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domingo, 18 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho da Madalena - Açores

Brasão de Madalena

Localização

           A Madalena é uma vila portuguesa na Ilha do Pico, Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 149,08 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a leste pelos concelho de São Roque do Pico e das Lajes do Pico. Este concelho, situado no extremo ocidental da ilha do Pico, é o mais recente da ilha, tendo sido criado em 8 de Março de 1723. 



História

           O seu nome tem origem na imponente montanha (o terceiro maior vulcão do Atlântico), que termina num pico cónico, denominado “Pico Pequeno” ou “Piquinho”, o ponto mais alto de Portugal (2351 metros acima do nível do mar).
Raul Brandão, vulto enorme das nossas letras descreve-o admiravelmente e de um modo inigualável:
O Pico é a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma beleza que só a ela lhe pertence, duma cor admirável e com um estranho poder de atracção. É mais que uma ilha – é uma estátua erguida até ao céu e moldada pelo fogo – , é outro Adamastor como o do cabo das Tormentas”.

Bandeira de Madalena

Heráldica :  

Armas - De azul, com dois cachos de uvas de ouro folhados e sustidos do mesmo. Em contra-chefe , um terrado de prata realçado de negro, sustendo cinco montículos, sendo o do centro maior, rematados cada um por uma chama de ouro e de vermelho, sendo a do centro maior. O terrado, cortado por duas faixas ondadas de verde. Em chefe , um açor de sua cor, tendo nas garras um escudete das quinas. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres " Vila da Madalena", de negro.

Bandeira - Amarela com Cordões e borlas de ouro e azul. Haste e lanças douradas.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes, em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: "Câmara Municipal da Madalena".


