Translate

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Coimbra

Brasão de Coimbra

Localização

           Coimbra é uma cidade portuguesa, capital do Distrito de Coimbra, a maior cidade da região Centro de Portugal e situada na sub-região do Baixo Mondego, cidade historicamente universitária, por causa da Universidade de Coimbra, fundada em 1290, conta atualmente com cerca de 30 mil estudantes. Banhada pelo Rio Mondego, Coimbra, é sede de um município com 319,41 km² de área e subdividido em 31 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Mealhada, a leste por Penacova, Vila Nova de Poiares e Miranda do Corvo, a sul por Condeixa-a-Nova, a oeste por Montemor-o-Velho e a noroeste por Cantanhede. É considerada uma das mais importantes cidades portuguesas, devido a infraestruturas, organizações e empresas para além da sua importância histórica e privilegiada posição geográfica no centro da espinha dorsal do país, Coimbra é também referência nas áreas do Ensino e da Saúde. O feriado municipal ocorre a 4 de Julho, em memória da Rainha Santa Isabel, padroeira da cidade. O rio Mondego atravessa o concelho, em sentido Nascente-Poente e tem como principais afluentes na margem esquerda: o rio Ceira, o rio Dueça e a ribeira de Antanhol; na margem direita, foi Capital Nacional da Cultura em 2003 e é uma das cidades mais antigas do país, tendo sido capital do Reino, e apresenta como principal ex-libris a sua Universidade, a mais antiga de Portugal e dos países de língua portuguesa, e uma das mais antigas da Europa.os principais afluentes são o rio Botão, a ribeira de Souzelas, a ribeira de Eiras e a ribeira de Ançã. 


História

       A cidade de Coimbra teve a sua origem num núcleo castrejo estabelecido no ponto mais elevado da colina da Alta, sobranceira ao Mondego que, além de proporcionar uma excelente posição estratégica, era um local de passagem quase obrigatório. Durante a ocupação romana, a cidade apresentava-se com o nome Aeminium, estando já instituída como centro administrativo. Além do fórum, localizado no centro da cidade, sabe-se que o povoado viu emergir no seu perímetro urbano vários edifícios como arcos honoríficos, um aqueduto, entre outros. Junto à via Olissipo-Braccara Augusta, atual Santa Cruz, supõem-se que se tenham construído umas termas ou banhos públicos.Com a ocupação visigótica, a cidade desenvolveu-se bastante, sendo deste período as primeiras notícias da organização eclesiástica de Coimbra, embora se desconheça quando ela teve a sua origem. De certo, sabe-se que em 563, no primeiro concílio de Braga, encontrava-se já presente um bispo de Coimbra, cuja a diocese tinha sede em Conímbriga. Coimbra esteve no poder dos muçulmanos durante mais de um século, tendo sido conquistada aos mouros em 878 pelo rei Afonso III de Leão que a mandou repovoar. Aí se instalou o bispo, foragido de Conímbriga que não se conseguia libertar das incursões inimigas e que acabou por ser abandonada pelos seus habitantes. Acabaram por se estabelecer em Emígio que terá tomado o nome da antiga sé episcopal, explicando-se deste modo a origem do atual topónimo de Coimbra. Após as bem sucedidas campanhas de Almançor, a região ficou de novo sob domínio dos mouros até 1064, ano em que D. Fernando reconquista definitivamente a cidade. Em 1094, assume o governo da província portucalense o Conde D. Henrique que faz de Coimbra o centro da sua ação política e militar; já então a cidade recebera foral, outorgado por Afonso VI, consagrando a organização municipal. Em 1111, o Conde D. Henrique e D. Teresa outorgam novo foral a Coimbra. Este foral é um documento notável pela minúcia com que estabelece os direitos e obrigações e pela transformação que opera no sistema tributário em detrimento do poder central. Por ele se averigua também que a população de Coimbra era constituída por nobres, infanções, cavaleiros, peões e colonos. Convém referir que durante o reinado de D. Afonso Henriques aconteceu o que viria em grande parte condicionar a vida da cidade: a fundação do Mosteiro de Santa Cruz. Por influência deste monarca, o mosteiro beneficiou de grandes privilégios e libertou-se da jurisdição ordinária do bispo. A proteção que usufruiu, permitiu-lhe acumular riquezas enormes e lançar-se no caminho da instrução superior, em oposição intencional à antiga escola do cabido. Em Coimbra reuniram-se as cortes desde muito cedo, sendo se de destacar as de 1385 onde, por influência de João das Regras, chega ao trono D. João I, Mestre de Avis. A 4 de Janeiro de 1451 concedia D. Afonso V a Coimbra, o primeiro privilégio importante de que a cidade nunca pertenceria a ninguém senão à corte. Anteriormente a cidade, que era segunda do reino, pertencera ao Infante D. Pedro que a recebera de D. João I seu pai. A Universidade de Coimbra teve uma grande influência na vida social, cultural e económica de Coimbra. Esta Universidade foi criada em 1290 por D. Dinis, começando a funcionar em Lisboa e transferindo-se em 1308 para Coimbra. Instalou-se então no lugar designado por "Estudos Velhos". Em 1338, no reinado de D. Afonso IV, transferiu-se de novo para Lisboa, para em 1354 voltar para Coimbra, instalando-se desta vez na parte baixa da cidade por onde o burgo se começava a estender. Em 1377, no reinado de D. Fernando, muda-se mais uma vez para Lisboa, onde agora vai permanecer por mais de um século e meio. Em 1537, no reinado de D. João III, dá-se a transferência definitiva para Coimbra e para o velho Paço da Alcáçova, acompanhada da reforma dos estudos e do ingresso de novos docentes. O atual concelho de Coimbra foi instituído por decreto de 24 de Outubro de 1855 que acrescentou ao concelho já existente a freguesia de Vil de Matos, desanexando-a de Cantanhede.

