Translate

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Santa Comba Dão

Brasão de Santa Comba Dão

Localização

        O concelho de Santa Comba Dão está integrado no distrito de Viseu e abrange uma área de 112.5 Km2, é sede de um município com 112,54 km² de área e 11 597 habitantes, subdividido em 9 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Tondela, a leste por Carregal do Sal, a sueste por Tábua, a sul por Penacova e a oeste por Mortágua. Enquadrada entre os rios Dão e Mondego, encontra-se entre as cidades de Viseu e Coimbra, sensivelmente equidistante de ambas. Santa Comba Dão caracteriza-se pela abundância das linhas de água que assumem um papel bastante importante na orografia do concelho. O rio Mondego assume um especial relevo na zona com encostas suaves, e, esporadicamente, com afloramentos rochosos, limitando o concelho a Nascente e a Sul. No centro, surge o rio Dão que atravessa o concelho de Nordeste para Sudoeste; limitando o concelho a Poente, surge o rio Criz, correndo ao longo de uma zona acidentada e de relevo incerto. Todo o concelho de Santa Comba Dão localiza-se numa área aplanada, encontrando-se as maiores altitudes a leste.



História

       O povoamento do território a que corresponde o atual concelho de Santa Comba Dão é bastante antigo, remetendo-se muito provavelmente a uma época pré-histórica. A comprovar essa antiguidade encontram-se os vestígios arqueológicos descobertos na sua área, bem como as alusões relativas aos mesmos em documentos do século X, XI e XII. Um desses documentos refere um local denominado "castro de Santa Comba" e define a situação da presente vila na alta Idade Média, descrevendo as circunscrições eclesiásticas e administrativas a que então pertencia: estava integrada eclesiasticamente no território de Viseu e na terra mediévica de Besteiros que possuía aqui os seus termos meridionais. O primitivo nome do referido castro não é conhecido, sabendo-se que o de Santa Comba lhe foi imposto pela cristianização e representa uma substituição das devoções locais pagãs, embora não se saiba ao certo que Santa Comba é esta. Embora todos apontem para a abadessa de um mosteiro beirão (o de Arcas, entre Tarouca e Moimenta da Beira) chamada Comba Osores, que Almançor martirizou em finais do século X, como a Santa Comba que estava na origem do topónimo, tal identificação parece não corresponder à verdade, dado que essa abadessa é posterior à época em que esta vila já aparece com a designação "Santa Comba". O ter-se ligado o topónimo ao nome do rio deve-se ao desejo ou necessidade de distinção de outros iguais. Inicialmente seria Santa Comba de Ão que se assimilou à expressão toponímica presente e se enraizou. Em 22 de Julho de 974, um prócer poderoso desta região e talvez dela governador, Oveco Garcia, faz uma vasta doação ao Mosteiro de Lorvão, na qual constava metade da vila de Santa Comba. Onze anos depois encontrava-se outro prócere a doar também ao Mosteiro de Lorvão a outra metade da villa de Santa Comba, tratava-se de Múnio Gonçalves, filho de Gonçalves Moniz, célebre Conde Beirão e de D. Mumadona. Ainda em meados do século XIII, a maior parte do atual concelho de Santa Comba Dão era privilegiada, propriedade de mosteiros, igrejas e fidalgos. De facto, além das vastas possessões do Mosteiro de Lorvão, havia aqui o couto de S. João o qual pertencia naquela época, na sua quase totalidade, à Sé de Viseu; uma outra parte era do filho de algo D. Mem Sanches; e por fim, Silvares era da pertença do Mosteiro de Arganil. Nesta época, segundo as Inquirições, estava aqui instituído o concelho de Ovoa, ao que parece o único do território do atual concelho de Santa Comba Dão. Por carta de 1133, D. Afonso Henriques faz couto ao Mosteiro de Lorvão sobre as villas de Treixedo e outras da terra de Viseu. Em 1137, o mesmo monarca coutou ao bispo de Coimbra as "villas" de S. João de Areias, Currelos, Parada e Santa Comba Dão, situação que se manteve até 1472, ano em que D. Galvão, Bispo de Coimbra se intitula Conde de Santa Comba Dão. A 12 de Setembro de 1514, D. Manuel concede a Santa Comba Dão, carta de foral. Em 1836 foram extintos os concelhos de Ovoa, Couto do Mosteiro e Pinheiro de Ázere e integrados no concelho de Santa Comba Dão. Em 1895 foi também extinto o concelho de S. João de Areias e incorporado como freguesia no concelho de Santa Comba Dão, ficando este último com os limites territoriais que tem hoje em dia.

