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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Viagem e visita ao Parque Natural do Alvão


Localização

        Abrangendo parte dos concelhos de Vila Real e Mondim de Basto, ocupa uma área de 7.220 hectares no maciço montanhoso que lhe dá o nome, a Serra do Alvão e explana-se sobranceiro à bacia hidrográfica do Rio Olo. Barreira que separa Trás-os-Montes do Minho, pela sua direcção norte-sul, é um vasto conjunto de montes cobertos de vegetação, oferecendo a quem o visita panoramas magníficos. 





História

         Criado a 8 de junho de 1983, segundo o Decreto-Lei n.º 237/83, o Parque Natural do Alvão ocupa uma área de 7 365 hectares, e integra parte dos concelhos de Mondim de Basto e Vila Real. 
Do Minhéu, a norte, até aos Padrões da Teixeira, a sul, alonga-se o conjunto montanhoso constituído pelas serras do Marão e do Alvão, meia centena de quilómetros de penedos que se estendem de nordeste para sudoeste e cujas linhas de cumeada nunca descem dos 900 m de altitude. Fronteira orográfica, mas também uma fronteira climática em que se alicerça parte importante da distinção que se faz entre um norte de feição atlântica e a continentalidade que se associa às regiões transmontanas. Do Gerês ao Marão, ergue-se a Barreira de Condensação, que representa um obstáculo para os ventos húmidos vindos do Atlântico.
As águas do rio Olo percorrem toda a vertente oeste da serra. O Alvão leva o rio para sudoeste, através de um trajeto irregular e as suas águas deixam o Parque a jusante de Ermelo, descrevendo uma apertada curva para norte, a caminho do Tâmega. O Olo nasce a 1250 m de altitude e, no seu troço inicial, corre num vale relativamente largo, alimentado por inúmeras linhas de água de carácter torrencial e sempre acompanhado pelas cristas mais elevadas da serra do Alvão. Depois de atravessar a bacia de Lamas de Olo, o rio flete para noroeste. Mais adiante, o vale torna-se mais apertado, sendo parte das águas capturada acima das Fisgas do Ermelo e desviadas para a ribeira da Fervença. Mais para jusante, o Olo correndo em vale encaixado, segue para sudoeste, abandonando o Alvão, depois de percorrida boa metade do seu curso. O rio explica o relevo, já que o seu leito conduz através do essencial da morfologia do Alvão: zona montanhosa e planáltica, acima dos 1000 m de altitude, onde nascem as principais linhas de água e limite sudoeste da bacia do Tâmega; a zona de transição, com vales apertados e quedas de água; e a zona basal, em que sobressai o vale bastante aplanado do Ermelo, com altitudes na ordem dos 400 metros. O Alto das Caravelas (1339 m), ponto culminante do Alvão, situa-se no limite oriental do Parque Natural, fazendo parte da escarpa rochosa com que o planalto se precipita sobre os vales do Corgo e do Cabril. Manchas de granito que assumem as mais variadas formas ocupam o essencial da área oriental do Alvão, destacando-se em termos de paisagem a zona de Arnal, onde se podem observar os relevos da denominada "catedral de Arnal". Bancadas de rochas metamórficas (xistos, quartzito) surgem por sua vez na área ocidental da serra: bancada de quartzito das Fisgas ou os flancos de xisto do vale da ribeira da Fervença, toda ela moldada por socalcos, no que diz respeito à flora, carvalhos e vidoeiros representam uma área coberta pouco importante em termos de superfície, possuindo, no entanto, um valor quer ecológico quer paisagístico muito importante. As áreas ocupadas por resinosas - pinheiro-bravo, pinheiro-silvestre, pinheiro-larício, pseudotsuga -, em povoamentos contínuos ou dispersos, representam outro tipo de coberto arbóreo visível no Parque Natural.
Para além das áreas arborizadas e dos inúmeros afloramentos rochosos, a serra do Alvão caracteriza-se pela presença de extensas áreas de incultos, em que se incluem as zonas de pastoreio, cobertas no essencial por gramíneas espontâneas, e os matos. Estes últimos, povoados por estevas, giestas e sargaços, tojos, urzes e carquejas, representam formações arbustivas cuja importância é frequentemente negligenciada. Os matos são também alimento e cama para o gado, fertilizantes do solo após mistura com os excrementos dos animais, combustível para os homens, suporte essencial da atividade apícola, elemento importante no combate à erosão e na regularização do regime hídrico.
No respeitante à fauna, as falésias e escarpas abrigam falcões e andorinhas-das-rochas, nos matos imperam os passeriformes, a felosa-do-mato, a estrelinha-real, a trepadeira-azul, a carriça e o chapim-real, entre outros. Nas linhas de água surge o melro-d'água, ocorrendo também a lontra e a toupeira-d'água, enquanto que nos solos mais pobres se podem observar rabirruivos, a petinha-dos-campos e o melro-das-rochas. O coelho e a raposa são os mamíferos de maior porte hoje em dia presentes na zona serrana, enquanto nas linhas de água se podem encontrar trutas, bogas, escalos e barbos. No Alvão, os animais domésticos, nomeadamente o gado, assumem particular importância, pois representam um poderoso elemento organizador da vida económica e social. A cabra representa o essencial do efetivo pecuário, chegando, em Lamas de Olo, no Ermelo e em Fervença, a atingir a quase totalidade das cabeças de rebanho. Alimentando-se de espécies vegetais espontâneas e adaptada às condições adversas da montanha, as cabras são uma nota permanente nos extensos baldios da zona serrana, para além da cabra, o boi-maronês é característico dos planaltos do Alvão, entre o Tâmega e o Vale de Aguiar. A paisagem do Alvão lembra o Entre Douro e Minho, quer na arquitetura quer na presença de espigueiros, na cultura do milho e da vinha-de-forcados. Oliveiras, espécies frutícolas e pastos para o gado completam um quadro que se assemelha à policultura do Noroeste.