Bandeira de Coimbra

Heráldica

Brasão: de vermelho com uma taça de ouro realçada de púrpura, acompanhada de uma serpe alada e um leão batalhantes, ambos de ouro, armados e lampassados de púrpura. Em chefe, um busto de mulher, coroada de ouro, vestida de púrpura e com manto de prata, acompanhado por dois escudetes antigos das quinas. Colar da Ordem de Torre e Espada.

Bandeira: com 1 metro quadrado, quarteada de amarelo e de púrpura. Listel branco com letras pretas. Cordões e borlas de ouro e púrpura. Lança e haste de ouro.


Cultura e Turismo

               Coimbra é por si só um grande pólo turístico não só do distrito homónimo, como também de Portugal, sendo a cidade um dos locais mais procurados e visitados do país. No concelho são muitos os locais de inegável interesse turístico e cultural, como: o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, criado em 1772 no âmbito do Museu de História Natural instituído pelo Marquês de Pombal na Universidade de Coimbra; o Portugal dos Pequeninos, o grande precursor dos parques temáticos dedicados às crianças e onde se podem encontrar conjuntos miniaturais dedicados ao Império Colonial, bem como os mais importantes monumentos portugueses e casas tradicionais; e a Quinta das Lágrimas, cuja história está relacionada com a história de amor proibido entre D. Pedro e Inês de Castro. Segundo consta, as matas desta quinta teriam sido coutadas de caça da família Real que então residia em Coimbra e era aqui que se encontravam Pedro e Inês em segredo. Terá sido na mata desta quinta que Inês foi assassinada pelos três validos de D. Afonso IV e terão sido as lágrimas que então chorou que fez nascer a Fonte das Lágrimas, onde o sangue que do seu corpo saiu ainda hoje está gravado na rocha. A nível de unidades museológicas, o concelho de Coimbra é bastante rico sendo de se destacar: o Museu de Arte Sacra da Universidade; o Museu Académico, localizado no antigo Colégio de S. Jerónimo e cujas peças procuram retratar o estudante; o Museu Antropológico que, juntamente como os Museus da Botânica, de Mineralogia e o de Zoologia, faz parte da unidade orgânica de História Natural da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra; o Museu Bissaya Barreto; o Museu Nacional Machado de Castro, localizado no antigo Paço dos Bispos; e o Museu dos Transportes. Conhecida como a "cidade dos estudantes", Coimbra ficou imortalizada no fado de Raul Ferrão e José Galhardo que resume bem o espírito da cidade: 
Coimbra é uma lição/ de sonho e tradição/
 o lente é uma canção/ e a lua a faculdade/ 
o livro é uma mulher/ só passa quem souber/
 e aprende-se a dizer: saudade./ 
Coimbra do Choupal,/ ainda és capital/ do amor em Portugal, ainda./ 
Coimbra onde uma vez/ com lágrimas se fez/ 
a história dessa Inês tão linda./ 
Coimbra das canções/ tão meiga que nos pões/
 os nossos corações a nu./ Coimbra dos doutores/ 
para nós os teus cantores/ a fonte dos amores és tu.

