Translate

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho da Vila do Porto - Açores

Brasão de Vila do Porto

Localização

         Vila do Porto é uma vila na freguesia portuguesa de Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores, Sede do concelho de mesmo nome, é a mais antiga vila açoriana, implantada sobre uma lomba, fronteira ao mar e entre duas ribeiras (a Grande, hoje chamada de São Francisco, e a do Sancho), urbanísticamente está dividida em duas partes:
abaixo da Igreja Matriz, onde se mantém o traçado primitivo das ruas de cariz medieval;
acima da Igreja Matriz, de ocupação mais recente, ao longo de uma rua comprida e larga, terminando na altura da Igreja de Santo Antão.
É sede de um pequeno município com uma superfície total de 97,18 km² e subdividido em 5 freguesias. O município corresponde à totalidade da Ilha de Santa Maria e está, portanto, rodeado pelo oceano Atlântico, sendo o município mais próximo o da Povoação, na Ilha de São Miguel, a Norte.



História

          Frei Gonçalo Velho Cabral, fidalgo da Casa do Infante D. Henrique e Comendador da Ordem de Cristo, terá chegado à ilha em 1432. Santa Maria foi a sede da primeira Capitania das ilhas dos Açores, inicialmente abrangendo a própria Santa Maria e a de ilha de São Miguel. O seu povoamento terá se iniciado em 1439, após o desembarque das gentes na praia dos Lobos, no atual lugar dos Anjos.
O povoado do Porto terá sido fundado em 1450, por Fernão de Quental e João da Castanheira, em posição dominante numa lomba soalheira da costa Sul, frente a ampla enseada, entre duas ribeiras - a Ribeira de São Francisco, também referida como Ribeira Grande, a oeste, e a Ribeira do Sancho, a este -, que lhe asseguravam tanto a defesa quanto o abastecimento de água. Foi elevado a vila pelo o primeiro foral dos Açores, cerca de 1470. Genes Corvelo trouxe os papeis referentes à Câmara Municipal e à Igreja Matriz. A povoação encontra-se indicada no "Mapa dos Açores" (Luís Teixeira, c. 1584) como "Villa de S. Maria".
Sobre o primitivo núcleo urbano e população, refere Frutuoso:
"Tem esta Vila do Porto três ruas compridas, que correm direitas a esta ermida de Nossa Senhora de Concepção e ao porto, as quais começam do adro da igreja principal. A rua do meio, muito larga e formosa e de boa casaria, faz um cotovelo, pelo qual se não vê do adro da igreja principal a ermida da Concepção, que sobre o porto está, o que foi inadvertência dos primeiros edificadores, porque, vendo dali a dita ermida, ficava a rua com muito mais frescura. As outras duas ruas não são tão povoadas por se antremeterem nelas paredes de muitas hortas e quintais e sarrados (sic), divididas estas três ruas com outras azinhagas e travessas. Acima da igreja principal, para dentro da terra, ficam algumas casas, as mais delas de palha, em um caminho a modo de rua muito larga, que vai correndo antre sarrados e acabar antes que cheguem a uma ermida de Santo Antão, que está em um alto; da qual ermida para cima, ficam terras de pão e casais de homens que moram fora da Vila espalhados, pelo que tem a Vila mais de cem fogos, e com outros fregueses da mesma Vila, que a ela vêm ouvir missa, há na sua freguesia, que é a principal da ilha, trezentos e setenta e oito fogos, e almas de confissão mais de mil e trezentas." E ainda sobre a população e caráter dos naturais:
"É povoada esta Vila e toda a ilha de gente muito honrada, e muitos têm fidalguia por suas progénies, e outros por (a)lianças de casamentos com os Capitães e seus filhos, de que nasceram fidalgos. Todos os homens honrados, naturais da terra, quase geralmente são altos de corpo, bem dispostos e bem proporcionados, de bons e graves rostos e boas fisionomias, presumptuosos (sic) e amigos de honra, como o deve ser qualquer homem honrado, por não fazer coisa menos do que dele se espera. E todos de tão grandes espíritos, que, se saíssem da mãe para África ou lugares de fronteira, fariam sem dúvida feitos honrosos e ganhariam grande nome, mas na ilha não são dados a muito trabalho, pelo que nela não há muitas coisas boas e curiosas que pudera haver, se se deram a isso, com que foram mais ricos do que são, pois a terra de si é fértil, posto que pequena, para tão nobre e tanta gente. As mulheres, pelo conseguinte, da mesma maneira são generosas e nobres, bem postas e discretas, com uma grave formosura e virtude, que lhe acrescenta sua nobreza." 
Apesar de não haver conhecido atividade sísmica desde o povoamento - causadora de catástrofes ao longo da história das demais ilhas -, Santa Maria e Vila do Porto foram sempre marcadas pelo isolamento e inacessibilidade que lhe limitavam o poder defensivo diante de ataques de corsários e piratas da Barbária. Desse modo, já em 1480, de uma nau Castelhana, desembarcaram cerca de quarenta homens, armados de arcabuzes, no porto da Vila. Foram rechaçados por um grupo de moradores, sob o comando do 2.º capitão do donatário, João Soares de Albergaria, com tiros de pedreiro, na altura do Calhau da Roupa, afirmando-se que João Soares foi capturado e levado a ferros para Castela. Mais tarde, a vila seria atacada por corsários franceses (1553 e 1576), ingleses (1589), e piratas da Barbária (1616 e 1675). Acredita-se que o desaparecimento dos documentos relativos à fundação da vila tenha ocorrido na sequência dos saques e dos incêndios causados pelo ataque de corsários à vila em 1616. A vila desenvolveu-se numa linha Norte-Sul, desde o Forte de São Brás até à Igreja de Santo Antão. A prosperidade dos primeiros tempos é atestada pelos seus solares e templos, nomeadamente na parte antiga da vila, assim como pela implantação de um dos primeiros hospitais de Misericórdia do Arquipélago. Em 1901 recebeu a visita do rei D. Carlos e da rainha D. Amélia; ainda nesse mesmo ano, elegeu a primeira Câmara republicana do arquipélago.
Com a construção do Aeroporto, ao final da Segunda Guerra Mundial, a povoação e a freguesia adquiriram nova dinâmica, urbana, económica e cultural. Como exemplo, foram inaugurados o Clube Asas do Atlântico (1946), o "Cine Aeroporto" (1946, depois "Atlântida Cine") e o "Cine Mariense" (1953). A Central Termoelétrica, a diesel, que abastece a ilha, foi inaugurada no bairro do Aeroporto em 12 de agosto de 1970 e, em termos de energias renováveis, o Parque Eólico do Figueiral, inaugurado em 1988 foi o segundo em atividade no país e o primeiro no arquipélago, em 26 de junho de 1988 foi fundado o Clube Naval de Santa Maria. O novo Centro de Saúde de Vila do Porto foi inaugurado em 28 de Novembro de 1995, substituindo o antigo centro, nas dependências da Santa Casa, na rua da Misericórdia, que foi requalificado como Centro de Idosos. Em 2011 (20 de setembro) recebeu a visita oficial do presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva. De passado predominantemente agrícola, atualmente a sua economia baseia-se nos setores secundário e terciário.