O que visitar

          A sua paisagem, marcada predominantemente por matos baixos, e agrestes afloramentos rochosos, associados às áreas de baldios, onde se apascenta a cabrada, aqui e ali ponteada pela floresta, pinheiros, carvalhos e sobreiros, áreas de cultivo, centeio, milho e batata, e lameiros, onde se cria o gado maronês, num perfeito enquadramento de ecossistema de altitude, é pois caracterizada pela agro-silvo-pastorícia associada aos pequenos aglomerados populacionais. Ao lado dos carvalhais que dominam as zonas mais elevadas, há plantas raras como a Rorela, uma espécie carnívora que medra nos terrenos encharcados e margens dos cursos de água onde se associa o vidoeiro, bem como a aveleira, o azevinho, o castanheiro e o loureiro formando bosques mistos de folhosas. Para os que querem descobrir a pujança da Natureza e apreciar penedias de xisto rebrilhando ao sol, subir montes escarpados, percorrer vales verdejantes onde correm regatos de águas frias e cristalinas, o Alvão tem muito para oferecer. Para além do ponto culminante do Alto das Caravelas, com as suas escarpas rochosas que se precipitam sobre os vales do Corgo e do Cabril, os montanhistas encontram significativos desafios nas fragas do Alto do Fojo, uma proeminência que domina o anfiteatro rochoso das cascatas das Fisgas do Ermelo, por onde se precipita o rio Olo após escavar um leito muito apertado numa barreira de resistentes quartzitos. Por entre os horizontes largos e paisagens de prender o fôlego, onde o património construído é, indiscutivelmente, de elevado valor, quer pela riqueza das suas formas, quer pelo seu estado de preservação e onde a mesma pedra, granítica e xistosa, que sustém os socalcos em Fervença, serviu para a construção das casas, palheiros,  espigueiros, capelas, moinhos, azenhas, muros e aquedutos e embelezar os povoados, a mão do homem moldou a paisagem, com os  materiais da região e adaptou-a às suas necessidades da vida rural.
Mas é a água, cantando nos ribeiros, saindo dos moinhos, ou remansando na área das barragens do Alvão, que dá uma nota de frescura permanente à paisagem serrana O Parque Natural do Alvão, para além de uma intensa paisagem granítica, de beleza áspera e serrana, em especial o caos granítico das Muas/ Amal e a aldeia de Arnal, dos panoramas proporcionados pela estrada entre Agarez e Arnal, ou entre Vila Real e Mondim de Basto, constitui um paraíso para os apreciadores da pesca e principalmente para as caminhadas por trilhos que percorrem estas belas paisagens naturais e testemunhar modos de vida onde a tradição ainda tem grande valor.
Numa paisagem tipicamente de montanha onde o isolamento e o trabalho árduo são elementos fortemente marcantes da actividade humana, marcada pela actividade agro-silvo-pastoril, que caracteriza o seu património cultural, surgem-nos as aldeias caracteristicamente alcantiladas nas encostas da serra: Anta, Arnal, Assureira, Barreiro, Dornelas, Ermelo, Fervença, Lamas de Olo, Pioledo e Varzigueto, são nomes de aldeias aninhadas na serrania, ainda com casas cobertas por colmo ou ardósia, pitorescos espigueiros, costumes antigos.
Agarez - Pitoresca e antiga aldeia serrana na encosta de Serra do Alvão, fértil de lendas e tradições. Por entre o seu típico casario destaca-se a secular ermida de São Torcato. Perto, em Lordelo, interessante torre medieval, pelourinho e solar.
Ermelo - Junto da estrada que liga Vila Real a Mondim de Basto, é o ponto de partida para duas actividades bem diferenciadas: a pesca da truta no Rio Olo, actividade a desenvolver, na época própria, a partir da ponte da Infesta, sobre aquele rio ou o inicio do percurso a fazer a pé (grande grau de dificuldade), de bicicleta, moto ou carro para ir ao encontro do Alto do Fojo e das quedas de água das Fisgas, passando pelas aldeias de Fervença e Barreiro. De origem secular, este aglomerado apresenta típicos exemplares da arquitectura rural da Serra, com as pitorescas casas feitas de xisto e cobertas de lousa, enquadradas pelo arvoredo e campos de cultivo. Antiga vila medieval e sede de concelho, como o atesta a “Casa da Câmara” e o pelourinho, continua a manter algumas das suas tradições etnográficas e culturais, bem patentes nos lagares de vara, nos espigueiros, nas levadas para regadio, na igreja paroquial, com torre sineira e adro e nas cruzes graníticas da via sacra. Teve o seu primeiro foral no longínquo ano de 1196.
Lamas de Olo - Num arquiplano situado no alto da serra do Alvão, surge-nos o vestuto casario de paredes graníticas, tradicionalmente coberto de colmo a duas águas, interessantes espigueiros longilíneos e moinhos, especial destaque para a curiosidade do moinho da Cruz, com o seu tosco, mas belo aqueduto e estranha localização no topo da serra.

As cascatas, Pequenas quedas de água de azul cristalino, contrastando com o tom cinzento das penedias onde vão talhando com perseverança o seu caminho.
Cascata de Saião - Ou de Agarez, como é mais conhecida, com apenas oito metros de altura, é uma das mais curiosas de Portugal, devido ao seu exotismo. Localiza-se na freguesia do mesmo nome, no centro da Serra do Alvão, em zona de difícil acesso sendo necessário percorrer caminhos estreitos, difíceis e rudes, recheados de rochas desgastadas pela erosão e frondosas árvores que descaem para o caminho.


Cascata de Fisgas do Ermelo - Uma das maiores quedas de água de Portugal e da Europa. Tem cerca de 200 metros de extensão, não se precipitando numa vertical absoluta, mas sim através de um profundo socalco cavado, ao longo dos milénios da sua existência, pelas águas calmas e perseverantes do rio Olo, de águas límpidas, propícias à truta e em certos trechos com farta vegetação ribeirinha.


Cascata de Galegos da Serra - Na freguesia de Vila Marim, nos limites da área protegida do Parque Natural do Alvão, por entre uma paisagem de aspecto rude, com grandes lajes graníticas profundamente desgastadas pela erosão e caminhos estreitos e difíceis. Tem oito metros  de altura, remansando a água num pequeno lago à saída. 

Percursos Pedestres

Percurso pedestre Agarez - Arnal - Agarez
Percurso pedestre circular, com caminhos de pé posto, carreteiros e troços de estrada alcatroada. 

Breve descrição : 
Para quem gosta de longas caminhadas em contacto com a Natureza, este percurso oferece paisagens de rara beleza,  permitindo o contacto com o mundo rural e um vasto património natural e cultural. Saindo da aldeia de Agarez, o percurso desenvolve-se pela área serrana de Galegos da Serra, junto à ribeira de Arnal, de vale muito encaixado e profundo. Com excelente panorâmica sobre toda a zona envolvente e mesmo sobre a cidade de Vila Real, nele se encontram duas aldeias ladeadas de campos agrícolas, de rebanhos de cabras e de vacas da raça maronesa em pastoreio. Do alto da "Escola Ecológica" contemplam-se os cabeços graníticos do Arnal.
Pontos de interesse
Paisagem de grandes contrastes entre verdes campos e declives rochosos, Arquitetura tradicional de Galegos da Serra e Arnal, Caos granítico de Arnal e  amplas vistas sobre a cidade de Vila Real e regiões circundantes.

Acesso: a partir da IP4 -  saída Vila Real / hospital, seguir direção hospital / Lordelo / Agarez.
Ponto de partida e chegada: estrada municipal nº 1214 entre Agarez / Arnal.
Partida: caminho pedestre à saída de Agarez no sentido de Galegos da Serra.
Chegada: Arnal.
Extensão: 6,5 km. 
Duração: 3 horas (aproximadamente). 
Dificuldade: alta. 
Cota mínima e máxima: 700 m e 1.000 m.
Apoios: parque de merendas, antes do desvio para Galegos da Serra, na proximidade da queda de água do moinho de Galegos. Café e telefone (Agarez e Galegos da Serra). Com marcação prévia, possibilidade de estadia no Centro de Acolhimento do Parque Natural do Alvão, em Arnal.  



Onde ficar

Casa das Vinhas - A Casa das Vinhas é uma casa de campo recuperada com bom gosto, aliando a sua traça e características tradicionais ao conforto dos nossos dias.
Esta casa tem 1 confortável quarto duplo, casa de banho completa, sala de estar e jantar e cozinha. A casa ainda dispõe de uma área exterior totalmente vedada com barbecue, uma mesa e cadeiras para refeições para poderem passar momentos agradáveis e repousantes.
A Casa das Vinhas está equipada com Fogão e forno; Microondas; Torradeira; Frigorífico; Máquina de café Nescafé Dolce Gusto; Roupa de cama, de banho e louça; Tv e Barbecue.
A casa está a 1,5 km da piscina descoberta pública de Codessoso e está a 400 metros da Ecopista da Linha do Tâmega.
A casa das Vinhas está situada na freguesia de Codessoso, dista 9,8 Km da sede do concelho de Celorico de Basto, cerca de 71,3 Km do Porto pela auto-estrada A4 e 43,7 Km de Guimarães pela N101.