                                                                                                         Mata Nacional de Vale de Canas
Penedo da Saudade 

Karinecyril coimbra jardin 1.jpg
Jardim Botânico de Coimbra

Gastronomia

           Os pratos típicos de Coimbra são a chanfana ou os negalhos que se fazem do bandulho da cabra ou cabrito, o arroz de lampreia, o polvo cozido e a tibornada com batatas a murro. Na doçaria, destacam-se as arrufadas, as velhoses, os bolinhos bolinhós, o arroz doce, a sopa dourada das freiras de Santa Clara, o pudim de ovos, os biscoitos de canela, a lampreia de ovos, os capelos e as talhadas de príncipe.

                                                                                                                        Chanfana 
Arrufadas de Coimbra 

Sopa Dourada 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho da Mealhada

Brasão de Mealhada

Localização

          Mealhada é um concelho do distrito de Aveiro, de cuja sede dista aproximadamente trinta e sete quilómetros, e está assente numa zona de transição entre os distritos de Aveiro e Coimbra. Situa-se em pleno centro da região demarcada da Bairrada, entre olivais e vinhas, na margem direita do rio Cértima, afluente do rio Vouga, a 60 metros de altitude e, estende-se, em parte, entre a Serra do Buçaco e a orla gandareza de Cantanhede. O concelho da Mealhada tem uma área de cerca 112 Km2 onde se distribuem as suas oito freguesias: Antes, Barcouço, Casal Comba, Vacariça, Ventosa do Bairro, Luso, esta com sede na Vila do mesmo nome, assim como acontece com as de Mealhada e Pampilhosa. O município é limitado a norte pelo município da Anadia, a leste por Mortágua, a sueste por Penacova, a sueste e sul por Coimbra e a oeste por Cantanhede. Inserido numa paisagem uniforme e pouco acidentada, o concelho de Mealhada desfruta de ótimas condições geomorfológicas, a par de excelente situação que lhe permite ser nó importante de comunicações, motivo que constitui dos principais factores para o seu desenvolvimento. Com um clima mediterrânico/atlântico, caracterizado por Verões com dias quentes e noites frescas, a Bairrada é uma região de colinas suaves, soalheiras e barrentas, cujos limites naturais são os areais da orla marítima e as serras do Buçaco (Bussaco-Bos Sacrum dos romanos) e do Caramulo. A região é formada por solos de constituição mineral de diferentes épocas geológicas onde predominam os terrenos pobres, que variam desde os arenosos aos argilosos, encontrando-se também os franco-arenosos. 

