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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Oliveira do Hospital

Brasão de Oliveira do Hospital

Localização :

        Encontra-se localizado no extremo Norte do distrito de Coimbra, confinando a Norte com o concelho de Seia, a Sul com o de Arganil, a Este com a Serra da Estrela e a Leste com o rio Mondego. O concelho de Oliveira do Hospital é constituído por 21 freguesias, pelas vilas de Avô, Lagares da Beira e Seixo da Beira e pela cidade de Oliveira do Hospital.



História :

     O topónimo composto "Oliveira do Hospital" terá, no seu primeiro elemento, evoluído do substantivo latino "Ulva" (alga), devido às características do terreno (alagadiço e pantanoso), nos inícios do repovoamento local; o pântano desapareceu com a abertura de uma vala longitudinal que recolheu e esgotou as águas, passando "Ulvaria" a designar-se "Ulvaira", depois "Ulveira" e finalmente, já no século XVI, "Oliveira"; o segundo elemento refere-se à "Ordem dos Hospitalários", pois por volta de 1120, a Rainha D. Teresa doou uma propriedade entre Oliveira e Bobadela à referida Ordem do Hospital de S. João de Jerusalém, ou simplesmente Ordem do Hospital. Senhora desta herdade, a Ordem logo alargou os seus domínios nesta região, por compras, doações e outras formas de aquisição de terras, casais e jurisdições, levando a que rapidamente, toda a área de "Ulveira" e o território circundante lhe ficasse a pertencer, com excepção de apenas um ou outro casal, que continuaram regalengos. Inclusivamente, o próprio padroado da Igreja Paroquial de "Sanhoane (S. João) de Ulveira", era da supracitada Ordem e o facto desta primitiva igreja ter por padroeiro S. João (patrono da Ordem de S. João de Jerusalém, ou do Hospital), faz suspeitar que a instituição da povoação em paróquia terá decorrido por esse tempo. Desde então, esta povoação de "Ulveira", para se distinguir de outras de igual denominação, foi inicialmente denominada de "Ulveira do Espital". Com o decorrer dos tempos, a importância de Oliveira do Hospital veio a desenvolver-se, mais pelo facto de ser sede de uma comenda muito valiosa e opulenta e pela abundância e fertilidade dos seus terrenos, cuidadosamente agricultados e explorados. Em 1341, D. Afonso IV reconheceu à ordem e Comenda de Oliveira toda a jurisdição civil e criminal e a 27 de Fevereiro de 1514, D. Manuel concedeu-lhe foral novo. Mais tarde, ultimada a complexa reorganização administrativa, iniciada por Mouzinho da Silveira em 1832, ficou o concelho de Oliveira do Hospital constituído por nove freguesias, incluindo a da sede; no entanto, atualmente o número de freguesias que constituem este concelho é bastante mais elevado. Já no reinado de D. Luís, por decreto de 12 de Novembro de 1875, foi criada a comarca de Oliveira do Hospital que só se efetivou em 22 de Março de 1876.



Bandeira de Oliveira do Hospital

Cultura e Turismo :

      Oliveira do Hospital está integrado na Região de Turismo da Serra da Estrela, sendo um concelho com recursos naturais bastante apelativos: na parte Sul do concelho, os vales cavados pelos rios Alva e Alvoco, contrastam com os declives do Monte do Colcurinho, numa combinação paisagística bastante apelativa; destaca-se também a estância termal Caldas de S. Paulo, localizada na freguesia de Penalva de Alva, cujas águas são utilizadas para o tratamento de afecções reumáticas. A nível cultural, são de destacar a Casa de Baixo, onde funciona o Museu Maria Emília Vasconcelos Cabral e a Casa de Cultura Dr. César Oliveira, onde se encontra instalado um auditório para cinema, uma sala de leitura, uma sala polivalente para atividades culturais e a biblioteca Calouste Gulbenkian.



Gastronomia :

        Em termos de tradições gastronómicas, o concelho está fortemente influenciado pela proximidade da Serra da Estrela, sendo os principais pratos: o cabrito assado, o borrego, as febras de porco à moda da Feira, o arroz de carqueja com entrecosto, o arroz com míscaros, a feijoada serrana, a lambicada, o bacalhau com broa e a tibornada. Na doçaria, destaca-se a tigelada de Oliveira do Hospital, as cavacas de Aldeia das Dez, o requeijão com doce de abóbora e os bolos de azeite.




