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terça-feira, 19 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Ourém

Brasão de Ourém

Localização

           Situado na parte Noroeste do distrito de Santarém, o concelho de Ourém abrange uma área de 416.5 km2, distribuída por 18 freguesias, é limitado a Poente pelos concelhos de Batalha e Leiria, a Norte por Pombal; a Nascente, com os concelhos de Alvaiázere, Ferreira do Zêzere e Tomar; e a Sul, com os concelhos de Torres Novas e Alcanena, nomeadamente com o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. Integrado na zona de transição entre o Ribatejo e o distrito de Leiria, Ourém pertence, em termos turísticos, à região da Rota do Sol, com sede em Leiria.


História

            O topónimo principal deste concelho tem dado origem a várias interpretações, estando inclusive envolta numa lenda. Segundo a tradição, vivia na região uma moura chamada Fátima que se apaixonou por Gonçalo Hermingues, o "Traga-Mouros", inimigo de seu pai, e com quem viria a casar. Converteu-se ela ao cristianismo e recebeu no batismo o nome de Ouroana e que terá dado origem a "Ourém". No entanto a fonética vem desmentir esta hipótese: "Ouroana" é a forma do nome pessoal feminino muito usado até ao século XII e XIII e que os documentos latinos e portugueses nos dão na forma "Aurodomna" (Auroomna > Ouroomna > Ouroona > Ouroana). A queda do "n" ou uma apócope a ponto de resultar "ém" é inadmissível, além de o topónimo já estar documentado - Ourém (Aurém) - na segunda metade do século XII. Desta forma, surgem duas interpretações possíveis para a origem do topónimo: a primeira dá-lhe origem germânica, enquanto que a segunda remete o topónimo para o árabe, Uhram, a cidade de Oran, na atual Argélia, indicação de um possível povoamento primitivo árabe. A referência escrita mais antiga que se conhece relativa a Ourém remonta a 1159, tratando-se de um diploma de doação aos templários do castelo de Ceras e seu termo e onde surge, nas confrontações deste, um local chamado "portum Ourens". Em 1178, é fundado o Castelo de Ourém e, dois anos depois, D. Teresa, filha de D. Afonso Henriques, concede o primeiro foral a Ourém, tornando-o um dos primeiros concelhos de Portugal. D. Afonso II confirmou esse foral em Coimbra, em Novembro de 1217. Em 1299 o povoamento desta vila, que entretanto revertera à coroa, continuava bastante fraco, pelo que nesse ano, D. Dinis doa a vila a Martim Lourenço da Cerveira para que este promovesse o povoamento. No século XIII, Ourém possuía quatro igrejas (Santa Maria, S. Pedro, Santiago e S. João), tendo sido elevado à categoria de Condado por volta de 1350. No século XIV o povoamento de Ourém equiparava-se ao de Torres Novas ou de Pombal, no que diz respeito a número de moradores. O período áureo de Ourém surgiu no século XV, graças ao empenho de D. Afonso (4º Conde de Ourém), neto de D. João I e de Nuno Álvares Pereira, sendo dessa época a maioria dos monumentos ainda hoje existentes. D. Manuel deu-lhe foral novo em Lisboa a 6 de maio de 1515 e D. Pedro II concedeu novo foral em 6 de Julho de 1695. Em 1831 a vizinha Aldeia da Cruz foi elevada a freguesia e para lá se transferiu a sede do concelho em 23 de Setembro de 1841, com o nome de Vila Nova de Ourém. Mais tarde, a 20 de Junho de 1991, Ourém é elevada a cidade, perdendo o primeiro elemento do topónimo "Vila Nova".

Bandeira de Ourém

Heráldica

Brasão: de prata, uma águia estendida de vermelho, bicada e sancada de negro, coleirada com coronel de ouro, sustendo nas garras o escudo de Portugal antigo; coroa mural de prata de cinco torres e listel branco com os dizeres: «Cidade de Ourém».

Bandeira: gironada de oito peças, de branco e vermelho, cordão e borlas de prata e vermelho. Haste lança de ouro.

Selo: circular, tendo ao centro as peças do brasão, sem indicação dos esmaltes, tudo envolvido por dois círculos concêntricos entre os quais corre a legenda: «Câmara Municipal de Ourém».


