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sexta-feira, 15 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Tomar

Brasão de Tomar

Localização

         É sede de um município com 351,2 km² de área e 40 674 habitantes, subdividido em 16 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Ferreira do Zêzere, a leste por Abrantes, a sul por Vila Nova da Barquinha, a oeste por Torres Novas e a noroeste por Ourém. A cidade é atravessada pelo Rio Nabão, que é afluente do Rio Zêzere, estando incluída na bacia hidrográfica do Tejo, o maior rio da Península Ibérica. Situa-se na parte norte da região mais fértil de Portugal e uma das mais férteis da Península Ibérica, a lezíria ribatejana.



História

           A história de Tomar remonta a épocas bastante recuadas, sendo que o vale do Nabão, apresenta vestígios de povoamento que recuam ao período paleolítico. Durante a época de ocupação romana, o território que constitui o atual concelho pertencia ao núcleo originário de Sellium, cidade que se situava na margem esquerda do rio Nabão e onde se agruparam, mais tarde, as populações romano-godas e muçulmanas. Por Sellium, passava a via que ligava Olisipo a Bracara, que se constituía no mais importante itinerário de ligação entre o Norte e o Sul do país. Já a presença muçulmana em Tomar é atestada pela existência de numerosos topónimos em todo o concelho e pelos engenhos hidráulicos introduzidos na agricultura (açudes de estacaria, roda, nora). Em 1147 a terra é conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques que em 1159 doa aos Templários, na pessoa de Gualdim Pais, o castelo de Ceras (hoje Ceras) com seu vasto termo, a fim de que estes o povoasse. Proíbe  no entanto que para esse povoamento viessem gentes que já habitavam entre Mondego e Tejo. Após um ano de estadia no castelo de Cera, reconheceu Gualdim Pais que ele não reunia as condições apropriadas a servir de sede da Ordem, resolvendo dessa forma edificar um castelo em lugar que lhe pareceu mais adequado, e esse foi um outeiro na margem direita do Nabão e em cujo sopé se estendia viçosa planície apropriada a profícuo povoamento humano. Começou a construção no dia 1 de Março de 1160 conforme consta de inscrições que perduram no castelo, de cujo conjunto, embora mutilado pela invasão de outras edificações e afetado pelas habituais causas de ruína, ainda resta o suficiente para bem se conhecerem as peças componentes. Foi então construída uma muralha de forma irregular e angulosa, guarnecida de torreões, de acesso ao terreiro geral e dentro do qual se ergue, quase encostada à respectiva muralha circundante, a torre de menagem. Dessa altura também é a construção da célebre charola, mais tarde adaptada a capela-mor de um mais vasto templo. Em Novembro de 1162, o mestre Gualdim Pais dá carta foral aos futuros povoadores de Tomar. As principais disposições são relativas ao direito que devia regular as duas classes populares a estabelecer em Tomar: a dos cavaleiros vilões e a dos peões herdadores. Os cavaleiros-vilões possuíam os seus haveres livres de foro, mesmo no caso de os comprar a vilão tributário ou de casar com viúva de vilão, de que ela houvesse herdado. Se o cavaleiro-vilão, por velhice, não podia exercer a milícia, não decaía da sua qualidade e morrendo ele, a viúva permanecerá na mesma. O saião (aquele que executa sentenças) estava a impedido de selar casa de cavaleiro e se este praticasse atos ilícitos seria julgado em conselho retamente  Se o cavalo morresse ao cavaleiro e este não pudesse obter outro, a Ordem comprometia-se a fornece-lo ou a dispensa-lo até que ele pudesse adquirir outro sem perda de categoria e honra de cavaleiro. Quanto à outra classe, a dos peões, não era privilegiada, pois