Cultura e Turismo

            Como monumentos ao acontecimento vulcânico que lhe deu origem, encontram-se mesmo frente à vila os ilhéus da Madalena, que dão pelo nome de Ilhéu Deitado e Ilhéu em Pé. Estas formações geológicas que constituem restos de um milenar cone vulcânico originado em erupções submarinas, encontram-se bastante erodidas pela acção das intempéries, tanto da abrasão marinha como pela acção do vento. Este local é muito frequentado pelas aves marinhas que os usam como local de descanso e de nidificação.
De terrenos muito férteis, para o que contribui a sua origem vulcânica, este concelho é detentor de uma forte capacidade agrícola, apresentando assim uma elevada produção agrícola bem como uma pecuária, uma Silvicultura elevadas em associação com uma abundante e variadas cobertura florestal, não só de plantio como acontece com o pinheiro bravo, mas com a existência de enormes florestas endémicas das florestas da Laurissilva típicas da Macaronésia, onde se destacam espécies como a Myrica faya ou a Erica azorica.
Facto também ainda ligado à terra, mas de grande importância para o concelho é a vitivinicultura que produz vinhos de elevada qualidade, alguns detentores de Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada, como é o caso do vinho Lagido, e do vinho Czar, (Cujo nome de deve à memória de em tempos idos este vinho ter sido servido às mesas dos czares da Rússia) e outros que ao longo dos séculos teem sido produzidos principalmente com base na casta de Verdelho. A grande maioria destes vinhos são comercializados pela Adega Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico que faz o recebimento das uvas produzidas e a vinificação das mesmas. É esta cooperativa que comercializa os vinhos Terra de Lava, branco e tinto, Basalto e Curral Atlântis, além de vários géneros de aguardentes.
A qualidade deste vinho levou à criação de várias zonas de protecção às vinhas, um pouco por toda a ilha, sendo que no caso deste concelho foram criadas as Área de Paisagem Protegida da Cultura da Vinha de São Mateus e São Caetano. Para a produção das vinhas, e devido às inclemências das condições do meio, principalmente a forte e sempre presente acção do mar levou à criação dessa paisagem única no mundo.
Foi necessário proceder à criação de centenas de quilómetros de muros de protecção dos vinhedos, os chamados “currais”, parcelas de terreno geralmente de pequena dimensão separadas por “canadas”, caminhos, simples que permitem a deslocação entre as parcelas. Esta divisão dos terrenos, e a natureza do material utilizado, pedra preta de origem vulcânica, levou a que a organização do espaço feita através destas miríades de muros negros, integrando protecções paralelas de paredes singelas ou dobradas em pedra, e constituindo particular e peculiar paisagem, fosse considerada, em meados de 2004, “Património da Humanidade” pela UNESCO, criando-se assim a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico.
O Museu do Vinho localizado neste concelho, faz parte integrante do Museu do Pico, e ocupa uma área considerável e contínua de uma parcela de vinhas da ilha do Pico da enorme propriedade que foi pertença da Ordem Religiosa do Carmo. Este museu inclui a residência da ordem, que é a casa de apoio e as instalações da mesma onde se processavam as tarefas relacionadas com a vinificação, facto é que a implantação da vinha na ilha do Pico muito deve as ordens religiosas. São o caso das Ordens dos Jesuítas e dos Carmelitas que para esta ilha trouxeram e deram origem a criação das condições favoráveis ao desenvolvimento dos bacelos, promoveram o aperfeiçoamento da fórmula de mistura das diversas castas envolvidas e responsáveis pelo vinho de cariz extremamente generoso, denominado por verdelho.
Os frades destas ordens não só incentivaram os povos existentes nas localidades a fazerem a produção do vinho, como trouxeram os conhecimentos que passaram às populações, trazendo assim uma enorme mais valia dado que se passou a cultivar terrenos até ali absolutamente incultos dado que muitos deles se encontravam com a pedra a vista e nem floresta produziam, dada a importância, é de referir que no espaço envolvente ao Museu do Vinho, existe o mais importante conjunto de dragoeiros que se conhece no mundo. Esta planta que se apresenta como árvore ornamental, com diversas aplicações práticas, encontra-se em vias de extinção e aqui encontrou um microclima especial e altamente propício à sua multiplicação espontânea. Os dragoeiros aqui existentes apresentam idades estimadas entre os 500 e os 1000 anos. Um pouco por todo o concelho da Madalena, mas especialmente na zona de produção vitivinícola surgem construções directamente relacionadas com vitivinicultura. Estas construções, adegas, armazéns e lagares, são na sua grande maioria construções simples feitas com os mesmos materiais com que os terrenos são divididos e protegidos, aparece assim a pedra de basalto preto, a madeira e a cobertura de telha de canudo regional.
A riqueza gerada a partir da produção dos vinhos fez enriquecer algumas famílias tradicionais da ilha do Pico e mesmo da ilha do Faial, detentoras de apreciáveis latifúndios, como foi o caso das famílias dos capitães donatários. Além dessas famílias tradicionais nasceu uma miríade de pequenos e médios detentores de terras. Essa riqueza levou à construção de aparatosos solares que são só por si uma demonstração da riqueza gerada. Um dos solares exemplificativos deste acontecimento é o Solar dos Salemas, local onde rodado a série televisiva de Mau Tempo no Canal, com base na obra homónima de Vitorino Nemésio.
