Translate

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Borba

Brasão de Borba

Localização :

       É sede de um município com 145,12 km² de área e subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município de Monforte, a leste por Elvas, a sueste por Vila Viçosa, a sudoeste pelo Redondo e a oeste por Estremoz. Borba ficou assim sendo, a cidade mais pequena do Alentejo com apenas 4.600 habitantes, lugar que era antigamente preenchido pela cidade de Santiago do Cacém no Alentejo Litoral com 6.500 habitantes, foi elevada a cidade em 12 de Junho de 2009.


História

            Borba é povoação antiquíssima cuja fundação alguns autores atribuem aos Galo-Celtas, esteve sob o domínio romano, godo e árabe, sendo conquistada por D. Afonso II em 1217 e povoada pelo mesmo rei.
Em 15 de Junho de 1302 D. Dinis concedeu-lhe o primeiro foral, constituindo-se Borba como concelho e libertando-se do de Estremoz. Teve novo foral dado por D. Manuel I em 1 de Junho de 1512.
Foi também D. Dinis quem promoveu o amuramento acastelado da povoação. O castelo dispunha-se em planta quardrilateral e a sua construção obedeceu as sistema corrente das fortificações similares da região. De grossa alvenaria, tinha amuramento espesso em altura normal, coroado por merlões góticos e de largo adarve que corria a muralha. O fosso, pouco profundo, desapareceu com a construção do casario que se foi desenvolvendo na face exterior.
Pelos inícios do Séc. XVIII, o governo militar da província determinou envolver a vila por um campo entrincheirado, com fossos, estacaria e estradas cobertas, obra que foi apenas esboçada e de que ainda existiam vestígios em 1766.
Do castelo, edificado ou remodelado do Séc. XIII, conserva-se a torre de menagem e duas portas, a de Estremoz e a do Celeiro.
Borba foi lugar de muitos acontecimentos notáveis da nossa história. Um dos principais foi o enforcamento do governador do castelo, Rodrigo da Cunha Ferreira, e de mais dois capitães portugueses da guarnição, no verão de 1662, após a invasão vitoriosa do exército de D. João da Áustria. Este terá mandado cometer o atroz acto como vingança pela morte de três capitães, um sargento e 20 soldados das suas forças, além de 50 feridos. A memória dos povos guardou a efeméride na tradição toponímica, com a "Rua dos Enforcados", que passou depois a chamar-se Rua Direita. Não contente com a sua represália, D. João da Áustria mandou ainda incendiar os Paços do Concelho e o Cartório Municipal, perdendo-se todos os manuscritos antigos da história de Borba.
Em 1383-1385, também Borba se viu envolvida nas campanhas da Independência, com destaque para os acontecimentos transcorridos durante a ocupação dos aliados ingleses do Duque de Lencastre e a cilada de Vila Viçosa, onde perdeu a vida Fernão Pereira, irmão de D. Nuno Álvares Pereira, que fizera quartel general em Borba e foi seu primeiro donatário, por mercê de D. João I.
Em 1483, D. Afonso Henriques, filho de D. Fernando da Trastâmara, senhor de Barbacena, foi amerceado por D. João II com a alcaidaria de Borba, então confiscada aos duques de Bragança.
Em 1665, Borba esteve ocupada por três regimentos de infantaria e um terço de cavalaria, e a população sofreu novamente o pânico da terrível invasão, que desmoronou no campo de Montes Claros, com a derrota dos exércitos de Filipe IV.
Em 1708, o general de artilharia João Furtado de Mendonça, governador da cidade de Elvas, era comendador de Borba.
Em Junho de 1711, a vila sofreu os incómodos da ocupação militar do general espanhol D. Domingos de Ceo, que impôs à população um elevado imposto de guerra.
Durante a Guerra Peninsular levantou-se em Borba um grupo de milicianos que figurou na defesa de Évora, em 29 de Junho de 1808. Pouco depois, entre 1809 e 1811, na vila se alojou uma brigada escocesa do exército anglo-luso de Beresford.

