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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho do Funchal - Madeira

Brasão de Funchal

Localização

            O Funchal é uma cidade portuguesa na ilha da Madeira, capital da Região Autónoma da Madeira e a mais populosa fora do território continental Português. A cidade coincide com o seu concelho, e tem 76,15 km² de área e subdividindo-se em 10 freguesias. A área metropolitana do Funchal, que inclui os concelhos de Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Santa Cruz e Machico. O município é limitado a norte pelo município de Santana, a nordeste por Machico, a leste por Santa Cruz e a oeste por Câmara de Lobos, sendo banhado pelo oceano Atlântico a sul.



História

           O povoamento da Madeira iniciou-se em 1425. Após a sua descoberta, em 1419, a Ilha foi dividida em duas capitanias, cabendo a do Funchal a João Gonçalves Zarco, onde se fixou com a sua família. O primitivo pequeno burgo, localizado “em um vale formoso de singular arvoredo, cheio de funcho até o mar”, como referem os primeiros cronistas, recebeu o nome Funchal, tornando-se rapidamente no principal núcleo populacional do Arquipélago. O melhor porto e o clima ameno conjugados com a excelente posição geográfica na costa sul - a mais produtiva da Ilha - depressa permitiu ao Funchal um fulgurante desenvolvimento urbano, ultrapassando rapidamente as restantes povoações insulares que passaram a gravitar em seu torno. Entre 1452 e 1454, ainda no reinado do Infante D. Henrique, o Funchal teve o seu primeiro foral, que o elevou à categoria de vila. A partir de 1480 passou a haver representação dos mesteres na vereação camarária (casa dos 24).
Com o desenrolar da segunda metade do século XV, a cultura sacarina desenvolveu-se excepcionalmente. Os canaviais proliferavam por toda a costa sul da Ilha, desde Machico até a Fajã da Ovelha, colhendo o Funchal, mercê da sua localização, os dividendos mais importantes deste surto económico açucareiro. O Funchal transformou-se num centro obrigatório de passagem das rotas comerciais portuguesas de então, para onde foram transferidos os grandes interesses comerciais europeus. Aqui fixaram-se aventureiros e comerciantes das mais recônditas origens em busca de melhores condições de trabalho e de vida, como foram os casos de Cristóvão Colombo de Génova, do seu amigo João d’Esmenaut da Picardia, dos Lomelino de Génova, dos Acciauoli de Florença, dos Bettencourt de origem francesa, entre outros.
No final do século XV, D. Manuel, Duque de Beja, que detinha o controlo da Ordem de Cristo, incentivou o planeamento e a estruturação da progressiva e próspera vila. Assim, mandou levantar os Paços do Concelho e dos Tabeliães, aptos a funcionar em 1491, enviou o pelourinho da vila, então denominado “picota” (1486), construiu uma igreja nova que depois foi elevada à categoria de Sé Catedral em 1514 e, quase ao mesmo tempo, mandou erigir um hospital e a nova alfândega do Funchal.