Bandeira de Santa Comba Dão

Heráldica

ESCUDO : De azul, com dois ramos de oliveira de ouro, frutados de negro, com os pés passados em aspa; Em chefe, uma pomba estendida de prata, sancada, bicada e animada de vermelho, entre dois cachos de uvas de ouro, folhados de prata; em contra-chefe, uma ponte de prata, lavrada de negro em ângulo, com seis arcos desiguais, firmada nos flancos e movente de um pé de burelas ondadas de prata e azul. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com a legenda a negro "SANTA COMBA DÃO".

Personalidades Célebres

      António de Oliveira Salazar (Vimieiro, Santa Comba Dão, 28 de Abril de 1889 — Lisboa, 27 de Julho de 1970) foi um político nacionalista português e professor catedrático da Universidade de Coimbra. O seu percurso político iniciou-se quando foi Ministro das Finanças por breves meses em 1926. Depois disso, foi também ministro das Finanças entre 1928 e 1932, procedendo ao saneamento das finanças públicas portuguesas. Instituidor do Estado Novo (1933-1974) e da sua organização política de suporte, a União Nacional, Salazar dirigiu os destinos de Portugal, como presidente do Ministério, entre 1932 e 1933, e como Presidente do Conselho de Ministros, entre 1933 e 1968. Os autoritarismos que surgiam na Europa foram amplamente experienciados por Salazar em duas frentes complementares: a propaganda e a repressão. Com a criação da Censura, da organização de tempos livres dos trabalhadores FNAT, da Mocidade Portuguesa, masculina e feminina, o Estado Novo procurava assegurar a doutrinação de largas massas da população portuguesa, enquanto que a polícia política (PVDE, posteriormente PIDE, a partir de 1945), em conjunto com a Legião Portuguesa, combatiam os opositores, que, quando objecto de julgamento, eram-no em tribunais especiais (Tribunais Militares Especiais e, posteriormente, Tribunais Plenários). Apoiando-se na doutrina social da Igreja Católica, Salazar orientou-se para um corporativismo de Estado, com uma linha de ação económica nacionalista assente no ideal da autarcia. Esse seu nacionalismo económico levou-o a tomar medidas de protecionismo e isolacionismo de natureza fiscal, tarifária, alfandegária, para Portugal e suas colonias, que tiveram grande impacto, sobretudo até aos anos sessenta. 
Em 1900, após completar os seus estudos na escola primária, com onze anos de idade, Oliveira Salazar, ingressou no Seminário de Viseu, onde permaneceu por oito anos. Em 1908, o seu último ano lectivo no seminário, tomou finalmente contacto com toda a agitação que reinava em Viseu e também em todo o país. Surgiam artigos que atacavam o Governo, o Rei e a Igreja Católica. Foi também nesse ano que se deu o assassínio do Rei D. Carlos e do seu filho, o Príncipe D. Luís Filipe. Não ficando indiferente a esses acontecimentos, Salazar, católico praticante, começou a insurgir-se contra os republicanos jacobinos em defesa da Igreja, escrevendo vários artigos nos jornais. Depois de completar os estudos, permaneceu em Viseu por mais dois anos. Porém, em 1910, mudou-se para Coimbra para estudar Direito. Em 1914, concluiu o curso de Direito com a alta classificação de 19 valores e torna-se, dois anos depois, assistente de Ciências Económicas. Assumiu a regência da cadeira de Economia Política e Finanças em 1917 a convite do professor José Alberto dos Reis e do professor Aniceto Barbosa, antes de se doutorar em 1918. Durante esse período em Coimbra, materializa o seu pendor para a política no Centro Académico de Democracia Cristã onde faz amigos como Mário de Figueiredo, José Nosolini, Juvenal de Araújo, os irmãos Dinis da Fonseca, Manuel Gonçalves Cerejeira, Bissaya Barreto, entre outros. Alguns haveriam de colaborar nos seus governos. Combate o anticlericalismo da Primeira República através de artigos de opinião que escreve para jornais católicos. Acompanha Cerejeira em palestras e debates. Enquanto estuda Maurras, Le Play e as encíclicas do Papa Leão XIII, vai consolidando o seu pensamento, explicitando-o em artigos e conferências, onde se revela que "Salazar nasceu para a política pugnando pelo acertar do passo com a Europa, e com a paixão pela Educação". As suas opiniões e ligações ao Centro Académico de Democracia Cristã levaram-no, em 1921, a concorrer por Guimarães como deputado ao Parlamento. Sendo eleito e não encontrando aí qualquer motivação, regressou à universidade passados três dias. Lá se manteve até 1926. 
O princípio do fim de Salazar começou a 3 de Agosto de 1968, no Forte de Santo António, no Estoril. A queda de uma cadeira de lona, deixada em segredo primeiro, acabou por ditar o seu afastamento do Governo. António de Oliveira Salazar preparava-se para ser tratado pelo calista Hilário, quando se deixou cair para uma cadeira de lona. Com o peso, a cadeira cedeu e o chefe do Governo caiu com violência, sofrendo uma pancada na cabeça, nas lajes do terraço do forte onde anualmente passava as férias, acompanhado pela governanta D. Maria de Jesus. Levantou-se atordoado, queixou-se de dores no corpo, mas pediu segredo sobre a queda e não quis que fossem chamados médicos, segundo conta Franco Nogueira. Outra testemunha, o barbeiro Manuel Marques, contraria esta tese. Segundo ele, Salazar não caiu na cadeira, que estava fora do lugar, mas tombou no chão desamparado. Segundo Marques, Salazar costumava ser distraído e tinha o hábito de «saltar para as cadeiras». Nesse dia, preparando-se para ler o jornal, caiu onde habitualmente estava uma cadeira, mas que nesse dia tinha sido movida. Ainda outra testemunha diz que Salazar não caiu de uma cadeira, e sim de uma banheira, testemunha essa que acompanhou Salazar da casa de banho até ao quarto no dia do sucedido. A vida de António de Oliveira Salazar prosseguiu normalmente e só três dias depois é que o médico do Presidente do Conselho, Eduardo Coelho, soube do sucedido. Só 16 dias depois, a 4 de Setembro, Salazar admite que se sente doente: «Não sei o que tenho». A 6 de Setembro, à noite, sai um carro de São Bento. Com o médico, Salazar e, no lugar da frente, o diretor da PIDE, Silva Pais. Salazar é internado no Hospital de São José e os médicos não se entendem quanto ao diagnóstico - hematoma intracraniano ou trombose cerebral -, mas concordam que é preciso operar, o que acontece a 7 de Setembro. Salazar foi afastado do governo em 27 de Setembro de 1968, quando o então Presidente da República, Américo Tomás, chamou Marcello Caetano para substitui-lo. A 4 de Outubro desse ano (pelo 58.º aniversário da Implantação da República) recebeu o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique. Até morrer, em 1970, continuou a receber visitas como se fosse ainda Presidente do Conselho, nunca manifestando sequer a suspeita de que já o não era - no que não era contrariado pelos que o rodeavam.

                                                                                                                     Cortejo Fúnebre de Salazar
                    Salazar                                                                                                   no Vimieiro 
                                                                                             

Cultura e Turismo

        Santa Comba Dão apresenta um conjunto de potencialidades turísticas, nas quais se destacam os monumentos, os espaços culturais arqueológicos, os espaços culturais de índole religiosa e os espaços culturais de interesse histórico e arquitetónico. Bastante apelativo também em termos de recursos naturais, é de salientar a barragem da Aguieira, uma das maiores superfícies lagunares de natureza artificial do País. De igual modo, os Vales do Mondego e do rio Dão tornaram-se depósitos de águas paradas, permitindo todo o tipo de desportos náuticos, às quais acresce um conjunto de praias fluviais de grande beleza. 