CONTACTOS
Tlm: 914 880 608||967 633 808
E-mail: info@cameliasdebasto.com
Morada: Celorico de Basto

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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Viagem e visita ao Parque Nacional da Peneda-Gerês


Localização :  

              O Parque Nacional da Peneda-Gerês ou conjunto serrano da Peneda-Gerês" , é o único parque nacional de Portugal e situa-se no extremo nordeste do Minho, estendendo-se até Trás-os-Montes, desde as terras da Serra da Peneda até a Serra do Gerês - daí a sua designação -, sendo recortado por dois grandes rios, o Rio Lima e Cávado. Fazendo fronteira com a Galiza, abrangendo os distritos de Braga (concelho de Terras de Bouro), Viana do Castelo (concelho de Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca) e Vila Real (concelho de Montalegre) numa área total de cerca de 70 290 hectares. O Parque Nacional da Peneda-Gerês é considerado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera, é uma das maiores atracções naturais de Portugal, pela rara e impressionante beleza paisagística e pelo valor ecológico e etnográfico e pela variedade de fauna (corços, garranos, lobos, aves de rapina) e flora (pinheiros, teixos, castanheiros, carvalhos e várias plantas medicinais). Estende-se desde a serra do Gerês, a Sul, passando pela serra da Peneda até a fronteira espanhola. Inclui trechos da estrada romana que ligava Braga a Astorga, conhecida como Geira. No parque situam-se dois importantes centros de peregrinação, o Santuário de Nossa Senhora da Peneda, réplica do santuário do Bom Jesus de Braga, e o de São Bento da Porta Aberta, local de grande devoção popular.





História

             Criado em 1971 segundo o Decreto-Lei n.º 187/71, de 8 de maio, o Parque Nacional da Peneda-Gerês abrange uma área montanhosa do Noroeste português, com cerca de 72 000 hectares, que se estende pelos distritos de Viana do Castelo (concelhos de Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca), de Braga (Terras de Bouro) e de Vila Real (Montalegre), ao longo de cerca de 100 km de fronteira. Desde o planalto de Castro Laboreiro, a norte, até ao da Mourela, a leste, inclui grande parte das serras da Peneda, do Soajo, Amarela e do Gerês, com alguns dos pontos mais altos de Portugal continental: Giestoso (1337 m), Outeiro Alvo (1314 m), Pedrada (1416 m), Loriça (1355 m), Borrageiro (1433 m), Nevosa (1545 m), Cornos da Fonte Fria (1456 m). O Parque Nacional da Peneda-Gerês apresenta um riquíssimo património natural e humano que, pela variedade de paisagem, pela diversidade dos microclimas, pelas espécies vegetais e animais existentes e pelos vestígios históricos de mais de 50 séculos de ocupação humana, satisfez de forma notável os pressupostos para a sua criação. O interesse do seu conteúdo levou ao reconhecimento, como Parque Nacional, pela União Internacional para a Conservação da Natureza e seus Recursos (UICN). Segundo a UICN, um Parque Nacional é um território relativamente extenso que apresenta um ou mais ecossistemas pouco ou nada transformados pela exploração e ocupação humanas, oferecendo um especial interesse do ponto de vista científico, educativo e recreativo; no qual a mais alta autoridade do País tomou medidas para proteger os valores nele contidos e que justificaram a sua criação; onde as visitas são autorizadas, sob certas condições, com fins educativos, culturais e recreativos. Em face dos valores existentes e para dar satisfação a estes princípios internacionalmente aceites, permitindo ao mesmo tempo a salvaguarda do património existente e o seu usufruto pelos visitantes, foi estabelecida no Parque Nacional da Peneda-Gerês uma zonagem, donde resultaram duas grandes áreas. Uma delas é periférica (área de ambiente rural), onde se situam os aldeamentos serranos, os campos de cultura que lhes servem de apoio e os terrenos de pastagens, isto é, os locais onde a influência humana mais fortemente se faz sentir. A outra (área de ambiente natural), além de protegida pela zona envolvente, e de difícil acesso, é por excelência a área de Protecção. A existência de comunidades humanas neste Parque Nacional confere-lhe uma grande originalidade. Estas comunidades serranas, isoladas nos vales das montanhas ou nos planaltos, separadas umas das outras por caminhos de serra de acesso difícil, tiveram que viver por si, bastando-se a si mesmas, pelo que desenvolveram actividades e criaram uma organização social que lhes permitisse ultrapassar as condições hostis que o ambiente lhes proporcionava. Os seus habitantes têm, desde tempos remotos, praticado um ritual de vida em que a pastagem e o gado desempenham um papel preponderante. Por esse facto e para suprirem as necessidades que se lhes depararam, ordenaram o território que ocupam em zonas de pastoreio, de cultivo e de floresta. Desta luta milenária pela sobrevivência resultou um saber de experiência acumulada ao longo dos séculos, traduzido nos usos e costumes, muito dos quais ainda se mantêm. As dificuldades dos trabalhos da agricultura da montanha criaram a tradição, que ainda subsiste, de um comunitarismo de serviços - malha de centeio, forno do povo, moinhos, fojo do lobo, vezeiras (rebanhos) e os espigueiros -, típicas construções de granito normalmente dispostas junto de uma eira comunitária, servindo para armazenar as espigas de milho e protegê-las dos roedores. Nesta região montanhosa, a orientação diversificada do relevo, as variações bruscas de altitude e a influência dos climas atlântico, mediterrânico e continental dão origem a uma infinidade de microclimas. Estes, associados à constituição essencialmente granítica do solo, criam características particulares, donde resultam aspetos botânicos muito especiais, que conferem ao Parque Nacional da Peneda-Gerês um lugar de primazia em relação à demais flora portuguesa. Em verdade, as condições edafoclimáticas e altimétricas existentes permitem que aqui se encontrem espécies que variam desde as das zonas mediterrânicas e subtropicais até às das euro-siberianas e alpinas. Assim, nas encostas dos vales mais quentes e abrigados aparecem, entre outras, o sobreiro, o medronheiro, o azereiro, o feto-do-gerês, o feto-real e a uva-do-monte. Nas zonas onde se sente mais influência do clima atlântico e em altitudes que podem ir até aos 800-1000 metros surgem as matas de carvalho comum, a que se associa muitas vezes o azevinheiro. Este, podendo subir até aos 1300 metros, toma por vezes porte arbóreo e constitui nalguns casos, por si só, verdadeiras matas. Acima dos 900 metros o carvalho comum cede lugar ao carvalho-negral, ocorrendo também o vidoeiro, espécies já características da zona euro-siberiana, tal como o pinheiro de casquinha e o teixo, localizados em altitude, nos vales mais húmidos e abrigados e representando restos de uma flora pós-glaciar. De entre as espécies alpinas destacam-se o zimbro e a erva divina. Para além de todas as espécies que se encontram no parque, uma dentre elas merece referência especial, pela sua raridade, visto que em todo o mundo apenas aparece numa pequena área desta região o lírio-do-gerês. O valor faunístico da área do Parque da Peneda Gerês é notável pela quantidade e diversidade dos animais dignos de interesse que nela se podem encontrar. Apesar de terem desaparecido, em 1650, o urso-pardo,e, em 1890, a cabra-do-gerês, o isolamento em que permaneceram as altas zonas serranas e as condições favoráveis do meio permitiram que aqui se mantivessem espécies hoje raras e únicas no mundo, como é o caso dos garranos selvagens, que se encontram numa parte da serra do Gerês. Além destes, outros mamíferos estão representados nesta região, dentre os quais se refere o corço, o javali, o lobo, a raposa, a fuinha, o toirão, o texugo, a gineta, e a lontra. No que respeita à avifauna, encontram-se no parque: a águia-real, a águia-calçada, a águia-de-asa-redonda e o açor, que vivem nas zonas de maior altitude e isoladas. São ainda encontrados: o milhafre-real, o peneireiro, o bufo-real, a coruja-dos-matos, o mocho-de-orelhas-pequenas, além de muitas outras espécies que aqui nidificam ou passam nas épocas migratórias. Também os répteis e os anfíbios aqui se encontram representados com considerável diversidade, referindo-se de entre os primeiros a víbora-negra, a cobra-d'água, a cobra-de-focinho-alto, a cobra-d'água-viperina, e o lagarto-d'água. Dos anfíbios, que vivem nas águas e riachos, encontra-se o quioglossa, a salamandra, o tritão-alaranjado, o tritão-palmado, o tritão-verde, a rã-castanha, a rã-verde, o sapo-parteiro e o sapo-comum. Especial atenção deve ser dada ao cão de Castro Laboreiro, cão pastor muito apreciado pela rusticidade e bravura na guarda de gados e propriedades; a outra, o boi barrosão, de excecionais qualidades no trabalho e na carne que fornece. O Parque Natural estende-se por uma região povoada pelo menos desde há 5000 anos, conforme revelam as numerosas mamoas, antas, cistas, sepulturas e outros vestígios históricos. Exemplos importantes da vida e cultura dos povos da pré-história recente são as oito rochas da Bouça do Colado (Lindoso) ou a estátua-menir da Ermida (Ponte da Barca), esta datando do Calcolítico ou da Idade do Bronze. O tipo de povoamentos que a partir do final da Idade do Bronze e na época romana ocuparam e fortificaram a região é exemplificado pelos castros da Calcedónia, do Crestelo (Tourém) e da Ermida. O mais importante vestígio da ocupação militar romana são os restos da VIA.NOVA.A BRAC., a via militar n.º 18 do Itinerarium Antonini, que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga). Esta via percorre parte da serra do Gerês, nas margens do rio Homem, e é localmente conhecida por Geira. Geologicamente é uma área ocupada por extensas manchas de granitos (idades: 298 a 280 milhões de anos) e por pequenas faixas xistosas, de origem sedimentar, atravessadas por numerosos filões de quartzo, de pegmatites graníticas e de dolerites. Existem variadas falhas nas formações rochosas, entre as quais a do vale da Peneda e a do vale do Gerês, esta responsável pelo termalismo das águas daquelas caldas. Os efeitos da glaciação - circos glaciares, moreias, rochas aborregadas - podem observar-se nos pontos mais elevados das serras da Peneda, do Soajo e do Gerês, nos quais existiram glaciares nas cabeceiras de alguns rios (Vez, Homem, Couce-Coucelinho). 



