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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Sintra

Brasão de Sintra

Localização :

          Sintra é uma vila portuguesa no Distrito de Lisboa, na região de Lisboa, sub-região da Grande Lisboa e na Área Metropolitana de Lisboa.
É sede de um município com 317 km² de área e subdividido em 20 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Mafra, a leste por Loures e Odivelas, a sueste pela Amadora, a sul por Oeiras e Cascais e a oeste pelo oceano Atlântico.
A Vila de Sintra inclui o sítio Paisagem Cultural de Sintra, Património Mundial da UNESCO e tem recusado ser elevada a categoria de cidade, apesar de ser sede do segundo mais populoso município em Portugal, segundo a Câmara Municipal de Sintra.


História

          São vários os vestígios existentes no concelho de Sintra que demonstram a antiguidade do seu povoamento. Do período Neolítico, correspondente à Idade do Cobre ou Calcolítico, foram encontrados alguns povoados, menires e numerosos monumentos funerários. Dos achados mais significativos encontrados no concelho de Sintra, são de destacar: as antas da Estria, da Pedra dos Mouros, de Agualva e do Monte Abraão; o castro de Olelas, constituído por três grutas necrópoles, seis jazidas de superfície, muralhas defensivas e outros monumentos de carácter funerário; a estação eneolítica de Negrais; os menires da Barreira; e os povoados neolíticos de Catribana e de Santa Eufémia. É apontado o ano de 138 a.C. como data da chegada dos romanos à região de Sintra, sendo que estava então integrada no município Olisiponense, ocupando um território limitado a norte pela foz da Ribeira de Ilhas, a sul pelo Cabo da Roca e prolongando-se a leste por Almargem do Bispo e Negrais. Nessa época, a Serra de Sintra revestia-se de um profundo significado simbólico, tratando-se do Mons Sacer (Monte Sagrado) a que se referiu Varrão e onde os romanos ergueram diversos templos e santuários, consagrados ao Sol e à Lua. Entre os numerosos vestígios romanos na região de Sintra, especial referência para a calçada e ponte romana existentes próximas da aldeia de Catribana, freguesia de S. João das Lampas, para o fontanário de Armés e para o paredão da barragem de Belas. Da época de dominação árabe chegaram até aos nossos dias também bastantes vestígios, o mais representativo dos quais é o "castelo dos mouros", sobranceiro à vila de Sintra. Embora já pouco mantenha da sua estrutura original, o Castelo dos Mouros era formado por duas cinturas de muralhas, podendo ser observados vestígios do exterior a Oriente, logo após a entrada no recinto do castelo; a cintura interior é ameada e reforçada cinco torres quadrangulares e uma circular. Também de fundação muçulmana é o Paço de Sintra que, no entanto, pouco conserva da época árabe, sabendo-se que durante a ocupação árabe era a residência dos walis muçulmanos.
Em 1093, D. Afonso VI de Leão e Castela conquista Sintra aos mouros, mas volta a perder a vila em pouco depois, por força da queda de Lisboa nas mãos dos Almorávidas. Em 1109, D. Henrique de Borgonha, reconquista de novo Sintra aos mouros, mantendo-se a vila, por pouco tempo, na posse dos cristãos. Sintra regressa definitivamente à posse cristão em consequência da queda de Lisboa, em 1147. Sete anos mais tarde, D. Afonso Henriques funda o município de Sintra, concedendo carta de foral aos trinta povoadores que então habitavam o castelo. O objectivo principal deste foral era povoar o território e manter ali soldados para manter a sua defesa e conquista. Dessa forma, isenta de impostos os cavaleiros e mantém o município dependente do poder real. Por volta de 1157, o mesmo monarca doa à Ordem do Templo umas casas na via de Sintra e outras propriedades na região, entre as quais a mata de Almosquer. Na organização eclesiástica, mandou o rei que se construísse, no castelo, uma igreja, consagrada ao apóstolo S. Pedro e ergueu outros templos consagrados a Santa Maria, S. Martinho e S. Miguel, formando-se quatro divisões paroquiais que tiveram diferente destino. A paróquia de S. Pedro transferiu a paroquealidade para S. Pedro de Penaferrim, sempre da apresentação da mitra, como vigairaria e depois como priorado; a de Santa Maria, de apresentação régia, depois da Casa da Rainha, comenda da Ordem de Cristo, novamente da Casa da Rainha, ficou tendo anexa a de S. Miguel, cuja igreja se secularizou e foi sempre da apresentação régia; a de S. Martinho, passou do cabido à mitra e foi vigairaria e priorado.
D. Sancho I confirma o foral dado por D. Afonso Henriques, em 1189 e em 1261, Sintra passa a possuir uma administração local constituída por um alcaide que representa a coroa e por dois alvazis ou juízes eleitos pelo povo. Por doação de D. Dinis, a vila de Sintra passa para o senhorio da Casa das Rainhas. Em 1386, D. João I inicia a campanha de obras no Paço Real da Vila orientadas pelo mestre João Garcia de Toledo; o Paço sofreu algumas remodelações, datando dessa época as características chaminés cónicas e a capela do Espírito Santo. Em finais século XIV, é fundado em Sintra, no lugar da Penha Longa, o primeiro mosteiro jerónimo em Portugal. Existem algumas dúvidas quanto à fundação da Penha Longa, pois, embora o terreno tenha sido adquirido em 1390, no que foram outorgantes João Dominges, com procuração de sua mulher Branca Afonso, e Vasco Martins, apenas terá sido concretizada dez anos mais tarde, quando pela bula Piis votis fidelium, de 1 de Abril de 1400, o papa Bonifácio IX autorizou a construção de dois mosteiros. Manuel, em 1503, manda construir o Real Mosteiro de Nossa Senhora da Pena, confiando-o à Ordem de S. Jerónimo. Em 1514, D. Manuel renova o foral de Sintra, datando também dessa altura a construção do pelourinho manuelino de Sintra. É sobretudo com D. Fernando II, através da edificação do Palácio da Pena, que encontramos o grande empreendimento artístico em Sintra no século XIX. Nesse século, Sintra definiu-se como espaço ideal, um privilegiado refúgio de artistas, entre os quais se destaca Eça de Queirós. Na segunda metade do século XVI, Sintra foi «um centro cortesão por excelência, incentivado pela presença de uma aristocracia em ascensão que aqui edificava os seus solares e quintas» (V. Sertão). Nesta ruralidade propícia ao gosto humanista encontrou o Vice-Rei da Índia D. João de Castro (1500-1548), a partir de 1542, o descanso dos últimos anos da sua vida, na Quinta da Penha Verde, onde fomentou um cenáculo de arte e de erudição frequentado por alguns dos mais destacados vultos da cultura portuguesa do seu tempo, entre os quais o célebre Francisco de Holanda. É neste pólo de cultura renascentista que se insere o retábulo de mármore esculpido por Nicolau de Chanterenne entre 1529 e 1532 para a capela do Mosteiro de Nossa Senhora da Pena na Serra, e o pórtico da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Ulgueira (1560). 
Com a morte do Cardeal D. Henrique (1578-1580), Filipe II de Espanha herda o reino de Portugal que permanecerá sob a administração espanhola até 1640. Durante este período de sessenta anos, pode dizer-se que a importância que Sintra tivera durante séculos se “transfere” para Vila Viçosa, a cidade principal da Casa de Bragança, cujos duques, descendentes de D. João I, se consideram os herdeiros do trono português. Mas não deixa Sintra de ser, nesta época, um dos locais em que se reflectem algumas das principais conjunturas políticas e mentais do reino.
