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domingo, 22 de setembro de 2013

Viagem e visita ao Parque natural da Ria Formosa




Localização : 

         A Ria Formosa é um sapal situado na província do Algarve em Portugal, que se estende pelos concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António, abrangendo uma área de cerca de 18.400 hectares ao longo de 60 quilómetros desde o rio Ancão até à praia da Manta Rota. E foi considerado um dos mais belos parques do algarve , tendo uma grande função e um belo habitat.


História : 

             Trata-se de uma área protegida pelo estatuto de Parque Natural, atribuído pelo Decreto-lei 373/87 de 9 de Dezembro de 1987. Anteriormente, a Ria Formosa tinha estatuto de Reserva Natural, instituído em 1978. A sul é protegida do Oceano Atlântico por um cordão dunar quase paralelo à orla continental, formado por duas penínsulas (a Península do Ancão, que engloba a praia do Ancão e a praia de Faro; e a Península de Cacela, que engloba a Praia de Cacela Velha e a Praia da Fábrica) e cinco ilhas barreira arenosas (Ilha da Barreta, Ilha da Culatra, Ilha da Armona, Ilha de Tavira e Ilha de Cabanas), que servem de protecção a uma vasta área de sapal, canais e ilhotes.
A norte, em toda a extensão, o fim da laguna não tem uma delimitação precisa, uma vez que é recortada por salinas, pequenas praias arenosas, por terra firme, agricultável e por linhas de água doce que nela desaguam (ribeira de São Lourenço, rio Seco, ribeira de Marim, ribeira de Mosqueiros , rio Gilão, ribeira do Almargem e ribeira de Cacela), tem a sua largura máxima junto à cidade de Faro (cerca de 6 Km) e variações que nos seus extremos, a Oeste e a Este, atingem algumas centenas de metros. Este sistema lagunar tem uma forma triângular e apesar de ser reconhecido como ria, na realidade não o é, uma vez que uma ria é um vale fluvial inundado pelo mar o que não é o caso, uma vez que a laguna não é nenhum vale fluvial e é formada por ilhas barreira. O seu fundo é constituido essencialmente por sedimentos lagunares (matéria orgânica, vasa salgada), sedimentos Continentais (oriundos do transporte pelas ribeiras e escorrência das águas das chuvas) e sedimentos arenosos ( provenientes das correntes de maré, sobretudo nas barras, galgamentos e ventos) que se têm vindo a consolidar com a ajuda da "morraça" que é um tipo de vegetação predominante e caracteristico desta região. A sua fisionomia é bastante diversificada devido aos canais formados sob a influência das correntes de maré, formando assim, uma rede hidrográfica densa.
É uma zona húmida de importância internacional como habitat de aves aquáticas. Está, por este motivo, inscrita na Convenção de Ramsar, pelo que o Governo Português assumiu o compromisso de manter as características ecológicas da zona e de promover o seu uso racional, esta área protegida está também classificada como zona de protecção especial no âmbito da Directiva 79/409/UE.
O parque natural está geminado com Domaine de Certes - Le Teich, França, ao abrigo do Programa de Germinação de Áreas Protegidas Costeiras da Europa, tem sido ameaçado pelo excesso de população que vive na região, principalmente devido ao turismo.












Constituição : 