Paisagem

           A natureza e orientação do relevo, as variações de altitude e as influências atlântica, mediterrânica e continental traduzem-se na variedade e riqueza do coberto vegetal: matos, carvalhais e pinhais, bosques de bétula ou vidoeiro, abundante vegetação bordejando as linhas de água, campos de cultivo e pastagens. As matas do Ramiscal, de Albergaria, do Cabril, todo o vale superior do rio Homem e a própria Serra do Gerês são um tipo de paisagem que dificilmente encontra em Portugal algo de comparável, estas serranias já foram solares do Urso pardo e da Cabra montesa. O Lobo vagueia num dos seus raros territórios de abrigo. A Águia-real pontifica no vasto cortejo das aves. Micro-mamíferos vários, caso da Toupeira-de-água, diversidade de répteis e anfíbios e uma fauna ictiológica que inclui a Truta e o Salmão enriquecem o quadro zoológico. É um momento estranho, parece que, de repente, ficamos extasiados perante tanta beleza. No coração deste vale (de Albergaria), diante do silêncio entrecortado pelo ruído do rio, assumimo-nos encantados perante tamanha beleza.

O que visitar

Castro Laboreiro 
O Castelo de Castro Laboreiro, também referido como Castelo de Castro Laboredo, localiza-se na vila e freguesia de Castro Laboreiro, concelho de Melgaço, distrito de Viana do Castelo, em Portugal. Em posição dominante no alto de um monte, em terreno de difícil acesso entre as bacias do rio Minho e do rio Lima, está integrado no Parque Natural da Peneda-Gerês. A região encontra-se ocupada por humanos desde época pré-história, conforme o demonstram os monumentos megalíticos abundantes no planalto a nordeste de Castro Laboreiro, embora não haja informações históricas abundantes, a ocupação deste sítio parece se ligar ao traçado das diversas estradas romanas que aqui possuíam pontes para a travessia dos rios da região (ribeiro de Barreiro, o rio Laboreiro, o rio Cainheiras, o rio do Porto Seco e outros). À época da Reconquista cristã da península Ibérica, Afonso III de Leão (848-910) doou o domínio de Castro Laboreiro, na primeira metade do século X, ao conde D. Hermenegildo, avô de São Rosendo, por este ter vencido Witiza, um chefe local que se havia revoltado. Durante o domínio do conde, o castro existente (e que lhe deu o nome) teria sido adaptado a castelo, voltando, posteriormente, ao domínio muçulmano. Em 1141, D. Afonso Henriques (1112-1185) conquistou a povoação de Castro Laboreiro, fazendo reforçar a sua defesa (1145), que passava a integrar a linha fronteiriça dos domínios de Portugal. Embora se desconheçam os detalhes dessa defesa, ela estaria concluída, conforme inscrição epigráfica, sob o reinado de D. Sancho I (1185-1211). No início do reinado de D. Afonso III o castelo foi severamente danificado diante da invasão de tropas do reino de Leão (1212). Vila e sede de Concelho entre 1271 e 1855, Castro Laboreiro foi pertença do condado de Barcelos até 1834, bem como comenda da Ordem de Cristo desde 1319. Sob o reinado de D. Dinis (1279-1325), por volta de 1290, as suas defesas foram reconstruídas, quando assumiram a atual feição. Por esta época, a alcaidaria de Castro Laboreiro e a de Melgaço encontravam-se unidas, a cargo da família Gomes de Abreu, de Merufe. Posteriormente, sob o reinado de D. Fernando (1367-1383), o soberado doou esta alcaidaria a Estevão Anes Marinho. No século XIV, após a conquista de Melgaço, D. João I (1385-1433) utilizou Castro Laboreiro como base para deter as incursões das forças castelhanas oriundas da Galiza. O alcaide-mor Martim de Castro foi afastado de suas funções em virtude das queixas dos moradores da vila (1441). No início do século XVI, o castelo encontra-se figurado por Duarte de Armas, no seu Livro das Fortalezas (c. 1509), podendo-se observar as muralhas reforçadas por cinco torres de planta quadrangular. Ao centro, a torre de menagem, também de planta quadrangular, precedida por outra construção, com a cisterna a norte. Isolada, em plano inferior, a vila. Erguido no alto de um monte, na cota de 1.033 metros acima do nível do mar, apresenta planta aproximadamente oval, adaptada ao terreno, orientada por um eixo norte-sul, de arquitetura românica, apresenta padrões góticos expressos na integração de cubelos e pequenos torreões nos panos da muralha da alcáçova. O conjunto compreende dois núcleos:
 - a norte, em plano mais elevado, o centro militar integrado pela torre de menagem no centro da praça de armas e pela cisterna. Em seus muros rasgam-se duas portas, a principal, a leste, denominada como Porta do Sol; a norte, a Porta da Traição, também denominada como Porta do Sapo.
 - a sul, em plano inferior, um recinto secundário, delimitado por um pano de muralhas orientado no sentido leste-oeste. O acesso é feito por uma ponte em arco pleno sobre pés direitos. A sua função primitiva era a de recolher gado e bens em caso de ameaça, o que, segundo os estudiosos, é único no país e denota a importância da actividade pecuária na região. 

Castelo Castro Laboreiro.JPG

Igreja Matriz de Castro Laboreiro ou Igreja de Nossa Senhora da Visitação -  localiza-se na freguesia de Castro Laboreiro, Melgaço, Portugal. A igreja tem uma planta longitudinal com uma única nave,
é um edifício da Idade Média, com características românicas, de paredes laterais maciças, com cinco volumosos contrafortes de reforço aos arcos interiores. A capela mor é reentrante mas de igual pé direito que a nave, junto à pilastra sul da fachada pode-se encontrar um relógio de sol, conserva ainda uma curiosa pia baptismal decorada românica. Está classificada como Imóvel de Interesse Público pelo IGESPAR desde 1993.