Igualmente um pouco por toda a ilha, na Madalena inclusive, e especialmente nos campos de vinha surgem poços de maré que durante séculos, até à instalação da água canalizada, foram estruturas fundamentais para o abastecimento de água às explorações vinhateiras, estes poços apresentam uma estrutura em pedra, com a parte ao nível do solo em pedra talhada em cantaria com forma geralmente rectangular com as pedras aparelhadas a interligarem-se por encaixe. A parte superior, a boca usualmente é coberta por uma tampa de madeira. Nas cotas de maior altitude e afastadas do mar onde começam a surgir campos de cultivo não destinados à vinha ou as pastagens, a paisagem adquire também características próprias, dado a adaptação que o homem teve de fazer a um terreno fortemente marcado pelo vulcanismo onde a pedra era uma constante e muito variável em dimensão.
Assim neste solo muito pedregoso foi necessário proceder-se a uma remoção das pedras para que o cultivo fosse possível. Devido a esse facto, e dado que a abundância da pedra não permitia arruma-la somente em muros divisórios surgem na paisagem os “maroiços”. Estes maroiços são na prática elevações de pedra feita pelo homem. Estas pedras são dispostas em camadas, geralmente formando degraus, cuja dimensão diminui da base para o topo. Estes degraus funcionam como estrutura basilar da construção em si e também como modo de acesso aos degraus superiores, as formas destes “maroiços” são variadas, conforme a arte e o engenho dos construtores, mas geralmente apresentado uma forma grosseiramente cónica, ou piramidais e por vezes alongadas. Surgem na paisagem de forma de forma dispersa, mas deixando sempre nesta uma presença forte e marcante.
Relativamente a produção florestal, esta faz-se aproveitando os terrenos que usualmente não podem ser usados para outros fins. Assim procede-se à exploração de madeira e ao corte de lenha utilizado arvoredo plantado para esse fim, usualmente o Pinheiro-bravo ou a Criptoméria. Com a mecanização e com o desbravamento de terras, principalmente em altitude, com modernas máquinas, actualmente surgem novas parcelas de terreno de pastagem onde se procede à criação de gado, principalmente bovino. Esta produção pecuária tem-se transformado numa importante base de sustento para muitas famílias do concelho. Faz-se a produção, venda de carne, de leite, e produz-se queijo de elevada qualidade que é exportado para o exterior do arquipélago. Esta produção de bovinos transformou-se um pouco por todos os Açores, no já chamado Ciclo da Vaca, uma vez que se estendeu por todas as ilhas, facto fortemente associada à qualidade natural das pastagens existentes.
Na ilha do Pico surgiram unidades familiares de produção de pequena dimensão que processam o leite de forma a fabricar o típico Queijo da Ilha do Pico. Relativamente à pesca é de mencionar uma tradição secular, que se inicia com o povoamento da ilha, visto as espécies pescadas serem variadas e a abundantes. Foram sempre uma importante fonte de proteína, principalmente em épocas de carência alimentar, causadas por tempestades que destruíam as colheitas ou por outros motivos naturais. Actualmente a pesca tem um cariz mais industrial e a sua exportação para a Europa continental, principalmente Portugal continental é uma importante fonte de receita. Ainda no âmbito da pesca torna-se necessário a referência à pesca da baleia dado a extraordinária importância que a captura destes cetáceos teve para as ilhas, particularmente para a ilha do Pico ao longo de cerca de duzentos anos. Um pouco por toda a ilha, ao longo da costa, existem locais onde esta pesca deixou a sua marca, para atestar esta importância encontra-se o Museu do Pico com as suas valências do Museu dos Baleeiros, no concelho das Lajes do Pico e o Museu da Indústria Baleeira no concelho de São Roque do Pico.
Com o evoluir dos tempos, a sociedade moderna trouxe outras actividades que contribuíram para o desenvolvimento do concelho da Madalena, como é o caso do turismo, do comércio e serviços.
A fantástica paisagem que se encontra nesta ilha, seja devido a Montanha do Pico que do cimo dos seus 2.351 metros acima do nível médio do mar, é o ponto mais alto de Portugal. É também o ponto mais alto da dorsal meso-atlântica, embora existam pontos mais altos em ilhas atlânticas, mas fora da dorsal. Medido a partir da zona abissal contígua, o edifício vulcânico tem quase 5.000 m de altura, quase metade submersa sob as águas do Atlântico. Seja devido ao facto de ter mesmo ao seu lado a ilha de São Jorge e a ilha do Faial. A beleza natural deste concelho, encontra-se directamente associada a um ambiente ainda pouco maculado pela acção do homem. Apresenta-se calmo, exótico e com uma autenticidade difícil de igualar. Em Alguns casos a natureza está no seu estado absolutamente puro, este facto tem levado ao nascimento de um turismo fortemente relacionado com a natureza, seja a ligado à terra como o ligado ao mar como o mergulho, os passeios de barco, a observação de cetáceos e o mergulho, assim tem nascido nos principais centros urbanos hotéis, restaurantes, discotecas e bares, e, consequentemente, o incremento de novos projectos e serviços no âmbito do ecoturismo, turismo rural e náutico.


