Translate

sábado, 4 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Alter do Chão

Brasão de Alter do Chão

Localização : 

         O concelho de Alter do Chão está integrado no distrito de Portalegre, abrangendo uma área de 361.6 km2, distribuída por quatro freguesias: Alter do Chão, Chancelaria, Seda e Cunheira, faz fronteira com o concelho de Crato, a Norte, com Monforte, a Este; Fronteira, a Sudeste; e Avis e Ponte de Sor, a Oeste. 
Dos recursos hídricos, existentes no concelho destacam-se as ribeiras do Freixo, do Cornado, da Silada, do Papa Leite, do Vale de Galegas, Zambujo, de Seda e de Navalha.


História : 

          Alter do Chão terá provavelmente a sua origem na cidade romana Abelterium, atravessada por uma das três vias militares que ligavam Lisboa a Mérida e da qual, possivelmente, fazem parte as ruínas das Termas que se encontram junto à Vila. Um dos vestígios mais importantes da época de dominação romana é a ponte de Vila Formosa, sobre a ribeira de Seda e que ligava o eixo viário militar entre Lisboa e Mérida. Um outro vestígio importante relativo ao primitivo povoamento romano é o topónimo principal do concelho, tendo este origem no termo romano Abelterii que se desdobrou em Alter "Chão", com o adjectivo "chão" alusivo à situação plana característica do local, e Alter "Pedroso" por se caracterizar o lugar especialmente pela circunstância a que se refere o adjectivo. Mais tarde, o adjectivo do primeiro topónimo, sem com isso se alterar o sentido toponímico topográfico, passou a substantivo, com auxílio da preposição e artigo: Alter do Chão.
Segundo a tradição, a cidade romana de Alter terá sido mandada destruir pelo imperador Adriano no ano 120 antes de Cristo, em castigo da resistência oposta pelos seus habitantes ao avanço das legiões do império romano. No reinado de D. Sancho II, o Bispo da Diocese da Guarda D. Vicente, propôs "restaurar e povoar Alter", atribuindo-lhe o seu primeiro Foral no ano de 1232. D. Afonso III com o objectivo de incentivar o povoamento, manda reconstruí-la e terá concedido novo foral em 1249. D. Dinis atribui-lhe dois forais em anos consecutivos, o último data de 25 de Março de 1293 e conferia-lhe todos os privilégios de Santarém. 
A D. Dinis se atribui também a fundação do castelo de Alter Pedroso, apesar de alguns autores o considerarem de construção anterior, dada a sua localização, fazendo supor que a sua origem terá sido mourisca, ou mesmo romana. Em 1359, D. Pedro I mandou edificar o atual castelo e confirma-lhe, através de nova carta de foral os privilégios anteriores. D. João I, Mestre da Ordem de Avis, cede em senhorio a D. Nuno Álvares Pereira, passando os bens para a Casa de Barcelos e posteriormente para a Casa de Bragança. O Foral de Leitura Nova, foi-lhe atribuído a 1 de Junho de 1512 no decurso da nova reforma mandada efetivar por D. Manuel. O eclesiástico local é notável, especialmente pelos dois mosteiros que aqui existiram: o de capuchos da província da Piedade e o dos padres carmelitas descalços. O primeiro foi fundado por D. Manuel I, em 1524, a instâncias da sua terceira esposa, a rainha D. Leonor de Áustria. O segundo, foi fundado em 1595, poucos anos após a entrada dos carmelitas no país, com as rendas da confraria da igreja do Espírito Santo que fora antigamente uma albergaria destinada a peregrinos; a sua fundação deve-se essencialmente à atividade de Manuel do Rego. Em 1599, tendo morrido alguns religiosos, os restantes abandonaram o convento e passaram a Évora. Os moradores de Alter do Chão, sentindo esta ausência, alcançaram do padre geral a licença de novamente se povoar a casa, o que se fez com maior número de religiosos; mas passados cinco anos estes ausentaram-se secretamente, de noite, diz-se que pelos vexames sofriam, o que foi tão sentido por Manuel do Rego que se expatriou, para Valhadolide, onde veio a falecer. Novamente o povo, ou aqueles que melhor avaliavam a necessidade espiritual da vila de ter em si uma congregação, procurou promover o regresso de religiosos, intercedendo junto do Duque de Bragança para que alcançassem a vinda de religiosos da província da Piedade. Estimou o Duque, grandemente, a resolução e comprometeu-se a mandar fazer um convento novo à sua custa, do qual ficou sendo padroeiro. 
A atual composição concelhia data de meados do século XIX quando nele foram incorporadas as antigas vilas de Chancelaria e Seda, até então com jurisdição própria. Já a freguesia de Cunheira foi apenas criada a 20 de Fevereiro de 1976, desanexada da freguesia de Chancelaria.