No início do século XVI, mais precisamente em 1508, o Funchal é elevado à categoria de cidade, poucos anos depois a sede de bispado e mais tarde, após a criação das dioceses de Angra, Cabo Verde, São Tomé e Goa, a arcebispado, passando a ter como sufragâneas aquelas novas dioceses. A cidade desenvolveu-se, então, por uma longa rua ribeirinha que, ao longo do seu percurso e história, conheceu vários nomes como Santa Maria, Caixeiros, Alfândega e Mercadores. A partir daquela rua nasceram outras perpendiculares, contornando as três ribeiras que atravessam o largo vale e se dirigem para as serras. A primeira e principal foi a Rua Direita, nascendo na foz das Ribeiras de João Gomes e de Santa Luzia. Seguiram-se o Caminho do Palheiro, o caminho de ligação ao Monte, o caminho de ligação a Santa Luzia, o caminho e Calçada de Santa Clara e assim sucessivamente.
 Paralelamente à rua principal ribeirinha surgiram outras, como ao longo do calhau, a Rua da Praia, e entre as Ribeiras de Santa Luzia e de São João, a Rua da Carreira, “pelos cavalos que costumam correr nela”, como refere o cronista Gaspar Frutuoso. No século XVII, com o recrudescimento dos tratados comerciais com a Inglaterra, instalam-se na Ilha importantes mercadores ingleses que, a pouco e pouco, acabaram por controlar o cada vez mais importante comércio vinícola insular. Este incremento levou ao aparecimento de uma nova cidade, com casas senhoriais urbanas, dotadas de um andar nobre para habitação, geralmente com varandas de sacada articuladas com as janelas de um andar intermédio de serviços, um piso térreo para arrecadações e adegas, e ainda uma torre que, para além de funcionar como um emblema senhorial, era imprescindível para ver o movimento do porto e controlar as chegadas e as partidas dos navios que vinham carregar as pipas de vinho Madeira. A partir dos finais do século XVIII a cidade espraiou-se pela encosta, até ao Monte, com pequenas residências senhoriais, dotadas de parques com árvores exóticas e mirantes sobre os caminhos, com as “casinhas de prazer”, nascendo assim a quinta madeirense e passando grande parte das residências urbanas para funções essencialmente comerciais.
Entretanto, ao longo do século XIX, a Madeira e a cidade do Funchal transformaram-se em mitos românticos europeus, com a passagem pela Ilha de personalidades como a Imperatriz Sissi da Áustria, a Rainha Adelaide de Inglaterra, a Imperatriz viúva do Brasil e a sua filha, a Princesa Maria Amélia, o futuro imperador do México e a sua esposa, a Princesa Carlota da Bélgica, e muitos outros nomes sonantes da nobreza europeia. A suave encosta do Funchal ganhou foros de estância turística terapêutica e a cidade passou a ser incluída, quase obrigatoriamente, nos roteiros do Grand Tour do nascente turismo internacional.
Os finais do século XIX e os inícios do século XX foram marcados pela revolução internacional dos transportes marítimos e depois aéreos. Assim foram criadas as novas instalações do porto do Funchal, depois do aeroporto de Santa Catarina, com o Funchal a tornar-se num centro de turismo internacional, dotado de um importante parque hoteleiro.