            No Parque Natural da Ria Formosa distinguem-se três zonas: a zona marítima (mar), a zona do cordão dunar e a zona de sapal (rio).
No que diz respeito à flora, são dois os principais interesses do Parque Natural: por um lado, os sapais - áreas submersas pela maré alta e a descoberto na maré baixa - com a sua vegetação halófita (vegetação que tolera elevados teores salinos, escassez de oxigénio dos solos e longos períodos de emersão). Por outro lado, a flora dunar - espécies adaptadas aos ventos fortes, salinidade excessiva e grande permeabilidade dos solos - que apresenta como espécies o estorno, a arméria, o malmequer-das-praias, o narciso-das-areias e os cordeirinhos-da-praia.
Quanto à fauna do parque, a aparente pobreza da vegetação contrasta com a riqueza de que se reveste a sua vida animal. A composição e abundância do zooplâncton - conjunto de organismos animais que vivem de forma mais ou menos passiva por não possuírem capacidade de deslocação - é de importância fundamental, sobretudo na cadeia alimentar dos peixes que aí habitam. A ria Formosa torna-se assim, para além de local de abrigo, zona privilegiada para a alimentação, reprodução e permanência de numerosas espécies animais, desde os peixes aos invertebrados, incluindo moluscos e crustáceos, servindo simultaneamente de suporte a uma avifauna diversificada. A importante variedade de habitats existentes alberga mais de 50 espécies de peixes, desde os sedentários aos de origem marinha, parte deles migradores, e de que se podem citar a dourada, o robalo, o sargo, a tainha, a enguia, entre outros. Para além dos peixes, devem referir-se os crustáceos - o camarão-de-monte-gordo e o camarão-da-ria, o caranguejo-morraceiro e a boca - e cefalópodes, como o polvo, o choco e o búzio. Fundos baixos, temperaturas adequadas, uma salinidade elevada, águas renovadas e um substrato de fundos arenosos e argilosos são outros tantos fatores propícios à fixação e desenvolvimento das mais variadas espécies marinhas, sobretudo daquelas que necessitam de águas protegidas para efetuarem o seu ciclo normal de vida. Devido ao facto de possuir todas estas condições a ria tornou-se local de criação no respeitante aos moluscos bivalves. Os anfíbios, grandes consumidores de insetos e, salvo raras exceções, quase sempre associados a massas de água doce, estão bem representados na planície costeira que bordeja a ria - rã-comum, rela e sapo -, enquanto o cágado-vulgar e o cágado-de carapaça-estriada estão presentes na Quinta do Ludo.  A ria é uma importante zona de invernada de aves aquáticas e limícolas oriundas do Centro e Norte da Europa, dando guarida a efetivos importantes de borrelho-grande-de-coleira, tarambola-cinzenta, maçarico-de-bico-direito, pilrito e alfaiate. A zona de água doce, por sua vez, é local de nidificação para a galinha-sultana, cada vez mais rara, galinha-de-água, galeirão-comum, mergulhão-pequeno, garça-pequena e pato-real, enquanto o caniçal constitui refúgio para uma importante população de garça-boieira. Finalmente as salinas, sobretudo o salgado da Terra Estreita, próximo de Tavira, são locais onde se podem encontrar grandes concentrações de gaivinas e de limícolas e um dos raros locais onde se pode observar o flamingo.
Diretamente dependente da ria está a extração de inertes, sobretudo areias que, se por um lado é resultante das drenagens necessárias à manutenção das barras e canais, por outro é uma exigência motivada pelo enorme surto de construção civil existente em toda a área.






Pontos de Interesse : 

               Toda a área do Parque é de grande interesse natural, cultural e paisagístico. Apresentam-se seguidamente os principais pontos de interesse na área do PNRF, de Vila Real de Santo António a Loulé.
Núcleo histórico de Cacela Velha - concelho de Vila Real de Santo António, freguesia - Vila Nova de Cacela. Classificação Imóvel de Interesse Público - Decreto-Lei n.º 2/96, 2 março e Zona Especial de Proteção – Despacho de janeiro de 1987 (DGMEN). Núcleo urbano histórico de origem medieval. 
Época construção- diversas (século XVIII, XVI) Utilização inicial - núcleo urbano de reduzida dimensão - residencial, cultural, agrícola, administrativo e turístico. Utilização atual - núcleo urbano. Propriedade pública: estatal e municipal; privada: igreja católica, misericórdia e habitações. Inclui fortaleza (arquitetura militar); igreja matriz, com portal renascentista; casa da Misericórdia (séc. XIII); Casa da Câmara, séc. XVI edifício da cadeia; cisterna medieval; e cemitério antigo.
Torre d'Ares ou Aires - concelho de Tavira, freguesia da Luz. Utilização inicial - Atalaia – defesa. Propriedade municipal. Foi recuperada pelo PNRF em 1989.
Forte do Rato - concelho de Tavira, freguesia de Santa Maria. Localização - 2 km a SE de Tavira, junto à foz do rio Gilão. Classificação Imóvel de Interesse Público – Decreto-Lei n.º 8/83, 24 janeiro (DGMEN). Época de construção - séc. XVI , reinado de D. Sebastião. Utilização inicial - militar, defesa do porto de Tavira.
Forte de São João da Barra ou da Conceição - concelho Tavira, freguesia Cabanas. Localização - faixa terrestre adjacente à laguna, numa pequena elevação, a NE de Cabanas. Acesso pela EN 125 até ao acesso a Cabanas e depois pela EM 1238, contornar o núcleo urbano pelo limite sul e depois acesso por caminho vicinal. Classificação - Imóvel de Interesse Público, Dec. 43073, 14 julho, 1960 (IPPAR). Época construção -  séc. XVII - reinado de D. João. Utilização inicial - militar, de defesa. Utilização atual - habitação, propriedade privada. Observações: em 1670 foi submetido a remodelação e ampliação. Em 1783, estando muito arruinado, foi de novo reedificado.
Chalet João Lúcio - concelho de Olhão, freguesia de Quelfes. Acesso pela EN 125, a cerca de 1 km a este de Olhão, junto ao Parque de Campismo de Olhão e à sede do PNRF. Casa senhorial do início do séc. XX (1916). Trata-se de um edifício com três pisos, quadrangular, sem frente nem traseiras. O Chalé possui quatro entradas cada uma com o seu significado e distribuídas pelos pontos cardeais: a escadaria a norte tem a forma de peixe; a sul de guitarra; a nascente de violino; e a poente de serpente. Assim, o peixe representa a água, a guitarra o fogo, o violino o ar e a serpente a terra. A casa, outrora pertença do Dr. João Lúcio (advogado e poeta), figura mistíca e carismática de Olhão, nunca foi por ele habitada pois, em 1918, morre vítima de pneumonia. Utilização inicial - moradia. Utilização atual - Ecoteca. Propriedade: ICNF/PNRF.
Quinta do Ludo - concelhos de Faro e Loulé. O Ludo é um santuário da natureza. O diversificado ecossistema que o caracteriza é, actualmente, um caso já raro no Algarve, visto que ainda reúne espaços florestais, agrícolas, ribeirinhos e marinhos numa estreita relação harmoniosa, enriquecida por uma importante ocorrência de fauna e flora silvestres.

