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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Serpa

Brasão de Serpa

Localização

        Serpa é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, é sede de um dos maiores municípios de Portugal, com 1 103,74 km² de área e  subdividido em 7 freguesias. O município é limitado a norte pelo município da Vidigueira, a nordeste por Moura, a leste pela Espanha, a sul por Mértola e a oeste por Beja.



História

       Serpa já era povoada antes do domínio dos Romanos, contudo foram estes que fomentaram o desenvolvimento do concelho, em especial a nível agrícola. Em 1166 foi conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques, tendo sido perdida por várias vezes nas constantes lutas da Reconquista. Sem mergulhar demasiado nas origens da antiga organização administrativa do concelho, refira-se que a documentação escrita só nos finais do século XIII consagra a área do termo. Assim, em 1281, quando Serpa e todas as terras da Margem Esquerda do Guadiana estavam ainda sob domínio de Castela, Afonso X estabeleceu a demarcação do concelho, para melhor se povoar, e atribuiu-lhe o primeiro foral, o de Sevilha.
Ao fim de um século de peripécias militares e diplomáticas, com a Reconquista cristã do Alentejo, Serpa recebe de D. Dinis, em 1295, nova carta de foral. Do ponto de vista económico, as disposições do documento indicam que a pastorícia e a agricultura eram as actividades fundamentais. Quanto ao comércio, era o pão e o vinho, os panos de lã e linho, o pescado... e o mouro vendido em mercado.
O foral dionisino revela ainda uma sociedade em reorganização, onde é grande a tensão social e política. Vejam-se as penas que oneravam as violações, o roubo de objetos e de terras e até as dificuldades na travessia de barco do Guadiana, de uma para a outra margem. Mas nem só a travessia do Guadiana era vigiada. Os caminhos também não eram seguros e o foral pretende garantir a protecção da actividade mercantil, em particular a movimentação de mercadores, judeus, cristãos ou mouros.
Outra ideia que se retira do foral de D. Dinis é a da estrutura social vigente, profundamente desigual. Mesmo aqueles que tinham direitos políticos, os vizinhos do concelho, estavam divididos pelos bens em cavaleiros e peões. Pouco a pouco, mesmo entre os vizinhos, começa a definir-se o grupo mais poderoso dos homens bons e, mais tarde, ainda nestes, os homens honrados de boa fazenda. Na base social, sem direitos políticos, ficavam os mesquinhos, os mancebos, os solarengos e escravos. Os diferentes níveis sociais não eram, evidentemente, estanques e regista-se mesmo uma intensa mobilidade social. 
Do ponto de vista da organização administrativa e judicial, o concelho era dirigido por dois juizes, eleitos na assembleia dos vizinhos, sendo depois a eleição ratificada pelo rei. Mas uma disposição do foral proíbe que o gentile, ou seja, o estrangeiro ou pagão, possa exercer o cargo.
Em 1513, Serpa recebe foral de D. Manuel que, antes de ser rei, tinha sido senhor de Serpa. Este foral pouco fala da organização e da atividade política e social do concelho. Insiste principalmente na carga fiscal. De qualquer modo, a leitura do foral manuelino sugere que Serpa era, no início do século XVI, um povoado florescente onde persistia a pastorícia como actividade de grande relevância mas em que o artesanato e a atividade comercial atingem um alto desenvolvimento. Vale a pena determo-nos sobre a atividade artesanal dos habitantes do concelho. Fabricavam-se pelicos, mantas, material de empreita, materiais de ferro, ferramentas. O monarca isentava de tributo as matérias primas usadas na atividade artesanal. A lista de produtos transacionados é impressionante e se já não há mouros da Reconquista a vender no mercado não faltam os novos escravos, marroquinos e do Sára e principalmente da África negra. Serpa era, no século de D. Manuel, um dos mais importantes portos secos do reino. Escrevia um autor espanhol da época que de Castela para Portugal existiam então duas estradas principais: uma vinha de Salamanca para Cáceres e daí para Évora e Lisboa; a outra, partia de Sevilha e por Serpa e Beja seguia também para Lisboa.
A propósito do foral manuelino refira-se que em meados do século XVI o Alentejo concentrava o maior número de centros urbanos do país, com uma intensa atividade artesanal e mercantil, e era, a nível nacional, a província que mais contribuía, com 27%, para as receitas do Estado.
Nesse quadro, Serpa apresentava-se, na centúria de Quinhentos, como uma das mais importantes vilas do Alentejo e do próprio reino, cujo desenvolvimento assentava na agricultura dos cereais e do gado mas também no artesanato poderoso, voltado para o comércio, e numa aliança muito estreita com o rei.
No século seguinte, Serpa quase duplica a sua população, o que está de acordo com a evolução geral do país. De facto, nos séculos XVI e XVII, as terras de fronteira, o interior, estão muito longe da desertificação pois a fronteira não trava ainda as ligações entre Portugal e Espanha.
Em 1674, o príncipe regente, futuro rei D. Pedro II, confere à vila o título e os privilégios de "Vila Notável", justificados pelo número de moradores – mais de mil e quinhentos -, pela nobreza das gentes, saindo dela muitos homens insignes, tanto nas letras como nas armas, e pela posição militar estratégica que ocupava, junto à linha de fronteira, em ocasiões de guerra. Esta última situação, aliás, fez com que o concelho fosse particularmente afectado pela insegurança e as destruições provocadas progressivamente pelas guerras da Restauração de 1640/48, a guerra da Sucessão de Espanha, entre 1703 e 1713, e as invasões napoleónicas, em 1801 e 1814.
Em meados do século XVIII, o concelho perde preponderância militar e, ao contrário do resto do país, a sua população não aumenta, talvez pelas inúmeras situações de crise registadas devido a maus anos agrícolas. No final da centúria de Setecentos o concelho está mais próximo do século XVII do que do século XIX. O antigo regime económico mantém-se e com ele as desigualdades sociais. As terras férteis do concelho estão nas mãos dos grandes proprietários, que controlam a vida municipal, e constitui-se uma massa crescente de camponeses sujeitos a crises cíclicas de trabalho e a uma situação de subsistência miserável. No dealbar do Século das Luzes, o país, em geral, e Serpa e a sua região, em particular, estão muito longe da "Luz" que tanto referem os homens desse tempo. Ironicamente, um deles, o Abade Correia da Serra, nasceu em Serpa, em 1751. Nos séculos seguintes ter-se-á verificado uma concentração cada vez maior das propriedades nas mãos dos grandes senhores, que, salvo raras excepções, aplicam os seus lucros fora da região. Durante a segunda metade do século XIX, a multiplicação dos desbravamentos, não só das terras boas mas também das terras improdutivas, a que chamavam galegas, e depois, nos anos 30 e 40 do século XX, a célebre Campanha do Trigo, que estendeu a sua cultura mesmo às vastas regiões de xisto, tiveram consequências desastrosas. Desequilibraram o frágil sistema produtivo baseado na complementaridade da pecuária com as actividades recolectoras e com o cultivo intenso das hortas e não resolveram o problema de uma economia que servia os interesses de quem vivia fora do Alentejo. Talvez resida aqui a verdadeira dimensão do isolamento que afecta a região.

