Translate

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Vagos

Brasão de Vagos

Localização : 

           O concelho de Vagos tem onze freguesias distribuídas numa área total de 165,6 Km2, sendo a de Vagos, freguesia com sede na Vila homónima, que não é mais que a sede concelhia; está incluído no distrito de Aveiro e é limitado a Norte pelo concelho de Ílhavo, a Este pelos de Aveiro, Oliveira do Bairro e Cantanhede, a Sul pelos de Cantanhede e Mira e a Oeste pelo Oceano Atlântico. Banhado por um dos quatro braços da ria de Aveiro, que se prolonga de Ílhavo até à embocadura do rio Boco numa extensão de sete quilómetros, Vagos abrange o litoral dunar da parte Sul da ria. De acordo com estudos topográficos, terá aqui existido um golfo de pequenas dimensões, aberto ao Noroeste e bem protegido dos ventos, por onde terá passado alguma navegação marítima. Encontra-se um povoamento extremamente disperso, com inúmeras pequenas aldeias de baixa densidade habitacional, apenas tendo Vagos, Gafanha da Boa Hora e Sosa uma densidade populacional superior a 10 Hab./Ha. Pode considerar-se este povoamento como típico da região gandaresa, com uma dispersão ordenada ao longo dos caminhos, formando maiores aglomerados nas zonas de cruzamentos, com maior índice de concentração. O território concelhio é muito plano, com raríssimos declives superiores a 16%, estando a maior parte abaixo dos 40 metros de altitude. O solo é composto, sobretudo por areias e argilas e possui uma vasta área integrada na Reserva Agrícola Nacional, na Reserva Ecológica e uma área submetida ao Regime Florestal. Sendo uma região privilegiada pela sua beleza natural onde se conjugam harmoniosamente o mar e a ria, o turismo poderá constituir uma enorme fonte de receita no futuro. O concelho de Vagos possui um clima temperado mediterrânico de feição marítima, tendo temperaturas médias anuais que rondam os 14ºC, fracas amplitudes térmicas anuais e precipitações rondando os 1000mm, com máximos de chuva no Outono e Inverno e Verões de escassa precipitação.



História :