constituía a classe dos tributários; por isso, ordenava o foral que pagassem ração. Outras disposições da fundação de Tomar dizem respeito às atividades bélicas, à proibição de entrada forçada por cavaleiro estranho na casa de habitante de Tomar, ao serviço anual de almocrevaria, à abolição do direito de maneria, à permissão de um habitante de partir para outra parte (sob condição de dar ou vender o seu herdamento local a quem fizesse o respectivo foro à ordem e aqui viesse), à obrigação das atalaias (postas metade do ano pela Ordem e outra metade pelos habitantes), à abolição do portádigo e da alcavala e à alimentação das sentinelas do castelo ou das portas da povoação, ao foro especial dos clérigos (equiparados a cavaleiros-vilões nos privilégios) e à nomeação popular do juiz e do alcaide. Formava-se dessa forma em Tomar um concelho de categoria elevada. Cerca de 12 anos depois, D. Gualdim Pais concede novo foral a Tomar, provocado decerto pelo desenvolvimento do local sob a proteção das milícias templárias e do seu fortíssimo castelo. Na realidade, trata-se de um complemento da carta de 1162 onde faltaram as disposições respectivas dos casos crime, a quase única matéria de que se ocupa o diploma de Junho de 1174. Algumas das principais disposições são estas: quem praticasse forçamento de mulher, homicídio ou entrasse à força numa casa, peitaria a soma de quinhentos soldos, se o crime fosse prepetado no "couto da vila"; sendo o rousso e homicídio praticados fora desta, a multa seria de sessenta soldos, quantia que também se pagava no caso de ser praticado outro dos mais graves crimes da época. Em 1195 morre D. Gualdim Pais e é sepultado na Igreja de Santa Maria de Tomar (mais tarde conhecida com Igreja de Santa Maria do Olival). A extinção da Ordem do Templo, promovida pelo rei de França, veio a ter o seu reflexo em Portugal e D. Dinis viu-se forçado a cumprir a determinação do pontífice que só executou em 1314. Propôs porém à Santa Sé que com os bens dos Templários se constituísse uma nova milícia, exclusivamente portuguesa. Dessa forma, foi criada a Ordem de Cristo, à qual se aplicou todos os bens dos Templários. A ordem teve como primeiro mestre D. Gil Martins que era freire da Ordem de Avis e recebeu a regra de Calatrava. A nova Ordem é instalada em Castro Marim, sendo-lhe atribuída a Regra de S. Bento, sendo que por volta de 1356 a Ordem voltou a Tomar, a pedido dos freires. As religiosas filiadas na Ordem do Templo não ingressaram na nova Ordem e tiveram de mudar de hábito. Desde o século XV os mestres das ordens portuguesas, em vez de eleitos nos termos dos estatutos, passaram a ser nomeados pelo papa, dando-se o mestrado a membros da família real. O costume em Portugal começou com o Infante D. Henrique que recebeu o mestrado de Cristo, com o título de "Governador e Administrador". Ao infante, que associou a Ordem à empresa das descobertas, se ficaram a dever as primeiras grandes transformações na obra local dos Templários: construiu uns paços junto da alcáçova e novas instalações conventuais, entre as quais o claustro que tem o seu nome; criou a primeira feira franca de Tomar; e interessado pelo desenvolvimento da vila baixa, corrigiu o curso do Nabão, que até então alagava as margens, espraiando-se em braços variados. É também do seu tempo o novo fluxo colonizador, chamando para as veigas do rio a população que até então se abrigava nas proximidades da alcáçova. Durante esta época viveu-se igualmente um fluxo de judeus, artifícios e mercadores que formaram um importante núcleo em Tomar, com arruamento próprio, a judiaria, segundo o costume da época. Este núcleo manteve-se até à expulsão dos judeus, determinada por D. Manuel. Em 9 de Setembro de 1438 morreu em Tomar o rei