Bandeira de Funchal

Heráldica

Escudo - de verde, com cinco pães de açúcar de ouro realçados em espiral e com base em púrpura, postos em cruz, acantonados, por quatro cachos de uvas de ouro sustidos e folhados do mesmo metal, cada cacho carregado por uma quina de azul carregada de cinco besantes de prata, em aspa. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco, com a legenda a negro “CIDADE DO FUNCHAL “.

Bandeira Municipal - Gironada de amarelo e púrpura, cordão de borlas de ouro e púrpura. Haste e lança de ouro. A bandeira tem de ser rectangular (em proporções 2x3) ou quadrada, para uso respectivo em mastro ao ar livre ou como pendão de interior ou em parada. Exige-se que ao centro da bandeira se encontre o brasão d’armas da autarquia.

Cultura e Turismo

            Visando a salvaguarda do património natural do Concelho do Funchal foi criada a Reserva Natural das Ilhas Selvagens, considerada um “santuário ornitológico”, a Reserva Parcial do Garajau, com uma riqueza biológica de grande interesse do ponto de vista científico e o Parque Ecológico do Funchal que tem vindo a desenvolver um papel importantíssimo, junto das escolas e público em geral, na área da conservação da natureza e da educação ambiental. A Cidade do Funchal foi a primeira cidade Atlântica - Primeira cidade construída fora do Velho Continente. Quem visita o Funchal não fica indiferente à sua beleza e hospitalidade da sua gente. São muitos os locais a visitar nesta cidade com 500 anos de existência e ,alguns, são a não perder. O Mercado dos Lavradores, com projecto da autoria de Edmundo Tavares (1892-1983), foi inaugurado a 24 de Novembro de 1940. Testemunho da arquitectura do Estado Novo, reflecte, pela grandiosidade da sua concepção, a intenção de o tornar no grande pólo abastecedor da cidade.Ornamentam a fachada, a porta principal e a peixaria, grandes painéis de azulejos da Faiança Batisttini de Maria de Portugal, datados de 1940 e pintados com temas regionais, por João Rodrigues.
No seu espaço organizado em pequenas "Praças", "Largos", "Ruas" e "Escadinhas", vendem-se produtos de toda a espécie, misturam-se cores, sons, cheiros e gentes diversas. 
O Monte é um dos locais mais aprazíveis da Madeira, com uma localização privilegiada no anfiteatro da cidade do Funchal, a freguesia do Monte, localizada a cerca de 9 Km do centro e a 550 m acima do nível do mar é, sem dúvida, um dos locais do Funchal a visitar. Com uma vegetação luxuriante e vistas soberbas sobre o anfiteatro e baía do Funchal, foi, desde os primórdios do turismo na ilha, o local de eleição dos visitantes da Madeira. Uma das maneiras mais agradáveis de chegar ao Monte é de teleférico que liga a Zona Velha da Cidade do Funchal à freguesia do Monte em apenas 15 minutos e proporciona espectaculares vistas sobre a baía do Funchal. O Parque do Monte ou Parque Leite Monteiro, que se estende por uma área de 26.000 m2, é o Jardim Municipal que se situa a uma maior altitude, entre os 543 e os 586 metros. A construção iniciou-se em 1894 e a primeira fase foi concluída em 1899. Este local, coberto por muitas espécies indígenas e exóticas, com algumas árvores centenárias, caracteriza-se por uma frescura repousante, para a qual contribui o ribeiro que aí passa caindo em cascata na zona mais a sul. Os caminhos pedonais calcetados com pequenos calhaus basálticos percorrem todo o parque permitindo fazer agradáveis passeios. 
                                                                                               Mercado dos Lavradores
Mercado dos Lavradores 
                                                                                                   Parque do Monte 
Parque do Monte 

            Nada melhor para gozar a deslumbrante paisagem da Madeira do que percorrer os seus trilhos e “levadas”, são mais de duzentas as “levadas” que atravessam a Ilha. A maioria destes surpreendentes percursos são acessíveis, existindo, no entanto, vários graus de dificuldade. Em caso algum deverá efectuar sozinho estes percursos e, deve levar, sempre, água, um farnel, calçado apropriado, uma lanterna e um agasalho, no concelho do Funchal, são 5 os percursos a pé que podemos efectuar, mas aqui só vamos falar de 1 dos percursos:  
Do Monte à Camacha - Do Largo das Babosas desfruta-se de uma bela panorâmica sobre a Ribeira de João Gomes.No fim da íngreme subida e, ainda, antes de chegar aos primeiros casais do Curral dos Romeiros, avista-se quase todo o Funchal. Ao chegar ao Caminho do Meio colocam-se duas opções:
- Subir para o Caminho dos Pretos 
- ou continuar na levada até o Caminho do Terço.
Antes de chegar ao caminho do Terço uma caixa divisória reparte a água da levada em vários braços ou regadeiras. Aí duas opções se colocam novamente: 
- continuar na levada até o Palheiro Ferreiro
- ou subir para o Caminho dos Pretos.
Percursos/tempo :
 A) Monte - Choupana - Carreiras - Rochão - Igreja da Camacha: 11,5Km / 4 horas
B) Monte - Choupana - Levada da Serra - Vale Paraíso – Igreja da Camacha : 13 km / 4 horas
Características
O percurso A, embora menos longo, é um pouco mais duro que o B devido à subida entre o Caminho dos Pretos e o caminho que liga a Estrada das Carreiras ao Rochão.
Os 2 percursos podem ser feitos por qualquer pessoa que goste de andar a pé pois, nem as levadas nem os caminhos, apresentam pontos perigosos. Estes passeios são aqueles que se aconselham a quem tem vertigens.
                                                                                                   Levadas 
Levadas 