          O povoamento do território que corresponde hoje ao concelho de Vagos é de origem antiquissíma não havendo memória da primeira fundação desta terra. Segundo alguns escritores, estes povos são descendentes dos fenícios, que depois de expulsos do Egipto, e saídos de Menfis, dirigiram-se para Norte entrando no rio Nilo, e mareando em direção ao Norte, chegaram ao Monte Atlas, onde embarcaram em canoas e navegaram pelo Atlântico seguindo a costa da Península Ibérica para Norte, até que chegaram à barra da antiga Mira, que hoje fica na grande lagoa próxima de "S. Tomé Velho". Depois de terem entrado pela terra adentro, caminharam até onde hoje fica Nossa Senhora da Conceição de Vagos, pelo lado Nascente do "forte" de que ainda hoje há alguns vestígios, e sendo estas terras uma ilha vaga, acharam um promontório onde poderiam viver em segurança, e assim povoaram e habitaram as terras de Vagos. Mesmo a designação, "Vagos" deve repousar no facto do território se encontrar despovoado, o que levou os primeiros povoadores a designa-lo de "Vacuus", significando etimologicamente "despejado". Segundo António Gomes da Rocha Madail, era costume os descendentes dos antigos fenícios terem sempre nas suas casas um recipiente com uma certa quantidade de água, uma fouce "forneira", e uma "pica". Eram sempre muito fiéis aos seus familiares e conterrâneos, mas eram desconfiados e pouco fiéis em relação aos de fora, pois os vaguenses como tinham andado homiziados e expatriados, tinham sempre medo de serem pilhados, e por tais razões, colocavam várias sentinelas e vigias para guardarem as suas terras e haveres, daí o nome do lugar que hoje se chama Vigia. Dedicaram-se à vida de pescadores, dado terem a Ria pelo Nascente, e outro braço pelo Norte e Poente, e mais tarde, dedicaram-se à pastorícia de gados, pois tinha sido esta a sua antiga ocupação, e daí os seus descendentes se transformarem em lavradores. Vagos era uma terra um pouco estéril, e apenas produzia em tempos remotos, tremoços bravos e figos dados por algumas figueiras aí existentes. O primeiro repovoamento talvez deva atribuir-se ao presbítero Rodrigo, a quem o Conde Sisnando doou, com o respectivo e vasto território despovoado e selvático, em 1088, a ermida de S. Cristóvão nele existente, para o repovoar, vivendo nela. Que a doação sisnandina abrangera Vagos, ou melhor, o lugar da atual vila, que beneficiaria de tal obra de povoação, mostram-no os limites do território doado ao presbítero Rodrigo, desde a nascente até ao litoral do Oceano, ou seja, abrangia quase a totalidade do actual concelho de Vagos, estando incluída Sosa ou toda a sua parte Nordeste, a oriente do rio de Vagos. A velha ermida, cuja doação ao presbítero Rodrigo foi feita em fins de Janeiro de 1088 "cum sua mata", deve ter possuído uma primeira fundação imemorial e o seu culto deve ter talvez substituído um outro, hispano-romano pagão. Pode dizer-se que Vagos entra na história verdadeiramente com os inícios do chamado santuário de Nossa Senhora de Vagos, cujos princípios remontam pelo menos aos começos da Nacionalidade. À sua volta surgiram lendas, interessantes mas nem sempre concordantes entre si e sem grande rigor cronológico. Diz a tradição, que no reinado D. Sancho I, mas em ano que se ignora, um navio francês naufragou próximo ao sítio da Vagueira, e o capitão apenas pôde salvar uma imagem da Santíssima Virgem, que trazia a bordo. O autor Pinho Leal, citando o que está escrito no tomo 4º, pág. 682, do Santuário Mariano, diz que o tal capitão, "escondeu-a em uma mata, chamada Soalhal, a uns 4 ou 5 quilómetros do mar, e logo com alguns companheiros partiu para a vila de Esgueira, (...), a dar parte ao pároco dela, para que, com a devoção que se devia à Senhora, tratasse de a ir buscar para a sua igreja". E assim, "o pároco da Esgueira acompanhado de muito povo, foi com muitos dos seus paroquianos, e com o tal capitão, à mata onde se havia escondido a dita imagem, mas não lhes foi possível encontrá-la". Entretanto, soube isto D. Sancho I, que estava então em Viseu, e logo marchou para Vagos, ordenando uma busca mais rigorosa, dando logo com a imagem. Sem hesitações, o rei "mandou imediatamente construir uma formosa ermida no sítio onde achara a Senhora, e perto dela, uma alterosa torre, para defender o santuário e os romeiros, das surpresas dos piratas berberescos, que com frequência invadiam as nossas costas, saqueando as povoações e levando cativos os seus habitantes". Mais tarde, um rico fidalgo das proximidades da Serra da Estrela de nome Estevão Coelho, estando atacado de lepra, ali se dirigiu para venerar a Santa. Tendo o devoto Estevão Coelho feito a oração a Nossa Senhora de Vagos, logo se achou totalmente curado e, vendo-se assim livre de tão feia e terrível enfermidade, fez voto à Santa imagem de viver e morrer na sua ermida onde de facto foi sepultado, deixando à Senhora muitas rendas que possuía no lugar de Sandomil, e que comprara no termo da vila de Vagos. Em l202, D. Fernando João doou àquela igreja as terras do couto de S. Romão. Por doação de D. Sancho I, o santuário e todas as suas rendas passaram a estar sob administração dos frades crúzios do Mosteiro de Grijó, e o prior do mosteiro encarregava um frade e um beneficiado, para o exercício do culto à Virgem. Posteriormente, os reis D. Afonso II, D. Sancho II, e D. Manuel I completaram um vasto conjunto de doações para a continuidade do culto à Virgem. Durante cerca de 400 anos, a ermida do santuário ficou no local primitivo e ao fim deste tempo foi necessário mudá-la para o local onde hoje se encontra, por causa da invasão das areias, sendo que, da antiga ermida, não resta vestígio algum. Foi D. Fernando quem fez a primeira doação da vila de Vagos, e recebeu-a Alice Gregório, tendo logo passado esta doação para senhorio dos Silvas, descendentes do rico homem Gonçalo Gomes da Silva, 1º Senhor de Vagos, alcaide-mor de Montemor-o-Velho. Dele e sua mulher, D. Leonor Coutinho, descenderam todos os senhores de Vagos, assim como João Gomes da Silva que recebeu doação da vila de Vagos por parte do Mestre de Aviz quando este era ainda defensor do reino, em reconhecimento dos serviços por ele prestados, convertendo aquela doação de temporária em perpétua, depois de nomeado rei. A importância de Vagos vem já desde a Idade Média, dado o facto de denominar-se Vagos "a porta das muralhas de Aveiro", e de mais tarde, ter recebido Foral Novo de D. Manuel I, passado em Lisboa, a 12 de Agosto de 1514.