Bandeira de Serpa

Heráldica

Armas - Escudo de azul, com um castelo lavrado de prata, aberto e iluminado de negro sobre uma serpe alada de prata, realçada de negro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres " notável vila de serpa " a negro.


Bandeira - Esquartelada de branco e de preto. Cordões e borlas de prata e de negro. Haste e lança douradas. Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação de esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "CÂMARA MUNICIPAL DE SERPA".


Cultura e Turismo

        Serpa, terra fronteiriça de conflitos frequentes, era, às vésperas da "Reconquista", um povoado fortificado importante, dominando férteis terras de cultivo. A velha muralha, implantada no cume de uma pequena elevação, delimitava uma área com cerca de 21000 m2. Nos finais do século XIII, D. Dinis, num esforço de reorganização cristã do Alentejo, refunda a vila muçulmana e manda construir de raiz o alcácer e uma imponente Cerca urbana com 65000 m2.
É bem possível que a própria torre sineira da Igreja de Santa Maria, que envolve no seu interior uma estrutura cilíndrica, seja o testemunho vivo da almádena da antiga mesquita.
Sinais do passado islâmico conservam-se ainda nalguns troços de muralha em taipa e em duas torres: a da Horta, parcialmente reaproveitada nas obras do castelo gótico, e a do Relógio, transformada em 1440 em torre relojoeira, ao que se supõe, a terceira mais antiga do país.
A primeira representação iconográfica de Serpa é composta pelos desenhos de Duarte de Armas feitos, por encomenda régia, no início do século XVI. Duarte de Armas fixou a imagem do espaço urbano tardo-medieval registando duas perspectivas de Serpa (da banda de leste e da banda do oeste) e uma planta da fortaleza. Retém-se, assim, a imagem de uma vila contida por dupla cintura de muralhas, a muralha principal e a barbacã, em que poucas são as casas com menos de um piso, o que significa que pertenciam a "fidalgos, cavaleiros e escudeiros e outra gente grossa". A cerca, que evidencia um traçado de tendência reticulada que permanece ainda legível no atual núcleo, surge interrompida por três portas que tomam o nome dos caminhos que delas partiam: Beja, Moura e Sevilha.
Nesse século XVI, a vila de Serpa apresentava-se como centro urbano de certa importância no contexto sub-regional. Na primeira década da centúria, o povoado, com cerca de 500 fogos (2 500 habitantes) já se havia expandido extra-muros, em direção à Igreja de São Salvador, abrindo-se para o efeito a Porta de São Martinho e edificando-se uma ermida sob a mesma evocação.
Dos edifícios criados nesse período, prova do efetivo crescimento do aglomerado, destaca-se, em 1502, a Igreja de São Francisco, feita sob risco do arquitecto Rodrigo Esteves, e o Convento de S. Francisco.
Também nos alvores de Quinhentos, em 1505, é erguido o complexo da Misericórdia, que incluía "igreja pequena, mas notavelmente adornada de talha e ouro, pedra fingida e fino azulejo".
Poderão ainda datar dos primeiros anos do século XVI as ermidas de São Pedro, São Sebastião, Nossa Senhora de Guadalupe e São Roque, edifícios característicos da interpretação regional da linguagem manuelina. Nos finais da centúria ergue-se, no lugar de uma capela dedicada a Santo André, a Igreja de Nossa Senhora da Saúde, que reflete a arquitetura do maneirismo pós-tridentino regionalmente implantada. A marcada austeridade exterior contrasta com a sumptuosidade do barroco que se descobre no seu interior, na azulejaria polícroma e no retábulo de talha dourada de 1681-1683.
Sobre o pano Este da muralha medieval, nos últimos anos do século XVI, Francisco de Melo, alcaide-mor de Serpa, manda construir o edifício que dá hoje pelo nome de Palácio Ficalho, construção onde é patente uma grande austeridade e a continuação de soluções maneiristas, depuradas, que caracterizam o designado estilo chão, mas onde se sente o espírito barroco na relação com o tecido urbano.
Para levar água em exclusivo ao palácio foi levantado sobre o mesmo pano da muralha um aqueduto sobre arcada de vão redondo que continua até à extremidade Sul, onde remata numa gigantesca nora apoiada no bocal de um poço. Depois dos conturbados anos que se seguiram à Restauração, anos de guerra e de consolidação da independência, a vila de Serpa é palco de novo surto construtivo marcado, naturalmente, por preocupações de defesa, mas não só. No século XVII tem lugar a reconstrução, concebida em solução maneirista, das igrejas de São Salvador e de Santa Maria, edifícios cuja construção remontava ao século XIV, pois há a certeza de já existirem em 1406, mas que conservam dessa época vestígios esparsos.
Construções de raiz deste ciclo tardo-maneirista, a Igreja e Convento de São Paulo foram iniciados nos finais de Seiscentos a expensas do benfeitor Manuel Fialho, um natural da vila que "mandou das Índias de Castela, onde era muito rico, um donativo tão grande para a obra do convento, que se erigiu formoso templo pelo risco da igreja dos Paulistas da Corte, ainda que menos grande e menos sumptuoso". As obras prolongar-se-iam pela centúria seguinte. Nesse final de século ergueu-se ainda o Calvário, edifício de planta circular e cobertura em cúpula, com pedras irregulares incrustadas nas paredes exteriores, de marcado pendor vernacular, e a Capela de Nossa Senhora dos Remédios, em estilo chã, que possuía "capela-mor cheia toda de agradável e custosa talha dourada".
Como resultado da participação de Portugal na Guerra da Sucessão de Espanha, a vila foi tomada em 1707 pelos espanhóis, que se retiraram no ano seguinte não sem antes provocarem grandes danos, sobretudo no castelo e na cerca urbana. Aliás, a explosão da torre de menagem produziu umas belas e surpreendentes ruínas. Ao contrário do resto do país, a população da vila não aumentou ao longo de Setecentos, talvez devido à excessiva sensibilidade da economia local às flutuações da produção de trigo, que criaram inúmeras situações de crise, sobretudo na segunda metade do século. Apesar de tudo, a urbe não perdeu importância social. Em 1758 eram registados 5576 habitantes,e via-se ser vila "notável e de avultado crédito" pelas "casas das pessoas de primeira grandeza".
O surto construtivo parece ter esmorecido nesta época e, ao contrário do que aconteceu em outras zonas do país, os danos provocados pelo terramoto de 1775 foram de pouca monta, não obrigando a obras de envergadura. No entanto, poderá datar desta centúria a remodelação da igreja da Misericórdia e da igreja de Santa Maria. Não se pode também esquecer que no final de Setecentos é construída intramuros a igreja de Nossa Senhora do Carmo, conhecida por Santuário, interessante testemunho da arquitectura neoclássica no Baixo Alentejo. Capelas, igrejas e conventos não faltam, pois, não só na cidade e seus arrabaldes como em toda a dimensão do termo do concelho. Espalhados pelo território encontram-se vários exemplares de arquitetura religiosa popular de feição regional datados do século XVI. Há que referir, assim, a Ermida de Santa Luzia, a cerca de 2 kms de Pias, na estrada para Moura, a Ermida de Santana, que conserva praticamente íntegra a sua estrutura original de inícios de Quinhentos, a Igreja Paroquial de Santa Iria, pequeno templo paroquial que apresenta pinturas murais maneiristas atribuídas a mestres eborenses, a Ermida de São Jorge e a Ermida de Nossa Senhora das Pazes, em Vila Verde de Ficalho, a Capela de Nossa Senhora da Consolação, em Brinches, templo mariano quinhentista remodelado no século XVIII, e a Igreja Matriz de Brinches, construção tardo-medieval onde se destaca um excelente portal maneirista, a Ermida de São Brás, na estrada Serpa-Pulo do Lobo, a Igreja de São Sebastião, em Vale de Vargo, edifício manuelino que sofreu obras no século XVII, e, apesar de muito arruinada, a Igreja de Santo Estevão. Mais tarde, no século XVIII, edifica-se em Vila Nova de S. Bento uma Igreja Matriz, templo barroco reconstruído nos inícios do século XX, e, sobre vestígios de uma igreja manuelina, junto ao cemitério da vila, a também barroca Igreja de São Bento. A Igreja Matriz de Vila Verde de Ficalho, cuja construção arranca nos finais da centúria de Setecentos, apresenta pontos de contacto estilístico com a igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Serpa. Não ficaria bem rematar o rol monumental do concelho sem uma menção aos moinhos de corrente do Guadiana, Chança e Enxoé, jóias da arquitetura popular, bem como às ruínas das velhas torres de vigia ou atalaias e à Torre Sineira de Pias, erguida no século XIX, e que pertencia a uma igreja que nunca chegou a ser concluída.

