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sábado, 15 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho da Vidigueira

Brasão de Vidigueira

Localização

           A Vidigueira é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, é sede de um município com 314,20 km² de área e subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Portel, a leste por Moura, a sueste por Serpa, a sul por Beja e a oeste por Cuba.


História

        A existência da Vidigueira como povoação só se encontra documentada a partir do século XIII. A análise das personalidades marcantes da região, aliada aos factos históricos mais importantes, contribuem para melhor conhecer o percurso do concelho até aos nossos dias. As descobertas arqueológicas revelaram um património importante. A própria natureza encarregou-se de dotar as terras da Vidigueira com maravilhas que constituem o património natural destas terras. O concelho da Vidigueira fica no coração do Alentejo, na fronteira do Baixo com o Alto Alentejo, entre Beja e Évora. A Serra do Mendro, que dá corpo a essa fronteira, abriga o concelho pelo lado norte; a leste corre o Rio Guadiana, enquanto a sul e oeste se espraia a vasta planície.
Na serra, os montados alimentam de bolota o porco alentejano, dando origem a saborosos enchidos e presuntos, e a flora silvestre dá às abelhas a matéria-prima para um mel de primeira. Na planície, as hortas, os laranjais, e a trilogia mediterrânica que domina os campos, feita de searas, olivais e vinhas, dá origem a afamados produtos de qualidade (o pão, o azeite, e sobretudo, o vinho) que projectam o nome da Vidigueira no exterior. É neste cruzamento de serra, planície e rio, que assenta a diversidade e o carácter excepcional destas terras de pão e de vinho, e suas gentes de paz e de cante. 
A história da região estende-se ao longo dos séculos, mantendo-se até hoje vestígios dos povos que por lá passaram. Na riqueza histórica são notórias as influências da igreja católica. Entre o valioso património da Vila da Vidigueira destacam-se a Igreja de S. Francisco, a Torre do Relógio e a Torre de Menagem (vestígio do que foram os Paços do Castelo).
Esta riqueza de património histórico também é visível no resto do concelho. Em Pedrógão, está presente na Igreja Matriz, Torre do Relógio e Capela de Santa Luzia. Na aldeia de Marmelar, já no sopé da serra, sobressai entre o típico casario, a Igreja Paroquial de Sta. Brígida, de inspiração mudéjar. Selmes é uma aldeia tradicional na planície alentejana, atravessada pela Ribeira do mesmo nome, sobre a qual se ergue uma pequena ponte que se diz ser romana. Dos seus monumentos destacam-se a Igreja Matriz de Sta. Catarina e um conjunto urbano típico, pontuado por 6 nichos em alvenaria que constituem as Estações da Via Sacra. Na mesma freguesia, mas já no sopé da serra, está Alcaria da Serra, pequena aldeia de interessante arquitectura popular, onde se destaca a Igreja de N. Sra. das Relíquias.
Nas proximidades da Vila de Frades, encontram-se as Ruínas Romanas de S. Cucufate. Este impressionante conjunto arquitectónico é exemplar único na Península Ibérica, e conserva ainda um primeiro andar. Posteriormente adaptado a Convento, manteve-se aberto ao culto até ao século XVIII. Pode visitar-se também na povoação e arredores, as Igrejas Matriz e da Misericórdia, as Ermidas de S. Brás e de Sto. António.

Bandeira de Vidigueira

Heráldica

Brasão: de negro, com uma torre torreada de prata aberta e iluminada do campo, envolvida por uma videira troncada da sua cor, folhada de verde e frutada de púrpura. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila da Vidigueira» em negro.

Bandeira: esquartelada de branco e de verde. Cordões e borlas de prata e de verde. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal da Vidigueira».