D. Duarte que aqui se recolhera com a rainha e os filhos, fugidos de Évora onde aparecera a peste. A 13 de Março de 1456 o papa Calisto III concede à Cavalaria de Cristo o espiritual das terras descobertas, como territórios nullius diocesis. Em 1510 D. Manuel I cria a Misericórdia de Tomar e Diogo de Arruda inicia a construção da chamada "Casa do Capítulo" do Convento de Cristo, executando as respectivas e célebres janelas. A 1 de Maio do mesmo ano, D. Manuel I concede a Tomar o seu foral novo. Em 1521 D. João III permanece em Tomar durante cerca de dois meses, resultando dessa estadia a reforma da Ordem de Cristo que teve início a 24 de junho de 1530 pela mão do frade jerónimo, António de Lisboa. Os freires então residentes no Convento foram reduzidos à clausura e observância regular. A 6 de Maio de 1543 é realizado o segundo auto-de-fé em Tomar (desconhece-se a data do primeiro), tendo sido "relaxado ao braço secular" (morto pelo fogo) um dos 8 penitentes, a ré Brites Gonçalves, "por herege e pertinaz". A 30 de Dezembro de 1551, o papa Júlio III, pela bula "Praeclara clarissima" concede à Coroa portuguesa, definitivamente, o mestrado das Ordens Militares de Cristo, de Avis e de Santiago. A 22 de Abril de 1567 é concedida a Tomar a categoria de "Notável Vila", pelo Regente do Reino, o Cardeal D. Henrique e a 16 de Abril de 1581 dá-se o juramento e aclamação de Filipe I perante as Cortes reunidas em Tomar; quatro dias mais tarde dá-se a abertura solene das Cortes de Tomar. Em 1593 começa a construção do aqueduto de Pegões Altos destinado ao abastecimento do Convento de Cristo e concluído em 1613.  A 24 de Março de 1759, por alvará de D. José I, é instalada em Tomar a Real Fábrica de Chapéus; e a 17 de Agosto de 1789 um novo alvará, desta vez de D. Maria I, entrega a administração da Fábrica de Meias de Lã e Algodão de Noel Lemaître, a Jácome Ratton e Timóteu Verdier, a qual serviu de base à Real Fábrica de Fiação e Tecidos. A 27 de Novembro de 1807 dá-se a entrada em Tomar das tropas da divisão espanhola de Junot, comandada por D. Juan Carrafa, que impõe uma contribuição em dinheiro e requisição de víveres. No ano seguinte, consequente à primeira invasão, Tomar enfileirou no movimento insurrecional popular contra os invasores, revolta essa que terminou a 9 de Julho, entregando os patriotas as armas a Ângela Tamagnini, por se recusarem a entregá-las a Margaron, comandante das forças de ocupação. A atuação daquela "negociadora", impediu quaisquer represálias por parte dos Franceses. A 11 de Agosto do mesmo ano, chegam a Tomar as forças de Loison, porém sem quaisquer consequências materiais. A Retirada dos Franceses marca o fim da primeira Invasão. Ainda nesse ano, em Novembro é criado o regimento de Milicias de Tomar e no ano seguinte, o General Miranda Henriques, encarregado da defesa da Beira Baixa, estabelece o seu quartel-general em Tomar. Em Junho de 1809 Wellesley, estabelece quartel-general em Tomar, uma vez expulsas as forças francesas da 2ª Invasão. A 23 de Outubro de 1822 é eleita a primeira câmara de Tomar, através de voto popular, no quadro da Constituição de 1822. A 31 de maio do ano seguinte a Vilafrancada de D. Miguel derruba a Câmara eleita. A 14 de Maio de 1833 as tropas liberais entram em Tomar, substituindo de novo o Senado Municipal. Em 1834 são extintas as ordens religiosas e procede-se à venda dos respectivos bens. Em Tomar assinale-se a venda do Convento de Cristo e da Quinta dos Sete Montes ao futuro Marquês de Tomar, Costa Cabral, ministro de D. Maria II. A 13 de Fevereiro de 1884, por alvará de D. Maria II, Tomar é elevada à categoria de cidade e a 30 de Setembro de 1881 é extinto o Isento de Tomar, passando o seu concelho para o Patriarcado de Lisboa. 