Gastronomia

      Da gastronomia tradicional de Santa Comba Dão, destaca-se o apreciado arroz de lampreia.

Arroz de Lampreia 



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Seia

Brasão de Seia

Localização

             O concelho de Seia está integrado no distrito da Guarda, situando-se na vertente ocidental da Serra da Estrela. Ocupa uma área de 435.9 km2, abrangendo administrativamente 29 freguesias, quatro das quais com sede em vila (Loriga, Paranhos da Beira, S. Romão e Santa Marinha) e pela cidade de Seia. O município é limitado a norte pelos municípios de Nelas e Mangualde, a nordeste por Gouveia, a leste por Manteigas, a sueste pela Covilhã, a sudoeste por Arganil e a oeste por Oliveira do Hospital. Neste município está localizado o ponto mais alto de Portugal continental, a Torre, na Serra da Estrela, com 1 993 metros de altitude. O concelho de Seia abrange uma grande parte da Serra da Estrela e é também o único de Portugal onde existe uma estância de esqui natural, a Estância de Esqui Vodafone, localizada dentro dos limites da freguesia de Loriga. Situada na vertente ocidental da serra da Estrela, a cidade de Seia fica a 550 m de altitude. O clima do concelho é temperado, com temperaturas moderadas no Verão e frio no Inverno, com temperaturas muito baixas e ocorrências de neve, por vezes abundantes, nas partes mais elevadas da Serra da Estrela. Quanto ao regime de precipitações, há uma pequena estação seca, que compreende os meses de Verão de Julho e Agosto.