Terra de invejáveis recursos, tão diversificados como a fertilidade agrícola das suas terras, a riqueza mineral do seu solo, o potencial cinegético das suas serras e montados, ou piscícola dos seus rios e ribeiros, o concelho de Serpa e áreas limítrofes tudo tinham para oferecer, atrair e fixar o homem. Interior mas não isolada, esta região é rasgada por uma das mais importantes vias fluviais do extremo ocidental da Península – o Guadiana – que, como via de comunicação, interligou regiões, gentes e costumes.
Ignora-se ao certo a altura em que, pela primeira vez, o homem percorreu e ocupou as terras do atual concelho de Serpa. Ainda que muito mal conhecidos e bastante fragmentários, os mais antigos testemunhos humanos atribuíveis a contextos cronológicos de relativa segurança remontam ao Neolítico (V/IV milénio a.C.). Envolvendo, por certo, diferentes e complementares estratégias de exploração do território, essas primeiras comunidades, organizadas em pequenos grupos, parecem ter privilegiado a proximidade dos recursos hídricos (Enxoé e barrancos subsidiários). Ao longo do IV milénio a.C., mas particularmente no seu final e na transição para o milénio seguinte, assiste-se à paulatina fixação das comunidades à terra.
Comunidades de pastores e agricultores, ainda semi-deambulantes, instalam-se em sítios que ocupam amplas áreas abertas, no topo de plataformas ou em suaves colinas e suas encostas, de baixa altitude, à volta das curvas de nível dos 80/140 m, sem quaisquer sérias condições naturais de defesa. Alguns dos povoados existentes continuarão ocupados durante parte do III milénio a.C. (Calcolítico), mas outros, com características topográficas distintas, ocupando zonas de difícil acesso ou naturalmente defendidas, são agora fundados de raiz. Por outro lado, no final do milénio, os achados arqueológicos expressam já uma maior interacção entre as comunidades. As necrópoles deste período são praticamente desconhecidas no concelho. Em contrapartida, para o II milénio a.C. (Bronze) não se conhecem os povoados coevos das diversas cistas disseminadas por quase todo o termo de Serpa, quer em áreas aplanadas e férteis, quer em zonas de relevo acidentado e de solos inaptos à agricultura.  Só à medida que se aproxima o final do II milénio a.C., e na viragem para o seguinte, se voltam a encontrar os vivos, perdendo, contudo, e até ao período romano, o rasto dos mortos. Os povoados pautam-se agora pela diversidade – em implantação, dimensão e funcionalidade -, acompanhando o evoluir da própria especialização, hierarquização e complexificação da sociedade. A par de discretos povoados sem defesas naturais ou ocupando pequenos cabeços inseridos em suaves ondulações, surgem outros de altura, natural e/ou artificialmente defendidos, segundo um modelo de ocupação concentrada. O aparente colapso dos povoados do Bronze Médio parece repetir-se por meados do I milénio a.C., visto que, após as ocupações decorridas durante os primeiros séculos deste milénio, só se voltam a identificar vestígios atribuíveis aos séculos IV e III a.C., isto é, à II Idade do Ferro. São enormes os povoados desta época mas ignora-se como se estruturavam económica e socialmente. Conceição Lopes e Pedro Carvalho defendem que Serpa e Fines (Vila Verde de Ficalho), pela importante posição que ocupavam no eixo da grande via pública Pax Iulia (Beja) – Onuba (Huelva), terão sido aglomerados urbanos secundários do vasto território da civitas de Pax Iulia .
Estes dois sítios, com vestígios arqueológicos que lhes conferem uma certa importância, poderão corresponder a mansiones, ou seja, estações de muda e pousadas para acolher viandantes no termo de uma jornada. Esta hipótese é sugerida pelo facto de distanciarem entre si cerca de XX milhas (29,3 km), extensão que, nessa época, se inscreve dentro dos limites geralmente preconizados para um dia de marcha.
No termo do concelho, as villae , propriedades de 200/400ha, localizavam-se, maioritariamente, em suaves encostas, próximo de barrancos, nas áreas de solos com boas aptidões agrícolas (solos do tipo A e B, sobretudo), próximo das vias principais ou com fácil acesso a estas.
Por seu turno, os casais, unidades autónomas de exploração familiar, em média de 50ha, surgiam na transição dos solos de boas aptidões agrícolas para os solos pobres (tipo E), em áreas onde o relevo se tornava mais ondulado, ocupando aí, quase sempre, o topo de cabeços. Relativamente às villae posicionavam-se na sua periferia, desenhando como que uma cintura entre os terrenos ocupados por estas e os solos pobres, vazios de povoamento nesse período.  Os pequenos sítios surgem na paisagem em posição bastante homogénea, ocupando, quase na totalidade, o topo de pequenos outeiros. Não seriam pequenas unidades economicamente autossuficientes mas sim modestas construções afetas às propriedades de villae e casais que tinham a função de servirem as necessidades pontuais das explorações. Por último, no que se refere às necrópoles, são muito poucas aquelas que se conhecem no espaço do concelho. Apenas os monumentos epigráficos permitem conhecer melhor os mortos na região de Serpa. E eles apontam no sentido de se haver instalado desde os primórdios da "ocupação" romana gente oriunda diretamente da Península Itálica e do Norte de África. Nesse sentido, o termo de Serpa dá exemplo ímpar duma aculturação precoce em que colonos e indígenas e, curiosamente, até o rural e o urbano, se entrelaçam na intimidade.

Serpa integra a entidade Turismo do Alentejo, E.R.T. e os Itinerários de Turismo Cultural "Terras da Moura Encantada" e "Rota do Manuelino", promovidos pelo Programa de Incremento do Turismo Cultural (Direção-Geral do Turismo) em parceria com a organização internacional "Museu sem Fronteiras". Estes itinerários convidam o público a viajar pelo país para conhecer, nos seus contextos originais, os mais importantes monumentos, conjuntos arquitetónicos, sítios arqueológicos e museus.
O concelho é detentor de um conjunto ímpar de valores naturais mas, até à data, apenas uma parte do seu termo está inserida numa área protegida – o Parque Natural do Vale do Guadiana, criado em 1995.
Com um clima mediterrânico, a tender para o semi-árido, a região tem verões secos e quentes com temperaturas médias de 25º, mas em que a temperatura máxima pode ultrapassar os 40ºC. Os invernos apresentam temperaturas médias de 8º, com temperaturas mínimas frequentemente negativas. A precipitação é fraca e em média não ultrapassa os 400mm, concentrada nos meses de Novembro a Janeiro. A insolação é elevada, com valores médios anuais entre 3000 a 3100 horas.
No que toca às principais acessibilidades, a sede do concelho e dois dos aglomerados de maior dimensão (Vila Nova de S. Bento e Vila Verde de Ficalho) são atravessados no sentido Oeste-Este pelo IP8 (coincidente com a EN260), que divide o concelho praticamente ao meio.
A ligação aos outros concelhos da Margem Esquerda, é feita, para Norte, na direção de Moura pela EN255, e, para Sul, na direção de Mértola pela EN265.






