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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Alcácer do Sal

Brasão de Alcácer do Sal

Localização

           Alcácer do Sal é uma cidade portuguesa, sede do concelho com mesmo nome, pertencente ao Distrito de Setúbal, região (NUTS II) Alentejo e sub-região (NUTS III) do Alentejo Litoral, é um município de grandes dimensões, com 1479,94 km² de área e subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios de Palmela, Vendas Novas e Montemor-o-Novo, a nordeste por Viana do Alentejo, a leste pelo Alvito, a sul por Ferreira do Alentejo e por Grândola, a oeste também por Grândola, através de um braço do Estuário do Sado e a noroeste, através do Estuário do Sado, por Setúbal.



História

          A investigação arqueológica atesta a presença humana em Alcácer do Sal há mais de 40 mil anos. No entanto, remontam ao Período Mesolítico (fase em que se ensaia uma tímida fixação sazonal) os primeiros povoados conhecidos na actual área geográfica de Alcácer. Este período caracteriza-se por uma economia baseada na recolha e exploração dos ecossistemas do Paleo-Estuário do rio Sado quando este se estendia até São Romão. As actividades praticadas passavam pela pesca, recolha de marisco, caça e recolecção na zona de floresta; os utensílios usados, em sílex, davam continuidade às técnicas do Paleolítico Superior, mas encontravam-se já adaptados aos novos desafios do quotidiano.
Na fase Final do Mesolítico assiste-se à instalação das primeiras populações de cultura Neolítica na região da Comporta. Na fase Média e Final, quando emerge o fenómeno Megalítico, assinala-se ainda a presença destas populações na área urbana de Alcácer do Sal e noutros locais do interior do concelho, como é o caso do Torrão.
O clima de conflitos territoriais de “baixa intensidade” típico das fases culturais anteriores desaparecem e, com o advento da agricultura, pecuária e mineração, dão lugar a uma necessidade de dominar um determinado território, construindo-se os primeiros sistemas defensivos com carácter de permanência na região, de que é exemplo o povoado fortificado do Monte da Tumba, junto ao Torrão.
A passagem da Idade do Cobre para a Idade do Bronze corresponde ao “Horizonte Campaniforme” e pauta-se por uma fase obscura na qual alguns povoados fortificados da região são abandonados. Assiste-se então a uma reorganização do povoamento e a uma notória hierarquia de assentamentos, cuja expressão territorial se consolidará séculos depois, dando lugar na fase seguinte à emergência de estruturas “Proto-Estatais”, como o caso de Alcácer do Sal no decurso da Idade do Ferro.
O incremento e inclusão da região de Alcácer na economia do Mediterrâneo, controlada por comerciantes e colonos Fenícios que se instalam em Abul e em Alcácer, vão introduzir na região pela primeira vez (ou pelo menos de forma mais visível) os valores e a cultura do Próximo Oriente. Esta matriz cultural, miscigenada com a cultura local, mantém-se no decurso da II Idade do Ferro, sendo importante o contributo Púnico e de Cadiz na região. A existência de um alfabeto próprio e a cunhagem de moeda parece ser o reflexo da existência de uma estrutura Proto-Estatal consolidada com sede em Alcácer (denominada Bevipo) e da necessidade sentida por esta “Cidade-Estado” em manter os circuitos comerciais anteriores com o “Mundo Púnico”. Como consequência directa da derrota de Cartago na III Guerra Púnica, Alcácer vai ser anexada ao Império Romano em meados dos séculos II e I antes de Cristo.
O nome pré-romano Bevipo é deixado de lado e Alcácer recebe a denominação de Salacia (Urb Imperatoria) em honra da ninfa da espuma salgada, esposa do deus Neptuno, que traduz de uma forma clara a ligação da urbe romana ao comércio oceânico e a importância deste na economia da região. Nos séculos seguintes, Salacia vai sofrer as evoluções próprias de uma urbe romana nesta região da Lusitânia aberta à Rota do Atlântico, como “Placa Giratória” entre o Norte da Europa Romanizada e o Mediterrâneo, incrementada após a conquista da actual Inglaterra e País de Gales por iniciativa do imperador Cláudio.
A denominada Crise do Século III (passagem do Alto Império para o Baixo Império) terá tido repercussões nesta região, notando-se a crescente desvalorização da actividade portuária de Salacia a favor de Olisipo (Lisboa). Quando se dá a criação do império da Gália por cisão do Império Romano, a Hispânia adere; pouco tempo depois regressa à esfera imperial governada a partir de Roma. Quando por fim o imperador Diocleciano põe termo à “Anarquia Militar”, procede à reorganização total da estrutura administrativa imperial de forma a obter mais recursos para o aparelho de Estado. É provável que Salacia tenha sido objecto de transformações, cuja expressão permanece uma incógnita.