História

       O território que corresponde ao atual concelho de Seia foi povoado desde épocas bastante remotas, sendo vários os vestígios que podem ser encontrados do primitivo povoamento. Um dos mais representativos vestígios são as antas de Paranhos que remontam ao período Neolítico, tratando-se de um dólmen de câmara poligonal e corredor curto ou incipiente. Sobre a fundação da cidade de Seia ainda subsistem algumas dúvidas pois se alguns autores lhe atribuem fundação túrdula, esse facto não pôde ainda ser confirmado. Já da época romana, são vários os indícios que mostram o povoamento romano, sendo a estação arqueológica de Nogueira suficiente para o determinar. É de crer que Seia foi edificada primitivamente e existia, durante a época romana, no atual lugar de Nogueira, a menos de um quilometro a sudeste da vila e um lugar bem propício para uma povoação antiga. A passagem dos romanos e dos árabes por esta região montanhosa é também atestada pelas moedas de ouro e prata daqueles povos que muitas vezes têm sido encontradas no local da antiga Sena. Ainda desta época (ou da época medieval) são duas sepulturas antropormórficas, cavadas na rocha e situadas a nascente do monte. Partia de Nogueira uma estrada para o castro de S. Romão, passando junto a Cabeça Velha pela qual descia até ao rio Alva em direção ao monte do castro. No sítio de Crestelo, como o próprio nome indica, houve também um pequeno castelo no tempo dos romanos que fazia parte do sistema defensivo de Seia. Nogueira seria um local bem apropriado para uma povoação, quer pela abundância de águas quer pela fertilidade dos terrenos, abrigados dos ventos pelos montes de Santa Ana e Carvalhal do Outeiro. Por outro lado, no local onde se encontra a atual vila não foram encontrados vestígios romanos ou de outra civilização antiga. É plausível admitir então que Seia deixou o sítio de Nogueira e veio a fixar-se em torno do castelo quando este foi edificado nas lutas da reconquista cristã.Das continuadas lutas entre mouros e cristãos, Seia suportou repetidos ataques e passou à posse de Ordono II no ano de 910 para voltar ao poder dos muçulmanos em 985, tendo sido de novo reconquistada por Fernando Magno em 1055 que para a defender de futuros ataques mandou edificar-lhe o Castelo. Se olharmos à situação topográfica das elevações que circundavam a "Sena" antiga, compreendemos que o sítio do Castelo era o único que se prestava para a sua construção. Das três eminências que existiam perto da povoação romana só onde se encontra o castelo era inexpugnável por todos os lados, pois as outras duas deixavam um dos flancos acessível aos inimigos. O castelo foi construído por Pedro de Cêa, sendo que a coincidência, simplesmente casual, de ter sido um cavaleiro por nome de Pedro Cêa (casa nobre da Galiza) o fundador do castelo da vila, deu origem à confusão que se levantou em relação ao topónimo principal do concelho, pois assumiu-se que a vila devia o seu nome a esse cavaleiro; no entanto, o topónimo "Sena" já existia anteriormente. Inicialmente apareceu com a grafia "Sena", sendo mencionada pela primeira vez na divisão da diocese da Egitânia, no tempo de Wamba, rei godo que começou a reinar em 672. A importância de Seia é atestada no texto do foral de Talavares, passado por D. Teresa de Leão, condessa de Portugal, onde se refere: "D. Tarasia regnante in Portucale, Colimbria, Viseu et Sena" (D. Teresa, que reina em Portugal, Coimbra, Viseu e Seia ). À época da formação da nacionalidade portuguesa, Bermudo Peres, cunhado de D. Teresa, iniciou uma revolta no Castelo de Seia. Não teve sucesso, uma vez que o infante D. Afonso Henriques (1112-1185), tendo disto tido conhecimento, foi ao encontro dele com as suas forças e expulsou-o do castelo (1131) ( Cronica dos Godos, Era de 1169). D. Afonso Henriques, no ano seguinte, fez a doação dos domínios de Seia e seu castelo ao seu valido João Viegas em reconhecimento por serviços prestados (1132). Poucos anos mais tarde, o soberano passou o primeiro foral à povoação em 1136, designando-a por Civitatem Senam. Entre os privilégios então concedidos, destacam-se. "Eu, infante Afonso Henriques, filho de D. Henrique, aprouve-me por boa paz de fazer este escrito de firmeza e estabilidade que firmo pelos séculos sem fim. A vós, habitantes da cidade de Seia, concedo