Gastronomia

           m Serpa e freguesias do concelho, a cozinha radica a sua qualidade no requinte e apuro da confeção. Tem como base fundamental o pão excelente que acompanha, em saborosa sintonia, a carne de borrego e a de porco, bem como espécies cinegéticas como o coelho, a lebre, a perdiz e o javali. A tudo se junta uma gama criteriosa de temperos: o azeite, a banha de porco e as ervas aromáticas como a salsa, a hortelã, o coentro, o poejo, a hortelã da ribeira, o orégão, entre outros. Desta aparente singeleza de meios, resultam os pratos tradicionais da região como as "migas", a "açorda", o "borrego à pastora", as "lavadas" (sopa fria de tomate pisado), o "gaspacho" (chamado aqui de "vinagrada"), as "masmarras" (papa quente de pão e alho), os "grãos com alho e louro", a "surra-burra" (na época da matança do porco), as "caldeiradas de peixe do rio". Há ainda a salientar dois produtos naturais de criação espontânea e raro paladar: os espargos, que podem ser colhidos nos olivais da planície, e os cogumelos, apanhados na zona bravia da Serra. 
Oferece-lhe Serpa como sobremesas, a fruta e os doces. Da fruta há que distinguir o melão, de sabor notável, dada a generosidade do solo e as condições do clima. E nos doces a tarte de requeijão. A compor a carta de iguarias não devem esquecer-se os bons vinhos locais, de que se distinguem os tintos, encorpados, de cor escura e gosto suave, premiados a nível nacional. Está assim constituído o quadro que pode levar o visitante a desfrutar o prazer de bem comer, ato de cultura que aqui se dignifica pela originalidade da confecção e qualidade dos produtos. Para tal, na sede do concelho e nas suas freguesias, os restaurantes existentes podem conduzir à descoberta de exemplos que enobrecem a verdadeira cozinha alentejana.
                                                                                                          Borrego à Pastora 
Borrego à PastoraLavadas
Lavadas 

                                                                                                        Queijadas de Requeijão 
Queijadas de RequeijãoTurtas
Turtas


terça-feira, 25 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Beja

Brasão de Beja

Localização

       Beja é uma cidade portuguesa, capital do Distrito de Beja, na região Baixo Alentejo, e pertencente à NUTS III Baixo Alentejo, sedia a Diocese de Beja, é sede de um dos maiores municípios de Portugal, com 1 147,14 km² de área e subdividido em 18 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios de Cuba e Vidigueira, a leste por Serpa, a sul por Mértola e Castro Verde e a oeste por Aljustrel e Ferreira do Alentejo.


