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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Câmara de Lobos - Madeira

Brasão de Câmara de Lobos

Localização

            Câmara de Lobos é um concelho localizado na vertente sul da Região Autónoma da Madeira em pleno Oceano Atlântico. É limitado, a leste pelo Concelho do Funchal, a Oeste pelo Concelho da Ribeira Brava, a Norte pelos concelhos de Santana e São Vicente e a sul pelo Oceano Atlântico
Com pouco mais de 52 km2, Câmara de Lobos é caracterizada por uma estrutura etária muito jovem, sobretudo quando comparada com os valores nacionais e europeus. O concelho é composto por 5 freguesias, Câmara de Lobos, Estreito de Câmara de Lobos, Jardim da Serra, Quinta Grande e Curral das Freiras.



História

           Câmara de Lobos é uma pitoresca freguesia da cidade com o mesmo nome, assim se chama esta terra de pescadores - que têm como principal especialização a pesca do peixe-espada preto - pelo facto de, por alturas da descoberta da ilha, que ocorreu em 1419, ter sido avistada grande quantidade de lobos marinhos naquela enseada que ainda hoje mantém a mesma configuração. Hoje, estes animais só pontualmente surgem na costa sul da ilha, havendo uma colónia preservada nas Ilhas Desertas. 
Câmara de Lobos foi o primeiro local onde João Gonçalves Zarco, o navegador que descobriu a ilha, habitou, entre 1420 e 1424, por isso mesmo, tornou-se a primeira povoação criada na Madeira pelo próprio João Gonçalves Zarco, sendo elevada a freguesia em 1430. 
O primeiro templo a ser edificado na ilha foi a capela da Nossa Senhora do Calhau também chamada Capela dos Pescadores. A 4 de Outubro de 1835, a freguesia de Câmara de Lobos passa a ser a sede do concelho que continha ainda as freguesias do Estreito de Câmara de Lobos, Curral das Freiras e Campanário. Em 1486, o concelho de Câmara de Lobos passa a integrar a freguesia do Jardim da Serra. Perdendo, contudo, a freguesia do Campanário, que passa para o concelho da Ribeira Brava. A 3 de Agosto de 1996, Câmara de Lobos é elevada à categoria de cidade. 

Bandeira de Câmara de Lobos

Heráldica

Brasão de Armas
Escudo de azul, com uma âncora de ouro entre dois lobos marinhos da sua cor afrontados, postos em pala, encimado por uma coroa mural de prata de cinco torres aparentes e sotoposto por um listel branco com as palavras "Câmara de Lobos", em letras de Negro.

Estandarte
De tecido de seda bordado, com a forma de um quadrado, medindo um metro de lado e gironada de oiro peças de amarelo e azul alternadamente, tendo no centro o brasão de armas. O tecido é debruado por um cordão de ouro azul, rematado nas extremidades por borlas dos mesmos metal e cor que servem para dar laçadas na haste. Haste e lança metal dourado.
Bandeira A bandeira de hastear é rectangular, de comprimento igual a uma vez e meia a dimensão da tralha, executada em filele ou tecido equivalente, sendo a sua ordenação igual à do estandarte (gironada de oito peças a amarelo e azul alternadamente, tendo no centro o brasão de armas.

Selo
Circular, tendo no centro a âncora entre dois Lobos marinhos, afrontados, em volta, a legenda "Câmara Municipal de Câmara de Lobos".


Cultura e Turismo

           Câmara de Lobos é um dos mais emblemáticos pólos turísticos da ilha da Madeira, não só pelas suas paisagens pitorescas e majestosas, mas igualmente pela gastronomia deliciosa e tradições honrosas.
É no concelho de Câmara de Lobos que se faz a melhor espetada em pau de louro, a tradicional “poncha” (bebida espirituosa) e o generoso vinho Madeira. É o porto piscatório do peixe espada preto. É a sede de algumas das paisagens e locais que mais contribuem para a divulgação das belezas naturais deste destino turístico que é a Madeira, concretamente o Cabo Girão, o Curral das Freiras, a Baia de Câmara de Lobos e os Vinhedos do Estreito de Câmara de Lobos.
Câmara de Lobos é o segundo concelho mais populoso da Região Autónoma da Madeira, com cerca de 40 mil habitante, e é uma terra de gente jovem, pois cerca de 45% da população tem menos de 25 anos.
Localizada na zona metropolitana do Funchal, (dista 9 km da capital da Região Autónoma da Madeira) a cidade de Câmara de Lobos é hoje o ponto de partida para a animação nocturna na Madeira. É um local seguro e um destino turístico em potencial, é uma terra com quase seis séculos de história e um concelho que ao longo do tempo sobreviveu essencialmente da pesca e da agricultura, assumindo a produção de vinho, banana e outras espécies frutícolas particular relevo na economia regional.
Proveniente do Funchal, o visitante ao chegar a Câmara de Lobos é confrontado com uma soberba baía, cuja beleza só poderá ser significativamente contemplada através do miradouro do Pico da Torre, um morro que lhe fica a norte. A paragem neste ponto terá de ser obrigatória, quer seja durante o dia quer seja durante a noite, na certeza de que o visitante ficará maravilhado com o quadro que se vislumbra a seus pés. Naturalmente que a paragem neste local, onde também se pode apreciar a oeste o Cabo Girão e a norte a imensa vastidão de vinhedos da freguesia do Estreito, não invalida uma visita ao centro da cidade de Câmara de Lobos, onde outros motivos de interesse poderão ser apreciados como sejam, o largo do poço, também conhecido por largo Dr. Eduardo Antonino Pestana, o ilhéu, o forno da cal, a capela de Nossa Senhora da Conceição, a igreja matriz de São Sebastião, o largo da República, etc. De interesse na visita à cidade é também a paragem por breves instantes nos miradouros do Salão Ideal e do Espírito Santo.
Caminhando para norte, em direcção  à freguesia do Estreito, o visitante poderá verificar que, em termos agrícolas, a cultura predominante da bananeira, típica de Câmara de Lobos dá lugar, à medida que se vai aproximando do Estreito, à cultura da vinha. Ao chegar à freguesia do Estreito, depois de uma visita à sua igreja matriz, impõe-se uma ida até à freguesia do Jardim da Serra, onde o visitante será confrontado com três opções: uma visita à Boca dos Namorados, onde poderá contemplar a soberba paisagem do Curral das Freiras, vista pela sua parte Sul; uma visita à Boca da Corrida onde o mesmo Curral das Freiras poderá ser contemplado mas já pelo lado oeste e uma visita à Quinta do Jardim da Serra, construída no século XIX por Henri Veicth súbdito e cônsul inglês e que, apesar de adaptada a infra-estrutura hoteleira, constitui o mais importante ex-libris desta freguesia. Depois sugere-se uma ida ao Cabo Girão segundo promontório mais elevado da Europa, com 580 metros de altitude e uma breve passagem pela freguesia da Quinta Grande, que tem na sua igreja matriz e no miradouro da Fajã dos Padres as referências de maior interesse.
Não possuindo a freguesia do Curral das Freiras acesso directo à sede do concelho, quem a pretender visitar terá de fazê-lo através do Funchal, sendo obrigatória, não só uma ida ao centro, como também uma breve paragem no miradouro da Eira do Serrado. 