Bandeira de Tomar

Heráldica

Brasão: de ouro com uma torre torreada de negro, aberta e iluminada de prata, acompanhada em chefe da cruz dos Templários e da cruz de Cristo e a mesma torre assente num monte de verde cortado por um rio ondado de prata aguado de azul. Coroa mural de cinco torres de prata.

Bandeira: quarteada de negro e de vermelho. Por debaixo das armas, uma fita branca com a palavra "Tomar" de negro.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Tomar».


Cultura e Turismo

          O concelho de Tomar está integrado na Região de Turismo dos Templários (Floresta Central e Albufeiras) e caracteriza-se pelos seus atrativos naturais, destacando-se as margens do rio Nabão e as várias praias fluviais existentes, bem como pela sua riqueza patrimonial. O elemento mais identificativo da cidade é sem dúvida o seu imponente castelo, localizado numa colina sobranceira à cidade de Tomar; o Castelo dos Templários é a zona mais antiga de um dos mais surpreendentes monumentos do território nacional e que se encontra classificado como património mundial - o Convento de Cristo. A fortaleza foi fundada no século XII com o objectivo de servir de sede à Ordem do Templo, sendo que ao seu redor foi-se desenvolvendo a povoação de Tomar. Posteriormente passa para a posse da Ordem de Cristo, até à extinção das ordens militares. Originalmente, o Castelo de Tomar era formado por duas cercas de muralhas reforçadas por torres redondas e cubelos vários. No interior da fortaleza encontra-se a praça de armas que se estende desde a Porta do Sol até à Charola conventual, oratório de planta central e que se inspirava no Templo de Jerusalém. Na zona mais elevada, encontra-se a Torre de Menagem e entre a alcáçova e o claustro da Lavagem, que integra já o cenóbio, situam-se as estruturas do Paço do Infante D. Henrique. No limite sudoeste da cerca localiza-se a Torre da Rainha D. Catarina. Um outro monumento característico de Tomar é o Aqueduto dos Pegões Altos, uma extensa obra que começa nas proximidades da Ermida de Santo António de Pegões e que se estende por cerca de seis quilómetros até chegar à cisterna do principal claustro do Convento de Cristo. A obra foi iniciada em 1593 por ordem de Filipe II de Espanha e concluída em 1614 e é composta por 180 arcos em alguns troços, em duas filas sobrepostas. Ainda na cidade de Tomar, um destaque para a Igreja de Santa Maria do Olival, cuja construção foi contemporânea da fundação do Convento de Cristo e segue o modelo das igrejas mendicantes portuguesas do período gótico.

                                                                                                Mata Nacional dos Sete Montes
Aqueduto dos Pegões Altos 

Mata Nacional dos Sete Montes

Gastronomia

               Da tradicional gastronomia do concelho de Tomar são de destacar o cabrito assado, as couves à D. Prior, a vaca com molho de bruxa e a lampreia. Na doçaria, realce para as fatias de Tomar, os bolos de cama, os queijinhos doces e os típicos "beija-me depressa".

                                                                                                         " Beija-me depressa "
Beija-me Depressa
Couves à D. Prior 

Bolos de Cama
Bolos de Cama 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Ferreira do Zêzere

Brasão de Ferreira do Zêzere

Localização

      O concelho de Ferreira do Zêzere situa-se no extremo Norte do Ribatejo, integrado no distrito de Santarém e na Região de Turismo dos Templários (Floresta Central e Albufeiras). Com uma área de 184.3 km2, o concelho de Ferreira do Zêzere é composto por nove freguesias, Ferreira do Zêzere faz fronteira a Norte com Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos e Sertã; a Sul, com os concelhos de Vila do Rei e Sertã; e a Poente, com Ourém e a Sul com Tomar. É limitado a nascente pelo rio Zêzere, o mais importante recurso hídrico do concelho; este rio nasce a cerca de 1900 metros de altitude, na Serra da Estrela, e desagua no Tejo, em Constância.