História

        Os primeiros vestígios da presença humana na zona da Mealhada remontam ao Paleolítico, havendo, igualmente, múltiplos achados que testemunham a presença romana nesta região, tais como vestígios da via militar, Olissipo - Aemínium - Cale (Lisboa - Coimbra - Porto), e o marco miliário que data da época do Imperador Calígula (ano 39 d.C.). Porém, a povoação surge pela primeira vez documentada, apenas em 1288, e sob a designação de "Mealhada Má". O qualificativo (Má) caiu em desuso a partir do século XVI e, o topónimo Mealhada parece aludir à recolha de "mealhas", ou seja, contribuições em dinheiro miúdo. No início, a mealha não era uma moeda em si; chamava-se "medalia" em latim vulgar, e era a metade de um "denarius", que era partido em dois; estas "medaliae" (manaliae na Baixa Idade Média), ou seja, as mealhas, eram usadas no pagamento de impostos locais, e eram armazenadas nos chamados cofres mealheiros. As mealhas foram abolidas por decisão de D. Manuel I. Administrativamente, o território da Mealhada pertenceu desde sempre ao concelho de Vacariça, onde por volta do século IX, os beneditinos fundaram um mosteiro (Mosteiro da Vacariça) que seria extinto no século XI. O seu declínio foi acarretado pela restauração da Sé de Coimbra após a reconquista da cidade em 1064. O cenóbio foi doado, em 1093, pelo Conde D. Raimundo, ao bispo coimbrão, desaparecendo a comunidade monacal no início do século XII, época em que, segundo documentos da altura, já a vila do Luso, situada na vertente noroeste da Serra do Buçaco, aparecia ligada ao referido mosteiro. "Luso" é um topónimo que deriva, indiscutivelmente, de um antropónimo, embora não existam provas suficientes para se determinar com exatidão se teve origem no germânico "Lausus", se no latim "Lucius", apesar da evolução fonética da palavra apontar para a última hipótese. Segundo Ferraz da Silva "... a certidão de nascimento do Luso tem data de 1064, recolhida num inventário de vilas e lugares entre Vouga e Mondego, pertencentes ao Mosteiro da Vacariça, onde se refere, entre outras, a «vila de luso, que fuit de Abba Noguram cum su ecclesia vocabulo sancti Tomé»". Luso separou-se desta primordial paróquia ("sancti Tomé") em 1834, mantendo-se independente até à atualidade. Importante será também informar acerca do topónimo "Buçaco", para tal, será necessário recorrer à História nacional. No início da Nacionalidade, o país foi povoado por vários estrangeiros, principalmente vindos da atual França; este facto originou uma série de topónimos portugueses com origem provençal, sendo "busac", nome de uma família de águias das grandes alturas e com uma vista extraordinária, uma possível justificação para o topónimo "Buçaco"; esta analogia de altitude e amplitude de visão está de inteiro acordo com a própria Serra do Buçaco. A Vacariça recebeu carta de foral de D. Manuel I; porém, em 1557, D. João Soares, Bispo de Coimbra, doaria as igrejas da Vacariça, Luso e Pampilhosa ao Colégio Conventual da Graça, em Coimbra. Mais tarde, em 1628, três freires da congregação dos Carmelitas Descalços de Aveiro foram para a mata do Buçaco, com o intuito de edificar o cenóbio, de acordo com a sua regra: o desejo de viverem num ermitério, num local isolado, onde pudessem praticar o desenvolvimento florestal (o Buçaco era o lugar ideal para se cumprirem estes votos). Alberto da Virgem, um dos religiosos vindos de Aveiro, foi o responsável pelo traçado arquitetónico do convento, marcado pela sua simplicidade, dedicado a de Santa Teresa. O Convento dos Carmelitas Descalços extinguiu-se, como muitos outros, em 1834, dois anos antes da criação do concelho da Mealhada, por D. Maria II, ao que seguiu a extinção do velho concelho da Vacariça, embora só declarada, quase um ano mais tarde, a 4 de Julho de 1837, incorporando-se nesta altura as freguesias que a ele pertenciam: Vacariça, Tamengos, Aguim, Casal Comba, Luso e Ventosa do Bairro, no novo concelho da Mealhada. No ano de 1853, por Decreto de 31 de Dezembro foram impostas novas alterações à área administrativa do concelho: perdeu a Norte as freguesias de Tamengos e Aguim, para o vizinho concelho de Anadia e ganhou a Sul as freguesias de Barcouço, do extinto concelho de Ançã (atual vila pertencente ao concelho de Cantanhede) e de Pampilhosa da Serra do concelho de Coimbra. O concelho de Mealhada foi, após a publicação do Decreto de 24 de Outubro de 1855, integrado na área administrativa do distrito de Aveiro. Judicialmente o concelho é hoje sede de concelho, instalada recentemente no edifício da Casa da Cultura da Mealhada. Curiosamente e, passados que foram longos anos da data em que se tornou sede de concelho, a vila de Mealhada só se autonomizou da vetusta freguesia da Vacariça, no ano de 1944, pelo Decreto-Lei nº 33.370.

Bandeira de Mealhada

Heráldica

Brasão: de prata, com um carvalho de sua cor sobre um terrado, acompanhado de dois cachos de uvas de púrpura, folhados de verde. Coroa mural de quatro torres, de prata.

Bandeira: de verde, com as armas ao centro e por baixo um listel com a inscrição «Mealhada», de negro.