Gastronomia

               Ainda que haja uma certa uniformidade na gastronomia madeirense, algumas particularidades poderão ser individualizadas no concelho de Câmara de Lobos. Com efeito, são típicas da freguesia de Câmara de Lobos a poncha e a sapata ou gata.  A poncha que, na sua forma primitiva era confeccionada com aguardente de cana-de-açúcar, igual porção de água, açúcar e casca de limão, sofreu ao longo dos anos algumas adaptações sendo actualmente preparada com aguardente de cana-de-açúcar, mel de abelhas e sumo de limão. A utilização gastronónica de alguns esqualos como são a sapata e a gata também popularmente conhecidos por bacalhau de Câmara de Lobos é também característica deste centro piscatória. Com efeito, para além deste tipo de peixe ser pescado predominantemente pelos pescadores camara-lobenses, Câmara de Lobos é a única localidade na ilha da Madeira onde existe uma pequena industria destinada à sua preparação, assemelhando-se a sapata e a gata, depois de secos, ao bacalhau e daí o epíteto de bacalhau de Câmara de Lobos e que é habitualmente utilizado, como petisco ou dentinho, para acompanhamento na ingestão de vinho ou de outras bebidas alcoólicas ou, ainda na confecção de sandwiches. Naturalmente que outros pratos poderão ser apreciados em Câmara de Lobos, nomeadamente os confeccionados com base no peixe-espada preto, em cuja pesca são exímios e únicos os pescadores camara-lobenses. Para além destas, a espetada de carne de vaca, constitui também outra importante e característica especialidade gastronómica do concelho, mais propriamente da freguesia do Estreito. Com efeito, apesar da espetada ser um prato tipicamente madeirense, muito utilizada e apreciado desde tempos remotos em arraias ou romarias, foi na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, onde pela primeira vez, este prato foi introduzido na restauração, o que dá a esta localidade o estatuto de berço da espetada. 

Poncha 



terça-feira, 23 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho da Calheta - Madeira

Brasão de Calheta

Localização

            A Calheta é um município português na ilha da Madeira, Região Autónoma da Madeira, com sede na freguesia homónima, tem 115,65 km² de área e é subdividido em 8 freguesias. O município é limitado a noroeste pelo município do Porto Moniz, a nordeste por São Vicente e a oeste pela Ponta do Sol, sendo banhado pelo oceano Atlântico a sul e a oeste.


História

            O Concelho da Calheta é um dos concelhos mais velhos e o maior concelho da Ilha de Madeira em extensão. Com paisagens lindíssimas é um local de visita obrigatória na Ilha de Madeira.
O Concelho da Calheta foi a área escolhida por João Gonçalves Zarco, o descobridor da Madeira para fazer uma grande doação de terras ao seu filho João Gonçalves da Câmara e D. Beatriz Gonçalves.
A Calheta tornou-se uma vila 72 anos após a sua fundação, em 1 de Julho de 1502, através de foral assinado pelo Rei D. Manuel I. Casa de nobres e cavaleiros, a região perpétua os seus nomes na toponímia local: Lombo do Doutor e Lombo do Atouguia.

Bandeira de Calheta

Cultura e Turismo

            A área cultural tem sido uma valência constante nas preocupações do executivo municipal que, após a aquisição das bibliotecas da Fundação Calouste Gulbenkian em várias freguesias do concelho, conta com diversos eventos e actividades culturais ligadas à leitura ao longo do ano. Presentemente, o Concelho, conta com mais uma aposta – O Centro de Artes Casa das Mudas. Em quase todas as freguesias, o Concelho conta também com a presença de algumas associações recreativas e culturais, que promovem e divulgam a cultura nas suas mais variadas formas. 
Existem, por todo o Concelho da Calheta, manifestações populares bem características e dignas de relevo: 
- As festas do Espírito Santo, com os cantares das Saloias e o tipicismo do seu traje. 
- As Charolas, verdadeiras obras de arte, bem próprias do Concelho e dignas de toda a admiração. 
- As "Missas do Parto" e o " Cantar dos Reis". 
Estas e outras expressões da cultura de um Povo, formas de riqueza que nos têm sido legadas, merecem o esforço de todos nós no sentido da sua preservação. Por entre vales e montanhas muitas belezas naturais há para descobrir... e redescobrir. Neste Concelho em que não falta o verde da terra e o azul do céu e do mar, são muitas as possibilidades de passeios a pé para um final de tarde ou um fim-de-semana diferente. 
Diz-se que o artesanato é a alma de um povo na medida em que define e identifica claramente uma única região, as suas gentes bem como a sua forma de pensar e agir. Ainda hoje é possível encontrar em muitas das Freguesias do Concelho as reminiscências que as suas gentes se esforçam por preservar. O artesanato tradicional produzido em algumas delas, remete-nos para objectos úteis e funcionais, mas também para
peças decorativas. A tecelagem, os azulejos pintados à mão, as gaiolas de cana vieira, as figuras em palha de bananeira, os cestos de palha e o bordado madeira, são algumas das artes reinventadas no presente com o testemunho do passado. O Concelho da Calheta abrange uma extensão que se estende do mar à serra, proporcionando aos visitantes uma visão de paisagens diversificadas. Por entre vales e montanhas muitas belezas naturais há para descobrir... e redescobrir, as possibilidades de desfrutar de soberbas vistas panorâmicas são inumeráveis, e o olhar atento aos pormenores descobre facilmente motivos de admiração.
Por outro lado, fazer passeios a pé através das veredas, levadas e velhos caminhos, proporciona o contacto invulgar com a Natureza. A maioria dos percursos pedestres existentes são acessíveis existindo, no entanto, vários graus de dificuldade, pelo que se recomenda a compra de programas organizados pelas Agências
de Viagens ou pelas Empresas de Animação Turística, as quais organizam Passeios a Pé devidamente acompanhados por guias de montanha, bem como a utilização de equipamento adequado.