Nos séculos seguintes admite-se o gradual empobrecimento e desvalorização de Alcácer como lugar central do Baixo Sado a favor de estruturas urbanas de segunda categoria, como Setúbal e Tróia. O Torrão será sempre um caso à parte, revelando uma dinâmica evolutiva fiel à sua matriz. Acredita-se que no decurso da Antiguidade Tardia e até à anexação desta região ao Califado Omieda de Damasco (após 711), a estrutura urbana de Salacia sofreu uma transformação urbana: assistiu-se ao abandono gradual da zona do castelo, privilegiando-se a ocupação na zona baixa junto às instalações portuárias que teimavam em resistir. Alcácer foi conquistada pela primeira vez pelos Portugueses em 1160. Em 1191 é de novo recuperada por Ya´qub al-Mansur, que a transforma em sede militar desta região do Garb al-Andalus, através da reconstrução das muralhas. Esta última presença islâmica irá durar até 1217, altura em que é de novo retomada pelos Portugueses, auxiliados por tropas da V Cruzada. Recebe Foral em 1218 e o rei D. Afonso II confia novamente a sua posse à Ordem de Santiago, que a transforma em sua sede. Estabelecida em Alcácer, a Ordem de Santiago dominou durante séculos um vasto território que começava em Sesimbra e terminava no Algarve, controlando totalmente o Baixo Sado, o Alentejo Litoral e a Costa Vicentina, prefigurando uma estrutura “estatal” dentro do próprio reino de Portugal, que deu lugar a vários conflitos com o poder régio e o poder eclesiástico instalado em Évora.
Em finais do século XIII a sede da Ordem de Santiago passa para Mértola para apoiar a conclusão da conquista do Algarve, mas pouco depois regressa a Alcácer onde se mantêm até 1482, ano em que transita definitivamente para Palmela. Segundo estudos recentes, o Torrão terá sido conquistado por volta de 1233. Recebeu um primeiro Foral, que entretanto desapareceu, mantendo-se como concelho autónomo até ao século XIX. A população islâmica residente em Alcácer junta-se numa comunidade, sob a protecção do rei. A Ordem de Santiago também tinha os seus mouros. Os judeus também se instalam, enquanto a restante população distribuiu-se desde o interior do castelo até à área portuária. Apesar dos privilégios régios emitidos, gradualmente a população abandonou a cerca amuralhada e começou a concentrar-se junto ao rio.
Entretanto, em 1495, D. Manuel I é aclamado rei em Alcácer, com a saída da Ordem de Santiago, é fundado no espaço que ocupava antes o Convento Aracoelli, que permanecerá na área do castelo até 1834. 
Em 1502 o célebre matemático Pedro Nunes nasce no concelho, provavelmente em Vale de Guizo. Saliente-se ainda a importância de Alcácer do Sal na sustentação dos Descobrimentos Portugueses. A qualidade do pinheiro manso que abundava na região era tal que esta madeira era utilizada para algumas peças da construção naval e na própria construção das embarcações. Em termos económicos, a agricultura continuava a ser a actividade predominante tirando partido da fertilidade da terra, mas simultaneamente assistia-se ao incremento da actividade comercial.
Em 1758 Alcácer do Sal possuiria, segundo o Pároco de Santiago, 436 fogos e 1543 pessoas, a que se deve adicionar os 330 fogos e 1342 pessoas que o padre Bernardo Osório, prior colado de Santa Maria, registava existirem na sua freguesia nesse mesmo ano. Não se poderá negar o contributo fundamental que o rio Sado garantiu ao incremento das trocas comerciais. Pela sua navegabilidade, que chegava a Porto Rei, permitia a deslocação de embarcações até cerca de 50 milhas da costa, escoando-se por esta via grande parte da produção agrícola do Alentejo. Casas de frontões triangulares e volutas lembram o período áureo da exploração do sal.
Os sécs. XVIII e XIX terão constituído momentos altos no recurso ao rio enquanto grande via de penetração no Alentejo. As suas especiais características acabaram por proporcionar o surgimento de um conjunto de embarcações específicas, de onde se destacam os laitéus, as canoas, os galeões (primeiro de pesca de cerco e depois de transporte de sal) e os iates, todas usadas no transporte permanente de mercadorias. Já nos nossos dias, muita dessa importância se perdeu. Com a crescente utilização do caminho-de-ferro, o recurso ao rio foi sendo progressivamente abandonado ainda que se tenha conservado até à primeira metade do séc. XX, actualmente vivemos um novo ciclo na História de Alcácer.
De costas voltadas para o rio desde meados do século XX, assiste-se hoje ao enaltecimento do Sado como uma “mais valia cultural” que urge enobrecer, contribuindo deste modo para evitar que Alcácer se dilua no Alentejo Litoral e que antes se afirme como um espaço diferente a descobrir por quem visita o concelho.