Bandeira de Alter do Chão


Heráldica : 

Brasão: cortado de prata e de negro. No primeiro, um castelo de vermelho, aberto e iluminado de negro, acompanhado de duas quinas de Portugal. No segundo, uma fonte de ouro realçada de negro, repuxando de prata aguado de azul, acompanhada de duas flores de lis de ouro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Alter do Chão», a negro.

Bandeira: esquartelada de amarelo e de vermelho. Cordões e borlas de ouro e de vermelho. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos os dizeres «Câmara Municipal de Alter do Chão».


Cultura e Turismo : 

            Para além da magnífica paisagem deste concelho que pode ser desfrutada do miradouro natural de Alter Pedroso, Alter do Chão dispõe de vários elementos de interesse turístico e cultural. Do seu património cultural e edificado são de destacar: o castelo de Alter do Chão, o Palácio de Álamo e os vários chafarizes existentes pelo concelho. O castelo de Alter do Chão, cuja construção remonta ao século XIV, serviu de residência senhorial após a passagem da sua propriedade para a Casa de Bragança. Em finais do século XIX, o castelo foi vendido a particulares, tendo sido adquirido mais tarde pela Fundação da Casa de Bragança. O Palácio e Jardim do Álamo, de arquitetura barroca, sofreu algumas remodelações em 1649 e em 1732, quando adquiriu a sua fisionomia atual   Posteriormente foi adquirido pela Câmara Municipal e aí funcionava a Biblioteca e o Serviço Sócio-cultural, sendo que atualmente  encontrando-se o palácio em obras, esses serviços funcionam no edifício do Cine-Teatro.
Do património religioso deste concelho destaque para: a Igreja de N. Sr. Jesus do Outeiro, monumento do século XVII; a igreja de Nossa Senhora da Alegria, decorada ao gosto da primeira Renascença, que apresenta como motivo de maior interesse, o portal compósito da fachada; e a igreja do Convento de Santo António. De mencionar também as capelas de Santa Ana, inicialmente edificada no século XVII; de S. Miguel; de S. Francisco; e da Misericórdia.
Também ligada ao concelho de Alter do Chão está a Coudelaria de Alter, fundada em 1748; passou a pertencer às Casa Real, em 1770, após ter permanecido na posse da Casa de Bragança. A primeira vintena do século XIX foi um período conturbado para a Coudelaria de Alter: roubo dos melhores cavalos Alter-Real, danos nas piaras, redução na área do pastoreio, vandalismo nas instalações e surgem as primeiras ameaças à integridade étnica da manada. Após a proclamação da república a Coudelaria foi integrada no Ministério da Guerra, com o nome de Coudelaria Militar de Alter do Chão. Em Janeiro de 1942 dá-se a integração da Caudelaria no Ministério da Economia, na jurisdição da Direção-Geral dos serviços pecuários. Atualmente  a Coudelaria de Alter está integrada num programa de desenvolvimento suportado pelo Ministério de Agricultura, do Desenvolvimento Rural e Pescas e do AVNA (PPDR, FEDER) - Ação de Valorização do Norte Alentejano. A Coudelaria toma a seu cargo a recuperação e a divulgação da Falcoaria portuguesa, sendo oferecido aos visitantes uma mostra temática sobre o património desta modalidade de caça. A Coudelaria dispõe ainda de um museu do Cavalo que conta com a colaboração de outros museus e instituições culturais.

Coudelaria Nacional
Coudelaria Nacional


Gastronomia :

         Da gastronomia concelhia destaque para o sarapatel (guisado de carne de porco, fígado, rim, bofes, etc.), o ensopado de borrego com arroz amarelo e as fatias da China.