Vinhas


Gastronomia :

            A gastronomia, arte de preparar iguarias de forma a proporcionar prazer a quem as come, apresenta-se muito rica e variada no concelho quer na confecção de pratos típicos ou doçaria, quer pela qualidade dos tradicionais vinhos. Peixe fresco, boa carne de vaca, bons queijos e bons mariscos são a matéria prima para a preparação de deliciosas refeições. Os famosos caldos de peixe, linguiça e torremos com inhames, molha de carne e polvo guisado são os pratos aconselháveis. O queijo do Pico, como entrada ou sobremesa, acompanhado por pão ou bolo de milho caseiros e com os vinhos de mesa, aperitivos, brancos, tintos e de cheiro recomenda-se. Na doçaria o arroz doce, a massa sovada, o bolo de véspera, as rosquilhas do Espírito Santo são especialidades características desta terra a experimentar.


Molha de Carne                                                                          Rosquinhas do Espírito Santo

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho das Lajes do Pico

Brasão de Lajes do Pico

Localização :

               Lajes do Pico é uma vila portuguesa na ilha do Pico, Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 154,35 km² de área e subdividido em 6 freguesias, sendo Lajes do Pico a sede do concelho. O município é limitado a oeste pelo município da Madalena, a norte por São Roque do Pico e a nordeste, leste e sul tem costa no oceano Atlântico.



