Translate

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de Santa Cruz da Graciosa

Brasão de Santa Cruz da Graciosa

Localização

          Santa Cruz da Graciosa é um concelho açoriano sito na ilha Graciosa, no Grupo Central do arquipélago, tem 60,94 km² de área e é subdividido em 4 freguesias, o território do concelho ocupa a totalidade da ilha Graciosa e seus ilhéus, sendo assim rodeado pelo Oceano Atlântico. A sede do concelho é a vila de Santa Cruz da Graciosa, um povoado situado na costa nordeste da ilha. O concelho de Santa Cruz da Graciosa ocupa todo o território da ilha Graciosa e seus ilhéus (Ilhéu da Praia, ilhéu de Baixo e ilhéu das Gaivotas), perfazendo um total de 60,94 km² de área.



História :

            Após o estabelecimento do primeiro núcleo populacional no Carapacho, zona de costa baixa e abrigada no extremo sudoeste da ilha, face à pouca fertilidade dos solos na zona e à sua vulnerabilidade em relação ao mar, os primeiros povoadores buscaram o interior da ilha, explorando os seus solos férteis e aplainados.
Em poucos anos os principais núcleos populacionais estavam estabelecidos na costa nordeste da ilha, aproveitando as facilidades de desembarque que Praia da Graciosa e as calhetas da Barra e de Santa Cruz ofereciam e a relativa abundância de água nas lagunas ali existentes, além dos poços de maré que podiam ser escavados naqueles locais. Nasciam assim os povoados que viriam a ser as actuais vilas de vila de Santa Cruz da Graciosa e Praia.
Embora Vasco Gil Sodré tenha diligenciado no sentido de obter o cargo de capitão do donatário na ilha, e de ter mesmo construído uma alfândega, diligências em que foi sucedido por seu cunhado Duarte Barreto do Couto, apenas logrou, e mesmo isso não é seguro, governar a parte sul da ilha, estruturada em torno do que viria a ser a vila da Praia. A capitania da parte norte da ilha, sita em terras bem mais férteis e amplas, foi entregue a Pedro Correia da Cunha, natural da ilha do Porto Santo e co-cunhado de Cristóvão Colombo que, a partir de 1485, logrou obter ao cargo de capitão do donatário em toda a ilha, unificando a administração. Fixando-se com a família em Santa Cruz, tal levou a que este povoado suplantasse a Praia como sede do poder administrativo na ilha. Logo no ano seguinte, Santa Cruz foi elevada a vila e sede de concelho, abrangendo todo o território da ilha e, com ele, as duas paróquias então existentes: Santa Cruz e São Mateus da Praia. Esta fase em que o concelho de Santa Cruz abrangia toda a ilha terminou quando a cabeça da outra primitiva capitania, o lugar de São Mateus da Praia, foi também elevado a vila por foral concedido por Carta Régia do rei D. João III, datado de 1 de Abril de 1546. Ficou assim a ilha dividida em dois concelhos: a sul o eixo Praia e Luz (tornada freguesia autónoma em 1601); a norte o eixo Santa Cruz e Guadalupe (freguesia autónoma desde 1644). A estrutura administrativa bicéfala da ilha sobreviveu até ao século XIX, quando por força da reestruturação administrativa que se seguiu à aprovação do segundo código administrativo do liberalismo, o concelho da Praia foi extinto em 1855, sendo o seu território integrado no concelho de Santa Cruz da Graciosa, embora o decreto de extinção tenha apenas sido executado em 1867, com o fim do concelho, a Praia perdeu a categoria de vila, estatuto que só recuperaria em 2003, por força do Decreto Legislativo Regional n.º 29/2003/A, de 24 de Junho, aprovado pelo parlamento açoriano. Em 1791 Santa Cruz foi visitada pelo escritor francês François-René de Chateaubriand, que ali aportou aquando da sua passagem em direcção à América do Norte e esteve hospedado no convento franciscano de Santa Cruz, e que depois descreveu a ilha com mestria na sua obra.
Outro visitante célebre foi Almeida Garrett, que esteve em Santa Cruz em 1814, quando com apenas 15 anos visitou um seu tio que era juiz de fora em Santa Cruz. Reza a tradição que terá pregado um sermão na ilha, em óbvia contravenção da lei, e que ali terá escrito versos já reveladores do seu talento de poeta.
Também em 1879 a ilha foi visitada pelo príncipe Alberto I do Mónaco, que no decurso dos seus trabalhos de hidrografia e estudo da vida marinha, aportou à Graciosa no seu iate Hirondelle. Durante a sua permanência na ilha, desceu à Furna do Enxofre, no interior da Caldeira, tendo sido uma das primeiras vozes que se levantaram na defesa da criação de um acesso adequado que permitisse potenciar aquele local como atracção turística, ao longo da sua história a ilha foi por diversas vezes assolada por secas avassaladores, que provocaram grande sofrimento, incluindo, segundo alguns historiadores a morte de muitos habitantes. Já no século XIX, e por iniciativa de José Silvestre Ribeiro, então administrador geral do distrito de Angra do Heroísmo, procedeu-se ao envio por navio de água a partir da Terceira para combater a sede que ali grassava. De facto, no Verão de 1844 ocorreu uma seca que para além de afectar gravemente as produções agrícolas pôs em risco a sobrevivência de pessoas e animais. José Silvestre Ribeiro proveu a ilha prontamente com 90 pipas de água e mandou abrir poços e valas. Na noite de 20 de Agosto uma forte chuvada veio aliviar a crise. Devido à emigração para os Estados Unidos durante as décadas de 1950, 1960 e 1970, e à migração interna que ainda afecta a ilha, o concelho de Santa Cruz da Graciosa entrou num rápido processo de recessão demográfica que na actualidade condiciona em muito a sustentabilidade socio-económica da sociedade graciosense.