Cultura e Turismo : 

             Vagos possui um imponente Pavilhão de Desportos, ranchos musicais, Orfeão, grupos de teatro amador, associações desportivas e culturais, e outras instituições congeneres  Destaca-se a Filarmónica Vaguense, fundada em 1860 e que integra a Banda Vaguense, a Orquestra Ligeira de Vagos, um grupo de saxofones, uma banda juvenil e a escola de música. A ampla zona florestal convida a agradáveis piqueniques e passeios num salutar contacto com a Natureza. Mas o principal atrativo turístico desta zona, continua a ser a praia, com extensos areais. Um dos pontos mais apreciados é sem dúvida a praia da Vagueira, dotada de um parque de campismo e de ótimas condições para se passar um bom e repousado período de férias. Situada na Gafanha da Boa Hora, a cerca de 7 Km da Vila de Vagos, esta praia proporciona aos veraneantes, em simultâneo, o mar e a ria. Além disso, é ampla e tranquila, favorecida por um clima moderado de águas límpidas e convidativas. Além deste, Vagos tem outros locais, entre os quais merecem destaque especial as Pontes da Água Fria e da Fareja; as bonitas margens do rio Boco, as azenhas e os moinhos triangulares de madeira.



Gastronomia :

          No plano gastronómico, as especialidades deste concelho são as enguias de escabeche, a caldeirada de enguias, a caldeirada mista, o peixe grelhado, o coelho com molho de leitão, o leitão assado, a chanfana e o carneiro.



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Ílhavo

Brasão de Ílhavo

Localização :

            Delimitado pelo Oceano Atlântico, na sua vertente Oeste, o concelho de Ílhavo, integrado no distrito de Aveiro, de cuja sede dista aproximadamente 3 quilómetros, ocupa uma área geográfica de cerca de 75 Km2,  dividido por quatro freguesias. O concelho localiza-se nas terras baixas banhadas pelos braços da ria de Aveiro que o rio Vouga desenha quando chega ao mar. Esta geografia peculiar condicionou, desde tempos recuados, a atividade dos seus habitantes, atraindo-os para as fainas da pesca e à longínqua Terra Nova (Ilha do Canadá que foi descoberta, no século XV, pelos navegadores portugueses Gaspar e Miguel Corte) em busca do bacalhau, nos lugres bacalhoeiros, representantes do peso da coragem que os pescadores ilhavenses deixaram da Terra Nova à Gronelândia. Também saídas das margens da Ria, a arte e a perícia dos ilhavenses espalham pelo mundo as mais belas cerâmicas de Portugal - a porcelana da Vista Alegre. Assim, Ílhavo é terra de artistas e marinheiros, que trazem a ascendência das bandas do Adriático, e tem como parte que lhe está indelevelmente associada, o barco Moliceiro. O barco, é elemento característico, não só do concelho de Ílhavo, mas de todo o distrito de Aveiro, sendo um deles, o barco do mar, ainda usado em alguns concelhos, com quatro faixas pintadas, cruzes e imagens na proa e o respectivo nome; outros barcos característicos desta região, são o mercantel, as bateiras murtoseiras e as bateiras erveiras.