Bandeira de Borba

Heráldica

Brasão: de prata, com um castelo de vermelho aberto e iluminado do campo, acompanhado por duas sovereiras de verde troncadas de negro saintes de um terrado de negro realçado de verde, cortado de três faixas ondadas, duas de prata e uma de azul, com dois barbos de prata afrontados. Em chefe, uma cruz de Aviz de verde, acompanhada de dois crescentes de vermelho. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Borba» de negro.

Bandeira: de vermelho, com cordões e borlas de vermelho e de prata. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Borba».


Cultura e Turismo :

            Em termos culturais, Borba assume-se como um concelho particularmente dinâmico. As actividades culturais são abundantes e diversificadas. Anualmente realiza-se, neste concelho, um leque bastante diversificado de actividades culturais, nomeadamente, certames temáticos (Festa da Vinha e do Vinho, Feira do Queijo e Feira das Ervas Alimentares), cinema e teatro (Cine-Teatro de Borba), exposições, feiras do livro,  cursos, seminários e colóquios (Celeiro da Cultura), romarias, festas populares e religiosas (festas em honra do Senhor Jesus dos Aflitos, Santa Bárbara, S. Gregório, etc.). A estas actividades já realizadas algumas mais irão nascer, fruto da criação de novas infra-estruturas que dotaram o concelho de melhores equipamentos, nomeadamente, o Palacete dos Melos (biblioteca, videoteca, espaço internet, oficina da criança, etc.); Fórum Transfronteiriço (cursos, seminários, jornadas, exposições, palestras, simpósios), Pólo Universitário (cursos, simpósios, seminários, etc.).  Em madeira, pedra mármore, cortiça ou couro, o artesão serve-se dos materiais que tem à mão para conceber e dar corpo aos magníficos artefactos populares.
Nestas coisas, são os mais velhos os que têm mais sabedoria, mais paciência e mais tempo para dedicar à arte ímpar de criar objectos a partir de materiais típicos da região.
Trabalham as suas peças ao vivo, nos certames e nas exposições da especialidade, e demonstram enorme orgulho em ensinar a sua arte aos mais novos.





Gastronomia :

         Sopa de cação, sopa da panela, sopa de tomate, sopa de beldroegas, açorda, gaspacho, caldo verde, grãos com cardos, feijão com alabaças, sopa de hortelã, grão com arrabaças, Cação de coentrada, cação frito, Ensopado de borrego, borrego assado no forno, cozido de grão à Alentejana, feijão branco com cabeça ou orelha de porco, burras assadas, migas com carne de porco à Alentejana e na doçaria o Doce regional de Borba, sericaia, sopa dourada, pão de rala, encharcada, azevias, nógados, bolo de mel, arroz doce.





sexta-feira, 10 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Elvas

Brasão de Elvas

Localização 

        Integrado no distrito de Portalegre  o concelho de Elvas ocupa uma área de 631 km2, distribuída por onze freguesias, quatro das quais freguesias urbanas que constituem a cidade de Elvas: Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso; Alcáçova; Assunção e Caia e S. Pedro, Elvas é limitado pelos concelhos de Arronches, a Norte; Campo Maior, a Nordeste; Monforte, a Sudoeste; e por Badajoz, a Sudeste.
O concelho caracteriza-se sobretudo por extensas áreas planas, sendo as suas principais elevações os montes Gebarela (465 m), Perdigão (321 m), Enxara (225 m) e Freixial (223 m), é atravessado pelos rios Caia e Guadiana e pelas ribeiras de Pereira, Velha, Ceto e Caiola.