Lindoso 
 Castelo de Lindoso - Localiza-se, na freguesia e lugar de Lindoso, concelho de Ponte da Barca, distrito de Viana do Castelo, em Portugal, sobranceiro a terras de Espanha, em posição dominante na serra Amarela, sobre a margem esquerda do rio Lima, este castelo foi erguido de raiz, na Idade Média, com a função de vigia, defesa e marco de soberania da fronteira. Embora não tenha estado envolvido em grandes batalhas ou episódios de história militar, é considerado como um dos mais importantes monumentos militares portugueses, pelas novidades técnicas e arquitectónicas que ensaiou, à época, no país. Alguns autores afirmam que o topônimo Lindoso deriva do latim "Limitosum" (limitador, fronteira, extrema). Embora não existam informações sobre a primitiva ocupação humana de seu sítio, esse topónimo não se encontra mencionado nas Inquirições de 1220, o que vem a ocorrer nas de 1258. Compreende-se, por essa razão, que tenha sido erguido de raiz no reinado de D. Afonso III, inscrita no esforço de reforço do sistema defensivo das fronteiras, empreendido por aquele soberano. Entre as obrigações dos habitantes da povoação, incluíam-se as de prover o alcaide de alimentos sob determinadas circunstâncias, sendo a ele vedado praticar quaisquer abusos contra esses mesmos habitantes. O castelo teria sido reforçado e ampliado no reinado de Dinis I de Portugal, a partir de 1278. O núcleo que chegou até nós do castelo medieval, é de planta similar a do Castelo de Lanhoso, do Castelo de Arnóia e de vários outros desta região. É composto pelas muralhas de alvenaria de pedra, cujo topo é circundado por um adarve. Nestas rasgam-se duas portas, uma a norte, próxima à torre, e outra, a sul, acedida por uma ponte levadiça de madeira. Esta última porta ostenta pelo interior um arco de volta perfeita e pelo exterior um arco quebrado, sendo ladeada por dois cubelos de planta retangular. No interior, abre-se a Praça de Armas, na qual se inscreve, a norte (lado da Espanha), a torre de menagem, de planta quadrangular, com porta rasgada acima do nível do solo, dividida internamente em dois pisos e coroada por ameias de remate tronco-piramidal.
A adaptação do perímetro defensivo do castelo aos tiros da artilharia, no século XVII, materializou-se por uma linha envolvente de muralhas de tipo abaluartado, com planta no formato estrelado, em cujos parapeitos se rasgam canhoneiras em pontos estratégicos, apresentando guaritas cilíndricas encimadas por cúpulas semiesféricas nos vértices. O conjunto era acedido por porta encimada por matacães, precedida por ponte levadiça e cercado por altos taludes e fossos. Um revelim provê a defesa da entrada principal. 

Castelo de Lindoso

Pitões das Júnias 
O Mosteiro de Santa Maria das Júnias localiza-se nos arredores de Pitões das Júnias, na freguesia de mesmo nome, concelho de Montalegre, Distrito de Vila Real, em Portugal, este convento remonta a um antigo eremitério pré-românico, fundado no século IX, cuja implantação obedeceu a critérios de isolamento. Encontra-se num vale estreito, de difícil acesso e longe dos caminhos e de lugares habitados, inscrito em um grandioso fundo paisagístico. Em contraste com outros cenóbios do Norte de Portugal, que no geral são possuidores de produtivos coutos, esta primeira comunidade de monges das Júnias dependia da pastorícia, fato que acentuou o seu carácter humilde e ascético. O atual mosteiro e seu templo anexo foram erguidos durante a primeira metade do século XII, antes mesmo da fundação da nacionalidade. Era então ocupado monges da Ordem de São Bento.
Em meados do século XIII, o mosteiro passou a seguir a regra da Ordem de Cister, ficado agregado à Abadia de Oseira, na Galiza. Ao longo dos séculos, este mosteiro foi enriquecendo com a obtenção de terras na região do Barroso e na Galiza. No inicio do século XIV, conheceu obras de manutenção e melhoramento em que se destaca a construção do claustro e a ampliação da capela-mor.
No início da Idade Moderna foram realizadas obras de elevação de algumas dependências do convento e da capela-mor do templo, entretanto destruídas pelo assoreamento provocado pelo ribeiro que corre junto à cabeceira do mesmo, na primeira metade do século XVIII, a igreja foi restaurada, a nível do madeiramento e do lajeamento, e redecorada com retábulos em talha dourada. A partir de meados desse século, entretanto, começou a entrar em decadência e acabou por perder monges e rendimentos, com a extinção das ordens religiosas masculinas (1834) o seu último monge passou a exercer a função de pároco de Pitões. Na segunda metade do século XIX, um devastador incêndio levou à ruína muitas das dependências conventuais. O Mosteiro de Santa Maria das Júnias encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto nº 37.728 de 5 de Janeiro de 1950, em 1986 a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais levou a efeito obras de recuperação e melhoramento, mais recentemente, em 1994 e 1995, o Parque Nacional da Peneda-Gerês promoveu uma intervenção arqueológica no claustro e na cozinha conventuais. À igreja deste convento acontece uma romaria anual, a 15 de Agosto, a que acorrem gentes de Pitões das Júnias e de povoações vizinhas. 
Este mosteiro apresenta-se organizado segundo uma planta trapezoidal, encontrando-se a igreja implantada no lado norte a as dependências conventuais no sul, as divisões do convento, em grande desmoronadas, compreendem dois corpos: o primeiro, paralelo ao riacho, era o dormitório dos monges. O segundo, que se encontra perpendicular ao primeiro, era onde se localizava a cozinha, que ainda mantém a sua chaminé piramidal, do antigo claustro românico só se conservam três arcos da galeria encostada à igreja. De volta perfeita, assentam em capitéis com decoração fitomórfica.
O templo tem nave única e uma capela-mor que é a estrutura mais bem conservada do cenóbio. Na frontaria, românica rematada por uma empena truncada por um campanário setecentista de dois olhais, abre-se um belo portal com arco de volta perfeita, com uma primeira arquivolta lisa e uma segunda, exterior, adornada com lancetas, por sua vez envolvida por um friso com decoração geométrica. Os ábacos do arco foram decorados por motivos cordiformes, enquanto o tímpano apresenta, ao nível inferior, um dintel decorado com flores estilizadas cruciformes e, por cima deste, uma cruz de Malta vazada, enquadrada por perfurações circulares dispostas em triângulo, nas paredes laterais da nave rasgam-se dois portais simples, de tímpanos vazados por cruzes de Malta, semelhantes entre si, sendo rematadas por friso e cornija moldurada e percorridos, a meia parede, por um friso adornado com motivos geométricos, sob o qual se projectam mísulas, também estas enfeitadas por elementos geometrizantes. A janela axial da ousia mostra a sobreposição do estilo gótico ao românico inicial, numa janela lateral da ousia, voltada a norte, uma curiosa estátua jacente de um monge é interpretada pela população como sendo o marco da cota máxima transbordos do rio ao longo dos séculos. No interior conserva-se um friso ornamentado que percorre a nave à altura das janelas. O arco triunfal, de duas arquivoltas lisas apoiadas em ábacos boleados, é enquadrado por dois retábulos de talha. Na capela-mor, dispõe-se um retábulo-mor com uma elaborada composição em talha.


Santuário de Nossa Senhora da Peneda
O Santuário de Nossa Senhora da Peneda é um santuário localizado na freguesia de Gavieira, Arcos de Valdevez, Portugal, construído entre os finais do séc. XVIII e o terceiro quartel do séc. XIX.
A igreja foi terminada em 1875. Frente à igreja encontra-se o escadório das virtudes, com estátuas representando a Fé, Esperança, Caridade e Glória, datado de 1854, obra do mestre Francisco Luís Barreiros. Após um largo triangular onde se situam os antigos dormitórios para os peregrinos (hoje transformados num hotel), o santuário desenvolve-se numa alameda arborizada em escadaria, com cerca de 300 metros e 20 capelas, com cenas da vida de Cristo (Natividade e Paixão). Uma das capelas ostenta uma inscrição que atesta ter ela sido oferecida pelo negus da Etiópia. Ao fundo da alameda, numa praça circular, situa-se um pilar oferecido pela rainha D. Maria I. Na primeira semana de Setembro realiza-se no santuário um grande arraial popular. 


