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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Monchique

Brasão de Monchique

Localização

         Monchique é uma vila portuguesa no distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, é sede de um município com 396,15 km² de área e subdividido em 3 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Odemira, a leste por Silves, a sul por Portimão, a sudoeste por Lagos e a oeste por Aljezur.



História

      No centro de duas grandes serras (Fóia e Picota), o concelho de Monchique entra na história com a presença dos romanos nas Caldas de Monchique, atraídos pelo poder curativo das suas águas. Nos séculos seguintes, a serra foi-se povoando lentamente e no século XVI Monchique era já uma povoação suficientemente importante para merecer a visita do rei D. Sebastião, que pretendeu conceder-lhe o estatuto de vila. A tecelagem da lã e do linho - os sólidos sorrobecos, orianos e estopas dos tempos antigos - entre outras actividades, como as relacionadas com a madeira de castanho, contribuíram para a prosperidade e desenvolvimento de Monchique, de tal forma que em 1773 foi promovida a vila.
As alterações económicas provenientes da industrialização significaram a perda da actividade têxtil e de outras manufacturas. Hoje, Monchique é vila airosa, virada para o turismo, com um artesanato activo e uma economia diversificada.
Possuindo das florestas mais ricas do Algarve, ricas em sobreiros, eucaliptos, castanheiros, entre outros, Monchique tem também como ex-líbris esta mata que dá a conhecer aos seus visitantes através de safaris, parques zoológicos e naturais e expedições pedestres.

Bandeira de Monchique

Cultura e Turismo

           Visitar a serra de Monchique, é visitar uma zona serrana com uma grande diversidade vegetal e clima suave, carinhosamente apelidado de "Jardim do Algarve". Património natural que induz à contemplação. Ribeiros cristalinos que desenham meandros no fundo de vales escarpados. Dotada de elevada qualidade ambiental, a frescura da serra apresenta-se como um contraponto ao caloroso litoral algarvio e Baixo Alentejo. No centro da vila pode desfrutar de uma magnífica vista a partir do miradouro do parque são Sebastião, visitar a igreja Matriz de Monchique datada do início do século XVI, o Convento de Nossa Senhora do Desterro e aproveitar para percorrer as estreitas ruas da vila, contemplando o vasto casario branco com as típicas chaminés de saia e parar para visitar as nossas casas de artesanato. Vale ainda a pena subir a Serra até á Picota ou até ao ponto mais alto do Algarve, a Fóia, de onde se avista uma grande extensão de paisagem desde o Cabo de são Vicente até à Serra da Arrábida. Merecedor de visita é ainda o Moinho do Poucochinho, no Barranco dos Pisões, onde pode se pode fazer um agradável picnic nas suas mesas de pedra e à sombra de uma das muitas árvores classificadas existentes na serra de Monchique - um Plátano. Não deixe de passar pelas Caldas de Monchique onde existe uma pequena praça envolta em grandes árvores e fontes, espaço propício a piqueniques e conheça  ainda as Termas e as suas nascentes de água mineromedicinal, usadas desde tempos antigos para tratamentos. 
Passear pelas localidades de Alferce, Marmelete e Vila de Monchique, desfrutar do património arquitectónico, histórico e cultural a par das muitas belezas naturais e provar a gastronomia tradicional, o mel, os doces, o medronho, é a nossa sugestão.