História

           O povoamento do território que compõe o atual concelho de Ferreira de Zêzere é bastante remoto, sendo comprovado, por exemplo, nos vestígios paleolíticos da gruta de Avecasta. Da época romana, chegaram até aos nossos dias vestígios do povoado castrejo de S. Pedro do Castro. O primeiro documento escrito relativo a Ferreira do Zêzere remonta a 1159, tratando-se de uma doação de D. Afonso Henriques à Ordem dos Templários do termo de Ceras, que incluía quase metade do actual concelho. Por essa altura também foi mandada construir, pelo mestre Gualdim Pais, a torre de Dornes, aproveitando o Zêzere como linha de defesa natural. É também dessa época a origem do primeiro elemento do topónimo principal do concelho "Ferreira". D. Sancho I, recompensando o seu besteiro Pedro Ferreiro, fez-lhe a doação de Vale d`Orjais. Este, em 1222, atribui foral à "villa Ferreiro" estando aí as origens da vila. O segundo elemento do topónimo remonta já à época liberal, tendo sido aplicado para distinguir a povoação de outras com esse nome. No reinado de D. Dinis, a Ordem dos Templários dá lugar à Ordem de Cristo que alargam os seus domínios nesta região. Um dos vestígios mais importantes das possessões dessa ordem no concelho de Ferreira do Zêzere é a igreja de Dornes, reconstruída por D. Gonçalo de Sousa, feitor do infante D. Henrique. No século XVI, com a elaboração dos Forais Novos, Águas Belas e Ferreira receberam carta foral, respectivamente a 3 e a 12 de Março de 1513; no mesmo ano, também Dornes recebeu carta foral, a 10 de Novembro; Pias, que seria elevada à categoria de Vila já no reinado de D. João III, manteve-se sob a jurisdição administrativa e eclesiástica respectivamente do Foral e Prelazia de Tomar. Os termos destas quatro vilas eram formados da seguinte forma: a Águas Belas pertenciam a Nossa Senhora da Graça de Águas Belas; em Dornas, estavam integradas as de Nossa Senhora do Pranto de Dornes, Santo Aleixo do Beco e S. Vicente de Paio Mendes; Ferreira era composta apenas pela freguesia de S. Miguel de Ferreira; finalmente, a Pias, pertenciam S. Luís das Pias, Santa Maria das Areias, S. Pedro de Alviobeira e Espírito Santo da Igreja Nova do Sobral. No século XIX, com a nova reforma administrativa de 1836, os municípios de Águas Belas e Dornes foram integrados, com as suas freguesias, no concelho de Ferreira do Zêzere que dessa se compôs administrativamente com nove freguesias. Ferreira do Zêzere foi berço de muitas personalidades que se destacaram em Portugal e no Estrangeiro. Vultos da cultura como Rodrigo Leal Rodrigues, Ivone Silva ou António Baião foram os expoentes de um conjunto de notáveis que por nascimento se encontram associados a este Concelho. Por outro lado Alfredo Keil, autor da "Portuguesa" passou aqui largas temporadas e foi nestas paragens que escreveu a Ópera Serrana, a orquestração da Portuguesa e onde igualmente se inspirou para centenas de quadros que se encontram hoje nas mais reputadas coleções e nos mais credenciados museus da Europa. Igualmente relevante é o trabalho desenvolvido nos últimos anos pelo investigador Dr. Paulo Alcobia Neves de cujas pesquisas históricas, genealógicas e iconográficas resultaram cumulativamente à obra monográfica do Dr. António Baião os mais importantes estudos dedicados a este Concelho. A cidade, dita a capital do ovo, fez a maior omelete do mundo, pesando 6.466 quilos. O recorde anterior era turco, com uma omelete de 4.401 quilos. Na confecção dessa omelete gigante, foram precisos 160 mil ovos(cerca de 7 toneladas), 500 litros de óleo e uma frigideira com um diâmetro de 10 metros; o custo, 120 mil euros.

Bandeira de Ferreira do Zêzere

Heráldica

Brasão: de prata, com uma faixa de negro carregada de três espigas de trigo de ouro folhadas do mesmo. Em chefe, as cruzes do Templo e de Cristo de vermelho, e em contrachefe uma faixa ondada de azul. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Ferreira do Zêzere», a preto.