PNRF - centro de Cacela
Cacela 
PNRF - Torre dAires
                                                                                 Torre d'Ares 

Lazer e Passeios : 

Trilho da ilha da Barreta 

Acesso: de barco, a partir de Faro.
Ponto de partida e de chegada: pontão da ilha Deserta junto ao molhe da barra nova de Faro. 
Extensão: 3,2 km. 
Duração: 2 h.
Dificuldade: fácil. 
Apoios: percurso sinalizado; restauração na ilha (abertura ocasional e periódica). 
Breve descrição : 
Caminhando pela praia pode-se observar inúmeras conchas e búzios, testemunho da vida existente na faixa litoral. A zona dunar apresenta uma vegetação diversa bem adaptada às condições ali existentes. O sapal enche-se de atividade na baixa-mar, traduzida na presença de mariscadores e de inúmeras aves que aí se alimentam. 

Trilho das salinas da Nécton

Acesso: seguindo pela EN125 no sentido Faro–Olhão virar à direita nos primeiros semáforos controladores de velocidade (a cerca de 5 km da rotunda de Faro). Continuar pela estrada em terra, passar a linha do comboio até chegar a um edifício branco identificado como Nécton S.A. 
Ponto de partida e de chegada: edifício da Nécton, itinerário circular . 
Extensão: 700 m. 
Duração: cerca de 1 h. 
Dificuldade: fácil. 
Apoios: os escritórios e laboratórios da Nécton encontram-se em funcionamento todo o ano e a e o visitante poderá obter mais informações. Possibilidade de adquirir sal e flor de sal com qualidade reconhecida.
Breve descrição : 
Inseridas no concelho de Olhão, as salinas da Nécton, empresa que produz sal tradicional certificado, são um bom exemplo da exploração salina na área do PNRF. Com um projeto inovador que alia a produção de sal tradicional e flor de sal e a pesquisa a nível da produção de plantas típicas do sapal, de que é exemplo a Salicornia spp planta muito apreciada na gastronomia francesa. As salinas da Ria Formosa são famosas pela boa qualidade do sal e responsáveis por cerca de metade da produção nacional de sal marinho.Trata-se de uma atividade que não põe em causa os valores ecológicos da região, antes é exemplo de uma exploração sustentável dos recursos naturais proporcionando, ainda, refúgio, alimento e locais de nidificação para a avifauna. Este percurso encontra-se interpretado com placas informativas sobre o processo de produção do sal. De notar que é um processo demorado em que o início dos trabalhos decorre em março/abril e terminando em setembro. No entanto, este percurso não fica desprovido de interesse durante o inverno. Nesta época do ano, as salinas são local de refúgio e alimentação para inúmeras aves que, vindas do norte da Europa, aqui permanecem, temporariamente, preparando-se para a travessia do Atlântico com destino a África. Outros grupos permanecem todo o inverno, fazendo um vaivém intercalado entre a maré e as salinas.
           



terça-feira, 17 de setembro de 2013

Viagem e visita ao Parque Natural da Serra de Montesinho



Localização :

            O Parque Natural de Montesinho (PNM) situa-se no Nordeste Transmontano (Portugal). Tem uma dimensão de cerca de 75 mil hectares, apresenta um relevo heterogéneo, com planaltos ondulados cortados por profundos vales encaixados, bem como algumas serras, das quais as duas mais importantes são a Serra de Montesinho, a norte de Bragança, e a Serra da Coroa, a norte de Vinhais. As altitudes variam entre os 1486 metros, na Serra de Montesinho e os 438 metros no leito do rio Mente, nele existe extensa biodiversidade, habitando espécies como o lobo-ibérico, a corça ou o veado.
O PNM conflui a norte com a Espanha, percorrendo a fronteira com as comunidades da Galiza e de Castela-Leão, e a oeste e a este também com a Espanha (Galiza e Castela-Leão, respectivamente). No oeste faz por breve trecho fronteira com o concelho de Chaves, sendo que a sul continua inserido nos concelhos de Vinhais e de Bragança.