Caldas de Monchique

             A pouca distância do centro de Monchique, as Caldas são um dos seus maiores atractivos. Tem reputação a boa qualidade da água, considerada medicinal; as termas (hoje em dia dedicadas ao tratamento de algumas doenças), existem desde o tempo da ocupação romana. Este povo, que tanta importância deu à água, construiu neste local um importante balneário. Uma pequena praça envolta em sombras de grandes árvores é o centro desta pequena localidade, cujo encanto principal vem do parque onde se pode disfrutar de muita sombra, água murmurante, e, sobretudo, da grande tranquilidade que caracteriza este espaço propício a passeios repousantes e a piqueniques familiares nas mesas de pedra espalhadas por toda a colina. Dos romanos aos nossos dias, com períodos de glória, de controvérsia, da simples observação dos "milagres" da água ao estudo das suas características e compreensão dos benefícios da sua utilização para a Saúde, uma linha de pensamento perdura. Bicarbonatada, sódica, rica em flúor esta água é indicada principalmente no tratamento das afecções das Vias Respiratórias e Músculo – Esqueléticas.
Irrigação Nasal, Aerossol Sónico, Nebulizações, Piscina e Banheiras de Hidromassagem, Duche de Vichy, Duche de Jacto e Aplicação de Lamas são alguns exemplos de tratamentos termais possíveis de se realizar na estância. A Água Termal das Caldas de Monchique, bicarbonatada, sódica e rica em fluor é indicada particularmente para Afecções das Vias Respiratórias, Afecções Musculo-Esqueléticas, permitindo ainda Tratamentos de Beleza.

Centro de Monchique

           As casas têm a arquitectura algarvia tradicional nas paredes brancas, nas cantarias, nas manchas de cor das portas e janelas, embora exibam as típicas chaminés de saia, tão diferentes do litoral. O facto de treparem por colinas íngremes, de as ruas estreitas abrirem a cada passo novas perspectivas sobre a serra verdejante, dá-lhes, porém, um certo exotismo, aumentado pela presença de cameleiras e hortênsias, de árvores de fruto, evocadoras de jardins e pomares. Justificação para um prolongado passeio de descoberta de um recanto diferente do Algarve. Para apreciar bem como Monchique é uma vila linda, importa ir até ao largo de São Sebastião. O casario branco parece descer em degraus pelas encostas da serra, pequeno presépio envolto em verdes, flores e frescura.













Gastronomia

         A gastronomia doconcelho, resulta de saberes seculares e de usos e costumes tradicionais que se misturam com a imaginação presente no dia-a-dia das famílias da região de Monchique.
Tem por base os enchidos tradicionais como a chouriça, a farinheira, o molho e a morcela, sem esquecer o presunto, produtos cuja qualidade deram origem à “Feira do Presunto” e à muito apreciada “Feira dos Enchidos Tradicionais de Monchique”.
De entre os pratos típicos salientam-se a conhecida couve à Monchique, a assadura, o feijão com couve, feijão com arroz, grão com massa, todas confeccionadas à base de carne de porco preto, que  podem facilmente ser encontradas nos principais restaurantes. Embora o tempo passe, a cozinha tradicional continua a passar de gerações em gerações sem se perder.
A doçaria regional é muito diversificada e particular da região, como é o exemplo do Bolo de Tacho/Maio confeccionado à base de mel apenas em Monchique, no dia 1 de Maio. Destacam-se, ainda, os folares da Páscoa, o Dom Rodrigo, o pudim de mel e as filhós que poderão ser encontradas em suas épocas nas pastelarias existentes.
                                                                                                        Feijão com couve 
Feijão com CouveAssadura
Assadura 
                                                                                                        Dom Rodrigo 
Dom RodrigoBolo do Tacho
Bolo do tacho 

domingo, 7 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Aljezur

Brasão de Aljezur

Localização :

        Aljezur ou Algezur é uma vila portuguesa pertencente ao distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, é sede de um município com 323,5 km² de área e subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Odemira, a leste por Monchique, a sueste por Lagos, a sudoeste por Vila do Bispo e a oeste tem uma extensa costa com o oceano Atlântico. O limite noroeste, com o concelho de Odemira, é marcado pela Ribeira de Seixe. O litoral do município faz parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.