História : 

              "Ílhavo" é um topónimo incomum, que ainda hoje dá lugar a discórdias quanto ao seu real significado, embora os etnólogos pareçam estar de acordo pelo menos num ponto: a palavra é de origem latina. "Illiabum", forma como se grafava este topónimo na época medieval, segundo o etnólogo Albert Dauzat, traduz-se, pelo prefixo "illi" em "vila", que junto a outro vocábulo como ria, "avia", daria por anexação "illiavia", que posteriormente evoluiu para "illiabum", "illiavo" e "iliavo". Resultando por fim, no topónimo, Ílhavo, ou "Vila da Ria". Assim, é tradição lendária que Ílhavo é a antiga "Illabum" que porventura terá sido fundada pelos Gregos. Por outro lado, certos vestígios arqueológicos tornam plausível a hipótese de ter existido, num dos extremos da povoação, um povoado romanizado. Apesar da incerteza que paira relativamente à sua origem, é sem dúvida uma povoação antiquissíma que teve certamente a pesca como a causa primordial da fixação humana no seu território, e que desde remotos tempos tem dado um grande contingente de pescadores da costa e do alto, que por vezes se fixaram noutros pontos do litoral, como sucedeu na Nazaré, que nasceu de uma colónia de ilhavenses, além de S. Pedro da Afurada, Matosinhos, Quiaios, Buarcos e Sesimbra. À antiga povoação ilhavense já se referem documentos anteriores à fundação da monarquia do tempo de D. Sesnando e de Fernando Magno, remontando a mais antiga aos anos decorridos entre 1037 e 1065. Este documento encontra-se atualmente no cartulário do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, designado por Livro Preto da Sé de Coimbra, vindo mencionada a doação feita pelo presbítero Recemondo ao Mosteiro da Vacariça, em meados do século XI, um ano depois da tomada definitiva de Coimbra, parecendo conclusivo que tanto os direitos como a terra remontam à primeira Reconquista Cristã, sendo já na época referida como Vila, "(...)in villa iliano", notando que o termo "villa" não tinha naquela época o significado que hoje lhe atribuímos, mas sim o de propriedade rústica e seus anexos, habitada por servos, constituindo uma unidade rural. Ílhavo foi elevada a vila e sede de concelho por D. Dinis, que apesar de ser terra já bem povoada, lhe atribuiu carta de foral em 3 de Outubro de 1326 de modo a incentivar a fixação de ainda mais gente no seu território; aliás, sabe-se que desde cedo a Coroa e as ordens militares e religiosas aqui fixaram casais. Em 1354, D. Afonso IV doou os casais que a Coroa possuía no concelho, passando a jurisdição da terra para vários donatários. Mais tarde, a 8 de Março de 1514, D. Manuel I concedeu a Ílhavo novo foral, cujas dimensões e conteúdo já não eram como no tempo de D. Dinis, quando os mesmo eram variáveis; por eles se estabeleciam as liberdades e garantias das pessoas e bens dos povoadores, impunham-se impostos e tributos, definiam-se as multas devidas pelos delitos e contravenções, estipulava-se o serviço militar e os encargos e privilégios dos cavaleiros-vilãos, determinava-se o aproveitamento de terrenos comuns, etc. Com D. Manuel I, as cartas de foral deixavam então de ser normas de direito público onde os concessionários do foral recebiam a terra a título definitivo e hereditário, podendo aliená-la após algum tempo de residência obrigatória, para passarem a ser meros registos de isenções e encargos locais. Foi durante o reinado deste monarca que a jurisdição da terra de Ílhavo passou para a família Borges Miranda, mantendo-se na posse dos seus descendentes até 1854, ano em que faleceu o último donatário, o Conde de Carvalhais. A 17 de Março de 1812, José Ferreira Pinto Basto compra em hasta pública a Quinta do Paço da Ermida e três anos mais tarde, compra a Quinta e Capela da Vista Alegre, com todos os seus direitos. A proximidade de um canal navegável com ligação da Ria e do Mar, à então Vila de Ílhavo, e ainda o facto de estar próxima das então julgadas matérias primas, tornaram não só possível, como também viável, o empreendimento da Vista Alegre, iniciando-se a obras em 1824. Junto com a Fábrica assiste-se à construção de uma das mais interessantes Aldeias Operárias do século XIX em Portugal, onde se misturam quase trezentos anos de história, num complexo de construções que ainda hoje funcionam e cumprem o seu papel produtivo e logístico. Em época de prosperidade, o concelho de Ílhavo foi criado pelos decretos de 09 de Novembro e 31 de Dezembro de 1836, para vir a ser suprimido em 21 de Novembro de 1895; porém, alcançaria a restauração a 13 de Janeiro de 1898. Passado quase um século da restauração do seu poder concelhio, Ílhavo vê-se elevada a cidade, a 13 de Julho de 1990, fruto do seu desenvolvimento socio-económico e do crescimento urbano. Este concelho foi por excelência ao longo dos séculos, berço de marinheiros dedicados tanto à navegação mercantil, como à pesca, que se constituiu como a atividade mais característica do concelho. Durante centenas de anos, daqui partiam inúmeras embarcações para a Terra Nova e para a costa africana, fazendo da Gafanha da Nazaré um grande centro piscatório. A pesca do bacalhau, que foi atividade florescente, encontra-se hoje em significativa recessão, quer pelos crescentes impedimentos que os governos estrangeiros vêm colocando à pesca nas suas águas territoriais, quer pelas características obsoletas da frota nacional. Permanecerá contudo na memória colectiva não só das gentes de Ílhavo mas de todo o país, a pesca do bacalhau e toda a sua epopeia vivida nos mares frios da Gronelândia e da Terra Nova, sendo um património dos portugueses, onde os pescadores e capitães desta terra foram baluartes. A primeira representação da Terra Nova surge num monumento cartográfico, datado seguramente de 1502; tratando-se do planisfério português anónimo conhecido pela designação de "Cantino", por ter sido negociado em Lisboa por um embaixador do Duque de Ferrara, com aquele nome. Surge como "Terra del rey de Portuguall", porém deslocada para ocidente de forma a ficar a leste do meridiano de separação acordado no Tratado de Tordesilhas, pressupondo-se assim, uma intenção política por parte do reino português de a colocar em espaço sob sua influência. Para além disso, nota-se um outro facto, talvez mais importante, um listel onde está escrito o seguinte: "Esta terra he descober per mandado do muy alto exçelentissimo príncipe Rey don manuell Rey de portuguall a qual descobrio Gaspar corte Real cavalleiro da casa do dito rey, o quall quãdo descobrio mandou hu naujo com çertos omes e molheres que achou na dita terra e elle ficou com outro naujo e nunca mais veo e crese que he perdido e aqui ha muitos mastos".