Tijelada de  Oliveira do Hospital 




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Gouveia

Brasão de Gouveia

Localização : 

            Concelho do distrito da Guarda, Gouveia Abrange administrativamente 22 freguesias, uma das quais com sede em vila (Vila Nova de Tazem); sendo que as freguesias de Gouveia (S. Julião) e Gouveia (S. Pedro) constituem a sede concelhia e a cidade de Gouveia. É limitado Oeste pelo concelho de Mangualde, a Este por Fornos de Algodres, Celorico da Beira e Guarda; e a Sul por Manteigas e Seia. A zona oriental do concelho encontra-se abrangida pelo vale percorrido pelo Mondego, estando, no entanto, grande parte do concelho situado na Serra da Estrela. A área florestal concelhia é composta por carvalho, castanheiro e pinheiro.








História : 

          O território que corresponde ao atual concelho de Gouveia foi habitado desde épocas bastante remotas, persistindo alguns vestígios do seu remoto passado pré-histórico. O exemplo mais significativo é o dólmen da Pedra da Orca, na freguesia de Rio Torto e que remonta ao neolítico final. Desconhece-se a data exata da fundação da povoação, sabendo-se que será anterior à nacionalidade portuguesa, bem como anterior ao domínio romano na península. Velhas crónicas afirmam ter sido povoada pelos túrdulos, 500 anos antes da era cristã, os quais lhe teriam dado o nome de "Gouvé". Da época de dominação romana existem também alguns vestígios, o mais representativo dos quais, o troço de uma estrada militar romana. À semelhança do que aconteceu a toda a província, esteve sujeita aos invasores muçulmanos, tendo sido reconquistada em tempos de Fernando Magno. A povoação encontrava-se em ruínas quando D. Sancho I a mandou reedificar e repovoar, concedendo-lhe o seu primeiro foral em 1186 que posteriormente foi confirmado por D. Afonso II, recebendo mais tarde também, foral manuelino, em 1510. No concelho de Gouveia existiu apenas um convento de frades, mandado edificar pela Ordem dos Templários, na freguesia de Gouveia (S. Julião). Muito se tem contado acerca da origem do majestoso convento de S. Francisco, também conhecido localmente por Mosteiro do Espírito Santo; não se sabe a data da sua edificação, mas como é referido em documentos do século XVI, julga-se que a sua construção será muito anterior à época. O Mosteiro de S. Francisco foi reconstruído, segundo uma escritura datada de 4 de Janeiro de 1752, e abandonado pelos frades em 1834, depois da definitiva extinção das Ordens religiosas. Dispensado em 1839 dos serviços das ordens religiosas, o convento foi de imediato comprado por Bernardo António de Figueiredo Homem, pela quantia de dois mil réis. Atualmente  deste cenóbio resta apenas a torre e a frontaria da igreja, com o nicho e imagem de S. Francisco.

Bandeira de Gouveia

Cultura e Turismo :

       O concelho de Gouveia está inserido no parque natural da Serra da Estrela, sendo uma das "portas" para essa serra, tendo o turismo um papel bastante importante na sua economia. São vários os pontos turísticos deste concelho, com destaque para: a "cabeça do velho", um monolítico granítico localizado à entrada da serra a cerca de 1520 metros de altitude; a "pedra do equilíbrio", também apelidada de "praia serrana", conjunto natural onde se podem praticar várias modalidades; as penhas douradas, constituídas por três penhascos; e a Senhora da Sardaça. O concelho dispõe também de várias infra-estruturas desportivas e culturais, entre as quais o Clube Desportivo de Gouveia que nasceu da fusão dos três grupos desportivos até então existentes (Sporting Clube de Gouveia, Clube de Futebol os Gouveenses e Sport Gouveia e Benfica); o centro hípico de Gouveia; o núcleo Desporto e Cultura; a Sociedade Musical Gouveense, criada em 1911; e o Rancho Folclórico de Gouveia. Ao nível de unidades museológicas, destacam-se neste concelho o Museu de Arte Sacra, onde se podem apreciar painéis de azulejos setecentistas, talhas douradas e espólio do Cardeal Mendes Belo; o Museu Etnográfico de Gouveia e o Museu João Abel Manta, instalado desde 1983 no antigo solar dos Condes de Vinhó e Almedina e que alberga o acervo de pintura, desenho, escultura e gravura, doado pelo arquitecto João Abel Manta. Um destaque ainda para a Biblioteca Municipal "Virgílio Ferreira".