Bandeira de Santa Cruz da Graciosa

Heráldica

Armas - De negro, com um cacho de uvas de ouro folhado e sustido do mesmo. Orla de verde carregada de seis faixas ondadas de prata. Em chefe, sobre tudo na orla, um açor de sua cor, voante, tendo nas garras um escudete das quinas. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Santa Cruz da Graciosa», de negro.  

Bandeira - Amarela. Cordões e borlas de ouro e verde. Haste e lança douradas.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicações dos esmaltes. Em volta, dentro de circulos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa».


Cultura e Turismo

               A ilha tem uma forma grosseiramente oval, com 12,5 km de comprimento e 8,5 km de largura máxima. É a menos montanhosa das ilhas açorianas, atingindo 402 m de altitude máxima no bordo leste da Caldeira. Esta baixa elevação confere à ilha um clima temperado oceânico, caracterizado pela menor pluviosidade do arquipélago. O relevo do concelho é em geral aplainado, marcado por numerosos cones de escórias que lhe dão um carácter marcadamente vulcânico, com um relevo mais acentuado na parte meridional, podendo ser dividida quatro unidades geomorfológicas : 
O Maciço da Caldeira, no extremo sueste da ilha, constituído por um vulcão bem conservado, com uma caldeira central bem definida;
A Serra das Fontes, ao longo da costa nordeste, muito escarpada e muito alterada pela tectónica local;
O Complexo da Serra Dormida e da Serra Branca, ocupando o terço centro-meridional da ilha, também muito desmantelado e alterado pela tectónica local;
A Plataforma de Santa Cruz, ocupando a metade noroeste da ilha, caracterizado por um relevo adoçado, com altitude máxima em torno dos 50 m e pontuado por numerosos cones de escórias.

     O concelho de Santa Cruz, tal como acontece com a generalidade do território açoriano, tem uma estrutura de povoamento que, apesar da sua dispersão aparente, é fortemente condicionada pela rede viária. Este povoamento disperso orientado, típico da zonas de colonização recente, como são as ilhas, levou a que a estruturação urbana da Graciosa se tenha produzido ao longo de grandes eixos, correspondentes aos vales da ilha, e, por consequência, às estradas que ao seu longo afluem às duas vilas da ilha. Assim surgiram os seguintes eixos: ao longo da vale que separa o maciço da Caldeira do resto da ilha, entre a vila da Praia e o Carapacho, a Fonte do Mato, as Pedras Brancas e a Luz; em torno da Serra das Fontes, o eixo que saindo de Santa Cruz por Santo Amaro, inclui as Fontes e Guadalupe, dividindo-se aí num ramo que pelo Pontal via até às Pedras Brancas e noutro que inclui as Almas, Manuel Gaspar, Ribeirinha e Brasileira; um eixo que saindo de Santa Cruz pelo Rebentão, contorna o Pico da Hortelã, indo até à Vitória no noroeste da ilha; e finalmente, um eixo que pelas Dores vai até ao Bom Jesus e ao litoral da Vitória, numa paisagem muito aplanada e de povoamento muito disperso, bastante diferente do resto da ilha. Estes quatro grandes eixos incluem mais de 80% da população da ilha, deixando de fora apenas alguns povoados marginais, em geral satélites das vilas.
A Ponta da Restinga é uma elevação portuguesa localizada no concelho de Santa Cruz da Graciosa, ilha Graciosa, arquipélago dos Açores. Este acidente geológico tem o seu ponto mais elevado a 178 metros de altitude acima do nível do mar. Embora de pequena altitude esta elavação é relevante para uma ilha onde o ponto mais alto o Pico da Furna do Enxofre tem apenas 408 metros. Esta elevação encontra-se próxima da localidade do Carapacho, do Farol da Ponta da Restinga, da Baía da Poça e do Ilhéu de Baixo.
Devido à altitude a que se encontra oferece uma excelente panorâmica sobre a paisagem circundante e sobre a costa que se apresenta recortada e enfeitada por pelos vulgarmente denominados Ilhéus do Carapacho.
A Natureza e os elementos antrópicos que compõem a paisagem da ilha Graciosa parecem procurar uma convivência harmoniosa. Do alto do miradouro do Monte de Nossa Senhora da Ajuda, junto a uma ermida singela e digna, avista-se o casario branco da vila de Santa Cruz. Ao lado, vislumbram-se moinhos de vento e o reticulado dos muros que delimitam as parcelas de vinha. Antes de descer até à vila para apreciar os pormenores, repare naquela que é uma das mais curiosas associações entre o espírito inventivo do Homem e a natureza geológica dos Açores: uma praça de touros, milimetricamente circular e edificada no interior de uma cratera vulcânica. Santa Cruz destaca-se pelas casas típicas eruelas de pavimento empedrado, ramificadas a partir da ampla praça central, onde despontam o coreto, tanques de água salobra e araucárias. A Igreja Matriz da vila tem origens no final do século XVI mas uma reconstrução mais tardia deu-lhe marcas barrocas. O património arquitectónico da ilha está preservado em vários tipos de edificações, com destaque para igrejas, ermidas, casas rurais, moinhos de vento e uma curiosa “arquitectura da água” associada a uma centenária rede de reservatórios e sistemas de abastecimento de água potável. Guadalupe, Luz e Vitória são sítios para visitar com os sentidos despertos. Na vila da Praia, cortinas rendilhadas espreitam por detrás dos vidros, barcos de pesca pintalgam o porto e gente local saúda o visitante. Moinhos recuperados magnetizam o olhar, fruto das garridas cores de portas e janelas. Por dentro, estão preparados para servir de moradia temporária, num exemplo paradigmático de turismo que aproveita a herança patrimonial.
Paisagens Vulcânicas - A Caldeira da Graciosa é o elemento paisagístico mais emblemático da ilha e corresponde a uma depressão de colapso de forma elíptica, com diâmetros de 1,6 e 0,8 quilómetros e cerca de 270 m de profundidade. Esta depressão está implantada no topo do vulcão da Caldeira, o mais pequeno edifício vulcânico central existente nos Açores. A subida à Furna da Maria Encantada ou a entrada na caldeira pelo túnel que lhe dá acesso permitem uma panorâmica de toda a depressão e da abundante e pujante vegetação plantada pelo Homem: criptomérias, acácias, pinheiros e incensos cobrem a quase totalidade das paredes da caldeira e contrastam com a vegetação de outras áreas da ilha. No interior da Caldeira está uma imponente cavidade vulcânica, a Furna do Enxofre. Comunicando com o exterior através de duas grandes fendas, a Furna do Enxofre é uma cavidade em abóbada perfeita, com cerca de 40 m de altura na sua parte central. O acesso ao seu interior faz-se através de uma torre edificada no início do século XX, com uma escadaria em caracol, de 183 degraus. A “catedral” das cavidades vulcânicas dos Açores possui um lago de água fria e uma fumarola com lama, responsável pelo cheiro a enxofre, que remete para a designação desta cavidade e recorda a sua origem vulcânica. Por seu turno, a Caldeirinha de Pêro Botelho corresponde ao único algar vulcânico existente na ilha, com cerca de 37 m de profundidade. Explorado pela primeira vez em 1964 pela Associação “Os Montanheiros”, este profundo buraco permite recriar uma viagem de Júlio Verne ao interior da Terra, mas apenas recomendada a exploradores experimentados e providos do equipamento necessário. O Pico Timão é um dos maiores cones de escórias da ilha Graciosa e junto com a Ponta Lagoa – Arrochela está ligado à última erupção vulcânica ocorrida na ilha Graciosa, há aproximadamente 2.000 anos atrás.





