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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho do Sabugal

Brasão de Sabugal

Localização :

            Integrado no distrito da Guarda e na província da Beira Interior, o concelho de Sabugal ocupa uma área de 826.7 km2, distribuída por 40 freguesias. O concelho abrange parte meridional do território de Riba Côa, sendo atravessado a Norte pelo rio Côa. Faz fronteira a Norte com os concelhos de Guarda e Almeida: a Oeste com Belmonte; e a Sul com Fundão e Penamacor. Sabugal está integrado Reserva Natural da Serra da Malcata. Constitui um território homogéneo, pouco acidentado e com uma altitude média de 750 m., com a máximo de 1152 m., na Serra do Homem de Pedra e 1259 m. na alto da Serra das Mesas.



História : 

         O território que corresponde ao atual concelho de Sabugal é de ocupação bastante remota, mostrando indícios de ocupação pré-história, a partir do Neolítico, sendo também abundantes os vestígios da Idade do Bronze e do Ferro. Através do concelho encontram-se várias fortificações castrejas como em Bendada; edificações do tipo dolménico e utensílios de pedra. Da época romana foram encontrados vários vestígios, como calçadas e marcos miliários, bem como uma grande quantidade de epígrafes. Embora o povoamento fosse de facto bastante remoto e a região não tivesse atingido um grau considerável de despovoamento, a verdade é que o desenvolvimento mediévico da população no território do atual concelho se deve à época medieval leonesa e portuguesa e ao sistema de repovoamento então adotado. O extenso território deste concelho corresponde mais ou menos aos cinco grandes concelhos medievais de Alfaiates, Sabugal, Sortelha, Vila do Touro e Vilar Maior, todos acastelados na Idade Média. Em 1220, a Ordem dos Templários, em território cedido pelo concelho da Guarda, cujo termo chegava até aí, e doado pela coroa, criou o município de Touro, por carta. Pela mesma altura, crê-se que o rei de Leão D. Afonso X terá fundado o de Sabugal, pois a parte do atual concelho ao Oriente do Côa pertencia àquele reino. Alfaiates, como outros municípios desta região, possuía um antigo direito próprio, com particularidades muito importantes para o estudo da sociedade da época (como o espécie de "juizos de Deus"). Enquanto a região de Touro, depois de municipalizada, era termo da Guarda, a de Sortelha, que lhe fica a Sul, era do da Covilhã; e em 1210, este município, a pedido de D. Sancho I, cedeu a Gil Sanches e a Paio Pais, para posse conjunta, um herdamento, de que resultou a fundação da vila de Sortelha, logo acastelada e municipalizada pela concessão do foral da própria Covilhã. A povoação de Sabugal ocupa um esporão natural onde talvez tenha existido um castro na Idade do Bronze, povoado esse que teria tido continuidade na época romana. O seu nome terá origem na existência de sabugos ou sabugueiros, perto do curso de água. No tempo de D. Dinis estava o território de Sabugal na posse de Leão, levando este rei a apoderar-se dela, o que depois de vários episódios foi conseguido com o tratado de Alcanizes, celebrado entre D. Dinis e D. Fernando IV em 12 de Agosto de 1297. Este tratado desmente uma versão vulgarizada por vários escritores, a de as terras de Riba Côa haverem feito parte do dote da Rainha Santa, o que nenhum historiador hoje admite. Entre as terras que voltaram ao domínio português, contavam-se as vila de Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, com os seus castelos.D. Dinis deu forais aos concelhos que tinham sede nestas vilas. O de Sabugal, onde instituiu uma feira franca de 15 dias, foi assinado em Julho. Também a este monarca é atribuída a reconstrução do castelo que se distingue pela sua torre de menagem, sendo uma das mais conservadas do país.  No século XIII a população do município do Sabugal era composta em grande parte por cavaleiros vilãos, com seus deveres militares característicos. D. Manuel I deu foral novo a Sabugal, a 1 de Junho de 1515. Do século XV para o século XVI só no termo de Vilar Maior, no de Sabugal e no de Alfaiates já existiam as seguintes paróquias: Vilar Maior (que era da apresentação do Mosteiro de S. Vicente de Fora, de Lisboa), com três freguesias ou filiais anexas (Malhada Sorda, Bismula e Nave Haver); Alfaiates (que era da apresentação do bispo de Lamego), com duas filiais (Aldeia da Ponte e Forcalhos); Nave de Sabugal (da apresentação do prelado), com duas filiais (Lajeosa e Souto); Aldeia Velha (da apresentação da Ordem do Hospital); Quadrazais (padroado do prelado lamacense) e as três da então vila de Sabugal, S. João (da apresentação e colação episcopal), Santa Maria e S. Miguel. No século XVIII, as freguesias do Sabugal (vila) eram só as de Santa Maria e de S. João. 