Gastronomia

             A forte ligação à terra e ao mar reflecte-se, como não podia deixar de ser, em toda a cultura calhetense. A Gastronomia não é excepção, aqui se podem degustar diversas especialidades gastronómicas de qualidade, e de agrado certo, proporcionando uma bela refeição quer de carne ou de peixe, que pode ser iniciada com o famoso e delicioso “bolo do caco”, tostado com manteiga de alho, e à sobremesa poderá degustar o pudim de maracujá, saladas e gelados de frutos tropicais (pitanga, pêra abacate, papaia, manga).
Os amantes de carne encontram na Calheta uma variedade de pratos, dos quais se destacam a tradicional espetada de carne de vaca em espeto de louro, a carne de vinho e alhos, o picado e pratos de carne grelhada. Os amantes do peixe encontram bons restaurantes especializados, que servem iguarias como o bacalhau, as grelhadas mistas de peixe, pratos com os mais variados mariscos, caramujos, lapas grelhadas, filete de peixe espada preto acompanhado com banana, o polvo e as lulas.

                                                                                               Frutos tropicais

Bolo do caco

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Olhão

Brasão de Olhão (da Restauração)

Localização

             Olhão (oficialmente, Olhão da Restauração), é uma cidade portuguesa no Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, é sede de um município com 130,89 km² de área e subdividido em 5 freguesias. O município, que inclui uma parte continental e a Ilha da Armona, na ria Formosa, é limitado a norte e leste pelo município de Tavira, a oeste por Faro, a noroeste por São Brás de Alportel e a sueste tem litoral no oceano Atlântico.



História

            Diz-se que Olhão, terá derivado da palavra árabe, «AL-HAIN», que significa fonte nascente, e que sofrendo as modificações fonéticas e fonológicas, naturalmente terão levado ao aparecimento do termo «ALHAM», depois «OLHAM» e finalmente OLHÃO. Na versão popular e segundo velhos testemunhos, Olhão é o aumentativo do substantivo comum "olho", com origem num grande "Olho de Água" (fonte, nascente ou poço de grande caudal), já que na zona existiam abundantes olhos de água, o que originou a construção das primeiras "palhotas", feitas em cana e colmo. Apesar de o território onde actualmente se situa o concelho de Olhão ter tido presença atestada de habitantes desde pelo menos o Neolítico, a concentração populacional que se instalou onde hoje se situam o bairro da Barreta deve datar dos inícios do século XVII. A praia de Olham ou o lugar de Olham (como então se escrevia) tinha bons motivos para fixar a gente: água potável abundante (tinha um olho de água tão abundante que daí vem o nome do sítio: olhão) e uma barra aberta para o oceano, o que facilitava a vida aos pescadores, e permitia-lhes fugir ao fisco sem passarem pelos controlos de Faro. De facto, pode ler-se num texto do Cabido da Sé de Faro, datado de 1654, que "se deve mandar queimar as cabanas de Olhão, que por tantas vezes se tem intentado, para se evitarem tantos roubos como se delas fazem, e como se tem bem experimentado, porque como ficam junto da barra, e os que nelas vivem sejam homens do mar e os primeiros que dão vista dos navios mercantes que entram e amigos dos mercadores a quem vêm cometidos, refundem as fazendas e furtam os dinheiros à Real Fazenda de Vossa Majestade, como se tem visto" (in Carlos Pereira Calixto, Apontamentos para a história das fortificações da Praça de Faro, pp. 220-221).
Talvez sobretudo por este motivo, agravado com os ataques de piratas marroquinos que se atreviam a passar a Barra Grande, nesse mesmo ano de 1654 começou a construir-se a fortaleza da Ilha de São Lourenço, junto à Barra Grande de Olhão. Devido à constante movimentação dos solos dunares, foram necessárias reformas e reparações sucessivas da construção. Entretanto, a meados do século XVII, tinha sido construída em Olhão a Igreja de Nossa Senhora da Soledade. Em 1695, sobretudo devido ao crescimento demográfico, o lugar de Olhão conseguiu alcançar o estatuto de freguesia, separando-se assim de Quelfes, mas continuando a pertencer, todavia, ao termo de Faro. Apesar da aristocracia desta cidade tentar impedir o desenvolvimento do lugar, os pescadores de Olhão rogam à rainha D. Maria I que lhes permitissem substituir as suas humildes habitações (cabanas) por casas de alvenaria, benesse que lhes vem a ser concedida em 1715, através de decreto real. Entretanto, três anos após a instituição da freguesia, tinha sido autorizada a construção de um segundo templo religioso, de maiores proporções, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, que desde então tem sido a Igreja Matriz de Olhão. Esta igreja foi inaugurada em 1715, e apesar de então ser uma das maiores do Algarve, já era pequena para albergar os cerca de 1200 habitantes do sítio. De facto, calcula-se que a taxa de natalidade de Olhão estava nesta época acima dos 50%.
A população era essencialmente marítima, e tirava os seus rendimentos do mar que tinha ali tão perto. O prior Sebastião de Sousa, em 1758, dizia que "este lugar é o porto de mar com maior barra que se acha em toda esta Província, e por ela entram todos os navios e embarcações grandes, que trazem fazenda para os mercadores da cidade de Faro” (Alberto Iria, "O Compromisso Marítimo da vila de Olhão da Restauração", in Mensário das Casas do Povo, n.º 120). Como atrás ficou dito, as movimentações dos areais fizeram com que a fortaleza da Ilha de São Lourenço fosse pouco funcional. De facto, um novo cordão dunar "desviou" a abertura da barra, sendo que em 1747 foi construída uma nova fortaleza, desta vez na Ilha da Armona. O terramoto de 1755 arrasou completamente esta última fortaleza, tendo melhor sorte, apesar de também abalada, a fortaleza da Ilha de São Lourenço. Datam dessa época os primeiros requerimentos que os pescadores olhanenses fizeram às autoridades para que lhes permitissem a separação da Confraria do Corpo Santo de Faro, pois desta não colhiam benefícios. Mas os pedidos ficavam em "águas de bacalhau", talvez pelo facto de Olhão não ter nenhuma aristocracia, facto atestado segundo as palavras do prior Sebastião de Sousa, em 1758: "não há memória que desta freguesia saísse pessoa alguma insigne em virtude, letras ou armas, nem esperança de que a haja". Mas em 1765, finalmente, D. José I atende ao pedido dos pescadores de Olhão, criando assim o Compromisso Marítimo de Olhão, com “as mesmas isenções, privilégios e liberdades concedidas ao de Faro”. Graças à habilidade marítima dos olhanenses, o seu Compromisso tornou-se rapidamente o mais rico do Algarve e, inevitavelmente, tornou-se também o grande responsável pelo desenvolvimento do lugar.
Durante o cerco de Gibraltar, entre 1779 e 1783, e, mais tarde, o de Cádis, os marítimos do lugar de Olhão tiveram oportunidade de progredir economicamente, comercializando com grandes lucros os produtos da terra - peixes e derivados - quer com sitiantes quer com sitiados. Mas foram as invasões francesas que deram a oportunidade a Olhão de se afirmar politicamente. Provavelmente devido ao seu espírito igualitário, sem compromissos com quaisquer poderes instituídos, os olhanenses protagonizaram no séc. XIX a primeira sublevação bem sucedida contra a ocupação francesa (em 16 de Junho de 1808, actualmente o dia da Cidade), que se tornou um rastilho decisivo para a expulsão dos franceses do Algarve. 
Vila de Olhão da Restauração - Depois da revolta olhanense contra os franceses (entre 16 e 19 de Junho de 1808), alguns pescadores do lugar de Olhão ofereceram-se para ir ao Brasil divulgar ao futuro D. João VI a notícia da restauração do Reino do Algarve. O caíque Bom Sucesso, como se chamava a embarcação, chegou ao destino no dia 22 de Setembro de 1808, espantando o próprio príncipe regente, que recompensou e condecorou os olhanenses com diversos cargos, mas no dia 15 de Novembro, através de alvará, o mesmo monarca concedia ao lugar de Olhão o nobre título de VILA DO OLHÃO DA RESTAURAÇÃO, igualando-a às "vilas mais notáveis do Reino".