Gastronomia

                O peixe fresco colhido no mar generoso dos Açores é tradicionalmente servido em caldeirada, ou assado. O alho e a meloa da Graciosa alcançaram um estatuto gourmet e são produtos de eleição em várias receitas, mas se há produto característico são os doces que adoptaram o nome da ilha: as Queijadas da Graciosa, inspiradas na receita centenária das covilhetes de leite. A doçaria local, vasta e saborosa, propõe ainda cavacas, escomilhas, capuchas, pastéis de arroz ou encharcadas de ovos. O vinho da Graciosa, proveniente da casta original verdelho, suportou a devastação da filoxera. Actualmente, com o recurso também a outras castas, os brancos produzidos em região demarcada permanecem bons companheiros da gastronomia regional. A aguardente e os vinhos aperitivos complementam o leque de bebidas autóctones.

Queijadinhas da Graciosa 

Encharcada de Ovos 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho da Praia da Vitória - Açores

Brasão de Praia da Vitória

Localização

              Praia da Vitória é uma cidade e Concelho localizada na parte leste da ilha Terceira, no grupo central do arquipélago dos Açores, é sede de um município com 162,29 km² de área e subdividido em 11 freguesias. O município, um dos dois da ilha, é limitado a sul e oeste pelo município de Angra do Heroísmo e pelo oceano Atlântico a norte e a leste.



História

           Instalados definitivamente os primeiros povoadores na ilha Terceira, passou Jácome de Bruges, primeiro capitão do donatário da ilha, ao lugar da Praia, onde fixou a sua residência, juntamente com seu lugar-tenente Diogo de Teive. A Praia constituiu-se assim na sede da capitania da Terceira entre 1456 e 1474, ano em que a ilha foi dividida em duas capitanias, pelo desaparecimento do donatário, ficando a capitania da Praia a cargo de Álvaro Martins Homem. A região desenvolveu-se com rapidez, graças à cultura do pastel e do trigo. Desse modo, a Praia foi elevada a Vila, sede de Concelho, em 1480, ainda ao tempo de Álvaro Martins Homem. No último quartel do século XVI, Gaspar Frutuoso assim descreve a vila:
"(...) e logo está a vila da Praia, nobre e sumptuosa e de bons edificios, edificados por muito bom modo, cercada de boa muralha, com os seus fortes e baluartes toda em redondo, povoada de nobres e antigos moradores, como uma das mais antigas povoações da ilha, rodeada de fermosas e ricas quintas de nobres e grandiosos fidalgos, com uma freguesia e sumptuosa igreja de três naves, com a capela-mor de abóbada e portais e pilares bem lavrados de pedra mármore, toda cercada de capelas de grandes morgados (...) sua invocação principal é de Santa Cruz (...)."
"(...) onde há casa de Misericórdia e hospital, com duas igrejas, uma do hospital do Espírito Santo e outra de Nossa Senhora, com uma nave pelo meio (...); e um fermoso mosteiro de S. Francisco em que continuamente residem dez ou doze religiosos, onde há muitas capelas de morgados semelhantes aos acima ditos; três mosteiros de freiras, o mais principal dos quais é de Jesus (...), de quarenta freiras de véu preto e os dois, um de Nossa Senhora da Luz e outro das Chagas, da obediência e da observância de S. Francisco, em que há menos religiosas." 
No contexto da Dinastia Filipina, aqui se travou a batalha da Salga (1581). Foi na Praia que o pretendente ao trono de Portugal, D. António Prior do Crato, foi aclamado rei aquando do seu desembarque nesta localidade em 1582. Posteriormente, no contexto da Restauração da Independência Portuguesa, foi na Praia que se deu a aclamação de João VI de Portugal, quando da chegada de Francisco Ornelas da Câmara à Terceira, a povoação foi arrasada pelo grande terramoto de 1614, tendo o mar tragado as que lhe ficavam mais próximas. Durante o século XVII foi reconstruída, continuando presa de diversos abalos sísmicos menores. No decorrer da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), aqui se travou ainda a batalha da baía da Praia (11 de Agosto de 1829), quando frustrou a tentativa de desembarque de uma esquadra de tropas miguelistas. Esta vitória levou a que, por carta régia de 12 de Janeiro de 1837, como reconhecimento, lhe fossem outorgados os títulos de "Mui Notável" e "da Vitória" pela soberana. A sua importância económica permaneceu, apesar do grande terramoto de 15 de Junho de 1841 (a chamada "Caída da Praia") que a destruiu parcialmente. A sua reconstrução, a partir dos meados do século XIX deveu-se à iniciativa do Conselheiro José Silvestre Ribeiro. O padre Jerónimo Emiliano de Andrade, que viveu em meados do século XIX, refere:
"Apenas o viajante sai da freguesia do Cabo da Praia tem logo à vista a magnífica e majestosa Vila da Praia da Vitória, que lhe fica a uma distância de pouco mais de um quarto de légua. (...)"
A vila foi elevado à categoria de cidade a 20 de Junho de 1981, tendo se designado Vila da Praia da Vitória até 1983, na segunda metade do século XX foi construído no lugar das Lajes um aérodromo de grandes dimensões, o Aeroporto das Lajes. A essa importante obra juntou-se, mais recentemente, o Porto Oceânico da Praia da Vitória, com um molhe com 1400 metros de extensão, também de grande importância para a economia regional. Junto ao porto oceânico localiza-se o principal centro industrial da ilha.