Bandeira de Sabugal

Cultura e Turismo : 

         Sabugal é um concelho pródigo em termos de recursos turísticos, sendo marcado quer pela sua riqueza patrimonial, quer pelas suas belezas naturais. São várias as aldeias históricas deste concelho que podem ser visitadas e que são testemunho do rico passado histórico deste concelho. Assim, destacam-se a este nível: a aldeia amuralhada de Sortelha, situada a cerca de 760 metros de altitude e que foi recentemente alvo de uma reabilitação no seu património arquitectónico, onde se destaca o castelo do século XIII, a Torre do Facho, o Pelourinho Manuelino, os antigos Paços do Concelho, as igrejas da Nossa Senhora das Neves e Santa Rita e as sepulturas escavadas na rocha; Alfaiates, antigo concelho medieval e importante fortaleza fronteiriça, localizada a cerca de 840 metros de altitude e que domina os vales da ribeira de Alfaiates, do ribeiro da Tapada e do ribeiro de Balsa; apresenta-se organizada com um traçado ortogonal das ruas e do casario, de acordo com a topografia do terreno, fechada por uma rede de muralhas e vigiada por um castelo do século XVI, guardando o extremo Sul da povoação; Vilar Maior, que possui um imponente castelo e torre de menagem no alto duma colina, sendo que ao seu património pertencem também a Igreja Românica de Nossa Senhora do Castelo, o Pelourinho medieval, os antigos Paços do Concelho, onde hoje se localiza o Museu local e a ponte medieval sobre o rio Cesarão; a aldeia de Vila do Touro, a cerca de 800 metros de altitude, entre o cabeço de S. Gens e do Alto do Castelo e onde se podem ver como elementos de interesse patrimonial: o Pelourinho medieval, a fonte gótica de Paio Gomes, o edifício dos Paços do Concelho, a Cadeia, o antigo edifício das Repartições, a Igreja Matriz (do século XVI) e a Capela-Mor da Igreja Matriz (século XVII); ainda a destacar é Sabugal Velho que fica localizado no cabeço da Senhora dos Prazeres, na freguesia de Aldeia Velha, bem como a vila de Sabugal que também conserva algum património construído digno de visita: a Igreja Manuelina da Misericórdia, a Igreja Matriz de S. João, datada do séc. XVIII, a Torre do Relógio que serve de porta de entrada à vila amuralhada e que foi prisão da fortaleza, a casa dos Britos, nome dado à casa da família dos Costa Fraião, onde se destaca a sua ampla escadaria e o Largo da Fonte, onde se encontrava a antiga fonte de mergulho de D. Dinis. O concelho está abrangido pela Serra da Malcata, englobada na área protegida da Reserva Natural da Serra da Malcata e parte integrante da Rede Natura 2000, onde se podem encontrar e apreciar a sua diversidade de fauna e flora. A Serra da Malcata constitui um dos últimos redutos do lince ibérico que divide o seu espaço com espécies como o coelho, a gineta, a raposa, o gato-bravo e o javali. Sabugal é atravessado pelo rio Côa que cria belos ambientes naturais e permite o exercício de várias atividades recreativas e desportivas das quais se destacam a pesca de trutas e as diversas praias fluviais. Também de destacar neste concelho ao nível de recursos naturais são as serranias de S. Cornélio, da Opa, da Quarta-Feira, de Penalobo, do Cabeço das Fráguas e da Bendada que constituem marcos notórios na transposição da paisagem do planalto do Sabugal para a depressão da Cova da Beira. 