Cultura e Turismo

            O concelho de Ourém está integrado na Região Turismo de Leiria - Rota do Sol, possuindo grandes potencialidades turísticas quer devido ao seu património cultural e edificado quer em virtude da sua beleza paisagística. No que diz respeito ao património edificado, merecem um visita: o Castelo de Ourém, cuja origem remonta ao século XII, é formado por três torres num perímetro triangular, tendo no centro do seu terreiro uma curiosa e enorme cisterna ogival; o Paço dos Condes de Ourém que foi a morada oficial do Conde de Ourém, D. Afonso; a antiga vila de Ourém (Nossa Senhora das Misericórdias); e a Sé Colegiada, reconstruída em estilo barroco após o terramoto de 1755 que destruiu a primitiva igreja da colegiada, fundada em 1445. O concelho de Ourém dispõe, como já foi dito, de um considerável património Natural e Paisagístico, merecendo um especial realce: o Agroal, na freguesia de Formigais, onde se encontra a nascente do rio Nabão; as ribeiras de Olival e de Seiça, onde se pode encontrar a lampreia de riacho, espécie única e rara na Península Ibérica; e o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. A visitar também as Pegadas de Dinossauros. A jazida paleontológica de pegadas de dinossauros da Pedreira do Galinha, localiza-se na vertente oriental da Serra d`Aire e contém não só o mais antigo e o mais longo registo mundial de saurópodes, como também, os testemunhos de alguns dos maiores animais terrestres jamais existentes. Ao nível de infra estruturas culturais destaque para: o cine-teatro Municipal de Ourém, inaugurado em 1988 e com capacidade para 488 pessoas; e para a Biblioteca Pública de Ourém que iniciou o seu funcionamento em 1958 e que atualmente possui um acervo bibliotecário significativo. Também nas freguesias existem várias bibliotecas locais que funcionam em ligação com a Biblioteca Municipal, nomeadamente: a Biblioteca Pública da Atouguia, a Biblioteca Pública de Espite, a Biblioteca Pública de Freixianda, a Biblioteca Pública de Matas, a Biblioteca Pública de Olival e a Biblioteca Pública de Vilar dos Prazeres.

                                                                                                  Castelo de Ourém
Praia Fluvial do Agroal 


Gastronomia

         Os mais tradicionais pratos da gastronomia no concelho de Ourém são o carneiro à Vale Travesso, o coelho à bruxa, o ensopado de borrego de Vilar de Prazeres e os bolos de Arco de Ourém.

                                                                                                                             Bolos de Arco 
Coelho á bruxa 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Pombal

Brasão de Pombal

Localização

            O concelho de Pombal encontra-se localizado no centro litoral português, distrito de Leiria, ocupando uma área de 626.4 km2, o concelho está inserido na sub-região Pinhal Litoral, juntamente com os concelhos de Batalha, Leiria, Marinha Grande e Porto de Mós. São desassete as freguesias que constituem este concelho, uma das quais com sede em Vila (Lourinhã). É limitado a Norte pelos concelhos de Figueira da Foz e Soure; a Este pelos concelhos de Ansião e Alvaiázere; a Sul, por Leiria e Ourém; e a Oeste pelo Oceano Atlântico. Todo o concelho é recortado por uma densa rede fluvial urdida pelos afluente do rio Arouca, Carnide e Anços pertencentes todos eles à bacia hidrográfica do Mondego, os quais correm de Sul para Norte.



