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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho das Lajes do Pico

Brasão de Lajes do Pico

Localização :

               Lajes do Pico é uma vila portuguesa na ilha do Pico, Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 154,35 km² de área e subdividido em 6 freguesias, sendo Lajes do Pico a sede do concelho. O município é limitado a oeste pelo município da Madalena, a norte por São Roque do Pico e a nordeste, leste e sul tem costa no oceano Atlântico.



História

           O Povoamento da Ilha do Pico teve início no espaço territorial que séculos mais tarde viria a dar origem a este concelho das Lajes, facto que também contribuiu para que este seja o concelho mais antigo da ilha, o primeiro povoador foi somente um homem e o seu cão que viveram sozinhos durante algum tempo, reza a história que cerca de um ano. A história não regista o nome do cão, mas sabe-se que o homem se chamava Fernão Álvares Evangelho, este exílio não foi voluntário, mas esteve relacionado com o facto de a quando da preparação do desembarque do referido homem e mais algumas pessoas, se ter levantado uma tempestade que levou para o mar alto as caravelas.
Fernão Álvares fixou a sua residência no local que passou a denominar-se Penedo Negro, na Enseada do Castelete, local ao Sul da actual vila das Lajes, cerca de 1460. Por evidente necessidade de abastecimento de água construiu uma casa junto à ribeira existente à saída da vila das Lajes que durante muitos anos foi conhecida por Ribeira de Fernando Álvares, junto a esta ribeira ainda hoje (2010) se conservam as ruínas da casa que então lá construiu, provavelmente não a original, mas a que mandou fazer quando a vida melhorou com a chegada de novos povoadores alguns anos depois. Quando, pelo menos um ano depois os companheiros de viagem de Fernando Álvares regressaram ao Pico, desembarcaram no local que passou a denominar-se Santa Cruz das Ribeiras, local da actual freguesia das Ribeiras. Desses povoadores alguns fixaram a residência neste local, como foi o caso de Jordão Álvares Caralta. Outros desses marinheiros de antanho partiram para o sítio que passou a denominar-se como Maré, muito próximo ao local do primeiro desembarque. Como era hábito quase em simultâneo com a construção das próprias habitações, procederam à edificaram de um templo religioso, nesta caso uma ermida, a Ermida de São Pedro, templo este que teve como primeiro pároco, não só da ermida, mas da própria ilha, Frei Pedro Gigante, que é considerado pelos historiadores como tendo sido o introdutor da casta Verdelho na ilha. Mais tarde chegarem aqui outros povoadores, estes vindos da ilha Terceira, geograficamente próxima. Igualmente chagaram também povoadores vindos do Portugal continental, mais precisamente do norte do país, com especial ênfase para a cidade do Porto, com o passar do tempo e com a organização social, Álvaro de Ornelas foi feito por ordem real o primeiro Capitão do donatário nomeado para a ilha do Pico, embora nunca tenha chegado a tomar posse do cargo. Foi assim o nobre de origem flamenga, de seu nome Joss van Hurtere, também grafado como Jôs d’Utra ou Jobst de Van Huertere], já então Capitão-Donatário na ilha do Faial, que tomou o mesmo cargo na ilha do Pico 1482 e cujo nome estará na origem do nome da cidade da Horta (Hurtere - Horta). Com o passar dos séculos o então povoado das Lajes e apesar de não ter foral desenvolve-se rapidamente. Assim em 1500 é criada a Câmara Municipal das Lajes do Pico, na altura com jurisdição sobre toda a ilha do Pico. Esta câmara constituía a sua primeira vereação pelos “homens bons" do novo concelho. No dia 14 de Maio de 1501 é dado o primeiro alvará nesta câmara, foi emitido pelo Capitão-donatário Jôs d’Utra que conferiu poder e autoridade a Fernando Álvares para que este pudesse dar licenças diversas aos povoadores, conforme as necessidades destes, assim, este primeiro concelho da ilha, exerceu durante 42 anos o seu domínio sobre toda a ilha, já que em 1542, foi criado pelo rei D. João III de Portugal o Concelho de São Roque do Pico. O edifício dos Paços do Concelho das Lajes do Pico, localizado na praça onde se encontra a Igreja Matriz das Lajes, a Igreja da Santíssima Trindade, templo construído no século XIX e que cresceu sobre o templo de 1503. Cálculos feitos pelo historiador Francisco Soares de Lacerda Machado, tendo por base o Espelho Cristalino escrito por Frei Diogo das Chagas, entre entre 1646 e 1654, aponta para que no concelho das Lajes em 1506 existissem cerca de 250 habitantes, deve-se ter em atenção que nesta altura abrangia toda a ilha. O crescimento do concelho, levou a quem em 1540 já tivessem sido criadas algumas freguesias, surgindo assim as freguesias de Santa Bárbara (Ribeiras), da Santíssima Trindade (Lajes), de São Mateus (Madalena) (Actualmente faz parte do concelho da Madalena do Pico), de Santa Maria Madalena (Actualmente faz parte do concelho da Madalena do Pico), de São Roque (Actualmente faz parte do concelho de São Roque do Pico) e de Nossa Senhora da Ajuda.