Nas vésperas da Restauração, por volta de 1639, Sintra contava com cerca de 4.000 habitantes, segundo um cômputo espanhol da altura. A conjuntura da Restauração e das suas guerras com a Espanha (1640-1668), a afirmação de Mafra no tempo de D. João V (1706-1750) com a construção do Palácio-Convento e, por fim, de Queluz onde é construído em 1747 um outro palácio real, no período dos reinados de D. José I (1750-1777) e de D. Maria I (1777- -1816), afasta a Vila dos circuitos régios e aristocráticos. Apenas se verifica, durante este longo tempo, em 1652 e 1654 as festas de entrada em Sintra, respectivamente, da rainha D. Luísa de Gusmão e do seu marido o rei D. João IV (1640-1656); e o final da saga da deposição e morte de D. Afonso VI. Alegando a insanidade do rei e a sua incapacidade para dar ao reino um herdeiro, o duque de Cadaval e o infante D. Pedro lideram um golpe de Estado em 1667 que leva à demissão do conde de Castelo-Melhor, ministro de D. Afonso VI (1656-1633) e à prisão do próprio monarca. As Cortes de Lisboa de 1668 confirmam o infante D. Pedro, irmão do rei, regente e herdeiro. D. Afonso VI vive o resto da sua vida encarcerado: no Paço da Ribeira de Lisboa (1667-1669), no forte de São João Baptista de Angra, nos Açores (1669-1674) e, por fim, depois de descoberta uma conspiração para matar o regente, no Paço da Vila de Sintra (1674-1683).
O terramoto de 1755, causou na Vila de Sintra e no seu termo avultados estragos e numerosos mortos. É nesta segunda metade do século XVIII que decorrem, no Paço da Vila, obras de restauro. Há que registar, ainda no século XVIIl, a fundação da primeira unidade industrial do concelho, a Fábrica de Estamparia de Rio de Mouro, em 1778, e a visita da rainha D. Maria I à Vila em 1787, para cuja ocasião foram redecoradas algumas salas e câmaras do Paço. Mas as grandes festas, em 1795, pelo baptizado do infante D. António, filho de D. João VI, foram celebradas com magnificência no Palácio de Queluz... E até que o rei-consorte D. Fernando II compre o Mosteiro da Pena e uma vasta área adjacente, em 1838, há apenas que assinalar o arco da autoria do arquitecto Costa e Silva, construído no Palácio de Seteais pertença do Marquês de Marialva, para comemorar em 1802 a visita dos Príncipes do Brasil, D. João e D. Carlota Joaquina e a visita do rei absolutista D. Miguel em 1830. No terceiro quartel do século XVIII e praticamente todo o século XIX o espírito romântico dos viajantes estrangeiros e da aristocracia portuguesa redescobrem a magia de Sintra e dos seus lugares, mas sobretudo o exotismo da sua paisagem e do seu clima. Aqui chega, no Verão de 1787 William Beckford, hóspede do 5° marquês de Marialva, estribeiro-mor do reino, residente na sua propriedade de Seteais e é aqui que a ainda princesa D. Carlota Joaquina, mulher do regente D. João, compra, no princípio do século XIX, a Quinta e o Palácio do Ramalhão.
Entre 1791 e 1793 Gerard Devisme constrói na sua extensa Quinta de Monserrate o palacete neo-gótico cujo desenho — supõe-se que de arquitecto inglês — não foi ainda atribuído com segurança. Beckford, que permanecera em Sintra, arrenda a propriedade de Devisme em 1794. E é ainda o exotismo desta paisagem envolta em nevoeiro uma boa parte do ano que atrai um outro inglês, Francis Cook — o segundo arrendatário de Monserrate depois de Beckford, a expensas do qual é construído o pavilhão de gosto orientalizante que hoje conhecemos -, entre uma série de magnatas estrangeiros que por aqui se vão fixando em palácios, palacetes e chalets que fazem construir ou reconstroem à medida das potencialidades deste invulgar meio natural. O grande empreendimento artístico deste século em Sintra é sem dúvida o Palácio da Pena, obra marcante do romantismo português, iniciativa do rei-consorte D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II (1834-1853), um alemão da casa de Saxe-Cobourg-Gotha. O Palácio, construído sobre o que restava do velho mosteiro Jerónimo do século XVI — mas conservando-lhe partes fundamentais (a igreja, o claustro, algumas dependências) — é de uma arquitectura ecléctica única que não teve continuidade na arte portuguesa. Projecto do barão de Eschwege e do próprio D. Fernando II, substitui-se ao Palácio da Vila enquanto estância de veraneio da Corte, alternando, no final do século, com outro núcleo regional do veraneio régio: Cascais. Depois de Sintra, nos meses de Setembro e Outubro é em Cascais que a corte de D. Luís I (1861-1889) e de D. Carlos I (1889-1908) termina o veraneio. Em 1854 é celebrado o primeiro contrato para a construção de um caminho de ferro que ligasse a Vila a Lisboa. Um decreto de 26 de Junho de 1855 regulava este contrato celebrado entre o governo e o conde Claranges Lucotte que, todavia, foi rescindido em 1861. Após várias tentativas sem êxito, a linha foi finalmente inaugurada a 2 de Abril de 1887. No princípio do século XX, foi Sintra um reconhecido lugar de veraneio e residência de aristocratas e de milionários. De entre estes, Carvalho Monteiro detentor de uma considerável fortuna que lhe valeu a alcunha de "Monteiro dos Milhões", fez construir perto da Vila, na quinta que comprara à baronesa da Regaleira, um luxuoso palacete cuja arquitectura neo-manuelina representa um marco na história do revivalismo português. Entre a segunda metade do século XIX e os primeiros decénios do século XX, Sintra tornou-se um lugar privilegiado para artistas: músicos como Viana da Mota; músicos-pintores como Alfredo Keil; pintores como João Cristino da Silva, autor de uma das mais célebres telas do romantismo português: Cinco Artistas em Sintra; escritores como Eça de Queiróz ou Ramalho Ortigão, todos eles aqui residiram, trabalharam ou procuraram inspiração. Mas não só artistas portugueses se têm maravilhado em Sintra. Em 1757, o romancista Henry Fielding, ao sentir-se doente, retirou-se para uma mansão em Sintra, que considerou o lugar mais belo da terra para escrever um novo romance.3 O poeta Robert Southey também viveu em Sintra com a mulher e com os filhos e desafiou os outros românticos ingleses a fazerem o mesmo.4 Samuel Taylor Coleridge imitou-o e descreveu Sintra como um jardim do Éden à beira de um mar prateado, e o poeta William Wordsworth também visitou a região.4 Em 1809 Lord Byron escreveu ao seu amigo Francis Hodgson (1781–1852) dizendo que a vila de Sintra é talvez a mais bonita do mundo.5 No poema Childe Harold Pilgrimage Byron referiu-se a “Cintra's glorious Éden”6 A 21 de Agosto de 1859 chegou a Portugal o poeta Alfred Tennyson com a intenção de conhecer Sintra.7 Muitos anos mais tarde foi a vez do escritor Isaac Bashevis Singer, galardoado com o prémio Nobel da Literatura, andar a passear por Sintra, conforme relatou no seu conto Sabbath in Portugal.
Em 1981, o cineasta brasileiro Glauber Rocha, um dos mais importantes nomes do cinema moderno mundial, legítimo representante do barroco latinoamericano e terceiromundista, escolhe Sintra para ser, como ele próprio afirmou, "seu segundo e último exílio". Aos 42 anos, já com a saúde debilitada, problemas financeiros, e uma forte decepção frente à rejeição de seu último filme, "A Idade da Terra" (1980), no Festival de Veneza, Glauber vai a Sintra já ciente de que sua vida chegara ao fim. "O preço pago pela liberdade artística", dizia. Um mistério: por várias vezes, anos antes, Glauber afirmara que morreria aos 42, o que, de fato, ocorreu. "Sintra é um belo lugar para morrer", afirmou.
"Verdadeiro Património da Humanidade já enquanto referência com largos séculos, a Candidatura de Sintra a Património Mundial/Paisagem Cultural, que apresentámos e defendemos, representa o reconhecimento monumental e ambiental de uma vasta paisagem cultural cuja identidade - formulada também com importantes contributos de estrangeiros que reconheceram neste lugar qualidades que na maior parte dos casos se saldaram com permanências longas e por vezes definitivas, na grande parte dos exemplos dando origem a um rico património literário — permaneceu ao longo dos oitocentos anos de história deste País. In "Sintra Património da Humanidade".