Bandeira de Alcácer do Sal

Heráldica

Brasão de armas: de ouro, com um monte negro realçado de verde, sustendo um castelo de vermelho, aberto e iluminado do campo, tendo a torre central carregada pelo escudo antigo das quinas de Portugal, acompanhando o castelo por duas cruzes de Santiago de vermelho. Em contra-chefe, seis faixas ondadas de prata e de azul, nas quais voga uma caravela de ouro realçada de negro, aparelhada de ouro e vestida e enfundada de prata. Coroa mural de prata de quatro cores. Listel branco com os dizeres “Cidade de Alcácer do Sal” de negro.  


Cultura e Turismo

         Rico e diversificado, o artesanato de Alcácer parte da utilização de materiais presentes na vida quotidiana e retoma, por vezes, a tradição e as funções da faina agrícola. Trabalhos em couro, como a correaria em geral, as selas e respectivas guarnições, bem como carteiras e malas, somam-se a minuciosos conjuntos de peças talhadas em madeira. A sela, especialmente pensada para o toureio e para passeio, é constituída por um cochim, arções (estrutura do assento) e abas. No exterior, os arções são forrados de cabedal preto ou de cor natural e enfeitados com pregos prateados de cabeça cónica fazendo floreados.
A cestaria em verga, os bancos em buinho e os bordados e rendas são outros trabalhos que se podem adquirir com grande qualidade em Alcácer.
Na Carrasqueira, povoação piscatória no estuário do Sado, a intrincagem de fibras vegetais é ainda a técnica utilizada na construção de cabanas que servem de habitação aos pescadores e suas famílias – os materiais utilizados são o caniço, o bracejo, e o estorno, recolhidos nos sapais do estuário. 
Tradição recuperada em 2006 após quase duas décadas de interregno, tem contado com elevada adesão da população que participa no evento a título individual ou juntamente com as colectividades do concelho. Na edição de 2008, a iniciativa contou com 700 foliões e vários carros alegóricos, que desfilaram pela marginal na terça-feira de Carnaval, animando a cidade à sua passagem.
Já em 2009, os foliões eram 1300 e os carros alegóricos 13, atraindo milhares de pessoas a Alcácer do Sal. Pela primeira vez em muitos anos realizou-se também corso carnavalesco na vila do Torrão, com cerca de 600 participantes e sete carros alegóricos, numa iniciativa que mobilizou a população local.
O número de participantes aumentou no ano de 2010 para os 1500 foliões, incluindo a participação de 35 associações e outros grupos em nome individual. A vila do Torrão fez a festa a 16 de Fevereiro, mas em Alcácer o corso só saiu à rua no dia 20, face à chuva que teimou em cair e obrigou ao seu reagendamento. No entanto, a grandiosidade do desfile de Carnaval em nada ficou aquém das expectativas e a animação e a criatividade voltaram a dar mostras de que residem em Alcácer.
O Parque de Campismo situa-se a dois minutos do centro histórico da cidade de Alcácer do Sal, a 20 minutos das praias do Alentejo e a 45 minutos de Lisboa. A sua localização privilegiada possibilita a descoberta do rico património natural e cultural que o concelho tem para oferecer. Este parque de três estrelas e com 32 alvéolos, oferece grande segurança e comodidade aos campistas, encontrando-se próximo de piscinas (coberta e descoberta), court de ténis, polidesportivo, área comercial e restaurantes.