História

           O povoamento inicial do território que corresponde ao atual concelho de Pombal é bastante recuado, devendo remontar a épocas próximas ao Neolítico. Sobre os primeiros povos que habitaram a região de Pombal não existem muitas informações concretas, no entanto, foram encontrados nas redondezas do seu castelo, alguns indícios que remontam a primitiva povoação para a época de ocupação romana. As primeiras referências escritas relativas a Pombal remontam a inícios da fundação da Nacionalidade. Trata-se de um documento de confirmação do senhorio da chamada "terra deserta", entre Coimbra e Leiria, passado por D. Urraca e D. Afonso Henriques. Os núcleos de povoação distanciavam-se muitas léguas uns dos outros e, estando localizados numa fronteira tão incerta, estavam sempre sujeitos a investidas de sarracenos. Em 1161 erigia D. Gualdim Pais, mestre do Templo, o famoso castelo de Pombal, para treze anos mais tarde lhe conceder o primeiro foral. São estas as indicativas de fundamento sério que nos permitem colocar a fundação da vila nos primeiros anos da segunda metade do século XII. D. Manuel faz renovar à vila os seus antigos privilégios, concedendo-lhe foral novo, datado de 1 de Junho de 1512. Sobre o topónimo principal do concelho, não existem dados concretos, estando envolto em hipóteses infundadas e em lendas. Segundo a tradição, quando o mestre do Templo fundou o castelo, viviam nos rochedos do monte um grande número de pombos bravos, o que levaria Gualdim Pais a dar-lhe o nome de Pombal. Ao Marquês de Pombal que aí viveu entre 1777 e 1782 deve-se a organização da parte baixa da vila, bem como a promoção de vários melhoramentos da mesma e a construção de vários edifícios. Por essa altura, Pombal vivia uma época de prosperidade que no entanto viria a ser travada com as invasões francesas. Em 1811, tropas comandadas pelo General Massena saquearam e incendiaram toda a povoação. Este facto, aliado à cólera-morbus que dizimou a região em 1833, fez de Pombal uma localidade abandonada. Em 1855, com a construção da via férrea, a situação melhorou pois permitiu estabelecer uma ligação rápida e fácil com os principais centros de Portugal. Inicialmente, o concelho de Pombal era formado apenas por três freguesias: Santa Maria do Castelo, S. Pedro e S. Martinho (Pombal), sendo que as duas primeiras acabaram por desaparecer. Na segunda metade do século XIX, o concelho de Pombal era ainda significativamente mais pequeno do que na atualidade  sendo composto pela freguesia de Pombal, e pelas freguesias de Pelariga, Santiago de Litém, Vila Chã e uma pequena parte de Vermoil, confrontando com os concelhos (alguns actualmente extintos) da Redinha, do Louriçal, de Abiul, de Soure e de Leiria. Com a reestruturação administrativa liberal, a estrutura concelhia que Pombal então apresentava, veio a sofrer mudanças consideráveis. Assim, através de um projecto de reordenamento territorial de 1833, o concelho de Pombal, passa a abranger, além das freguesias que já o constituíam, as freguesias de S. Simão de Litém e Vermoil (anteriormente integradas no concelho de Leiria); é-lhe anexado o concelho de Abiul, bem como os lugares de S. João dos Malhos, Covão, Mendes, Crespos, Maranho, Moinhos do Covão, Cavadinha, Motes, Pinheirinho e Barroco que pertenciam à freguesia de Almagreira. O resto dessa freguesia, bem como o concelho da Redinha (incluindo a freguesia de Tapéus) passaram então a pertencer ao concelho de Soure. A 10 de Março de 1847 é criada uma nova freguesia no concelho, a de Pelariga, desanexada da freguesia de Pombal. Mais tarde, através de uma nova reforma administrativa de 24 de Outubro de 1855, o concelho de Louriçal é integrado no de Pombal, enquanto freguesia, passando em 1895 a integrar o concelho a freguesia de Redinha, até então integrada no de Soure. Já no século XX foram criadas mais seis freguesias: em 1923 surgiu Albergaria dos Doze, com lugares pertencentes à freguesia de S. Simão de Litém; em 1952, Carnide, desanexada da freguesia de Vermoil; em 1960, surge a freguesia de Carriço, a partir da de Louriçal; em 1984, são criadas as freguesias de Guia e Meirinhas; e finalmente, cinco anos depois é instituída a freguesia de Ilha. Com a reestruturação administrativa liberal, a estrutura concelhia que Pombal então apresentava, veio a sofrer mudanças consideráveis. Assim, através de um projecto de reordenamento territorial de 1833, o concelho de Pombal, passa a abranger, além das freguesias que já o constituíam, as freguesias de S. Simão de Litém e Vermoil (anteriormente integradas no concelho de Leiria); é-lhe anexado o concelho de Abiul, bem como os lugares de S. João dos Malhos, Covão, Mendes, Crespos, Maranho, Moinhos do Covão, Cavadinha, Motes, Pinheirinho e Barroco que pertenciam à freguesia de Almagreira. O resto dessa freguesia, bem como o concelho da Redinha (incluindo a freguesia de Tapéus) passaram então a pertencer ao concelho de Soure. A 10 de Março de 1847 é criada uma nova freguesia no concelho, a de Pelariga, desanexada da freguesia de Pombal. Mais tarde, através de uma nova reforma administrativa de 24 de Outubro de 1855, o concelho de Louriçal é integrado no de Pombal, enquanto freguesia, passando em 1895 a integrar o concelho a freguesia de Redinha, até então integrada no de Soure. Já no século XX foram criadas mais seis freguesias: em 1923 surgiu Albergaria dos Doze, com lugares pertencentes à freguesia de S. Simão de Litém; em 1952, Carnide, desanexada da freguesia de Vermoil; em 1960, surge a freguesia de Carriço, a partir da de Louriçal; em 1984, são criadas as freguesias de Guia e Meirinhas; e finalmente, cinco anos depois é instituída a freguesia de Ilha. Com a reestruturação administrativa liberal, a estrutura concelhia que Pombal então apresentava, veio a sofrer mudanças consideráveis. Assim, através de um projecto de reordenamento territorial de 1833, o concelho de Pombal, passa a abranger, além das freguesias que já o constituíam, as freguesias de S. Simão de Litém e Vermoil (anteriormente integradas no concelho de Leiria); é-lhe anexado o concelho de Abiul, bem como os lugares de S. João dos Malhos, Covão, Mendes, Crespos, Maranho, Moinhos do Covão, Cavadinha, Motes, Pinheirinho e Barroco que pertenciam à freguesia de Almagreira. O resto dessa freguesia, bem como o concelho da Redinha (incluindo a freguesia de Tapéus) passaram então a pertencer ao concelho de Soure. A 10 de Março de 1847 é criada uma nova freguesia no concelho, a de Pelariga, desanexada da freguesia de Pombal. Mais tarde, através de uma nova reforma administrativa de 24 de Outubro de 1855, o concelho de Louriçal é integrado no de Pombal, enquanto freguesia, passando em 1895 a integrar o concelho a freguesia de Redinha, até então integrada no de Soure. Já no século XX foram criadas mais seis freguesias: em 1923 surgiu Albergaria dos Doze, com lugares pertencentes à freguesia de S. Simão de Litém; em 1952, Carnide, desanexada da freguesia de Vermoil; em 1960, surge a freguesia de Carriço, a partir da de Louriçal; em 1984, são criadas as freguesias de Guia e Meirinhas; e finalmente, cinco anos depois é instituída a freguesia de Ilha. Foi oficialmente elevada a cidade em 16 de Agosto de 1991.