Sarapatel
Sarapatel



sexta-feira, 3 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Avis

Brasão de Avis

Localização : 

           Integrado no distrito de Portalegre, o concelho de Avis ocupa uma área de 605.6 km2, distribuída por oito freguesias, faz fronteira a Sudeste, com o concelho de Sousel, a Este com Fronteira e Alter do Chão e a Oeste, com Ponte de Sor.
A morfologia do concelho é marcada por terrenos planos, com alguns planaltos e montes de altitudes baixas, como o da Torre e o Alcorrego, quanto aos recursos hídricos, são de destacar: a ribeira de Seda, a ribeira de Almadafe, a ribeira Grande, a ribeira de Serrazola e a ribeira de Cantarinho, assim como a albufeira do Maranhão.
A ribeira Grande, também conhecida como ribeira de Avis é um dos importantes cursos de água que atravessa o concelho, desaguando perto da vila de Avis, na margem esquerda da Ribeira de Seda.


História : 

           O povoamento primitivo do território que corresponde ao atual concelho de Avis é bastante remoto, tendo sido encontrados vários vestígios arqueológicos que comprovam a sua ancestralidade. O levantamento arqueológico mais exaustivo efetuado até à data foi realizado na década de 50 e diz respeito à identificação das antas do concelho, tendo sido então registados 65 exemplares, alguns dos quais foram posteriormente afetados pela albufeira da barragem do Maranhão. Os princípios da vila de Avis são nacionais, remontando aos primeiros decênio do século XII e estando intimamente relacionada com criação da Ordem de Avis. Ordem militar fundada com o nome de Nova Ordem, por D. Afonso Henriques, em 1147 e que depois de 1162, foi dada a regra de S. Bento, com a reformação de Cister. Teve sede em Coimbra, passando depois a Évora e para obediência da ordem militar castelhana de Calatrava. Os seus cavaleiros eram então conhecidos como "Freires de Évora", tendo ocupado parte da cidade ainda hoje conhecida por Freiria.
Em 1211, D. Afonso II, doa aos Freires de Évora as terras de Avis, com a condição de aí construírem um castelo e de povoarem o lugar. Esta Ordem instalou-se nestas terras e passou então a ser designada Ordem de Avis. No entanto, segundo a tradição, terá sido a Ordem a dar o nome ao local e não o invés. Reza a lenda que alguns freires partiram com a missão de descobrir o local ideal para a construção do castelo e a dada altura, num outeiro em frente ao território sob domínio muçulmano, viram duas águias empoleiradas num sobreiro. Como desde tempos remotos as águias têm sido consideradas como um sinal favorável a Deus, decidiram que aquele seria o local adequado e chamaram-lhe Avis. D. João I foi o vigésimo mestre da Ordem Militar e a partir dessa altura esta ficou diretamente na dependência da Coroa. Em 1834, quando foram extintas as ordens religiosas pelos liberais, a Ordem de Avis possuía 18 vilas, 49 comendas e 128 priorados e vigarias.

Bandeira de Avis

Heráldica :

Brasão: de prata com uma cruz florenciada de verde sobre o cruzamento um escudete de ouro com uma árvore de verde, troncada e arrancada de negro. Esta árvore arrematada por uma águia aberta de negro. Coroa mural de prata de quatro torres.

Bandeira: de verde. Cordões e borlas de ouro e de verde. Listel branco com os dizeres: «Vila de Avis» a negro. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Dentro de círculos concêntricos os dizeres: «Câmara Municipal de Avis».


Cultura e Turismo : 