Bandeira de Vila do Porto

Heráldica

Bandeira - Gironada de branco e de vermelho com o brasão ao centro e, por baixo, um listel branco com a inscrição "Vila do Porto" de negro.

Armas - De prata, com uma imagem de Nossa Senhora dos Anjos, com vestes brancas e manto azul realçado de ouro, coroada do mesmo: chefe cosido de vermelho com um açor de sua cor, segurando nas garras uma quina de Portugal. Coroa mural de quatro torres.

Selo - circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal de Vila do Porto".


Cultura e Turismo

        Vila do Porto dispõe de um jardim central em jeito de praça com coreto. É lá que se dão as festas e romarias e é o palco de todas as festas. Dispõe de bancos de jardim onde os idosos vêm passar o tempo e onde se conversa sobre o passado e o futuro da terra. Na zona histórica está em fase de acabamento uma praça nova, destinada a promover a zona. A Vila dispõe ainda de um Parque Florestal onde é possível fazer piqueniques e churrascos, bem como brincar nos equipamentos infantis ou disfrutar da vista para o vale e brincar com os animais, naquilo que é o único parque zoológico da ilha. Na Banda 24 de Agosto existem também jardins onde se pode brincar em segurança. Nos Anjos foi instalado recentemente um equipamento de brincadeiras infantis. A atividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que assim pediam proteção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o cetro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa. Para além desta festa, celebrada praticamente em todas as ilhas, decorre a 15 de agosto a Festa da Nossa Senhora da Assunção. No último fim de semana de agosto tem lugar um dos festivais de música mais concorridos do arquipélago. 
No artesanato destacam-se a louça em barro vermelho e outras peças de olaria, cuja tradição se procura recuperar, as camisolas de lã feitas manualmente, as mantas de retalhos coloridas e os panos de linho, os chapéus de palha, os cestos de vime e vários objetos em ferro e madeira.
No aspeto cultural, de referir o Museu Etnográfico do Espírito Santo, o santo mais venerado no arquipélago, onde também se podem ver utensílios, potes, talha e outros objetos confecionados com barro vermelho da ilha. Vila do Porto guarda algumas histórias para contar. Uma delas está relacionada com a passagem de Cristóvão Colombo pela ilha, quando regressava da viagem de descoberta do continente americano. Era o ano da graça de 1493 e deu-se uma terrível tempestade que levou a frota de Cristóvão Colombo a procurar refúgio em Anjos, lugar de Santa Maria. A tripulação desembarcou, com o intuito de se abastecer e rezar uma missa de agradecimento por ter sobrevivido à tempestade. A população, pensando tratar-se de mais um ataque de piratas, cercou-os e prendeu parte da tripulação. Após explicações e negociações, os marinheiros foram finalmente libertados e puderam cumprir a promessa na Ermida de Nossa Senhora dos Anjos. Existe também uma lenda associada à Ermida de Nossa Senhora do Pilar ou Senhora dos Milagres. Um artista concebeu um retábulo lavrado com colunas salomónicas de pedra local. A obra foi de tal perfeição que o artista foi chamado para junto de Nossa Senhora, morrendo no dia em que concluiu a obra.





Gastronomia

       
     


domingo, 11 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de Vila Franca do Campo - Açores

Brasão de Vila Franca do Campo

Localização

            Vila Franca do Campo é uma vila portuguesa na ilha de São Miguel, Região Autónoma dos Açores, sede de um pequeno município com 78,00 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelo município da Ribeira Grande, a leste pela Povoação, a oeste por Lagoa e a sul tem litoral no oceano Atlântico.