História

         A cidade de Beja implanta-se num morro com 277m de altitude, dominando a vasta planície envolvente. O campo surge, assim, como uma fronteira natural entre a vida urbana e a vida rural. Esta realidade marca a vida deste povoado desde a sua fundação, algures na Idade do Ferro. Prova cabal desse momento é o troço de muralha proto-histórica descoberta no decurso das escavações da Rua do Sembrano. Achado da maior importância, dissiparia todas as dúvidas sobre a pré-existência de um povoado anterior à ocupação romana; contudo, continuamos sem saber que povo aqui estaria nem tampouco possuímos qualquer informação sobre a forma como se organizava o espaço pré-urbano.
A cidade de Pax Julia terá sido fundada ou por Júlio César ou por Augusto. Foi capital do conventus Pacensis e administrou juridicamente uma das regiões que constituíam a província da Lusitânia (as outras duas capitais eram Santarém e Mérida). Foi também uma Civitas, ou seja, cidade responsável pela administração de uma região (tratava-se de áreas mais ou menos equivalentes aos nossos distritos) e Colonia. Sem dúvida estamos na presença de uma cidade elementar no funcionamento da grande máquina administrativa que foi a regionalização romana. Tratando-se de uma cidade com o estatuto já mencionado, estava equipada com um conjunto de edifícios muito importantes. O espaço por excelência onde se tratava a administração jurídica provincial era o Fórum, do qual também fazia parte o templo dedicado ao culto imperial. No caso de Beja, o Fórum localizava-se junto à actual Praça da República, como testemunharam as escavações realizadas por Abel Viana quando se construiu o actual depósito de água (na altura foi identificada uma enorme estrutura que se interpretou como parte das fundações do templo imperial). A importância dos diversos achados que se têm verificado em vários sítios da cidade confirmam-nos a existência de outros edifícios, tais como o teatro, anfiteatro, o circo, as termas, etc., embora a localização para estes espaços continue na esfera das hipóteses. Certamente que a cidade romana sofreu alterações ao longo do tempo, os seus principais espaços adaptar-se-iam às novas regras e modas que sopravam de outros pontos do império. A mudança de poder não lhe retirou importância. Durante o período de domínio visigodo manter-se-ia como uma das principais cidades do Ocidente, ainda era um centro administrativo regional e cabeça de bispado. Desta fase, ficou-nos a pequena, mas importante, Igreja de Santo Amaro, onde está instalado o Núcleo Visigótico do Museu Regional, cuja colecção é constituída por peças provenientes da cidade e do campo. O povo germânico terá contribuído para a conservação e manutenção dos espaços públicos e privados. A cidade é referida pelos autores árabes, não só pela sua importância mas também pelos belos edifícios que possuía, assim como pelas vias grandes e bem conservadas que a ela levavam. No entanto é a partir deste momento que a configuração da cidade sofrerá as mais profundas alterações: a sua forma ortogonal vai-se alterando e ganhando uma forma radial. Infelizmente da cidade muçulmana pouco sabemos: os vestígios são mínimos, encontrando-se, desta época, apenas uma ou outra inscrição funerária e alguns artefactos. A cidade entra em declínio sensivelmente a partir do século XI: não é mais o centro administrativo e religioso, perdendo prestígio a favor de cidades que ganhavam cada vez maior importância, como era o caso de Évora.
O processo da Reconquista fez-se sentir de forma muito violenta. As muralhas foram completamente destruídas, a cidade quase deixara de existir. O Foral de D. Afonso III é muito claro: havia que repovoar a cidade e reconstruir as suas muralhas; a cidade ficaria dotada com um novo sistema defensivo, constituído pelo castelo com torre de menagem e novo pano de muralhas. Com a fundação do Ducado de Beja projecta-se uma nova fase. Os primeiros Duques de Beja, Infantes de Portugal, vêm residir para a cidade alentejana, onde fundam o Convento de Nossa Senhora da Conceição. Junto a este edifício surge o Palácio dos Duques de Beja (Palácio dos Infantes), que terá sido um bom exemplo da arquitectura mudéjar. Como reflexo deste novo impulso, à sua volta iriam surgir novos conventos e palácios que marcariam a diferença entre a Beja velha e destruída e um novo espaço que surgia. O momento áureo deu-se, sem dúvida, com a ascensão de D. Manuel I a rei. Tratando-se do segundo Duque de Beja, desenvolveu um forte processo de nobilitação