Bandeira de Ílhavo

Cultura e Turismo : 

            O concelho de Ílhavo, além de beneficiar de uma excelente oferta natural para o desenvolvimento turístico, dispõe de inúmeras possibilidades de preenchimento dos tempos de lazer, muitas delas contando com a iniciativa das várias colectividades existentes no concelho, e dos vários representantes do folclore local. Das várias atividades  são mais comuns no concelho: a caça, a pesca, os desportos náuticos e múltiplos eventos culturais. O concelho usufrui também de uma extensa Zona Verde que o atravessa, classificada como Mata Nacional, e das praias da Barra, da Costa Nova e o Canal de Mira, que constituem o principal produto turístico do concelho. Todos estes factores levam a que o turismo ganhe cada vez maior projeção em Ílhavo, assistindo-se a um avolumar crescente da entrada de forasteiros, nacionais e estrangeiros, que para aqui se deslocam em busca das praias, da gastronomia, dos monumentos, das gentes e dos costumes tão característicos.



Gastronomia : 

        Em termos de gastronomia, os amantes da boa cozinha não terão razões de queixa deste concelho, que tem para oferecer a caldeirada de enguias, o peixe fresco grelhado, o bacalhau de todas as maneiras, o variado marisco, a famosa fritada de peixe, o pão de Vale de Ílhavo, mais conhecido por padas e o doce folar de Vale de Ílhavo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Aveiro

Brasão de Aveiro

Localização : 