Cultura e Turismo

            Na região da Vidigueira existem vários pólos de interesse, desde os monumentos históricos, passando pelos vestígios arqueológicos e com particular realce para a beleza natural das margens do Guadiana e outros cursos de água. A riqueza do município está presente em cada recanto, cada povoação que vale a pena conhecer. 
Único monumento nacional do concelho, as ruínas arqueológicas encontram-se em local pouco elevado, mas dominando visualmente a paisagem a sul, até Beja. As suas origens estão associadas à época romana, altura em que foi instalada uma villa no centro de uma exploração agrícola. No entanto, acredita-se que a sua ocupação inicial remonta à Idade de Ferro. Por volta de finais do IV milénio, já os nossos antepassados do neolítico final tinham escolhido aquele local de habitat, talvez temporário, uma vez que não foi encontrada qualquer estrutura associada aos materiais arqueológicos dessa época.
Sem dúvida, foram as realizações do período romano que, de forma indelével, marcaram este sítio. Com algumas descontinuidades, transformações e adaptações, a ocupação deste mesmo espaço prolongou-se até aos finais do século XVIII. No período mulçumano (séc. X ou XI) estabeleceu-se no edifício uma comunidade de frades que ali viveu possivelmente até à segunda metade do sec. XII, tendo S. Cucufate por seu padroeiro. O edifício foi abandonado, talvez por ameaçar cair em ruína. No decorrer das escavações arqueológicas descobriu-se nas traseiras da villa o cemitério medieval dos frades. A adaptação da antiga villa a templo cristão deixou marcas na arquitectura. A descoberta de pinturas murais nas ruínas de São Cucufate contribuiu para colocar este importante marco da história local no caminho da rota dos frescos. As pinturas estiveram durante muito tempo escondidas por detrás de uma camada de cal. Após a villa romana ter sido considerada um monumento nacional, o IPPAR criou em Vila de Frades um Núcleo Museológico na Casa do Arco, edifício cedido pela Câmara Municipal da Vidigueira. As paredes gastas de São Cucufate guardam segredos que ainda estão por desvendar. Guardião da planície, abençoa e enche de orgulho as gentes da região.
Da antiga residência da família Gama restou apenas uma torre quadrada, que se eleva no lado ocidental da vila. Não existem descrições ou registos de como seria a contrução e decoração deste edificio. Torna-se difícil saber se nos seus tempos aúreos esta edificação seria uma fortaleza ou um paço acastelado. A sua construção data do século XV por acção do 2º duque de Bragança, D. Fernando, senhor da vila nessa época. Serviu de domicilio a Vasco da Gama e aos condes da Vidigueira que o procederam. Foi depois abandonado, não se sabe nem quando nem porquê. O povo da Vidigueira acelerou o processo de decadência, ao retirar as pedras do castelo para serem utilizadas na construção das suas casas. Na década de 80, a Câmara Municipal, com a intenção de salvaguardar o que restava deste património, mandou restaurar e elevar os muros ainda existentes. Colocou-se ao lado uma janela, possivelmente do século XVI e de estilo manuelino, encontrada em Vila de Frades. Suspeita-se que a janela chegou a fazer parte do antigo palácio dos condes da Vidigueira. Construiu-se ainda um adarve a que se pode subir por uma escada exterior, proporcionando acesso a um improvisado miradouro, de onde se tem uma vista que abrange a vila da Vidigueira, os campos e povoações circundantes. Pode ainda avistar-se ao longe a torre de menagem do castelo de Beja.
A barragem de Pedrogão, situada na freguesia de Pedrogão, foi construída com a finalidade primária de funcionar como barragem de contra-embalse, recuperando-se assim parte da água usada em Alqueva para produzir energia e para servir os subsistemas de rega de Ardila e Pedrogão. A sua construção deu origem à Albufeira de Pedrógão, um espelho de água que é hoje uma zona protegida. A variedade e riqueza de ecossistemas que se encontram no lago artificial constituem mais uma razão para uma visita à região. A própria barragem, com uma altura de 43 metros, comprimento de 472 metros, impressiona quem por ali faz um passeio. A natureza permanece em constante renovação. A abundância de água torna as terras ainda mais férteis. Existe o cuidado de preservar a fauna e flora características daquela zona. Os passeios ecológicos constituem uma opção saudável para quem visita o concelho. O projecto da barragem de Pedrógão veio impulsionar a economia e turismo da região. A albufeira que origina tem uma capacidade útil de cerca de 54 hm3 possuindo um espelho de água de 11 km2. É a segunda maior barragem do empreendimento Alqueva beneficiando a população envolvente com um estimulo económico decorrente de actividades promovidas em torno da albufeira, sejam elas da vertente agrícola ou turística.