História

         Não há dúvida sobre o povoamento pré-histórico dos campos elvenses, onde se encontraram numerosas antas, algumas das quais exploradas por Cartailhac. Desses monumentos megalíticos, são de mencionar as antas do Alto de Miraflores, da Cabeça Gorda, da Coutada de Barbacena, de D. Miguel, do Olival de Monte Velho, do Porto de Cima de D. Miguel, da Torna do Paço Ferreira e a anta do Torrão. Foi bastante longo o domínio dos romanos em Elvas e a atestá-lo há vários cipos, inscrições e moedas encontradas em várias escavações da região. Também dessa altura, foram descobertas várias villas e castros datados do século I a.C., destacando-se a villa romana da Quinta das Longas e o castro de Segóvia. A ocupação desse castro é referenciada para a Idade do Ferro, tendo sido utilizado com frequência desde os tempos dos romanos até quase ao século XIX, para fins militares.
O seu topónimo tem a sua origem no termo celta "sego" que significa "vitória". Foram os romanos que iniciaram a construção do castelo, mais tarde reconstruído e ampliado pelos árabes, sendo que Edrici, o geógrafo árabe, diz de Elvas o seguinte: "cidade forte, situada junto de uma montanha".
Em 1166, Elvas foi tomada aos mouros por D. Afonso Henriques, no entanto acabou por ser reconquistada pelos mouros e só em 1230, D. Sancho II que havia sido forçado a abandoná-la em 1226, a reconquistou passando definitivamente para a posse dos portugueses. Na conquista definitiva de Elvas, D. Sancho II foi ajudado pelo prior do Hospital, D. Rodrigo, pelo mestre dos Templários e por D. Soeiro, Bispo de Évora; este último foi o primeiro que entrou na praça, à frente dos seus homens de armas, pela porta do poente, no local onde hoje se encontra o Arco do Bispo.
A história de Elvas está intimamente ligada à história da independência do país. Em 1336, o rei de Castela Afonso IX, sogro do rei português D. Afonso, pôs cerco a Elvas, mas sem resultado pois não conseguiu tomá-la. Restabelecida a paz entre os dois monarcas, perante a invasão da península pelos árabes, foi em Elvas que se concentraram vários contingentes de tropas portuguesas, os quais dali, seguiram para Castela, onde tomaram parte, na memorável batalha do Salado, em 28 de Agosto de 1340. Também durante as guerras de D. Fernando com Castela, a praça de Elvas teve um papel importante: em 1381, D. João, rei de Castela, depois de concentrar importantes forças em Badajoz. Em 1382, o rei D. Fernando dirigiu-se de Lisboa para Elvas, onde se encontravam concentradas numerosas forças, para darem combate ao exército castelhano, e assumiu o comando dessas forças que, todavia, não chegaram a bater-se por ter, entretanto, sido concluída a paz e combinado o casamento de D. Beatriz, filha do rei português, com o rei de Castela, D. João I.

A proclamação de D. Leonor Teles, depois da morte de D. Fernando, declarando D. João e D. Beatriz reis de Portugal, foi recebida com o maior desagrado e até com hostilidade em Elvas. O povo amotinou-se e capitaneado por Gil Fernandes, prendeu o alcaide e obrigou-o a abandonar o posto. Depois da aclamação de D. João I, o rei de Castela, partindo de Badajoz, foi cercar Elvas, cujo o alcaide era então Gil Fernandes, sendo que ao fim de 25 dias, os castelhanos levantaram o cerco, sem conseguirem o seu fim. Em 1507, D. Manuel, por carta de 3 de Março confirma o foral antigo de Elvas (dado por D. Sancho II) e a 1 de Junho de 1512, concede-lhe foral novo. O mesmo monarca, a 21 de abril de 1513 confere-lhe o título de cidade. Por essa altura também já se pensava na possibilidade da criação do bispado de Elvas, o que só se veio a realizar no reinado de D. Sebastião, pela bula Super Cunctas, de S. Pio V, de 9 de Junho de 1570. O Arcebispo e o cabido de Évora recusaram o assentimento que o rei anteriormente lhes pedira, para da sua diocese se desmembrarem terras com que se formasse o novo bispado. Por esse motivo, expediu S. Pio V o breve Pro Apostilicae Sedis, de 15 de Dezembro de 1569, ordenando que sem demora se expusessem os motivos da recusa. A nova diocese foi constituída com os lugares de Olivença, Campo Maior e Ouguela, desmembrados do bispado de Ceuta; Elvas, Juromenha, Alandoral, Vieiros, Monforte, Barbacena, Vila Fernando, Vila Boim, Fronteira, Cabeço de Vide, Alter Pedroso, Alter do Chão e Seda, desmembrados de Évora, o bispado de Elvas ficou sufraganeo de Évora e veio a ser extinto pela remodelação diocesana determinada pela bula Gravissimum Christi, de 30 de Setembro de 1881, do papa Leão XIII.