Bandeira de Olhão (da Restauração)

Cultura e Turismo

          Existem, no concelho de Olhão, monumentos e locais que, pela sua importância histórica e arquitectura singular se destacam, devido ao papel que desempenharam na construção do seu passado. Conhecê-los é conhecer Olhão. Os Mercados Municipais de Olhão, um dos ex-libris da cidade olhanense, começaram a ser construídos em 1912, sendo inaugurados quatro anos depois. Há quase um século que são um dos postais ilustrados de Olhão e locai de visita obrigatória para turistas e residentes.
Foram construídos roubando espaço à Ria, consolidando-se as edificações através de um processo conhecido por bate-estacas, ficando cada um dos edifícios apoiado em oitenta e oito estacas, ligados entre si através de arcos de alvenaria de tijolo. É um local a visitar, por estes e outros motivos.
Exemplo modelar da arquitetura do ferro e do vidro, o edifício, com enorme impacto urbanístico, em tijolo aparente e estrutura metálica, foi edificado para dotar a cidade de Olhão de uns mercados funcionais, o que veio a acontecer. Todos os dias, centenas de pessoas visitam os Mercados, em busca do melhor peixe, frutos e verduras. De planta longitudinal, os Mercados são compostos por dois espaços retangulares de vértices arredondados, correspondendo ao Mercado das Verduras e ao Mercado do Peixe, sendo ambos delimitados por quatro torreões circulares envidraçados. Submetidos a obras de reabilitação nos finais do século XX, mantêm o aspeto exterior, reabrindo ao público em 1998. Uma das novidades mais recentes é o seu interior, forrado com azulejos pintados por Costa Pinheiro. 
O jardim Pescador Olhanense é um óptimo espaço de lazer da cidade, atrai a população e visitantes para momentos de passeio e convívio. Durante o ano, decorrem neste local vários eventos de índole cultural. Neste jardim encontra-se implantado um coreto, construção do século XX e excelente exemplo de arquitetura civil, de planta hexagonal com estrutura em metal que suporta uma cobertura semicircular. Nos vários bancos dispostos neste jardim, podemos contemplar painéis de azulejos que retratam a revolta do povo olhanense contra os franceses e a viagem do Caíque Bom Sucesso ao Brasil. É um dos postais ilustrados de Olhão, logo à entrada e junto à Ria Formosa, para quem chega de fora.
O jardim Patrão Joaquim Lopes é um espaço verde e de lazer situado junto à Ria Formosa, inaugurado em 1967, no qual podemos encontrar o monumento ao Patrão Joaquim Lopes, olhanense que se distinguiu pela sua valentia, tendo efetuado inúmeros salvamentos de naufrágios. Aqui, perto do local onde se apanham os barcos que fazem a travessia para as ilhas da Ria Formosa (Culatra, Armona e Farol), o mar e a história de tempos áureos conjugam-se. Com uma bela vista sobre a Ria, este jardim acolhe várias espécies arbóreas, tornando-se um local agradável para repouso e convívio.
O Compromisso Marítimo de Olhão alberga, atualmente, o Museu da Cidade. É um edifício de grande valor histórico e que merece uma visita até porque, para além da sua própria história, exibe durante o ano várias exposições temporárias ou permanentes sobre temas relacionados com a cidade e o concelho. 
Data de 1768 a escritura pública com os dois mestres canteiros escolhidos para a realização da obra: João dos Santos Tavares e Álvaro da Silva. O edifício, de dois pisos e três frentes com um tratamento cuidado do frontispício, ficou concluído três anos depois, conforme se pode ler na sua fachada “Esta obra foi feita à custa dos mareantes da Nobre Casa do Corpo Santo deste lugar de Olhão, em tempo do Felicíssimo Reinado do Fidelíssimo Rei Senhor D. José, o Primeiro, que Deus guarde, sendo Juiz da mesma Casa, António de Gouveia, no ano de 1771”.
O Compromisso Marítimo de Olhão, criado para apoiar os pescadores da cidade possuía, no piso térreo, uma botica (farmácia) e um açougue para serviço dos mareantes. No andar nobre localizava-se a Sala dos Despachos que apresenta uma pintura no forro de madeira da cobertura onde se destaca o brasão das armas reais portuguesas.




Gastronomia

                A gastronomia de Olhão e do litoral sabe a mar. E saboreia-se no peixe fresco grelhado, no marisco variado e também nas suculentas amêijoas que dão sabor à bem algarvia cataplana.
As receitas dos pescadores, de fácil preparação, merecem também a atenção de quem gosta de boa comida. A lista é longa, e inclui desde o safio guisado aos chocos com favas, da pescada e do cherne cozidos às lulas abafadas, do berbigão guisado e arroz de lingueirão ao xarém com conquilhas. Para o interior, a cozinha fala de campo, de agricultura: feijão com arroz e castanhas, grão com massa e ervilhas com ovos, preparadas com toucinho, chouriço e carne de porco.
Os doces são uma tentação: bolachas bêbedas (com aguardente a integrar a sua confecção), figos cheios, bolo de figo, empanadilhas e bolo de laranja e amêndoa são saborosas maneiras de acabar uma refeição.