Gastronomia

         A gastronomia de Alcácer do Sal prima pela sua riqueza. Baseada na triologia mediterrânica que combina pão, azeite e vinho, os habitantes locais adicionaram-lhe ervas aromáticas e outros produtos da terra, com destaque para a carne de borrego, porco e caça. Destaque ainda para o papel do arroz, do pinhão e de outras especialidades que sazonalmente nascem de forma espontânea pelos campos do concelho, caso dos espargos servagens, das túbaras ou das carrasquinhas.
São reconhecidos como pratos típicos da região: ensopado de enguias, migas de pão ou de batata, borrego assado no forno, coelho frito à  S. Cristóvão, batatas de rebolão com entrecosto, ensopado de borrego, sopa de beldroegas, sopa de peixe, achigã grelhado, massa de peixe, feijão adubado, açorda (prato bastante diversificado, que se pode comer com: azeitonas, bacalhau, uvas, figos, peixe frito, pescada, sardinhas assadas ou amêijoa). Destacam-se ainda os produtos de confecção tradicional, como os enchidos e queijos de ovelha, que são bastante apreciados.
A gastronomia de Alcácer prima ainda pela doçaria conventual. São famosas as suas receitas (algumas delas secretas) em que a qualidade dos géneros se combinou com a mestria dos confeccionadores para produzir requintados paladares. É preciso, sobretudo, não deixar de saborear as pinhoadas, a tarte de pinhão, os rebuçados de ovos, o bolo de mel, as queijadas de requeijão, os salatinos, o bolo real e os pastéis de feijão e amêndoa.
                                                                                                        Coelho frito à S. Cristóvão 
Coelho Frito à S. CristóvãoEnsopado de Enguias
Ensopado de Enguias 

                                                                                                        Queijadas de Requeijão 
Queijadas de RequeijãoPinhoadas
Pinhoadas

terça-feira, 18 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Viana do Alentejo

Brasão de Viana do Alentejo

Localização

           Viana do Alentejo é uma vila portuguesa, no Distrito de Évora, região Alentejo e sub-região do Alentejo Central, é sede de um município com 393,92 km² de área e subdividido em 3 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Montemor-o-Novo, a nordeste por Évora, a leste por Portel, a sueste por Cuba, a sul pelo Alvito e a sudoeste e oeste por Alcácer do Sal.
Possui um clima de influência marcadamente mediterrânica, caracterizado por uma estação seca bem acentuada no verão. A precipitação ronda os 500 mm entre os meses de outubro e março e os 170 mm no semestre mais seco, sendo bastante irregular. A sua morfologia é relativamente suave e plana, destacando-se somente Olheiro, com 207 m, e São Vicente, com 374 m. Como recursos hídricos, tem o rio Xarrama e a ribeira das Alcáçovas.


História

        Inicialmente chamava-se Viana -a-par-de-Alvito. O povoamento de Viana do Alentejo é muito remoto, remontando à época romana. A vila sofreu um devaste por causa das algariadas mouriscas, tendo sido repovoada, no século XIII por D. Gil Martins e sua mulher, Dª Maria Anes. Em 1269, encontramos um documento sobre a vila, em que D. Martinho, Bispo de Évora, reconhecia ter direito apenas a um quarto dos dízimos da «igreja de Fochem». Por morte de D. Gil Martins e sua mulher, passou Viana do Alentejo para a posse do seu filho, D. Martim Gil de Sousa, conde de Barcelos.
O foral foi atribuído a Viana do Alentejo por D. Dinis. Este rei também iniciou, em 1313, a construção do castelo. A extensão do termo de Viana durante o reinado de D. Dinis era muita significativa, já que ia até Vila Alva, na época Malcabron, que se encontra actualmente no concelho de Cuba.