Gastronomia : 

           Dos pratos típicos do concelho de Gouveia destacam-se o arroz de carqueja com entrecosto, o arroz com míscaros, a lambicada, o cabrito no forno, a açorda de farinheira, os enchidos (morcelas, chouriças e farinheiras); o queijo da serra e os bolos de azeite.
                                    
Açorda de Farinheira                                                                      Bolos de Azeite                                                                                                                               





quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Manteigas

Brasão de Manteigas

Localização : 

         Manteigas é um concelho localizado no distrito Guarda, na encosta oriental da Serra da Estrela e no vale do rio Zêzere. O concelho faz fronteira a Norte com Gouveia; a Oeste com Seia; a Sul com Covilhã e a Este com o concelho da Guarda. Abrange uma área de 108.6 km2 distribuída por quatro freguesias: Manteigas (S. Pedro), Manteigas (Santa Maria), Sameiro e Vale de Amoreira. Rodeada por grandiosas paisagens, a vila de Manteigas fica em plena cadeia montanhosa da Serra da Estrela, a mais elevada em Portugal continental. Manteigas está localizada em pleno Vale Glaciário do Zêzere, que com a sua forma perfeita em 'U' é um dos melhores exemplos da modelação da paisagem pelos glaciares. A zona fica também frequentemente coberta de neve no inverno e eventualmente no início da primavera.



História :

         A povoação de Manteigas é bastante antiga, existindo já na época de domínio romano, como se tem verificado com a existência de vários vestígios arqueológicos e lápides que vieram a ser incorporadas noutras construções. Para além destes, existem também vários vestígios toponímicos que concordam com essa antiguidade, nomeadamente para a existência de fortificações castrejas. Já o seu topónimo principal aparenta ser uma alusão às atividades económicas da região, fabricante de queijos e manteigas. Em 1188, D. Sancho I deu-lhe foral e D. Manuel concedeu-lhe foral novo em Lisboa a 4 de Março de 1514. As freguesias de Manteigas (Santa Maria) e de Manteigas (S. Pedro) eram do padroado real e comendas da Ordem de Cristo. O concelho de Manteigas abrangia no século XVIII apenas as freguesias de Manteigas (Santa Maria) e Manteigas (S. Pedro), sendo que a freguesia de Sameiro pertencia então ao concelho da Covilhã. O concelho foi extinto a 26 de Junho de 1896 e anexado ao da Guarda, vindo a ser restaurado em 13 de Janeiro de 1898. Pela Lei nº 29/2001 de 12 de Julho, foi anexada ao concelho de Manteigas, a freguesia de Vale de Amoreira.

Bandeira de Manteigas


Cultura e Turismo : 

          Manteigas é um concelho bastante rico no que diz respeito a atrações turísticas, entre as quais se podem destacar: o Poço do Inferno, uma cascata natural com cerca de 30 metros de altura; a lagoa do Vale Rossim, um lago artificial em plena montanha e a paisagem sobre o vale do Zêzere, na subida das Penhas Douradas. As Penhas Douradas, a 1668 metros de altitude são constituídas por três penhascos, tendo sido chamadas Penhas Douradas por o sol as "dourar" ao entardecer; esta é uma das mais afamadas estâncias de férias, propícia à prática de ski. Ainda no concelho de Manteigas é de salientar a existência da pista de ski sintética integrada num complexo de lazer nas margens do rio Zêzere, no Parque Natural da Serra da Estrela. Ainda de destacar no concelho é o complexo termal de Manteigas, criado por alvará de 6 de Abril de 1912.



Gastronomia : 

           Entre os pratos tradicionais do concelho de Manteigas, o destaque vai para o cabrito da serra, a caldeirada de cabrito, as papas de sarrabulho e a feijoada à serrana. Na doçaria as principais iguarias são o bolo de crita, as cavacas, os esquecidos, o bolo de queijo, as queijadas da serra e o pudim de requeijão.
                                                                                                     Papas de Serrabulho
Caldeirada de cabrito      

 
Cavacas