São CucufateBarragem de Pedrogão


Gastronomia

           A Vidigueira orgulha-se da sua gastronomia tradicional, que reúne à mesa os produtos regionais, como o pão, o azeite, as carnes e peixes do rio, numa combinação original e saborosa. O extenso receituário inclui pratos simples, como a típica açorda d'alho, ou outros mais elaborados. Segredos passados de geração em geração, que conquistam quem tem a boa sorte de os degustar. Para a panela vão todos os legumes que a terra produz, nas pequenas hortas da região. Batatas, couves, cenouras, feijão, favas... mais uns enchidos ou toucinho para dar gosto. Quando os legumes escasseiam, basta um pouco de azeite, coentros, alhos e água quente para molhar umas fatias de pão e fazer uma saborosa açorda. Na serra, os montados alimentam de bolota o porco alentejano, dando origem a saborosos enchidos e presuntos. O borrego é outro dos animais criados na região. A caça, uma actividade com bastantes adeptos, fornece também carnes de qualidade, que estão na base dos tradicionais ensopados e assados. Um manancial de pratos que ganham fama fora das fronteiras do município. A influência do rio Guadiana na gastronomia da Vidigueira traduz-se em imensas receitas à base de peixe. Os pescadores trazem para a mesa enguia, sável, saboga, lampreia, tainha, bogas, corvina, esturjão e robalo. A arte da culinária alentejana transforma o peixe fresco em pratos de complexidade diversa e de dar água na boca. Confeccionados à base de carnes, moluscos e legumes, a mesa alentejana é rica em petiscos. No verão, os caracóis e as ameijoas estão prontos para ir ao lume, temperados com uma mão cheia de ervas aromáticas colhidas no campo. No inverno, os cogumelos da região, conhecidos como silarcas, são preparados com ovos ou carne frita, um verdadeiro manjar dos deuses. A gila e o mel fazem parte intriseca da doçaria alentejana. Receitas que são relíquias legadas pelas freiras e doceiras, passadas de geração em geração. Dos fornos da Vidigueira saem biscoitos e bolos regionais como as pupias, bolos de mel, bolos folhados e escarapiadas. No Natal sobressaem as filhós e na páscoa o arroz doce e o tradicional folar.

                                                                                                         Caracóis 
CaracóisBorrego
Borrego 
                                                                                                          Pupias 
PupiasEscarapiadas
Escarapiadas 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Portel

Brasão de Portel

Localização

          Portel é uma vila portuguesa, no Distrito de Évora, região Alentejo e sub-região do Alentejo Central, 
é sede de um município com 601,15 km² de área e subdividido em 8 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Évora, a leste por Reguengos de Monsaraz, a sueste por Moura, a sul pela Vidigueira, a sudoeste por Cuba e a oeste por Viana do Alentejo. A vila de Portel foi fundada em 1261, tendo recebido foral de concelho em 1262.



História

       Portel parece ter sido habitada por Romanos e por ventura Fenícios, exploradores de minas de metais, e os seus vestígios ainda são visíveis no sítio dos Algares, foi habitado por árabes e mouros que deixaram como vestígios da sua presença as muralhas de taipa que já se encontram em ruínas. Durante os períodos de guerra contra Mouros e Castelhanos os habitantes procuravam proteção dentro das muralhas do castelo vindo mesmo aí a fixar residência, com D. João I o medo bélico terminou e a vila precipitou-se a construir as suas habitações no sentido sul- norte em direção ao castelo, das habitações que se encontravam dentro do castelo pouco ou nada há a não ser ruínas e o relato da existência de três igrejas : de S. João, de S. Vicente e de S. Maria. Em 1257, D. João III, fez a primeira doação de Portel a D. João Peres de Aboim e o dotou de terras que iriam desde a Serra da Ossa até Marmelar, em 1261, D. Afonso III, ordenou a Pedro Moniz que reedificasse o Castelo e que fortificasse a vila de Portel, em 1262, D.João Peres de Aboim deu um foral aos povos das suas terras concedendo-lhes os foros e os costumes da Cidade de Évora, em 1268, Aboim deu ao Prior do Crato uma herdade dos seus domínios para fundar o Mosteiro de Vera Cruz de Marmelar que viria a ser concluída em 1281.
No Reinado de D. Dinis, este trocou Evoramonte e Mafra, por Portel, encorporando-o nos domínios da Coroa em 1305, com D. Pedro I, Portel viria a ser doado, em 1359, a Rui Martins Toscano e D. João II fez doação de Portel ao duque de Bragança tal como doou a coutada da vila a Duarte de Almeida, ao longo dos anos Portel continuou a ser doado ao duque de Bragança, tal aconteceu com D. João III, D. Sebastião e D. Filipe III, entretanto, Portel é comarca desde 20 de Dezembro de 1890.