desta cidade. Assiste-se à reabertura de um novo espaço, a Praça D. Manuel I, para onde se deslocam os Paços do Concelho, que haviam funcionado junto à Igreja de Santa Maria e promove-se também a construção do primeiro Convento-Hospital de Nossa Senhora da Piedade ou da Misericórdia no lugar da antiga Gafaria. Este trabalho de recuperação teria continuidade com o Infante D. Luís III, Duque de Beja, que foi o patrono da construção da Igreja da Misericórdia, cuja loggia constitui um dos expoentes máximos da arquitectura do Renascimento em Portugal. Podemos afirmar que a cidade respirava um novo ar com a promoção a que assistia. A classe dirigente local não acompanhou, contudo, este processo progressista. Beja voltaria a desenvolver-se muito lentamente, esquecida na planície alentejana. As obras que marcam a cidade são pontuais, vivendo-se momentos pequenos de falsas esperanças ao desenvolvimento que nunca chega. O segundo processo destrutivo a que assistimos dá-se precisamente nos finais do século XIX continuando pelo séc. XX. Sob a batuta do Visconde da Ribeira Brava, imbuído de um espírito vanguardista, decide-se "modernizar" a cidade, despojando-a dos edifícios velhos numa tentativa clara de criar novas ruas abertas e largas. O resultado foi que a cidade perdeu metade dos seus emblemáticos edifícios, como por exemplo, no Largo dos Duques de Beja, o Palácio dos Infantes. Na sua continuidade encontra-se o Convento de Nossa Senhora da Conceição, que ficou reduzido a menos de metade, salvando-se a Igreja o Claustro menor e a sala do Capítulo. Com ligação a este Convento encontrava-se outro, o Hospital Convento de Santo Antonino e nas suas proximidades a Igreja de São João. Todo este conjunto foi simplesmente arrasado. Mas a vontade de progresso far-se-ia sentir ainda noutros espaços, já que outros conventos tiveram o mesmo fim, destruindo-se a memória dos tempos clericais. A cidade foi assim "varrida" de boa parte dos seus equipamentos existentes. Quem visita e percorre as suas ruas sente a ausência de algo, sem compreender muito bem o quê. Apenas uma pequena parte dos novos espaços abertos foi reocupada. O espaço urbano entra no séc. XX completamente alterado, atravessando um processo de construção/desconstrução o qual se mantém mais ou menos calmo até ao momento do Estado Novo. 
Com a afirmação deste regime, a cidade sofreria novas intervenções dentro do Centro Histórico. A primeira terá sido o processo de reconstrução do Castelo e das suas muralhas. Sob a direcção da DGEMN toda a zona envolvente às muralhas do Castelo seria desafogada do casario humilde que desde os tempos de paz ali se instalou. A muralha ficaria totalmente à vista, assim como o Arco Romano das Portas de Évora, imagem que parcialmente se concretizou.  A segunda grande intervenção dá-se na década de 40 na Praça da República, dotando-a da configuração actual. Com a austeridade natural do regime, esta alteração imprimiria ao Largo um sentido de nacionalismo e concentração de poder, recolocando o Pelourinho na Praça. Uma das intervenções mais importantes terá sido, também, a destruição da Cadeia Filipina e a rápida construção, no seu lugar, do novo edifício das Finanças. Este espaço, apesar de discreto, destoa num conjunto que era até aqui homogéneo, verificando-se uma interrupção desnecessária na continuidade da história deste espaço. A infelicidade de um incêndio nos antigos Paços do Concelho em 1947 levaria á necessidade de reconstrução de um novo edifício no mesmo espaço, projecto de um dos mais importantes arquitectos do Estado Novo, Rodrigues de Lima. Mais uma vez a Praça da República sofre nova intervenção. A consolidação do poder estava completada. Entre as décadas de 30 e 40 vão surgindo novos equipamentos que vão colmatando os enormes espaços vazios libertados no início do séc. XX. O velho Teatro sofre obras de fundo, sendo totalmente alterado e adaptado a Cinema, com possibilidade de representações teatrais. Na zona onde existiu o Convento de Nossa Senhora da Esperança constroem-se o Banco de Portugal, de gosto neo-joanino, o Tribunal, o Governo Civil e por fim a Nova Caixa Geral de Depósitos, com um volume mais sóbrio e portanto mais moderno. 
A arquitectura moderna vem pois ocupar, algo timidamente, alguns dos espaços libertados dentro do Centro Histórico, patenteando todavia, as dificuldades e vícios de um Estado autoritário e pouco esclarecido que não entendia as questões que com a revolução de 1974 se tornaram inadiáveis no Centro Histórico da cidade de Beja.


