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domingo, 6 de janeiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Pinhel

Brasão de Pinhel

Localização :

           Pinhel é um concelho do distrito da Guarda, localizado na região centro de Portugal. Ocupa uma área de 486.2 km2, distribuída por 27 freguesias, uma das quais constitui a cidade e sede de concelho (Pinhel). Faz fronteira a Norte com Vila Nova de Foz Côa e Meda; a Este com Figueira de Castelo Rodrigo e a Este com Almeida; a Sul, com Guarda; e a Oeste com Celorico da Beira e Trancoso. O concelho é banhado pelos rios Côa e Massueime e pelas ribeiras das Cabras e de Pega. 



História :

    O território que corresponde ao atual concelho de Pinhel foi povoado desde épocas bastante remotas, sendo que alguns autores apontam a origem da povoação aos Vetões ou Túrdulos. Terá sido também ocupada pelos mouros, tendo sido reconquistada por D. Afonso Henriques em 1179 que lhe deu carta de povoamento. No entanto, é de crer que no século XII a região se encontrava despovoada. Tal situação era bastante perigosa para a segurança de Portugal, visto tratar-se de uma região fronteiriça, de fácil entrada, que mais fácil se tornava com o abandono e o despovoamento, propícios a ataques inimigos no território nacional. Durante o reinado de D. Sancho I e numa conjuntura de incremento da vida municipal, Pinhel recebe o seu primeiro foral, atribuído em 1191 pelo prior e irmãos da Ermida de Santa Maria de Riba Paiva. Não sendo um foral real, o próprio D. Sancho I o confirma em 1209. A ação de D. Sancho I foi confirmativa da do seu pai, continuando os moradores do grande concelho a serem dispensados de servir em muros e castelos da colheita real e da portagem em todo o país e autorizados a pastar livremente os seus gados fora dos muros do castelo. Para tornar a população mais homogénea, os dois monarcas determinaram que todos os vizinhos de Pinhel tivessem o mesmo foro. A vocação frumentária da região levou à criação de fangas (mercados de cereais na vila) e pela tributação à base de ochavas. As cartas de povoação dos dois soberanos estabeleceram aqui um dos dois grandes municípios típicos das zonas fronteiriças com alcaide e alcaides do concelho, juiz, vigário e andadores. Enquanto na vila se fazia o povoamento pelas cartas de foral, boa parte do termo estava em posse de fidalgos e mosteiros. Dada a sua localização, a vila foi desde cedo alvo de vários ataques vindos de Leste; o primeiro terá ocorrido ainda no reinado de D. Sancho I, pois mal foram terminados os muros em Pinhel, foi declarada guerra entre Leão e Portugal. Em finais do século XII travou-se no termo de Pinhel o combate que ficou conhecido como "lide das Ervas Tenras" onde pereceram alguns dos maiores fidalgos portugueses; esta lide deve ter sido um episódio da acção guerreira fronteiriça a que por todo o século XII chamaram "de Pinhel" travada contra aqueles inimigos por uma força de portugueses, por isso denominada "hoste de Pinhel". Apesar das cartas de foral a Pinhel terem disposto a unidade do foro para todos os vizinhos da vila, parece bem certo que no século XIII havia, herdada na própria vila, gente de qualidade nobre. Só se pode compreender esse facto supondo que esses nobres, possuindo fora da vila e seu termo os seus solares, se sujeitavam a descer de qualidade nas suas relações com o grande grémio democrático, sendo portanto aí considerados e tratados como membros do povo. Um dos nobres com bens na vila de Pinhel foi, no século XIII, Martim Afonso "de Amaral". Durante a primeira dinastia, Pinhel, recebe ainda, os forais de D. Afonso II (1217) e de D. Dinis (1282); este monarca ampliou e reforçou os muros do seu castelo. Os monarcas da primeira dinastia protegeram especialmente esta vila, dada a sua situação fronteiriça. D. Fernando, decerto porque o concelho se queixava de que os antigos privilégios de Pinhel não estavam a ser respeitados pela nobreza, reafirmou parte do foral do século XII que isentava o concelho do perigo de nele existirem herdamentos