           Pelos seus recursos naturais e belíssima paisagem, bem como pelo seu património cultural e edificado, o concelho de Avis dispõe de vários pontos de interesse turístico. A nível do património monumental, destacam-se: as ruínas do Convento de S. Bento de Avis, as muralhas do Castelo e várias igrejas e capelas. As ruínas do Convento de S. Bento de Avis, cuja origem remonta a 1211 e que foi sofrendo alterações ao longo dos tempos; as antigas dependências monásticas, situadas no lado Sudoeste, encontram-se, atualmente em avançado estado de ruína, mantendo-se a grande parede exterior, que na parte mais a norte assenta diretamente na muralha medieval (erguidas no séc. XIII, as muralhas de Avis, foram modificadas por ordem de D. Pedro). O Convento de S. Bento foi sede da Ordem de Avis desde o século XII, sendo o conjunto das suas instalações formado pela igreja, sacristia, sala do capítulo, refeitório, claustro e torre sineira (todos de estilo manuelino). Na antiga Sala dos Monges e do Capítulo estão expostas, para além de antiguidades e objetos típicos do concelho, algumas peças de artesanato tradicional, réplicas de monumentos (Igreja Matriz e Pelourinho de Avis), achados arqueológicos, principalmente os vestígios romanos retirados das Estações romanas de "Bembelide", "Entre Águas" e "Ervedal".
Do Castelo de Avis, da época medieval, subsistem três das suas seis torres e alguns panos de muralha, adaptados para construções modernas: Torre da Rainha ou do Convento (junto às portas do Anjo e do Arco), Torre de Santo António (a ocidente) e Torre de S. Roque (a nordeste). A Igreja Matriz, reconstruída em 1890, encontra-se toda forrada a azulejos de tapete, possuindo, ainda, joalharia do século XVII. Destaca-se ainda a Capela de Nossa Senhora de Entre Águas, que tem embutida na parede uma lápide romana, e a lapa pré-histórica, que possui um altar feito pelos freires da Ordem de Avis. No que diz respeito às atividades de lazer, uma especial referência para a barragem do Maranhão, um local propício para a pesca, sendo que nos seus arredores situa-se o Clube Náutico que oferece serviços do parque de campismo e infra-estruturas para a prática de desportos náuticos.



Gastronomia :

           As migas com carne de porco e o ensopado de borrego são os pratos mais tradicionais que se cozinham na região.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Viagem e visita ao concelho de Coruche

Brasão de Coruche

Localização : 

           Localizado na margem Sul do rio Tejo, o concelho de Coruche está integrado no distrito de Santarém e na sub-região da Lezíria do Tejo. O concelho pode ser dividido em duas zonas distintas: a zona do vale do Sorraia e a zona florestal, constituída essencialmente pelo montado do sobro, ocupa uma área de 1113.1 km2, distribuída por oito freguesias. Faz fronteira a Norte com Almeirim e Chamusca; a Sul, com Vendas Novas e Montemor-o-Novo; a Este com Ponte de Sor, Mora e Arraiolos; e a Oeste, com Salvaterra de Magos e Benavente. 



História : 

       Apesar de não se saber ao certo muito sobre a sua origem, Coruche é uma povoação muito antiga. O seu topónimo principal, de etimologia incerta parece derivar de "corucho", que designa um "cume" referindo-se possivelmente à encosta sobranceira à margem direita do rio Sorraia, onde existiu uma fortificação, destruída pelos mouros em 1180. D. Afonso Henriques conquistou-a aos mouros em 1166 e doou-a à Ordem de Avis, em 1176. Quatro anos depois, a vila voltou a cair em posse dos mouros e foi reconquistada definitivamente em 1182. Afonso Henriques encarregou-se então do seu povoamento e concedeu-lhe foral a 26 de Maio do mesmo ano, confirmado por D. Sancho, em 1218. D. Afonso III ampliou e confirmou os privilégios já concedidos, com um novo foral passado em Santarém a 29 de Janeiro de 1218. D. Manuel I deu-lhe foral novo a 28 de Março de 1513. O município de Coruche tinha então representação nas cortes, com assento no 14º banco. Ainda D. Manuel concedeu foral novo também a Erra a 10 de Julho de 1514. 
Em 1836, os municípios de Erra e S. José de Lamarosa que passaram à categoria de freguesia, foram integrados no concelho de Coruche que passou a ser formado por nove freguesias. Nas alterações territoriais sofridas de 1836 a 1936 Coruche é repartida apenas por duas freguesias: Coruche e Couço. Em 1962 é criada mais uma freguesia, no entanto, apenas em 1984 o concelho passa a ser constituído pelas actuais 8 freguesias. Eclesiasticamente, a freguesia de Coruche era vigararia da apresentação do rei, como grão-mestre da Ordem de Avis, sendo prior titular da igreja o prior-mor da Ordem que apresentava dois beneficiados, os quais constituíam uma colegiada. Por Decreto de 25 de Junho de 1851, passou a colegiada a ser constituída por um reitor e oito beneficiados.