Palácio Real e Mata Nacional do Buçaco

           O Palácio Real localiza-se na Mata Nacional do Buçaco, freguesia do Luso, concelho da Mealhada, distrito de Aveiro, em Portugal. Considerado como o último legado dos reis de Portugal constitui-se em um conjunto arquitetónico botânico e paisagístico único na Europa, onde está instalado atualmente o Palace Hotel do Bussaco, categorizado como um dos mais belos e históricos hotéis do mundo. O edifício foi projetado no último quartel do século XIX pelo arquiteto italiano Luigi Manini, cenógrafo do Teatro Nacional de São Carlos. Contou ainda com intervenções, em diferentes fases, dos arquitetos Nicola Bigaglia, Manuel Joaquim Norte Júnior e José Alexandre Soares, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1996. O edifício do atual hotel, em estilo neo manuelino  está decorado com painéis de azulejos, frescos e quadros alusivos à Epopeia dos Descobrimentos portugueses, todos eles assinados por alguns dos grandes mestres das artes. A estrutura exibe perfis da Torre de Belém lavrados em pedra de Ançã, motivos do claustro do Mosteiro dos Jerónimos, alguns arabescos e florescências do Convento de Cristo, alegando um gótico florido com episódios românticos em contraste com uma austera severidade monacal. Em seu interior destacam-se notáveis obras de arte de grandes mestres portugueses da época, desde a coleção de painéis de azulejos do mestre Jorge Colaço, evocando Os Lusíadas, os Autos de Gil Vicente e a Guerra Peninsular, graciosas esculturas de António Gonçalves e de Costa Mota, telas de João Vaz ilustrando versos da epopeia marítima de Luís Vaz de Camões, frescos de António Ramalho e pinturas de Carlos Reis. O mobiliário inclui peças portuguesas, indo-portuguesas e chinesas, realçadas por faustosas tapeçarias. Destaque ainda para o tecto mourisco, o notável soalho executado com madeiras exóticas e a galeria real. Os jardins e parque envolvente, o Convento de Santa Cruz do Buçaco, o Deserto monacal, o Sacromonte simbolizando Jerusalém e a paixão de Cristo, com os seus passos da Via Sacra, a Cruz Alta, as inúmeras ermidas e capelas, constituem o mais vasto conjunto arquitetónico edificado pela Ordem dos Carmelitas Descalços; o Vale dos Fetos e seus lagos, a Fonte Fria com a cascata artificial, de forte influência italiana pela mão de Maria Pia, e os miradouros românticos, são outras atrações. Complementarmente, o Museu Militar do Buçaco convida a uma incursão no historial da Guerra Peninsular, com destaque para a batalha do Buçaco na qual, em 1810, as tropas anglo-lusas lideradas pelo Duque de Wellington derrotaram o exército napoleónico.








Cultura e Turismo

         Encontram-se neste concelho vários edifícios e projetos destinados à cultura, ao desporto e ao lazer: Biblioteca Municipal, Casa da Cultura da Mealhada, Pavilhão Gimnodesportivo de Pampilhosa, Pavilhão Gimnodesportivo do Luso, Parque de Campismo, Piscina e Campo de Ténis do Luso e Piscina Municipal. Além destes, o concelho alberga outros importantes atractivos turísticos, como a Mata do Buçaco e as Termas do Luso. A termas, são estância de saúde e de férias, onde existe um dos mais avançados complexos termais de Portugal. Aqui, a tecnologia associa-se à acção fisiológica da água termal e aos restantes tratamentos especializados, onde os pormenores da saúde de cada aquista (pessoa em tratamento em local de águas medicinais) são acompanhados constantemente por equipas de médicos e técnicos de saúde qualificados. A Mata do Buçaco é um belo arvoredo com mais de 700 espécies vegetais, dedicado à meditação natural, protegido por muralhas e bulas papais, respeitado pelo ímpeto napoleónico de Massena contra Wellington e com um convento que os últimos reis de Portugal decoraram com arte neomanuelina para ser palácio e hotel deslumbrante. A floresta do Buçaco é única e primitiva e pertenceu aos monges carmelitas entre os anos de 1628 e 1834, monges que tinham por voto plantar árvores, protegê-las e amá-las, com o fervor de juntar à mata espécimes raros de outros continentes e tornar universal este templo da natureza. A Mata do Buçaco estende-se desde a Cruz Alta - o ponto mais alto da Serra do Buçaco, a 549 metros de altitude -, por dois vales separados pelo planalto onde se encontra o Palace Hotel (da autoria de Luigi Manini) e que se unem no cimo do escadório da Fonte Fria, formando o magnífico Vale dos Fetos.