Dois anos depois, em 1542, e por força de decreto real emanado por D. João III de Portugal, é criado o Concelho de Vila Nova de São Roque, sendo a freguesia de São Roque a sede de concelho, que abrangia também a freguesia de Nossa Senhora da Ajuda e a freguesia da Madalena do Pico, que actualmente é um concelho. Apesar de o concelho ter sido criado em 1542, só em 1543 é que se procedeu à eleição da primeira câmara deste novo município, duzentos e vinte e dois anos depois de ter sido criado o primeiro concelho da ilha do Pico é criado o concelho da Madalena do Pico, que nasce no dia 8 de Março de 1723. Este novo concelho abrange as freguesias de Madalena (Vila), das Bandeiras e de São Mateus, este concelho em 1895 foi extinto por força de lei, tendo novamente sido restaurado por Decreto de 13 de Janeiro de 1898. Depois desta repartição do território o Concelho das Lajes do Pico passou a ser constituído pelas freguesias de São João (Lajes do Pico), das Lajes do Pico (Santíssima Trindade), da Calheta de Nesquim e da Piedade. Em 1980, e por força de Decreto da Assembleia Regional dos Açores, nº 24/80/A, de 15 de Setembro, foi criada a freguesia da Ribeirinha (Lajes do Pico), desanexando-se o respectivo território da freguesia da Piedade, neste concelho, na freguesia das Lajes, encontra-se o mais antigo templo da ilha do Pico, a Ermida de São Pedro, curioso templo com origem na Ordem dos Frades Franciscanos. Este templo foi, afirma a tradição oral erguido no local onde desembarcaram os primeiros povoadores. Neste concelho localiza-se o Convento dos Franciscanos e Igreja de Nossa Senhora da Conceição, edifícios de apreciáveis dimensões. No Convento dos Franciscanos, onde após a expulsão das Ordens Religiosas, no final do século XIX, passou a funcionar os Paços do Concelho das Lajes do Pico e a Repartição de Finanças do mesmo concelho. Igualmente neste convento esteve durante alguns anos instaladas instituições de ensino, a primeira delas foi um Externato Particular, tendo depois sido aqui instalada a Sede do Ensino Oficial Público. Neste convento ainda se encontra instalada a redacção do jornal "O Dever", cuja fundação ocorreu em 2 de Junho de 1917 e que se encontra entre os mais antigos jornais dos Açores. A denunciar o seu passado existe na vila um apreciável conjunto urbanístico, onde se destacam antigas casas senhorias e outras, que mesmo de menos dimensão apresentam bons trabalhos em cantaria e varandas corridas. A Caça ao Cachalote chegou a esta trazida pelos baleeiros da América do Norte, particularmente dos Estados Unidos, nos finais do século XVIII. Este acontecimento veio introduziu um novo factor na economia local: a caça ao cachalote. Este acontecimento associado à transformação industrial destes cetáceos transformou-se numa das principais actividades durante quase duzentos anos.
Esta vila possui um museu dedicado à actividade da caça à baleia, o Museu dos Baleeiros é o único do seu género em Portugal. Esta entidade museológica é detentora de uma apreciável colecção composta por várias centenas de peças trabalhadas em dente e osso de baleia, além dos vários utensílios usados na pesca artesanal, este concelho tem sede na vila do mesmo nome, embora em tempos idos tenha tido a designação de freguesia da Santíssima Trindade. A vila é constituída por várias freguesias e localidades, onde se destacam os lugares do Soldão, da Silveira, da Ribeira do Cabo, da Almagreira, da Ribeira de Cima, da Ribeira de Baixo, da Ribeira do Meio e do lugar das Terras. A igreja Matriz da localidade, Igreja da Santíssima Trindade, que teve a sua construção no século XIX, em substituição do antigo templo que se encontrava muito arruinado, localiza-se no Largo General Francisco Soares de Lacerda Machado, vulgarmente conhecido como Largo da Igreja. Este largo apresenta um conjunto arquitectónico digno de nota com construções que recuam ao século XVII e ao século XVIII.