História

         Vila Franca do Campo foi, durante o primeiro século de povoamento, a mais importante povoação da ilha, nela se fixando Gonçalo Vaz Botelho, o capitão do donatário, e as principais instituições oficiais, como a Alfândega e a Ouvidoria, de onde o epíteto de "primeira capital micaelense". Foi elevada a vila em 1472, a segunda no arquipélago. É testemunho de seu desenvolvimento o fato de contar com hospital em época anterior à da fundação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (1498), por efeito de disposição testamentária de D. Isabel Gonçalves que, em 1483, legou os seus haveres para a sua instituição. Na noite de 21 para 22 de Outubro de 1522, sofreu um violento terramoto - a chamada "subversão de Vila Franca" - que causou um grande escorregamento de terras nas encostas sobranceiras à vila, causando um lahar que soterrou a maior parte do povoado. Como consequência estima-se que pereceram milhares de pessoas, não apenas em Vila Franca, mas também em muitas outras povoações da ilha, tendo se registado ainda grandes escorregamentos de terras na Maia e região circunvizinha, e em Ponta Garça. A tragédia inspirou diversos escritos e, pelo menos, um romance de raiz oral intitulado "Romance que se fez d'algumas mágoas, e perdas que causou o tremor de Vila Franca do Campo", editado por Teófilo Braga. Apesar da destruição, Vila Franca manteve importância regional até ao século XVIII, apenas atrás de Ponta Delgada, quando foi suplantada pela Ribeira Grande. O cronista Gaspar Frutuoso, assim a refere:
"...a antiga e nobre Vila Franca do Campo com seus ricos pomares de muitas frutas, de que está rodeada, chamada Franca porque, segundo dizem, logo no princípio, tirando os dízimos que somente se pagam a El-Rei, era franca de todas as mais coisas e direitos, para melhor ser povoada esta ilha e chamou-se do campo por ser situada em um formoso campo." e acrescenta, sobre o seu crescimento: "...tanto em edifícios e comércio que parecia uma pequena corte, com seus ilustres capitães e fidalguia de gente nobre, que governava com prudência e zêlo."
Em Vila Franca tiveram lugar alguns dos mais importantes eventos das lutas entre os partidários de D. António I de Portugal e de Filipe II de Espanha, que culminaram na batalha naval de Vila Franca, travada ao longo do litoral sul da ilha de São Miguel a 26 de Julho de 1582. Após a batalha, D. Álvaro de Bazán, marquês de Santa Cruz de Mudela, desembarcou na vila, aqui estabelecendo o seu quartel general e fazendo supliciar por enforcamento cerca de 800 prisioneiros franceses e portugueses, no maior e mais brutal massacre jamais ocorrido nos Açores. Em Julho de 1562 nasceu nesta povoação Bento de Góis, que empreendeu na Ásia Central, entre 1602 e 1606, a maior viagem de exploração terrestre portuguesa e uma das maiores de sempre da história da humanidade. Aqui está sepultada a primeira freira micaelense, Petronilha da Mota, filha de Jorge da Mota. e que, com o nome de Madre Maria de Jesus, foi a primeira abadessa do Convento de Santo André.

Bandeira de Vila Franca do Campo

Heráldica

Armas - De azul, com um braço de carnação, alado de ouro, movente do direito, segurado na mão uma espada, de dois pratos, de ouro; em orla a legenda "Quis Sicut Deus?", de ouro. Coroa mural de quatro torres de prata. Listel branco com os dizeres a negro "Vila Franca do Campo".

Bandeira - Amarela, com as armas no centro. Bordas e cordões entrançados de ouro e azul.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal de Vila Franca do Campo".