    Concelho do distrito homónimo, Aveiro tem uma área de cerca de 208 Km2, que se divide por catorze freguesias, três das quais com sede nas Vilas suas homónimas, a saber: Cacia, Eixo e Oliveirinha. O concelho é banhado pelo Rio Vouga e pelo Oceano Atlântico. Capital de uma região marcada por um relevo montanhoso, sulcado de profundos vales e pela planura fertilizada pela famosa Ria que lhe deu o nome: "Aveiro". A Ria, verdadeiro "ex-libris" concelhio, está intrinsecamente ligada ao mar, dada a sua proximidade geográfica e influência directa que se faz sentir pela entrada de águas marinhas através da barra. É o resultado do recuo do mar, com a formação de cordões litorais que, a partir do século XVI formaram uma laguna que constitui um dos mais importantes e belos acidentes hidrográficos da costa portuguesa. A ria comunica com a cidade por três canais: o das Pirâmides, o de S. Roque e o dos Santos Mártires ou do Matadouro. A Ria de Aveiro estende-se num comprimento de 45 km (N-S), desde Ovar a Mira, e a sua largura máxima é de 11 km. São quatro os seus principais braços: ao Norte, o braço Torreira (Ovar), que é de todos, talvez o mais importante e profundo, com 25 km de comprimento; todo este braço corre paralelamente à costa e tem como largura máxima cerca de 2 Km, frente à Torreira inclinando-se para Ovar (daí a sua designação braço da Torreira). Ao centro, a ria da Murtosa que em frente do Bico do Muranzel se ramifica, servindo com os seus numerosos esteiros (braços estreitos) as terras populosas de Murtosa, Veiros, Salreu, Canelas e Fermelã. Entre os esteiros de Salreu e Estarreja desagua o rio Antuã e próximo deste, o rio Velho, um dos braços do rio Vouga. Ao Sul, o canal ou ria de Ílhavo, de cerca de 7 km de comprimento por 200 m de largura máxima, que partindo do SO do concelho de Aveiro, banha os campos de Ílhavo, fertilizando os terrenos do lugar da Vista Alegre, na freguesia de Ílhavo (S. Salvador), as cercanias de Vagos, e vai até à embocadura do Bôco. Finalmente, ao Sudoeste, o canal ou ria de Mira, que se prolonga desde as alturas da Barra ao Poço da Cruz, numa extensão de cerca de 14 km e de largura máxima de cerca de 300 m. As areias litorais e aluviões, onde estão instalados os pinhais litorais e a laguna de Aveiro, dão lugar a um meio eminentemente florestal, de relevo mais acentuado, em formações xistosas e graníticas. Este meio florestal, onde atualmente domina o pinheiro-bravo e em alguns casos o eucalipto, apresenta manchas residuais de carvalho-roble, que outrora cobria toda esta região. As dunas, as matas litorais de resinosas, os bancos entre as marés, as salinas, os sapais, os caniçais, as águas livres, o leito dos canais, os arrozais, as matas ribeirinhas e o bocage, constituem os principais habitantes da região lagunar, que criam uma grande diversidade de oportunidades, que se traduzem por uma elevada riqueza florestal e animal.



História :