Aldeia de Sortelha :

      Sortelha é uma freguesia portuguesa do concelho do Sabugal, com 25,27 km² de área. Foi vila e sede de concelho entre 1288 e 1855. Era constituída pelas freguesias de Águas Belas, Urgueira, Bendada, Casteleiro, Malcata, Moita, Pena Lobo, Santo Estêvão, Sortelha e Valverdinho. Tinha, em 1801, 4 096 habitantes em 237 km². Após as reformas administrativas do início do liberalismo foram-lhe anexadas as freguesias de Lomba e Pousafoles do Bispo. Tinha, em 1849, 6 022 habitantes em 261 km². É hoje uma das aldeias históricas de Portugal.



Gastronomia :

     O concelho de Sabugal dispõe de uma gastronomia rica e variada, destacando-se: o caldo verde, o javali, o coelho bravo-à-caçador, o cabrito assado na brasa e as trutas do Côa. Um especial realce também para os presuntos e os enchidos da região.




sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho da Guarda

Brasão de Guarda

Localização :

              O concelho da Guarda é sede do distrito homónimo, estando integrado na província da Beira Interior. O concelho é composto por 55 freguesias, uma das quais com sede em vila (Gonçalo); a cidade da Guarda que abrange as freguesias urbanas de Guarda (S. Vicente), Guarda (Sé) e S. Miguel da Guarda. O concelho é definido pelas bacias hidrográficas dos rios Mondego, Côa e Zêzere que constituem os principais cursos de água da Guarda. Está situado no último esporão Norte da Serra da Estrela, sendo a altitude máxima de 1056 metros de altitude.



História : 

         Existem vestígios bastante remotos da ocupação humana no território que corresponde ao atual concelho da Guarda e que permitem datar presença humana nesta região desde o final do Neolítico, princípios do Calcolítico. Um dos mais significativos testemunhos dessa primitiva ocupação é a anta de Pero Moço, datada do III milénio. Também da Idade do Bronze e do Ferro foram encontrados vários vestígios, como é o caso de algumas explorações mineiras. Segundo alguns autores, a região da Guarda esteve sob a dominação romana sendo que existiria um povoado de nome Lancia Opidana, e que na época dos suevos, terá adotado o nome de Warda. D. Sancho I atribuiu foral à Guarda a 27 de Novembro de 1199, tendo como principal objectivo o florescimento da cidade. Antes da atribuição deste foral, Guarda não era mais do que uma simples comunidade de pequena dimensão, guardada por uma pequena atalaia ou torre. O foral de D. Sancho I concedeu várias regalias aos que quisessem estabelecer-se no local. D. Sancho I dotou também o povoado com um castelo e muralhas que já se encontravam concluídas no reinado de D. Sancho II. Igualmente a pedido de D. Sancho I o Papa Inocêncio III elevou a Guarda às honras de cidade episcopal, sendo nomeado seu 1º Bispo D. Martinho Pais, cónego de Santa Cruz de Coimbra, em 1203. Ao conceder a D. Sancho I a transferência da Diocese de Egitânia para a Guarda, o Papa impôs a obrigatoriedade de manter sempre a designação de "egitaniense", não só à Diocese, mas a tudo o que a ela se referisse. O foral de 27 de Novembro de 1199 veio a ser confirmado em Dezembro de 1217 e em 1229. Houve outra carta de confirmação dos usos e costumes dos habitantes da Guarda dada por Afonso III em Leiria a 18 de Março de 1254. O mesmo monarca, a 25 de Março de 1255 concede-lhe carta de feira que começava oito dias antes do S. João e durava quinze dias, estando os seus mercadores protegidos, com a isenção de penhoras, durante trinta dias. D. Fernando reforça o carácter defensivo da Guarda mandando derrubar a Sé, o Convento de Santa Clara, a Igreja de Santa Marinha e outros edifícios junto à muralha. D. Afonso V manda convocar as cortes em Guarda em 1465, às quais comparece acompanhado pela sua irmã D. Joana. Em finais do século XV, com a expulsão dos judeus de Espanha, a cidade da Guarda viu aumentar consideravelmente o número dos seus habitantes e sentiu um novo impulso ao nível comercial. Conhecida pela cidade dos 5 Fs, a sua origem tem várias explicações: a explicação mais conhecida e consensual do significado dos 5Fs diz que estes significam Forte, Farta, Fria, Fiel e Formosa. A explicação destes efes tão adaptados posteriormente a outras cidades é simples: 
1- Forte: a torre do castelo, as muralhas e a posição geográfica demonstram a sua força;
2- Farta: devido à riqueza do vale do Mondego;
3- Fria: a proximidade à Serra da Estrela explica este F;
4- Fiel: porque Álvaro Gil Cabral – que foi Alcaide-Mor do Castelo da Guarda e trisavô de Pedro Álvares Cabral – recusou entregar as chaves da cidade ao Rei de Castela durante a crise de 1383-85. Teve ainda Fôlego para combater na batalha de Aljubarrota e tomar assento nas Cortes de 1385 onde elegeu o Mestre de Avis (D. João I) como Rei;
5- Formosa: pela sua natural beleza.