que tenhais costumes muito melhores do que tivestes até aqui e isto tanto para vós como para os vossos filhos e toda a vossa descendência. E os homens de Seia que pagam jugada que não vão ao fossado nem ao moinho obrigados pelo senhor. E que nenhum venda o seu cavalo ou mula ou asno ou égua ou bens ao senhor da terra sem querer. Se um homem de Seia for mercar, se não for mais de duas vezes, não pague portagem.". Aparece pela segunda vez num documento do século XII, tratando-se do Livro Santo do Arquivo de Santa Cruz de Coimbra e continua com a grafia "Sena" em todos os documentos latinos da mesma época. A forma "Sea" aparece na carta sumária dada por D. Afonso V em 2 de Julho de 1479. O foral de D. Manuel I de 1 de Junho de 1510, dá a grafia Seya, tendo-se generalizado o emprego dessa forma em todo o século XVI e continuou no século XVII. Seia representou uma importância decisiva como fronteira entre mouros e cristãos por isso já em 1080 aquando da restauração da diocese de Coimbra, Seia passou a ser sede de um arcediago que englobava os atuais concelhos de Gouveia, Celorico da Beira, Seia, Oliveira do Hospital, Arganil, Tábua e parte de Góis. Esta situação manteve-se até à transferência do concelho de Seia para a Diocese da Guarda na reordenação das Dioceses feita a 30 de Novembro de 1881, pela Santa Sé. Vários autores concordam que a região estava abandonada e deserta no ano de 1132, sendo que D. Afonso Henriques logo a mandou reconstruir e povoar, fez doação dela ao seu valido João Viegas e sendo ainda infante, deu-lhe foral em 1136. No foral concedido por D. Afonso Henriques em 1136 é referida a CIVITATEM SENAN. A colegiada de Seia reconhecida com honras e privilégios no foral de D. Afonso Henriques vem apenas confirmar o valor eclesiástico e cristão de uma terra que estendeu, poucos anos depois, a sua influência religiosa por todo o vale do rio Alva. D. Afonso II reivindica severamente tudo que pertence à coroa e manda fazer as confirmações que atestem a posse legítima de todos os seus bens. Estando em 1217 em Coimbra confirma o foral dado por D. Afonso Henriques à vila de Seia. Por doação de D. Afonso III, a vila de Seia pertenceu aos bispos de Coimbra que também exerciam jurisdição temporal, por sentença do cardeal João Caetano Orsini, a 27 de Fevereiro de 1256, confirmada por uma bula do papa Alexandre III, de 27 de Abril do mesmo ano. Em 1355, D. Afonso IV doou a sua neta a Infanta D. Maria, várias terras entre as quais os casais de Seia. Por carta de 24 de Maio de 1360, D. Pedro fez doação da vila, terra e Julgado de Seia ao Infante D. João, seu filho bastardo, e por morte deste ao filho deste, D. Pedro. Na chancelaria de D. João I encontra-se uma outra doação feita a D. Fernando, último filho do Infante D. João. Em 1401, D. João I faz a doação ao seu filho D. Henrique de várias comarcas da Beira e da "terra" de Seia que incluía grande parte do atual concelho de Seia. Este morreu sem descendência e Seia reverteu à coroa. Em 1510, D. Manuel concede foral novo a Seia, estando incluídas no seu termo as povoações de Passarela, Lages e Folhadosa. Em 1620, o concelho de Seia demarcava-se com o concelho do Casal na Quinta da Boa Vista, pertencendo-lhe a freguesia de Sameice. No contexto da Restauração da Independência, em 1640, os moradores de Seia mandaram forjar a espada que D. Mariana de Lencastre, viúva de D. Luís da Silva, 2° alcaide-mor de Seia, entregou aos seus filhos na vigília de sexta-feira para sábado, 12 de Dezembro. Nesta região coexistiam 11 concelhos, sendo a maior parte deles extintas no século XIX. Os concelhos que existiram no actual concelho de Seia foram os de Alvoco da Serra e Loriga (o primeiro extinto em 1828 e o segundo em 1855); Casal (atualmente uma povoação anexa a Travancinha); Castro Verde (atualmente Eiró); Santa Marinha (extinto em 1834); Sandomil (extinto em 1852); S. Romão (extinto antes de 1834); Valezim (extinto em 1834); Vide (extinto em 1834); Vila Cova à Coelheira e Torroselo. Um decreto de 6 de Dezembro de 1857 determinou que Vila Nova de Tazem, Paçoinhos, Novelães, Passarela e Lagarinhos que estavam integradas no concelho de Seia passaram para o de Gouveia. Atualmente  o concelho de Seia é composto por 29 freguesias. Seia foi elevada a cidade em Assembleia da República, a 3 de Julho de 1986.