Bandeira de Portel

Heráldica

Brasão: de prata, com uma cruz de Malta de vermelho, acompanhada em orla por sete torres de vermelho, abertas e iluminadas de azul. Coroa mural de prata, de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Portel» a preto.

Bandeira: de vermelho. Cordões e borlas de prata e vermelho. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Portel».


Cultura e Turismo

Castelo de Portel

Em um dos contrafortes da serra de Portel, ergue-se em posição dominante sobre a vila medieval. Nas vizinhanças merecem visita, além do castelo, a Igreja Matriz da Vera Cruz, as grutas de Algar e a barragem do Alqueva. Embora a região seja rica em testemunhos arqueológicos, a primitiva ocupação humana do sítio do castelo é obscura. A toponímia Portel Mafomede, referida à época de D. Afonso III (1248-1279), transparece uma presença Muçulmana. O castelo, em estilo gótico, apresenta planta heptagonal reforçada por torres de planta circular nos vértices. A sua forma, novidade na arquitectura militar portuguesa à época, parece ter sido inspirada no Castelo de Angers, na França. É dominado pos uma imponente torre de menagem, de planta quadrangular, que se ergue a cerca de vinte e cinco metros de altura, dividida internamente em dois pavimentos acima da linha do adarve, ambos cobertos por abóbada em cruzaria de ogiva. O pavimento inferior serviu de cárcere. Foi utilizada a pedra mármore nos cunhais e nas janelas góticas. A porta de acesso à torre é em ogiva.
Esta torre protege o portão de acesso, a Norte, em arco apontado. Pelo lado Sul, a Porta de Beja determina um eixo viário interno em linha reta, ligando as duas portas. O conjunto conta com mais três portas, entre as quais a Porta do Relógio e a Porta do Outeiro. Na praça de armas abre-se uma cisterna e pode-se identificar os vestígios da Capela de São Vicente e as ruínas do paço ducal.
A cerca medieval da vila, não sobreviveu até nós. A defesa do castelo era complementada por uma barbacã, de que se conservam ainda importantes troços a Sul, Norte e Oeste, compostos por cortina reforçada por cubelos de planta quadrangular. É a essa barbacã reedificada por D. Manuel I, que corresponde a porta gótica encimada por brasões reais sobrepostos.

Portel, tem no seu castelo o orgulho do passado, em cada recanto, na vila e nas aldeias, o seu património revela-nos a história deste território, dominado pela serra. Portel assume-se hoje como a capital do montado e a porta de entrada de Alqueva. Um lago de oportunidades à sua espera. O concelho de Portel é marcado pelo  seu património histórico, pela Serra de Portel,  dominada pelo Montado e pela Albufeira de Alqueva. Conhecer a vila e o seu património, passear a pé, descobrir as paisagens da serra e navegar no grande lado são algumas das experiências que pode usufruir no concelho. Os eventos são uma marca cultural do concelho de Portel que se estendem ao longo de todo o ano. O Congresso das Açordas, o Agosto em Festa e a Feira do Montado são alguns desses eventos que  anualmente atraem milhares de turistas à nossa região.