Bandeira de Sintra

Heráldica

Brasão -  Escudo de vermelho, com uma torre torreada mourisca de ouro, aberta e iluminada de azul assente num monte de penhascos de negro, perfilados e realçadosde prata, carregados de plantas de verde floridas do campo, estando a torre superior carregada de cinco escudetes ogivais de azul postos em cruz, os dos flancos deitados e apontados ao centro, carregados cada de onze besantes de prata postos em aspa e acompanhada de dois crescentes de prata encimados, cada, por estrela de cinco pontas do mesmo.
Coroa mural de prata com quatro torres aparentes. Listel branco com a legenda a negro: "Vila de Sintra".

Bandeira - Esquartelada de amarelo e de azul. Cordões e borlas de ouro e de azul. Haste e lança de ouro.

Simbologia - A acção guerreira que, nestas paragens, predominou desde tempos remotos até à reconquista cristã por Dom Afonso Henriques, é representada pelo vermelho do campo do escudo das armas, significando o vermelho, em heráldica, vitórias, ardis e guerras. Quanto ao castelo, é representado por uma torre torreada por ter sido uma fortificação militar que teve acções guerreiras na sua história. O valor que teve a tomada de Sintra, tão próxima de Lisboa, possibilitando o desenvolvimento do grande poder que tinha Dom Afonso Henriques para a fundação da nacionalidade, é representado no ouro da torre torreada, significando o ouro, em heráldica, fé e poder. A conquista de Sintra e do seu castelo, por Dom Afonso Henriques, está representada pelas quinas antigas de Portugal, que carregam a torre superior. Quanto aos antigos senhores da vila, os mouros, que Dom Afonso Henriques venceu, estão representados pelos crescentes e pelas estrelas de prata que os encima e que acompanham a torre torreada. O admirável panorama que, da serra de Sinta, se avista, é representado pelo azul indicado para iluminar e abrir a torre torreada, visto que o azul, em heráldica, corresponde ao ar. A terra, e portanto o solo que a natureza embelezou e enriqueceu com o frondoso arvoredo e as cristalinas águas, é representada pelo negro dos penhascos em que assenta a torre. Em heráldica o negro corresponde à terra e significa honestidade. A fantástica serra é figurada no monte de penhascos.


Cultura e Turismo :

         De clima ameno e ares lavados, a vila de Sintra foi, durante séculos, local privilegiado de habitação e lazer por parte de reis e nobres, que a dotaram de vários monumentos que hoje fazem parte do seu património. A Vila Velha de Sintra e a área envolvente, classificada, pela UNESCO como Património Mundial/Paisagem Cultural desenvolve-se na aba Norte da Serra de Sintra que termina no Cabo da Roca, o ponto mais ocidental do continente europeu.
Dos monumentos do concelho de Sintra, um especial destaque para os palácios aí existentes: o Palácio de Seteais, construído no último quartel do século XVIII por Daniel Gildemeester e que recebeu o seu traçado actual após as obras de ampliação que sofreu, nos primeiros anos do século XIX, aquando da posse de D. Diogo José Vito de Meneses Noronha Coutinho, 5º Marquês de Marialva; o Palácio de Queluz, cuja construção iniciou no ano de 1747 pelo Infante D. Pedro, futuro D. Pedro III, a partir de um antigo palácio rural dos Marqueses de Castelo Rodrigo, e que foi adaptado a residência de veraneio da familia real; o Palácio de Monserratee-Mail, palacete romântico cujo projecto se deve ao arquitecto James Knowles Jr., construído no terceiro quartel do século XIX, por iniciativa de Francis Cook, Visconde de Monserrate, constitui um dos mais interessantes espécimes sintrenses do Romantismo; o Palácio Nacional, constituído por diversos corpos edificados ao longo de sucessivas épocas, o Paço da Vila de Sintra é um dos mais importantes exemplares portugueses de arquitectura realenga; e o Palácio da Pena ou «Castelo da Pena» situa-se num dos cumes da Serra de Sintra e a sua construção remonta a 1839, quando o rei consorte D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha (1816-1885) adquiriu as ruínas do Mosteiro Jerónimo de Nossa Senhora da Pena e iniciou a sua adaptação a palacete. Em torno deste palácio, está o frondoso Parque de Pena, plantado e arborizado devido aos esforços de D. Fernando II de Saxe Coburgo Gotha, no terceiro quartel do século XIX. Ainda referente ao património concelhio, destaque para: a Igreja de S. Pedro de Penaferrim, de fundação medieval, alterada no século XVI por iniciativa de D. Álvaro de Castro (1565); a Igreja de S. Martinho, arrasada pelo terramoto de 1755 e reconstruída e em fins do século XVIII; a Igreja de Santa Maria, fundada por D. Afonso Henriques após a reconquista, mas totalmente alterada no final do século XIII e inícios do XIV, é um edifício gótico; e a Igreja de S. Miguel. No que diz respeito a unidades museológicas, destaque para: o Museu Arqueológico, inaugurado em 1955, no lugar de Odrinhas, a cerca de 11 Km da sede concelhia, tratando-se de um museu dedicado à Epigrafia latina, instalado no espaço de uma villa romana de que se vislumbram várias estruturas; o Museu Regional, situado no antigo Hotel Costa, na Praça da Républica (Vila Velha), tem notáveis colecções de Arqueologia, de Etnografia e de Arte Sacra, e com uma Galeria de Pintura de Temática Sintrense, que inclui um espaço destinado a Exposições Temporárias; o Museu de Arte Moderna, reúne, em permanência, uma importante colecção de arte internacional, a Collecção Berardo, onde estão representados os principais movimentos, correntes e linhas de investigação artística, com obras consideradas essenciais para a compreensão da história de arte internacional; e o Museu do Brinquedo que apresenta a colecção de brinquedos de João Arbués Moreira.
De mencionar ainda outras infra-estruturas culturais existentes no concelho de Sintra como: a Galeria Municipal do Museu Regional de Sintra, situada no centro histórico de Sintra; a Galeria Municipal de Fitares; a Galeria, um espaço no bairro da judiaria, junto ao Palácio Nacional, local eleito para a primeira leitura dos Lusíadas, onde Camões exaltou os feitos dos portugueses de além mar, a Galeria Artes & Tartes, onde se encontram várias exposições temporárias de pintura, escultura, artesanato, ourivesaria, etc.; a Galeria de Albarraque; a Biblioteca Municipal de Sintra, inaugurada por Francisco Costa e que se caracteriza pelo seu vasto acervo bibliográfico de História Local; a Biblioteca Local de Agualva-Cacém, inaugurada a 11 de Novembro de 1997, direccionada para o campo das novas técnicas da informação; e Biblioteca da Tapada das Mercês, inaugurada a 23 de Abril de 1998. Destaque ainda para o Centro Cultural Olga Cadaval instalado no antigo Cine Teatro Carlos Manuel.