Bandeira de Lajes do Pico

Heráldica

Armas - Escudo de prata, com um monte de negro vomitando rolos de chamas de ouro e de prata. Em chefe um açor de negro realçado de ouro, voante, tendo uma quina de Portugal nas garras. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com a legenda a negro VILA DAS LAJES DO PICO.

Estandarte - Esquartelada de verde e negro, cordões e borlas de verde e negro. Haste e lança de ouro. 

Cultura e Turismo

            A vila foi, durante anos, centro da actividade baleeira sendo actualmente possível visitar o Museu dos Baleeiros e o Centro de Artes e Ciências do Mar (antiga Fábrica da Baleia). A vila é também conhecida pela sua actividade turística relacionada com a observação de cetáceos, no final de Agosto realizam-se as maiores festas do Concelho, a Semana dos Baleeiros, o único exemplo de arquitectura militar da ilha, o Forte de Santa Catarina, foi recuperado e funciona actualmente como o Posto de Turismo da Vila.
A nível de paisagem natural, com a Montanha do Pico sempre presente no horizonte, destaca-se a Lagoa do Paul que se situa no planalto central da ilha do Pico e se integra num vasto núcleo de pequenas lagoas dispersas pelas montanhas e envoltas, muitas delas, pela floresta primitiva da Laurissilva característica da Macaronésia. O local denominado Mistério de São João, coberto de denso arvoredo, e que é resultado de uma erupção vulcânica submarina que à medida que o vulcão expelia cinzas e lavas acabou por se juntar-se à ilha, dando origem a novas terras. A Furna da Malha, um tubo de lava cujo comprimento ronda os 2 km de comprimento e se constituem num curioso fenómeno geológico. O Parque Florestal Matos Souto, que se localiza próximo à freguesia da Piedade, subdivide-se em várias valências: Jardins, viveiros para novos plantios, terrenos de cultivo agrícola, pastos. Este parque está arborizado com algumas espécies raras. As actividades culturais das Lajes do Pico são fortemente marcada pelas iniciativas e tradições populares, algumas centenárias, trazidas com os primeiros povoadores e que ao longo dos séculos sofreram as adaptações a que a mentalidade dos povos que as promovem foram sujeitos, seja a incutida pela natureza ou a própria mistura de crenças e originada nas diferentes origens das populações chagadas às ilhas.
Dos acontecimentos ligados à natureza, o mar e o vulcanismo, associados ao isolamento causado pela insularidade estão entre os factores que mais moldaram a mentalidade do povo ilhéu e estão na origem dos seus sempre sentidos apelas aos Deuses. Assim surgem as Festas do Espírito Santo, festividades que remontam aos primeiros povoadores, que procuravam no Divino a protecção contra o vulcanismo, tremores de terra e outros desastres naturais, este rito com cerca de 500 anos de história e levado pelos açorianos para todos os cantos do mundo, particulares para à América do Norte, Estados Unidos e Canadá, sem esquecer no Brasil, o estado do Rio Grande do Sul. Este ritual inclui a coroação de uma criança, que deve ostentar um ceptro e coroa usualmente em prata (embora as aja em ouro), como símbolos do Espírito Santo. Este acontecimento de cariz absolutamente popular, em que a igreja tem pouca intervenção, tem lugar uma grande festa realizada no sétimo domingo depois da Páscoa. Neste concelho, e para além desta festa, decorre na última semana do mês de Agosto a festa dos Baleeiros, cujo início remonta a 1883, data em que os baleeiros se integraram nos festejos de Nossa Senhora de Lourdes. No artesanato é de destacar as rendas de croché onde são trabalhados motivos tradicionais da ilha e dos Açores e também modernos. Surgem também os chapéus de palha, as esteiras feitas em junco. Possivelmente um dos mais elaborados, caros e raros, são sem duvida as peças de arte esculpidas em dente de cachalote. Nestas peças surgem representações de veleiros, de cenas de caça à baleia, sereias e outros assuntos relacionados com a faina do mar. 