Bandeira de Praia da Vitória

Heráldica

Armas - De ouro, com um leão rampante de vermelho acompanhado por duas palmas de verde. Em chefe, um açor de sua cor voando, tendo nas garras uma quina de Portugal. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com os dizeres: «Mui Notável Cidade da Praia da Vitória», de negro. 

Bandeira - De vermelho. Cordões e borlas de ouro e de vermelho. Haste e lança douradas. 

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal da Praia da Vitória».


Cultura e Turismo

            O relevo do Concelho é marcado pela planície do Ramo Grande, que no passado constitui-se no celeiro da ilha e hoje quase totalmente ocupada pelo aeroporto das Lajes, pelo maciço vulcânico da serra do Labaçal, no qual se destaca o pico Agudo (833 metros), pela serra do Cume e pela serra de Santiago.
A linha de costa é bastante acentuada, predominando as arribas e as zonas de calhau. A baía da Praia da Vitória abriga um extenso areal, o único da ilha e o mais extenso do arquipélago. A paisagem do Concelho encontra-se quase que totalmente explorada pelo Homem, seja pela agricultura, seja pela pecuária. A área florestal está ocupada por várias espécies, destacando-se a criptoméria, o eucalipto, a acácia e o pinheiro.
Nas reservas naturais do Pico Alto e do Biscoito da Ferraria, encontram-se preservados restos da flora endémica da ilha, como o cedro-do-mato ("Juniperus brevifolia, Antoine"), a urze ("Erica azorica, Hochst", o pau-branco ("Picconia azorica") e o folhado ("Viburnum treleasei"). A cidade está situada à beira-mar, numa grande planície rodeada por um lado pela Serra do Facho, que lhe apresenta uma perspectiva de terrenos em declive cobertos de verde, e pela extensa praia em forma de meia-lua. A protegê-la ainda dos ventos dominantes eleva-se a Serra do Cume, que forma o Complexo desmantelado da Serra do Cume.
O centro histórico da cidade conserva casas seculares, com curiosos trabalhos em cantaria e belas janelas e varandas, bem como um interessante património arquitectónico. 
Igreja Matriz - Foi em 1456, que Jácome de Bruges, o primeiro Capitão do Donatário da então Vila da Praia, fundou a Igreja Matriz da Praia da Vitória. Considerado um dos maiores e mais belos monumentos religiosos da ilha Terceira, a Matriz encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público desde 11 de Junho de 1980. Do complexo que compõe a igreja destaca-se o pórtico da fachada principal e os dois portais laterais quinhentistas, ao estilo Manuelino, a esplendorosa rosácea gótica e no seu interior a talha barroca do século XVIII da Capela do Santíssimo Sacramento e a Capela-Mor com talha dourada barroca do século XIX.


Igreja da Misericórdia - A Igreja da Misericórdia é um templo que remonta ao século XVI, dedicado ao Senhor Santo Cristo. É um edifício de duas naves, separadas por uma colunata, formando duas Igrejas com as respectivas Capelas-Mor, a do Espírito Santo e a de Nossa Senhora da Visitação. A Igreja do Espírito Santo foi construída em 1496 e a Igreja da Misericórdia em 1498. As duas igrejas construídas lado a lado, foram unificadas em 1521, a quando da União das Irmandades. Foi reedificada no século XX, após ter sido atingida, em 1921, por um violento incêndio.



Zona Balnear dos Biscoitos - Com origem a partir das antigas erupções vulcânicas que decorreram em toda a zona que abrange a freguesia dos Biscoitos, esta zona balnear caracteriza-se por um conjunto de formações geológicas resultantes de escoadas de lava, que ao entrarem em contacto com a água do mar e com as diferenças de profundidade, acabaram por criar curiosas formações geológicas. Desde 1969 a disposição natural destas formações foi aproveitada para a criação de espaços de lazer e de banhos. A praia possui acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida e tem ostentado nos últimos anos o galardão de Bandeira Azul.



Parque das Frechas - Descreve Gaspar Frutuoso em 1589, que “Há neste lugar da Agualva muitos pomares e frescos bosques de árvores e rosales (…) onde muitos homens nobres de toda a ilha e fora dela vão tomar recreação.” Desde cedo que a esta freguesia acorriam visitantes em busca do lazer junto dos espaços verdes que aqui se encontram abundantemente. A zona de lazer que na Agualva se encontra, é um local de excelência para se desfrutar da natureza no seu estado mais puro. Sítio com condições propícias para a realização de merendas e de campismo. Nas suas proximidades localizam-se as Frechas. Aí se inicia o principal curso de água da freguesia, a Ribeira da Agualva. Este curso é responsável por 60% do abastecimento de água do concelho da Praia da Vitória. Junto à nascente é possível visitar o local onde se efectua o processamento da água.