Quando da perda de independência, no século XVI, a guarda avançada do exército do duque de Alba ocupou, sem dificuldade, a cidade, permanecendo aí a corte do rei castelhano, D. Filipe II, durante algumas semanas, em princípios de 1581. Durante a guerra da restauração, desempenhou Elvas um papel de bastante importância. D. João IV fora proclamado rei, naquela cidade, no dia 3 de Dezembro de 1640 e pouco tempo depois foi nomeado governador da praça o mestre do campo João da Costa.
Em meados do ano seguinte, Elvas foi atacada pelo general Monterey, que foi repelido. Voltou o mesmo general em Setembro daquele ano, com o propósito de atacar novamente; não conseguiu porém o seu intento, porque o governador da praça saiu ao seu encontro e o inimigo teve de retirar depois de um curto combate. Em finais de 1644, um exército de 15.000, comandado pelo general Torrecusa, cercou e atacou Elvas, mas acabou por retirar para Badajoz, sem realizar o seu intento. Poucos anos depois, em 1659, dá-se a célebre "Batalha da Linha de Elvas" que teve consequências materiais e morais bastante favoráveis para os portugueses.

Desde 22 de Agosto de 1658 que o exército castelhano, comandado por D. Luís de Haro, tinha investido a praça de Elvas que apesar da sua pequena guarnição conseguiu resistir. André de Albuquerque, comandante da praça, acompanhado por outros oficiais, conseguiu passar as linhas dos castelhanos e dirigiu-se então a Estremoz, onde havia sido organizado um exército de socorro. Saindo no dia 11 de Estremoz, a 13 estava em frente de Elvas, avisando da sua chegada com o troar da sua artilharia. No dia seguinte (14 de Janeiro de 1659) travou-se a batalha entre as duas forças, sendo o resultado favorável aos portugueses. Aquando da guerra de Sucessão, foi em Elvas que o Marquês de Minas concentrou as forças portuguesas à frente das quais entrou em Espanha, onde tomou Alcântara e Placência. A 14 de Abril de 1706 o marquês de Bay atacou Elvas; mas a cidade respondeu ao ataque violentamente, causando grandes perda ao inimigo com a artilharia, o que o obrigou a retirar no dia imediato. A 1 de Junho de 1711, voltou a atacar a cidade, cercando-a e sujeitando-a a um tremendo bombardeamento, durante três dias consecutivos. A guarnição da praça que então era pequena, defendeu-se com o auxílio dos habitantes, e o atacante retirou-se para Badajoz. Durante a curta guerra de 1801, os espanhóis cortaram as comunicações de Elvas com o exército português, que na mesma guerra tomava parte, sendo então o governador da praça portuguesa intimado a render-se. Este respondeu, que enquanto houvesse pedra sobre pedra nos baluartes, um soldado que pudesse disparar um tiro e fosse vivo o General Comandante, ninguém falaria em capitular; o inimigo acabou então por se retirar.