Palácio Nacional da Pena

                 Quase todo o Palácio assenta em enormes rochedos, e a mistura de estilos que ostenta (neogótico, neomanuelino, neo-islâmico, neo-renascentista, com outras sugestões artísticas como a indiana) é verdadeiramente intencional, na medida em que a mentalidade romântica do século XIX dedicava um fascínio invulgar ao exotismo.
Estruturalmente o Palácio da Pena divide-se em quatro áreas principais:
A couraça e muralhas envolventes (que serviram para consolidar a implantação da construção), com duas portas, uma das quais provida de ponte levadiça;
O corpo, restaurado na íntegra, do Convento antigo, ligeiramente em ângulo, no topo da colina, completamente ameado e com a Torre do Relógio;
O Pátio dos Arcos frente à capela, com a sua parede de arcos mouriscos;

A zona palaciana propriamente dita com o seu baluarte cilíndrico de grande porte, com um interior decorado em estilo cathédrale, segundo preceitos em voga e motivando intervenções decorativas importantes ao nível do mobiliário e ornamentação em geral. Durante a construção, apesar de se manter a estrutura básica, foram feitas alterações em quase todos os vãos, ao mesmo tempo que a pequena torre cilíndrica que se encostava à maior passou para a retaguarda do edifício. O arco do corpo, ladeado por duas torres, recebeu uma profusa decoração em relevo a imitar corais. Sobre ela, uma janela, a "bow window", recebeu na sua base, também em relevo, uma figura de um ser híbrido, meio-peixe, meio-homem, saindo de uma concha com a cabeça coberta por cabelos que se transformam num tronco de videira cujos ramos são sustentados pela enigmática personagem, relembrando propositadamente o homem barbado da janela da sala do coro do Convento de Cristo em Tomar, transformado aqui num ser monstruoso de carácter quase demoníaco. Este conjunto, conhecido por "pórtico do Tritão", foi projetado pelo próprio D. Fernando, que o desenhou como um "Pórtico allegórico da creação do mundo", e parece condensar, em termos simbólicos, a "teoria dos quatro elementos". Reforçando esta relação com Tomar, a janela existente no lado oposto deste corpo copia com alguma liberdade o célebre vão manuelino da autoria de Diogo de Arruda, "achatando-a". Nicolau Pires foi a Tomar desenhá-la para o príncipe, que reformulou o conjunto.
O conjunto das diversas guaritas, o desnivelamento dos sucessivos terraços, o revestimento parietal com azulejos neo-hispano-árabes, oitocentistas, são elementos significativos. A adaptação da janela do Convento de Cristo, do lado do Pátio dos Arcos e a notável figura do Tritão, simbolizando, segundo alguns autores, a alegoria da Criação do Mundo, são pormenores fundamentais na interpretação deste Palácio.
A planta do edifício é bastante irregular e está condicionada por uma construção ali preexistente – a Capela de Nossa Senhora da Pena – e ainda pela topografia. O resultado é um núcleo sensivelmente quadrangular, organizado à volta de claustro e um outro alongado. As fachadas são divididas por bocéis ou torçais e fenestradas, mais ou menos regularmente, e por vãos quadrangulares, rectangulares e de arco pleno. As torres e os baluartes possuem anéis superiores sobre cachorrada ou arcatura, formando caminhos de ronda, mirantes ou terraços. Já as torres quadradas têm nos cunhais guaritas circulares com coberturas cónicas.
A fachada principal está revestida com azulejos de padrão policromo e dispõe de uma varanda ao nível do terceiro piso. No núcleo quadrangular, destacam-se várias arcadas interrompidas sobre murete. Uma escada em U conduz ao claustro, de dois pisos, com arcada de arcos plenos no primeiro e abatidos no segundo. À volta destes dispõem-se algumas das principais salas.
Na ala norte encontra-se a capela, forrada a azulejos padrão, com a nave separada da capela–mor por teia em pau–santo. O parque possui uma ambiência fria e nórdica, o que se deve às influências dos jardins românticos da Alemanha. Todas as torres (exceptuando a do Relógio) receberam cúpulas. Os motivos de inspiração foram essencialmente colhidos em fontes mouriscas e mudéjares espanholas e em quase todas as obras manuelinas da Grande Estremadura, entre as quais se encontram: a Torre de Belém (justificando as guaritas com cúpulas gomeadas e os renques de ameias), os Jerónimos (os vãos, a ornamentação de cordas entrançadas e frisos), o Convento de Cristo (a "bow window", a própria expressão quase caricatural) e o Palácio da Vila (os frisos de relevos góticos nas cornijas, e a própria realização orgânica do complexo). As rosas com cruzes inscritas demonstram a secreta genealogia do príncipe, que devia remontar miticamente à Fraternidade Rosa-cruz do século XVII, da qual o príncipe foi grão-mestre e, ainda mais tarde, à Ordem de Cristo, herdeira dos Templários em Portugal.
A concepção dos interiores deste Palácio para adaptação à residência de verão da família real valorizou os excelentes trabalhos em estuque, pinturas murais em "trompe-l'oeil" e diversos revestimentos em azulejo do século XIX, integrando as inúmeras colecções reais em ambientes onde o gosto pelo bricabraque e pelo coleccionismo são bem evidentes.

Destacam-se ainda:
- a Sala dos Veados, ampla e cilíndrica, com uma larga coluna como eixo, atualmente utilizada para exposições;
- a Sala de Saxe, onde predomina a porcelana de Saxe;
- o Salão Nobre, onde estuques, lustres, móveis e pedaços de vitrais variam do século XIV ao século XIX, e onde se misturam elementos maçónicos e rosacrucianos;
- o Atelier do Rei D. Carlos, estúdio com telas pintadas por D. Carlos
- o Terraço da Rainha, de onde melhor se pode observar a arquitetura do Palácio, o Relógio de Sol com um canhão que disparava ao meio-dia
- o Claustro Manuelino, parte original do antigo mosteiro do século XVI revestido de azulejos hispano-árabes (c.1520)
- a Capela, parte original do antigo mosteiro dos frades Jerônimos
- os aposentos, onde se identifica o grande baixo relevo em madeira de carvalho quinhentista, de autor desconhecido, ilustrando a Tomada de Arzila, adquirido por D. Fernando em Roma;
 -a Sala Indiana, com valiosas obras de arte, como o lustre em cristal da Boémia e baixo relevo "Cólera Morbus", de autoria de Vítor Bastos;
 - a Sala Árabe, que expõe algumas das pinturas de Paolo Pizzi; e
as pinturas em pratos do rei-artista, numa outra sala.