História : 

        O Parque Natural de Montesinho foi criado a 30 de agosto de 1979, segundo o Decreto-Lei n.º 355/79, ocupando uma área de 75 000 hectares, e integra parte dos concelhos de Bragança e Vinhais. No extremo Nordeste de Portugal, limitado a norte, oeste e leste por Espanha e, a sul, por uma linha imaginária, que se estende de Sandim a Quintanilha, passando por Vinhais e Bragança, fica definido o espaço do Parque Natural de Montesinho. Carvalhais e castinçais alternando com lameiros, campos de cultura e aldeias características são o traço essencial deste Parque. Zona planáltica e de média montanha, apresentando uma morfologia regular, se bem que elevada, em que sobressaem as serras da Sequeira (1146 metros), da Coroa (1272 metros), de Mofreita (1147 metros), de Montesinho (1480 metros) e de Guadramil (1026 metros). Do conjunto, destaca-se a serra de Montesinho. Situado na Terra Fria transmontana, o território do Parque Natural apresenta um inverno agreste, com alguma neve, e o verão é curto e muito quente. O Parque Natural abrange toda uma zona de nascimento de cursos de água, que convergem para o vale do Douro e cujo fulcro se situa em Espanha. O rio Mente delimita Montesinho a oeste e o rio Maçãs, a leste. Entre ambos, e de oeste para leste, correm o Rabaçal, o Assureira, o das Trutas, o Tuela e o Barceiro, o Sabor, o Igrejas e o de Onor e as ribeiras de Pereira e de Caravelas, em vales estreitos ou mais amplos. A natureza dos solos é essencialmente xistosa, aflorando por vezes o calcário, como em Cova da Lua e Dine, existindo manchas graníticas na serra de Montezinho e, no extremo ocidental, em Pinheiros.



Fauna e Flora : 

        No que diz respeito à flora, a vegetação do Parque Natural é dominada pela presença de carvalhais, alguns deles dos maiores do País, de frondosos castinçais, sobretudo na região de Vinhais, prados naturais de variada composição florística, de lameiros e importantes extensões de mato. Existem manchas de azinheira, carrasco - na terminologia local - em zonas mais baixas e abrigadas, e o vidoeiro ainda é visível em altitudes superiores aos 1000 metros, nas serras da Coroa, Mofreita e Montesinho. Junto às linhas de água, surgem ulmeiros, freixos, salgueiros, choupos e amieiros. Quanto à fauna, observa-se a presença de mamíferos como o lobo, a raposa, a fuinha, o gato-bravo, o texugo, o toirão e a lontra, a gineta, coelhos e lebres, bem como inúmeros micromamíferos, desde o rato-do-campo até à toupeira-d'água. De entre as aves, a par da ameaçada águia-real, regista-se a presença de inúmeras aves de presa, como o milhafre, a águia-de-asa-redonda, o gavião e o peneireiro. Abunda a perdiz, o pombo-torcaz, a charrela, a codorniz e o tordo, sendo a área também frequentada pela cegonha. Répteis e batráquios - tritão-de-ventre-laranja, sapo, dicoglosso, sardão, cobra-de-água-de-colar, víbora-cornuda - e peixes - a truta, a boga, o escalo e o barbo -fazem parte de um conjunto faunístico diversificado. Quanto ao povoamento, adquire aqui um aspeto aglomerado, as casas agrupam-se em núcleos compactos. A casa é, por via de regra, retangular, com telhado de duas águas, de aspeto rude mas robusta, com uma construção que utiliza materiais e princípios rudimentares. No que diz respeito à arquitetura, nas aldeias do Parque Natural de Montesinho apenas se encontram pequenas capelas ou igrejas de planta retangular, como em Sacóias e em Rio de Onor. No exterior, o culto religioso faz-se nas denominadas "alminhas". Os moinhos movidos pela força da água testemunham uma arte antiga no aproveitamento das energias naturais. As paredes são, regra geral, de xisto, o mecanismo de moagem encontra-se montado no piso superior, o sobrado, enquanto o rodízio que faz girar a mó se esconde no piso inferior, o cabouco, para onde a água é conduzida através de um caleiro de pedra ou por um simples tronco escavado. O forno comum, a frágua do povo, o moinho ou lagar comunitário, são outras formas de arquitetura rural que podem ser observadas no Parque Natural de Montesinho.