Gastronomia

           O mar generoso oferece uma ampla variedade de matéria-prima para a confecção de deliciosos pratos. Os crustáceos (decápodes) lagosta, cavaco, caranguejo e os moluscos (gasterópodes univalves) lapa, craca – são manjares inigualáveis – para sua e nossa defesa, existem constrangimentos à sua captura. Os moluscos (cefalópodes) lula e polvo são a base de pratos únicos, como o “polvo guisado em vinho de cheiro”. Peixes de todos os tamanhos, formas, cores, texturas e sabores – abrótea, chicharro, moreia, veja, írio, salema, cherne, garoupa, espadarte… – tornam difícil a escolha. Cosidos, fritos ou grelhados são inigualáveis. Mas podem igualmente oferecer-se num divinal “caldo de peixe” ou numa “caldeirada”.
As pastagens lajenses não são menos pródigas que o mar que as rodeia. As carnes de bovino e suíno mostram-se imbatíveis numa “molha de carne à moda do Pico” (bovino) ou nuns “torresmos” (suíno). A carne de bovino não é menos apetecível num bom bife. A de suíno, faz umas singulares “linguiças” – com rodelas de inhame – e “morcelas”.
Os queijos de São João e do Arrife, ambos a partir do leite de vaca, são muito bem acompanhados antes do prato principal com um vinho verdelho e um pão de massa sovada. Quando não se deseja experimentar os 16º do verdelho, aconselha-se um “vinho de cheiro” (caseiro) ou um dos brancos ou tintos produzidos na ilha. A boca adoça no fim com um bom prato de arroz doce. E pode rematar com um bagaço do Pico, uma aguardente de figo ou uma dos vários licores a partir da amora, da nêspera ou da nêveda, por exemplo, ou de uma “angelica”.



quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de Velas - Açores

Brasão de Velas

Localização

            Velas é uma vila portuguesa na ilha de São Jorge, Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 119,08 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a leste pelo município da Calheta, e tem litoral no oceano Atlântico em todas as outras direcções.
Esta vila está localizada num extenso terreno relativamente plano junto à costa ao lado das montanhas e longas arribas junto a uma longa enseada.