Cultura e Turismo

              Se esta Vila, com os seus monumentos, seus belos jardins e ruas ensolaradas, todas elas traçadas na direcção dos quatro pontos cardeais, donde se espreita o mar a cada canto, com as suas belezas naturais, as suas praias amplas e limpas, ela torna-se um centro de atracção turística tanto para nacionais como estrangeiros, que correm o mundo a deliciar o espírito e à procura de novos motivos a colher na objectiva da máquina de filmar que os acompanha nas suas digressões.
Uma visita ao Ilhéu dá motivos para uma boa filmagem da sua piscina natural, da vista panorâmica que se goza do alto de qualquer das suas elevações que o compõem, nos diferentes aspectos que nos oferece, a cada passo, a volta ao Ilhéu. Aos amadores da pesca desportiva ou submarina é oferecido um largo campo de acção nas águas fundas do Ilhéu e até sobre a pedra, na pesca de cana. Hoje é uma reserva natural. A costa é fértil em pescaria de corrico, caniço ou linha, e, no alto mar, na pesca de albacora e de bonito, à linha apanham-se chernes, matulas, lírios, gorazes, abróteas, pargos, etc., etc.. Na Ribeira da Praia há trutas de apreciáveis dimensões. As praias de Vila Franca são amplas, limpas e bem defendidas. Aos sábados e domingos são povoadas por quem ama os prazeres de um reconfortante banho de mar ou de sol, acompanhados de um bom piquenique.
Neste concelho há duas das mais belas lagoas de São Miguel. A Lagoa do Fogo, de aspecto ainda rústico, donde se pode admirar um dos mais soberbos panoramas desta ilha, vendo-se do alto da Barrosa o mar da costa norte e da costa sul, na parte mais estreita e mais plana de toda ela. Temos ainda a Lagoa do Côngro, soturna, reflectindo um verde muito escuro, que lhe é transmitido pelas rochas alcantiladas dos montes que a cercam, a contrastar com a alacridade da sua vizinha Lagoa dos Nenúfares, de superfície quase totalmente coberta por essas formosíssimas flores. Oferece ainda, Vila Franca aos seus visitantes um interessante museu etnográfico na Casa do Povo, o Museu Municipal e o fabrico da louça de barro, pelo processo mais primitivo da roda. Os oleiros da Vila são únicos na sua arte. Fazem a delicia de quem por aqui passa, as célebres Queijadas da Vila que tiveram a sua origem na doçaria do Convento de Santo André e ainda hoje são fabricadas em segredo religiosamente mantido por duas famílias apenas.
As proporções arqueológicas levadas a efeito pelo Dr. Sousa Oliveira nalguns pontos da Vila soterrada em 1522 despertaram muito interesse por parte dos estudiosos, que as visitaram, admirando os achados que podem fazer luz sobre o valor e a importância da antiga Capital.
O Ilhéu de Vila Franca do Campo é o maior atractivo natural deste concelho. Cratera de um vulcão extinto, abriga uma piscina natural perfeitamente circular, onde se podem praticar os mais variados desportos nauticos. Na parte sul do ilhéu erguem-se dois farelhões, um mais alto do que o outro. O ilhéu e o mar envolvente são "Reserva Natural". Existe um serviço regular de barco, a partir do cais de Vila Franca, nos meses de Junho a Setembro. A Praia de Água d'Alto, na freguesia do mesmo nome, é um dos mais concorridos areais da ilha durante a época balnear. Para além deste existem ainda os areais da Praia do Degredo, da Praia do Corpo Santo e da Praia da Vinda d'Areia. A Lagoa do Congro, com as suas águas de um verde escuro e envolta por um denso arvoredo, e a Lagoa dos Nenúfares, quase totalmente coberta por estas flores, merecem uma visita cuidada. O Cerrado dos Bezerros, um agradável Parque Florestal, com grande variedade de plantas e flores, é muito procurado no Verão para merendas ao ar livre.

Ilhéu de Vila Franca do Campo 


Gastronomia

          
           Queijadas de Vila Franca do Campo 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho da Ribeira Grande - Açores

Brasão de Ribeira Grande

Localização

            A Ribeira Grande é uma cidade portuguesa na ilha de São Miguel, Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 180,15 km² de área e subdividido em 14 freguesias. O município é limitado a leste pelo município de Nordeste, a sul pelos de Povoação, Vila Franca do Campo e Lagoa, a oeste pelo de Ponta Delgada, e a norte tem costa no oceano Atlântico.



História

          Os primeiros habitantes terão chegado a este lugar do Norte da Ilha de São Miguel no último quartel do século XV. Estabeleceram-se, ao que parece, a nascente da grande ribeira que mais tarde daria o nome ao povoado: Ribeira Grande.Observemos o que o Doutor Gaspar Frutuoso escreveu sobre a Ribeira Grande de inícios de quinhentos e do seu tempo:
‘A vila da Ribeira Grande, nobre com seus moradores, rica em suas terras, bem assombrada com seus campos e fértil com seus frutos, está situada de aquém e de além de uma grande ribeira, de que ela tomou o nome, quase no meio da ilha, em uma grande baía da banda do norte, ao pé de uma serra muito fresca [que, por estar perto da sua planície, está uma coisa realçando a outra, fazendo-a juntamente mais graciosa que outras muitas vilas]; e a ribeira corta a vila em duas partes, de pouco tempo a esta parte, porque até ao ano de mil e quinhentos e quinze não havia da ponte para a parte do ponente mais de duas casas somente. Mas, veio depois em tanto crescimento, que é agora a maior vila, mais rica e de mais gente que há em todo este Bispado de Angra. Dantes era lugar sufragâneo a Vila Franca do Campo, até que el-Rei Dom Manuel, quatrozeno Rei de Portugal e primeiro deste nome, estando em Abrantes, aos quatro dias do mês de Agosto da era de mil e quinhentos e sete, o fez vila, com uma légua de termo ao redor, contada do Pelourinho dele para todas as partes em redondo’. Parece que a aspiração a cidade nasceria em 1852. Muito gosto se teria em conhecer os argumentos que estariam na base do Projecto de Lei apresentado à Câmara dos Deputados. Segundo Luciano de Resende Mota Vieira, no Jornal Correio dos Açores, 11 de Abril de 1979, a futura cidade seria constituída pelas freguesias de Nossa Senhora da Estrela [hoje, Matriz] e de Nossa Senhora da Conceição [actual, Conceição]. Para além de possuidora de forte riqueza patrimonial, nomeadamente, ao nível da sua arquitectura, civil e religiosa, a pujança económica da Ribeira Grande ajudaria a ditar a sua elevação a cidade aos 29 de Junho de 1981. Actualmente, o Concelho é o terceiro mais populoso do Arquipélago dos Açores, logo a seguir a Angra do Heroísmo e a Ponta Delgada, bem como, no seio do mesmo, é dos que mais contribui para a sua economia. 