Lazer e Passeios

            Parta de jipe do Campo do Gerês, entre o Rio Cávado e o Rio Homem. O primeiro ponto de interesse vai ser a Barragem do Lindoso. Quando a albufeira está mais vazia aparecem as ruínas da antiga aldeia de Vilarinho das Furnas, coberta pela água durante quase todo o ano. Quando chegar à Mata da Albergaria é altura de iniciar o percurso a pé, pois o acesso a veículos está condicionado. Vale a pena este passeio até à Portela do Homem, em que a aventura supera as expectativas. Use os trilhos dos pastores seguindo as "mariolas", pequenos montes de pedra que indicam o caminho, e vá parando nas frescas quedas de água que vai cruzar. Os percursos podem ser combinados com escalada, rappel e slide.Se escolher a BTT, siga os marcos miliários que assinalavam a antiga estrada romana. O esforço vai ser recompensado pelo miradouro da Junceda, a 950 m de altitude, onde se vê toda a Serra e algumas aldeias. 
No limite noroeste da Serra do Gerês, conheça as aldeias comunitárias de Pitões das Júnias e Tourém, que ainda conservam costumes antigos. Pitões é o fim da estrada. No entanto, ainda tem muito a descobrir. Quedas de água e um antigo mosteiro beneditino vão ser algumas das surpresas no meio da paisagem. Aceite este desafio e descubra o mundo preservado do Gerês.



Onde ficar

 Casa das Olas - Ermelo - Arcos de Valdevez
   Implantada num plano altaneiro na margem direita do rio Lima, e com uma vista soberba sobre albufeira da Barragem de Touvedo e sobre as encosta graníticas da Serra Amarela, encontramos a Casa das Olas.
Localizada no lugar de Vilarinho de Souto, da freguesia de Ermelo, a um passo do Parque Nacional da Peneda-Gerês, da Vila do Soajo e do Lindoso, encontramos um local idílico para um merecido descanso. 
Venha descobrir os recantos esquecidos de uma aldeia rica em memórias, sem no entanto abrir mão do seu conforto e bem-estar.  
Complementos: Casa com 2 pisos, composta por:
- No rés-do-chão: 1 quarto com cama de casal, com acesso directo ao espaço de jardim; 1 quarto pequeno com cama individual adapatável para 2 pessoas, e 1 casa de banho.
- No 1º andar: cozinha equipada com espaço de sala, com acesso a varanda. Sofás, televisão, DVD e recuperador de calor.
Espaço exterior de jardim com barbecue, roupa de cama e banho incluída. Oferta de um cabaz com produtos para o pequeno-almoço por estadia. Piscina partilhada a 50 metros.   



 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho da Vila do Corvo - Açores

Brasão de Corvo

Localização

           A ilha do Corvo é a menor das ilhas do Arquipélago dos Açores, localizando-se no Grupo Ocidental, a norte da Ilha das Flores. A ela corresponde territorialmente o município do Corvo, o único dos concelhos da República Portuguesa que não tem qualquer freguesia, já que, nos termos do artigo 136.º do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, este nível de divisão territorial não existe na ilha. As funções dos órgãos de freguesia são assumidos pelos correspondentes órgãos municipais. 