     Ainda relativamente ao 4º "F" da Cidade, é sintomática a gárgula voltada em direção a nascente (ao encontro de Espanha): um traseiro, em claro tom de desafio e desprezo. É comum ver turistas procurando essa Gárgula específica, recentemente apelidada de "Fiel". Outra explicação em que Júlio Ribeiro cantou a Guarda, vindo a nascer das suas quadras os 5 Fs tornados célebres: Feia, Farta, Fria, Fiadalga, Feiticeira, cinco Fs que o poeta deixou “gravadas” por baixo das armas da cidade. A estes cinco viria a acrescentar-se um outro F de falsa, atribuído ao facto de o Bispo, ao tempo das invasões de Castela (crise de 1383-85), ter facilitado a sua entrada no palácio, entregando-lhe as chaves. O ar, historicamente reconhecido pela salubridade e pureza, foi distinguido pela Federação Europeia de Bioclimatismo em 2002, que atribuiu à Guarda o título de primeira "Cidade Bioclimática Ibérica". Além de ser uma cidade histórica e a mais alta de Portugal, a Guarda foi também pioneira na rádio local, sendo mesmo a Rádio Altitude considerada a primeira rádio local de Portugal. As suas origens prendem-se com a existência de um sanatório dedicado à cura da tuberculose. Toda a região é marcada pelo granito, pelo clima contrastado de montanha e pelo seu ar puro e frio que permite a cura e manufactura de fumeiro e queijaria de altíssima qualidade. É também a partir desta região que vertem as linhas de água subsidiarias das maiores bacias hidrográficas que abastecem as três maiores cidades de Portugal: para a bacia do Tejo que abastece Lisboa, para a Bacia do Mondego que abastece Coimbra e para a bacia do Douro que abastece o Porto. Existe mesmo na localidade de Vale de Estrela (a 6 km da cidade da Guarda) um padrão que marca o ponto triplo onde as três bacias hidrográficas se encontram. É também uma zona que historicamente tem sido aproveitada para a mineração, havendo até algum folclore popular que afiança existir uma enorme jazida de urânio sob a cidade, e que os Americanos durante a Guerra Fria sabendo deste facto teriam proposto a Salazar mudar a cidade pedra por pedra para outro local. Certo é o facto de existir algum nível de radiação, especialmente em espaços fechados devido ao gás Radão.

Bandeira de Guarda

Cultura e Turismo : 

        São vários os atrativos turísticos do concelho da Guarda, quer pelos seus monumentos, destacando-se a esse nível a Sé Catedral, a capela do Mileu, as igrejas da Misericórdia e de S. Vicente, a Torre de Menagem, as casas Filipinas; as portas da cidade e o centro histórico; quer pela sua beleza paisagística proporcionada pela Serra da Estrela. Já a unidade museológica do concelho mais importante é o Museu da Guarda, instalado no edifico do antigo Seminário Episcopal. O museu integra várias coleções de arqueologia, numismática romana, escultura sacra dos séculos XIII-XVIII, pintura sacra dos séculos XVI-XVIII, armaria dos séculos XVII-XIX, cerâmica, etnografia regional, pintura e desenhos de finais do século XIX e primeira metade do século XX.