Gastronomia

               Da gastronomia terceirense são características a sopa do Espírito Santo, a caldeirada de peixe com maçãs, a alcatra, o sarapatel e a morcela. À sua doçaria típica pertencem a massa cevada, os confeitos, as donas-amélias, os camafeus, os alfenins e os cavilhetes de leite. Já nos vinhos têm fama os Verdelhos dos Biscoitos.
                                                                                                     Alfenins 
 
Camafeus 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de Angra do Heroísmo - Açores

Brasão de Angra do Heroísmo

Localização

            Angra do Heroísmo é uma cidade que se localiza na costa Sul da Ilha Terceira, nos Açores, é sede de um município com 239 km² de área e subdividido em 19 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município da Praia da Vitória, sendo banhado pelo Oceano Atlântico em todas as demais direcções, constitui-se na capital histórica e em sede da diocese dos Açores. Abriga ainda um destacamento militar, o Regimento de Guarnição nº 1. A riqueza de seu património edificado fê-la ser classificada como cidade Património Mundial pela UNESCO desde 1983. Juntamente com Ponta Delgada e Horta, Angra constitui uma das capitais regionais.


História

           O local escolhido pelos primeiros povoadores foi uma crista de colinas, que se abria, em anfiteatro, sobre duas baías, separadas pelo vulcão extinto do Monte Brasil. Uma delas, a denominada "angra", tinha profundidade para a ancoragem de embarcações de maior tonelagem, as naus. Tinha como vantagem a proteção de todos os ventos, exceto os de Sudeste.
As primeiras habitações foram erguidas na encosta sobre essa angra, em ruas íngremes de traçado tortuoso dominadas por um outeiro. Neste, pelo lado de terra, distante do mar, foi iniciado um castelo com a função de defesa, à semelhança do urbanismo medieval europeu: o chamado Castelo dos Moinhos. Por carta passada pela Infanta Dna. Beatriz em 2 de abril de 1474, a capitania de Angra foi doada a Álvaro Martins Homem, que ao tomar posse dela deu início aos trabalhos da chamada Ribeira dos Moinhos, aproveitando a forças de suas águas e lançando as bases para o futuro desenvolvimento económico da povoação. A partir da proteção propiciada pelo Castelo dos Moinhos (atual Alto da Memória), o casario acompanhou a Ribeira dos Moinhos até à baía, primitivamente por ruas e vielas sinuosas - ruas do Pisão, da Garoupinha, de Santo Espírito, das Alcaçarias - cuja toponímia conservou a memória de suas actividades económicas. Martins Homem deu início à chamada Casa do Capitão, posteriormente acrescentada por João Vaz Corte Real, que também procedeu à canalização da Ribeira, à construção do primitivo Cais da Alfândega, da muralha defensiva da baía de Angra e do Hospital de Santo Espírito, ao mesmo tempo, liberava a àrea do vale para que, de acordo com os princípios do urbanismo do Renascimento, pudessem ser abertas ruas obedecendo a um plano ortogonal, organizadas por funções, de acordo com as necessidades do porto que crescia com rapidez. Nesse plano ortogonal serão abertas as ruas da Sé e Direita, ligando os principais elementos da cidade: o porto e a casa do capitão nos extremos do braço menor, os celeiros do Alto das Covas e a Câmara Municipal nos do braço maior. Ao longo do século XVI a cidade crescerá até ao Alto das Covas e a São Gonçalo, embora com ruas de traçado mais irregular. Desse modo, em poucos anos, desde 1478, a povoação fora elevada à categoria de vila e, em 1534, ainda no contexto dos Descobrimentos, foi a primeira do arquipélago a ser elevada à condição de cidade. No mesmo ano, foi escolhida pelo Papa Paulo III para sede da Diocese de Angra com jurisdição sobre todas as ilhas dos Açores, as razões para esse vigoroso progresso deveram-se à importância do seu porto como escala da chamada Carreira da Índia, centrado na prestação de serviços de reabastecimento e reaparelhamento das embarcações carregadas de mercadorias e de valores. Por essa razão desde as primeiras décadas do século XVI aqui foi instalada a Provedoria das Armadas, com essa função e a de apoiar a chamada Armada das ilhas. Posteriormente, no contexto da Dinastia Filipina, a estes vieram juntar-se os galeões espanhóis carregados de ouro e prata, oriundos das Índias Ocidentais, numa rota que se estendia de Cartagena das Índias, passava por Porto Rico e por Angra, e alcançava Sevilha. Para apoiar essas fainas, foram implantados os primeiros estaleiros navais, na Prainha e no Porto das Pipas, e as fortificações que fecham a baía: o chamado Castelo de São Sebastião e o de São João Baptista. A cidade, mais de uma vez, teve parte ativa na história de Portugal: à época da Crise de sucessão de 1580 resistiu ao domínio Castelhano, apoiando António I de Portugal que aqui estabeleceu o seu governo, de 5 de Agosto de 1580 a 6 de Agosto de 1582. O modo como expulsou os espanhóis entrincheirados na fortaleza do Monte Brasil em 1641 valeu-lhe o título de "Sempre leal cidade", outorgado por João IV de Portugal.
Posteriormente, aqui esteve Afonso VI de Portugal, detido nas dependências da fortaleza do Monte Brasil, de 21 de Junho de 1669 a 30 de Agosto de 1684, Angra constitui-se na capital da Província dos Açores, sede do Governo-geral e em residência dos Capitães-generais, por Decreto de 30 de Agosto de 1766, funções que desempenhou até 1832, foi sede da Academia Militar, de 1810 a 1832. No século XIX, Angra constitui-se em centro e alma do movimento liberal em Portugal. Tendo abraçado a causa constitucional, aqui se estabeleceu em 1828 a Junta Provisória, em nome de Maria II de Portugal. Foi nomeada capital do reino por Decreto de 15 de Março de 1830. Aqui, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), Pedro IV de Portugal organizou a expedição que levou ao desembarque do Mindelo e aqui promulgou alguns dos mais importantes decretos do novo regime, como o que criou novas atribuições às Câmaras Municipais, o que reorganizou o Exército Português, o que aboliu as Sisas e outros impostos, o que extinguiu os morgados e capelas, e o que promulgou a liberdade de ensino no país, em reconhecimento de tantos e tão destacados serviços, o Decreto de 12 de Janeiro de 1837 conferiu à cidade o título de "mui nobre, leal e sempre constante cidade de Angra do Heroísmo", e condecorou-a com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada.
A cidade sempre teve forte tradição municipalista, e a sua Câmara Municipal foi a primeira do país a ser eleita, já em 1831, após a reforma administrativa do Constitucionalismo (Decreto de 27 de Novembro de 1830). Em Angra encontraram refúgio Almeida Garrett, durante a Guerra Peninsular, e a rainha Maria II de Portugal entre 1830 e 1833, durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834). Por aqui passou Charles Darwin, a bordo do "HMS Beagle", tendo aportado a 20 de Setembro de 1836. Darwin partiu daqui para a ilha de São Miguel em 23 de setembro, após fazer um passeio a cavalo pela ilha, onde entre vários locais visitou as Furnas do Enxofre, tendo na altura afirmado que a nível biológico "nada de interessa encontrar". Mais tarde, e reconhecendo o seu erro, pediu a vários cientistas, nomeadamente a Joseph Dalton Hooker, a Hewett Cottrell Watson e a Thomas Carew Hunt que lhe enviassem espécimes da flora endémica da Macaronésia e também amostras geológicas. 