                                                                                                          Xerém com ameijoas 
Xerém com AmêijoasChoco com Favas
Chocos com favas 

Folar à Moda de Olhão
Folar à moda de Olhão 

domingo, 21 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Faro

Brasão de Faro

Localização

         Faro é uma cidade portuguesa, capital do Distrito de Faro, da região, sub-região e ainda da antiga província do Algarve que ocupa uma área de 5,412 km², é sede de um município com 201,59 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte e oeste pelo município de São Brás de Alportel, a leste por Olhão, a oeste por Loulé e a sul tem costa no Oceano Atlântico. Através do Aeroporto de Faro, a cidade constitui a segunda maior entrada externa do país (a seguir a Lisboa), o que lhe confere uma valência vincadamente cosmopolita.
Limitado a Norte e Oeste pelo concelho de São Brás de Alportel, a Este por Olhão, a Oeste por Loulé e a Sul pelo Oceano Atlântico, é um concelho composto por seis freguesias: Sé, São Pedro, Santa Bárbara de Nexe, Montenegro, Conceição e Estoi. Este concelho agrega seis freguesias e 63 lugares. São Pedro, Sé e Montenegro são consideradas urbanas, Santa Bárbara de Nexe e Conceição medianamente urbanas e Estoi é a única que se enquadra como predominantemente rural.



História :

           Os primeiros marcos remontam ao século VIII a.C., ao período da colonização fenícia do Mediterrâneo Ocidental. Seu nome de então era Ossonoba, sendo um dos mais importantes centros urbanos da região sul de Portugal e entreposto comercial, integrado num amplo sistema comercial, baseado na troca de produtos agrícolas, peixe e minérios. Entre os séculos III a.C. e VIII d.C., a cidade está sob domínio Romano e Visigodo, sendo conquistada vindo a ser conquistada pelos Mouros no ano de 713 d.C, os quais ergueram ali uma fortificação (reforçada por uma nova muralha erigida a mando do príncipe mouro Bem Bekr, no século IX). Durante a ocupação árabe o nome Ossónoba prevaleceu, desaparecendo apenas no século IX, dando lugar a Santa Maria do Ocidente; era então capital de um efémero principado independente. No século XI passa a designar-se Santa Maria Ibn Harun e o nome de Ossonoba começa a ser substituído. A cidade é fortificada com uma cintura de muralhas, na sequência da independência de Portugal, em 1143, o primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques e os seus sucessores iniciam a expansão do país para sul, reconquistando os territórios ocupados pelos Mouros. Depois da conquista por D. Afonso III, em 1249, os portugueses designaram a cidade por Santa Maria de Faaron ou Santa Maria de Faaram.
Nos séculos seguintes, Faro tornou-se uma cidade próspera devido à sua posição geográfica, ao seu porto seguro e à exploração e comércio de sal e de produtos agrícolas do interior algarvio, trocas comerciais que foram incrementadas com os Descobrimentos Portugueses, tem, nesse período, uma importante e activa colónia judaica que no final do século XV imprime localmente o Pentateuco, o primeiro livro português. A comuna de Faro terá sido sempre uma das mais distintas da região algarvia e das mais notáveis do País, em todos os tempos, com muitos artesãos e muita gente endinheirada, sendo frequentes no século XIV as ligações comerciais de judeus e cristãos. A manifesta prosperidade dos judeus farenses no século XV é interrompida pela carta patente de Dezembro de 1496 em que D. Manuel I os expulsa de Portugal, caso não se convertessem ao catolicismo.
Assim, oficialmente, e só neste sentido, deixaram de existir judeus em Portugal, o que também aconteceu em Faro, sendo que, no local onde estava implantada a judiaria, na Vila Adentro, tivesse sido mandado erigir pela terceira esposa de D. Manuel I o Convento de Nossa Senhora da Assunção.
O Rei D. Manuel I promove, em 1499, uma profunda alteração urbanística com a criação de novos equipamentos na cidade - um Hospital, a Igreja do Espírito Santo (Igreja da Misericórdia), a Alfândega e um Açougue - fora das alcaçarias e junto ao litoral. Em 1540, D. João III eleva Faro a cidade e, em 1577, a sede do bispado do Algarve é transferida de Silves para Faro. O saque e o incêndio, em 1596, pelas tropas inglesas de Robert Devereux, 2.º Conde de Essex, danificaram muralhas e igrejas, e provocaram elevados danos patrimoniais e materiais na cidade. Os séculos XVII e XVIII são um período de expansão para Faro, que foi cercada por uma nova cintura de muralhas durante o período da Guerra da Restauração (1640 - 1668), que abrangia a área edificada e terrenos de cultura, num vasto semicírculo frente à Ria Formosa.
Em 1 de Novembro de 1755, a cidade de Lisboa é arruinada por um grande Sismo que devido à sua intensidade provocou, igualmente, estragos em outras cidades do país, sobretudo no Algarve.
A cidade de Faro sofreu danos generalizados no património eclesiástico, desde igrejas, conventos até o próprio Paço Episcopal. As muralhas, o castelo com as suas torres e baluartes, os quartéis, o corpo da guarda, armazéns, o edifício da alfândega, a cadeia, os conventos de S. Francisco e o de Santa Clara, foram destruídos e arruinados, até finais do século XIX, a cidade manteve-se dentro dos limites da Cerca seiscentista de Faro. O seu crescimento gradual sofre um maior ímpeto nas últimas décadas. Actualmente, a cidade de Faro, capital política e administrativa, detém a maior parte dos serviços administrativos da região e, por conseguinte, uma grande atractividade para a implantação de actividades terciárias e comerciais, subsidiadas pela função habitacional.
Faro assumiu a sua vocação cosmopolita aquando da inauguração do seu aeroporto internacional a 11 de Julho de 1965, ainda durante a ditadura de António de Oliveira Salazar. Hoje em dia, e graças ao aumento de procura turística em todo o Algarve, a cidade possui o segundo mais movimentado aeroporto de Portugal atrás do aeroporto da Portela em Lisboa, com um movimento superior a 5 milhões de passageiros por ano. O Aeroporto é ainda utilizado por parte dos turistas que se dirigem para a Andaluzia devido a certos locais desta região espanhola estarem mais próximos de Faro do que de Sevilha.