História

           O Povoamento da Ilha do Pico teve início no espaço territorial que séculos mais tarde viria a dar origem a este concelho das Lajes, facto que também contribuiu para que este seja o concelho mais antigo da ilha, o primeiro povoador foi somente um homem e o seu cão que viveram sozinhos durante algum tempo, reza a história que cerca de um ano. A história não regista o nome do cão, mas sabe-se que o homem se chamava Fernão Álvares Evangelho, este exílio não foi voluntário, mas esteve relacionado com o facto de a quando da preparação do desembarque do referido homem e mais algumas pessoas, se ter levantado uma tempestade que levou para o mar alto as caravelas.
Fernão Álvares fixou a sua residência no local que passou a denominar-se Penedo Negro, na Enseada do Castelete, local ao Sul da actual vila das Lajes, cerca de 1460. Por evidente necessidade de abastecimento de água construiu uma casa junto à ribeira existente à saída da vila das Lajes que durante muitos anos foi conhecida por Ribeira de Fernando Álvares, junto a esta ribeira ainda hoje (2010) se conservam as ruínas da casa que então lá construiu, provavelmente não a original, mas a que mandou fazer quando a vida melhorou com a chegada de novos povoadores alguns anos depois. Quando, pelo menos um ano depois os companheiros de viagem de Fernando Álvares regressaram ao Pico, desembarcaram no local que passou a denominar-se Santa Cruz das Ribeiras, local da actual freguesia das Ribeiras. Desses povoadores alguns fixaram a residência neste local, como foi o caso de Jordão Álvares Caralta. Outros desses marinheiros de antanho partiram para o sítio que passou a denominar-se como Maré, muito próximo ao local do primeiro desembarque. Como era hábito quase em simultâneo com a construção das próprias habitações, procederam à edificaram de um templo religioso, nesta caso uma ermida, a Ermida de São Pedro, templo este que teve como primeiro pároco, não só da ermida, mas da própria ilha, Frei Pedro Gigante, que é considerado pelos historiadores como tendo sido o introdutor da casta Verdelho na ilha. Mais tarde chegarem aqui outros povoadores, estes vindos da ilha Terceira, geograficamente próxima. Igualmente chagaram também povoadores vindos do Portugal continental, mais precisamente do norte do país, com especial ênfase para a cidade do Porto, com o passar do tempo e com a organização social, Álvaro de Ornelas foi feito por ordem real o primeiro Capitão do donatário nomeado para a ilha do Pico, embora nunca tenha chegado a tomar posse do cargo. Foi assim o nobre de origem flamenga, de seu nome Joss van Hurtere, também grafado como Jôs d’Utra ou Jobst de Van Huertere], já então Capitão-Donatário na ilha do Faial, que tomou o mesmo cargo na ilha do Pico 1482 e cujo nome estará na origem do nome da cidade da Horta (Hurtere - Horta). Com o passar dos séculos o então povoado das Lajes e apesar de não ter foral desenvolve-se rapidamente. Assim em 1500 é criada a Câmara Municipal das Lajes do Pico, na altura com jurisdição sobre toda a ilha do Pico. Esta câmara constituía a sua primeira vereação pelos “homens bons" do novo concelho. No dia 14 de Maio de 1501 é dado o primeiro alvará nesta câmara, foi emitido pelo Capitão-donatário Jôs d’Utra que conferiu poder e autoridade a Fernando Álvares para que este pudesse dar licenças diversas aos povoadores, conforme as necessidades destes, assim, este primeiro concelho da ilha, exerceu durante 42 anos o seu domínio sobre toda a ilha, já que em 1542, foi criado pelo rei D. João III de Portugal o Concelho de São Roque do Pico. O edifício dos Paços do Concelho das Lajes do Pico, localizado na praça onde se encontra a Igreja Matriz das Lajes, a Igreja da Santíssima Trindade, templo construído no século XIX e que cresceu sobre o templo de 1503. Cálculos feitos pelo historiador Francisco Soares de Lacerda Machado, tendo por base o Espelho Cristalino escrito por Frei Diogo das Chagas, entre entre 1646 e 1654, aponta para que no concelho das Lajes em 1506 existissem cerca de 250 habitantes, deve-se ter em atenção que nesta altura abrangia toda a ilha. O crescimento do concelho, levou a quem em 1540 já tivessem sido criadas algumas freguesias, surgindo assim as freguesias de Santa Bárbara (Ribeiras), da Santíssima Trindade (Lajes), de São Mateus (Madalena) (Actualmente faz parte do concelho da Madalena do Pico), de Santa Maria Madalena (Actualmente faz parte do concelho da Madalena do Pico), de São Roque (Actualmente faz parte do concelho de São Roque do Pico) e de Nossa Senhora da Ajuda.