História

           A origem do nome desta localidade nunca foi esclarecida pelos historiadores. Pode no entanto, segundo esses mesmos historiadores poder remeter-nos para as "velas" das embarcações, para vigias ou para o termo velar, para o nome de povoações com o mesmo nome no continente português, para o termo "velhas" ou mesmo para a palavra "belas". É, no entanto, mais provável que o nome provenha dos termos “velas de embarcação”, ou dos termos velar/vigília. Tendo em atenção as embarcações usadas no tempo da sua fundação e a outra, tendo em atenção as forças telúricas que se movimentam nestas ilhas e que muitas vezes obrigavam as populações a ficar a velar ou de vigília durante as crises vulcânicas para poderem dar o alerta em caso de necessidade. Esta vila encontra-se entre os povoados mais antigos da ilha de São Jorge. E foi edificada em consequência do testamento do Infante D. Henrique datado de 1460, feito numa igreja debaixo da invocação de São Jorge. O município de Velas foi criado por volta de 1490 ou mesmo antes, sendo que a elevação da povoação à categoria de vila terá ocorrido por volta de ano de 1500, por carta de D. Manuel I de Portugal.1 Esta localidade já surge como vila num mapa de 1507. No ano de 1570 as Velas teriam cerca de 1000 habitantes e 2000 habitantes no fim do século XVII, número que aumentaria para 4200 no ano de 1822, e que mais tarde diminuiu devido à emigração. No dia 19 de Setembro de 1708 uma esquadra naval, comandada pelo pirata Francês René Duguay-Trouin constituída por 8 naus de linha e 3 navios Corsários de grossa artilharia, atacam a vila das Velas, não tendo no entanto conseguido entrar no Porto de Velas, ao primeiro ataque os habitantes da vila, comandados pelo Sargento Mor Amaro Teixeira de Sousa, conseguem impedir o desembarque tentado a 19 de Setembro. No dia 20 deu-se novo ataque e os habitantes não conseguiram opor-se com êxito a esta tentativa. Pelas 9 horas da manhã em que, dividindo as suas forças em duas colunas, enviara, uma para as portas das Velas (6 barcos) e outra, mais forte (10 barcos), para os lados do Morro das Velas e, desembarcando junto ao Arco, lançaram em terra mais de 500 homens, com morte d'alguns dos sitiados. Os franceses permaneceram nesta vila 5 dias em que saquearam completamente as igrejas e casas abastadas. Em local sobranceiro ao sitio onde se efectuou o desembarque, foi construído o Forte de Nossa Senhora do Pilar, também conhecido por Castelo da Eira.

Bandeira de Velas

Heráldica

Armas - De azul, uma caravela de negro realçada de ouro, vestida de prata e encordoada de ouro, tendo as velas carregadas de cruzes de Cristo,vogante sobre três faixetas ondadas de prata e verde. Chefe de ouro, carregado de um açor estendido de vermelho flanqueado por duas quinas; coroa mural de prata; listel branco com os dizeres «Velas» de negro.

Bandeira - Esquartejada de amarelo e negro, cordões e borlas de ouro e negro; haste e lança dourada.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Velas».