Bandeira: esquartelada de amarelo e de vermelho. Cordões e borlas de ouro e de vermelho. Lança e haste douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere».

Cultura e Turismo

            Situado no extremo Norte do Ribatejo, Ferreira do Zêzere é um concelho interior com vários pontos de interesse e grandes potencialidades turísticas. O rio Zêzere, as albufeiras e as praias fluviais existentes, conferem ao concelho importantes centros de lazer. A Albufeira da Barragem Castelo de Bode ocupa uma parte do concelho de Ferreira do Zêzere, sendo de destacar também a piscina municipal coberta e a piscina fluvial. Do património cultural e edificado deste concelho, destacam-se as igrejas de Areias, Dornes e Beco; a capela de S. Pedro de Castro; os pelourinhos de Águas Belas e de Pias; a Torre de Dornes; o Moinho Triangular e de Madeira em Ave Casta; e o açude da Laranjeira.

                                                                                               Torre de Dornes
Estalagem do Lago Azul 


Gastronomia : 

        Das especialidades gastronómicas do concelho de Ferreira do Zêzere salientam-se o leitão à ferreirense e o cabrito assado. Na doçaria, o destaque vai para as tijeladas e para os "bons maridos".

                                                                                                                       Cabrito assado 
Tigeladas de Ferreira 


Maior omelete do Mundo 

Vila de Dornes

          Dornes é uma freguesia portuguesa do concelho de Ferreira do Zêzere, com 19,00 km² de área e 594 habitantes (2011). Densidade: 31,3 hab/km², a Vila de Dornes situa-se numa pequena península à beira-Zêzere, no concelho de Ferreira do Zêzere, foi sede de concelho entre 1513 e 1836. Era constituído pelas freguesias de Beco, Dornes e Paio Mendes. Em 1801 tinha 2 287 habitantes e 43 km². A freguesia de Dornes situa-se no extremo norte do distrito de Santarém, concelho de Ferreira do Zêzere, eclesiásticamente pertence ao Bispado de Coimbra e turisticamente está integrada na Região de Turismo dos Templários, Dornes faz fronteira, através do rio Zêzere (Albufeira de Castelo do Bode), com a freguesia de Cernache do Bonjardim, concelho da Sertã e distrito de Castelo Branco. No concelho de Ferreira do Zêzere faz fronteira com as freguesias Águas Belas, Beco e Paio Mendes.Compõem esta freguesia a Vila de Dornes, sede histórica e religiosa da freguesia e os lugares de Barrada, Cagida, Carril, Casal Ascenso Antunes, Casal da Mata, Frazoeira, Joaninho, Junqueira, Lameirancha, Macieira da Rocha, Peralfaia, Quinta da Benta, Quintas, Ribeiro da Coroa, Rio Cimeiro, Rio Fundeiro, Salão de Baixo, Salão de Cima e Vale Serrão. Terra muito antiga, será mesmo anterior à fundação da nacionalidade, como o atestam os monumentos e os vestígios arqueológicos que por aqui se têm encontrado. Já na primeira dinastia alguns documentos que lhe fazem referência, sendo documentada a presença de um religioso de Dornes no Foral de Arega, em inícios do século XIII. Ainda no século XIII há referências à Comenda Templária de Dornes. Mais tarde, no século XV, Dornes, enquanto Comenda Mor da Ordem de Cristo teve por Comendador D. Gonçalo de Sousa, homem muito influente, da Casa do Infante D. Henrique, e que aqui mandou construir, em 1453, a Igreja de Nossa Senhora do Pranto. Este local de culto deu à povoação, parte da importância que esteve na origem, em 1513, da atribuição do Foral Manuelino, a Dornes pertenceu o território de três freguesias: Dornes, Beco e Paio Mendes.Aqui nasceram, um século mais tarde, muitos dos heróicos combatentes que por volta de 1650 se bateram nas fronteiras para assegurar a independência nacional.
Do "modus vivendus" das gentes de Dornes, destacaremos a produção e comercialização da madeira de castanho, tradição que já encontramos descrita desde o século XIV e que se manteve até finais do século XIX. Também no Século XIX, a reforma de Rodrigo da Fonseca, veio extinguir o Concelho Dornes, integrando-o desde 1835, no Concelho de Ferreira do Zêzere. Do século XIX para cá, a freguesia de Dornes tem sido um polo de atração turística e a sala de visitas do Concelho de Ferreira do Zêzere em função das suas paisagens deslumbrantes sobre o Zêzere e também em virtude da grande carga histórica e monumental que as suas aldeias encerram. De entre os visitantes ilustres, destaca-se Alfredo Keil que em 1890, estando hospedado na Estalagem dos Vales, ensaiaria com a então Sociedade Filarmónica Carrilense a primeira orquestração da marcha: "A Portuguesa", sendo por isso o Carril um dos berços do atual hino nacional de Portugal. A Igreja de Dornes ou Igreja de Nossa Senhora do Pranto (Dornes), construída no século XIII e reedificada em 1453, onde existe um órgão de tubos oitocentista, imagens de pedra de Nossa Senhora do Pranto e de Santa Catarina, um púlpito de 1544 e um quadro a óleo denominado «Descanso na Fuga para o Egipto».

