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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Vila do Bispo

Brasão de Vila do Bispo

Localização :

           Vila do Bispo é uma vila portuguesa no Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, é sede de um município com 178,99 km² de área e subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Aljezur, a nordeste por Lagos e a sul e oeste tem litoral no oceano Atlântico. O litoral do município, desde a costa oeste até à praia de Burgau a leste, faz parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.


História

          As primeiras referências conhecidas à Aldeia do Bispo surgem no século XIV num documento de D. Afonso IV, uma carta de foro, datada de 27 de Março de 1329, e, posteriormente, em 1353 noutra carta régia em que o monarca retira à igreja, Bispo e Cabido de Silves a jurisdição “... da aldeia que chamam do Bispo, que he no Cabo de Sam Vicente ...”  incorporando-a no termo de Silves (Portugal).
Estas duas cartas régias vêm contrariar a versão da história, tantas vezes repetida, que a Aldeia do Bispo (posteriormente Vila do Bispo) terá surgido da doação da Aldeia de Santa Maria do Cabo feita por D. Manuel ao Bispo D. Fernando Coutinho. É simplista a ideia que a Aldeia de Santa Maria do Cabo, por ter sido doada, em 1515, ao Bispo, passe depois a ser conhecida como Aldeia do Bispo. Como testemunham as cartas de 1329 e 1353 a Aldeia do Bispo existia já desde o século XIV, na verdade a Aldeia de Santa Maria do Cabo e a Aldeia do Bispo foram duas aldeias distintas.
A Aldeia do Bispo situou-se inicialmente mais a ocidente da actual povoação, como testemunham os escritos do Padre Luís Cardoso, no século XVIII, quando menciona a igreja matriz, referindo que a igreja estava fora da povoação a pouca distância dela, e a Aldeia de Santa Maria do Cabo, hoje extinta, situava-se nos Curraes da Granja . O bispo D. Fernando Coutinho (senhor da Aldeia do Bispo) recebeu a doação, de D. Manuel, da Aldeia de Santa Maria do Cabo e integrou-a no perímetro da Aldeia do Bispo. Deve-se provavelmente ao pirata Francis Drake o incêndio e destruição da Aldeia de Santa Maria do Cabo. 

Bandeira de Vila do Bispo

Cultura e Turismo

              São bastante raros os monumentos megalíticos, tanto no Barrocal como no Litoral do Algarve. No entanto, no concelho de Vila do Bispo existe uma grande quantidade e diversidade destes monumentos.
São monolíticos, talhados em calcário, de cor branca, com forma cilíndrica, cónica, paralelepípeda ou estelar, de dimensões muito variáveis, podendo encontrar-se isolados, constituindo pequenos grupos, ou estruturando-se em alinhamentos e cromeleques. Alguns estão decorados com faixas, em relevo, formadas por três ou quatro cordões ondulantes, sinusoidais, ou por cadeias de eclipses, unidas pelas extremidades, que correm do topo para a base dos monumentos. Outros têm forma claramente fálica, que mostram um cordão envolvendo a extremidade e, até, uma covinha no vértice. Conjuntos de covinhas dispostas em linha ou distribuídas caoticamente, decoram outros desses monumentos, embora não se situem sobres as arribas sobranceiras ao mar, a sua localização neste concelho é preferencialmente junto ao litoral. Encontram-se espalhados por três das freguesias do concelho: Vila do Bispo, Raposeira e Budens, dos diversos exemplares, destacam-se os existentes em Vila do Bispo (Monte dos Amantes) e Raposeira (Milrei, Padrão e Aspradantas). Para a sua datação são apontados os 4º/3º Milénios a.C. 
O concelho de Vila do Bispo, devido à sua localização geográfica, é o único concelho do país que possui dois tipos de costa: a costa meridional e a costa ocidental. A costa meridional, que se estende até ao Cabo de S. Vicente, oferece enseadas e baías com boas condições de abrigo. Fazem parte desta costa, as praias do Burgau, Cabanas Velhas, Boca do Rio, Salema, Figueira, Furnas, Zavial, Ingrina, Barranco, Martinhal, Mareta, Tonel e Beliche. Telheiro, Ponta Ruiva, Castelejo, Cordoama, Barriga e Murração são as praias da costa ocidental, localizada a norte do Cabo de S. Vicente, sendo bastante recortada e composta por arribas.