Dois anos depois, em 1542, e por força de decreto real emanado por D. João III de Portugal, é criado o Concelho de Vila Nova de São Roque, sendo a freguesia de São Roque a sede de concelho, que abrangia também a freguesia de Nossa Senhora da Ajuda e a freguesia da Madalena do Pico, que actualmente é um concelho. Apesar de o concelho ter sido criado em 1542, só em 1543 é que se procedeu à eleição da primeira câmara deste novo município, duzentos e vinte e dois anos depois de ter sido criado o primeiro concelho da ilha do Pico é criado o concelho da Madalena do Pico, que nasce no dia 8 de Março de 1723. Este novo concelho abrange as freguesias de Madalena (Vila), das Bandeiras e de São Mateus, este concelho em 1895 foi extinto por força de lei, tendo novamente sido restaurado por Decreto de 13 de Janeiro de 1898. Depois desta repartição do território o Concelho das Lajes do Pico passou a ser constituído pelas freguesias de São João (Lajes do Pico), das Lajes do Pico (Santíssima Trindade), da Calheta de Nesquim e da Piedade. Em 1980, e por força de Decreto da Assembleia Regional dos Açores, nº 24/80/A, de 15 de Setembro, foi criada a freguesia da Ribeirinha (Lajes do Pico), desanexando-se o respectivo território da freguesia da Piedade, neste concelho, na freguesia das Lajes, encontra-se o mais antigo templo da ilha do Pico, a Ermida de São Pedro, curioso templo com origem na Ordem dos Frades Franciscanos. Este templo foi, afirma a tradição oral erguido no local onde desembarcaram os primeiros povoadores. Neste concelho localiza-se o Convento dos Franciscanos e Igreja de Nossa Senhora da Conceição, edifícios de apreciáveis dimensões. No Convento dos Franciscanos, onde após a expulsão das Ordens Religiosas, no final do século XIX, passou a funcionar os Paços do Concelho das Lajes do Pico e a Repartição de Finanças do mesmo concelho. Igualmente neste convento esteve durante alguns anos instaladas instituições de ensino, a primeira delas foi um Externato Particular, tendo depois sido aqui instalada a Sede do Ensino Oficial Público. Neste convento ainda se encontra instalada a redacção do jornal "O Dever", cuja fundação ocorreu em 2 de Junho de 1917 e que se encontra entre os mais antigos jornais dos Açores. A denunciar o seu passado existe na vila um apreciável conjunto urbanístico, onde se destacam antigas casas senhorias e outras, que mesmo de menos dimensão apresentam bons trabalhos em cantaria e varandas corridas. A Caça ao Cachalote chegou a esta trazida pelos baleeiros da América do Norte, particularmente dos Estados Unidos, nos finais do século XVIII. Este acontecimento veio introduziu um novo factor na economia local: a caça ao cachalote. Este acontecimento associado à transformação industrial destes cetáceos transformou-se numa das principais actividades durante quase duzentos anos.
Esta vila possui um museu dedicado à actividade da caça à baleia, o Museu dos Baleeiros é o único do seu género em Portugal. Esta entidade museológica é detentora de uma apreciável colecção composta por várias centenas de peças trabalhadas em dente e osso de baleia, além dos vários utensílios usados na pesca artesanal, este concelho tem sede na vila do mesmo nome, embora em tempos idos tenha tido a designação de freguesia da Santíssima Trindade. A vila é constituída por várias freguesias e localidades, onde se destacam os lugares do Soldão, da Silveira, da Ribeira do Cabo, da Almagreira, da Ribeira de Cima, da Ribeira de Baixo, da Ribeira do Meio e do lugar das Terras. A igreja Matriz da localidade, Igreja da Santíssima Trindade, que teve a sua construção no século XIX, em substituição do antigo templo que se encontrava muito arruinado, localiza-se no Largo General Francisco Soares de Lacerda Machado, vulgarmente conhecido como Largo da Igreja. Este largo apresenta um conjunto arquitectónico digno de nota com construções que recuam ao século XVII e ao século XVIII.