Brasão de armas de Dornes







quarta-feira, 13 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Figueiró dos Vinhos

Brasão de Figueiró dos Vinhos

Localização

              Ocupando uma área de 172 km2, o concelho de Figueiró dos Vinhos está integrado no distrito de Leiria, na sub-região do Pinhal Interior Norte, abrangendo administrativamente cinco freguesias. O concelho faz fronteira a Norte com os concelhos de Lousã e Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra; a Oeste Ansião e Alvaiázere; a Sul com os concelhos de Ferreira do Zêzere e Sertã; e finalmente, a Oeste com Pedrógão Grande e Castanheira de Pêra. Figueiró dos Vinhos está inserido numa região de características montanhosas, com declives acentuados e altitudes entre os 400 e os 1000 metros e uma rede hidrográfica densa constituída essencialmente pelos ribeiros afluentes do rio Zêzere.






História

          O concelho recebeu foral do infante Dom Pedro Afonso, filho de Dom Afonso Henriques, em 1204. No seu auge era denominada pela "Sintra de norte", remontam à Idade do Bronze Final os primeiros vestígios de ocupação humana do território pertencente ao concelho de Figueiró dos Vinhos, documentado no referenciado Castro da Serra do Castelo, espaço que conheceu igualmente os efeitos da Romanização e da presença islâmica. É no século XII que encontramos as primeiras fontes escritas com referência ao território figueiroense, primeiro com o registo da Doação da Herdade do Pedrógão em 1135 e mais tarde com a concessão por D. Pedro Afonso, filho natural de D. Afonso Henriques, de Carta de Foral aos Concelhos de Arega (1201) e Figueiró (1204), sendo estes dos Concelhos mais antigos do país. Com o advento da Época Moderna Figueiró reforça a sua importância com a renovação da Carta de Foral em 16 de Abril de 1514 por D. Manuel I, atingindo uma apreciável prosperidade económica, evidenciada no incremento urbano da Vila, visível nos edifícios do Centro Histórico, donde se destaca a construção da Torre Comarcã erigida em 1506, testemunha simbólica da confirmação do poder concelhio, que coabitou com as formas prevalecentes do Poder Senhorial. O Século XVII assinala épocas de desenvolvimento local com a construção dos Conventos de Nossa Senhora da Consolação e de Nossa Senhora do Carmo, e com a exploração, mineração e transformação do ferro nos Engenhos da Machuca e na Fábrica da Foz de Alge. Com a afirmação do Liberalismo e o fim do Antigo Regime, verificam-se no espaço figueiroense alterações substanciais de ordem política e social. Foram várias as mutações registadas a nível administrativo variando a fixação da Sede de Comarca e a configuração do Concelho durante os Consulados de Mouzinho da Silveira, Passos Manuel, Costa Cabral e João Franco, havendo ainda a registar a ocorrência de tumultos populares contra os impostos em 1864. Com o início do século XX, o Concelho ganha uma notoriedade nacional até aí inesperada, beneficiando da ligação de algumas personalidades do Mundo das Belas Artes a Figueiró dos Vinhos, no advento do Naturalismo. Os pintores José Malhoa e Henrique Pinto e os escultores Simões de Almeida, Tio e Sobrinho, tornaram esta região o arquétipo daquela corrente artística, criando o espírito da «Escola Naturalista de Figueiró» onde sobressai a temática paisagística rural e sentimental.
A implantação do regime republicano em 1910 trouxe ao espaço político local a tensão política e social que caracterizaram o republicanismo retardando o desenvolvimento do concelho. Daí que entre 1928 e 1948 em pleno período de vigência do Estado Novo, Figueiró dos Vinhos, tenha conhecido um período de progresso assinalável com a definição de um plano de intervenção de melhoramentos materiais e da aposta no Turismo, processo interrompido nos anos 60 e 70 em que o concelho assiste a uma enorme «sangria» humana sem retorno. O processo de Democratização e Europeização do País abriu ao concelho de Figueiró dos Vinhos uma possibilidade de desenvolvimento sustentado, ainda hoje prosseguida, que aliou o desenvolvimento económico, à promoção de políticas sociais consistentes, aos níveis da Educação, Saúde e Ação Social, traduzida na realização profissional, desportiva e cultural da população, aumentando os níveis e indicadores de qualidade de vida e bem-estar.