Bandeira de Elvas


Cultura e Turismo

         O concelho de Elvas está integrado na Região de Turismo de S. Mamede, sendo vários os pontos de interesse a serem visitados na região, entre os quais se destaca como locais aconselháveis para a prática de Turismo de Natureza a albufeira da barragem do Caia, onde se podem praticar várias atividades náuticas. Para além dos seus recursos naturais, o concelho de Elvas possui um vasto património cultural edificado.
A nível do património religioso, destaca-se a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, datada do século XVI e alterada no século XVIII, que seria a antiga Sé de Elvas; a Igreja de S. Pedro, datada do século XII e alterada nos séculos XVII e XVIII, uma igreja românico-gótica, embora com alterações posteriores em estilo barroco; e a Igreja das Dominicas, dos séculos XVI-XVII de estilo renascentista.
O seu património civil é também vastissimo, destacando-se a esse nível: o Aqueduto da Amoreira, o Castelo de Elvas e o Castelo de Fontalva. O Aqueduto de Amoreira constitui o ex-libris da cidade de Elvas, tendo a sua construção sido iniciada em 1530.Os trabalhos de edificação foram iniciados pelo arquitecto Francisco de Arruda e continuado pelos mestres Afonso Álvares, Diogo Marques e Pero Vaz Pereira, tendo a obra ficado concluída em 1622. O aqueduto tem uma extensão de 7054 metros, sendo formado por quatro ordens de arcos, com 31 metros de altura, sustentados por robustos contrafortes. O castelo medieval de Elvas era formado por três cortinas defensivas, mantendo duas delas importantes obras do período muçulmano; a primeira linha de defesa foi absorvida pela cidade, subsistindo duas das suas portas: a da Alcáçova e a do Miradeiro; a linha intermédia era rasgada por quatro portas - respectivamente pela da Ferrada, Porta Nova ou da Encarnação, de Santiago e do Bispo. O Castelo de Fontalva foi uma antiga fortaleza medieval, transformada em residência solarenga acastelada no tempo de D.João III, situada na margem direita da ribeira de Fontalva.
Das infra-estruturas culturais do concelho, merecem especial referência a Casa da Cultura de Elvas, onde se efetuam periodicamente exposições e conferências, entre outros eventos; a biblioteca municipal de Elvas. No que diz respeito a unidades museológicas, as principais do concelho de Elvas são: o Museu Militar e Museu Tomaz Pires. O primeiro está situado no forte de Santa Luzia, desenvolvendo-se a sua exposição permanente em seis núcleos onde se encontram expostos objetos usados pelas guarnições da praça e forte, armamento e equipamentos militares de diferentes épocas. No exterior, podem ser observadas várias peças de artilharia. O Museu Tomaz Pires, é composto por salas de Arqueologia, de Etnografia, Mobiliário e Cerâmica, Instrumentos Musicais, Pintura, Arte Sacra, entre outras.
                                                                                        Forte da Graça

Forte da Graça


Aqueduto da Amoreira 

Gastronomia

         Da gastronomia local fazem parte o peru recheado, o ensopado de borrego, a sopa de tomate, os grãos com enchidos, as migas, a açorda de coentros, a calhola e o gaspacho. Na doçaria, destaque para as azevias, as filhoses e bolos finos, a serica e o coxo frito.

                                                                                                         Azevias 
AzeviasBacalhau Dourado
Bacalhau dourado 

Enxovalhada
Enxovalhada 
         




quinta-feira, 9 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Campo Maior

Brasão de Campo Maior

Localização :

             Integrado no distrito de Portalegre, o concelho de Campo Maior ocupa uma área de 247.2 km2, sendo composto de três freguesias, duas das quais constituem a vila e sede concelhia (Nossa Senhora da Expectação e S. João Baptista), Campo Maior faz fronteira a Oeste com o concelho de Arronches; a Sudeste, com Elvas; e a Este e a Norte com Espanha.
O mais importante recurso hídrico do concelho é o Caia, rio afluente da margem direita do rio Guadiana. No rio Caia situa-se a barragem do mesmo nome, cuja albufeira é partilhada por três concelhos: o de Campo Maior, Arronches e Elvas. Os seus principais usos são a produção de energia, a rega e o abastecimento doméstico e industrial aos concelhos de Elvas e Campo Maior. Ainda como recurso hídrico deste concelho destaca-se a ribeira de Abrilongo.