Gastronomia : 

        A gastronomia do concelho é muito diversificada, com destaque para o Caldo de Grão, o Bacalhau à Conde da Guarda,Bacalhau à Lagareiro, o Cabrito Assado, as Morcelas da Guarda e o Arroz Doce.





quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Celorico da Beira

Brasão de Celorico da Beira

Localização :

            O concelho de Celorico da Beira está integrado no distrito da Guarda, estando situado na vertente mais a Norte da Serra da Estrela; faz fronteira a Oeste com o concelho de Fornos de Algodres; a Sul com o de Gouveia; a Este com o de Guarda; e a Norte com o de Trancoso, tendo uma pequena fronteira a Noroeste com o concelho de Pinhel. Possui uma área de 249.9 km2, distribuída por 22 freguesias. Sob ponto de vista geográfico o concelho de Celorico da Beira pode ser dividido em duas zonas principais: a da Serra, parte dela integrada no Parque Natural da Serra da Estrela, de relevo orográfico acentuado e de clima agreste; e a do Vale, de terrenos férteis e clima mais ameno, que abrange uma vasta área ao longo do Rio Mondego. O concelho tem a sua altura máxima na Penha dos Prados e a mínima na confluência da ribeira de Olas com o Mondego. O Rio Mondego atravessa o concelho na direção Este-Oeste e constitui, juntamente com as ribeiras de Jejua, Linhares, Cabeça Alta, Espinheiro, Olas e Velosa, as principais linhas de água de Celorico da Beira.


História : 

           O povoamento do território que corresponde ao atual concelho de Celorico da Beira é bastante remoto, sendo que existem várias incertezas relativamente à fundação do povoado que veio a dar origem à vila sede de concelho; no entanto, parece haver o consenso de que esta terá origem num castro neolítico, posteriormente romanizado, no local onde hoje se encontra o castelo. Durante o reinado de D. Afonso Henriques, a povoação terá sido conquistada aos árabes por D. Martinho Dola, a quem o monarca concedeu o título de alcaide do castelo de Celorico da Beira. O mesmo monarca terá ordenado a execução de obras na fortaleza e concedeu foral à povoação que se desenvolveu em torno do castelo. Apesar de se desconhecer a data exata em que este foral foi atribuído, sabe-se porém que foi o primeiro da vila e que se tratava de um foral tipo salamantino. No reinado de D. Sancho I, o castelo de Celorico da Beira foi sediado por leoneses e castelhanos, sob o comando de D. Afonso IX, cerco esse que acabou por ser levantado por uma força militar vinda de Linhares e comandada pelo seu alcaide, D. Rodrigo Mendes, irmão do alcaide de Celorico, D. Gonçalo Mendes. Em 1271, D. Afonso II, confirma o foral de Celorico da Beira. O seu castelo foi novamente sitiado em 1245, desta feita por D. Afonso III. O então alcaide-mor da vila recusou-se a entregar a praça, mantendo-se fiel a D. Sancho II. Associada a este cerco está a lenda da truta e da águia, que figuram no seu brasão de armas, e que conta que apesar de se encontrarem sem mantimentos, as tropas que se encontravam na fortaleza procuravam resistir; até que uma águia rompeu os ares, segurando nas garras uma truta fresca; ao passar sobre a fortaleza a águia larga o peixe que cai dentro dos muros dos sitiados. O alcaide manda buscar um pouco de farinha e ordenou que guisassem a truta e enviou-a de presente aos inimigos, demonstrando que tinham alimento e que poderiam resistir durante mais tempo; perante esse facto, os sitiantes retiraram. Ainda durante o reinado de D. Afonso III, Celorico marcou a sua presença nas Cortes de Leiria, o que mostra que o povoamento de Celorico se encontrava consolidado com a reunião do concilium dos homens-bons do concelho. No entanto, foi como importante praça militar que Celorico da Beira se foi desenvolvendo e que em conjunto com Trancoso e Linhares, formava um poderoso triângulo defensivo da Beira. D. Dinis terá feito desta fortificação uma verdadeira praça militar, datando também desta época a edificação de uma torre de menagem; também D. Fernando terá efetuado obras na fortaleza. Por três vezes esta praça militar serviu de refém para penhor de pazes; a primeira delas foi na paz assinada a 25 de Novembro de 1325, entre D. Dinis e D. Afonso IV, seu filho; na segunda vez entre D. Afonso IV e D. Afonso XII de Castela. Por fim, em 1373, Henrique II de Castela recebeu-a como refém de D. Fernando. Na Revolução de 1383-85, o alcaide de Celorico apoiou a causa do Mestre de Avis o que acabou por envolver Celorico num novo cerco espanhol. Em 1512, D. Manuel I, outorgou foral novo à povoação e elevou-a a vila, ordenando o restauro da fortaleza. O senhorio de Celorico da Beira esteve, ao longo do tempo, na posse de várias famílias: antes do reinado de D. Fernando, esteve na posse de Martim Vasques de Sousa, passando depois para as mãos de D. Isabel, filha ilegítima de D. Fernando, por altura do seu casamento com o Conde de Gijon. No reinado de D. Manuel, o senhorio passou para o primeiro Conde de Portalegre e mais tarde, já no reinado de D. Pedro II passou para André Lopes de Lavre.