Gastronomia

         A Bairrada, no centro da qual se encontra o Luso e todo o concelho da Mealhada, é uma referência e um ex-líbris no património gastronómico e dos vinhos de Portugal. A Mealhada é célebre pelos seus muitos restaurantes, onde bons vinhos e uma deliciosa especialidade, leitão assado, atraem muitos visitantes. O leitão assado é o seu grande cartão de visita, mas o pão da Mealhada (amassado e estendido por mãos sábias, que depois o levam a cozer em forno de lenha, entre pequenos segredos e sentidas preces), a chanfana de cabra, os caramujos e as cavacas do Luso não lhe ficam atrás. A cabidela de leitão é outra das relíquias da gastronomia local. Sabores que não dispensam a companhia dos apreciados néctares, produzidos criteriosamente nas adegas desta região vitivinícola, uma das mais antigas de Portugal.





terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho da Anadia

Brasão de Anadia

Localização

           Situado na sub-região da Bairrada, que dá nome aos vinhos aí produzidos, dos quais se destaca o afamado espumante natural, apreciado dentro e fora do país, o concelho de Anadia, composto por quinze freguesias, sendo as da Anadia e Sangalhos sediadas em Vilas com os mesmos nomes, ocupa uma área de 217,1 Km2, distando da sede distrital cerca de vinte e oito quilómetros. A evolução de Anadia tem acompanhado a própria evolução de toda a sub-região bairradina, pelo que a história de uma e outra acabam, muitas vezes, por se confundir. O solo argiloso e barrento, característica geológica que se estende por vales e colinas, fez desta uma região fértil para a agricultura, salientando-se os olivais, os pomares, as culturas do milho e do arroz. Possui uma extensa e rica área florestal, em que predomina o pinheiro, e do seu solo provém ainda a matéria-prima necessária à indústria de cerâmica, que aliás é atividade de raízes remotas, uma vez que existem vestígios das chamadas telhas romanas, bem como de tijolos, que apontam para antes da Reconquista Cristã. Mas, sem dúvida, que o bem maior dos terrenos argilosos da Bairrada são os vinhos maduros, vinhos fortes e "encorporados", além do referido espumante natural.


História

          A existência deste concelho distancia-se no tempo e está repleta de histórias e tradições. A antiguidade do povoamento do seu território faz com que não haja certezas quanto à origem do nome, para a qual existem diversas explicações. A mais provável, no entanto, aponta para a designação, do latim "aqua nativa", "fonte natural", ou seja água pura e boa para beber, e não de "Anadaria", como foi proposto no século XIX. Um documento de 1082, referente ao diferendo entre o Mosteiro da Vacariça e os minorinos do alvazir Sisnando, Conde de Coimbra, refere a "illa Nadia", um degrau intermédio na evolução do topónimo, cujo significado seria "limite de outras povoações". Também no tempo de D. Afonso Henriques, aparece com o mesmo sentido de limite, no documento em que este monarca fez couto para a Sé de Coimbra. Longe das pesquisas de arquivos e etimologias, também o povo achou que tinha algo a dizer quanto ao nome da terra. Assim, segundo a tradição popular o topónimo vem do nome de uma mulher que costumava vender na estrada de Coimbra o vinho que produzia. Isto tornou-a tão conhecida que as pessoas passaram a associar àquela povoação o nome dessa mulher, que era não mais do que...Ana Dias! Situado na região da Bairrada, que dá nome aos vinhos aí produzidos, o concelho de Anadia rapidamente se tornou um importante centro comercial e administrativo de uma fértil área agrícola. Foi o principal centro produtor de vinhos espumosos naturais, e a região do país onde foi iniciada a sua preparação com a ajuda de peritos franceses da região de Champagne, sendo as suas marcas geralmente apreciadas, e rivais dos produtos similares importados do estrangeiro. Seguramente, ao longo dos tempos, as terras férteis deste concelho mostraram ser de extrema importância; por exemplo, após a Reconquista, há relatos de que estas pertenceram a Santiago de Compostela; é também certo que o senhorio de Anadia pertenceu desde o reinado de D. Afonso Henriques, aos frades do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. No reinado de D. Sancho, outros casais passaram para a posse de um cavaleiro de nome Guterres Nunes. O foral do concelho então constituído, apenas foi concedido (pela sua povoação e uma parte de Arcos), em 21 de Agosto de 1514, pelo rei D. Manuel I, elevando a povoação a concelho, assim como acontecera a muitas outras, mais tarde extintas e neste concelho integradas, com o advento do liberalismo. Ao que parece, a sua elevação a concelho ficou a dever-se não só à situação geográfica, mas também ao mérito de algumas personalidades, entre as quais os Condes de Anadia (da família Sá e Melo), aristocratas e prestigiados diplomatas que terão exercido influência considerável na corte, especialmente na 2ª dinastia. Foi no reinado de D. João III, ainda na segunda dinastia, que o senhorio de Anadia passou para a Universidade de Coimbra, e em sua posse se conservou até às guerras liberais. O primeiro conde de Anadia foi João Rodrigues de Sá e Melo, que faleceu em 1809; o segundo foi José António de Sá Pereira Menezes; o terceiro Manuel Pais Sá do Amaral de Almeida; o quarto título pertenceu a José Maria de Sá Pereira Menezes Pais do Amaral de Almeida Vasconcelos Quifel Barbarino; o quinto foi Manuel Pais de Sá do Amaral Menezes Quifel e Barbarino e por último, nascido a 28 de Setembro de 1893, é nomeado 6º Conde de Anadia, José de Sá Pais do Amaral, cujos descendentes vivem em Mangualde.