Bandeira de Figueiró dos Vinhos

Heráldica


Brasão: de ouro, com um cacho de uvas de prata, assente no folhado de verde e sustido do mesmo, acantonado por quatro folhas de figueira, também de verde. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres: «Vila de Figueiró dos Vinhos», a negro.

Bandeira: esquartelada de branco e de verde, cordões e borlas de prata e de verde. Lança e haste douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos».



Cultura e Turismo :

       O concelho de Figueiró dos Vinhos dispõe de vários atrativos turísticos, proporcionados pelas suas características naturais e riqueza patrimonial. Para os amantes de praias, o concelho dispõe de várias praias fluviais: a praia fluvial de Foz de Alge, onde se encontram sediadas as instalações do Clube Náutico de Figueiró dos Vinhos; a praia fluvial das Fragas de S. Simão; a praia fluvial Aldeia Ana de Aviz; a praia fluvial de Campelo e a praia fluvial de Alge. A vila possui vários monumentos dignos de interesse, sendo de se destacar a Igreja Matriz, classificada como Monumento Nacional, tratando-se de um vasto e grandioso templo mandado construir pelos religiosos do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. O concelho dispõe também de varias infra-estruturas desportivas e culturais, como o Pavilhão Gimnodesportivo de Figueiró dos Vinhos, a Piscina Municipal; o Centro Cultural de Figueiró dos Vinhos e a Biblioteca Municipal Simões de Almeida Tio.















Gastronomia : 

         As águas límpidas da Ribeira de Alge e do Rio Zêzere, que correm em todo o concelho proporcionam a existência de algumas espécies de peixe como o Achigã, Boga, Carpa, Barbo e as trutas, que permitem variadas confecções gastronómicas, para além de cada restaurante apresentar nas suas ementas pratos tradicionais de borrego e cabrito. Figueiró dos Vinhos orgulha-se de ter grande tradição na doçaria conventual. Os doces ricos em ovos e amêndoa, como as castanhas doces, pingos de tocha e queijinhos do céu, nunca esquecidos, biscoitos de manteiga, broinhas de casamento complementam a fama do Pão-de-Ló de características muito próprias, doçaria que conserva ainda hoje as receitas originais deixadas pelas freiras que permaneceram neste concelho até ao século XIX. A produção de mel serrano, enquadrado na Região Demarcada da Serra da Lousã (Denominação de Origem Protegida) e a doçaria conventual rematam a riqueza da gastronomia figueiroense que apresenta singularidades incontornáveis no contexto regional.