Bandeira de Pombal

Cultura e Turismo : 

           O concelho é rico em exemplos do património construído, sobretudo no que diz respeito à arquitetura de cariz religioso, nas quais se destacam a Igreja do Cardal e a Igreja de S. Martinho, de fundação medieval; ainda em Pombal, o monumento que será o ex-libris da cidade é sem dúvida o seu Castelo, fundado por volta de 1160 por Gualdim Pais e que foi parcialmente destruído com as invasões francesas. É também bastante expressivo o centro histórico de Pombal. O Museu Municipal Marquês de Pombal, localizado no Convento do Cardal e o Museu Marquês de Pombal, inaugurado em 8 de Maio de 1982, constituem as principais unidades museológicas deste concelho. De destacar como principais infra-estruturas culturais no concelho de Pombal são o Centro Cultural de Pombal; o Auditório Municipal; o teatro Cine e a Biblioteca Municipal.

Igreja do Cardal                                                                             Castelo de Pombal

Gastronomia

        Da tradição gastronómica do concelho de Pombal destacam-se: o bacalhau à Lagareiro, as batatas com couves, a tibornada de batatas a murro; os tortulhosos, os chicharros com toucinho e o valeirão. Na doçaria, são típicos o arroz-doce; o bolo das festas do bodo, os coscorões e os sonhos de canela.

                                                                                                                     Bacalhau á Lagareiro
Sonhos de Canela
Coscorões


domingo, 17 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Ansião

Brasão de Ansião

Localização

             É sede de um município com 179,98 km² de área e subdividido em 8 freguesias, está limitado a Norte pelos concelhos de Soure e Penela, a Nascente pelos concelhos de Penela e Figueiró dos Vinhos, a Sul pelo concelho de Alvaiázere e a Poente pelos concelhos de Pombal e Soure. O concelho de Ansião é dominado pela bacia hidrográfica do rio Nabão e pelas ribeiras de Alge e Ansião e está integrado na sub-região do Pinhal Interior, uma zona montanhosa por excelência, dominada pela Serra de Ansião. Esta serra, com aproximadamente dezoito quilómetros de comprimento, divide-se em dois braços, formando dessa forma a Serra de Alvaiázere e a Serra da Junqueira.