e possessões de nobres; e o mesmo determinou D. João I a 6 de Junho de 1386 quando em plena guerra com Castela preparava a resistência desta zona fronteiriça. Pinhel seguira a causa do mestre de Avis enquanto que a vizinha Figueira de Castelo Rodrigo abraçara a causa estrangeira; e como aquela sofresse bastante em virtude da Guerra da Independência, D. João I premiou Pinhel com uma feira franca durante um mês que meava em S. Miguel de Maio, com todos os privilégios e franquias da importantíssima feira franca de Trancoso e poucos anos depois isenta a nobre vila das contribuições acordadas nas cortes. Por esta altura ocorreu um facto que ilustra como uma vila nas boas graças dos soberanos, enfrentava com vantagem a nobreza que atentasse contra os seus privilégios antigos e nunca desmerecidos. O célebre Gonçalo Vasques Coutinho, figura ilustre de guerreiro, mas conhecido pela sua prepotência, achando vantajoso possuir morada e herdades em Pinhel (ao que não estava autorizado pelos foros da vila) comprou aí certos bem, incluíndo casas de morada. Sabido isto pelo concelho, este aproveitou uma passagem de D. João I pela vizinha Trancoso e mostrou-lhe as cartas de D. Afonso III, D. Dinis e D. Afonso IV em que se continha que nenhum cavaleiro ou fidalgo, dona ou rico-homem ou outra pessoa poderosa e privilegiada era autorizada a adquirir e possuir aí tais bens e ao mesmo tempo fez ver ao rei que estas disposições sempre haviam sido cumpridas, visto que jamais pessoas das referidas qualidades tivera possessões em Pinhel. D. João I atendeu o concelho e proibiu a morada e propriedade de Gonçalo Vasques Coutinho em Pinhel. Em 1430, o concelho defendeu também eficazmente os seus pastos contra o concelho de Castelo Rodrigo, provando que os primeiros reis logo por povoação haviam dado aos moradores de Pinhel o direito de usar as pastagens dos outros concelhos sem que a estes fosse permitido usar os de Pinhel. Por carta de D. João II de 13 de Outubro de 1475 o concelho obteve deste rei o direito de distribuir os terrenos incultos cerca da vila e no termo, onde antigamente houvera cultivo e moradas mas agora estavam reduzidos a matagais onde se acoutavam porcos, veados e ursos, com graves perigos dos moradores. D. Manuel I confirmou os privilégios em 1 de Junho de 1510. Um ponto notável sob o ponto de vista eclesiástico é a remota e longa existência de seis paróquias ou freguesias: a de Santa Maria do Castelo (única intra-muros) , a de S. Salvador (priorado da apresentação real), a de S. Martinho (reitoria do ordinário de Viseu); a de S. Pedro (reitoria da mitra visiense); a de Trindade (curato da ordem de Malta), a de Santo André (reitoria da Mitra). Alegando a excessiva extensão dos bispados de Viseu e Lamego que compreendiam a maior parte da Beira-Alta pediu o rei D. José I ao pontíficie a criação de uma nova diocese, com a sede na vila de Pinhel que para o efeito foi elevada à categoria de cidade por alvará de 25 de Agosto de 1770. A nova diocese teria por território os arciprestados de Pinhel, Trancoso e Castelo Mendo, separados do Viseu; e as duas visitas de Entre-Côa e de Riba-Côa, separadas do bispado de Lamego. O arciprestado de Pinhel compreendia 30 freguesias; o de Trancoso 44 e o de Castelo Mendo 18; as visitas de Riba-Côa e Entre Côa e Távora abrangiam 133 paróquias. Ficava portanto o novo bispado de Pinhel com 225 paróquias. Clemente XIV deferiu por letras apostólicas que não se conhecem mas que se supõem serem datadas de 10 de Julho de 1770. A diocese regia-se pelas constituições do bispado de Lamego. Pio IV impôs ao bispado de Pinhel a pensão anual de quatro mil cruzados para o Santo Ofício de Lisboa. Esta diocese foi extinta e incorporada na da Guarda em 1882. Durante a terceira invasão francesa, a cidade foi ocupada pelos soldados de Loison em 25 de Julho de 1810. Também Massena a ocupou depois da queda de Almeida. Em 26 de Julho de 1907 o Batalhão de Caçadores 10 aqui aquartelado sublevou-se, sendo que desde essa data a cidade deixou de ser sede de uma unidade militar.