Palácio Nacional de Sintra

             De planta complexa, organiza-se em "V" e apresenta volumetria escalonada, constituída sobretudo por paralelepípedos, sendo a cobertura efectuada por múltiplos telhados diferenciados a quatro águas.
Aspecto característico deste palácio, rapidamente identificado pelos turistas, é o par de altas chaminés cónicas. O alçado principal está organizado em três corpos, sendo o central mais elevado e recuado relativamente aos extremos. Existe ainda no piso térreo uma arcaria com quatro arcos quebrados, encimada por cinco janelas maineladas e emoludramento calcário. As outras frentes do edifício apresentam um complexa articulação de corpos salientes e reentrantes, destacando-se o volume cúbico da Sala dos Brasões.
Os compartimentos internos reflectem-se em núcleos organizados em torno de pátios. Destacam-se os seguintes: a Sala dos Archeiros, a Sala Moura (ou dos Árabes), a Sala das Pegas, a Sala dos Cisnes e a Sala dos Brasões — que ostenta a representação das armas de 72 famílias nobres portuguesas e dos oito filhos de D. Manuel I —, a Sala das Sereias e a Sala da Audiência.
A capela, de planta rectangular e nave única, tem os muros revestidos por pintura ornamental e tecto de madeira. Na cozinha, são visíveis arranques octogonais das monumentais chaminés. Alguns compartimentos da chamada ala manuelina ostentam emolduramentos de vãos e lareiras em calcário, caracterizadas por decoração em relevo.



Palácio da Regaleira

         Carvalho Monteiro tinha o desejo de construir um espaço grandioso, em que vivesse rodeado de todos os símbolos que espelhassem os seus interesses e ideologias. Conservador, monárquico e cristão gnóstico, Carvalho Monteiro quis ressuscitar o passado mais glorioso de Portugal, daí a predominância do estilo neomanuelino com a sua ligação aos descobrimentos. Esta evocação do passado passa também pela arte gótica e alguns elementos clássicos. A diversidade da quinta da Regaleira é enriquecida com simbolismo de temas esotéricos relacionados com a alquimia, Maçonaria, Templários e Rosa-cruz. O bosque ou mata que ocupa a maioria do espaço da Quinta, não está disposta ao acaso. Começando mais ordenada e cuidada na parte mais baixa da quinta, mas, sendo progressivamente mais selvagem até chegarmos ao topo. Este disposição reflecte a crença no primitivismo de Carvalho Monteiro.  O Patamar dos Deuses é composto por 9 estátuas dos deuses greco-romanos. A mitologia clássica foi uma das inspirações de Carvalho Monteiro para os jardins da Regaleira. 
Uma galeria subterrânea com uma escadaria em espiral, sustentada por colunas esculpidas, por onde se desce até ao fundo do poço. A escadaria é constituída por nove patamares separados por lanços de 15 degraus cada um, invocando referências à Divina Comédia de Dante e que podem representar os 9 círculos do inferno, do paraíso, ou do purgatório. Segundo os conceituados ocultistas Albert Pike, René Guénon e Manly Palmer Hall é na obra 'A Divina Comédia' que se encontra pela primeira vez exposta a Ordem Rosacruz. No fundo do poço está embutida em mármore, uma rosa dos ventos (estrela de oito pontas: 4 maiores ou cardeais, 4 menores ou colaterais) sobre uma cruz templária, que é o emblema heráldico de Carvalho Monteiro e, simultaneamente, indicativo da Ordem Rosa-cruz.
O poço diz-se iniciático porque se acredita que era usado em rituais de iniciação à maçonaria e a explicação do simbolismo dos mesmos nove patamares diz-se que poderá ser encontrada na obra Conceito Rosacruz do Cosmos. A simbologia do local está relacionada com a crença que a terra é o útero materno de onde provém a vida, mas também a sepultura para onde voltará. Muitos ritos de iniciação aludem a aspectos do nascimento e morte ligados à terra, ou renascimento. A existência de 23 nichos localizados por debaixo dos degraus do poço iniciático representava um dos muitos mistérios da referida construção. No dia 29 de Dezembro de 2010, o professor Gabriel Fernández Calvo da Escola Técnica Superior de Engenheiros de Caminhos, Canais e Portos da Universidad de Castilla-La Mancha em Ciudad Real, quando visitava o poço acompanhado de outros professores da UCLM, observou que os 23 nichos não estão colocados por acaso, pois encontram-se agrupados em três conjuntos de 17, 1 e 5 nichos separados entre si à medida que se desce ao fundo do poço. Esta organização não é aleatória e provavelmente se refere ao ano 1715 em que Francisco Albertino Guimarães de Castro comprou a propriedade (conhecida como Quinta da Torre ou do Castro) em hasta pública.
O poço está ligado por várias galerias ou túneis a outros pontos da quinta, a Entrada dos Guardiães, o Lago da Cascata e o Poço Imperfeito. Estes túneis, outrora habitados por morcegos afastados pelos muitos turistas que visitam o local, estão cobertos com pedra importada da orla marítima da região de Peniche, pedra que dá a sugestão de um mundo submerso. 
  Uma magnífica fachada que aposta no revivalismo gótico e manuelino. Nela estão representados Santa Teresa d'Ávila e Santo António. No meio, a encimar a entrada está representado o Mistério da Anunciação - o anjo Gabriel desce à terra para dizer a Maria que ela vai ter um filho do Senhor - e Deus Pai entronizado. No interior, no altar-mor vê-se Jesus depois de ressuscitar a coroar uma mulher que pode ser Maria ou Madalena (de uma maneira mais contraditória). Do lado direito Santa Teresa e Santo António repetem-se, desta vez em painéis de mosaico. Do lado oposto um vitral com a representação do milagre de Nossa Senhora da Nazaré a D. Fuas Roupinho. No chão estão representados a Esfera Armilar ou Globo Celeste e a Cruz da Ordem de Cristo, rodeados de pentagramas (estrelas de cinco pontas). 

Gastronomia

           Da gastronomia local, destaque para o leitão dos Negrais, a carne de porco às Mercês, o cabrito e a vitela assada. Na doçaria, especial referência para as queijadas de Sintra, para os travesseiros, para os pastéis da Pena, para as nozes de Galamares e para os fôfos de Belas.

                                                                                                          Travesseiros de Sintra
Travesseiro de SintraCabrito Assado
Cabrito Assado 




domingo, 26 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Oeiras

Brasão de Oeiras

Localização

           O concelho de Oeiras está situado no distrito de Lisboa, na margem direita do estuário do Tejo que tem a sua foz na área da vila, constitui o segundo mais pequeno concelho do distrito de Lisboa, abrangendo uma área de 45.8 km2, distribuída por dez freguesias, oito das quais com sede em vila (Algés, Carnaxide, Caxias, Linda-a-Velha, Oeiras, Paço de Arcos, Porto Salvo e Queijas), faz fronteira com os concelhos de Cascais, a Poente; Sintra e Amadora, a Norte; e Lisboa, a Nascente; tendo como limite Sul, o rio Tejo.
O território do concelhio é constituído por um conjunto de unidades ou elementos paisagísticos particulares que o caracterizam, nomeadamente a Serra de Carnaxide e os Altos da Mama Sul, Montijo, Barronhos e Confeiteiras, na parte Este do Concelho, os vales das cinco principais ribeiras que o atravessam no sentido Norte/Sul, e toda a orla costeira/ribeirinha.