História

         Ao longo dos tempos têm surgido várias interpretações e explicações relativamente ao topónimo "Ansião". Uma destas explicações, baseada numa tradição popular, refere-se à existência, na antiga estrada real que ligava Coimbra a Lisboa, de um velho muito pobre a pedir esmola. A certa altura, teria passado por ele a rainha D. Isabel que lhe tributou uma generosa esmola. Logo a notícia se espalhou e acorreram ao local inúmeras pessoas com esperança de também serem contemplados com favores da rainha. E assim teria nascido a povoação de Ansião, cujo nome seria uma referência ao velho "ancião" que ali teria existido. No entanto, há que entender que esta lenda, apesar do seu valor etnográfico, não é suficiente para explicar a origem do nome do concelho, pois que este é muito anterior à época referida na lenda. Assim, a primeira referência escrita relativa ao concelho de Ansião surge num documento datado de 1175, no qual o topónimo surge com a grafia "Ansion". Trata-se de um documento referente à compra de uma herdade pelo Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra a um grande proprietário da região, cujo nome "Ansion" supostamente teria dado origem ao topónimo atual  Deste modo, "Ansião" seria o genitivo do nome pessoal germânico hipocrístico. Ansião tem um passado histórico remoto, bem patente no seu topónimo e nos seus vestígios arqueológicos, principalmente da época de ocupação romana: moedas, mosaicos e telhas. Durante os primórdios da nacionalidade, a grande maioria das localidades que compõem o atual concelho de Ansião estavam integradas no vasto território conhecido como Ladeia, uma antiga circunscrição administrativa e cuja cabeça existiria na actual freguesia de Alvorge, no extremo Norte do atual concelho. Como já foi referido, a primeira referência a Ansião data do último quartel do século XII, tratando-se de um documento em que o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra aparece a adquirir bens na chamada herdade de Ansião. No sentido de promover o povoamento nesta região, D. Afonso Henriques criou o concelho de Germanelo, concedendo-lhe foral em 1142. Neste foral, o monarca determinava que além de serem livres de impostos, concedia paz, perdão e isenção de justiça a todos quanto tivessem cometido crimes de homicídio, furto ou qualquer outro tipo de perturbação pública, sob a condição de cultivarem e defenderem as terras do Germanelo. Com o tempo, o município de Germanelo foi perdendo importância e a povoação e o castelo que aí existia foram desaparecendo. No entanto, esta povoação foi o grande impulsionador do povoamento da região que viu o seu sistema defensivo ser alargado com a edificação de uma torre de defesa na atual freguesia de Torre de Vale de Todos. A 2 de Janeiro de 1465, Ansião recebeu, por certidão passada em Coimbra por D. Afonso V, o título de Mordomado. Já em 1514, D. Manuel concedeu foral novo a Ansião, Avelar, Chão de Couce e Pousaflores, sendo que estas últimas três conservam ainda hoje o seu pelourinho, símbolo do poder judicial de cada concelho. Em 1663, Ansião é elevada à categoria de vila por D. Afonso VI e posteriormente D. Pedro II doou-a a D. Luís de Meneses, Conde de Ericeira. Com a reforma administrativa levada a cabo no reinado de D. Maria II, os concelhos de Avelar, Chão de Couce e Pousaflores foram extintos, passando à categoria de freguesias e sendo anexados ao de Ansião.

Bandeira de Ansião

Heráldica

Brasão: de negro, com um anel de ouro acantonado por quatro romãs de prata abertas de púrpura e folhadas de verde. Coroa mural de quatro torres, de prata. Listel branco com os dizeres: «Vila de Ansião», de negro.

Bandeira: esquartelada de branco e púrpura. Cordões e borlas de prata e púrpura. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Ansião».


Cultura e Turismo

          Local de grande interesse turístico, o concelho de Ansião dispõe de vários atrativos turísticos proporcionados pela sua riqueza histórica e pela sua beleza natural. Assim, dos seus monumentos edificados ganham especial destaque: a Ponte Medieval da Cal, o Pelourinho da era Manuelina, a Lápide evocativa da Batalha do Ameixial em 1686, a Igreja da Misericórdia , Igreja Matriz com estatuária oitocentista evocativa de S. Gregório e de S. Sebastião e a Capela da Constantina. As serras envolventes do concelho, em especial a Serra de Rabaçal dominam a paisagem concelhia, sendo um local de repouso e tranquilidade. Ao nível de infra-estruturas culturais, destacam-se a Biblioteca Municipal, instalada no antigo Mercado de Peixe, e o Museu Municipal.