Bandeira de Seia

Heráldica

Brasão: escudo de ouro, torre torreada de vermelho, aberta de negro, acompanhada de dois carrascos arrancados, de verde; em chefe uma estrela de seis pontas de azul. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com a legenda a negro: "SEIA".

Bandeira: gironada de oito peças de amarelo e azul. Cordão e borlas de ouro azul. Haste e lança de ouro.


Cultura e Turismo

            Seia é um concelho bastante rico no que diz respeito a pontos de interesse turístico, sendo de destacar o maciço da Serra da Estrela que abrange o concelho, nomeadamente as pistas de ski aí existentes que proporcionam a prática de desportos de Inverno. Relativamente às unidades museológicas do concelho, merece um especial realce o Museu do Brinquedo que apresenta uma coleção de brinquedos nacionais e internacionais.

Maciço da Serra da Estrela 
                                      Museu do Brinquedo de Seia 

Gastronomia

       Entre os pratos mais apreciados do concelho de Seia, o destaque vai para o bacalhau com broa, as trutas da Serra grelhadas, a tibornada, o cabrito assado, o arroz de carqueja com entrecosto, o arroz com míscaros, as feijocas à serrana, o borrego de canastra e os torresmos. Especial realce também para o mel serrano, o queijo da serra, os enchidos, presuntos, vinhos do Dão e aguardente zimbrada.