Bandeira de Beja

Heráldica

Armas - De ouro, com uma cabeça de touro de negro realçado de prata, visto de frente. Em chefe, as armas antigas de Portugal de azul carregadas por cinco besantes de prata em aspa. As quinas e a cabeça do touro acompanhadas por duas águias estendidas de negro. Em contrachefe, um castelo de vermelho, aberto e iluminado de prata. Coroa mural de prata de cinco torres, listel branco com os dizeres "Cidade de Beja".

Bandeira - Quarteada de vermelho e negro. Cordões e borlas dos mesmos esmaltes. Haste e lança dourados.

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal de Beja".


Cultura e Turismo

         Beja dispõe de uma rede de equipamentos municipais, que abarca as diversas áreas de criação, formação e divulgação da Cultura: a Biblioteca Municipal, na promoção do Livro e da Leitura, o Pax Julia – Teatro Municipal, nas Artes do espectáculo, o Museu Jorge Vieira e a Galeria dos Escudeiros, nas Artes Plásticas, a Casa da Cultura, espaço polivalente, com as diferentes disciplinas artísticas que aí têm lugar.
Por esses equipamentos, servidos por profissionais qualificados, passam diariamente centenas de munícipes, das mais variadas idades e categorias socioprofissionais; nos auditórios e salas de exposições apresentam-se escritores, artistas plásticos e músicos, grupos e companhias de teatro e de dança. Nesses espaços, os agentes e associações culturais locais, os professores e alunos das escolas dos diferentes graus de ensino, têm um importante papel, através do seu uso e dinamização, através de frutuosas parcerias com o Município, com vista à criação, formação e fidelização de novos públicos para as Artes.
Além desta actividade com carácter regular, o Município é responsável pela promoção de eventos, alguns associados a efemérides locais e nacionais que mobilizam os habitantes do Concelho e atraem populações de diversas partes da Região e do País, num binómio Cultura-Turismo, que se pretende cada vez mais e melhor desenvolvido e consolidado. Essas iniciativas não se destinam a substituir, mas sim a complementar outras, da responsabilidade de estruturas locais, que colocam Beja num patamar importante, a nível nacional, na realização de grandes eventos.
E é também neste binómio que se enquadra a preservação e a promoção do nosso rico património, material e imaterial, vector decisivo para uma estratégia que implemente e desenvolva cada vez mais o Turismo Cultural. Os monumentos, os museus, a gastronomia, o Cante Alentejano são os pilares que garantem o lugar privilegiado que Beja ocupa, para atrair mais visitantes e turistas, em busca do que de melhor temos para oferecer: a riqueza e diversidade da nossa Cultura.  





Gastronomia

                                                                                                        Ensopado à Pastora 
Ensopado à PastoraSopa de Beldroegas
Sopa de Beldroegas 

Favas Guizadas
Favas guisadas 


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Ferreira do Alentejo

Brasão de Ferreira do Alentejo

Localização :

        Ferreira do Alentejo é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, é sede de um município com 648,45 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios de Alcácer do Sal e do Alvito, a leste por Cuba e por Beja, a sul por Aljustrel, a sudoeste por Santiago do Cacém e a oeste por Grândola.