Cultura e Turismo

           O Jardim da Praça da República ocupa o largo principal da vila de Velas, local onde em tempos idos esteve localizado o mercado da localidade. Este jardim encontra-se delimitado por muros baixos dotados de um gradeamento superior, canteiros de formas variadas, arbusto e algumas árvores. Ao centro possui um coreto. A regularização da antiga praça e a sua adaptação a jardim iniciou-se em 1836, quando a Câmara Municipal de Velas emitiu uma deliberação no sentido do arranjo urbano daquele espaço. Esse documento obrigava "os porcos do concelho a andarem com anel no focinho e a não atravessarem a praça". Depois, vieram as plantações de árvores já em meados do século; a instalação do coreto em 1898; a iluminação em 1899; os arranjos dos canteiros e outras decorações em pedra queimada, bem como os muros e gradeamentos nos inícios do século XX. O jardim encontra-se no centro de uma envolvente de edifícios e integrado num espaço que não lhe dá qualquer hipótese de crescer. Beneficia no entanto de uma excelente enquadramento arquitectónico dos prédios urbanos que tem em volta. Desses edifícios sobressai o edifício da Câmara Municipal, um dos exemplos máximos do barroco insular na ilha de São Jorge. Do lado oposto a este, ergue-se o edifício da sociedade filarmónica velense, ostentando a sua fachada Art déco característica dos anos 20 e 30 do século XX, de forte colorido, apresenta amplas fenestrações por entre elementos decorativos estilizados da tradição beaux artiana. O Largo João Inácio de Sousa antigamente chamava-se "Largo do Mercado" e, antes ainda, "Praça Velha". Caracteriza-se por se localizar num dos locais mais nobres da vila, encontra-se em frente à Igreja Matriz de São Jorge e ao lado do edifício da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Velas. Para que fosse possível construir esta praça foi necessário proceder à expropriação de parte da quinta do Dr. Miguel Teixeira Soares de Sousa, bem como uma capela e algumas casas. Esta antiga praça que foi local de venda de frutas e hortaliças, tem actualmente o nome de um dos beneméritos da ilha de São Jorge, que emigrado para os Estados Unidos acabou por fazer fortuna nesse país na área dos petróleos, tendo depois dado apoio a várias instituições da ilha, nomeadamente à misericórdia de velas, conforme é possível ler numa plana aplicada na estatua de João Inácio de Sousa, que foi posta no centro do largo. A Fajã da Ponta Furada é uma fajã portuguesa, localizada no Toledo, concelho de Velas, ilha de São Jorge, nestas encantadora e exótica fajã, dizem as lendas que São José, vindo dos Nortes com Nossa Senhora e o Menino, queria atravessar o calhau para o Toledo (Velas); mas como encontrou pela sua frente o grande promontório que é a Ponta Furada, teve de abrir caminho e assim, com a ponta de um dedo empurrou o meio da rocha fazendo cair a pedra do Garajau que deixou uma passagem em forma de arco na Ponta Furada. Junto a ela desagua uma grande ribeira que apanha águas das serras do Toledo (Velas) e arredores. Em tempos muito recuados, e segundo os ditos populares daqui saíam emigrantes clandestinos para a América do Norte e para o Brasil. Terá existido um pequeno barco de madeira que era varado em terra com a ajuda dum gancho preso na rocha. Uma das suas missões secretas era levar, em noites escuras de mar manso, indivíduos que se haviam escondido nas rochas e furnas, para bordo dos barcos piratas que ali passavam e eram parte dum plano organizado para fazer sair os candidatos a emigrantes, sem papéis. Havia um sinal de fumo combinado assim como o preço das passagens. Qualquer navio podia fundear junto à Ponta Furada porque o mar aí é muito fundo. Também por ali fugiam os mancebos que não criam cumprir a tropa. Este lugar recôndito e misterioso é hoje conhecido apenas por alguns pescadores destemidos que aí vão à pesca de fundo e à lapa. O aceso difícil obriga a que descem por uma corda, apoiando os pés descalços em pequenos buracos escavados na rocha, onde por vezes só cabe um dedo ! Situada entre a fajã das Fajanetas e a fajã Rasa de Santo António, a fajã da Ponta Furada, que agora se encontra praticamente abandonada, foi servida por um caminho de carro de bois com a extensão de dez km. Aí existiam sete casas onde as pessoas ficavam enquanto cuidavam das terras e do gado. O Miradouro do Mirante é um miradouro português localizado no concelho das Velas, ilha de São Jorge, arquipélago dos Açores. Este miradouro localiza-se num local alto dobre a falésia sobranceira à Vila das Velas e oferece uma paisagem grandiosa, não só de parte da costa Sul da ilha de São Jorge, mas da ilha do Pico e da ilha do Faial, no outro lado do Canal do Faial, junto a este miradouro é possível observar uma abundante vegetação endémica típica da Macaronésia onde a Laurissilva se faz representar por diversas espécies com predominância para a Myrica faya e a Erica azorica. O Portão do Mar localiza-se no cais da vila e freguesia das Velas, a estrutura foi edificada como parte do sistema defensivo da vila, entre os anos de 1797 e 1799, por Matias de Avelar, da conhecida família dos "Arquitetos Avelares" ou "Arquitetos Velenses" que, por mais de 150 anos exerceram o seu ofício na ilha, produzindo algumas das suas mais emblemáticas obras arquitetónicas, como em uso à época, as muralhas do porto das Velas eram fechadas por portões no acesso do cais para terra, que eram fechados à noite, na parte superior deste portão encontram-se as armas reais de Portugal. Atualmente este portão e as muralhas do Forte de Nossa Senhora da Conceição são tudo o que resta das antigas defesas da vila. 