Bandeira de Celorico da Beira

Cultura e Turismo :

              O concelho de Celorico da Beira dispõe de um vasto património de grande beleza, quer ao nível paisagístico, quer monumental e artístico, sendo vários os locais de interesse a serem visitados neste concelho. Existem no concelho várias praias fluviais, entre as quais as da Mesquitela, de Vale de Azares, da Lajeosa do Mondego, a praia dos Doutores, e a de Rapa, sendo também de destacar vários pontos turísticos como a Penha dos Prados, a serra de Linhares da Beira, a Pedra sobreposta, em Rapa, a pedra cavaleira, em Lageosa do Mondego, o barroco d'el rei, a forca de Forno Telheiro; a necrópole de S. Gens, e os castelos de Linhares e de Celorico da Beira. Este último está protegido como Monumento Nacional e domina o vale do Mondego e de onde se vislumbram em dias claros, os castelos de Linhares, Guarda e Trancoso. Também protegido como Monumento Nacional é o castelo de Linhares, situado num contraforte a Noroeste da Serra da Estrela, sobranceiro à povoação de Linhares e rodeado por penedos graníticos escarpados. O Centro Cultural de Celorico da Beira é a principal infra-estrutura do concelho e dispõe de um auditório com 250 lugares, encontrando-se também neste lugar a biblioteca municipal. De destacar ainda no concelho de Celorico da Beira é o Solar do Queijo da Serra da Estrela, um espaço de lazer e cultura, onde o visitante pode tomar contacto com as iguarias gastronómicas da região, bem como visitar a sala museu, onde podem ficar a conhecer mais sobre a principal atividade deste concelho.

Lenda da Truta : 

         A história de Celorico da Beira está vincada nos diversos cercos de que foi alvo. O mais famoso dos quais ocorreu em 1245 por D. Afonso III atribuindo-se ao alcaide-mor de então, Fernão Rodrigues Pacheco, a célebre Lenda da Truta. Durante o cerco, quando tudo parecia perdido, eis que surgiu nos céus, sobre o castelo, uma águia com uma truta nas garras. A ave deixou cair o peixe dentro das muralhas facto esse aproveitado por Fernão Pacheco. Em vez da truta ter sido cozinhada e distribuída pelos habitantes cercados, este mandou confeccioná-la para ser oferecida ao Bolonhês… Com este sinal de “abundância”, Afonso III resignou ao cerco libertando Celorico… Na história mais recente, durante as Invasões Francesas, Celorico serviu de quartel-general dos aliados.



Gastronomia : 

          Da tradicional gastronomia do concelho de Celorico da Beira, destacam-se: a carne marrã, a sopa de grão, as migas de bacalhau, o borrego ou cabrito à moda da vila e os enchidos com grelos salteados. Na doçaria, o destaque vai para o arroz doce e para o requeijão.