Bandeira de Ribeira Grande

Heráldica

Armas: De vermelho, com uma estrela de ouro, em chefe um açor voante de sua cor, com um escudete das quinas de Portugal nas garras; em contrachefe uma ponte de prata realçada de azul, sobre uma faixa ondulada de prata e azul, de três peças.

Bandeira: Esquartelada de azul e de branco, tendo ao centro o escudo das armas, encimado por coroa mural de prata, de quatro torres. Por baixo do escudo, listel de branco com letras de negro, que dizem: ‘Ribeira Grande’. Haste e lança douradas. Cordões e borlas de azul e de prata’.


Cultura e Turismo

               A paisagem do concelho da Ribeira Grande corresponde à expressão do seu relevo, resultante de uma forte actividade vulcânica devida aos três vulcões centrais activos (Sete Cidades, Fogo e Furnas), cuja dinâmica eruptiva se situa na base da morfologia do terreno aqui verificada. Como consequência verifica-se uma acidentada e irregular linha de costa acompanhada, ao longo de todo o concelho, por caldeiras ou cones de escórias. O território é, assim, marcado por fortes inclinações, que acompanham transições altimétricas acentuadas, ao longo de um relevo enrugado de orientação generalizada a Norte. O clima é de tipo oceânico temperado, húmido e chuvoso, de grande instabilidade e acentuada queda de chuva estival.
A influência da corrente quente do golfo, o envolvimento oceânico e a presença do anticiclone dos Açores assumem-se como as principais condicionantes climatéricas. 

Caldeira Velha - Este Monumento Natural Regional faz parte da Reserva Natural do vulcão do Fogo. Trata-se de um vale profundo e irregular, inserido na encosta da Serra de Água do Pau. Aqui, encontra uma cascata de água morna e rica em ferro. Encontra uma espécie de represa onde poderá tomar um banho relaxante. Estacionamento fácil, na estrada regional, a caminhada até à fumarola e cascata leva cerca de 5 minutos.

Salto do Cabrito - O Salto do Cabrito é uma cascata com cerca de 30 m de altitude. Escondida no meio da vegetação luxuriante, entre a estrada da Lagoa do Fogo e Caldeiras da Ribeira Grande. Aqui pode aproveitar para fazer o trilho pedestre, visitando a cascata e o vale das Caldeiras da Ribeira Grande.

Vale das Lombadas - Saindo das Caldeiras da Ribeira Grande faça um desvio em direção à montanha, através desta estrada poderá contemplar uma vista deslumbrante sobre a costa norte, bem como sobre a parte ocidental da ilha. O Vale das Lombadas, declarado como Reserva Natural, proporciona aos seus visitantes uma paisagem fascinante e diferente, selvagem, intocável, onde a vegetação endémica luxuriante cresce em abundância em torno das suas nascentes de água mineral. É aqui que o fluxo das suas águas límpidas dá o nome á cidade da Ribeira Grande.

Lagoa do Fogo - A Lagoa do Fogo é uma das maiores lagoas dos Açores e a terceira maior da ilha de São Miguel, classificada como Reserva Natural desde 1974. Uma enorme lagoa de águas transparentes e limpidas com praias de areia branca. Conserva no interior da sua caldeira um conjunto importante de endemismo. É um lugar de rara beleza, de um silêncio mágico, onde reina a tranquilidade. 



Gastronomia

          Os apreciadores da boa mesa podem encontrar neste Concelho a típica ‘sopa de feijão vermelho’, o ‘fervedouro’ [sopa: água, banha de porco, batata grada, cebola, couve repelada, sal, talos de couve e hortelã], a ‘morcela’ e o ‘chouriço’ [condimentados enchidos de porco], as ‘favas guisadas’, os ‘torresmos de vinho [tinto] de alhos’, os ‘chicharros com molho de vilão’, as ‘lapas de molho afonso’, e o ‘cozido à portuguesa’, nas Caldeiras. No capítulo da doçaria, os ‘confeitos’ da Ribeira Grande ocupam o lugar de honra. Trata-se de um doce feito à base de açúcar e funcho, cuja receita se manteve durante muitos anos em segredo, guardando assim toda a sua originalidade. Os dias de festa ainda fazem surgir outros doces de nomes inspirados e de origem conventual: ‘biscoitos de aguardente’, ‘súplicas’, ‘suspiros de açúcar’ e ‘barriga de freira’. De cariz popular e tradicional, os ‘quadrados de abóbora’ são muito apreciados.

                                                                                                        Arroz de lapas
Arroz de LapasBarrigas de Freiras
Barrigas de freiras 


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho da Povoação - Açores

Brasão de Povoação

Localização

        A Povoação é uma vila portuguesa na ilha de São Miguel, Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 110,30 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios da Ribeira Grande e de Nordeste, a oeste por Vila Franca do Campo e tem costa no oceano Atlântico a leste e sul.