História

             Aljezur é uma terra de origens remotas, cuja antiguidade é atestada pelos muitos vestígios arqueológicos que têm sido encontrados. O seu território é habitado desde os tempos |pré-históricos.
Aljezur foi fundado no século X pelos árabes que aqui permaneceram durante cinco séculos até à conquista cristã e aqui deixaram importantes marcas tais como o castelo, a sua cisterna, a toponímia, como muitas lendas e histórias populares.
No século XIII, no reinado de Afonso III, Aljezur foi definitivamente tomada aos mouros por Paio Peres Correia. Aljezur passa a ter foral a partir de 12 de Novembro de 1280, concedido pelo Rei D. Dinis.
Em 1 de Junho de 1504, D. Manuel reformou a Carta Diplomática de D. Dinis, concedendo à vila o título de "Nobre e Honrada".
Em 1725 Aljezur foi profundamente devastada por um terramoto. O Bispo D. Francisco Gomes de Avelar mandou construir a Igreja da Nossa Senhora D'Alva em local fronteiro à vila para que os habitantes se transferissem para aquele local e para ali crescer um novo aglomerado populacional, passando a se chamar a Igreja Nova.

Bandeira de Aljezur

Cultura e Turismo

       Vestígios do passado pré-histórico atestam a importância deste concelho para povos como os mirenses (7000 anos a.C.  final da Idade Glaciária). Sendo povos nómadas, caçadores/recolectores, caçavam e apanhavam mariscos do mar com os seus machados rudimentares, assim como escavavam a terra à procura de tubérculos ou raízes, constituindo assim a base da sua alimentação.
Também da pré-história é um vasto conjunto de peças em pedra polida, silex, xert, entre outros, atribuído ao período Neolítico Final/Calcolítico (3000-2500 anos a.C.), que se encontra em exposição no Museu Municipal em Aljezur. Da Idade do Bronze (1200-900/800 anos a.C.) surge a Necrópole de Corte Cabreira, na freguesia de Aljezur, detectada em 1990, sendo alvo posteriormente de escavações de emergência. No entanto, é do período islâmico (séculos X-XII) que se reserva o maior esplendor arqueológico do concelho de Aljezur, comprovado por escavações arqueológicas levadas a efeito quer no Castelo de Aljezur, na Ponta da Atalaia (Rîbat da Arrifana), Ponta do Castelo - Carrapateira, na Igreja Nova  Aljezur ou em Alcaria, freguesia de Aljezur.
Aljezur foi fundada no séc. X pelos Árabes, que permaneceram longo tempo na região, deixando costumes e tradições que se mantiveram após a Reconquista Cristã e chegaram aos nossos dias. A vila de Aljezur foi tomada aos mouros em 1249, reinado de D. Afonso III, sendo o herói da tomada de Aljezur aos mouros o Mestre da Ordem de Santiago - D. Paio Peres Correia. Esta conquista deu-se ao romper da alva, ocupando o castelo que se encontrava na posse dos mouros. A partir de então, os cristãos agradeceram a Maria o sucesso da conquista e numa expansão da fé tornou-se Nossa Senhora da Alva a Padroeira de Aljezur, facto que ainda hoje é transmitido via oral, através da lenda da Conquista do Castelo.
Em 12 de Novembro de 1280, D. Dinis concedeu foral a Aljezur. Foi lavrado em Estremoz e foi a primeira Carta de Foral concedida por D. Dinis a uma terra algarvia. Em 1 de Junho de 1504, D. Manuel reformou a Carta Diplomática de D. Dinis e concedeu novo Foral a Aljezur. No séc. XVII foi mandado construir o Forte da Arrifana, edificado em 1635 e reedificado em 1670, que tinha como principal função a defesa de uma armação de pesca que, já em 1516, existia neste local.
A Igreja da Carrapateira, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, foi construída no reinado de D. João IV, sendo anterior a 1673. O local onde esta igreja foi erigida (era a zona mais alta, tendo a poente uma zona plana de onde se avistava o mar e a povoação se desenvolvido a nascente e a Sul) foi o que melhor serviu para em 1673 se vir a construir o Forte da Carrapateira, por D. Nuno da Cunha de Ataíde, Conde de Pontevel e Governador do Reino. Envolveu assim, esta fortaleza, o templo já existente. Nesta época após Restauração da Independência, reinados de D. Afonso VI e seu irmão, Regente e depois Rei de Portugal - D. Pedro II, infestavam os mares portugueses corsários marroquinos que desembarcavam nos ancoradouros marítimos mais favoráveis e desprovidos de defesa militar. Iniciavam então o assalto às povoações mais próximas. Carrapateira ergue-se entre duas praias de fácil desembarque: a Praia da Bordeira, a Norte e a Praia do Amado, a Sul. Dessas praias dirigiam-se ao casario e praticavam com violência o roubo e a destruição. Levavam ainda consigo jovens de ambos os sexos que eram vendidos como escravos nos mercados de Argel. Aljezur e todo o concelho sofreram uma enorme destruição com o terramoto de 1755. Afastando-se dos escombros da vila, o Bispo D. Francisco Gomes de Avelar, projectou e fez construir o templo da Igreja Nova ou de Nossa Senhora da Alva (situado em frente ao Castelo, do outro lado da ribeira de Aljezur), com o propósito de encontrar um espaço plano e arejado, não apenas para a Igreja mas também para o novo aglomerado urbano que deveria nascer e que desde aí se passou a denominar de “Igreja Nova”.