Bandeira de Faro

Cultura e Turismo

           O concelho de Faro, ao longo de todo o ano tem um conjunto de iniciativas/eventos que contribuem para proporcionar momentos agradáveis de lazer. Todos os meses existem iniciativas relevantes, organizadas pela autarquia, Teatro Municipal ou por outras entidades do concelho. O verão é sem dúvida o período de maior actividade, com a realização de feiras temáticas, concertos, actividades desportivas, mostras, festivais, entre outras iniciativas. Ao longo do ano, pode-se ainda comprar artesanato ou outros produtos nas diversas feiras e mercados que se realizam mensalmente pelo concelho. À noite, numa atmosfera simpática, acolhedora e descontraída poderá dançar, ouvir música ao vivo, desfrutar de uma bebida ou de uma refeição ligeira, num dos vários bares.
O grande destaque do concelho é a Ria Formosa que constitui um sapal que se estende pelos concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António, abrangendo uma área de cerca de 18 400 hectares ao longo de 60 quilómetros desde o rio Ancão até à praia da Manta Rota.
A Ria Formosa, é limitada a Sul por um conjunto de ilhas-barreira de cordão arenoso litoral, conhecidas por, península do Ancão (Praia de Faro), ilhas da Barreta, Culatra, Armona, Tavira, Cabanas e península de Cacela. Estas estão dispostas paralelamente à costa, protegendo uma laguna que forma um labirinto de sapais, canais, zona de vasa e ilhotes, que a separa do Oceano Atlântico. As suas dunas, ilhas e barras para o alto mar estão em movimento contínuo conforme as marés. Muitos locais arqueológicos apresentam vestígios de povoações romanas e pré-romanas. Ao longo de 57 quilómetros de comprimento, este sistema lagunar, o mais extenso da costa portuguesa, tem a sua importância ecológica reconhecida internacionalmente, pelas características naturais únicas que apresenta e pela sua localização geográfica, que fazem desta zona húmida um dos principais biótopos de suporte da avifauna, pelo que tem vindo a ser alvo de protecção legal. Encontra-se assim, abrangida pelas disposições da Convenção de Ramsar e de Berna, integra a Rede Natura 2000, quer como Zona de Protecção Especial estabelecidas ao abrigo da Directiva Aves, quer como Zona Especial de Conservação e inscrita na lista nacional de sítios ao abrigo da Directiva Habitats. Possui uma profundidade média de dois metros e uma disposição irregular dos fundos. Cerca de 14% da superfície lagunar encontra-se permanentemente submersa, e cerca de 80% dos fundos emergem em maré baixa e em regime de marés vivas. Os cursos de água que desaguam no sistema da Ria Formosa (Rio Seco, Gilão, Ribeiras de Almargem, Lacem, Cacela, e outros) são sazonais e de pouco caudal, dada a fraca pluviosidade local. Assim, a ria é alimentada quase exclusivamente por água oceânica. A cobertura vegetal no interior da Ria Formosa difunde-se em dois ambientes distintos e contíguos: sapais e dunas. Os sapais originam-se em zonas costeiras de águas calmas. O reduzido fluxo das marés facilita a deposição dos detritos e sedimentos em suspensão e assim vão surgindo bancos de vasa onde, a certa altura, há substrato para a vegetação. A colonização tem como pioneira uma Gramínea do género Spartina (na Ria Formosa, S. marítima), que suporta longos períodos de submersão e, por isso mesmo, se instala nas zonas de mais baixa cota, onde forma vastos "prados" de cor verde escura e que constituem o baixo sapal. Onde o substrato é menos resistente à acção erosiva das águas formam-se os típicos canais e regueiras que sulcam o sapal num emaranhado dendrítico.
As condições de formação e a dinâmica das dunas revelam que estas são estruturas em constante mudança. A proximidade do mar actua como factor fortemente selectivo na instalação e crescimento da sua vegetação. Não é por acaso que, no lado virado ao mar, são escassas as composições florísticas e no interior da duna, criam-se condições mais favoráveis para uma fixação mais diversificada, abrigando inúmeras espécies nas encostas voltadas para o interior e nas dunas mais recuadas face ao mar, salientando-se a presença de plantas endémicas, que existem exclusivamente em Portugal. A Ria Formosa abrange a área de jurisdição de cinco concelhos do sotavento algarvio: Faro, Loulé, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António. Todos os concelhos têm usufruído do recurso natural da Ria Formosa como elemento estruturante da paisagem. As actividades ancestrais ligadas à pesca, marisqueio, salicultura e moluscicultura que contribuíram para o enriquecimento do território valorizando-o cultural, social económica e paisagisticamente. Trata-se de uma área protegida pelo estatuto de Parque Natural, atribuído pelo Decreto-lei n.º 373/87 de 9 de Dezembro de 1987. O Parque Natural da Ria Formosa enquadra-se numa região de clima mediterrânico, de características semi-áridas, com uma estação seca prolongada, durante os meses de Verão, e com um Inverno ameno devido à influência do fluxo atlântico do oeste, e pelo facto de se encontrar longe das regiões de origem das massas de ar polar continental, onde as temperaturas são amenas e a insolação elevada.
Em 2010, a Ria Formosa foi eleita uma das sete maravilhas naturais de Portugal na categoria de zonas marinhas, categoria a que também concorriam o Arquipélago das Berlengas e a Ponta de Sagres.
Faro possui uma relação privilegiada com a Ria Formosa pois é ponto de partida para a prática de actividades náuticas marítimo turísticas. Actividades de Turismo de Natureza, como é o caso do Birdwatching, contam com milhões de aficionados na Europa e encontram na Ria Formosa, sobretudo, no canal de Faro – o principal e mais profundo – uma quantidade de espécies que vai aumentando com a aproximação dos sapais. Corvos marinhos de faces brancas, patos mergulhões, chilretas, pernilongas, limícolas, cotovias de crista são algumas das espécies que, partindo de Faro de barco, podem ser observadas nos canais da Ria Formosa. 

Ilha da Culatra – Ilha do Farol de Santa Maria 

           A Ilha da Culatra é composta por três núcleos populacionais: Culatra, os Hangares e o Farol. O acesso a esta ilha barreira é feito através de Olhão e Faro através de carreiras regulares de barco num percurso de aproximadamente trinta minutos. A Culatra é banhada pelas águas da Ria Formosa e a Sul pelo Oceano Atlântico, possuindo praia marítima e fluvial. No núcleo do Farol encontra-se o Farol do Cabo de Santa Maria, cuja construção remonta a 1851. Implantado a 2500 metros a ENE do Cabo de Santa Maria, o Farol mais a Sul de Portugal tem 47 m de altura e tem um alcance luminoso de 25 milhas náuticas. No Verão à comunidade piscatória residente na Ilha da Culatra, juntam-se os veraneantes que procuram as suas praias de areias finas, águas límpidas e de temperatura agradável. A Ilha da Culatra é um refúgio natural de embarcações de pesca, às quais no Verão somam-se centenas de veleiros e iates portugueses e estrangeiros que ancoram nas suas águas calmas, em busca da sua gastronomia à base de peixe fresco e marisco. Um outro atractivo para estes velejadores é a pesca desportiva de espécies como o sargo, garoupa, muges, peixe-espada e tunídeos.