Bandeira de Pinhel


Cultura e Turismo : 

      O concelho de Pinhel apresenta várias potencialidades turísticas, distribuídas pelas suas freguesias, quer derivadas do seu património, quer pela sua beleza paisagística e recursos naturais. O património cultural e edificado de Azevo compõe-se pela Igreja Matriz, a capela de Santo Antão e o cemitério medieval. A estes locais, juntam-se outros de interesse turístico, tais como as minas de volfrâmio, a casa do Capitão-mor, a casa brasonada com capela e o Miradouro, no lugar do alto da aldeia. Já em Ervedosa ressaltam a Igreja Matriz, o chafariz público, a capela de S. Vicente e a Capela de S. Sebastião. Existem outros locais de interesse turístico merecedores de referência: os moinhos de água, a margem do rio Massueime e o Lugar da Capela. Em Freixedas sobressaem-se a Igreja Matriz e as capelas de Santo Antão, de Santa Eufémia e da Senhora da Esperada. A freguesia proporciona ainda a quem nela reside e a visita, outros locais de interesse como: o Lugar do Miradouro na Capela de Bonfim e o Largo do Rossio. O património cultural e edificado de Manigoto compõe-se pela Igreja Matriz, algumas casas senhoriais, casas rústicas, o monumento à Senhora da Conceição e o espaço museológico. No século XVIII foram enviadas de Roma ao bispo de Coimbra, D. Miguel da Anunciação, entre outras, uma relíquia de S. Clemente, que se constituía de ossadas de um braço, destinada ao seminário. Hoje, encontra-se essa relíquia em poder da freguesia, constituindo um dos seus maiores bens patrimoniais. Além destes, existem na freguesia outros locais de interesse turístico: a gruta do bispo (gravura rupestre), os lagares dos moiros, algumas necrópoles e sepulturas escavadas na rocha e o castro de Galafura. Na freguesia de Pínzio, o património cultural e edificado compõe-se pela Igreja Matriz e por algumas capelas disseminadas pelos cinco lugares da freguesia: a de Santo André, em Pínzio; em Miragaia, a de S. Dâmaso, de invocação muito rara em Portugal; a de Santa Bárbara, no lugar de Cheiras, a de Nossa Senhora de Fátima, no lugar de Abadia e a igreja dos Trocheiros, no lugar homónimo. Em Valbom destacam-se no património cultural e edificado: a Igreja Matriz, a capela de Santa Cruz, a ponte romana de um só vão e que une as duas margens da ribeira de Pega, a fonte de mergulho e algumas sepulturas romanas. Ainda de destacar no concelho de Pinhel é sem dúvida o seu castelo, bem como as suas duas torres, numa das quais se pode admirar uma janela manuelina; integrando também a porta de Santiago e a Judiaria e as muralhas. Destacam-se ainda na cidade de Pinhel o antigo paço episcopal, o pelourinho, as igrejas de S. Luís, da Misericórdia, dos frades da Trindade e a de Santa Maria do Castelo. 



Gastronomia :

        Entre os pratos tradicionais do concelho de Pinhel, são destacar o cabrito assado e os pratos de caça. Na doçaria merecem uma especial ressalva as orelhas-de-dom-abade.