Gastronomia

                  

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho da Calheta - Açores

Brasão de Calheta

Localização :

          A vila da Calheta é uma das mais antigas povoações da ilha de São Jorge, depois da sua fundação em 1483 rapidamente cresceu graças a possuir um porto que lhe facilitava bastante a comunicação com a ilha Terceira, próxima. É sede de um município com 126,51 km² de área e subdividido em 5 freguesias. O concelho é limitado a noroeste pelo concelho de Velas, sendo banhado pelo Oceano Atlântico em todas as outras direcções. 



História

           Foi elevada a vila em 3 de Junho de 1534, por carta régia de D. João III de Portugal, a 12 de Maio de 1718, autorização da fundação do convento da vila da Calheta. Em 1732, tem início da reedificação da sua Igreja Matriz, a Igreja de Santa Catarina, o seu núcleo populacional à medida que foi crescendo foi também irradiando para as localidades próximas; foi o caso da Fajã Grande, Ribeira Seca, Relvinha, Biscoitos e Norte Pequeno. O seu crescimento justificou que no ano de 1534 fosse desanexada do Concelho de Velas e elevada a Vila. Ao longo da sua história esta localidade foi por diversas vezes atacada e saqueada por piratas e corsários. Só no ano de 1597 a população conseguir repelir um ataque, chegando ao ponto de se apoderarem da bandeira dos piratas.
Arrasada pelo grande terramoto de 9 de Julho de 1757, que ficou conhecido na história como o Mandado de Deus ao que "ficou sem casa onde se recolhesse o Santíssimo Sacramento", foi atingida em 1945, a 4 de Outubro, por grande Levante do Mar, esta vila possui monumentos e edifícios de interesse público e arquitectónico, seja pela arquitectura utilizada seja pela sua imponência ou características próprias. Exemplo deste caso é a Igreja de Santa Catarina cuja construção é posterior a 1639, pois a 8 de Janeiro desse ano, um grande incêndio destruiu a primeira que remontava ao século XVI. O desenvolvimento humano da localidade foi progredindo ao longo dos séculos. Sendo que uma das maiores manifestações populares organizativas são as filarmónicas que existem desde 1868. Além dos recentes festivais musicais organizados pela Câmara Municipal da Calheta e as actividades desenvolvidas pela Escola de Ensino Complementar "Padre Manuel de Azevedo da Cunha".
 Em tempos idos no Porto da Calheta chagaram a ser construídos navios que faziam a rota de Gibraltar e da América do Norte. A primeira plataforma portuária digna deste nome e que substituiu o pequeno cais então existente foi construído em 1755, no entanto só lhe foi colocado um farolim de sinalização em 1873. Facto curioso e histórico foi construído em lugar alto, destacado e bastante visível a partir do mar, sobre a vila da Calheta uma forca que durou até 1666. Nunca foi utilizada como tal. Esta forca tinha por finalidade servir de aviso à ameaça representada pelos piratas e corsários que se aproximassem da povoação.