História

          Dada a sua localização geográfica privilegiada, é natural que o território que compõe o actual concelho de Oeiras tenha sido ocupado desde épocas bastante remotas. Um dos exemplos mais significativos do seu primitivo povoamento é o Castro Eneolítico de Leceia, localizado na freguesia de Barcarena, constituído por estruturas habitacionais e defensivas típicas de um antigo povoado calcolítico pré-companiforme. Da época de dominação romana, existem no concelho poucos vestígios, sendo no entanto de assinalar que o topónimo principal do concelho terá, muito provavelmente, origens nessa época, derivando do latim vulgar aurarias que significa "minas de ouro". Da época muçulmana, restam também importantes vestígios toponímicos, como é o caso de Alcássimas, Algés, Alpendroado, Almocovada, entre outros. As primeiras referências escritas relativas a Oeiras remontam ao século XIV, constando no Diploma da Chancelaria do Rei D. Dinis. No século XVI são construídos o Mosteiro de Frades Arrábidos (em Cruz Quebrada) e o Convento de S. José de Ribamar em Algés, sendo que ainda nesse século deu-se inicio do desenvolvimento das actividades industriais e comerciais , com a construção de oficinas para a manipulação da pólvora, em Barcarena; bem como o desenvolvimento da actividade agrícola, principalmente a cultura da vinha e mais tarde dos cereais. No século seguinte, foram construídos alguns fortes, como é o caso do Forte de S. Julião da Barra, o Forte das Maias, o Forte do Catalazete, o Forte da Giribita, o Forte de S. Bruno, o Forte da Conceição de Algés e o Forte de S. José de Ribamar.
Em 1759, a povoação foi elevada a vila e a condado, cabendo o título a Sebastião José de Carvalho e melo, depois primeiro Marquês de Pombal. A partir dessa data, a história do concelho de Oeiras ficou ligada a essa figura da História de Portugal que criou em Oeiras uma feira agrícola e industrial, em 1770, que foi a primeira da Europa. Data também dessa época, a construção de vários edifícios públicos, moradias e quintas. O século XIX e inícios do século XX, foram marcados pela criação de infra-estruturas de transporte e o desenvolvimento de unidades fabris, como a Fábrica de Papel e a Fundição de Oeiras. A época seguinte, foi marcada pela centralização das actividades económicas na cidade de Lisboa e paralelamente, oeiras foi-se definindo principalmente como centro habitacional.
O concelho de Oeiras foi extinto a 26 de Outubro de 1895 e anexado ao concelho de Cascais, com a excepção da freguesia de Barbacena que foi anexada ao concelho de Sintra. Foi restaurado em 1898, com todas as suas freguesias à excepção de Carcavelos que permaneceu integrada no concelho de Cascais.

Bandeira de Oeiras

Heráldica

Brasão: de negro, com um cisne de prata bicado e sancado de ouro, com uma estrela de oito raios do mesmo metal no peito, sobre azul e encerrado numa quaderna de crescentes de prata, acantonada em chefe de dois cachos de uvas de púrpura, folhados e sustidos de ouro. Em contra-chefe cinco faixas ondadas, três de prata, uma de azul e outra de verde. Coroa mural de prata com quatro torres. Listel de branco com os dizeres: «Vila de Oeiras», de negro.

Bandeira: esquartelada de branco e de púrpura. Cordões e borlas de prata e de púrpura. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Oeiras».


Cultura e Turismo

         Do património edificado do concelho de Oeiras destaque para: o Povoado Pré-Histórico de Leceia; a Capela de Santo Amaro de Oeiras, edifício reconstruído e remodelado no sec XVIII; o Convento da Cartuxa, pequeno claustro mandado construir pelo Cardeal D. Luís de Sousa; a igreja de S. Pedro de Barcarena, cuja construção remonta ao século XIII, a Igreja de S. Romão, o forte de S. Julião da Barra que ao longo dos tempos foi várias vezes ampliado, alterado e adaptado a vários usos e que actualmente é a residência oficial do Ministro da Defesa; a Torre do Bugio que actualmente funciona como farol; o forte de S. Bruno, onde se encontram as instalações do Corpo de Voluntários de Salvadores Náuticos; o forte de Catalazete, que outrora foi uma colónia de férias à Mocidade Portuguesa e actualmente funciona como Pousada da Juventude; o forte do Areeiro; o forte de Caxias, cedido em 1935 ao ministério da justiça para albergar presos de outras cadeias, actualmente aloja o Hospital-Prisão João de Deus.
A visitar no concelho de Oeiras, são também as suas unidades museológicas. O Museu do Automóvel Antigo está sediado em Paço de Arcos, tendo sido criado através de um protocolo entre a Câmara Municipal de Oeiras e o Clube Português de Automóveis Antigos, encontrando-se aberto ao público desde 14 de Junho de 1990. A Fábrica da Pólvora é uma das unidades fabris mais antigas do concelho, cujas origens remontam ao século XV, quando D. Manuel instalou junto à ribeira de Barcarena engenhos de pilões para o fabrico de pólvora. Em 1988, a fábrica foi encerrada, sendo que em 1994, a Câmara Municipal de Oeiras tomou a iniciativa de adquirir à INDEP o complexo fabril. O complexo da Fábrica da Pólvora, abrange actualmente vários espaços, entre os quais: o Museu da Pólvora Negra, aberto ao público desde 1998. Especial realce ainda, para o aquário Vasco da Gama, inaugurado a 20 de Maio de 1898, com a presença da família real portuguesa e de figuras ilustres da época. Construído no âmbito da Celebração do 4º Centenário da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, findas estas, a sua administração foi entregue Marinha de Guerra Portuguesa, onde permanece até hoje como organismo cultural.



Gastronomia :

             Da gastronomia tradicional, destaca-se no concelho de Oeiras as migas, açordas, favadas, feijoadas e o coelho à caçador. Na doçaria, destaque para o toucinho do céu e para os tabefes.

                                                                                                             Queijadas de Oeiras
Queijada de OeirasPalitos do Marquês
Palitos do Marquês

sábado, 25 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho da Amadora

Brasão de Amadora

Localização

          Amadora é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Lisboa, região de Lisboa e sub-região da Grande Lisboa, sendo a quarta cidade mais populosa em Portugal,  é sede de um dos mais pequenos municípios de Portugal, com apenas 23,77 km² de área , subdividido em 11 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município de Odivelas, a sueste por Lisboa, a sul e oeste por Oeiras e a oeste e norte por Sintra.
A Amadora é o município com mais elevada densidade populacional do país, constituiu-se em torno do lugar da Porcalhota, servida pela Capela de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, sede de irmandade própria que dispunha de avultados bens.


História

          A região da Amadora serviu durante vários séculos de estância de veraneio para famílias abastadas de Lisboa. A salubridade do sítio, a proximidade da capital, as facilidades de comunicações e vasta área disponível para urbanização estão na base do desenvolvimento espectacular de construções, que , em determinadas zonas, ainda tem habitações clandestinas.
O actual território da Amadora nasceu da divisão da antiga freguesia de Benfica, cortada pela Estrada da Circunvalação aquando da redefinição dos limites de Lisboa, em 1885-1886. A freguesia extra-muros, chamada Benfica-Extra, ficou a pertencer ao concelho de Oeiras.
O principal núcleo da freguesia passou a ser o lugar da Porcalhota. Em 1907, a população local pediu ao rei D. Carlos que permitisse a mudança de nome, situação a que o Ministério do Reino deu despacho, renomeando a povoação de Amadora em 28 de outubro de 1907.
Foi elevada a freguesia dentro do concelho de Oeiras em 17 de abril de 1916, e foi elevada a vila em 24 de junho de 1937.
O município da Amadora viria a ser criado 42 anos depois, em 11 de setembro de 1979, por secessão das freguesias da Amadora e da Venteira, do nordeste do concelho de Oeiras. Dias depois, a 17 de setembro de 1979, a vila da Amadora é elevada a cidade, e a freguesia homónima é dividida nas freguesias de Alfragide, Brandoa, Buraca, Damaia, Falagueira-Venda Nova, Mina e Reboleira. Na ocasião agregou a si partes das freguesias de Queluz e de Belas, pertencentes ao concelho de Sintra, e tendo cedido a localidade de Presa que passou a fazer parte da freguesia de Odivelas, atual concelho de Odivelas.
Em 1997, foram enfim criadas as freguesias de Alfornelos, Falagueira, Venda Nova e São Brás, prefigurando assim a actual divisão municipal.
Entre os seus símbolos contam-se o Aqueduto das Águas Livres, bem como os campos de aviação que tiveram tanta importância na emergência da aviação em Portugal, sendo que ainda hoje o Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa se situa no concelho, na freguesia de Alfragide. Ambos figuram nas armas da cidade.