Bandeira de Viana do Alentejo

Heráldica

      O Brasão é composto por um escudo com um leão acompanhado lateralmente por dois escudetes carregados cada um, pela Cruz de S. Jorge ou pela Cruz da Ordem de Cristo. O escudo central é ainda acompanhado em cima e em baixo por uma estrela formada por dois triângulos com seis raios. 


Cultura e Turismo

          No que se refere ao património histórico e monumental, destaca-se o Castelo de Viana do Alentejo, de planta octogonal, com cinco torres cilíndricas. Foi reformado no século XV, recebeu nova cortina ameada e o levantamento de coruchéus nos cubelos. A Igreja Matriz é uma construção mudéjar-manuelina e está integrada na área do castelo.
Destaca-se, ainda, a Igreja Matriz de Viana do Alentejo, do século XVI, em estilo manuelino, e o Santuário de Nossa Senhora de Aires, onde se venera a imagem da antiga padroeira, Nossa Senhora da Piedade. A imagem, Nossa Senhora sentada com Jesus morto nos braços, está ligada a uma lenda que, segundo a tradição, nunca deixou de socorrer os crentes, como o atestam os inúmeros ex-votos expostos. Este santuário, projeto do Pe. João Batista, é em estilo barroco, com altar de talha rococó e imagem da padroeira em pedra de Ançã. Das manifestações populares e culturais no concelho, são de destacar a Feira dos Chocalhos, realizada no quarto fim de semana de julho, a romaria e festa de Nossa Senhora de Aires, realizada no quarto fim de semana de setembro, na qual há uma romaria com procissão em volta do santuário, e a romaria de Nossa Senhora da Esperança, que tem lugar em maio.
No artesanato, destacam-se os brinquedos em madeira, os trabalhos de cerâmica tradicional e artística, os trabalhos de cestaria, os chocalhos, os trabalhos de olaria e em cortiça. A indústria artesanal que predomina em Viana do Alentejo é a Olaria. Possuindo razoáveis filões de matéria-prima - o barro - e dada a grande utilidade dos artigos cerâmicos, a classe de oleiros desenvolveu-se, sendo já no século XVII uma das mais numerosas da vila.
O feriado municipal é no dia 13 de janeiro.


Gastronomia

        Todos sabemos que na gastronomia nacional é grande a variedade de produtos de que dispomos para confeccionar diversas iguarias.
A gastronomia característica do Alentejo não é excepção e apresenta pratos onde predominam o borrego e o porco e onde o azeite é rei e senhor. Sem esquecer os queijos, os enchidos, as sopas de pão com destaque para a açorda e, ainda, as ervas aromáticas que dão aquele sabor tão especial apreciado por todos quantos nos visitam.
                                                                                                        Cozido à portuguesa 
Cozido à PortuguesaAçorda de Tomate
Açorda de Tomate 


Enxovalhadas
Enxovalhadas
         

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho do Alvito

Brasão de Alvito

Localização

         Alvito é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, é sede de um município com 264,81 km² de área e subdividido em 2 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Viana do Alentejo, a leste por Cuba, a sul e oeste por Ferreira do Alentejo e a oeste por Alcácer do Sal.