Bandeira de Calheta


Cultura e Turismo

          Nesta vila existe uma igreja dedicada à evocação de Santo António que se encontra na Rua de Baixo, estrada de ligação com a Ribeira Seca. Igreja de Santo António foi concluída em 1816. é ainda de mencionar nesta vila um fontanário cuja construção recua a 1878. Esta localidade tem um Parque de Campismo que foi Inaugurado no dia 3 de Julho de 1993. A sua localização foi pensada de forma aproveitar as características excepcionais do local que o transformou num ponto privilegiado para o lazer e prática da natação e pesca. Encontra-se próximo da costa, junto às Poças de Vicente Dias e à Baía de Simão Dias. O Jardim Maestro Francisco de Lacerda, é um agradável jardim localizado no centro da Vila da Calheta em homenagem aquele que é um dos jorgenses mais conhecidos. Este jardim é composto por muros de empedrados, uma grande variedade de plantas e flores (na sua grande maioria não da Macaronésia, mas introduzidas), que se encontram dispostas em diferentes níveis ligadas por escadas. Podem ainda ver-se algumas aves, em pequenas casas construídas para esse efeito. Em lugar de destaque está a escultura do Maestro Francisco de Lacerda, da autoria de Didier Couto, como locais de lazer encontrará o Jardim Público <<Francisco de Lacerda>>,campos de jogos, piscina natural e parque de campismo da Fajã Grande ou um passeio a pé ao Cruzeiro, que assinala a passagem da Virgem, e seu miradouro, e porque não? ao largo do cais, o mais mercantil destas ilhas no séc. XIX.
Norte Pequeno -  Presépio no Norte da Ilha, passagem obrigatória, quer atravessando as estradas de penetração com miradouros das Brenhas, ou para visitarmos a Fajã dos Cubres com o seu miradouro sobre o canal e a Caldeira, que poderá visitar num belo passeio a pé ou a cavalo. Nesta freguesia, temos a igreja de S.Lázaro, Centro Social Polivalente da Casa do Povo, Cooperativa Agrícola e indústria de serração de madeiras. Festas principais:15 de Agosto, Senhora do Rosário. Possui no campo cultural a Filarmónica de S.Lázaro e o Grupo Folclórico sénior e juvenil. Como figura da Igreja Universal, temos o venerável Padre Lázaro Nunes, mártir em Chipre.
Fajãs - Quarta ilha açoreana na ordem da descoberta, São Jorge, é também a quarta em superfície e a segunda em comprimento, caracterizada pelo seu relevo altivo (lomba infindável), tem  depressões notáveis na costa junto ao mar - as chamadas "fajãs", que lhe dão uma característica única. Provenientes do abatimento da falésia , as fajãs são superfícies planas que se estendem pelo mar fora. Todas elas convertidas em férteis pomares, em campos de cultivo do inhame, milho, legumes, devido a microclimas, em algumas delas crescem o chá, café, frutos tropicais e belos dragoeiros.  As fajãs estendem-se de ambos os lados da Ilha. Na costa norte, a paisagem oferece-nos um azul-marinho, tendo como plano de fundo os mares da Graciosa e Terceira. Na encosta sobranceira, temos : - Penedia, Fajã do Norte Pequeno, Fajã dos Cubres, com o seu miradouro , e , num belo passeio a pé, encontramos a Fajã da Caldeira  de Santo Cristo, estas com as suas lagoas marinhas, onde se criam as amêijoas e os loiros camarões. 




Gastronomia

         Os pratos típicos da cozinha tradicional açoreana estão também presentes em São Jorge. Pertence-lhe , porém, o exclusivo das amêijoas, apanhadas nas águas da Caldeira, e a verdadeira abundância de outros mariscos. Nos doces, a variedade é grande e inclui coscorões, rosquilhas de aguardente, espécies, suspiros, doce de leite, bolos de véspera, cavacas, bolos de coalhada e doce branco.

                                                                                                   Rosquilhas de aguardente 
Bolo de coalhada