Gastronomia

           No concelho de Portel a oferta gastronómica é rica e variada. No Inverno, a carne de porco é um componente fundamental das migas, do cozido de grão de bico ou da rechina, são as viceras do porco confeccionadas com sangue, é o prato obrigatório da matança, tal como os enchidos. Porque estamos numa região de caça, não se pode perder a ocasião de degustar os pratos confeccionados à base do veado, corço, javali, coelho, lebre e perdiz. 
Ainda hoje se mantêm alguns dos hábitos tradicionais da população como, nos meses de Fevereiro e Março, a apanha das cilarcas, uma variedade de cogumelos obrigatória no calducho e no ensopado de borrego. Também algumas das ervas aromáticas, como o poejo ou a hortelã da ribeira, constituem preciosos condimentos para os pratos preparados à base de peixe do rio.
Os queijos de cabra e de ovelha e o mel constituem outras das grandes riquezas gastronómicas. A doçaria regional é representada pelos afamados bolos folhados com ou sem recheio de chila, pelo bolo de mel, pelas pupias e biscoitos. Os fritos, filhoses, pastéis de grão, borrachos ou bêbados confeccionados no Natal e no Carnaval, acompanhados pelo arroz doce, completam um vasto leque de irresistíveis especialidades.

                                                                                                        Migas
MigasCozido de Grão de Bico ou da Rechina
Cozido de grão de bico 


Pupias
Pupias 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Viagem e visita ao concelho de Moura

Brasão de Moura

Localização :

             Moura é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Beja, região do Alentejo e sub-região do Baixo Alentejo, é sede de um município com 957,73 km² de área e subdividido em 8 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município de Mourão, a leste por Barrancos, a leste e sul pela Espanha, a sudoeste por Serpa, a oeste pela Vidigueira e a noroeste por Portel e por Reguengos de Monsaraz.


História

        Durante a ocupação romana da Península Ibérica, chamar-se-ia Arucci ou Nova Civitas Aruccitana. As invasões muçulmanas renomearam-na para Al-Manijah. A designação actual de Moura surge ligada à Lenda da Moura Salúquia. Foi conquistada pela primeira vez em 1166 pelos irmãos D. Pedro e D. Álvaro Rodrigues e perdida quase de seguida. Foi, ainda em 1166, conquistada por Geraldo O Sem-Pavor, tendo depois disso e até ao reinado de D. Dinis, sido perdida e reconquistada mais quatro vezes. Só foi definitivamente conquistada em 1295 no reinado de D. Dinis.
Recebeu foral de D. Dinis em 1295. D. Manuel I concedeu-lhe foral novo em 1512. Em 1554 recebeu o título de Notável Vila de Moura, das mãos de João III de Portugal.
A proximidade da fronteira espanhola fez com que nas suas cercanias se edificassem postos de vigia ou atalaias, colocados em pontos elevados estratégicos, constituídos por construções troncopiramidais de altura razoável e de difícil acesso, que foram postos à prova durante a Guerra da Restauração e a Guerra da Sucessão.
Em 1707, o duque de Ossuna cercou Moura e só em 1709 é que se viu definitivamente livre do ocupante espanhol que antes de se retirar destruiu as fortificações.
Moura foi elevada a cidade por lei de 1 de Fevereiro de 1988.
Foi em Moura que viveu Tiago Moura de Portugal, uma personagem importantíssima na história da cidade visto que liderou o exército que expulsou definitivamente os espanhóis aquando da sua ocupação.

Bandeira de Moura

Cultura e Turismo : 

            A igreja de S. João Baptista, classificada como Monumento Nacional, foi edificada nos inícios do Séc. XVI, constituindo assim o melhor exemplar do estilo Manuelino existente no concelho.
O templo tem três naves abobadadas, separadas entre si por oito arcos quebrados, assentes em duas séries de pilares octogonais.
Na torre sineira pode ser apreciado o varandim onde se deveria dar a missa aos reclusos da prisão.
A igreja sofreu derrocada parcial em 1708, tendo desabado o coro alto e parte da nave do meio, o que obrigou à sua reconstrução. As obras duraram dois anos, tendo-se verificado a reabertura do templo ao culto a 12 de Abril de 1710.
A última grande campanha de restauro do monumento foi levado a cabo há quase cinquenta anos. A beneficiação geral do edifício então efectuada, incluí arranjo interior do templo, a demolição de pequenas casas modernamente anexadas à igreja e demolição do coroamento da torre sineira.