História

           O território que corresponde ao atual concelho de Campo Maior foi ocupado desde épocas bastante remotas, sendo que vestígios arqueológicos mostram que Campo Maior foi habitado desde a época Pré-Histórica. Dominada por mouros durante meio milénio, foi conquistada em 1219, pelos Peres de Badajoz e entregue à igreja de Santa Maria do Castelo de Badajoz. A 31 de Maio de 1255, Campo Maior foi elevada à categoria de vila, por D. Afonso X, rei de Leão, e cinco anos depois, o bispo D. Frei Pedro Pérez, senhor da vila, concede-lhe o seu primeiro foral. Através do Tratado de Paz de Alcanizes, de 31 de Maio de 1297, Campo Maior passa a fazer parte de Portugal, juntamente com Olivença e Ouguela. Campo Maior vai pertencer sucessivamente a D. Branca, irmã de D. Dinis, em 1301; a D. Afonso Sanches, filho ilegítimo do mesmo rei, em 1312; e novamente ao rei D. Dinis em 1318. O mesmo monarca, mandou reedificar o seu castelo, em 1310.
Pela sua posição fronteiriça, Campo Maior e o seu castelo ligam a sua história a muitos dos episódios militares das guerras da independência, restauração e da invasão francesa. durante a Revolução de 1383-85, foi cercado por D. João I de Castela e continuou em seu poder depois da batalha de Aljubarrota. Pôs-lhe então cerco, D. João I de Portugal que a conquistou a 13 de Outubro de 1388. A 16 de Setembro de 1512, D. Manuel concede foral à vila e ordena o inicio da construção das muralhas, que no entanto ficam incompletas. Em finais do século XV, em consequência da perseguição da Inquisição em Castela, a comunidade judaica ou classificada como tal fixa-se em Campo Maior, sendo de tal forma numerosa que nas listas dos apresentados em autos de fé realizados em Évora pela Inquisição, Campo Maior aparece entre as terras do Alentejo com maior número de acusados de judaísmo. Em 1645, em virtude da guerra com Castela, D. João IV incumbiu Nicolau Langes de murar toda a praça e construir várias obras de defesa. Fabricou-se então a fortificação abaluarda da praça ao estilo do tempo, com nove baluartes e dois fortins. D. João V, em 1735, fez ampliar o sistema que ficou constituído por um forte, chamado do príncipe, dez baluartes com revelins, fossos, estrada coberta protegida por traveses, etc. a praça tinha duas portas: a de Santa Maria e outra, falsa, no baluarte de S. Pedro.
A 28 de Setembro de 1712, o Castelo de Campo Maior vê-se cercado por um grande exército espanhol comandado pelo Marquês de Bay, sendo o governador da praça o brigadeiro Estêvão da Gama Moura e Azevedo que tinha consigo cerca de mil homens de guarnição e alguns civis. A praça recebeu mais de 15.000 bombas, a povoação ficou em ruínas e depois de dois fortes assaltos vigorosamente repelidos, o marquês de Bay desistiu e levantou o cerco, a 2 de Novembro. Vinte anos depois, a 16 de Setembro de 1732, um raio que caiu nos armazéns de pólvora provocou uma violenta explosão, arrasando a fortaleza e grande parte da vila. D. João V, determina a rápida reconstrução do castelo e pouco a pouco, a vila volta a erguer-se. Em 1766, a vila que até então só tivera uma freguesia urbana é dividida nas duas atuais, Nossa Senhora da Expectação e S. João Baptista. Em 1801, Portugal foi invadido pelo exército do príncipe Godoy que logo pôs cerco a Campo Maior, governada pelo marechal Matias José Azevedo que capitulou depois de heróica resistência. A sublevação campomaiorense contra a ocupação napoleónica vai sair vitoriosa devido ao apoio do exército de Badajoz que permanece na vila durante cerca de três anos. A 12 de Abril de 1811, os franceses, comandados pelo general Mortier, sitiaram mais uma vez a vila que resistiu até pouco tempo depois que o seu governador José Joaquim Talaia teve de capitular. Quatro dias depois, eram os invasores expulsos por Beresford que recebeu o título de Marquês de Campo Maior, sendo dada à vila o título de Leal e Valorosa, pelo heroísmo dos seus defensores. Em 1867, o concelho de Campo Maior foi extinto e anexado ao concelho de Elvas, sendo restaurado definitivamente em 1926, acrescido da freguesia de Nossa Senhora dos Degolados.