Bandeira de Anadia

Heráldica

Brasão: de negro, com uma vide de prata, com dois ramos passados em aspa, folhados de verde e frutados de dois cachos de uvas de púrpura, um à dextra e outro à sinistra. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com a legenda a negro: " ANADIA". 

Bandeira: gironada de oito peças de branco e púrpura. Cordões e borlas de prata e púrpura. Haste e lança de ouro.


Cultura e Turismo

           No que diz respeito aos valores culturais, pode encontrar neste concelho algumas manifestações de carácter popular (feiras, romarias, os trajes típicos e usos e costumes de riqueza tradicional). É verdade que certos usos e costumes tem tendência a desaparecer, no entanto, outros permanecem na memória e ainda são praticados, como a "Reza", no período da Quaresma, e a "Queima dos Judas" no Sábado Aleluia, véspera de Páscoa. Os visitantes podem apreciar as adegas locais e provar os vinhos antes de os comprar. Neste concelho localizam-se as famosas Termas da Curia, vértice do famoso triângulo Curia - Luso - Buçaco, possuindo condições excelentes sob o ponto de vista turístico e um ambiente oitocentista que a torna uma das estâncias termais mais frequentadas do país. As águas da Curia brotam de três nascentes: da Fonte Albano Coutinho, da Fonte Principal e da Fonte dos Olhos, e são especialmente recomendadas para doenças do aparelho circulatório, no tratamento da litíase e outras afecções das vias urinárias, na gota, no reumatismo e na hipertensão. Culturalmente, o concelho é de uma diversidade assinalável: Bandas de Música, agrupamentos folclóricos que preservam e divulgam o valioso património popular, e museus que oferecem a oportunidade de apreciar a riqueza dos valores patrimoniais da zona, clubes, associações, centros culturais, teatros, etc.

Termas da Curia 

Gastronomia

             Anadia destaca-se pelas suas potencialidades ligadas à gastronomia e que fazem parte integrante da sua riqueza cultural, o bacalhau à Sr. Prior de Tamengos, a cabidela de leitão, a chanfana à Bairrada, o leitão à Bairrada, os miúdos do leitão (coração, pulmões e fígado) cortados aos bocadinhos, sangue e batata, os negalhos, o sarrabulho e a tibornada (batata a murro com bacalhau assado no lagar) são os típicos pratos que fazem as delícias não só dos habitantes, como também dos visitantes. Na doçaria destacam-se: os amores da Curia, deliciosos pastéis à base de massa folhada e recheada com creme de ovos, a aletria, o arroz doce,as barrigas de Freira e o leite creme.

                                                                           Amores da Curia 
Leitão á Bairrada