Características ambientais únicas, nomeadamente uma orla costeira bastante preservada associada a uma paisagem e cultura rurais tradicionais e uma elevada biodiversidade, motivaram a inclusão de cerca de metade da área do concelho de Aljezur na Rede Nacional de Áreas Protegidas e de praticamente toda a área na Rede Europeia para a Conservação da Natureza – Rede Natura 2000. Sendo uma zona de interface mar-terra, de enorme valor geológico e também uma zona de contacto de várias regiões biogeográficas, encerra uma grande variedade de comunidades de aves, mamíferos, invertebrados, plantas e peixes e de habitats, desde arribas escarpadas, a praias de areia fina e zonas de charneca, sapais, estuários, nomeadamente os das ribeiras de Aljezur, de Seixe e da Carrapateira, lagoas e cursos de águas temporários. A crescente procura turística durante a época estival é motivada pelas magníficas praias contidas no município. De facto, a orla costeira, apresenta praias tranquilas rodeadas pelo perfil serrilhado de altas arribas xistosas, ora prolongando-se terra adentro em dunas extensas (Amoreira, Monte Clérigo, Bordeira) ora formando conchas ou extensões de areia dourada ladeadas pelas rochas negras altaneiras (Odeceixe, Arrifana, Vale dos Homens, Vale Figueiras, Amado). Paraíso dos pescadores, dos surfistas e praticantes de bodyboard, assim como dos amantes da natureza, também famílias podem aqui desfrutar de umas férias agradáveis e tranquilas.

Inserido na Costa Vicentina, o concelho de Aljezur, com uma orla costeira com mais de 40 Km de extensão, apresenta um clima mediterrânico com influência marítima e uma temperatura média mensal que varia entre os 6º C, o mínimo do mês mais frio e os 29ºC, máximo do mês mais quente. A precipitação média anual é de 400 a 500 mm e a insolação de 2800 a 3000 horas anuais. Predominam os ventos de NW e de N. As praias rodeadas pelo perfil serrilhado de altas arribas xistosas, ora prolongam-se terra adentro em dunas extensas ora são conchas de areia dourada ladeadas pelas rochas negras altaneiras. Nesta costa poderá assistir a um magnífico pôr-do-sol. Paraíso dos pescadores, dos surfistas e praticantes de Bodyboard, assim como dos amantes da natureza, também famílias com crianças podem aqui desfrutar de umas agradáveis e tranquilas férias.