          Alavario é das designações mais antigas que se conhece do topónimo Aveiro, que tem a sua origem no latino "Averius", vindo do étimo céltico "aber", que significa "embocadura de rio". A forma "Alavarius", parece ter sido criada na Idade Média. Entender a origem do povoamento inicial deste território, requer que se retroceda ao processo da formação da ria. O recuo do mar e a consequente formação de extensos cordões de areia provocaram uma espécie de dique impedindo a saída das águas do Vouga. Deste modo, a foz deste rio viu-se obrigada a espalhar-se pelas terras mais baixas, dando origem à laguna. Assim, a situação geográfica da região terá estado na origem da fixação de uma colónia de pescadores, tal como em diversos outros locais ao longo da costa. Um desses núcleos terá estado na origem da povoação de Aveiro. Protagonista (também) da História de Aveiro, o sal fez desenvolver a região, já antes da época romana. A mais antiga referência às salinas aparece no ano de 959, no testamento da Condessa Mumadona Dias, em que esta legava ao Convento de Guimarães "terras in Alavario et salinas". Entretanto a povoação aí fixada foi desenvolvendo atividades próprias: a lavoura, a pesca, a extração do sal e o comércio marítimo. Em 1117, D. Sancho I fez doação de Aveiro a sua irmã D. Urraca Afonso. Esta deixou-a às suas filhas, D. Aldara e D. Abril, do qual dois terços foi atribuído ao Mosteiro de S. João de Tarouca; o restante terço, deixado a D. Sancha, a terceira filha de D. Urraca, foi vendido à Infanta D. Sancha, filha de D. Sancho I, e depois doado por esta ao Mosteiro de Celas, em Coimbra. No século XIII, provavelmente durante o reinado de D. Afonso III, deu-se a sua elevação de Aveiro a Vila, cujo núcleo principal era a Igreja Matriz, dedicada a S. Miguel. Esta igreja, demolida em 1835, estava onde é hoje a Praça da República. Beneficiados por extensas matas, não tardaram a aparecer nas margens da ria os construtores de barcos. A par disto intensificava-se a exportação do sal, sobretudo para os países nórdicos. Estas terras foram de novo incluídas na pertença da coroa por D. Dinis, que ordenou que fosse feito o recenseamento de todas as igrejas de Portugal e do respectivo valor. A igreja de S. Miguel, matriz de Aveiro, foi dotada em 660 libras. Este valor era muito alto para a época, o que demonstra a importância de Aveiro. Ainda a provar a importância que a vila portuária foi assumindo, estão os privilégios concedido aos seus mareantes, no ano de 1330, pelo rei D. Afonso IV. Aveiro estava já representada nas cortes reunidas por D. Pedro I em Elvas, em 1361.  D. Fernando fez doação da vila a D. Leonor Teles, pela mesma carta em que este publica o seu casamento com D. Leonor, em 5 de Janeiro de 1372. A 13 de Abril de 1384, há novamente uma doação de Aveiro, desta vez por D. João I (ainda como regente), a João Rodrigues Pereira, que o tinha auxiliado no cerco de Chaves. Apesar desta doação, o mesmo rei atribui a seu filho D. Pedro o título de Senhor de Aveiro. Esta doação é confirmada por D. Duarte e depois por D. Afonso V em 12 de Julho de 1448. Foi ainda o rei D. João I que para proteger a vila da pirataria marítima (para a qual a riqueza da vila já constituía motivo de cobiça), mandou erguer a toda a volta, seguras muralhas, em 1418, a conselho de seu filho D. Pedro, quando já era donatário de Aveiro. Estas muralhas, restauradas por D. Manuel I e por D. João V, foram demolidas em Abril de 1802, sendo as pedras da muralha empregadas na construção da barra do porto. Em 1434, D. Duarte concedeu o privilégio de realizar uma feira franca anual; esta feira ainda se realiza atualmente, sendo conhecida por Feira de Março. Com a morte do Infante D. Pedro na Batalha de Alfarrobeira, em 1449, Aveiro passou para as mãos dos Condes de Odemira que pouco depois a viram ser retirada pelo rei D. João II, contra o qual eram acusados de conspirar. De novo na posse da coroa, o monarca viria a doá-la à irmã primogénita, que vivia no Convento de Jesus, e viria a ficar conhecida por Santa Joana Princesa. A terra de Aveiro passou, em 24 de Setembro de 1495, após a morte de D. Joana (12 de Maio de 1490), para a posse de D. Jorge, filho bastardo de D. João II, e dos seus descendentes, dando origem à Casa de Aveiro. Alguns anos mais tarde, em 1515, D. Manuel I atribuiu foral a Aveiro, a 4 de Agosto. Ao contrário de outros ducados importantes, o de Aveiro foi marcado pela ausência e atribulações dos seus senhores. Com uma existência de quase dois séculos, entre meados do século XVI e do século XVIII, a Casa Ducal acabou por extinguir-se ingloriamente, com a execução do oitavo e do último Duque de Aveiro, por ordem do rei D. José e do seu Ministro Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal).Nos meados do século XVI, as marinas de Aveiro davam por ano 16.000 moios de sal, que era exportado para muitos destinos da Europa e no Brasil. Mas a extração de sal teve um outro e ainda mais importante efeito: estimulou a captura à distância do peixe para salgar. Os aveirenses, habituados às pescarias abundantes, foram capazes de construir barcos para navegar no Atlântico e chegar à Terra Nova, para onde se dirigiam, em cada ano, 60 navios. O bacalhau entrou nos hábitos alimentares dos portugueses apesar de não se criar nos nossos mares. Paradoxalmente, desenvolvia-se a atividade dos estaleiros, onde se construía a frota bacalhoeira, que ainda hoje se faz recordar com as relíquias ancoradas em Aveiro, algumas delas já recuperadas. No final do século XVI, o canal que separa a ria do mar foi fechado pela força das marés e dos ventos, o que impediu a utilização do porto, além de provocar a estagnação da água na ria, transformando-a em pântano. Sem possibilidade de navegação, a construção de barcos e a pesca acabam por definhar, cessando o comércio marítimo. Sem atividades propulsoras, o porto de Aveiro viu assinada a sua sentença de morte, estendida à população que as febres e pestes provocadas pelas águas sem movimento reduziram, drasticamente, no século XVII. Uma das soluções encontradas pelas gentes de Aveiro foi voltarem-se para a terra, a que o moliço emprestava fertilidade admirável, sem o risco de se esgotar. Para outros, a solução foi partir à procura de melhor sorte. Apesar da agudeza desses factores de crise, é durante as centúrias de seiscentos e setecentos que são construídos os grandes edifícios religiosos - igrejas e mosteiros - que hoje fazem parte do valioso património histórico-cultural do concelho. Entretanto, sucediam-se as tentativas para disciplinar a ria, definir os canais e procurar uma barra nova. Só em 1758 foram nomeados engenheiros para executarem as obras necessárias para corrigir a situação em Aveiro. Por diversas dificuldades observadas, só no início do século seguinte começaram as obras, orientadas pelo engenheiro francês Reinaldo Oudinot e pelo engenheiro português Luís Gomes de Carvalho. Em 1808 abriu finalmente a nova barra, fixada por fortes muralhas de pedra, voltando as águas a escoar-se para o mar. Em 1838, o próprio mar rompeu a duna e veio criar uma barra nova, alguns quilómetros para Sul.  A construção do caminho de ferro foi mais um fator de progresso no concelho. Ao longo do século XIX e princípios do século XX, o concelho de Aveiro foi-se afirmando como um dos mais influentes no país. As indústrias ganharam um ritmo muito mais ativo e toda a região se tornou numa fecunda área industrial. No mar, a burguesia marítima e comercial estendeu a sua influência, com o alargamento da frota pesqueira. A diocese seria restaurada em 1938 e a Universidade instituída em 1973. Subdividido em três áreas bem diferentes mas interligadas - da beira-mar, do campo e da urbe -, o concelho de Aveiro, de maneira geral, encontra-se voltado para o futuro. 