História

                O descobrimento dos Açores envolve alguma controvérsia, pelo que nos vamos limitar à versão defendida pela maioria dos historiadores. Os mais recentes estudos apontam para a probabilidade do Arquipélago dos Açores ter sido descoberto por Diogo de Silves, a mando do Infante D. Henrique, em 1427. Crê-se que a ilha de S. Miguel, à semelhança de outras ilhas, foi baptizada com nome de um Santo, fruto do espírito religioso vivido na época. 
Os descobridores aportaram, pela primeira vez, na então chamada Povoação Velha – actual Concelho da Povoação. “Chegando aqui às ilhas os novos descobridores tomaram terra no lugar onde agora se chama a Povoação Velha pelo que fizeram depois […] e, desembarcando entre duas frescas ribeiras de claras, doces e frias águas, (a Ribeira de Além e a Ribeira de Pelames) entre rochas e terras altas, (Morro de Santa Bárbara e Lomba dos Pós) todas cobertas de espesso arvoredo de cedros, louros, ginjas e faias, e outras diversas”. Desde logo, o local impressionou os descobridores pois era abundante em vegetação, facto que indicava tratar-se de uma terra fértil. Procedeu-se então ao povoamento da Ilha, transportando para a mesma gado, sementes de trigo, legumes e algumas alfaias agrícolas. 

Bandeira de Povoação

Cultura e Turismo

           Por todo o Concelho se usufrui de um conjunto magnífico de paisagens, parques, miradouros, praias (inclusive uma de água tépida). A Lagoa das Furnas é, por seu turno, outro recanto ao qual não ficará indiferente pela beleza e magia que o envolve. Peremptoriamente, ao falarmos no Concelho da Povoação, não podemos deixar de realçar que no Vale das Furnas, de acordo com os especialistas na área, se encontra a nossa maior riqueza – os recursos hidrológicos, resultantes das manifestações de vulcanismo activo que se encontram patentes nas fumarolas e nos gaisers – manifestações únicas nos Açores. O Vale das Furnas detém 22 qualidades de águas minero-medicinais já classificadas, o que constitui em termos mundiais a maior hidrópole. Os Povoacenses dispõem de um concelho cada vez mais desenvolvido e, consequentemente, atractivo. Este facto deve-se ao aproveitamento dos recursos naturais existentes por todo o concelho, mas também ao trabalho efectuado a diversos níveis, nomeadamente a nível cultural e turístico. Deslocando-se ao concelho, além das paisagens paradisíacas de que desfrutará, pode visitar a título de exemplo o Museu do Trigo, o núcleo Museológico da Ribeira Quente, o Parque Terra Nostra, ou ainda o Parque Zoológico da vila da Povoação. Se preferir caminhar e estar em permanente contacto com a Natureza, não deixe de percorrer os trilhos recuperados a pensar em si e, naturalmente, na sua segurança. Tratando-se de um concelho em íntima ligação com o mar, não podíamos deixar de lhe proporcionar e propor momentos inesquecíveis ligados à prática de desportos náuticos. Podendo ainda, em alternativa, aderir às actividades propostas por empresas ligadas ao turismo. Se, por outro lado, prefere estar constantemente ligado ao resto do mundo, frequente simplesmente os nossos centros de informática. 
Aprecie impreterivelmente a gastronomia e doces regionais comodamente instalado numa das unidades de restauração de que dispomos. Se resolver permanecer no concelho, saiba que à sua disposição hotéis, residenciais, turismo de habitação, e / ou apartamentos. O Museu do Trigo, localizado entre a Lomba do Alcaide e a Lomba do Loução, é um espaço para apreciar os instrumentos outrora utilizados na ceifa do trigo. Dispõe de uma exposição permanente que retrata e explica as técnicas do cultivo, da colheita e da debulha do trigo e do uso da palha. Foi inaugurado a 31 de Julho de 2004, em resultado da reconversão museológica da debulhadora hidráulica da Ribeira do Engenho. Possibilita ainda a aquisição de produtos regionais confecionados na Povoação. O Parque Zoológico da vila da Povoação, o desaparecido Forte da Povoação, erguido para proteger do porto da vila. Era um pequeno forte, em cujos muros se abriam sete canhoneiras, o núcleo Museológico da Ribeira Quente, e nas Furnas, o Parque Terra Nostra.
O lugar das Furnas, de acordo com os especialistas na área, se encontra a nossa maior riqueza – os recursos hidrológicos, resultantes das manifestações de vulcanismo ativo que se encontram patentes nas fumarolas e nos gaisers – manifestações únicas nos Açores. O Vale das Furnas detém 22 qualidades de águas minero-medicinais já classificadas, o que constitui em termos mundiais a maior hidrópole. Observatório Microbiano das Furnas (OMIC). A atividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo que são celebradas praticamente em todas as ilhas. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que assim pediam proteção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o cetro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa. É também de destacar o festival de Povoação, na primeira semana de julho, um festival que inclui música, artesanato e gastronomia.
A nível de artesanato, destacam-se as flores de escamas de peixe, de papel, de penas ou de pano, os capachos de folhas de milho e espadana; os trabalhos de vime, os bordados de linho, os bonecos de folhelho de milho com trajes tradicionais, as colchas coloridas tecidas manualmente e os barretes de lã.
As personalidades ligadas ao concelho que mais se destacaram foram: o padre José Ernesto Jacinto Raposo, o primeiro ouvidor do concelho e cofundador da Santa Casa da Misericórdia e da Caixa Económica; José Honorato Gago da Câmara Botelho de Medeiros, engenheiro de construção naval, que doou as atuais instalações da biblioteca municipal e foi um benemérito do concelho, e o padre João de Medeiros, que legou toda a sua fortuna ao desenvolvimento cultural do concelho.