História

          Os vestígios mais antigos revelam a presença humana na idade do cobre, do bronze e do ferro. Durante o século I, este foi ocupado pelos romanos, que deixaram construção ainda observável, eg as villae de S. Romão, de S. Francisco e Malk Abraão. Também visigodos e muçulmanos ocuparam posteriormente estas antigas villae . Foi finalmente conquistada pelos Portugueses em 1234, e em 1251 a povoação é doada a D. Estêvão Anes, chanceler-mor do reino, por D. Afonso III e pelos Pestanas de Évora. A partir desta data, sobretudo através da acção do Chanceler, procede-se ao seu repovoamento, passando Alvito a ser uma povoação com dimensões consideráveis para a época . Em 1279 com a morte de D. Estêvão Anes, a vila fica em testamento para a Ordem da Santíssima Trindade, a qual lhe concede carta de foral a 1 de Agosto de 1280, que viria a ser confirmado por D. Dinis em 1283. Em 1387, D. João I doa Alvito a D. Diogo Lobo, em troca dos bons serviços prestados na batalha de Aljubarrota (1385) e na conquista de Évora aos espanhóis (1387), ficando a vila ligada à história desta família ao longo de todo o restante período do regime monárquico . A 24 de Abril de 1475, D. Afonso V concede ao Dr. João Fernandes da Silveira, esposo de D. Maria de Sousa Lobo, o título de Barão, passando Alvito a ser a «cabeça» da primeira baronia instituída em Portugal. Nesta época já a povoação desfrutava de um crescimento acentuado, fruto da conjuntura favorável em que o reino se encontrava e que permitiu um forte crescimento populacional em todo o país . Tal crescimento teve fortes repercussões na economia da vila, dado que Alvito passa a ser um dos principais centros político- económicos de todo o Alentejo, durante o período moderno, tendo quase 1700 habitantes e 364 fogos, segundo as estatísticas do senso de 1527. Este facto justifica o esplendor que se pode observar em muitos monumentos: Castelo, Igreja Matriz, Igreja da Misericórdia, Igreja de Nossa Senhora das Candeias, bem como na representatividade da arte manuelina de Alvito . Na época de transição do século XVIII para o século XIX, o crescimento e prosperidade de Alvito estagnam, começando o seu declínio a partir de meados do século XX, sobretudo durante as décadas de 60 e 80. 

 Bandeira de Alvito

Heráldica

Brasão: de prata, com um castelo composto de um pano de muralha ladeado por duas torres circulares de azul, aberto e iluminado do campo. Em chefe, um ramo de oliveira e um ramo de azinheira, ambos de verde frutados de negro, cruzados em ponta e atados de vermelho. Em contrachefe, duas faixas ondadas de azul entre um arco de ponte de negro realçada de prata. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres: «Vila de Alvito», de negro.

Bandeira: azul. Cordões e borlas de prata e de azul. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro dos círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Alvito».


Cultura e Turismo

               Quer a freguesia sede de concelho, quer Vila Nova da Baronia fazem parte da “Rota do Fresco”, um itinerário patrimonial que convida à visita dos turistas. O concelho é beneficiado pela Barragem de Odivelas, que se vem revelando ao longo do tempo como um produto turístico bastante apelativo para actividades como o passeio a cavalo, a pesca desportiva, entre outras. Por outro lado, a caça surge como actividade muito abundante no concelho. Do ponto de vista desportivo e cultural, o concelho apresenta características muito favoráveis pois existem associações muito dinâmicas que promovem actividades diversificadas e que sabem conciliar a actividades desportiva e cultural com o rico património histórico existente no concelho, de forma a valorizá-lo e a potenciá-lo, colocando-o ao serviço de todos. 





Gastronomia

         Destaca-se  também a doçaria regional (pastéis de chila e grão), os licores e, em Vila Nova da Baronia, os deliciosos enchidos (Enchidos da Baronia) e os vinhos da Herdade das Barras.
O evento gastronómico de maior relevo é, desde 2007,  o Ciclo Gastronómico "As Ervas da Baronia".
Em Fevereiro e  Junho realizam-se semanas gastronómicas em que participam os restaurantes do concelho, oferecendo pratos em torno de espargos, catacuzes e carrasquinhas (na 1ª semana) e beldroegas (na 2ª semana). Trata-se de um verdadeiro ciclo das Ervas na Cozinha!
Para viver (e apreciar)... Devagar!
                                                                                                         Sopa de Beldroegas
Sopa de BeldroegasFeijão com Catacuzes
Feijão com Catacuzes

Pastéis de Chila e Grão
Pastéis de Gila e Grão 

domingo, 16 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Cuba

Brasão de Cuba

Localização

       Cuba é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, tendo sido elevada à categoria de vila por Dona Maria I, Rainha de Portugal, por alvará de 18 de Dezembro de 1782.4 É sede de um município com 171,32 km² de área e subdividido em quatro freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Portel, a leste pela Vidigueira, a sul por Beja e a oeste por Ferreira do Alentejo e pelo Alvito.