Ilha da Culatra 

Praia de Faro 

          Também conhecida por “Ilha de Faro”, esta extensão de areia faz parte da Península do Ancão, que delimita a Ria Formosa a poente e donde se pode obter uma vista privilegiada sobre a serra e sobre a cidade de Faro. O acesso viário faz-se através duma estreita ponte que atravessa a Ria Formosa. No Verão, a “ilha de Faro” está, igualmente, acessível por barco através do Cais das Portas do Sol. É possível fazer praia no estreito cordão arenoso virado a Norte, para um canal da Ria Formosa, A utilização deste plano de água é óptima para a prática de desportos náuticos (jetski, canoagem, remo, windsurf, vela, etc.). No Centro náutico da Praia de Faro é feita a iniciação às Modalidades Náuticas e disponibilizado ao público, equipamento para vela, windsurf e canoagem.

Praia de Faro 

Ilha Deserta 

           A Ilha Deserta, numa extensão de dez quilómetros de praia, é uma das mais bem conservadas e menos frequentadas da região. O acesso faz-se por mar, a partir do Cais da Porta Nova, sendo a travessia muito agradável, podendo observar-se os labirintos de areia e vasa da Ria Formosa, canais e bancos de sapal. Pelo caminho há que prestar também atenção às diversas aves que por aqui se alimentam, como os flamingos.


Principais Eventos : 

Concentração de Motos de Faro - Faro é reconhecida internacionalmente como a capital europeia dos motociclistas. Todos os anos, milhares de motociclistas de todo o mundo viajam para Faro, no mês de Julho, para participar na Concentração Internacional de Motos, organizada pelo Moto Clube de Faro. Um dos eventos de destaque é o desfile das motos pelas ruas da capital no Domingo, último dia da concentração.



Feira de Santa Iria - As origens da Feira de Santa Iria remontam ao ano de 1596. Reza a história, que esta Feira começou no reinado de D. Filipe I após o incêndio que a cidade sofreu na sequência do saque das tropas inglesas do Conde de Essex em 1596. Com o saque e o incêndio, a cidade ficou desprovida de inúmeras infra-estruturas e os seus habitantes padeciam de fome e peste, pelo que a realização desta feira procurava, de alguma forma prestar auxílio à população carenciada, e incrementar também as transacções comerciais. Inicialmente tratava-se de uma feira “forra e franca”, ou seja, os feirantes estavam isentos de pagar impostos do que vendiam, não se sabendo ao certo quando terminou esta isenção. A associação da Feira ao nome de Santa Iria, prende-se com o facto da sua data de realização ter sido marcada para o Dia de Santa Iria (20 de Outubro). A Feira de Santa Iria realiza-se no Largo de S. Francisco, na segunda quinzena de Outubro, mantendo as suas características populares Nela se podem encontrar uma grande diversidade de atractivos: stands institucionais; exposições gerais; divertimentos para crianças e adultos; comes e bebes; artesanato; venda de produtos diversos.

Gastronomia

             A gastronomia algarvia com reminiscências da presença dos romanos e dos árabes na região, e pela proximidade à Ria Formosa e ao Oceano Atlântico, têm por base peixe, marisco e produtos do campo, confeccionados em cataplanas, guisados e cozidos ou na grelha. Os carapaus, biqueirões e sardinhas alimados, as amêijoas e berbigões ao natural, o arroz de lingueirão, as cataplanas, caldeiradas e massinhas com peixe são pratos típicos de Faro. As papas de milho, mais conhecidas como xarém, são um dos ex-libris da região. As carnes também constam nos cardápios da região, numa mistura com marisco.
Nas sobremesas predominam as doçarias à base de frutos secos como bolos de amêndoa, figo e alfarroba.
Com uma região vinícola demarcada, de clima tipicamente mediterrânico, que utiliza castas tradicionais para produzir vinhos de qualidade, com sabor a fruto, baixa acidez e a que o sol dá uma graduação elevada, os vinhos e aguardentes juntam-se à tradição gastronómica do Algarve.
                                 
                                                                                                        Biqueirões
BiqueirõesArroz de Lingueirão
Arroz de Lingueirão 


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Albufeira

Brasão de Albufeira

Localização

           Albufeira é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, é sede de um município com 140,66 km² de área e subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a noroeste pelo município de Silves, a nordeste por Loulé, e a sul tem uma costa ampla para o Oceano Atlântico. 



História

            Desconhecem-se as origens de Albufeira, mas tudo leva a crer Foto de Albufeiraque a região já era povoada em tempos pré-históricos e que o local onde hoje se ergue a cidade teria sido, alguns séculos antes da nossa era, uma importante povoação com o seu porto marítimo. A primitiva povoação foi ocupada pelos Romanos que lhe deram o nome de Baltum. Introduziram uma organização administrativa centralizada e desenvolveram uma intensa actividade agrícola e comercial. Construíram aquedutos, estradas e pontes das quais ainda hoje existem vestígios.
O topónimo Albufeira provem da denominação árabe "Al-buhera" que significa "castelo do mar", razão que poderá estar ligada à proximidade do oceano e/ou da lagoa que se formava na zona baixa da localidade. Os árabes construíram sólidas fortificações defensivas, tornando-a quase inexpugnável, o que até certo ponto não era infundado, porque Albufeira foi uma das praças que os árabes conservaram por mais tempo em seu poder. O desenvolvimento da agricultura foi notável e verificou-se a introdução de novas técnicas e de novas culturas. Os Árabes usavam já a charrua e os adubos, assim como as noras para a elevação de águas nos poços. Introduziram novos sistemas de irrigação nos campos, salientando-se os açudes e levadas, transformando assim zonas incultas em hortas e pomares. Quando D.Afonso III ocupou o trono, já parte do Algarve tinha caído em poder dos cristãos. Templários e Hospitalários, ordens militares que auxiliaram na Reconquista, salteavam frequentemente as terras que ainda estavam sob domínio Árabe, mas detinham-se sempre diante das fortes muralhas de Albufeira. Somente depois da tomada de Faro é que a situação de Albufeira se tornou insustentável, cercada de inimigos por todos os lados, a praça caiu em poder de D.Afonso III, que imediatamente a doou à Ordem de Aviz.
Os mouros foram perseguidos de tal forma, que só escaparam ao furor dos vencedores os que fugiram e se refugiaram numa caverna, denominada Cova do Xorino, situada por baixo das rochas delimitantes da cidade pelo lado sul. No reinado de D. Manuel I já a vila reconquistara a sua antiga importância, pois este monarca concedeu-lhe foral em 20 de Agosto de 1504.
Albufeira foi das cidades algarvias a mais castigada por cataclismos naturais. Mas foi o terramoto e que causou os maiores estragos. O mar invadiu a vila com ondas que atingiram 10m de altura, destruindo quase todos os edifícios, tendo apenas ficado de pé 27 habitações e estas muito arruinadas. A Igreja Matriz, antiga mesquita árabe adaptada ao culto cristão, onde a população se refugiara, pedindo misericórdia, desabou causando 227 vítimas. Depois deste terramoto continuou todo o Algarve a sofrer abalos violentos até 20 de Agosto do ano seguinte o que não impediu que se iniciassem de imediato as obras de reconstrução por ordem do Bispo D. Francisco Gomes de Avelar.
Em 1833, durante a guerra civil entre absolutistas e liberais, Albufeira foi cercada e atacada pelos soldados do Remexido: um chefe popular absolutista que danificou profundamente a vila e executou grande número dos seus habitantes, a partir de meados do século XIX verificou-se um desenvolvimento da economia graças à actividade piscatória. Nas primeiras décadas do século XX registou-se um aumento acentuado da exportação de peixe e de frutos secos. A vila tinha, então, cinco fábricas que empregavam 700 a 800 pessoas, sobretudo mulheres de pescadores, de 1930 a 1960 registaram-se tempos de decadência, as armações de pesca arruinaram-se, as fábricas fecharam, as embarcações desapareceram e muitas casas foram abandonadas. A população ficou reduzida a metade e a pesca tornou-se novamente numa actividade de subsistência. No início da década de 60, assistiu-se ao nascimento do fenómeno turístico, Albufeira foi procurada por turistas nacionais, mas foi sobretudo com os ingleses que prosperou, na década de 80, verificou-se um enorme surto urbanístico, tendo a cidade crescido para nascente, local para onde se transferiu a maior parte dos serviços administrativos, incluindo a Câmara Municipal.