Bacalhau com broa
                                        Queijo da Serra da Estrela 




sábado, 16 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Mortágua

Brasão de Mortágua

Localização

       É sede de um município com 248,59 km² de área e subdividido em 10 freguesias, o concelho de Mortágua está inserido na Região Centro, no extremo sudoeste do distrito de Viseu, sendo limitado a Norte pelos municípios de Águeda e Tondela que de novo o tocam a Nordeste, a Sul pelo de Penacova, a Este pelo de Santa Comba Dão, a Oeste pelo de Anadia e a Sudoeste pelo da Mealhada. Localizado na confluência das serras do Caramulo e Buçaco, o concelho de Mortágua ocupa um território particularmente acidentado. A região em que está inserido caracteriza-se por um clima mediterrânico, com a estação quente bem marcada e seca, estando sob a influência atlântica vinda pela depressão do Vale do Mondego.



História

           Por análise de documentos do século IX e X, a primitiva grafia do topónimo do concelho teria sido "Mortalagua", cujo significado permanece sem interpretação. Contudo, a respeito do topónimo, a tradição popular conta que o território que constituiu o atual centro do concelho estava ocupado por um lago; Com a chegada dos romanos, esse lago teria sido drenado e o sítio passou a ser conhecido como Mortágua, ou seja sítio da "Água Morta". Em inícios da nacionalidade, as terras do concelho de Mortágua encontravam-se na posse da coroa que mais tarde, reservando para si apenas uma das veigas, fez a doação do restante a instituições religiosas, a fidalgos ou a pessoas de influência local. Este foi o caso de Vasco Martins de Vila Nova que recebeu de D. Sancho I o aforamento dos direitos reais no concelho. Em 1192, Mortágua recebe o seu primeiro foral, passado por D. Dulce, esposa de D. Sancho I, mais tarde confirmado por D. Manuel I, em 1514. Ao que se sabe, após a morte de Vasco Martins, o território passou de novo para a coroa, pelo menos até ao reinado de D. Afonso III que doou a vila de Mortágua a D. Teresa Fernandes de Seabra e anos depois à bastarda Leonor Afonso. D. Afonso IV determinou que a administração da justiça nos concelhos passasse a ser exercida por um juiz de nomeação régia, em substituição dos juízes da terra. Foi por esta altura que aconteceu um episódio caricato no concelho de Mortágua, alusivo a estes juízes de fora. Conta-se que por volta de 1330, existia um fidalgo de nome D. Gil Fernandes de Carvalho que tinha na povoação de Carvalho (Penacova), o seu solar. Em Mortágua existiam várias queixas contra um criado seu a quem não era aplicada a justiça pelos juízes do concelho. Para atender a estas queixas, foi nomeado um magistrado de Coimbra que mandou prender o criado ao pelourinho de modo a ser açoitado. Quando D. Gil tomou conhecimento do facto, esperou o juiz no seu regresso a Coimbra e cortou-lhe as orelhas e o nariz. Temendo a fúria persecutória do rei, D. Gil fugiu para Castela. Em 1340 participou ao lado dos castelhanos, na Batalha do Salado, contra os muçulmanos. Considerando a sua participação nesse evento, o rei D. Afonso IV perdoou-lhe a atitude e deixou-o regressar à pátria.

Bandeira de Mortágua

Heráldica

Brasão: em campo de prata, sete faixas ondadas de azul, distanciadas igualmente. Orla de negro carregada de oito pinhas de ouro realçadas de negro. Coroa mural de prata de quatro torres.

Bandeira: esquartelada de amarelo e de azul. Haste e lança douradas.


Cultura e Turismo

          Banhado pelas águas da Albufeira de Agueira e pelas ribeiras de Mortágua e da Fraga e enquadrado pelas serras do Buçaco e do Caramulo, o concelho de Mortágua tem a oferecer belíssimas paisagens, sendo de destacar como principais pontos de interesse a barragem da Aguieira e a Praia Fluvial do Vau. 

Praia Fluvial do Vau

Gastronomia

         Bastante rico em termos de tradições gastronómicas, dos pratos típicos do concelho de Mortágua destacam-se a famosa chanfana. Na doçaria, destacam-se o bolo doce, as filhós de abóbora menina, o bolo rei, os sonhos e a broa de milho.

Filhós de Abóbora Menina
Chanfana