Bandeira de Amadora

Heráldica

Brasão: campo de verde, tendo em faixa um aqueduto de 3 arcos, de prata, lavrado de negro. Em chefe, manga de vento enfunada de prata, posta em banda, colocada à dextra, com haste e rolamentos de ouro e ferros de negro; brocante sobre esta e colocada à sinistra, hélice de avião com cubo de vermelho e 2 pás de ouro, posta em contrabanda, com cores e metais entrecambados. Em contrachefe, romãzeiro de 3 ramos, arrancado, florido e frutado de ouro, com bagas de fruto vermelho. Coroa mural de 5 torres de prata.

Bandeira: gironada de 8 peças de verde e preto. Listel sotoposto ao brasão, com os dizeres: «Cidade da Amadora». Cordão de borlas de verde e prata; haste de ouro.

Selo: circular, contendo o mesmo arranjo heráldico, sem indicação de cores e metais. Circundante e dentro de um segundo círculo as palavras: «Cidade da Amadora» ou «Câmara Municipal da Amadora».


Cultura e Turismo :

       O concelho de Amadora dispõe vários locais de interesse turístico, impulsionados sobretudo pelo seu valor patrimonial. Assim, destacam-se em Amadora a Capela de Nossa Senhora da Lapa, na Falagueira, cuja construção foi autorizada pelo então cardeal patriarca de Lisboa; D. Francisco I, em 15 de Novembro de 1759; o Chafariz da Porcalhota, construído em 1850; o trecho do Aqueduto de Águas Livres (séc. XVIII), que na zona da Amadora se subdivide em vários ramais; o aqueduto da Gargantada, construído em 1794, estendendo-se desde o lugar da Gargantada, em Mina, passando pela freguesia de Venteira e que faz parte do conjunto anexo ao Aqueduto das Águas Livres que conduzia as águas para o Palácio de Queluz; a Quinta do Assentista, edificada em 1746, também conhecida como a Quinta dos Intendentes; a Quinta do Outeiro na Buraca; a Necrópole de Carenque, constituída por três sepulcros colectivos escavados nos afloramentos calcários do Tojal de Vila Chã (Mina); a Casa Aprígio Gomes; e os Antigos Postos da Guarda Fiscal. No que diz respeito a espaços culturais destacam-se, no concelho de Amadora: o Cine-Teatro Municipal D. João V; o Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem; a Fábrica da Cultura; a Galeria Municipal Artur Bual; o Centro de Arte Contemporânea de Amadora e os Recreios de Amadora. A nível de unidades museológicas, realce para o Museu Municipal de Arqueologia e a Casa Museu de Roque Gameiro.



Gastronomia

       Da tradicional gastronomia concelhia o destaque vai para o coelho à Pedro dos Coelhos, sendo este um petisco bastante afamado no século XIX.

Coelho à Pedro dos Coelhos
Coelho à Pedro dos Coelhos 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Odivelas

Brasão de Odivelas

Localização

            O concelho de Odivelas está integrado no distrito de Lisboa, situando-se na margem direita do rio Tejo, a poucos quilómetros da capital, Odivelas abrange uma área de 27.65 km2, distribuída por sete freguesias, duas das quais com sede em vila (Famões e Ramada) e uma sede de cidade (Odivelas), é limitado pelos concelhos de Loures, a Nordeste; Amadora, a Sul; Sintra, a Oeste; e Lisboa, a Sudeste.


História

          A referência escrita mais antiga relativa a Odivelas é uma inscrição encontrada na igreja do Mosteiro de Odivelas, relatando que "João Ramires, primeiro Prelado desta igreja, morreu a 13 de Fevereiro de 1183". A história de Odivelas está profundamente ligada ao referido Mosteiro, mandado construir em 1295-1305, por D. Dinis. Segundo a tradição, a edificação do mosteiro ficou a dever-se a um voto de D. Dinis, quando, numa caçada, nos arredores de Beja, foi atacado por um urso que conseguiu matar a punhal. Depois da obra concluída, o monarca fez a doação do mosteiro às religiosas cistercienses que ali residiam desde 1296, com a primeira abadessa, D. Elvira Fernandes. D. Dinis beneficiou as religiosas com rendas e padroados: em 1296 dotou-as com o padroado de Santo Estêvão de Alenquer e com o padroado de S. Julião, de Santarém; e em 1318, anexou-lhe o de S. João Baptista do Lumiar e o de S. Gião, em Frielas. O monarca ordenou ainda que sete capelães oficiassem no convento por sua alma e que no dia de S. Dinis se desse bodo aos pobres. Finalmente, coutou a terra, libertando-a de jurisdição civil.
Depois da batalha de Aljubarrota, o convento serviu de asilo à filha do Infante D. Pedro, D. Filipa que nele se conservou até à sua morte, em 1497, seguindo as regras monásticas, mas sem professar. D. João IV, fez uma reconstrução geral do mosteiro que perdeu muito da sua traça primitiva. No tempo de D. João V, o mosteiro esteve envolvido em vários escândalos devido aos amores que algumas freiras mantinham com fidalgos da corte, a que o rei dava o pior exemplo, mantendo no convento, com luxo excepcional, a celebrada Madre Paula, de quem teve um filho, D. José, um dos três infantes bastardos, conhecidos por "Meninos da Palhavã". 
Até 1852, Odivelas pertenceu ao concelho de Lisboa, transitando nesse ano para o de Belém. Em 1885, passou a integrar o município de Olivais e no ano seguinte, o de Loures. Finalmente, em 19 de Novembro de 1998 foi criado o concelho de Odivelas. Em 3 de Abril de 1964, Odivelas é elevada à categoria de vila, passando a ter a categoria de cidade desde 10 de Agosto de 1990.

Bandeira de Odivelas

Heráldica

Brasão: escudo de prata, urso rompante de negro, armado e lampassado de vermelho tendo brocante banda enxaquetada de prata e vermelho de duas tiras; campanha diminuta de três tiras ondadas de azul e prata. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco, com a legenda a negro: "MUNICÍPIO DE ODIVELAS".

Bandeira: gironada de oito peças de branco e azul. Cordão e borlas de prata e azul. Haste e lança de ouro.

Selo: nos termos da Lei, com a legenda: "Câmara Municipal de Odivelas".


Cultura e Turismo :

         São vários os locais de interesse a visitar no concelho de Odivelas, apoiados sobretudo no seu património cultural e edificado. Um dos monumentos mais importantes do concelho é o Mosteiro de Odivelas que actualmente funciona como colégio e cuja época de construção remonta ao século XIV. De destacar também e ainda a nível patrimonial são: a Igreja Manuelina da Póvoa de Santo Adrião; o Chafariz d`El-Rei, também na Póvoa de Santo Adrião; a Igreja Matriz de Caneças; o Cruzeiro em Pombais; o Convento de Odivelas; a Igreja Matriz de Odivelas; o Memorial, o Paço do Arcebispo e o Senhor Roubado.
No que diz respeito a unidades museológicas são de mencionar o Núcleo Museológico do Posto de Comando do MFA da Pontinha e o Núcleo Museológico do Moinho da Laureana. O primeiro, foi inaugurado a 24 de Abril de 2001, tendo sido o local onde esteve instalado o Posto de Comando do MFA e que apresenta várias salas que retratam os acontecimentos que antecederam à revolução dos cravos. Relativamente ao Moinho da Laureana, foi construído no segundo quartel do século XVIII e insere-se no percurso histórico da actividade moageira na região de Odivelas.