     


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Sernancelhe

Brasão de Sernancelhe

Localização :

           O concelho de Sernancelhe encontra-se situado na zona Interior Norte de Portugal, no distrito de Viseu, abrangendo uma área de 231.4 Km2 , distribuída por dezassete freguesias. O concelho tem por limites a Norte os concelhos de Tabuaço e S. João da Pesqueira, confronta com Penedono e Trancoso a Nascente, com Moimenta da Beira a Poente e com Vila Nova de Paiva e Aguiar da Beira respectivamente a Sudoeste e a Sul. O rio Távora constitui o principal elemento hidrográfico do concelho de Sernancelhe; este rio acompanha o limite do concelho a Sul, afastando-se depois para o interior do município, e entra na barragem do Vilar junto da Vila da Ponte. Na margem ocidental do rio Távora desaguam várias ribeiras, entre as quais são de destacar a ribeira de Ferreirim e a ribeira de Medreiro. O curso de água mais importante que nasce no concelho é o rio Vouga, cuja nascente é nas vertentes da Serra da Lapa, a uma altitude de 950 metros. Relativamente à topografia do concelho, é de apontar a presença de duas serras: a serra da Lapa a Sudoeste e a Serra do Pereiro a Sudeste. A Serra da Lapa abrange as freguesias de Quintela e Granjal, tendo uma altura máxima de 960 metros; já a Serra do Pereiro abarca as freguesias de Cunha, Arnas e Sernancelhe (parcialmente). A área abrangida pelo concelho assenta na área de jurisdição da Delegação Florestal de Trás-os-Montes e está integrada na Zona Florestal Beira Douro e Távora.




História :

         A origem do topónimo principal do concelho não está ainda totalmente definida, existindo várias opiniões relativamente ao seu sentido; assim, segundo alguns autores, o topónimo parece ser de origem antroponímica, tendo em conta a sua forma antiga, "Sentorzelli", tratando-se do genitivo do nome pessoal "Seniorcellus" que deve ser um derivado do latim "Senior", com sufixo "-cellus", apesar deste ser mais vulgarmente aplicado a nomes comuns e não a nomes próprios. Uma das referências escritas mais antigas relativa a Sernancelhe data de 960, tratando-se do testamento da Condessa D. Flâmula que manda vender mais de dez castelos seus da Estremadura, entre os quais o de Sernancelhe, em benefício do Mosteiro de Guimarães. Segundo consta, os senhores do Castelo de Sernancelhe teriam sido D. Rodrigo e Dona Leodegúndia Dias que deixaram as suas possessões a sua filha Flâmula Rodrigues. Esta doou-as para venda a favor dos cativos, peregrinos e mosteiros e o cenóbio vimaranense acabou por lograr tudo, vindo a transferi-lo à Sé bracarense, talvez em tempo de João Peculiar ou de Paio Mendes "da Maia". Em finais do século X, o castelo de Sernancelhe foi tomado pelos mouros, para de novo voltar ao poder dos cristãos com a entrada de Fernando "O Magno", por volta de 1057. A 26 de Outubro de 1124, Sernancelhe beneficia de foral, concedido pelo notável rico-homem D. Egas Gosendes de Ribadouro, senhor da vila e do seu termo. O povoamento de Sernancelhe foi operado a foro de jugaria e de cavalaria, pois permitia a elevação de peões a cavaleiros desde que eles pudessem obter e sustentar o cavalo, ou égua e ter armas. O cargo de rico-homem de Sernancelhe que passara de Egas Gosendes a Egas Moniz e deste a seu filho Soeiro Viegas, ficou deste a seu filho, D. Lourenço Soares. Quando se fez a concórdia entre D. Afonso II e as suas irmãs promovida pelos juizes pontífices e os abades de Espina e Urseira, foram reclamados nas respectivas actas, por parte do rei, para segurança dos castelo em litígio, os castelos de Sernancelhe e outros vizinhos. Em 1295, D. Dinis concedeu por carta ao concelho de Sernancelhe uma feira mensal, na vila, que tem continuidade na que se realiza de quinze em quinze dias, às Quintas-feiras, e que é das mais animadas da região da Beira Litoral. Em meados do século XII, foi feito um contrato que estipulava que a vila nunca seria doada a nenhum rico-homem; no entanto, no século XV, essa disposição não era já cumprida, uma vez que era donatária de Sernancelhe a Condessa D. Guiomar de Castro. No tempo desta senhora, a vila estava muito despovoada, devido às sujeições senhoriais, à subtracção de avultadas parcelas do termo da vila e por fim, à permanência de certas obrigações alti-medievas, como a dos besteiros. O facto chegou a interessar Guiomar de Castro que apelou a D. Afonso V, mostrando que Sernancelhe estava muito despovoada e pedindo que o rei concedesse que todos os habitantes e todos os que fossem para aí habitar ficassem escusados de ser postos por besteiros do couto, como até então sucedia. Tal obrigação já constava no foral de 1124 que equiparava os besteiros a cavaleiros vilãos, com todas as isenções tributárias destes. O Rei D. Afonso V, por carta de 30 de Agosto de 1462, correspondendo ao pedido de D. Guiomar, isenta os habitantes de Sernancelhe do dito encargo, mas apenas enquanto D. Guiomar estivesse viva. D. Manuel I, em 10 de Fevereiro de 1514 deu foral novo ao concelho. O município medieval de Sernancelhe era muito mais extenso do que o actual, coexistindo com o concelho de Sernancelhe mais dois concelhos e três vilas: Caria e Fonte Arcada e Guilheiro, Vila da Ponte e Lapa, respectivamente. O concelho de Caria foi extinto em 1855 e dele passaram para o de Sernancelhe as freguesias de Caria, Rua, Quintela, Segões, Carregal, Penso e Faia. Do concelho de Fonte Arcada, também extinto pela divisão administrativa de 24 de Outubro do mesmo ano, as freguesias de Fonte Arcada (sede), Freixinho, Ferreirim, Maciera, Escurquela e Chosendo. Ainda pela reforma de 1855, passaram a pertencer a Sernancelhe, Vila da Ponte e Vila da Lapa. Por sua vez, a vila de Guilheiro passou a pertencer desde 1855 a Trancoso. Em 1896, Caria e Rua passaram para o concelho de Moimenta da Beira.