O que Visitar : 

             Quem disponha de pouco tempo para uma visita poderá utilizar os parques de merendas instalados em lugares de paisagem atraente, preparados para gozar umas horas de descanso com a família, e onde poderá também, se desejar, grelhar umas saborosas alheiras, ou um pouco de delicioso cordeiro ou uma suculenta posta de vitela Mirandesa - a tradicional Gastronomia do Nordeste Transmontano. Se dispuser de mais tempo, as instalações hoteleiras de Bragança e Vinhais, o parque municipal de campismo de Bragança ou, mediante marcação, as casas-abrigo do Parque Natural de Montesinho poderão servir como ponto de partida para qualquer roteiro pretendido.
Caso escolha uma forma mais desportiva de conhecer o Parque Natural de Montesinho, de bicicleta ou de mochila às costas, sugerimos que percorra os “caminhos velhos”, as azinhagas e atalhos que ligam as aldeias entre si, ou - porque não? - ir à descoberta dos “Caminhos de Santiago”, por onde há séculos passavam os peregrinos em demanda de Santiago de Compostela! O Parque Natural de Montesinho possui um rico património sócio-cultural com práticas quotidianas vindas de usos e costumes ancestrais, embora já marcadas pela crescente mobilidade das gentes e pelas inovações tecnológicas. Por isso os serviços do Parque Natural de Montesinho lhe dedicam particular atenção, não na miragem de algo a preservar a todo o custo, mas sim apostando na sua conservação dinâmica face ao futuro. As festas são o elo de ligação dos povos, o pretexto para o reencontro que cada ano se repete, entre famílias, amigos e aldeias. Têm especial valor as antiquíssimas “Festas dos Rapazes”, realizadas principalmente na zona da Lombada (Babe, S. Julião, Deilão) por altura do Natal e dos Reis, segundo o costume de cada aldeia. Nesses dias, nalgumas aldeias, os rapazes solteiros de mais de 16 anos envergam coloridos fatos felpudos que os escondem da cabeça aos pés, afivelam máscaras aterradoras em latão pintado, madeira ou outros materiais e, com molhos de chocalhos à cintura, correm a cabriolar por toda a aldeia em tremenda algazarra, ritualizando cerimónias de iniciação, cuja origem, no parecer do abade de Baçal, remonta aos romanos veneradores de Saturno.
Outra das facetas da cultura regional é a música tradicional. Velhos temas joviais continuam a ser tocados nas alvoradas das festas, onde se destacam as sonoridades celtas da gaita de foles. São notáveis ainda os exemplos de arquitectura popular, que utilizando os materiais característicos de cada região, resultam de milhares de anos de aperfeiçoamento e adaptação ao meio ambiente. Há também aspectos exclusivamente funcionais na arquitectura popular dignos de destaque: referimo-nos aos pombais e aos moinhos de água. Parte destes últimos são propriedade comum dos povos ou aldeias, e continuam ainda a funcionar, com apoio do Parque nas obras de conservação e reconstrução.
Na integração da actividade humana com o seu meio é de realçar o papel que o “homem rural” tem vindo a desempenhar na modelação da paisagem. Por essa razão nem sempre é simples fazer uma separação nítida entre as actividades do homem e os recursos naturais, que aqui se encontram estreitamente relacionados. Com efeito, um dos objectivos do Parque Natural de Montesinho consiste na animação regional, intervindo em áreas tão diversas como a actividade florestal, a comercialização de produtos caseiros, a habitação tradicional, o artesanato local ou o recreio e turismo como formas de assegurar às populações novas fontes de receitas, tendo em vista o desenvolvimento sustentado dos seus recursos, no respeito da evolução equilibrada da vida das comunidades e da paisagem. Tem sido ainda objectivo do Parque encorajar o turismo através do incentivo ao turismo rural e ao artesanato, bem como a criação de infra-estruturas de acolhimento (Centro Hípico, Parques de Merendas e Casas-Abrigo) e a valorização e relançamento da gastronomia e da arquitectura tradicional. Neste âmbito destaca-se o fumeiro tradicional, com feiras anuais em Vinhais, ou a apicultura; o apoio à agropecuária, promovendo a conservação de raças autóctones (ovino Churro Galego-Bragançano, bovino Mirandês), também através de exposições/concursos anuais em Bragança e Vinhais; a recuperação das extensas florestas de carvalhos e castanheiros visando o seu uso múltiplo no espaço e no tempo assim como a tomada de medidas anti-fogo e anti-erosão.