Gastronomia

              A gastronomia que caracteriza o concelho de Vila do Bispo, baseia-se no que o mar tem para oferecer, não fosse esta uma zona predominantemente piscatória. A sua alimentação consiste essencialmente num leque variado de peixe fresco, confeccionado de variadíssimas formas, grelhado, assado, cozido ou frito, o marisco, que se come cozido e os bivalves que são abertos na chapa. Contudo, na época de caça que, normalmente tem início em Outubro e termina em Dezembro, é comum confeccionar-se pratos de javali, perdizes, codornizes, lebre ou coelho bravo.   
Na doçaria utiliza-se o figo e a amêndoa com abundância, bem como a massa de pão com açúcar acrescido de outros ingredientes, como por exemplo os torresmos.
                                                                                                        Feijoada de choco
Feijoada de Choco
Cataplana de Marisco
Cataplana de marisco 


Pastéis de Batata Doce
Pastéis de batata doce

domingo, 14 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Silves

Brasão de Silves

Localização

       Silves é uma cidade portuguesa no Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, Silves já foi capital do Algarve, mas perdeu esse estatuto, em parte, devido ao assoreamento do rio Arade.
É sede de um município com 680,02 km² de área e subdividido em oito freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Ourique, a nordeste por Almodôvar, a leste por Loulé, a sueste por Albufeira, a sudoeste por Lagoa, a oeste por Portimão e Monchique, a noroeste por Odemira e a sul tem litoral no oceano Atlântico.



História

       Os testemunhos da presença humana recolhidos na região de Silves e ao longo do curso do Rio Arade, revelam a sua existência desde os tempos Pré-Históricos. Os monumentos megalíticos como os menires do Monte Roma, em Silves, e os menires da Vilarinha, manifestam actividade daquelas comunidades agrícolas do período Neolítico da Região. A exploração de minerais nas margens do rio Arade, parece ser uma realidade com as sociedades da Idade do Bronze que construíram a Necrópole da Alfarrobeira. Numa colina voltada a Norte do Cerro da Rocha Branca, localizada a dois Quilómetros a poente da actual cidade de Silves, existiram as ruínas de uma importante feitoria do 1º milénio a.C. Aquele povoado terá sido muito provavelmente a chamada Cilpes, que manteve relações comerciais com povos de remotas regiões do Mediterrâneo oriental, como os fenícios, gregos, cartagineses. Os vestígios da conquista romana fazem-se sentir no actual núcleo urbano da cidade de Silves. Provavelmente terão sido edificadas naquele remoto período, as primeiras muralhas de defesa de um núcleo urbano. A ocupação muçulmana do actual território algarvio e a prolongada permanência dos povos árabes e sua preponderância cultural mantiveram-se desde os séculos VIII a XIII, e marcaram profundamente a história e o urbanismo da cidade.
A região foi primitivamente povoada por árabes do Mediterrâneo Oriental, amantes das artes e das ciências, permitindo o desenvolvimento deste importante pólo cultural e político do al-Gharb al-Andaluz, nos séculos IX a XII. Ficou na memória dos seus habitantes, a Medina Xelb conhecida, como a cidade de filósofos e poetas, Ibn Caci, Ibn Ammar ou o rei Al-Mutamide. A primeira conquista cristã acontece em 1189. As tropas portuguesas governadas por D. Sancho I foram assistidas por um contingente de Cruzados em trânsito para a Terra Santa, que aportara acidentalmente em Lisboa. A efémera sujeição durou apenas dois anos, Al-Mansur dota a cidade com fortes muros e infra-estruturas de aprovisionamento de água. A derradeira conquista cristã acontece em meados do séc. XIII. D. Afonso III, apressa-se a nomear um bispo para esta sede episcopal, e logo a cidade se tornou capital de todo o Algarve. No séc. XV o infante D. Henrique concentra-se nesta urbe, e impulsiona activamente a participação das suas gentes nas viagens marítimas dos descobrimentos portugueses. Com o século XVI surgem os primeiros sinais de declínio. O assoreamento do rio, principal via de comunicação com o exterior, a formação de áreas lodosas tornara a cidade insalubre. O prelado transladou-se para Faro em 1577, sob forte contestação popular, e esta transferência, foi seguida pelos influentes homens de negócios que animavam a vida económica da cidade. O Terramoto de 1755 foi o coroar das enfermidades que a urbe padecia, deixando pouco mais de uma dezena de casas habitáveis. A centúria seguinte foi marcada pelas invasões francesas, a fuga da corte portuguesa para ao Brasil e as convulsões sociais que lavraram um pouco por todo o país. Em Silves, as guerras entre liberais e absolutistas, tiveram na região importante figura local, o guerrilheiro absolutista Remexido. A segunda metade deste século importou para esta cidade interior do Algarve a indústria corticeira, assim como, todo o comércio e pequenas unidades fabris dependentes daquela manufactura. A região é igualmente premiada com o investimento estatal da expansão do caminho-de-ferro, que chega aos arredores da cidade nos inícios do século XX.
Importante centro operário e industrial, prosperando em população e novas edificações, desenvolve-se política e culturalmente para as causas republicanas e sindicalistas que ainda hoje se reconhecem na toponímia das suas ruas. O Estado Novo põe termo ao ciclo industrial da cortiça. A decadência da agricultura assente na produção de frutos secos é substituída por uma prática agrícola apoiada no regadio e na produção de citrinos. Esta última consentida com a construção da Barragem do Arade e de importantes infra-estruturas de irrigação que elevam este concelho ao mais importante centro produtor nacional de Laranja. A indústria turística e as potencialidades que a bacia do Rio Arade proporciona, conjuntamente com o riquíssimo património histórico que o concelho de Silves conserva serão por certo mais uma vertente económica a ser desenvolvida e explorada.