Bandeira de Angra do Heroísmo

Heráldica

Armas - De prata com um castelo de vermelho aberto e iluminado de ouro, assente num contra-chefe de quatro faixas, duas de verde e duas de prata. Em chefe um açor de sua cor, voante, tendo nas garras uma quina de Portugal. Coroa mural de prata de cinco torres. O escudo acompanhado lateralmente e no pé pelo colar da Ordem da Torre e Espada. Listel branco com os dizeres “Cidade de Angra do Heroísmo” de negro.

Bandeira - Quarteada de quatro peças de amarelo e quatro de vermelho. Cordões e borlas de ouro e de vermelho. Haste e lança douradas.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres “Câmara Municipal de Angra do Heroísmo” de negro.


Cultura e Turismo

          A riqueza de um Concelho vai muito mais além do que o seu património edificado, Angra, conhecida e reconhecida pelo seu rico património histórico, pela traça única da cidade, alberga em si um vasto património natural que urge promover, divulgar, revelar os seus segredos a todos os angrenses e a quem nos visita. Das grutas aos trilhos pedestres, das lagoas aos miradouros, o Concelho de Angra revela-se impar na sua diversidade, permitindo conhecer o que somos e o que fomos, revelado pelo património subaquático da baía de Angra, pela imponência das crateras dos vulcões do Monte Brasil e da serra de Santa Bárbara, pela existência de uma flora que o tempo e a geografia foram preservando únicas, um Concelho que associa a história à preservação ambiental, cujo conhecimento se torna agora mais acessível, através do magnífico trabalho efectuado. Angra e o seu património fazem-nos perder nas delícias de um passeio, na observação de paisagens luxuriantes que podem surgir do nada. Cada espaço estimula a descoberta, cada descoberta encobre outra.Existe no concelho de Angra do Heroísmo um conjunto de locais com observação privilegiada sobre a paisagem, que exibem algumas das melhores características do seu património natural ou na adaptação do meio às necessidades da população, operadas pelo Homem ao longo dos séculos.
Miradouro da Memória - Onde outrora estava uma antiga fortaleza, foi terminado em 1856 o monumento a D. Pedro IV, esta pirâmide quadrangular em pedra, vulgarmente conhecida como a Memória, verdadeiro ex-líbris da cidade. Deste admirável e sobranceiro Miradouro da Memória, que tende a concentrar o olhar na baixa da cidade e no seu jardim público, tem-se no entanto uma panorâmica alargada sobre esta cidade Património da Humanidade. Entre os edifícios classificados, agarrados às suas típicas varandas, e as ruas de traços geométricos e calçadas paralelepipédicas, destacam-se a Sé Catedral dos Açores, a Baía de Angra e os Castelos de São João Baptista e de São Sebastião.

O concelho de Angra do Heroísmo apresenta um diversificado património espeleológico, sendo conhecidas cerca de 44 cavidades naturais, de diferentes tipos. Correspondem a vários quilómetros de caminhos subterrâneos, onde se escondem muitos segredos e estranhas formas de vida.
Gruta do Natal - A Gruta do Natal localiza-se no interior da ilha Terceira, dentro da área protegida da Serra de Santa Bárbara e Mistérios Negros. É actualmente uma das duas grutas visitáveis turisticamente na ilha Terceira. No seu interior podem ser observadas estruturas geológicas diversas: escorrências de diferentes tipos de lava, estafilites e pequenos balcões laterais. Apresenta-se como um espaço didáctico a que cada vez mais pessoas recorrem, para tomarem um primeiro contacto com algo de diferente e compreenderem as manifestações vulcânicas que se encontraram na génese destas ilhas. Esta cavidade vulcânica terá tido a sua origem nas lavas de erupções fissurícolas ocorridas nas suas imediações, em data incerta. Este tubo de lava, com 697 m de comprimento total, apresenta um trânsito fácil no seu interior, um chão com poucos desníveis e tectos altos. O circuito interno é feito para que o visitante percorra no regresso um trajecto diferente. À esquerda do Altar apresenta-se outra secção da gruta, que poderá ser visitada por pessoas mais experientes. A Associação Os Montanheiros, ONGA responsável pela gestão da Gruta, organizaram a 25 de Dezembro de 1969 a primeira Missa de Natal no interior da mesma, que assumiu assim a actual designação de Gruta do Natal. Esta data marca ainda a abertura da gruta pela primeira vez à população em geral, para tal tendo sido construído um acesso simples e instalada uma iluminação rudimentar. A 1 de Dezembro de 1998 foi inaugurada a primeira Casa-apoio para exploração turística desta gruta, com ampliação em 2006, num projecto que colocava como prioridade a integração do edifício na paisagem envolvente. No interior do edifício é possível apreciar uma exposição fotográfica, da actividade histórico-social ocorrida nesta gruta, nomeadamente dos baptizados, missas e casamento realizados no seu interior.