Bandeira de Campo Maior

Heráldica

Brasão: de prata com duas palmas de verde cruzadas em aspa com uma quina das armas de Portugal orlada de ouro sobre o cruzamento. As palmas acompanhadas de quatro leões rompantes de vermelho, armados e linguados de azul, com uma espada de prata na mão direita. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Lealdade e Valor» de negro, e outro listel, também branco, com os dizeres «Leal e Valorosa Vila de Campo Maior» a negro.

Bandeira: esquartelada de vermelho e de azul. Cordões e borlas dos mesmos esmaltes. Lança e haste de ouro.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Leal e Valorosa Vila de Campo Maior - Lealdade e Valor».


Cultura e Turismo

            São vários os pontos de interesse turístico no concelho de Castelo Maior, do seu património, especial destaque para o Castelo de Campo Maior. Reedificado por D. Dinis, foi beneficiando de sucessivos restauros e aumentos; está desde o século XVII, enquadrado nas fortificações mais importantes levantadas nessa época (1641) pelo engenheiro Nicolau de Langres, das quais hoje ainda conservam restos bastantes importantes e completos.
Referência também para os vários edifícios religiosos, com especial menção para a Igreja Matriz, a Igreja de S. João Baptista e a peculiar Capela dos Ossos. Situada na parte Norte da vila, a igreja de S. João Baptista, remonta a 1520, tendo sido reconstruída após a explosão de 1732. A Igreja Matriz, situada no interior do castelo, era de evocação a Santa Clara, da Matriz, no interior do castelo, era de invocação a Santa Clara, mas em 1530 quando foi reedificada, passou a ter a invocação de Nossa Senhora da Assunção. A Capela dos Ossos, anexa à Igreja Matriz, as suas paredes, abobadas e altar completamente revestidas de ossos humanos, tendo nas paredes laterais dois esqueletos completos. Foi construída depois da explosão num paiol de pólvora no castelo em 1732, na qual morreram dois terços da população de Campo Maior. No que diz respeito a unidades museológicas, destaque para o Museu do Café e o Museu de Arte Sacra. O Museu do Café da Nova Delta, inaugurado a 21 de Dezembro de 1994, foi criado por iniciativa do comendador Rui Nabeiro. Aí se encontra representada a História do café, o nascimento da Delta Cafés e a sua evolução na NovaDelta. Este museu possui também uma biblioteca especializada com literaturas sobre o café e um espaço cultural destinado a acolher exposições temporárias e outras manifestações artísticas. O Museu de Arte Sacra, situado na Capela de Nossa Senhora do Carmo, reúne cerca de 150 peças, distribuídas por seis salas temáticas. Um dos outros pontos de interesse no concelho de Campo Maior é a Barragem do Caia, apesar de lhe pertencer apenas uma pequena parte da albufeira, situando-se em Campo Maior o dique e o Paredão.
Festas do Povo (Nossa Senhora da Expectação/ S. João Baptista) – primeira semana de Setembro: Também conhecidas como festas das Flores, a sua origem remonta a finais do século XIX.

Festas do Povo 




Gastronomia : 

          No concelho de Campo Maior, são os principais pratos típicos: a sopa de batata, as migas com entrecosto, o gaspacho, os grãos com acrene, a carne de porco à alentejana e a açorda. Na doçaria, destaque para: sericaia com ameixas, para os tosquiados, os bolos amassados e as tortilhas de amêndoa.
                                                                                                         Tosquiados 
TosquiadosAçorda
Açorda 


Bolos Amassados
Bolos amassados