Lenda Moura Salúquia

         Em 1165 Moura era uma cidade chamada Al-Manijah, capital de província. Governava então nessa importante cidade uma formosa moura, de nome Salúquia, filha de Abu-Assan, que se apaixonou pelo alcaide de Arouche, de seu nome Bráfama. Chegada a véspera do dia das núpcias, grande alegria reinava no castelo de Al-Manijah. Salúquia esperava ansiosamente, no alto da torre, ver surgir o seu noivo, entre os densos olivais. Entre tanto Bráfama acompanhado de brilhante comitiva, cheio de contentamento e desprovido de armas, pois ia para um festim e não para a guerra, deixava Arouche e tomava caminho da terra da sua amada, que estava localizada a 10 léguas de distância. Todo o Alentejo, ao norte e a oeste de moura já tinha sido conquistado pelos cristãos.
El-rei D. Afonso Enriques, encarregou D. Álvaro Rodrigues e D. Pedro Rodrigues, dois irmãos fidalgos muito valentes e ilustres, de conquistarem Al-Manijah, uma das mais importantes cidades muçulmanas, além do Guadiana. Estes dois fidalgos, sabedores do que se passava no castelo, foram esconder-se com o seu exército num olival (chamado hoje Bráfama de Arouche) e aí esperaram o desventurado alcaide e a sua comitiva para, traiçoeiramente, matarem os infelizes árabes. Já mortos, os cristãos despiram-se e vestiram-se com os seus trajes. Disfarçados de muçulmanos e simulando alegres canções mouriscas, dirigiram-se de que nada suspeitava. Salúquia, ao vê-los, mandou baixar a ponte levadiça, julgando que seu noivo se aproximava e depressa percebeu que tinha sido traída: os invasores ao transporem os muros, baixaram as máscaras de árabes honrados e começaram a ferir, sem dó, a desprevenida guarnição de Al-Manijah. Sabedora do que se passava, alcaidessa preferiu a morte à escravidão e num derradeiro esforço, verdadeiramente heróico, tomou as chaves do castelo e precipitou-se da torre onde se encontrava (Torre da Salúquia). Depois da morte da alcaidessa e da conquista da cidade, os irmãos Rodrigues, pelo o que parece, quando queriam referir-se a Al-Manijah diziam a terra de Moura, a vila (que nesse tempo significava cidade) da Moura.

Festa de Nossa Senhora do Carmo (12 a 17 de Julho)

     Já se começou a pintar as casas, por dentro e por fora, para que no dia da festa tudo esteja a brilhar de brancura. E este é apenas o primeiro sinal visível de que algo está para acontecer e que é fruto de um longo trabalho de preparação que começa logo na altura da festa do ano anterior, quando os novos festeiros se oferecem voluntariamente para preparar a festa do ano seguinte. É também uma forma de dar as boas vindas aos forasteiros e aos familiares ausentes que nessa altura regressam e de honrar a imagem da padroeira que, no dia da procissão, passa resplandecente com os seu manto bordado a ouro ou a prata.
A comissão de festas já realizou iniciativas para angariar fundos, já contratou os artistas, os comes-e-bebes e o fogo de artifício. Os vendedores ambulantes já sabem qual o espaço que vão ocupar, os jovens já compraram camisolas com o emblema da festa, os trabalhadores da Câmara organizam-se para montar os palcos e o som. Paira no ar uma atmosfera expectante que, nos dias da festa extravasa em alegria, em actos de fé e até em alguns desculpáveis excessos.
De tudo isto e do muito mais que é o sentimento particular e as razões que cada um guarda no seu coração se fazem as festas do Concelho que, todos anos, são tão certas como o calor de verão.



Gastronomia

           O ritmo da vida, ainda hoje marcado pelas estações agrícolas, é tão antigo como o próprio concelho. 
As quatro estações do ano conhecem ainda uma sequência com poucas alterações. 
Não se perdeu, assim, a arte de fazer os excelentes queijos, a doçaria, os enchidos, os vinhos e azeites que são motivo de orgulho para o concelho de Moura.

                                                                                                             Migas
MigasArroz de Cardos
Arroz de Cardos