Gastronomia

           A Espetada, feita com cubos de carne de vaca num espeto de louro e grelhada em lenha ou em carvão e acompanhada com Milho Frito e Bolo do Caco, espécie de pão tradicionalmente cozido num bocado de telha sobre o fogo é, sem dúvida, o prato mais típico e popular da gastronomia madeirense. As Lapas frescas salpicadas com um pouco de manteiga e limão são um dos petiscos a não perder. Deliciosas são, também, as Ovas de Peixe Espada Preto em molho vinagrete. O Filete de Espada, por vezes servido com banana ou molho de maracujá, e o Bife de Atum são pratos muito apreciados e que encontra em quase todos os restaurantes, a outra grande especialidade da ilha é a Carne em Vinho-e-Alhos preparada com carne de porco, normalmente, comida no Dia de Natal. A Madeira, também, produz boa fruta que muitas vezes é aproveitada para fazer deliciosos pudins, licores e sorvetes. Na doçaria sobressaem: a Queijada e o Bolo de Mel, iguarias perfeitas para saborear com o Vinho Madeira. A vinha foi introduzida na ilha por alturas do povoamento e por ordem do Infante D. Henrique. A primeira casta a ser introduzida na Madeira foi a Malvasia, vinda da ilha grega de Cândia, tendo sido a sua primeira exportação para a Europa durante o ano de 1515, destinada para França para a corte de Francisco I. Foi só no declínio do ciclo do açúcar, que se incrementou, no séc. XVII, a sua produção, que hoje ocupa um lugar cimeiro na economia da Ilha da Madeira. O Vinho Madeira ganha reputação internacional séc. XVIII e no primeiro quartel do séc. XIX; chegando a ser "o vinho mais caro e apreciado do mundo". Quando em 1852 e 1872 as pragas de oidim e de filoxéra ameaçaram a produção vinícola, só com a importação de novas vides (enxertadas posteriormente com as castas nobres) é que foi possível evitarem o aniquilamento desta indústria. As videiras encontram no solo e no clima ameno da Madeira uma situação bastante privilegiada, conferindo-lhes, assim, característica bastante próprias. Embora na Madeira, existam mais de 30 castas diferentes, as mais nobres são: Malvasia, Verdelho, Boal e Sercial. 
                                                                                                         Espetada Madeirense 
Espetada MadeirenseFiletes de Espada
Filetes de espada 

Bolo de Mel
Bolo de mel 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Câmara de Lobos - Madeira

Brasão de Câmara de Lobos

Localização

            Câmara de Lobos é um concelho localizado na vertente sul da Região Autónoma da Madeira em pleno Oceano Atlântico. É limitado, a leste pelo Concelho do Funchal, a Oeste pelo Concelho da Ribeira Brava, a Norte pelos concelhos de Santana e São Vicente e a sul pelo Oceano Atlântico
Com pouco mais de 52 km2, Câmara de Lobos é caracterizada por uma estrutura etária muito jovem, sobretudo quando comparada com os valores nacionais e europeus. O concelho é composto por 5 freguesias, Câmara de Lobos, Estreito de Câmara de Lobos, Jardim da Serra, Quinta Grande e Curral das Freiras.



História

           Câmara de Lobos é uma pitoresca freguesia da cidade com o mesmo nome, assim se chama esta terra de pescadores - que têm como principal especialização a pesca do peixe-espada preto - pelo facto de, por alturas da descoberta da ilha, que ocorreu em 1419, ter sido avistada grande quantidade de lobos marinhos naquela enseada que ainda hoje mantém a mesma configuração. Hoje, estes animais só pontualmente surgem na costa sul da ilha, havendo uma colónia preservada nas Ilhas Desertas. 
Câmara de Lobos foi o primeiro local onde João Gonçalves Zarco, o navegador que descobriu a ilha, habitou, entre 1420 e 1424, por isso mesmo, tornou-se a primeira povoação criada na Madeira pelo próprio João Gonçalves Zarco, sendo elevada a freguesia em 1430. 
O primeiro templo a ser edificado na ilha foi a capela da Nossa Senhora do Calhau também chamada Capela dos Pescadores. A 4 de Outubro de 1835, a freguesia de Câmara de Lobos passa a ser a sede do concelho que continha ainda as freguesias do Estreito de Câmara de Lobos, Curral das Freiras e Campanário. Em 1486, o concelho de Câmara de Lobos passa a integrar a freguesia do Jardim da Serra. Perdendo, contudo, a freguesia do Campanário, que passa para o concelho da Ribeira Brava. A 3 de Agosto de 1996, Câmara de Lobos é elevada à categoria de cidade. 