Gastronomia :

         Da tradicional gastronomia concelhia, o destaque vai para as migas, açordas, favadas, feijoada e cozido à caçador. Na doçaria, destaque sobretudo para os doces conventuais, nomeadamente, para as raivas e para os tabefes.
                                                                                                         Tabefes
TabefesRaivas
Raivas



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Loures

Brasão de Loures

Localização

           O concelho de Loures está integrado no distrito e área Metropolitana de Lisboa, situando-se na margem direita do rio Tejo, tem uma área de 167.9 km2, distribuída por 18 freguesias, seis das quais sede em vila (Bobadela, Bucelas, Camarate, Moscavide, Santa Iria de Azóia e Santo António dos Cavaleiros) e duas sede em cidade (Loures e Sacavém). A cidade homónima é sede de concelho e comarca, situando-se a cerca de 20 metros de altitude, no centro de uma extensa várzea com o mesmo nome.
Faz fronteira com os concelhos de Vila Franca de Xira e Arruda dos Vinhos, a Norte; Mafra, a Oeste; e a Sul, Sintra, Odivelas e Lisboa.




História :

          Em 10 de Outubro de 1833 travou-se nos campos de Loures um combate entre os exércitos liberais e miguelistas com a vitória dos primeiros. O concelho foi criado por Decreto Real de 26 de Julho de 1886, na sequência da extinção do concelho dos Olivais.
A 19 de Novembro de 1998, sete das então 25 freguesias do concelho, que se situavam na parte sudoeste do mesmo, desintegraram-se administrativamente, para dar origem a um novo município tendo ficado este com o nome da freguesia maior, Odivelas. Actualmente o concelho de Loures conta com 18 freguesias.
Actualmente, existe um movimento que defende mais uma divisão do concelho, centrado em torno da cidade de Sacavém, defendendo a criação do concelho de Sacavém, formado pelas dez freguesias da zona oriental do actual concelho de Loures. Não é um movimento novo, datando já desde a implantação da República, mas ganhou novo fôlego com a criação do concelho de Odivelas.
Está actualmente em discussão uma alteração de limites que colocariam toda a área do Parque das Nações dentro do Concelho de Lisboa, formando a Freguesia do Oriente. Tal alteração representaria a diminuição do território das freguesias de Moscavide e de Sacavém e Santa Maria dos Olivais (concelho de Lisboa), mas é defendida pelos habitantes e organizações do Parque das Nações, de forma a existir uma só estrutura administrativa nesse bairro (que, funcionalmente, pertence à Parque Expo).
Na história de Loures, é também de destacar o facto de aqui, a implantação da República ter precedido em um dia o resto do país: foi no dia 4 de Outubro de 1910 que os republicanos de Loures proclamaram o estabelecimento do novo regime, nos Paços do Concelho. Também tem relevância histórica para a Revolução dos Cravos, pois à época, o Quartel da Pontinha, situado na freguesia homónima, situava-se no concelho de Loures.   

Bandeira de Loures

Heráldica

        O município de Loures usa a seguinte bandeira e brasão de armas:
Um escudo de ouro, com uma fonte de negro brotando água de azul, realçada de prata. Uma bordadura de púrpura, carregada de oito ramos de três laranjas de ouro, ligados por troncos e folhados de verde. Uma coroa mural de cinco torres de prata. Um listel branco, com a legenda de negro, em maiúsculas: «LOURES». Bandeira gironada de amarelo e negro; cordões e borlas de ouro e negro.
Até 1990, data da sua elevação a cidade, o concelho de Loures usava um brasão idêntico, excepto no tocante ao número de torres da coroa mural (quatro em vez das actuais cinco); de igual forma, para reflectir o novo estatuto, a partição da bandeira passou de esquartelada para gironada.
Antes de 1956, o concelho usava por brasão aquele que havia sido o do antigo concelho dos Olivais.


Cultura e Turismo

         O património edificado e natural do concelho de Loures apresenta diversos pontos de interesse, desde os núcleos antigos, inseridos nos aglomerados urbanos e rurais; à arquitectura rural (quintas, casas de lavoura, habitações rurais; passando pela arquitectura de apoio à produção agrícola (azenhas, moinhos, lagares, adegas, instalações fabris) bem como, pela arquitectura religiosa. São vários os moinhos existentes por todo o concelho de Loures, destacando-se a esse nível o Moinho da Apelação, reconstruído recentemente e que funciona como fábrica de pão, onde os visitantes podem tomar contacto com as técnicas tradicionais do seu fabrico.
Ainda no que diz respeito a património, como já foi referido, existem no concelho vários imóveis de grande interesse. Assim, merecem especial destaque: a Quinta de Valflores, situada na freguesia de Santa Iria de Azóia, cuja construção remonta ao século XVI; a Quinta de Palhais, em Loures que pertenceu aos condes de Castelo Melhor; a Quinta das Maduras, em S. Julião do Tojal; a Quinta da Vitória, em Portela, a Quinta da Ribeirinha, situada em Camarate, que pertenceu à Colegiada de S. Lourenço da Mouraria e, por sua extinção, ao Seminário de Santarém, sendo que actualmente funciona como quinta de recreio; a Quinta da Massaroca, em S. João da Talha; a Quinta da Abelheira, junto ao Rio Trancão, na freguesia de S. Julião do Tojal que pertenceu aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho do Mosteiro de S. Vicente de Fora de Lisboa; o Palácio e Quinta do Correio-Mor, em Loures, o Palácio de Pintéus, em Santo Antão do Tojal; o palácio barroco da Mitra, também em Santo Antão do Tojal, totalmente reformulado pelo primeiro Patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida; o Castelo de Pirescoxe, Santa Iria de Azóia, actualmente em ruínas e cuja data de construção remonta ao século XV.
No que diz respeito a recursos e infra-estruturas naturais do concelho, destaque para o Parque Municipal de Cabeço de Montachique, em Fanhões, que dispõe de um circuito de manutenção, campo de ténis e um campo de futebol; as Grutas de Salemas, em Lousa; e o Pinhal da Paiã, em Pontinha. O concelho de Loures dispõe de várias unidades museológicas, sendo a principal o Museu Municipal de Loures, instalado na Quinta do Conventinho. Anteriormente, a quinta havia funcionado como convento de frades capuchos, permanecendo esse espaço na posse dos ditos monges até 1834, ano em que a abolição das ordens religiosas fez cessar a sua função de mosteiro. O imóvel transitou então para a posse de um particular, até que em 1995 foi adquirido pela Câmara Municipal de Loures. A 26 de Julho de 1998 foi inaugurado o museu. Aí se encontra instalado o Centro de Documentação Anselmo Braamcamp Freire, especializado na história do concelho de Loures e criado em 1996. Uma outra importante unidade museológica é o Museu de Cerâmica de Sacavém, inaugurado a 7 de Junho de 2000.






Gastronomia :

         Da gastronomia do concelho de Loures, são de destacar o arroz de cabidela, as favas saloias, o bacalhau à saloia e o coelho à caçador. Na doçaria, são afamados os catitas, os saloios, os arrepiados, o doce de laranja com abóbora e o pão de ló de Loures.
                                                                                                        Coelho no Tacho 
Coelho no TachoBacalhau à Saloia
Bacalhau à Saloia
Arrepiados
Arrepiados