Passeios e Lazer : 

             No Parque Natural de Montesinho é possível fazer alguns percursos pedestres e de bicicleta e observar lindas paisagens em qualquer época do ano. Essa beleza de paisagem deve-se, em grande parte, à morfologia do terreno e ao tipo de vegetação que aí existe. O Carvalho-negral, o Castanheiro, a Azinheira o Pinheiro silvestre, o Teixo, o Amieiro, o Freixo, o Choupo, e o Vidoeiro são algumas das árvores responsáveis pelo festival de cores que se podem observar e que muda de acordo com a época do ano. Podes também ter a sorte de poder observar algumas aves como a Águia-real, o Bufo-real, o Tartaranhão azul, o Falcão peregrino, o Melro-das-rochas, o Melro d' água e o Chapim, assim como alguns mamíferos como a Toupeira-aquática, o Lobo, a Raposa, o Veado, a Lontra e o Javali. Mais próximo dos cursos de água podes encontrar o Sapo-parteiro e o Lagarto-de-água.




Onde ficar : 

Casa da Aldeia de França
Situada num dos príncipais núcleos do Parque Natural de Montesinho, junto ao rio Sabor e a 16 Km de Brangança onde se procurou conjugar o espaço com uma estadia agradável. Situa-se em frente de uma majestosa mata de carvalhos, onde pode passear pelos caminhos que a atravessam. Dispõe de aquecimento central, cinco quartos duplos e 10 camas, equipados com TV, sala de jogos, um grelhador exterior, coberto, para que possa fazer os seus churrascos e um amplo espaço envolvente. 

Morada: Rua do Cruzeiro - Aldeia de França
Código-Postal: 5300-541 Bragança
Telemóvel: 964 516 337
E-mail: casadefranca@netureza.pt
Website: http://casadefranca.netureza.pt


Casa da Edra
A Casa da Edra situa-se na aldeia de Montesinho, autentico paraíso rural. É constituída por 5 quartos e 7 camas, sendo dois duplos e três de casal, todos com casa de banho privativa, uma sala de estar/convívio, onde poderá desfrutar de televisão, TV cabo, DVD,ou utilizar o computador com ligação à Internet. Dispõe também de um sala de jantar, com serviço à lista e de um espaço exterior, onde poderá degustar as suas refeições ao ar livre. A casa oferece ainda condições para jantares temáticos, de grupo ou empresariais.

Morada: Rua do Meio
Código-Postal: 5300-542 Montesinho Bragança
Telefone: 273 919 039
Telemóvel: 962 777 026
E-mail: reservas@casadaedra.com
Website: www.casadaedra.com

            
Casa da Mestra
Situada no coração do Parque Natural de Montesinho, na aldeia de Gimonde, esta graciosa casa rústica foi outrora a casa das professoras que eram destacadas para esta região. Hoje, a casa foi restaurada e as antigas mestras já não moram aqui. No entanto, ciosas de seus deveres, deixam a todos aqueles que por aqui passam um trabalho de casa: conhecer e desfrutar a natureza e a gastronomia destas terras únicas.
5 Quartos | 9 Camas

Morada: Rua Coronel Álvaro Cepeda
Código-Postal: 5300-553 Gimonde Bragança
Telefone: 273 302 510
Telemóvel: 969 361 386
Fax: 273 381 302
E-mail: geral@amontesinho.pt
Website: www.amontesinho.pt



 



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Viagem e visita ao Parque Natural do Douro Internacional


Localização : 

          O Parque Natural do Douro Internacional é um parque natural que abrange a área em que o rio Douro constitui a fronteira entre Portugal e Espanha, bem como o rio Águeda, afluente do Douro. Inclui áreas dos municípios de Mogadouro, Miranda do Douro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo. Classificado pelo Decreto-Lei nº 8/98, de 11 de Maio.



    



História :  