Bandeira de Silves

Cultura e Turismo

         Seja à beira-mar, no Barrocal ou na serra, o concelho de Silves oferece aos amantes da natureza excelentes condições para a prática de actividades desportivas e de natureza. A serra, por explorar, oferece óptimas oportunidades para a realização de passeios pedestres, em bicicleta ou através de veículos todo-o-terreno. Ao longo do ano poderá interagir com o meio ambiente, numa atmosfera saudável através da prática de actividades tão diversificadas. 

Passeios de barco no rio Arade

Ali estava Silves!
" ... erguia-se em anfiteatro, no seu esplendor de cidade asiática, com as fachadas árabes dos palácios a rebrilhar ao sol quase tropical, com os seus eirados e minaretes, as ruas pejadas de bazares, e, em baixo e ao redor, os pomares viçosos de amendoeiras, laranjeiras e figueiras, e no cimo, recortando-se no fundo azulado da serrania, o alcácer de pedra ruiva, assente em terreno escarpado e encimado pelo torreão grande... ".

      Assim viu Silves o Cruzado que narrou os episódios da sua conquista em 1189. Hoje em dia, chegando a Silves pelo Sul, vindo do litoral subindo o rio, como fizeram os Cruzados, com o devido ajuste ao passar dos tempos e das civilizações, não nos será difícil ficar de novo deslumbrados, como o Cruzado há 800 anos atrás. Até ao início do século XX o rio Arade era a principal via de acesso à cidade de Silves. Sem outro tipo de comunicação, o rio manteve Silves em contacto com o mar e o porto de Portimão enquanto este teve importância económica. Já nos séculos XI e XII quando Silves, no seu apogeu, era um importante ponto comercial, o Arade foi local de passagem obrigatória. As barcaças subiam até às portas da cidade carregadas de mercadorias para os bazares. Na segunda metade do século XIX, Silves foi um grande centro produtor de cortiça e as barcaças cheias de cortiça faziam o transporte até à foz. Subir, num pequeno barco, o Rio Arade de Portimão a Silves é uma experiência que enriquece os sentidos e o saber. Venha navegar em águas calmas e seguir percursos que as voltas da história tornaram importantes e que, mais tarde, quase esqueceram. Será levado pelo Rio Arade ao longo de belos campos, desde Portimão até à histórica cidade de Silves. À chegada pode desembarcar e explorar a cidade durante algumas horas, a partida é feita na zona ribeirinha de Portimão, estando a viagem sujeita às condições da maré. 

Armação de Pêra

          Situada numa ampla baía, as suas praias estendem-se por um vasto areal com cerca de 3 km de extensão, limitado pelas ribeiras de Alcantarilha e de Espiche. Armação de Pêra, sendo uma das maiores praias de areia do Algarve, é das mais frequentadas no Verão e local de eleição de muitas famílias. O areal estende-se junto à costa, onde se multiplicam cafés com esplanada, lojas, restaurantes e um amplo passeio pedonal, fruto das recentes obras de requalificação da frente de mar. A leste da praia e relembrando a tradição piscatória de Armação de Pêra, o areal encontra-se ocupado por coloridas embarcações de pesca. É também considerado um dos melhores locais da Europa para a prática de mergulho, albergando uma grande variedade de espécies marinhas, as praias de Armação de Pera e Pera são reconhecidas pela chancela europeia da “Bandeira Azul”.