História

       A excelente qualidade do solo que circunda o actual concelho e vila de Ferreira do Alentejo bem como a proximidade de linhas de água determinaram, certamente, a fixação humana nesta zona há cerca de 43 séculos. Tal ocupação é confirmada pelo espólio arqueológico abundantemente encontrado na estação calcolítica que se estende ao longo das margens da ribeira do Vale D’Ouro. A arqueologia revelou-nos e confirmou-nos ainda a presença, neste concelho, dos Romanos, do Visigodos e do Povo Islâmico. Presenças estas ainda confirmadas pelos próprios vestígios arquitectónicos como o sejam, no caso deste último povo, por exemplo, as construções de corpo cúbico com cobertura cupular – “Kubba” – que se podem encontrar em Villas Boas, S. Vicente ou ainda em S. Sebastião. 
Quanto a fontes escritas propriamente ditas estas são muito escassas e até omissas quanto á data de fundação deste povoado. Deste modo apenas sabemos através dos documentos da chancelaria régia de D. Sancho II e de D. Afonso III que o território foi conquistado aos mouros em 1233 e foi doado, no ano seguinte, à Ordem de Santiago. Dependente, espiritualmente, do bispado de Évora, só em época mais tardia se constituiu o seu alfoz pelo foral da Leitura Nova, concedido em Lisboa a 05 de Março de 1516, concelho que não incluía os curados de Vilas Boas, Peroguarda e Alfundão, dependentes das matrizes de Beja. 
Ferreira teve castelo, situado ao pequeno cômoro do actual Cemitério Público, filial dos espatários de Alcácer do Sal, de que era alcaide em 1527, Francisco Mendes do Rio, e em 1708 Baltazar Pereira do Lago. Esta fortaleza desapareceu totalmente e, segundo informação de um particular, Francisco António Mattos, por volta de 1800, apesar de já estar arruinada, ainda ostentava algumas das famosas nove torres, o fosso e a barbacã. Por volta de 1839 deliberou a Junta de Paróquia de então, construir nesse terreno o Cemitério Público cujas obras para sempre esconderam a antiga fortaleza. Aliás a recordar a memória dessa exuberante fortaleza apenas restou o escudo da Ordem dos Espatários que ainda hoje encima a entrada principal do Cemitério Público de Ferreira do Alentejo. No ano de 1627 foi criada a Comarca de Ferreira do Alentejo, em consequência da reforma da Ordem de Santiago e da aprovação régia Filipina dos novos Estatutos, comarca que abrangia as vilas de Torrão, Aljustrel e Alvalade, isto no domínio espiritual, porquanto no domínio temporal a vila era administrada por um juíz de fora, três vereadores, procurador do concelho, escrivão da Câmara, juiz de órfãos, com escrivão e oficiais, alcaide e capitão-mor, assistido por duas companhias, uma de ordenanças e outra de auxiliares. Em 1762 Ferreira pertencia á Ouvidoria de Beja, e no ano de 1811, estava judicialmente anexada á Vila de Torrão. Nesta altura pertencia á Comarca e Provedoria de Ourique , Diocese de Beja e donatária da coroa. Em 1821 Ferreira era concelho da divisão eleitoral de Beja e da comarca de Ourique. Em 1842, Ferreira era um dos concelhos do distrito administrativo de Beja e compreendia cinco freguesias, a saber: Ferreira e Villas Boas, Figueira dos Cavaleiros, Alfundão, Peroguarda e Santa Margarida do Sadão. Só por volta de 1874 é que a freguesia de Odivelas, também ela pertence do concelho, ficou sob a tutela de Ferreira do Alentejo.
Com o advento da República a 5 de Outubro de 1910, Ferreira do Alentejo sofreu algumas alterações arquitectónicas que acabariam por empobrecer patrimonialmente a actual vila.  Apesar de ter sido habitada por algumas ilustres famílias transtaganas, como os Estaços, os Galvões, os Lanças, os Sousas, os Mouratos, os Miras, os Pereiras, os Ravascos Silvas, os Menas, os Vilhenas e os Passanhas, não conservou mansões apalaçadas do passado e somente a estes últimos se deveram a construção dos principais edifícios urbanos que, a partir do século XIX, enobreceram a vila. Entre esses edifícios podemos apontar, a título de exemplo, o da Quinta de São Vicente, pertencente á famílias Passanha , e a casa nobre que se ergue na Rua Conselheiro Júlio de Vilhena n.º 4 / 6, que pertenceu á casa agrícola Jorge Ribeiro de Sousa, herdeiro dos condes de Avilez e Boa Vista e da Morgada da Apariça. 
Ferreira foi igualmente berço de importantes personagens que assumiram especial e relevante destaque no campo das letras e da religião, de entre os quais destacamos o conselheiro Júlio Marques de Vilhena, importante figura dos últimos tempos da  Monarquia Constitucional.

Bandeira de Ferreira do Alentejo

Cultura e Turismo : 

         Ferreira é coroada pela beleza da antiga Igreja da Misericórdia que exibe um importante Portal Manuelino e um belo retábulo maneirista que hoje se guarda no Museu Municipal, sediado a menos de 20 metros, na rua onde nasceu o grande intelectual e político do Século XIX, Júlio Marques de Vilhena.
Junto à Praça Comendador Infante Passanha, avista - se a Igreja Matriz que evoca a Ordem de Santiago de Espada e onde podemos admirar dois túmulos góticos pertencentes ao Comendador D. João de Sousa e sua esposa, D. Branca de Ataíde. Digna de conhecer é ainda a Galeria de Arte, Capela de St.º António e o Espaço Artesão onde se podem admiram miniaturas de alfaias agrícolas. Na extremidade norte da Rua Capitão Mouzinho, avistam - se a sui generis  cravejada de enigmáticas pedras de tom negro. Nas suas imediações encontra - se o posto de turismo. Um pouco mais abaixo, a  e o seu cruzeiro de 1940 emblezam a alameda Gago Coutinho e Sacadura Cabral. É também aqui que podemos admirar a histórica imagem que acompanhou Vasco da Gama na descoberta do caminho marítimo para a India.
Nas proximidades, a cerca de 2 Km da sede de concelho, ergue - se a Villa Romana do Monte da Chaminé com ocupação que remonta ao século I A. C.
A poucos quilómetros, Peroguarda, classificada a aldeia mais portuguesa do Baixo Alentejo, encanta com o seu branco e singelo casario que contrasta com o verdejante trigo ondulante e a sua Igreja St.ª Margarida que ainda apresenta traços quinhentistas.
Nesta pequena freguesia está sepultado o grande etnomusicólogo, Michel Giacometti, que se enamorou pelo misterioso cante alentejano, tradição local de relevante valor cultural. Na singela Aldeia de Alfundão encontra - se uma bela e rústica Ponte Romana.



Gastronomia

      Em Ferreira do Alentejo pratica - se a boa e típica cozinha alentejana onde os enchidos, a açorda de alho, o ensopado de enguias do Sado, a carne de porco à alentejana, a açorda de beldroegas, a açorda de carrasquinhas, as famosas migas e o gaspacho regados com o bom vinho da Herdade do Pinheiro não deixam ninguem indiferente. A coroar a refeição sugerimos os ferreirenses (bolos de amêndoa e gila) que estão à venda na pastelaria Singa e na padaria Pão da Aldeia.
Poderá adquirir a embalagem de acondicionamento, em cartão, que está disponível na Loja do Museu e no Posto de Turismo.
                                                                                                        Gaspacho 
GaspachoAçorda de Alho
Açorda de Alho