Bandeira de Câmara de Lobos

Heráldica

Brasão de Armas
Escudo de azul, com uma âncora de ouro entre dois lobos marinhos da sua cor afrontados, postos em pala, encimado por uma coroa mural de prata de cinco torres aparentes e sotoposto por um listel branco com as palavras "Câmara de Lobos", em letras de Negro.

Estandarte
De tecido de seda bordado, com a forma de um quadrado, medindo um metro de lado e gironada de oiro peças de amarelo e azul alternadamente, tendo no centro o brasão de armas. O tecido é debruado por um cordão de ouro azul, rematado nas extremidades por borlas dos mesmos metal e cor que servem para dar laçadas na haste. Haste e lança metal dourado.
Bandeira A bandeira de hastear é rectangular, de comprimento igual a uma vez e meia a dimensão da tralha, executada em filele ou tecido equivalente, sendo a sua ordenação igual à do estandarte (gironada de oito peças a amarelo e azul alternadamente, tendo no centro o brasão de armas.

Selo
Circular, tendo no centro a âncora entre dois Lobos marinhos, afrontados, em volta, a legenda "Câmara Municipal de Câmara de Lobos".


Cultura e Turismo

           Câmara de Lobos é um dos mais emblemáticos pólos turísticos da ilha da Madeira, não só pelas suas paisagens pitorescas e majestosas, mas igualmente pela gastronomia deliciosa e tradições honrosas.
É no concelho de Câmara de Lobos que se faz a melhor espetada em pau de louro, a tradicional “poncha” (bebida espirituosa) e o generoso vinho Madeira. É o porto piscatório do peixe espada preto. É a sede de algumas das paisagens e locais que mais contribuem para a divulgação das belezas naturais deste destino turístico que é a Madeira, concretamente o Cabo Girão, o Curral das Freiras, a Baia de Câmara de Lobos e os Vinhedos do Estreito de Câmara de Lobos.
Câmara de Lobos é o segundo concelho mais populoso da Região Autónoma da Madeira, com cerca de 40 mil habitante, e é uma terra de gente jovem, pois cerca de 45% da população tem menos de 25 anos.
Localizada na zona metropolitana do Funchal, (dista 9 km da capital da Região Autónoma da Madeira) a cidade de Câmara de Lobos é hoje o ponto de partida para a animação nocturna na Madeira. É um local seguro e um destino turístico em potencial, é uma terra com quase seis séculos de história e um concelho que ao longo do tempo sobreviveu essencialmente da pesca e da agricultura, assumindo a produção de vinho, banana e outras espécies frutícolas particular relevo na economia regional.
Proveniente do Funchal, o visitante ao chegar a Câmara de Lobos é confrontado com uma soberba baía, cuja beleza só poderá ser significativamente contemplada através do miradouro do Pico da Torre, um morro que lhe fica a norte. A paragem neste ponto terá de ser obrigatória, quer seja durante o dia quer seja durante a noite, na certeza de que o visitante ficará maravilhado com o quadro que se vislumbra a seus pés. Naturalmente que a paragem neste local, onde também se pode apreciar a oeste o Cabo Girão e a norte a imensa vastidão de vinhedos da freguesia do Estreito, não invalida uma visita ao centro da cidade de Câmara de Lobos, onde outros motivos de interesse poderão ser apreciados como sejam, o largo do poço, também conhecido por largo Dr. Eduardo Antonino Pestana, o ilhéu, o forno da cal, a capela de Nossa Senhora da Conceição, a igreja matriz de São Sebastião, o largo da República, etc. De interesse na visita à cidade é também a paragem por breves instantes nos miradouros do Salão Ideal e do Espírito Santo.
Caminhando para norte, em direcção  à freguesia do Estreito, o visitante poderá verificar que, em termos agrícolas, a cultura predominante da bananeira, típica de Câmara de Lobos dá lugar, à medida que se vai aproximando do Estreito, à cultura da vinha. Ao chegar à freguesia do Estreito, depois de uma visita à sua igreja matriz, impõe-se uma ida até à freguesia do Jardim da Serra, onde o visitante será confrontado com três opções: uma visita à Boca dos Namorados, onde poderá contemplar a soberba paisagem do Curral das Freiras, vista pela sua parte Sul; uma visita à Boca da Corrida onde o mesmo Curral das Freiras poderá ser contemplado mas já pelo lado oeste e uma visita à Quinta do Jardim da Serra, construída no século XIX por Henri Veicth súbdito e cônsul inglês e que, apesar de adaptada a infra-estrutura hoteleira, constitui o mais importante ex-libris desta freguesia. Depois sugere-se uma ida ao Cabo Girão segundo promontório mais elevado da Europa, com 580 metros de altitude e uma breve passagem pela freguesia da Quinta Grande, que tem na sua igreja matriz e no miradouro da Fajã dos Padres as referências de maior interesse.
Não possuindo a freguesia do Curral das Freiras acesso directo à sede do concelho, quem a pretender visitar terá de fazê-lo através do Funchal, sendo obrigatória, não só uma ida ao centro, como também uma breve paragem no miradouro da Eira do Serrado. 