Bandeira de Sernancelhe

Cultura e Turismo :

          O concelho de Sernancelhe encontra-se inserido numa região de grande beleza natural e riqueza patrimonial, características bastante apelativas para o visitante, existindo vários locais onde se pode apreciar os seus atrativos. No concernente a miradouros, são de destacar: o Miradouro da Senhora da Saúde, de onde se pode ver o rio Távora e a barragem de Vilar, o Miradouro da Senhora das Necessidades, com vista sobre a bacia do rio Távora, o Miradouro de Nossa Senhora ao Pé da Cruz, situada na Serra do Pereiro, de onde se pode admirar uma bela vista sobre a vila e montanhas envolventes, o Miradouro de Santo Estevão, o Miradouro do Castelo e o Miradouro Oeste. O rio Távora que atravessa o concelho de Sernancelhe, define em grande parte a sua paisagem e proporciona a prática de pesca e desportos náuticos. A nível de equipamentos culturais, merece especial destaque a sala de leitura, em funcionamento na Sala Joaquim Moreira Lopes, nos Paços do Concelho; este espaço desempenha um papel bastante importante, no âmbito da dinamização cultural e na divulgação literária e artística de todo o concelho.



Gastronomia : 

         Dos pratos tradicionais do concelho de Sernancelhe, destacam-se: os enchidos (o salpicão e a chouriça), o presunto, a bola de carne, a fêvera tenra assada na brasa, batatas a murro assadas em forno de lenha e pão de centeio, para além da típica sopa de castanhas. A sopa doce, as filhós, as rabanadas, arroz doce, o leite creme e as cavacas fazem parte da doçaria regional.