História

          Nos mapas genoveses do século XIV, nomeadamente no Portulano Mediceo Laurenziano (1351), é mencionado a "Insula Corvi Marini" (Ilha do Corvo Marinho) entre as sete ilhas que compunham o arquipélago, mas é improvável que esta designação se refira especificamente a esta ilha, apesar de ter sido a origem do nome. É provável ser uma designação para ambas as ilhas do Grupo Ocidental do Arquipélago dos Açores, como parece ser o caso no chamado Atlas Catalão, (c. 1375).
Na fase de exploração portuguesa do Atlântico sabe-se que foi Diogo de Teive quem achou as ilhas do Grupo Ocidental dos Açores, no regresso de sua segunda viagem de exploração à Terra Nova, em 1452. Terá sido descoberta em simultâneo com a Ilha das Flores, já que as ilhas se avistam mutuamente. A sua designação henriquina é Ilha de Santa Iria, mas foi também chamada de Ilhéu das Flores, ilha da Estátua, ilha do Farol, ilha de São Tomás e ainda de Ilha do Marco, tendo este nome persistido durante alguns séculos em razão, de para alguns servir o monte do Caldeirão servir como uma referência geográfica para os marinheiros ou, e mais provavelmente, pelo facto de existir um pequeno promontório a que foi dado o nome de Ponta do Marco, local onde possivelmente terá sido afixado algum padrão como era hábito fazer-se nas novas terras descobertas, apesar da incerteza quanto à data do achamento português da ilha, é seguramente anterior a 20 de janeiro de 1453, data em que Afonso V de Portugal fez doação da ilha, e da vizinha ilha das Flores, a seu tio, Afonso I, Duque de Bragança. A primeira tentativa de povoamento do Corvo foi empreendida por um grupo de 30 pessoas, lideradas por Antão Vaz de Azevedo, natural da ilha Terceira, no início do século XVI, que entretanto culminou com o seu abandono.2 O mesmo sucedeu com um grupo de povoadores, também oriundos da Terceira, liderados pelos irmãos Barcelos. Mais tarde, em meados do século, a 12 de Novembro de 1548, Gonçalo de Sousa, capitão do donatário das ilhas das Flores e do Corvo, foi autorizado a mandar para ilha escravos - provavelmente mulatos, oriundos da ilha de Santo Antão, arquipélago de Cabo Verde - de sua confiança como agricultores e criadores de gado.
Em 1570 foi construída a primitiva igreja. Por volta de 1580, colonos das Flores fixam-se no Corvo, que, a partir de então passou a ser permanentemente habitada, dedicando-se a população à agricultura, à pastorícia e à pesca. Apesar de seu isolamento, a ilha sofreu diversas incursões de corsários e piratas. Os corvinos, entretanto, souberam impor-se, muitas vezes aliando-se aos incursores e participando activamente na sua actividade. Em troca de protecção e dinheiro, a ilha fornecia água, alimentos e homens, ao mesmo tempo que permitia tratar os enfermos e reparar os navios.
Em 1587, o Corvo foi saqueado e as suas casas queimadas pelos corsários ingleses, que haviam atacado as Lajes das Flores. No ano de 1632, a ilha sofreu duas tentativas de desembarque de piratas da Barbária, no local do actual cais Porto da Casa, que na altura ainda era apenas uma baía. Duzentos corvinos usaram tudo ao seu dispor para repelir os atacantes que acabaram por desistir com baixas. A imagem de Nossa Senhora do Rosário foi colocada na Canada da Rocha e daí, diz a lenda que ela protegeu a população das balas disparadas, foi o segundo pároco da ilha, o florentino Inácio Coelho, irmão do cronista frei Diogo das Chagas. Foi ele quem conseguiu que D. Martinho de Mascarenhas, 2.º capitão do donatário, assumisse o sustento do pároco, bem como a ele se deve a presumível redacção e divulgação dos factos e atribuição à Virgem Maria do milagre da vitória dos corvinos sobre os piratas. A partir de então, a imagem passou a ser chamada de Nossa Senhora dos Milagres.
Em 1674 o lugar do Corvo foi elevado a paróquia, sendo o seu primitivo orago Nossa Senhora do Rosário. Antes dessa data, a ilha era visitada anualmente por um padre de Santa Cruz das Flores por ocasião da Quaresma. O primeiro pároco foi o faialense Bartolomeu Tristão. No século XVIII, com a chegada dos barcos baleeiros norte-americanos à Ilha das Flores para recrutar tripulação e arpoadores, uma vez que os corvinos eram apreciados pela sua coragem, iniciou-se uma estreita relação com a América do Norte, que passou desde então a ser o destino de eleição para a emigração corvina e de onde chegaram praticamente todas as novidades à ilha, a qual manteve durante muito tempo uma relação mais estreita com Boston do que com Lisboa. A emigração clandestina era uma constante da vida da ilha, apesar dos esforços repressivos das autoridades portuguesas, preocupadas com a fuga ao serviço militar obrigatório e com a perda de mão-de-obra. Os corvinos tinham de pagar tributo aos seus capitães do donatário e, a partir de 1759, com morte a 8.º duque de Aveiro e conde de Santa Cruz, à Coroa. Foi Mouzinho da Silveira, impressionado pela quase escravidão em que vivia o povo do Corvo, obrigado a comer pão de junça para poder pagar o tributo a que se encontrava obrigado, quem propôs a redução, para a metade, do pagamento em trigo e anulou o pagamento em dinheiro, fazendo assim a felicidade dos corvinos. Manuel Tomás de Avelar foi o chefe delegação de corvinos que foi a Angra do Heroísmo fazer a petição, despertando, pela sua sabedoria e maneiras, o espanto da liderança liberal da Regência de Angra. A impressão foi tal que Mouzinho da Silveira, hoje homenageado como patrono da Escola Básica Integrada do Corvo, anos depois escreveria no seu testamento que gostaria de estar sepultado na ilha, "cercado de gente que na minha vida se atreveu a ser agradecida". O decreto, datado de 14 de Maio de 1832, e assinado em Ponta Delgada por D. Pedro IV, reduziu à metade (20 moios) o pagamento em trigo que os corvinos faziam a Pedro José Caupers, então donatário da Coroa, e eliminou o pagamento em dinheiro de 80 000 réis. Em contrapartida, a Coroa assumiu indemnizar o donatário. O tributo apenas foi completamente abolido em 1835. No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), quando da ofensiva liberal do 7.º conde de Vila Flor (1831), a ilha reconheceu espontaneamente o governo liberal. Pouco depois, Pedro IV de Portugal elevou a povoação do Corvo à categoria de vila e sede de concelho (20 de junho de 1832). O decreto determinou que a nova vila se chamasse Vila do Corvo, e não Vila Nova como por vezes aparece grafado. Antes disso, esteve sob jurisdição de Santa Cruz das Flores, sendo uma das freguesias daquele concelho. Atualmente o dia 20 de Junho é feriado municipal.
Em 1886, o Governador Civil do Distrito da Horta, Manuel Francisco de Medeiros, quando visitou a Vila do Corvo indagou quais eram as suas aspirações. Foi-lhe pedido apenas uma Bandeira Nacional para saudar os barcos que por aqui passavam, durante as suas expedições oceanográficas ao Atlântico, o príncipe Alberto I do Mónaco visitou demoradamente a ilha no seu iate Hirondelle, recolhendo imagens fotográficas de extraordinário interesse, hoje no Museu Oceanográfico do Mónaco e apenas parcialmente publicadas. A ilha foi também visitada em 1924 pelo escritor português Raul Brandão, que com a sua obra Ilhas Desconhecidas muito contribuiu para a mitificação das vivências dos habitantes do Corvo, criando a imagem de uma idílica república comunitária que persistiu até quase aos nossos dias. A partir do início do século XIX assistiu-se ao crescimento constante da emigração para os Estados Unidos e Canadá, com um interregno entre 1925 e 1955, num processo que se prolongou até meados da década de 1980. Em 1938 o Corvo teve pela primeira vez um médico residente, o dr. João Rodrigues Ferreira da Silva, que ali permaneceu até 1945. O actual centro de saúde da ilha ostenta o nome daquele médico.
De 1950 a 1954, O Corvo teve um outro médico residente, Álvaro de Sousa e Brito, que ali viveu com a sua mulher e duas filhas, uma das quais ali nasceu com a assistência do seu próprio pai. O Dr. Álvaro de Sousa e Brito, para além da sua actividade clínica onde de inclui a sua preciosa contribuição para erradicar as epidemias de tifóide na ilha, também contribuiu juntamente com o padre Leoneto Melo do Rego, para desenvolver a banda de música já existente. Para ajudar os rapazes da ilha a terem uma actividade desportiva, iniciou a prática do voleibol. Na década de 1960 a população da ilha viveu em constante oposição ao regime florestal imposto sobre o baldio da ilha, regime esse que levou ao fim da produção de lã, fazendo desaparecer totalmente as ovelhas da ilha, e com elas as tradições ligadas à tosquia, cardagem, fiação e tratamento das lãs, antes aspectos centrais da cultura corvina. Com a inauguração do tráfego aéreo comercial no Aeroporto da Ilha das Flores, em 27 de Abril de 1972, os corvinos começaram a sentir-se menos isolados do resto do mundo. Em 28 de Setembro de 1983, foi inaugurado o Aeródromo do Corvo, (código IATA: CVU) com uma pista de 800 metros de extensão. De início, as ligações aéreas entre o Corvo e a Terceira (Lajes) eram asseguradas por um avião CASA C-212 Aviocar da Força Aérea Portuguesa. A partir de 1991 esta aeronave foi substituída por um Dornier 228-212 da SATA Air Açores, fazendo as ligações com Santa Cruz das Flores, Horta e Terceira (Lajes). O aeródromo é servido quatro dias por semana no período do Verão, e três dias por semana no de Inverno, podendo o número de voos ser alterado se a quantidade de passageiros assim o demandar. 

Bandeira de Corvo

Heráldica

Armas – De prata, com um corvo marinho de negro segurando um peixe de vermelho no bico, pousado sobre um monte de verde, saínte de um ondado de prata e de verde, de três peças; em chefe um açor de negro, realçado de ouro, segurando uma a negro, realçado de ouro, segurando uma quina de Portugal nas garras.

Bandeira – Esquartelada de branco e de negro, tendo no centro o escudo das armas encimado por coroa mural de prata de quatro torres e por baixo listel de prata com os dizeres “Corvo” em letras de negro.

Selo – Redondo, com as peças do escudo soltas e sem indicação dos esmaltes, tendo à volta, entre círculos concêntricos, a legenda “Câmara Municipal do Corvo”.