Gastronomia

               Ainda que haja uma certa uniformidade na gastronomia madeirense, algumas particularidades poderão ser individualizadas no concelho de Câmara de Lobos. Com efeito, são típicas da freguesia de Câmara de Lobos a poncha e a sapata ou gata.  A poncha que, na sua forma primitiva era confeccionada com aguardente de cana-de-açúcar, igual porção de água, açúcar e casca de limão, sofreu ao longo dos anos algumas adaptações sendo actualmente preparada com aguardente de cana-de-açúcar, mel de abelhas e sumo de limão. A utilização gastronónica de alguns esqualos como são a sapata e a gata também popularmente conhecidos por bacalhau de Câmara de Lobos é também característica deste centro piscatória. Com efeito, para além deste tipo de peixe ser pescado predominantemente pelos pescadores camara-lobenses, Câmara de Lobos é a única localidade na ilha da Madeira onde existe uma pequena industria destinada à sua preparação, assemelhando-se a sapata e a gata, depois de secos, ao bacalhau e daí o epíteto de bacalhau de Câmara de Lobos e que é habitualmente utilizado, como petisco ou dentinho, para acompanhamento na ingestão de vinho ou de outras bebidas alcoólicas ou, ainda na confecção de sandwiches. Naturalmente que outros pratos poderão ser apreciados em Câmara de Lobos, nomeadamente os confeccionados com base no peixe-espada preto, em cuja pesca são exímios e únicos os pescadores camara-lobenses. Para além destas, a espetada de carne de vaca, constitui também outra importante e característica especialidade gastronómica do concelho, mais propriamente da freguesia do Estreito. Com efeito, apesar da espetada ser um prato tipicamente madeirense, muito utilizada e apreciado desde tempos remotos em arraias ou romarias, foi na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, onde pela primeira vez, este prato foi introduzido na restauração, o que dá a esta localidade o estatuto de berço da espetada. 

Poncha 



terça-feira, 23 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho da Calheta - Madeira

Brasão de Calheta

Localização

            A Calheta é um município português na ilha da Madeira, Região Autónoma da Madeira, com sede na freguesia homónima, tem 115,65 km² de área e é subdividido em 8 freguesias. O município é limitado a noroeste pelo município do Porto Moniz, a nordeste por São Vicente e a oeste pela Ponta do Sol, sendo banhado pelo oceano Atlântico a sul e a oeste.


História

            O Concelho da Calheta é um dos concelhos mais velhos e o maior concelho da Ilha de Madeira em extensão. Com paisagens lindíssimas é um local de visita obrigatória na Ilha de Madeira.
O Concelho da Calheta foi a área escolhida por João Gonçalves Zarco, o descobridor da Madeira para fazer uma grande doação de terras ao seu filho João Gonçalves da Câmara e D. Beatriz Gonçalves.
A Calheta tornou-se uma vila 72 anos após a sua fundação, em 1 de Julho de 1502, através de foral assinado pelo Rei D. Manuel I. Casa de nobres e cavaleiros, a região perpétua os seus nomes na toponímia local: Lombo do Doutor e Lombo do Atouguia.