Jardim Duque da Terceira - No centro da cidade de Angra do Heroísmo situa-se o Jardim Duque da Terceira, um dos mais belos jardins clássicos dos Açores, criado em 1882, por iniciativa do Governador Civil Afonso de Castro, ocupando uma área de cerca de 17.500 m2. Está implantado nas antigas cercas dos Conventos Franciscano e Jesuíta que se localizam nas proximidades. Ainda conserva dois interessantes testemunhos da antiga cerca dos Franciscanos: O “Tanque do Preto”, antigo tanque de rega da cerca, tendo, num dos topos, uma híbrida estátua de negro com cocar de índio brasileiro soprando água por um tubo; e o conjunto de quatro painéis de azulejos representativos da parábola do “Filho Pródigo”, de fabrico lisboeta de c. 1740, com muito interesse pela figuração de ambientes rústicos e cenas domésticas. Deve a sua concepção original ao agrónomo belga Francisco José Gabriel. Desde o seu início, foram várias as concepções estéticas aplicadas, sejam o rústico, geometrizado francês e romântico inglês, com uma maravilhosa mata de que restam poucos exemplares, formando um requintado mosaico cultural. À volta do coreto, no plano mais baixo, ainda hoje é privilegiado o tipo de jardim francês. A sua construção foi, primeiramente, com o propósito de passeio público, dando origem a um jardim de aclimatização devido às características edafo-climáticas dos Açores, que proporcionam condições excepcionais para o desenvolvimento de plantas dos mais variados quadrantes do mundo. A grande variedade de espécies botânicas do jardim dispõe-se ao longo da encosta que, do centro da urbe, conduz ao alto da Memória, admirável miradouro sobre a cidade e onde, em monumento com a forma de obelisco, construído entre 1845 e 1856, se relembra D. Pedro IV e a causa liberal.



Gastronomia

              A gastronomia da Terceira é afamada pela alcatra, geralmente de carne de vaca, mas também de peixe. O prato é típico por ser cozinhado lentamente num tacho de barro, para apurar e espessar o molho composto por toucinho, cebola, alho, louro, pimenta e vinho, entre outros ingredientes. Acompanha geralmente com pão ou massa sovada. Este método de confecção é igualmente aplicado a outras iguarias: galinha, feijão, coelho, polvo e favas. Na doçaria ganha destaque as queijadas Dona Amélia, onde o mel de cana e a canela se associam a corintos e cidras. Diz a lenda que o nome do bolinho está associado à passagem da rainha D. Amélia pela Terceira. Os coscorões, as cornucópias (com recheio de doce de ovos) ou o arroz doce complementam a lista de sobremesas.  A paisagem da região dos Biscoitos é marcada pela vinha, disposta em “curraletos”. Das uvas da casta verdelho, nasce um tipo específico de vinho, defendido e divulgado desde 1993 pela Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos. Na Casa Agrícola Brum funciona um Museu do Vinho, onde o visitante tem o privilégio de provar o vinho licoroso Angelica. 

                                                                                                        Donas Amélias 
Donas AméliasAlcatra
Alcatra 


Cornucópias
Cornucópias 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de São Roque do Pico - Açores

Brasão de São Roque do Pico

Localização

           São Roque do Pico é uma vila portuguesa na ilha do Pico, Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 144,31 km² de área e subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a sul pelo município de Lajes do Pico, a oeste pela Madalena e a norte pelo oceano Atlântico.



História

           Este concelho foi criado por Foral datado de 10 de Novembro de 1542 por ordem do rei Dom João III de Portugal e desde então tem passado pela evolução dos tempos, sendo muito marcado pela caça à baleia que deixou, um pouco por toda a ilha do Pico, mas nesta vila em particular a sua marca. Foi igualmente um concelho exportador de trigo e pastel para o Reino. Os terrenos de lava foram arduamente trabalhados e transformados em férteis pomares de laranjeiras, cujos frutos são de grande qualidade. Cultivaram-se produtivos vinhedos, onde se destaca a Casta de Verdelho.