Gastronomia :

            
            Fofas da Povoação


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Viagem e visita ao concelho de Ponta Delgada - Açores

Brasão de Ponta Delgada

Localização

           Ponta Delgada é uma cidade portuguesa localizada na ilha de São Miguel, na Região Autónoma dos Açores, é sede de um município com 231,90 km² de área e subdividido em 24 freguesias. O município é limitado a leste pelos municípios da Ribeira Grande e da Lagoa e tem costa no oceano Atlântico a norte, sul e oeste. É a capital administrativa do Governo Regional desde que os distritos foram extintos, por volta de 1976 (conjuntamente com Angra do Heroísmo (sede de diocese) e Horta, onde se sedia o Parlamento regional).







História

            Ponta Delgada foi elevada a cidade, no reinado de D. João III, conforme reza a carta régia de 2 de Abril de 1546, depois da primeira capital da ilha - Vila Franca do Campo - ter sido devastada pelo terrível terramato de 1522.  A historiografia celebra o século XIX como a época áurea da cidade de Ponta Delgada e da ilha de S.Miguel, pela prosperidade económica, graças à exportação de citrinos para o Reino Unido, e pelo cosmopolitismo, graças à fixação de numerosos comerciantes estrangeiros, nomeadamente de inúmeras famílias judaicas, a partir de 1818. A imitação do gosto inglês ficou, então, patente na plantação de jardins ao gosto romântico - como os de António Borges, José do Canto, Jácome Correia e Visconde Porto Formoso (actual Universidade dos Açores) -, na construção de belíssimos palacetes e no "embelezamento" progressivo da urbe, com a proibição da deambulação de animais nas ruas, a abertura de novas ruas, a localização do cemitério público no extremo Norte da cidade e a periferização dos mercados do peixe, do gado e das frutas. Graças à importância da actividade mercantil, Ponta Delgada era, então, considerada a terceira cidade do país, em riqueza e em número de habitantes. Recorde-se, por exemplo, a surpresa do poeta Bulhão Pato, traduzida nas suas Cartas, com a extraordinária riqueza dos proprietários das quintas de laranja - os gentlemen farmers - senhores da terra e da especulação do solo urbano, exportadores de laranja e de milho, banqueiros e usurários, industriais e armadores - que faziam do investimento emblemático e simbólico do espaço, uma forma privilegiada de afirmação económica e de estratégia de reprodução social. No início do século XX, Ponta Delgada ainda se encontrava em oitava posição no seio do universo urbano português. No decurso das últimas décadas, porém, o crescimento urbano em Portugal, por força da acelerada industrialização e da perda de importância da economia rural - à semelhança do se tinha verificado no mundo desenvolvido, desde os inícios de oitocentos -, veio contribuir para que não só crescesse o número de cidades, como aumentasse a população urbanizada a nível nacional, e, nesse sentido, Ponta Delgada, tomando por base o critério do número de habitantes, com os seus menos de cinquenta mil habitantes, foi "atirada" para o ranking das pequenas cidades portuguesas. Ponta Delgada, contudo, nunca deixou de ser a primeira do arquipélago pela riqueza gerada, pelo número dos seus habitantes, pelo seu inestimável património, pela sua importância cultural e pelo seu cosmopolitismo.

Bandeira de Ponta Delgada


Cultura e Turismo

                Desembarcando na ilha, logo o visitante se dirige a Ponta Delgada, seu principal centro populacional e a maior cidade açoriana, onde dispõe de uma rede hoteleira apta a acolhê-lo com conforto e qualidade. Ainda na cidade e em jeito de aperitivo, poderá começar por apreciar toda a monumentalidade dos seus edifícios mais antigos e de maior valor arquitectónico, a maioria deles hoje redutos da vida política, administrativa, religiosa e cultural, não só micaelense, como também açoriana. Começando pelas Portas da Cidade, verdadeiro ex-libris de Ponta Delgada com os seus três imponentes arcos construídos no séc.XVIII, convidando a um passeio cultural pela cidade, talvez mereçam especial destaque, pela sua importância e valor histórico:
As três imponentes Igrejas paroquiais das três freguesias da cidade, a da Matriz de São Sebastião, a de São Pedro e a de São José, autênticas obras de arte da construção dos sécs.XVI; XVII e XVIII;

Igreja de São Sebastião - Construída no local onde havia uma ermida com S.Sebastião. Ficou pronta em 1547. Estrutura gótica mas o exterior com estilo Manuelino. Modificado no século XVIII, principalmente a fachada com o estilo Barroco. No interior bordados a ouro, madeiras raras (pau-santo).

Igreja São José - Construída em 1709. Imagens com influência hispano-mexicana, azulejos azuis e brancos e mobilia de madeira jacarandá- estilo barroco.

Igreja Matriz
Igreja São Pedro - Imagens do séc. XVI, XVII, XVIII, altar em talha dourada, e o quadro do Pedro Alexandrinho Carvalho “Pentecostes”. 