História

          Os inúmeros achados arqueológicos são testemunho da ocupação do espaço onde actualmente se situa a Vila de Cuba desde a pré-história, sendo também evidentes os vestígios de uma importante ocupação na época Romana.
Uma das teorias sobre a origem do topónimo "Cuba" aponta para a tomada da povoação aos Árabes por parte das hostes de D. Sancho II, tendo os soldados se deparado com a existência de inúmeras cubas utilizadas no fabrico de vinho.Não sendo de descartar a hipótese que o nome desta terra,derive do termo "Caaba",santuário sagrado de Meca, Arábia. Da ocupação Árabe é testemunho um dos primeiros arruamentos abertos na Vila, que ainda hoje se denomina como "Rua da Mouraria", sendo que tal como noutras povoações, mesmo após a reconquista alguns habitantes Árabes terão ficado a residir no território. O traçado dos arruamentos é, de resto, indicativo da evolução histórica da Vila, denotando-se claramente o desordenamento da zona de construção inicial, do qual faz parte a Rua da Mouraria, a Rua Álvaro de Castellões e o Largo do Tribunal, entre outros arruamentos, merecendo ainda destaque a toponímia atribuída a um pequeno arruamento de acesso a este Largo, denominado como Travessa do Paço, numa referência ao desaparecido Paço que o Infante D.Luís, Duque de Beja e filho do Rei D. Manuel I, possuía em Cuba, e onde o Rei D. Sebastião terá jantado em 1573, quando viajava de Évora para Beja. Por outro lado, verifica-se também a existência de zonas de nítida influência Pombalina, com arruamentos de traçado rectilíneo, sendo essa influência acentuada por algumas denominações, comuns à Baixa Pombalina de Lisboa, como a Rua Augusta e a Rua do Carmo.
Em Cuba viveu e veio a falecer, em 1911, o grande escritor português Fialho de Almeida, encontrando-se no cemitério local um monumento funerário que alude a uma das suas maiores obras, "Os Gatos", bem como uma placa comemorativa na casa onde o escritor residiu, numa das artérias da Vila, e uma lápide na Quinta da Graciosa, uma das antigas propriedades da família do escritor, localizada próximo de Cuba. Em 2006, foi inaugurada na Vila uma estátua da autoria de Alberto Trindade em homenagem ao descobridor oficial da América, Cristóvão Colombo, no mesmo dia (28 de Outubro) em que o navegador terá aportado à ilha de Cuba em 1492. Segundo a tese defendida pelo historiador português Mascarenhas Barreto ("Colombo Português: Provas Documentais"), o ilustre almirante teria nascido em Cuba, em 1448, como filho ilegítimo do Infante Dom Fernando, duque de Viseu e de Beja, e da indocumentada "Isabel Zarco". O nome de Colombo em castelhano, "Cristóbal Colón" seria um seu pseudónimo e código de guerra (CC seria espião ao serviço de D. João II), sendo o seu verdadeiro nome um indocumentado Salvador Fernandes Zarco, alegado neto materno ilegítimo do navegador e corsário João Gonçalves Zarco.

Bandeira de Cuba

Heráldica

Brasão: de verde, com um ramo composto de quatro espigas de trigo de ouro e uma haste de oliveira de verde florida de prata, tudo atado em vermelho. O ramo acompanhado por dois cachos de uvas de púrpura folhados e sustidos de ouro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Cuba» de negro.

Bandeira: esquartelada de amarelo e de púrpura. Cordões e borlas de ouro e de púrpura. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro dos círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Cuba».

Cultura e Turismo

        O Baixo Alentejo é marcado pela planície e pela serra, e é este contraste que contribui em muito para a diversificação de vegetação existente, com características tão diferentes, quer na  sua coloração, quer nos tipos de ramagem. No Concelho de Cuba a paisagem predominante é a planície, com solos espessos e barrentos de elevada qualidade, que se incluem nos denominados “Barros de Beja”.
Em termos climatéricos, Cuba insere-se no clima do Baixo Alentejo, o qual é considerado um clima mediterrânico. A região caracteriza-se pela pouca e mal repartida precipitação anual, concentrando-se a maior parte da pluviosidade no período do Outono/Inverno. O Verão é, nesta região, uma estação quente e seca. As temperaturas médias no Inverno são baixas, variando entre os 8º e os 12º e, no Verão elevadas, variando as temperaturas médias entre os 21º e os 25 º, mas atingindo-se frequentemente temperaturas superiores a 35º durante o dia. No concelho de Cuba, propomos um percurso de BTT matinal recheado de paisagem, fauna, património arquitetónico e arqueológico, e um saboroso refrescar nas águas da ribeira de Mac Abrãao. Da parte da tarde, para digerir o almoço ou já depois da sesta, caminhe calmamente pelas lindíssimas paisagens que o trajecto lhe proporciona, sobretudo se coincidir com o quente pôr-do-sol alentejano. 