                  O Parque Natural do Douro Internacional foi criado a 5 de junho de 1996, segundo a Resolução de Conselho de Ministros n.º 53/96. O Decreto Regulamentar do Parque Natural do Douro Internacional foi aprovado em Conselho de Ministros a 30 de dezembro de 1997, ocupa uma área de 86 500 hectares, integrando parte dos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo. O Parque Natural do Douro Internacional abrange o troço fronteiriço do rio Douro (numa extensão de cerca de 122 km), incluindo o seu vale e superfícies planálticas confinantes, e prolonga-se para sul através do vale do rio Águeda, zona de características análogas à anterior.
O troço internacional do Douro faz a transição através de acentuado declive longitudinal (desnível de cerca de 400 metros) entre os horizontes aplanados da meseta e a bacia inferior, já em território nacional. A parte norte do Parque Natural corresponde à zona de menor influência atlântica de Trás-os-Montes, sendo constituída por um extenso planalto, com altitudes rondando os 700 a 800 metros. O vale é bastante encaixado com encostas escarpadas essencialmente graníticas. À medida que se avança para sul o vale apresenta-se mais aberto, com fundos de vales aplanados, permanecendo as vertentes escarpadas tal como as pequenas áreas planálticas e os relevos residuais encimados por quartzitos. Essa zona onde o vale já se assemelha ao "Douro vinhateiro" caracteriza-se pelo seu microclima, com escassa precipitação e amenas temperaturas invernais, fazendo parte da designada Terra Quente Transmontana. A diversidade e variabilidade das condições ecológicas do território atualmente integrado no Parque Natural do Douro Internacional possibilitou o desenvolvimento e estabilização de um manto vegetal extremamente rico e diversificado. No que diz respeito à flora, as formações vegetais que se encontram presentes no parque são: os azinhais, os sobreirais, os carvalhais, os zimbrais e os giestais.
Quanto à fauna, o Douro Internacional constitui uma das zonas mais importantes no contexto nacional, e mesmo internacional, tendo sido integrada na lista dos Biótopos CORINE e proposta para classificação como zona especial de conservação e zona de proteção especial. As aves são o grupo mais emblemático da área devido à quantidade de espécies comparativamente a outras áreas do interior do país. Estão confirmadas 60 espécies de nidificantes até ao momento. Salientam-se as aves nidificantes rupícolas, ou seja, as que utilizam os afloramentos rochosos para nidificar. São os casos da cegonha-preta, do abutre-do-Egito, do grifo, da águia-real, da águia-de-bonelli, da falcão-peregrino, do andorinhão-real, do chasco-preto, do bufo-real e da gralha-de-bico-vermelho. Existem importantes manchas de bosque e matos de vegetação autóctone que constituem o refúgio de diversa avifauna, destacando-se as populações de milhafre-real, de açor, e de pega-azul. Por outro lado, as zonas de aproveitamento agropecuário incluídas no Parque Natural são extremamente importantes como área de alimentação das populações de aves necrófagas e predadoras que nidificam nas arribas, daí que o binómio arriba-planalto seja indissociável. A inclusão de áreas planálticas e montanhosas permite a ocorrência de uma população de mamíferos rica e diversificada onde se destacam o lobo, a lontra, o gato-bravo e o corço. Salienta-se ainda o grupo dos quirópteros com o morcego-de-peluche, o morcego-de-ferradura-grande, o morcego-de-ferradura-pequeno, o morcego-rato-grande, assim como os micromamíferos toupeira-de-água e o rato de Cabrera. Por último, refiram-se também os répteis e os anfíbios, grupos que detêm uma elevada representatividade de espécies relativamente ao número total de espécies em Portugal e na Península Ibérica. É de assinalar a ocorrência dos seguintes endemismos ibéricos: cobra-de-pernas-de-cinco-dedos, cágado-de-carapaça-estriada, tritão-de-ventre-laranja, sapo-parteiro-ibérico e rã-de-focinho-pontiagudo.







O que visitar : 

            Ao nível do património arquitetónico destaca-se a existência de exemplos de arquitetura religiosa (igrejas e capelas), arquitetura tradicional de feição erudita (casas solarengas) ou popular (edifícios isolados ou conjuntos arquitetónicos, para além de outros elementos diversos como cruzeiros, alminhas, pontes). Uma pequena parte deste património está classificada como Monumento Nacional, Imóvel de Interesse Público ou como Valor Concelhio. Quanto a património cultural, a área do Douro Internacional é muito rica quanto a tradições etnológicas, artesanato e gastronomia. Para além de um artesanato muito diversificado, as referências mais significativas nesta região em termos etnológicos são os Pauliteiros de Miranda, no concelho de Miranda do Douro, bem como a existência do dialeto mirandês. As festas, feiras e romarias que ocorrem um pouco por toda a área constituem fortes manifestações de comércio local.
Na gastronomia, é muito reconhecida a "posta" - carne de vitela de raça mirandesa assada na brasa. São também importantes os vinhos, o azeite, o queijo de ovelha e de cabra, o mel, os frutos secos e ainda os enchidos. No que concerne ao património arqueológico existente na zona, este é igualmente vasto e abrange desde inscrições rupestres, testemunhos da ocupação romana (povoados, necrópoles, pontes, estrada romana), castelos e atalaias medievais, até aos exemplares de arquitetura do ferro de finais do século passado (Barca d'Alva).A paisagem do PNDI é controlada pela geologia complexa, sublinhando-se o vale em canhão do Rio Douro, encaixado em fracturas ao longo dos granitos que dão origem à grande planura do Planalto Mirandês, os relevos abruptos das cristas quartzíticas como o Penedo Durão, a topografia ondulada de montes e vales abertos dos terrenos de xisto da zona de Freixo de Espada à Cinta e as margens escarpadas do rio Águeda cobertas de densos matagais.