O Convento de Santo André, onde funciona o Museu Carlos Machado, recheado de ricas colecções de pintura, escultura, gravura, azulejos, zoologia, botânica, etc. e apresentando uma secção etnográfica com interessantes cenas da vida açoriana (O Museu Açoreano que apareceu em 1880 no Liceu Nacional com exposições em zoologia, botânica, geologia e mineralogia mais tarde exposições de arte e etnografia popular. Depois mudou para o Mosteiro de Santo André em 1930. Agora com colecções de pintura, escultura, azulejaria, porcelana, ourives, brinquedos e exposições originais. Pintura sobre tábuas de santos, e arte contemporânea.). Além destes, outros edifícios há que, não possuindo a grandiosidade dos mencionados, apresentam no entanto curiosos exemplos de arquitectura urbana do séc.XVII ao XIX que completam o panorama arquitectónico de Ponta Delgada, merecendo por isso um pouco da nossa atenção. Além destes, outros edifícios há que, não possuindo a grandiosidade dos mencionados, apresentam no entanto curiosos exemplos de arquitectura urbana do séc.XVII ao XIX que completam o panorama arquitectónico de Ponta Delgada, merecendo por isso um pouco da nossa atenção. Toda a zona litoral da cidade é percorrida pela Avenida Marginal, um dos importantes centros da vida quotidiana de Ponta Delgada. Ao longo de toda a sua extensão, um constante vaivém de pessoas na sua azáfama diária dá lugar, à noite e especialmente nos serões das quentes noites de verão, a uma calma concentração de cidadãos em saudável convívio social. No extremo poente, a avenida dá acesso ao porto comercial onde se movimenta todo o tráfico marítimo da ilha. Na zona nascente da avenida marginal, o complexo marina-piscina municipal é local que convida a agradáveis momentos de recreio e lazer. Na viagem de regresso, através de uma verdejante e florida estrada sinuosa, que em alguns troços se assemelha a autênticos túneis de vegetação, soberbas panorâmicas sobre a costa norte de São Miguel constituem, sem dúvida, matéria suficiente para boas recordações, não só fotográficas como também de vídeo, não esquecendo as paragens obrigatórias na  Maia, na Gorreana (plantação de chá), na praia de Porto Formoso, o miradouro de Santa Iria, já perto da Ribeira Grande, é ocasião a não perder...
Atravessando esta cidade e continuando pela estrada ao longo da costa norte, a sequência de bonitas paisagens é uma constante, passando a freguesia piscatória de Rabo de Peixe, as Capelas como centro histórico da caça à baleia e culminando com a extraordinária vista do miradouro da Ponta do Escalvado, na freguesia da Várzea, sobre a freguesia e Ilhéus dos Mosteiros e sobre a Ponta da Ferraria. Subindo da Várzea para o interior da ilha, em direcção à cumeada e desta descendo ao fundo da enorme caldeira que se nos depara, a pitoresca e atraente freguesia das Sete Cidades com as suas duas magníficas Lagoas, a Verde e a Azul, é razão forte para mais um inebriante momento de estreito contacto com a Natureza e com o de belo que ela nos pode dar. Uma agradável caminhada a pé pelas margens das lagoas onde poderá repousar um pouco junto ao túnel, notável obra de engenharia destinada ao escoamento das águas pluviais em excesso que caem dentro da bacia hidrográfica e um passeio pelas ruas do aglomerado urbano, donde se destaca a Igreja Paroquial dedicada a São Nicolau, e imponente Casa Solarenga do engenheiro Caetano de Andrade, herds., é a tentação natural de quem visita as Sete Cidades, perante a sua extasiante beleza. Subindo ao miradouro da Vista do Rei, toda esta inolvidável beleza, concentrada dentro da cratera principal do último vulcão que rebentou em São Miguel, hoje completamente extinto se torna ainda mais bela a nossos olhos. As características ímpares desta magnificente cratera justificaram, em 1980, a sua classificação como Paisagem Protegida. No regresso a Ponta Delgada, a estrada do Pico do Carvão oferece extraordinários quadros paisagísticos sobre a parte central da ilha desde a costa norte à sul, onde, das pastagens planas de um verde claro se erguem cortinas de abrigo naturais de verde mais carregado, o que faz com que São Miguel também seja conhecida como a Ilha Verde.





Gastronomia

             As velhas receitas tradicionais mantêm-se em pratos suculentos, como o caldo azedo, couves solteiras, os fervedouros, o polvo guisado em vinho de cheiro, os torresmos em molho de fígado, as caldeiradas de peixe, o arroz de lapas, o ensopado de trutas, as lapas de molho Afonso, a que se deve juntar o sempre curioso cozido das Furnas, em que o tacho contendo as carnes e os legumes é enterrado envolto num saco para que o calor vulcânico actue, e passadas algumas horas está pronto a deliciar o paladar com o seu sabor. Lagosta, cavaco, caranguejos e as estranhas cracas, escondidas nos orifícios que escavam nas pedras, satisfazem os apreciadores de mariscos. No que respeita a queijos, São Miguel oferece o branco e macio queijo de cabra fresco e o queijo da Ilha, de sabor picante quando seco. A antiga doçaria conventual faz as delícias dos gulosos nas queijadas de Vila Franca do Campo, nos confeitos da Ribeira Grande, no bolo lêvedo das Fumas, na barriga-de-freira, massa sovada, bichos de amêndoa e compota de capucho, pequeno fruto de uma planta herbácea. A região da Caloura produz vinho de cheiro, ou morangueiro, com perfume característico e pouco encorpado. Os licores de maracujá e de ananás são formas agradáveis de terminar uma refeição.
                                                                                                               Bolos lêvedos 
Bolos Lêvedos
Cozido das Furnas
Cozido das Furnas