Gastronomia

             O concelho de Aljezur é rico em peixe (sargos, douradas, robalos) e marisco (desde os ouriços às lapas, sem esquecer o mexilhão e os tão apreciados perceves), bem como em caça (coelho, javali), em produtos da terra (principalmente a afamada batata-doce e o feijão) e as comidas da morte-de-porco. Daí que a gastronomia desta região seja baseada nestes produtos. Feijão ou couvada com batata-doce, papas mouras com “piques”, arroz de mexilhão, feijoada de búzios, sargos, douradas ou robalos cozidos ou grelhados no carvão, perceves, mexilhão, morcela frita, entre outros, fazem as delícias da gastronomia aljezurense, que pode ser apreciada nos bons restaurantes concelhios. Para acompanhar esta aventura gastronómica, vinhos brancos e tintos, produzidos pela Adega Cooperativa de Lagos, assim como um excelente vinho moscatel. A matéria-prima, constituída por magníficas e saborosas uvas, é produzida, na sua maioria, no concelho de Aljezur. Também aqui se produz uma boa aguardente de medronho, completando este quadro.
Como sobremesa destacam-se os pastéis, o bolo e o pudim de batata-doce, e os fritos, cobertos de uma calda de açúcar ou mel, também este um produto local. O amendoim, cultivado com grande expressão na freguesia de Rogil, é um aperitivo bastante apreciado e de excelente qualidade.

                                                                                                        Couvada com batata-doce
Feijão ou Couvada com Batata-DocePerceves
Perceves
Pudim de Batata-Doce
Pudim de batata-doce 



sexta-feira, 5 de julho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Almodôvar

Brasão de Almodôvar

Localização

        Almodôvar é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, é sede de um município com 777,88 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Castro Verde, a leste por Mértola, a sueste por Alcoutim, a sul por Loulé, a sudoeste por Silves e a oeste e noroeste por Ourique.


História :

         A origem de Almodôvar diluí-se na luminosidade dos campos alentejanos. Entre histórias e lendas é difícil atribuir à vila, com precisão, uma origem, uma cultura e uma época.  Na realidade, foram vários os povos que passaram pela Península Ibérica e marcaram, com o peso da sua cultura, as terras alentejanas. Almodôvar, no entanto, aparece pela primeira vez assinalada nos mapas do tempo dos Árabes ou Muçulmanos, com o nome de Al-Mudura. Almodôvar é a corrupção da palavra árabe Al-Mudura que significa "a coisa em redondo, ou cercada em redondo". E, de facto, Almodôvar foi reedificada pelos árabes no século VII, altura em que a vila foi cercada de muralhas e edificado um castelo, cujos vestígios, no entanto, desapareceram.   Almodôvar pertenceu ao mestrado de Santiago a quem concedeu Foral EL-Rei D. Dinis em 17 de Abril de 1285, o que demonstra ser esta vila, já nessa época um centro importante.
Concedia-lhe D. Dinis, nessa Carta de Foral grandes poderes entre os quais "o de o povo não pagar portagem em parte nenhuma" nem "os gados da vila e seu termo pagarem montas" como consta do Livro de Regimento de Verdes e Montados. Mais tarde, D. Manuel I, em 1 de Junho de 1512 deu novo Foral à vila, confirmando e ampliando os privilégios concedidos por D. Dinis. Este novo Foral concedia muito mais regalias, insenções e de prerrogativas mais latas. A igreja matriz é o mais imponente monumento da Vila de Almodôvar, na simplicidade das suas colunas toscanas, na riqueza dos altares laterais e na sumptuosidade do altar-mor, mandado construir por D. João V.
Mas para Almodôvar, há um acontecimento de grande valia e objecto de grande estima e orgulho: trata-se da existência aqui da primeira espécie de uma Universidade de Teologia do Sul de Portugal, que funcionou no Convento de Nossa Senhora da Conceição. Parte da Biblioteca desta Universidade encontra-se hoje na Câmara Municipal. O Convento referido que ainda hoje existe foi fundado em 1680 por Frei José Evangelista, lente jubilado da Universidade com os bens que herdou dos seus pais. Lançou a primeira pedra a 2 de Setembro de 1680. Apesar da riqueza histórica do Concelho de Almodôvar, é pelo afecto que se aprofundam e interiorizam todas as presenças do passado, longe dos estereótipos do mundo moderno. Almodôvar continua fiel às suas origens, às suas tradições, à sua história.