Gastronomia

             Dos pratos típicos tradicionais do concelho de Ansião destacam-se o cabrito assado, os aferventados e os grelos com morcela assada. Na doçaria, destacam-se as merendeiras doces e o bolo de noiva.
                                                                                                                     Cabrito Assado
Merendas doces 


sábado, 16 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Alvaiázere

Brasão de Alvaiázere

Localização

         Alvaiázere é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Leiria, região Centro e sub-região do Pinhal Interior Norte, é sede de um município com 161,00 km² de área e subdividido em 7 freguesias. O concelho de Alvaiázere faz fronteira a Norte com os concelhos de Pombal e Ansião; a Este com o concelho de Figueiró dos Vinhos; a Sul com Ferreira do Zêzere e a Oeste com Ourém, estes dois últimos do distrito de Santarém. Integrado no distrito de Leiria, o concelho de Alvaiázere encontra-se localizado nas encostas da serra do mesmo nome. Esta serra é uma ramificação da Serra de Ansião e estende-se por uma área à volta de sete quilómetros, constituída essencialmente por floresta. 



História

        Situada em solo serrano, a povoação de Alvaiázere é de origem bastante remota; foi primeiramente habitada pelos primitivos povos da Península Ibérica, que no território fizeram as suas fortificações; posteriormente, aí construíram também os romanos uma cidade cujos vestígios já desapareceram por completo, sabendo-se apenas da sua existência, pelo aparecimento de algumas moedas e utensílios. Na Serra de Alvaiázere existe uma interessante gruta conhecida por "Algar" e uma fortificação designada "Carreira dos Cavalos", cujas origens remontam aos lusitanos e ao domínio romano. Também os árabes se fixaram na região, a que chamaram de "Al-bai-zir", designação que significa "campo aromático" e da qual se terá originado o topónimo: "Alvaiázere". Depois de uma fase de declínio, marcada pela ocupação árabe, a povoação foi reedificada nos inícios do século XIII, por D. Sancho I, que lhe deu foral no ano de 1220; a partir daí, Alvaiázere viu-se detentora de um certo poder administrativo. Em 1388, D. João concedeu a Alvaiázere a categoria de vila e por doação de D. Duarte a sua esposa, D. Leonor, Alvaiázere passou à coroa em 1435. Já em 1514, D. Manuel I passa foral novo a Alvaiázere e institui como donatários da vila os Duques de Cadaval. Em 1834, travou-se em Almoster, uma das seis freguesias de Alvaiázere, uma das maiores batalhas da guerra civil entre liberais e absolutistas, os primeiros, comandados pelo Marechal Saldanha e os segundos pelo General Lemos, cabendo a vitória aos liberais.

Bandeira de Alvaiázere

Heráldica

Brasão: de prata, uma oliveira arrancada de verde, acompanhada em orla de doze trevos também de verde. Coroa mural de quatro torres de prata. Listel branco com as letras «Vila de Alvaiázere», de negro.

Bandeira: esquartelada de amarelo e verde, cordões e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Alvaiázere».


Cultura e Turismo

            O concelho de Alvaiázere, dominado pela serra do mesmo nome, encontra-se localizado numa região de privilegiada beleza e riqueza histórica, pelo que é dotado de grandes potenciais turísticos. O concelho tem pois a oferecer belíssimas paisagens, sendo de destacar como principais pontos de interesse, todos os recursos proporcionados pela serra de Alvaiázere. Um especial destaque vai também para as praias fluviais da Ribeira de Alge e de Maçãs de D. Maria. A nível cultural, o concelho dispõe de várias associações que promovem atividades variadas ao longo de todo ano. 

                                                                                               Capela de Nossa Senhora dos Covões
Miradouro da Serra de Alvaiázere 


Gastronomia

          Dos tradicionais pratos da gastronomia do concelho de Alvaiázere destacam-se: o leitão assado, as papas de milho com couve, a abóbora com feijão seco, o bacalhau fricassé, o bolo de fugaças, a carne de rebolão, os nabos requentados, a caldeirada de cabrito e o bucho recheado.

Caldeirada de Cabrito