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Castro Daire

Brasão de Castro Daire

Localização : 

           O concelho de Castro Daire está inserido no distrito de Viseu e tem uma área de 376.2 Km2 , distribuída por vinte e duas freguesias. A geografia do concelho caracteriza-se pelos seus contrastes de relevo, estando inserido numa zona montanhosa, enquadrado pelas serras interiores de Montemuro, Gralheira e Caramulo e extensos vales, sendo limitado a Sul pelo rio Paiva. O rio Paiva nasce na serra de Leomil e desagua no rio Douro, constituindo o principal elemento hidrográfico do concelho de Castro Daire.







História :

         O topónimo principal do concelho é composto por dois elementos, sendo o primeiro elemento, "Castro" uma clara alusão a um povoado fortificado que supostamente aí teria existido. Já o segundo elemento, "Daire", é também uma referência aos tempos castrejos, ou pelo menos pré-romanos. Nas Inquirições de 1258, a vila aparece com a designação de "Castro de Ario" e só do século XVI aparece a designação "Castro Daire". O aparecimento da forma atual do topónimo não é conhecida, contudo a mudança deve-se certamente à perda de sentido que a palavra tinha inicialmente. A forma mais antiga e que aparece nas Inquirições é a que mais se aproxima do original, pois os romanos quando aqui chegaram encontraram um povo lusitano que adorava um deus indígena a que davam o nome de "Arus" que em genitivo é "Ari" e em dativo é "Aro". Seria deste nome dativo que teria derivado a designação da povoação, após alguns fenómenos linguísticos, resultando o nome atual "Castro Daire". Podemos então dizer que o nome da vila recorda o culto ali celebrado a um deus do paganismo e não os bons ares da serra ou o nome do seu fundador como defendem alguns autores. Uma outra explicação para o segundo elemento do topónimo é que este seria um derivado do latim "agrum" que significa "campo". Tanto quanto se sabe, a ocupação humana no território que abrange o atual concelho é bastante remota e pode ser comprovada, por exemplo, pelos vestígios toponímicos relacionados com a presença de mouros, dois deles na designação de freguesias, outros que se podem relacionar com povoações pré-históricas fortificadas. A própria vila guardou no nome a lembrança de uma castro. Outros vestígios que atestam a antiguidade do povoamento prendem-se com os vários achados arqueológicos encontrados na área concelhia. Do período do Megalitismo, apesar de se conservarem topónimos como Arcas, Senhora das Antas ou Chã das Antas, referências a monumentos megalíticos, em nenhum dos casos se conserva qualquer vestígio dos antigos monumentos funerários que certamente terão existido, mas que acabaram por desaparecer. Ainda existentes são as mamoas de Santa Ouvida, na freguesia de Monteiras e de Pedra d'Arca, na freguesia de Almofala. A Época do Bronze que se inicia pelo primeiro milénio, está presente no concelho de Castro Daire, datando dessa época um molde de bronze de machado de duplo anel. Na Idade dos Metais, o concelho de Castro Daire, com muitos outeiros e montanhas, também foi habitado por povos castrejos; contudo, essa memória só perdura através da toponímia, em nomes como Castro da Maga, na freguesia de Moledo, Crasto, na freguesia de Cabril e no topónimo principal, Castro Daire. No entanto, não existe na vila qualquer indício do primitivo castro. A sua existência está baseada na topografia da vila e na sua situação geográfica. Dos vestígios conhecidos do concelho, o que porventura se refere com mais frequência é o de Muro que deu nome à serra, possível fortificação muito antiga e já arruinada em finais do século XI, segundo testemunhos documentais. O concelho de Castro Daire remonta aos tempos medievais e manteve desde essa época dimensões bastante reduzidas até ser alargado, na sequência da reforma administrativa de 1835-36. Para melhor compreender sua criação enquanto unidade administrativa, é necessário em primeiro lugar, ter em consideração a evolução e história dos concelhos que