vivera exclusivamente do pinhal e pouco progredira; porém, a sua área e arredores havia ganho uma nova dinâmica devido a um acontecimento que constituiu um marco muito importante na história da sua economia e de todo o seu concelho: a transferência, em 1748, da fábrica de vidros de John Beare de Coina para a Marinha Grande, onde se encontravam as matérias-primas necessárias e o combustível abundante e barato, fornecido pelas matas inesgotáveis do Pinhal Real. Em 1769, dava-se a fundação da que se designou "Real Fábrica de Vidros", liderada inicialmente pelo inglês Guilherme Stephen, que a dotou com os mais aperfeiçoados maquinismos da época. Guilherme Stephens era proprietário dos fornos de cal de Alcântara e foi entusiasmado pelo Marquês de Pombal e pelo Ministro Francisco Xavier de Mendonça, recebendo como auxílio do Tesouro trinta e dois contos, sem juros, entre outras isenções concedidas. Após gerações e gerações de sucesso do sector vidreiro, o mesmo veio a atravessar uma fase difícil, contudo já ultrapassada, encontrando-se reativado o sector da produção de vidro e de cristal. Marinha Grande foi elevada à categoria de concelho em 1836, sendo por essa altura constituído pelas freguesias de Marinha Grande, Vieira de Leiria, Carnide, Monte Real, Maceira e o antigo lugar e agora freguesia da Moita que seria desanexado da freguesia de Pataias. Dois anos mais tarde, saía um novo decreto que revogava o despacho de 6 de Novembro de 1836, eliminando o concelho de Marinha Grande e anexando as suas freguesias ao concelho de Leiria. Em 1892 foi-lhe dada a categoria de vila, sendo o concelho restaurado em 1917 constituído pelas freguesias de Marinha Grande e Vieira de Leiria. A 11 de Março de 1988 Marinha Grande foi elevada à categoria de Cidade. Através da lei 28/2001 foi anexada ao concelho a freguesia de Moita. Em 1934, a Marinha Grande foi o palco do mais conhecido levantamento operário e onde este alcançou maior visibilidade pública. Foi na Marinha Grande que grupos de operários das fábricas de vidro, maioritariamente comunistas, conseguiram dominar a povoação e tentaram criar um "soviete" revolucionário, ações que não produziram efeitos nem tiveram durabilidade devido à rápida intervenção das forças policiais de Leiria. Este fracasso animou violentas discussões entre as células anarquistas e comunistas portuguesas, que se acusavam mutuamente da responsabilidade do sucedido na Marinha Grande e no "18 de Janeiro de 1934". O anarquismo foi perdendo força a nível político e de mobilização. Por outro lado, o sindicalismo livre desaparece também em Portugal, assim como são retirados da cena laboral muitos dos seus mentores e ativistas  devido à sua oposição ao corporativismo. No mundo operário, o anarco-sindicalismo perde expressão igualmente, com dirigentes e militantes a serem presos, deportados ou exilados.

Bandeira de Marinha Grande

Cultura e Turismo

             O concelho de Marinha Grande é bastante atrativo em termos turísticos e culturais, em virtude quer dos seus recursos naturais, quer do seu valor patrimonial. De notar são os belos elementos do património cultural e edificado do concelho: o Centro Histórico da Marinha Grande, os Monumentos ao "Vidreiro", aos "Mortos da Grande Guerra" e aos patronos do Pinhal do Rei (D. Dinis e Rainha D. Isabel); a Casa Museu Afonso Lopes Vieira, a Fonte e a Fábrica dos Ingleses, o Palácio Vieira Lima, o Palácio dos Barosas, a Capela de Santa Bárbara e o edifício da Colónia de Férias "Afonso Lopes Vieira". Marinha Grande está repleta de belas praias, sendo a praia de S. Pedro de Muel uma das principais atrações turísticas do concelho e que deve as suas origens ao ribeiro de Muel que servia para transportar madeira até à costa. Esta praia separa a Marinha Grande do oceano, sendo que o mar é normalmente muito agitado, sendo por esse motivo muito procurada pelos praticantes de surf e outros desportos radicais. Em 1912, ao Norte da praia, foi inaugurado o farol de S. Pedro, um instrumento importante para a navegação. Também a praia da Vieira, outrora praia de pescadores, tornou-se um importante centro turístico e de veraneio. A mata de Leiria é também um importante recurso turístico deste concelho que proporciona um atrativo espaço de lazer, sendo de se destacar o Tromelgo e o ribeiro de Muel. Esta mancha florestal abrange praticamente todo o concelho de Marinha Grande, do qual ocupa cerca de dois terços da superfície. Começa junto à foz do rio Lis e estende-se pela faixa litoral, para Sul até Água de Madeiros, daí para o interior até à Guarda da Lagoa Cova; depois até quase em linha recta, até Vieira de Leiria; por fim segue o rio Lis até à sua foz. O concelho dispõe de várias colectividades e associações que levam a cabo a organização de várias atividades ao longo de todo o ano. Destacam-se a este nível o Sport Operário Marinhense, fundado em 1923, onde se realiza anualmente o Torneio Memorial Dr. José Vereda, integrado no Campeonato Nacional de Xadrez; o Sport Império Marinhense, fundado também em 1923; a Sociedade de Instrução e Recreio 1º de Maio, a mais antiga do concelho; a Biblioteca de Instrução Popular de Vieira de Leiria, palco de diversas atividades de índole cultural; o Atlético Clube Marinhense, o Sporting Clube Marinhense e o Sport Lisboa e Marinha. Ao longo do ano são realizados vários eventos desportivos, de que são exemplo o Rali Rota do Sol, realizado em Maio e cuja organização cabe ao Automóvel Clube Marinhense; o Concurso Internacional de Pesca; a Volta aos Sete, organizada pelo Sport Lisboa e Marinha e pela Federação Portuguesa de Ciclismo; e a Meia Maratona da Marinha Grande. No que diz respeito às infra-estruturas culturais do concelho, são de destacar o Teatro Stephens da Marinha Grande e o Cine-Teatro da Vieira e a Biblioteca Municipal. O concelho dispõe ainda de várias unidades museológicas, nomeadamente o Museu do Vidro, onde se podem encontrar várias peças de vidro, bem como as diferentes etapas da instalação desta indústria no concelho; o Museu Santos Barosa, cujo principal objectivo é também a divulgação da história da indústria vidreira; a Casa Museu Afonso Lopes Vieira e o Museu Municipal Joaquim Correia, onde se pode apreciar a obra do mestre Escultor Joaquim Correia.

Praia da Vieira 
                                                                                                   Praia de S. Pedro de Moel
Gastronomia

         A gastronomia do concelho de Marinha Grande caracteriza-se pela sua variedade, sendo característicos: a sopa do vidreiro, prato confeccionado com bacalhau; os carapaus abertos, bastante tradicional em Vieira de Leiria; o licor de leite; os bolos de pinhão; as enfiadas de pinhão; e as morcelas de arroz.

Sopa do Vidreiro