Bandeira de Lajes do Pico

Heráldica

Armas - Escudo de prata, com um monte de negro vomitando rolos de chamas de ouro e de prata. Em chefe um açor de negro realçado de ouro, voante, tendo uma quina de Portugal nas garras. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com a legenda a negro VILA DAS LAJES DO PICO.

Estandarte - Esquartelada de verde e negro, cordões e borlas de verde e negro. Haste e lança de ouro. 

Cultura e Turismo

            A vila foi, durante anos, centro da actividade baleeira sendo actualmente possível visitar o Museu dos Baleeiros e o Centro de Artes e Ciências do Mar (antiga Fábrica da Baleia). A vila é também conhecida pela sua actividade turística relacionada com a observação de cetáceos, no final de Agosto realizam-se as maiores festas do Concelho, a Semana dos Baleeiros, o único exemplo de arquitectura militar da ilha, o Forte de Santa Catarina, foi recuperado e funciona actualmente como o Posto de Turismo da Vila.
A nível de paisagem natural, com a Montanha do Pico sempre presente no horizonte, destaca-se a Lagoa do Paul que se situa no planalto central da ilha do Pico e se integra num vasto núcleo de pequenas lagoas dispersas pelas montanhas e envoltas, muitas delas, pela floresta primitiva da Laurissilva característica da Macaronésia. O local denominado Mistério de São João, coberto de denso arvoredo, e que é resultado de uma erupção vulcânica submarina que à medida que o vulcão expelia cinzas e lavas acabou por se juntar-se à ilha, dando origem a novas terras. A Furna da Malha, um tubo de lava cujo comprimento ronda os 2 km de comprimento e se constituem num curioso fenómeno geológico. O Parque Florestal Matos Souto, que se localiza próximo à freguesia da Piedade, subdivide-se em várias valências: Jardins, viveiros para novos plantios, terrenos de cultivo agrícola, pastos. Este parque está arborizado com algumas espécies raras. As actividades culturais das Lajes do Pico são fortemente marcada pelas iniciativas e tradições populares, algumas centenárias, trazidas com os primeiros povoadores e que ao longo dos séculos sofreram as adaptações a que a mentalidade dos povos que as promovem foram sujeitos, seja a incutida pela natureza ou a própria mistura de crenças e originada nas diferentes origens das populações chagadas às ilhas.
Dos acontecimentos ligados à natureza, o mar e o vulcanismo, associados ao isolamento causado pela insularidade estão entre os factores que mais moldaram a mentalidade do povo ilhéu e estão na origem dos seus sempre sentidos apelas aos Deuses. Assim surgem as Festas do Espírito Santo, festividades que remontam aos primeiros povoadores, que procuravam no Divino a protecção contra o vulcanismo, tremores de terra e outros desastres naturais, este rito com cerca de 500 anos de história e levado pelos açorianos para todos os cantos do mundo, particulares para à América do Norte, Estados Unidos e Canadá, sem esquecer no Brasil, o estado do Rio Grande do Sul. Este ritual inclui a coroação de uma criança, que deve ostentar um ceptro e coroa usualmente em prata (embora as aja em ouro), como símbolos do Espírito Santo. Este acontecimento de cariz absolutamente popular, em que a igreja tem pouca intervenção, tem lugar uma grande festa realizada no sétimo domingo depois da Páscoa. Neste concelho, e para além desta festa, decorre na última semana do mês de Agosto a festa dos Baleeiros, cujo início remonta a 1883, data em que os baleeiros se integraram nos festejos de Nossa Senhora de Lourdes. No artesanato é de destacar as rendas de croché onde são trabalhados motivos tradicionais da ilha e dos Açores e também modernos. Surgem também os chapéus de palha, as esteiras feitas em junco. Possivelmente um dos mais elaborados, caros e raros, são sem duvida as peças de arte esculpidas em dente de cachalote. Nestas peças surgem representações de veleiros, de cenas de caça à baleia, sereias e outros assuntos relacionados com a faina do mar. 



Gastronomia

           O mar generoso oferece uma ampla variedade de matéria-prima para a confecção de deliciosos pratos. Os crustáceos (decápodes) lagosta, cavaco, caranguejo e os moluscos (gasterópodes univalves) lapa, craca – são manjares inigualáveis – para sua e nossa defesa, existem constrangimentos à sua captura. Os moluscos (cefalópodes) lula e polvo são a base de pratos únicos, como o “polvo guisado em vinho de cheiro”. Peixes de todos os tamanhos, formas, cores, texturas e sabores – abrótea, chicharro, moreia, veja, írio, salema, cherne, garoupa, espadarte… – tornam difícil a escolha. Cosidos, fritos ou grelhados são inigualáveis. Mas podem igualmente oferecer-se num divinal “caldo de peixe” ou numa “caldeirada”.
As pastagens lajenses não são menos pródigas que o mar que as rodeia. As carnes de bovino e suíno mostram-se imbatíveis numa “molha de carne à moda do Pico” (bovino) ou nuns “torresmos” (suíno). A carne de bovino não é menos apetecível num bom bife. A de suíno, faz umas singulares “linguiças” – com rodelas de inhame – e “morcelas”.
Os queijos de São João e do Arrife, ambos a partir do leite de vaca, são muito bem acompanhados antes do prato principal com um vinho verdelho e um pão de massa sovada. Quando não se deseja experimentar os 16º do verdelho, aconselha-se um “vinho de cheiro” (caseiro) ou um dos brancos ou tintos produzidos na ilha. A boca adoça no fim com um bom prato de arroz doce. E pode rematar com um bagaço do Pico, uma aguardente de figo ou uma dos vários licores a partir da amora, da nêspera ou da nêveda, por exemplo, ou de uma “angelica”.