Pêra

         A vila de Pêra encontra-se envolvida numa paisagem magnífica, onde sobressaem o extenso areal da Praia Grande, o sapal, as dunas, a Foz da Ribeira de Alcantarilha e a Lagoa dos Salgados que constituem reserva ecológica. O extenso areal da Praia Grande estende-se por mais de 2 km de paisagem aberta e desprovida de marcas humanas. O mar é normalmente calmo, excelente para nadar e óptima para crianças, pela sua segurança. Aqui é possível fazer um percurso de natureza ao longo da praia e dos campos agrícolas, que dá a conhecer os diversos habitats do local, sendo a Lagoa dos Salgados um local propício à observação de aves.

No que concerne a actividades de animação e lazer, a oferta no Concelho de Silves é, também, variada. Quem nos visita terá a possibilidade de poder visitar diversos empreendimentos, que operam em áreas temáticas distintas e que garantem aos turistas que nos visitam, a oportunidade de viver experiências e momentos inesquecíveis. Esta oferta temática, que poderá ser disfrutada em família, inclui a possibilidade de contactar com espécies animais num zoo, divertir-se num parque aquático e apreciar uma fabulosa exposição de esculturas em areia. 

Subaquático | Mergulho

          Pelas condições geográficas que lhe oferecem protecção natural, a baía de Armação de Pêra apresenta uma riqueza extraordinária ao nível da biodiversidade, onde se incluem espécies raras, algumas protegidas pela “Rede Natura 2000”, outras identificadas pela primeira vez em Portugal, porquanto dispõe de um dos maiores e mais lindos recifes naturais da nossa costa, situados a cerca de 4 milhas da costa. Os Recifes de Coral são ecossistemas extremamente antigos, frágeis e muito ricos em biodiversidade. Uma associação simbiótica entre um animal (anémona) e um vegetal fotossintetizante (microalga) fornece a base para as maiores construções já realizadas pela vida no nosso planeta. A pequena alga fotossintetizante fornece parte do alimento do coral, enquanto recebe protecção e nutrientes do mesmo. Assim, os dois coexistem há milhões de anos, construindo formações que abrigam diversas outras formas de vida e constituem uma verdadeira floresta submarina, com uma beleza rara e uma riqueza de cor, forma e grande variedade de vida verdadeiramente inigualáveis. Os recifes de Armação de Pêra têm granjeado a curiosidade da comunidade científica, sendo várias as Universidades que desenvolvem actualmente e em parceria com o centro de mergulho local, projectos de investigação científica que estão a ser publicados mundialmente, divulgando a extrema riqueza biológica dos nossos recifes. Por outro lado, é também patente o reconhecimento por parte dos muitos mergulhadores que têm tido o privilégio de usufruir deste mundo fascinante para a grande maioria desconhecido, reportado habitualmente com êxtase, diante de tamanha beleza natural.



Gastronomia

           Na gastronomia do concelho são abundantes os sabores e as iguarias provenientes de um precioso legado. De entre uma grande variedade de pratos merecem destaque as papas de milho, a galinha de cabidela ou com grão e as ervilhas com ovos e chouriço.
Na costa, sendo o peixe e o marisco os alimentos mais confeccionados, destacam-se os carapaus alimados, as lulas recheadas, a caldeirada de peixe e a “cataplana”. No interior da Serra a cozinha tem outro sabor, aqui apreciam-se pratos de caça, como o javali, a lebre, o coelho e a perdiz ou ainda o borrego e o cabrito. 
A finalizar a refeição é ainda costume a degustação da aguardente de medronho, bebida típica e apreciada nesta região. A existência de frutos secos, cuja conservação não levantava grandes problemas, leva a doçaria algarvia a ter várias receitas. O figo, a amêndoa e a alfarroba são os ingredientes mais comuns, sendo cultivados na região. As estrelas, o D. Rodrigo, a tarte de amêndoa, o morgado, o bolo de figo, a tarte de alfarroba e os bolinhos de amêndoa tornam-se verdadeiras obras de arte. As laranjas açucaradas e as tangerinas são um preferencial complemento às refeições.
                                                                                                             Figos cheios 
Figos CheiosCaldeirada de Peixe
Caldeirada de peixe 

Morgado de Silves
Morgado de Silves