Bandeira de Almodôvar

Heráldica

Armas: De negro, com um castelo de ouro aberto e iluminado de vermelho. Orla de prata carregada por quatro abelhas de negro, realçada de ouro alternadas, com quatro bolotas de verde, troncadas e folhadas do mesmo. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres "Vila de Almodôvar", de negro.
Selo: Circular, tendo no centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro dos círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal de Almodôvar".
Bandeira
Esquartelada de amarelo, que representa o ouro, e vermelho. Cordões e borlas de ouro e de vermelho. Lança e haste dourada.
Abelhas: "A sua região é muito fértil, com (...) muitas colmeias (...). Tem várias indústrias, sendo rica em (...) cortiça (...)".
Castelo: "Vila antiga (...), tem o seu castelo de notável antiguidade e muralhas que fechavam os limites da vila".
Bolotas: "A sua região é muito fértil com grandes montados (...). Tem várias indústrias, sendo rica em (...) cortiça (...)"

Significado das cores das peças

O negro (Esmalte): do campo de armas e das abelhas, simboliza a terra e significa firmeza e honestidade.
O branco: da orla (da vila), representa a prata e significa humildade e riqueza.
O amarelo: do castelo, do realçado das abelhas e da bandeira, representa o ouro e significa fidelidade, constância e poder. 
O vermelho: da bandeira e da iluminação do castelo,  representa a luz (claridade).
O verde: das bolotas, significa fé e esperança.

Cultura e Turismo

 Barragem do Monte Clérigo 

Situada a apenas 5 km da Vila de Almodôvar é um local de beleza inolvidável. Um espelho de água de perder de vista onde são permitidas a prática de algumas actividades como a pesca desportiva ou a canoagem. Valerá a pena ainda percorrer o seu leito e deslumbrar-se a fauna e floras que o envolve. Durante o ano poderão ser observadas algumas aves aquáticas como patos-reais (Anas platyrhynchos), galeirões (Fulica atra), mergulhões-pequenos (Tachybaptus ruficollis), e até garças-brancas (Egretta garzetta) e garças-reais (Ardea cinerea) que aqui poderão poisar em busca de algum peixe ou anfíbio.     

Pêgo da Cascalheira

Localizada na Freguesia de Santa Cruz, este é um local fantástico, onde poderá apreciar as águas límpidas que atravessam a Ribeira do Vascão, e descobrir os moinhos de água e os açudes existentes. Pertencente à Zona de Protecção Especial do Vale do Guadiana, pois alberga alguns espécimes raros, a ribeira do Vascão é uma zona rica e protegida que merece uma atenção especial, já que aqui se encontra, por exemplo, um dos últimos redutos do saramugo (Anaecypris hispânica), peixe típico do Guadiana e que pode estar prestes a desaparecer.

Igreja Matriz de Santo Ildefonso

A escolha de Santo Ildefonso (monge e abade do mosteiro beneditino de Toledo, e depois bispo da mesma cidade, que viveu no século VII) como padroeiro da paróquia de Almodôvar constitui um interessante reflexo da presença da espiritualidade monástico - militar no Baixo Alentejo, difundida pelos freires da Ordem de Avis que seguia a Regra de São Bento. 
Porém, a primitiva igreja matriz desta vila, pertencente em tempos ao padroado real, foi doada por D. Dinis, no ano de 1297, à Ordem de Santiago. Esta teve aqui uma das suas colegiadas, formada por um prior e três beneficiados. 
O templo actual, traçado em 1592 pelo arquitecto Nicolau de Frias, constitui um exemplo muito elaborado da tipologia de “igreja-salão”, com três naves de quatro tramos cobertas de abóbadas, revelando grande sentido de unidade espacial. O desenho rigoroso da lanimetria, o ritmo da composição dos alçados e a própria atenção conferida ao tratamento dos pormenores, como as seis colunas toscanas em que assentam as arcarias de vulto perfeito, são bem reveladores do sentido de depuração classicizante atingida por este modelo nos finais do século XVI, em consonância com a austeridade da Contra-Reforma.
D. João V determinou uma remodelação parcial do edifício, assim descrita em 1747 pelo Padre Luís Cardoso: “porque a capela-mor se achava arruinada, e por sua pequenez fica imperfeito o edifício da igreja, que é o maior templo desta
comarca, foi Sua Majestade servido mandar pelo Tribunal da Mesa da Consciência, e Ordens, se derrubasse, e se fizesse regular ao restante da igreja, e se acrescentasse tribuna, que de presente se anda fazendo”. Estas obras vieram a ser completadas com a encomenda à oficina do entalhador eborense Sebastião de Abreu do Ó dos sumptuosos altares de talha dourada e policromada da nave, cuja riqueza denota pujança das diversas confrarias e irmandades da matriz.
Nos séculos XIX e XX realizaram-se outras intervenções de vulto que modificaram substancialmente a fábrica maneirista, a última das quais teve lugar na década de 1950. Data de então o painel de Severo Portela, representando o Baptismo de Cristo no Jordão, que ornamenta o baptistério.
A paróquia de Almodôvar conserva na igreja um importante acervo de alfaias litúrgicas, em parte oriundo do antigo Convento de Nossa Senhora da Conceição da mesma vila, que pertenceu à Ordem Terceira de São Francisco.