Bandeira de Albufeira




Heráldica

         As armas são de prata, com um castelo de vermelho aberto e iluminado de ouro. Em chefe, uma águia de negro, acompanhada por duas cabeças, uma coroada de ouro e outra de carnação negra com um turbante de prata. Em contrachefe, duas faixas ondadas de verde. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com os dizeres "Cidade de Albufeira". A prata indicada para o campo é o metal que heraldicamente significa humildade e riqueza. O castelo é de vermelho esmalte, que significa a vida, força, vitórias e guerra. O ouro aberto e iluminado do castelo é o metal, que significa nobreza, fidelidade e poder. O negro da águia é o esmalte, que representa firmeza e honestidade. O mar é representado heraldicamente por faixas ondadas de prata e de verde. Este esmalte significa esperança e fé.
A título de curiosidade, podemos referir que Albufeira já foi representada pela imagem de uma vaca em campo azul, símbolo da abundância de gado; porém nada se sabe acerca da sua proveniência, embora conste nas Ordenações Filipinas e no Dicionário Chorográfico de Portugal Continental e Insular.


Cultura e Turismo

                Se é adepto de momentos de lazer e diversão, tem ao seu dispor um leque muito variado de actividades, o Zoomarine, um espaço privilegiado, onde encontrará mamíferos marinhos, peixes e aves aquáticas é sem dúvida uma excelente proposta. A partir da Praia da Oura pode embarcar num cruzeiro e percorrer toda a costa litoral num ambiente agradável, o mergulho subaquático é uma outra actividade que tem ao seu dispor mas se estiver interessado em momentos de aventura e de descoberta, pode participar num dos muitos passeios de jeep, onde vislumbrará a beleza do Algarve interior.
Para quem é aficionado, poderá ainda assistir na Praça de Touros de Albufeira a uma corrida à portuguesa. Ao longo de todo o ano Albufeira oferece várias manifestações. Folclore, artesanato, música erudita, concertos com grupos da actualidade, teatro, diversas salas de cinema, literatura e um rol infindável de manifestações, além de exposições de artes plásticas, é o que Albufeira oferece a todos aqueles que a visitam ou nela residem, de destacar as comemorações do Dia do Municipio e o programa de Fim de Ano que tem vindo a marcar significativamente a oferta nacional para esta época festiva, a culminar um dia passado na praia ou em passeio pela região, nada mais agradável do que tomar a sua bebida predilecta ao ar livre, numa das muitas esplanadas que, nos mais variados locais convidam a apreciar o encanto único das noites de Albufeira. Para garantir um fim de dia tão descontraído como divertido, tem igualmente à sua escolha inúmeros bares, clubes e discotecas que, com ambientes movimentados e excelente música, vão, seguramente, proporcionar-lhe momentos memoráveis.
Quer procure uma original e característica peça de artesanato, ou uma boutique das mais sofisticadas, Albufeira tem um pouco de tudo para lhe oferecer, tanto em lojas modernas e bem equipadas como nos típicos mercados, por todo o lado, à semelhança do resto do Algarve, multiplicam-se os exemplos de todo o tipo de artesanato, tapetes de esparto, capachos em carepas de milho com decorações, produzidas na povoação de Almeijoafras, Monte Novo e Cerca Velha (Paderne). Dentro da cidade os melhores miradouros são os mirantes do Rossio e o Bem Parece. Existem muitas grutas e túneis a explorar, como por exemplo: a Cerro do Malpique, o Lajem do Cónego, a Cova do Xorino, entre outros locais, Albufeira tem cerca 30 km de costa. Na época balnear de 2011, 20 praias foram classificadas com bandeira azul , tendo sido o concelho português com mais distinções.





Gastronomia

             Centro Internacional, Albufeira prima por uma culinária rica e diversificada. A grande variedade de restaurantes oferece-lhe, desde pratos regionais às mais refinadas especialidades da cozinha Francesa, Italiana, ou Alemã, região ligada ao mar, os pratos de peixe e marisco constituem uma presença marcante na gastronomia. A sardinha, o linguado, o robalo, são sempre frescos e deliciosos. A lagosta e as gambas, um verdadeiro "Manjar dos Deuses". A caldeirada, mistura dos mais variados peixes com batatas, pimentos e salsa é um dos pratos mais apreciados e primorosamente confeccionado pelos pescadores.
As amêijoas na cataplana, o arroz de marisco, os choquinhos com tinta e a salada de polvo são especialidades a que não deve resistir, o atum, abundante na costa até princípios da década de 70, destacou-se há muito na gastronomia algarvia, sendo cozinhado de diversas formas, isto não esquecendo o Xerém (papas de milho) as favas e as ervilhas à algarvia, com um bom vinho algarvio a acompanhar.
No final da refeição, não deixe de experimentar todos os doces confeccionados à base de amêndoas, gila e figos, mas prove também os bolinhos de alfarroba e os famosos D.Rodrigos.

                                                                                                        Amêijoas na cataplana
Amêijoas na CataplanaArroz de Marisco
Arroz de marisco 
                                                                                                         Bolinhos de alfarroba
Bolinhos de AlfarrobaSalada de Polvo
Salada de polvo 

Morgadinhos
Morgadinhos