Bandeira de Calheta

Cultura e Turismo

            A área cultural tem sido uma valência constante nas preocupações do executivo municipal que, após a aquisição das bibliotecas da Fundação Calouste Gulbenkian em várias freguesias do concelho, conta com diversos eventos e actividades culturais ligadas à leitura ao longo do ano. Presentemente, o Concelho, conta com mais uma aposta – O Centro de Artes Casa das Mudas. Em quase todas as freguesias, o Concelho conta também com a presença de algumas associações recreativas e culturais, que promovem e divulgam a cultura nas suas mais variadas formas. 
Existem, por todo o Concelho da Calheta, manifestações populares bem características e dignas de relevo: 
- As festas do Espírito Santo, com os cantares das Saloias e o tipicismo do seu traje. 
- As Charolas, verdadeiras obras de arte, bem próprias do Concelho e dignas de toda a admiração. 
- As "Missas do Parto" e o " Cantar dos Reis". 
Estas e outras expressões da cultura de um Povo, formas de riqueza que nos têm sido legadas, merecem o esforço de todos nós no sentido da sua preservação. Por entre vales e montanhas muitas belezas naturais há para descobrir... e redescobrir. Neste Concelho em que não falta o verde da terra e o azul do céu e do mar, são muitas as possibilidades de passeios a pé para um final de tarde ou um fim-de-semana diferente. 
Diz-se que o artesanato é a alma de um povo na medida em que define e identifica claramente uma única região, as suas gentes bem como a sua forma de pensar e agir. Ainda hoje é possível encontrar em muitas das Freguesias do Concelho as reminiscências que as suas gentes se esforçam por preservar. O artesanato tradicional produzido em algumas delas, remete-nos para objectos úteis e funcionais, mas também para
peças decorativas. A tecelagem, os azulejos pintados à mão, as gaiolas de cana vieira, as figuras em palha de bananeira, os cestos de palha e o bordado madeira, são algumas das artes reinventadas no presente com o testemunho do passado. O Concelho da Calheta abrange uma extensão que se estende do mar à serra, proporcionando aos visitantes uma visão de paisagens diversificadas. Por entre vales e montanhas muitas belezas naturais há para descobrir... e redescobrir, as possibilidades de desfrutar de soberbas vistas panorâmicas são inumeráveis, e o olhar atento aos pormenores descobre facilmente motivos de admiração.
Por outro lado, fazer passeios a pé através das veredas, levadas e velhos caminhos, proporciona o contacto invulgar com a Natureza. A maioria dos percursos pedestres existentes são acessíveis existindo, no entanto, vários graus de dificuldade, pelo que se recomenda a compra de programas organizados pelas Agências
de Viagens ou pelas Empresas de Animação Turística, as quais organizam Passeios a Pé devidamente acompanhados por guias de montanha, bem como a utilização de equipamento adequado.





Gastronomia

             A forte ligação à terra e ao mar reflecte-se, como não podia deixar de ser, em toda a cultura calhetense. A Gastronomia não é excepção, aqui se podem degustar diversas especialidades gastronómicas de qualidade, e de agrado certo, proporcionando uma bela refeição quer de carne ou de peixe, que pode ser iniciada com o famoso e delicioso “bolo do caco”, tostado com manteiga de alho, e à sobremesa poderá degustar o pudim de maracujá, saladas e gelados de frutos tropicais (pitanga, pêra abacate, papaia, manga).
Os amantes de carne encontram na Calheta uma variedade de pratos, dos quais se destacam a tradicional espetada de carne de vaca em espeto de louro, a carne de vinho e alhos, o picado e pratos de carne grelhada. Os amantes do peixe encontram bons restaurantes especializados, que servem iguarias como o bacalhau, as grelhadas mistas de peixe, pratos com os mais variados mariscos, caramujos, lapas grelhadas, filete de peixe espada preto acompanhado com banana, o polvo e as lulas.

                                                                                               Frutos tropicais

Bolo do caco