Convento de Nossa Senhora da Conceição

Situado a este da vila, pertencia à Ordem Terceira de S. Francisco e foi fundado em 1680, por Frei Evangelista, lançando-se a primeira pedra a 2 de Setembro daquele ano. Todos os seus altares são de talha dourada, dos finais do século XVII e princípio do século XVIII. O tecto da capela-mor está pintado, esta capela tem ainda três quadros: um com o presépio e dois relacionados com o Casamento da Santíssima Virgem com S. José. Por baixo dos quadros existem dois extensos painéis de azulejos de cor, predominantemente azul. À entrada do templo está colocado um órgão de tubos, de estilo oriental. Esta igreja tem apenas uma pequena torre sineira, no frontispício.

Artesanato
O Concelho de Almodôvar é bastante rico no que diz respeito às artes tradicionais pouco conhecidas do público, onde nascem peças únicas das mãos do artesão e que são inspiradas no imaginário popular e nos costumes desta região.
Algumas destas artes já desapareceram e outras encontram-se em vias de extinção, facto que deriva do aparecimento de novas tecnologias e da produção industrial em massa, a qual prima pela quantidade…em prejuízo da autenticidade.
Calçado, cadeiras, queijos, meias de linha, mantas de lã, albardas e malhins, aguardente de medronho, bonecas, miniaturas, mantas de retalhos, mel e seus derivados, trabalhos em tear, ferraria, fabrico de linho, fabrico da cal, latoaria, cestos , colchas de linho, carroças, telhas de canudo…tudo se fazia no Concelho de Almodôvar há pouco mais de 25 anos…
Existia uma variedade imensa de artes e ofícios, de entre os quais se destacavam os sapateiros, as tecedeiras, os ferreiros, os latoeiros, os padeiros, os moleiros, os albardeiros, os alfaiates, os apicultores, os cesteiros, os tosquiadores e os abegões.
A indústria do calçado artesanal teve grande impacto no Concelho almodovarense e há cerca de 50 anos eram mais de 60 os sapateiros. De referir que existiu em Almodôvar, o primeiro Sindicato Nacional de Sapateiros, fundado em 1942, o qual chegou a ter 200 associados, facto bem demonstrativo da importância que este ofício assumiu. Hoje, ainda se encontram alguns sapateiros artesanais que se encontram no activo. 
Actualmente, das restantes artes e ofícios, há que destacar as mantas de lã e de retalhos, os artigos de cartucheira, os trabalhos em latoaria e a cestaria que saem das preciosas mãos dos artesãos e que se transformam em memórias inesquecíveis da tradição e cultura do povo almodovarense.


Gastronomia
                                                                                                        Sopa de Lebre
Sopa de LebreAçorda de Perdiz
Açorda de Perdiz

                                                                                                         Pupias Caiadas
Pupias CaiadasPastéis de Requeijão
Pastéis de Requeijão