Bandeira de São Roque do Pico


Cultura e Turismo

             Para os apreciadores das caminhadas pela natureza são ideais os passeios turísticos pelos caminhos antigos do concelho. A visita às lagoas constitui outro dos pontos de interesse do município. Na vulgarmente designada “estrada do mato” São Roque – Lajes, passada a sinalização da “Reserva Natural da Montanha do Pico”, à direita encontramos a conhecida Lagoa do Capitão. Na mesma estrada, mas continuando pela esquerda, temos a partir do cruzamento de acesso à Lagoa do Caiado, percorrendo zonas cobertas de vegetação endémica, outras pequenas lagoas ao longo do planalto central.
O concelho é propício na oferta de actividades ao ar livre, desde os passeios a pé ou de bicicleta, à natação, pesca de rocha ou submarina, passando pela caça e campismo possui todos os atractivos para inesquecíveis dias de lazer. A diversidade de piscinas naturais, de águas límpidas, formadas por rochas vulcânicas, convidam à natação. Os amantes da pesca de rocha encontram dezenas de diferentes espécies, entre elas o sargo, o carapau, a garoupa e o pargo. A riqueza da flora e da fauna submarina, aliada a curiosas formações rochosas apelam à caça e observação submarinas. Além da possibilidade de observar cachalotes e golfinhos, recorrendo às empresas que se dedicam a essa prática.
Para os apreciadores da caça está aberta a do coelho durante todo o ano, sendo também permitido, mediante licença, caçar galinholas, perdizes e codornizes. O Jardim Municipal constitui mais um recanto de natureza em plena vila, com espaços adequados ao divertimento dos mais novos e actuações de que são exemplo os Concertos de Verão. Os parques florestais de Santa Luzia e Prainha, dotados de zonas de lazer e equipamentos adequados à realização de agradáveis piqueniques, oferecem, também, bons momentos de descontracção. Para quem gosta de acampar, o Parque de Campismo Municipal da Furna é um local privilegiado e acolhedor, com uma agradável arborização, restaurante e demais equipamentos de apoio, mesmo em frente a uma zona balnear. Além das actividades ao ar livre, o concelho oferece a possibilidade de visitar museus, como o da antiga Fábrica da Baleia, e as exposições sempre presentes no Centro Multimédia, visita ideal para quem deseja conjugar o contacto com a cultura local e a utilização da Internet num dos vários computadores de livre utilização disponíveis no local, ambos no Cais do Pico; e o Museu da Escola de Artesanato de Santo Amaro.
As festividades com base de cariz religioso são uma constante ao longo de todo o ano, destacando-se destas as festas de São Roque e da Nossa Senhora da Ajuda. Existe ainda o “Cais Agosto”, a maior festa do concelho, onde a animação diurna e nocturna está sempre garantida com acontecimentos desportivos, exposições e música, muita música, entre muitas outras actividades. A diversidade de infra-estruturas de restauração e hotelaria é visível na oferta de vivendas particulares para aluguer e nos empreendimentos em expansão, como é o caso do Aldeamento Turístico Águas Cristalinas, situado junto à zona balnear natural das “Poças” em S. Roque, na Residencial Montanha com boas condições de acomodação e privacidade; e no turismo rural com habitações antigas de pedra restauradas, tal como oferece a Adegas do Pico. é de salientar o Museu da Indústria Baleeira, antiga Fábrica de Vitaminas, Óleos, Farinhas e Adubos, cuja matéria prima era a baleia. Este museu é formado por três corpos rectangulares, alinhados pela fachada, com cisterna acoplada e localizada no Porto Comercial do Cais do Pico, esta fábrica actualmente encontra-se transformada num museu, o Museu da Antiga Fábrica das Armações Baleeiras permite a observação dos apetrechos e equipamentos utilizados na transformação daqueles cetáceos. Com umas impressionantes caldeiras e fornalhas é internacionalmente considerado um dos melhores museus industriais do seu género.
Nesta localidade é de referir a existência de um monumento em homenagem ao Baleeiro que se situa frente à já referida Fábrica de Vitaminas, Óleos, Farinhas e Adubos, tal como o imponente Convento de São Pedro de Alcântara, cuja construção recua ao século XVIII, este convento datado de 1658 e localizado no povoado do Cais do Pico e que pertence à Ordem dos Frades Menores veio absorver uma antiga ermida dedicada a Nossa Senhora do Livramento. Esta vila tem um dos principais portos comerciais da ilha do Pico, o Porto Comercial do Cais do Pico, a Câmara Municipal de São Roque do Pico, o Tribunal da Comarca do Pico, a escola secundária e as principais instalações comerciais e urbanas do concelho. Neste concelho existe um jardim onde é possível observar grande número de plantas endémicas da flora laurissilva, típicas das florestas da Macaronésia que é o Jardim dos Serviços Florestais; localizado na estrada regional. Este jardim tem percursos pedonais, zonas de merenda, balneários, uma vez que se encontra anexo a uma sonha de banho marítimos e um parque infantil, aqui existe uma apreciável variedade de árvores, arbustos e flores, destacando-se algumas araucárias, dragoeiros, ciprestes, criptomérias, cameleiras, metrosideros, urzes, Hibiscos, roseiras, jarros, narcisos, entre outras.
A zona balnear que se localiza junto ao mar é composta por piscinas naturais, estando os balneários de apoio localizados no interior do jardim. Numa das extremidades do jardim situam-se duas construções (habitação e instalações de serviços públicos) edificadas nos anos sessenta e uma outra mais recente.
Um pouco antes do referido jardim e do Convento de São Pedro de Alcântara, encontra-se uma estátua do rei D. Dinis de Portugal, com os olhos postos no mar. Esta estátua teve a sua inauguração no dia 16 de Agosto de 1940, nesse acontecimento fez-se o lançamento por avião de flores de hortênsias. A Igreja Matriz de São Roque ao longo dos séculos e devido as vicissitudes de se localizar num arquipélago fortemente marcado pelos acontecimentos telúricos teve várias reconstruções, o primeiro templo, e segundo Silveira Macedo, datava de 1480. Em 1542 foi necessário proceder à construção de um novo templo, que apesar de várias obras de manutenção, particularmente em 1776, é o que actualmente (2010) ainda se pode observar, neste templo salienta-se os seus preciosos altares em talha dourada, assim como imagens do século XVI do santo patrono e do Século XVII de Santa Ana, uma estante de missal em madeira de jacarandá com embutidos de marfim e um lampadário em prata oferecido pelo Rei D. João V de Portugal no século XVIII.



Gastronomia

            São diversos os pratos típicos, confeccionados com boa carne e peixe fresco. O “caldo de peixe”, o “polvo guisado com vinho de cheiro”, a “caçoila”, a “linguiça” ou os “torresmos com inhame”, a “morcela” e a “molha de carne”, acompanhados com pão ou bolo de milho de fabrico caseiro são alguns dos recomendados. Para os apreciadores de marisco não faltam os cavacos, lagostas, caranguejos de fundo e cracas. O “Queijo do Pico”, de massa macia e branca, ou o “Queijo de São João”, de casca amarelada, pasta mole e cheiro intenso caem sempre bem em qualquer mesa. A doçaria vem completar este saboroso quadro com os bolos ligados às Festas do Divino Espírito Santo: as “vésperas”, as “rosquilhas”, a “massa sovada” e o “arroz doce” e outros doces, como os “sonhos”, os “coscorões” e as “filhoses”. Tudo regado com o “vinho de cheiro” ou o bom branco, seco , leve e frutado – ideal para pratos de peixe ou marisco. Finalize com um copo de verdelho, uma aguardente de figo ou nêspera, ou a doce angelica.