primeiramente estavam instituídos neste território. Assim, no início da nacionalidade, o território do atual concelho de Castro Daire era dominado pelo extenso Julgado e terra de Moção. A parte ocidental desse julgado abrangia a freguesia de Pinheiro e os lugares de Fundo de Vila, Vila Seca, Outeiro, Ribas, Desfeita e Várzea Longa; na parte oriental estavam incluídas Cujó, S. Joaninho, Mões e Moledo e na parte central, a freguesia de Ribolhos. A parte ocidental era terra reguenga, pagando-se eirádega, jugada e outros impostos em géneros. Para além da própria cabeça do concelho e julgado de Moção, esta área abrangia, como já foi referido, a freguesia de Pinheiro que no século XII englobava as atuais freguesias de Ermida, Moura Morta, Picão e Pinheiro, sendo, portanto, a paróquia mais extensa do julgado. Neste mesmo século, foi fundado o mosteiro da Ermida, que imediatamente é coutado e passa a constituir a única zona não reguenga em toda esta metade ocidental do concelho de Moção. A fundação desse convento deverá integrar-se num objectivo mais vasto que é a tentativa de povoamento sistemático dessa região, devastada pelas lutas e despovoada pelas condições climáticas, pouco propícias à agricultura destas encostas montemuranas. A metade oriental era honrada e pertenceu a Egas Moniz, o amo de Afonso Henriques, nosso primeiro rei. A Egas Moniz pertenceu, aliás, grande parte do atual concelho de Castro Daire, pois ele teve na sua posse as honras de Mezio e Vale do Conde, Mões, Moledo e Gosende. Para além da terra de Moção, outras duas terras surgem ligadas à formação do concelho de Castro Daire, como é o caso da terra de Parada e de Lafões que abrangiam na sua área alguns concelhos que quando extintos vieram a integrar o atual concelho de Castro Daire. Para além destas três terras, o concelho foi ainda buscar ao julgado de Tarouca a zona nordeste, onde hoje se situa Almofala e que sempre pertenceu ao concelho de Mondim da Beira. Em 1842, com a extinção sucessiva de vários concelhos vizinhos, o concelho de Castro Daire era já composto por 12 freguesias: Castro Daire, Monteiras, Cabril, Ermida, Ester, S. Joaninho, Gosende, Mezio, Moura Morta, Picão, Pinheiro e Parada de Ester. Com a reforma dos concelhos - o de Mondim da Beira é extinto a 26 de Junho de 1896 - Almofala integra-se no concelho de Armamar donde transitou para o de Castro Daire a 13 de Janeiro de 1898. Entre o período de 1895 e 1898, com a extinção do concelho de Fráguas, Castro Daire passou também a abranger as freguesias de Touro, Vila Cova e Pendilhe que foram posteriormente transferidas para o concelho de Vila Nova de Paiva. Mamouros e Pepim pertenciam ao antigo concelho de Alva; Gafanhão era também concelho, assim como Reriz. Com a extinção destes concelhos, as suas freguesias passaram também a integrar o concelho de Castro Daire. Atualmente o concelho é composto por 22 freguesias, a mais recente das quais, Cujó, desanexada de S. Joaninho.

Bandeira de Castro Daire

Cultura e Turismo : 

    Castro Daire é um concelho com grandes potencialidades turísticas, dada a sua beleza e riqueza histórica e patrimonial. Dispondo de vários locais onde se pode apreciar uma vista fabulosa, são de destacar o miradouro do Calvário, com vista panorâmica do concelho de Castro Daire e o miradouro da vila, onde se pode ver o rio Paiva e o vale que o envolve. Um recurso turístico bastante importante de Castro Daire são as Termas do Carvalhal, situadas entre as bacias hidrográficas do Vouga e do Paiva. A nível de recursos culturais, são de destacar o Museu Municipal, onde se encontra um valioso espólio arqueológico e etnográfico, e a Biblioteca Municipal, espaço integrado na Rede Nacional de Leitura Pública, inaugurado em Setembro de 2001.



Gastronomia : 

         A gastronomia de Castro Daire é bastante variada e de longa tradição, nela se destacando os seguintes pratos: trutas de escabeche, torresmada à montemuro, cabrito no forno, orelheira com arroz de feijão, presunto fumado, pão de milho caseiro e bolo podre.