Foi sob o nome de Cristóvão Colon que se consagrou, nos quatro cantos do Mundo, o homem que descobriu a América, em finais do Século XV. A partir dos anos 80, a questão da nacionalidade do navegador adquire  uma nova dimensão, a par da notoriedade, através das obras de Mascarenhas Barreto. Este autor abriu caminho a uma nova perspetiva: Cristóvão Colon não só seria português, como da Cuba do Alentejo! 
Em Outubro de 2006 colocou-se em frente ao edifício do Tribunal da Comarca, no centro da Vila de Cuba, uma estátua de bronze do almirante.

Cristóvão Cólon, o navegador nascido na Cuba:

"O navegador Cristóvão “Colon” será português, alentejano, nascido na Cuba? A tese, algo surpreendente para quem se habituou à versão oficial, tem alguns defensores, entre os quais se destaca o investigador Mascarenhas Barreto. A polémica promete alastrar, já que oficialmente aquele descobridor, de origem humilde terá nascido  em Génova, Itália. Estranho é que um homem do povo possa ter embarcado numa cruzada de magnitude inquestionável, e que tivesse sido recebido pelos Reis Católicos de Espanha e pelo nosso Rei D. João II, como poucos nobres o eram. Mistérios que começam no próprio nome do descobridor das Américas: Cristoforo Colombo, Cristobal Colón ou Cristóvão Colom? A tese de Mascarenhas Barreto é o resultado de 15 anos de uma verdadeira epopeia em busca do verdadeiro “Colombo” – que nem italiano sabia falar ou escrever. 

A crença de que o navegador afinal Salvador Fernandes Zarco terá nascido em Cuba no Alentejo tem  atraído muitos curiosos ao concelho, Cuba alberga desde 2011 o Centro Cristovão Colon que reúne um espólio de telas, livros e mapas, que pretendem demonstrar a veracidade desta tese.
As mãos dos nossos artesãos ainda trabalham a madeira, a cortiça e a pele de animais, confecionando uma gama variada de produtos que podem ser comprados localmente. De realçar os móveis rústicos, as botas e os sapatos em pele feitos à mão, numa tradição que passa de geração em geração, as típicas capas e capotes alentejanos, bem como as miniaturas de alfaias agrícolas.


Gastronomia

        A Gastronomia é um dos principais motivos que origina a viagem de um turista e o nosso País é conhecido, mundialmente, pela sua cozinha de excelência. No Alentejo, a par da boa mesa, os vinhos produzidos regionalmente constituem, também eles, um dos motivos de visita. 
Uma das bases essenciais da gastronomia alentejana são as ervas aromáticas e é impressionante como, um recurso tão simples, enriquece de forma sui-generis o paladar dos pratos regionais.
No concelho de Cuba a cozinha tradicional inclui os pratos típicos do Alentejo, como as saborosas sopas de tomate ou de cação perfumadas com alho e azeite, as diversas receitas de carne de porco e de borrego, sempre acompanhadas do tradicional Pão Alentejano e “regadas” com um belo vinho. Aqui, em Cuba o paladar é um mundo aberto aos sabores puros. A existência em Cuba do Convento do Carmo e a grande proximidade ao Convento de Nª Sr.ª da Conceição de Beja, faz com que a doçaria conventual assuma na região um papel preponderante. As receitas elaboradas pelas doceiras locais obedecem ao método ancestral de confecção e apresentação. Na doçaria local  os bolos folhados, com e sem chila, os pastéis de grão, outros fritos como filhózes, queijadas de requeijão e o delicioso bolo podre, assumem papel preponderante.
                                                                                                          Pastéis de Grão
Pastéis de GrãoSopa de Cação
Sopa de Cação 

                                                                                                         Bolo Podre 
Bolo PodreBolo Folhado
Bolo Folhado