Lazer e Passeios : 

Alto Douro Vinhateiro - É a mais antiga região demarcada do mundo, muito próximo ao parque, e também um Património Mundial UNESCO. É uma das mais belas secções do parque, onde se produz um dos mais famosos vinhos do mundo, o vinho do porto, em socalcos à beira-rio. As várias quintas de vinho  e miradouros , abertas ao turismo, merecem uma visita. 

Casa de Selores - A Casa de Selores foi erguida nos séculos XVII e XVIII num estilo clássico, seguindo a influência do Barroco. A Casa é constituída por três corpos distintos. O primeiro corpo tem uma fachada simples, de granito, com varanda de tipo renascentista, onde as colunas são já torsas. O segundo mostra uma porta brasonada e seis janelas de fachada, todas de avental. A capela setecentista com um portal maneirista que tem o brasão do bispo do Porto, D. Gonçalo de Morais que mandou construir esta capela funerária para os seus pais e para o seu irmão.    

Castelo de Penas Róias - Um belo castelo templário na povoação de Penas Róias, perto de Mogadouro. Dentro do castelo pode-se ver a Igreja de Azinhoso e Mogadouro, ao longe.

Parque Natural Arribes do Douro - Uma área protegida espanhola que se corresponde com o Douro Internacional. Conhecido pela grande beleza das arribas do Douro, é também importante pela sua fauna e flora.

Miradouro de São Leonardo da Galafura, Largo do Jogo - Fonte Nova, Galafura. Proporciona uma excelente vista sobre o Alto Douro Vinhateiro (Património Mundial), com as suas quintas e os seus socalcos.

Percursos terrestres : 

Cascata da Fia d'Água Alta - Cerca de 800 metros de caminhada. Tendo como principal ponto de interesse esta cascata, permite apreciar a paisagem única do Douro.

Almofala - Sto. André das Arribas - Com cerca de 8 km, realca o património histórico da região, e o vale escarpado do Rio águeda.

Ribeira do Mosteiro - Calçada de Alpajares  - Permite uma perspectiva diferente das arribas do parque, bem como do seu património arqueológico, da sua fauna e flora. Tem cerca de 8 km.

Miranda do Douro - S. João das Arribas  - Desde a bela cidade de Miranda do Douro, às arribas do Douro, mostrando a vida das gentes locais. Cerca de 19 km.


Onde ficar : 

No campo

Quinta dos Baldo - Casa de Campo (Martim Tirado, Carviçais, Torre de Moncorvo; tel.: 962 557 275; quintadosbaldo@gmail.com) - Integrada na acolhedora aldeia de Martim Tirado, a um pulo de vales recônditos e paisagens deslumbrantes, a Casa oferece dois quartos e uma zona comum, que inclui sala e cozinha.

Solar dos Marcos Turismo Rural (Rua de Santa Cruz, Mogadouro; tel.: 279 570 010; geral@solar-dos-marcos.com) - Situa-se num solar do séc. XVIII, que terá pertencido a D. Manuel Martins Manso, bispo da Guarda.

Casa da Cisterna - Turismo Rural (Rua da Cadeia, 7, Castelo Rodrigo; tel.: 273 313 515) [29] - Localizada na bela aldeia fortificada de Castelo Rodrigo, situa-se numa casa tradicional. Todos os quartos tem nome de pássaros (pisco, chapim, etc.). Tem uma piscina e um jardim interior. O hotel também organiza percursos pedrestes, de bicicleta e de burro pelas aldeias históricas.

Moradias do Douro Internacional (Praia Fluvial da Congida, perto de Freixo de Espada à Cinta; tel.: 279 653 018) - Dez bungalows numa encosta com bela vista para a Praia Fluvial da Congida, no coração do parque. Os bungalows têm cozinha, televisão e ar condicionado. Também disponíveis estão a piscina, os bares, o cais fluvial (para passeios de barco) e, é claro, a praia fluvial.

Casa das Quintas - Turismo Rural (Quinta das Quebradas; tel.: 279 599 435) [30] - Situada numa casa típica de Trás-os-Montes, tem piscina e disponibiliza bicicletas.

Casa de Santa Cruz - Turismo de Habitação (Rua Cimo do Lugar, 1, Felgar; tel.: 279 928 060) [31] - Situa-se no centro da aldeia, numa casa antiga, adaptada a turismo rural. Possui piscina e serve comida regional.