Cultura e Turismo

            Do património arquitectónico existente, destaca-se a Igreja de Nossa Senhora dos Milagres, construída em 1795, que veio substituir a primitiva ermida. No seu interior, podem admirar-se a estátua da padroeira, obra flamenga do século XVI da escola de Malines, um Cristo em marfim e uma imagem em madeira de Nossa Senhora da Conceição, entre várias outras imagens existentes na igreja.
Além da igreja, é digna de ser visitada a Casa do Espírito Santo, no típico Largo do Outeiro, fundada a 1871, seguindo a traça simétrica típica das Casas do Espírito Santo das ilhas das Flores e Corvo.
Junto ao aeroporto existem os interessantes moinhos de vento típicos do Corvo, classificados como imóveis de interesse municipal. Dos cerca de 7 moinhos que existiram na ilha, apenas 3 moinhos se mantêm em funcionamento, embora já não sejam utilizados para o fim para que foram construídos.
O casario da vila é um verdadeiro museu vivo, também classificado como conjunto de interesse público, onde as pessoas mais antigas preservam no falar expressões arcaicas únicas com uma evolução linguística muito própria. Em duas casas tradicionais cuidadosamente recuperadas foi instalado em 2007 um moderno centro interpretativo cultural e ambiental da ilha, com espaço museológico e galeria para exposições temporárias. Um local a não perder é o Miradouro do Pão de Açúcar localizado na elevação do Pão de Açúcar, infelizmente desfeiteado por uma lixeira a céu aberto. O troço ascendente da estrada que conduz ao interior da ilha também proporciona vistas de grande beleza sobre a vila, a fajã onde ela se situa e a vizinha ilha das Flores. O Caldeirão, a cratera central da ilha, com as suas lagoas e turfeiras, é uma das mais belas paisagens dos Açores. Foi ainda constituída ao abrigo da Directiva Habitats e da Directiva Aves o Sítio de Importância Comunitária Costa e Caldeirão do Corvo e a Zona de Protecção Especial da Costa e Caldeirão, hoje integrados no Parque Natural da Ilha do Corvo criado pelo Decreto Legislativo Regional n.º 56/2006/A, de 22 de Dezembro. A ilha possui dois farolins para ajuda à navegação: um na Ponta Negra (desde 1910); o outro no Canto da Carneira, nas coordenadas geográficas 39º 42,98’ N e 031º 05,15’ W (desde 1965, agora inactivo). As festividades da ilha são a Festa do Divino Espírito Santo que acontece todos os anos no 7º Domingo depois da Páscoa faz-se o cortejo com missa solene e as sopas do Espírito Santo onde toda a população é convidada e no 2º fim-de-semana de Julho é que é a festa profana com arraial, tasca, artistas e convidados. havendo no Domingo mais uma vez o cortejo com coroações, o bodo de leite. A Festa de São Pedro (24 a 26 de Junho), que acontece sempre no fim-de-semana mais próximo do dia 29 de Junho que é o dia de São Pedro e a festa da Sagrada família que ronda quase sempre o último fim-de-semana de Julho, a Festa e Romaria de Nossa Senhora dos Milagres (15 de Agosto) na qual se integra o Festival de Verão dos Moinhos, e também a festa da Senhora do Bom Caminho que costuma ser no 1º ou 2º fim-de-semana de Setembro. Em 1938 foi fundada a Sociedade Filarmónica Lira Corvense. Realizava-se no 1.º Domingo de Maio e no 1.º Domingo de Setembro, a Festa do Fio ou Tosquia das Ovelhas, cuja a tradição foi abandonada e ainda não foi recuperada. Do artesanato, destaca-se as barretas, mantas e as fechaduras de madeira. Entre as lendas da ilha encontra-se a Lenda da Ermida de Nossa Senhora dos Milagres da ilha do Corvo e muito famosa lenda do Lenda do Cavaleiro da ilha do Corvo, já deu origens a livros. O Corvo apresenta uma densidade florestal muito baixa – de 0,6%, que corresponde a uma área de 1 hectare, salientando-se as seguintes espécies: cedro-do-mato, criptoméria e loureiros.
O concelho começa a apostar no turismo (sector terciário), oferecendo como principais actividades e atracções turísticas a volta à ilha de barco, mergulho, pesca submarina, passeios pedonais na ilha, com destaque para a subida ao Caldeirão. Existem boas condições de alojamento na ilha, com uma moderna unidade hoteleira recentemente inaugurada.
Esta ilha foi declarada no mês de Setembro de 2007 como Reserva da Biosfera pela UNESCO, na sequência de uma candidatura apresentada para esse fim pelo Governo Regional dos Açores. Esta importante classificação confirma a qualidade da biosfera desta ilha que muito variada possuindo uma rica variedade de biotopos típicos da macaronésia. Esta classificação foi aprovada pelo Bureau do Conselho Internacional de Coordenação do programa da UNESCO que reuniu em Paris. 

Caminho pedestre composto pelo percurso Caldeirão, Ponta do Marco e Cancela Nova (PR2COR).
Este percurso pedestre desenvolve-se em duas zonas de protecção especial da natureza. Uma zona classificada Zona Especial de Conservação (ZEC), nos termos da Directiva Habitats, dada a riqueza da flora carregada de plantas endémicas da Macaronésia que constituem um habitante único na ilha. Este caminho pedonal, um dos mais extensos dos vários criados pela Câmara Municipal do Corvo, desenvolve-se ao longo do Serrão Alto e do Espigãozinho tem uma extensão de 5,30 quilómetros e que se inicia junto ao Miradouro do Caldeirão e tem o seu fim no local denominada Cancela do Pico. Caracteriza-se por ter um grau de dificuldade elevado para os pedestres, devido principalmente às características acidentadas das veredas e atalhos percorridos, mas também por parte do percurso ser próximo de altas falésias, algumas com cerca de 700 metros de altitude, e também pela presença ocasional e repentina de nevoeiros que surgem devido à altitude. A realização deste percurso só é aconselhada pelo município na presença de um guia de campo, facto pelo qual não se encontra sinalizado. O trilho estende-se pelo elevado cume do Caldeirão, tendo de um lado a brilhante Lagoa do Caldeirão a cintilar no fundo de uma cratera que roda os 600 metros de profundidade e do outro o mar no fundo de uma falésia que atinge em alguns pontos os 700 metros e que constitui a falésia mais alto do seu tipo em todo o Atlântico Nordeste. O percurso acompanha várias formações geológicas de grande interesse para a espeleologia e para petrografia ao permitir-nos ler as fazes geológicas da formação da ilha. É de salientar a presença de vários cones vulcânicos. O pedestre ao chegar à parte mais escarpada do Caldeirão é obrigado a descer o trilho que se dirige a norte e desce a encosta norte da montanha abrindo uma imensa paisagem cuja amplitude se estende por um horizonte de mar e se queda no local denominado Ponta do Marco e numa pequena praia, a esquerda, encaixada na falésia. Neste ponto o percurso segue ao longo da falésia, por uma vereda muito acidentada, sendo que os pedestres são aconselhados a não se chegar muito à beira da falésia. É por aqui possível matar a sede numa fonte de água potável que se encontra a meia encosta. Mais a frente a paisagem altera-se e o caminhante envereda por um caminho de terra ladeado por abundantes bardos de hortênsias (Hydrangea macrophylla) que em comparação com a paisagem anterior, aconchegam o caminhante. Este caminho leva o caminhante ao local da Cancela do Pico, onde o trilho termina. 

Caminho pedestre composto pelo percurso denominado Cara do Índio (PR1COR).
Este percurso que se eleva até cerca de 400 metros de altitude, encontra-se devidamente assinalado e tem um indicie de dificuldade considerado médio, estende-se pelo espaço compreendido entre o Morro da Fonte, Urzea e Pão de Açúcar, ao longo do limite de duas zonas de protecção especial da natureza. Uma zona classificada como Zona de Interesse Especial, (ZIE) e outra classificada como Sítio de Interesse Comunitário (SIC) dada a riqueza da flora carregada de plantas endémicas da Macaronésia que constituem um habitante único na ilha. Este caminho pedonal tem uma extensão de 3,5 quilómetros e tem o seu início junto ao local denominado Cova Vermelha, vindo a findar na Vila do Corvo. Este caminho atravessa antigos caminhos rurais, canadas rodeadas por muros de pedra e dirige-se para a costa até chegar junto à alta falésia que margina a terra do mar. Quando o caminhante encontra este ponto deve voltar à direita na trilha e aproximar-se da fronteira entre a terra e o mar sendo-lhe assim permitido ver uma obra escultória feita pela natureza que ao longo se séculos de constante luta entre os elementos, a terra, o mar e o vento fez esculpir no duro basalto o que os habitantes acreditam ser a cara de um índio. Deste ponto deve voltar-se para trás parte do caminho, seguindo sempre, no entanto junto da falésia de forma a poder ter a noção da imensa arriba e a encontrar uma velha canada que deverá seguir para volta à Vila do Corvo.
Ao longo desta parte do percurso encontram-se pelo caminho antigos abrigos usados pelos lavradores para abrigarem os gados e por vezes a si mesmos das inclemências de um clima de altitude. Encontra-se também curiosas formações geológicas cuja origem se perde na formação da própria ilha e que devido aos milhares de anos de existência se encontram amaciadas pela erosão. É também de referenciar a existência de típicos bebedores de animais, específicos desta ilha. Ao atravessar este percurso o caminhante vai encontrar uma curiosa vegetação endémica típica da Macaronésia onde proliferam grandes aglomerados de briófitas, formações musgosas de grandes dimensões e aglomerados de Cedro-do-mato (Juniperus brevifolia).



Gastronomia

             São típicas as Couves da Barca, o Feijão Assado à Corvo, as tortas de Erva do Calhau, a broa de milho e o queijo típico local e molho-de-fígado.