Bandeira de Aveiro

Cultura e Turismo : 

            Fenómeno relativamente recente na história de Aveiro, o turismo é dos principais focos de desenvolvimento da região, nele residindo parcela importante do seu progresso económico. Primeiro, são os atributos naturais, que colocam a região entre as mais belas e aprazíveis de Portugal; clima ameno e suave, vastas áreas florestais a dois passos do rio Vouga, a ria e a sua laguna, e o Atlântico. A situação geográfica e a facilidade de acessos são outros factores que contribuem para o florescimento do turismo no concelho. Como locais de interesse turístico merecem especial destaque a já referida Ria de Aveiro, a Praia de S. Jacinto e a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto. Há ainda a possibilidade da descoberta de um passado histórico e artístico, patenteado em monumentos da cidade e nos museus como o Museu de Aveiro, fundado em 1458, que se situa no antigo Mosteiro de Jesus, sendo considerado um dos mais importantes museus de Arte Sacra; ainda o Museu de Caça e Pesca, situado no Parque do Infante D. Pedro e que encerra uma interessante e variada coleção de mamíferos, aves e peixes da região de Aveiro. A Universidade, quando edificada, ofereceu à cidade um novo dinamismo e trouxe consigo o desenvolvimento urbanístico, mas também uma nova vida cultural.



Gastronomia : 

             A região de Aveiro para além de apresentar uma variedade gastronómica de saborosos pratos tradicionais, de peixe e carne, é conhecida pela diversidade e riqueza da sua doçaria na qual se destacam os ovos moles, doce muito conhecido e bastante apreciado, tanto no país, como no estrangeiro. A proximidade do mar teve um papel determinante na gastronomia do concelho de Aveiro, pelo que os apreciadores de escabeche e caldeiradas podem deliciar-se aqui com estes pratos à base de peixes da ria e do mar. Por isso o peixe é característico da região, sendo bastante apreciados os seguintes pratos: enguias de caldeirada, fritadas de peixes da ria, mexilhões em espetadas e os inúmeros pratos de bacalhau.