Bandeira de Coruche

Heráldica :

 Brasão: de ouro com uma torre torreada de vermelho, aberta e iluminada de prata acompanhada de dois pinheiros de verde com troncos de negro e arrancados do mesmo, rematados por duas corujas afrontadas de sua cor. Em chefe uma cruz antiga de Aviz, de verde. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com dizeres a preto.

Bandeira: de verde com 1 metro quadrado de área. Cordões e borlas de ouro e verde. Lança e haste de ouro.

Selo: redondo com as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Dentro de círculos concêntricos, envolvendo o selo, os dizeres «Câmara Municipal de Coruche».


Cultura e Turismo : 

       A belíssima paisagem natural é uma das características do território concelhio, bastante apreciado. Os rios que percorrem a região são pólos de atração para os que procuram o refúgio da natureza. De facto, o rio Sorraia, com um curso de aproximadamente 60 Km, confere ao concelho um importante recurso, sendo que no seu caudal abundam várias espécies, nomeadamente bogas, carpas, barbos e bordalos, tendo-se desenvolvido em toda a zona, a pesca artesanal de rio. Esta riqueza piscícola tornou-o também local privilegiado para a prática da pesca desportiva. 
Na margem do rio Soraia podem ainda ser encontrados os portos de João Felício e de João Ferreira. O primeiro era um antigo porto de passagem, sendo que o segundo constituía o principal porto do Sorraia e o local onde se situava a alfândega e onde os oficiais do fisco vigiavam as entradas e saídas das mercadorias. Um destaque também para: o açude da Agolada, a cerca de 3 quilómetros da vila de Coruche, com uma albufeira de cerca de 1 quilómetros de comprimento; e o açude do Monte da Barca, situado a cerca de cinco quilómetros de Coruche, com uma albufeira de cerca de 3 quilómetros e que é propício à prática de desportos aquáticos variados e pesca desportiva. No concelho de Coruche destacam-se também os seus elementos patrimoniais como: a ponte da Coroa; o pelourinho de Coruche, uma reconstituição de 1914 do antigo pelourinho quinhentista; várias casas senhoriais; e as igrejas da Misericórdia e de Nossa Senhora do Castelo.

Quinta da Mimosa


Gastronomia : 

           Entre as especialidades gastronómicas do concelho de Coruche, salientam-se a sopa de feijão frade de Couço, a açorda de bacalhau, a cachola com batatas e o cabrito frito. Na doçaria, o destaque vai para os bolos brancos, o arroz doce e os campinos do Sorraia.

                                                                                                         Bolos Brancos
Bolos BrancosAreias do Sorraia
Areias do Sorraia

terça-feira, 30 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho de Salvaterra de Magos

Brasão de Salvaterra de Magos

Localização : 

        Integrado no distrito de Santarém e na sub-região da Lezíria do Tejo, o Concelho de Salvaterra de Magos abrange uma área de 244.7 km2, distribuída por seis freguesias, o concelho é limitado a Norte por Almeirim; a Poente com o rio Tejo que o separa dos concelhos do Cartaxo e de Azambuja; a Sul, faz fronteira com Benavente; e a Nascente com Coruche. 



História : 

         Acerca do topónimo principal deste concelho, supõe-se que Salvaterra refere "terra salva" de certas obrigações pela concessão de privilégios; já o segundo elemento do topónimo, "Magos", é uma pequena corrupção da palavra persa "majus", que significa "filósofo", referindo-se a uma religião ou seita de magos que adoravam o fogo. O povoamento do território de Salvaterra de Magos é bastante remoto, a julgar pela proximidade de povoações ricas em achados arqueológicos, tal como a de Muge. A freguesia de Muge está situada na margem esquerda da ribeira homónima, afluente do Tejo, numa situação que ao longo da história lhe proporcionou acesso relativamente fácil aos grandes centros populacionais. Povoação antiquissíma  Muge conquistou notoriedade nos meios científicos em virtude de, nas proximidades da ribeira do mesmo nome, terem sido descobertos abundantes e notáveis restos da atividade do homem pré-histórico; dessa época foram descobertos alguns concheiros e esqueletos humanos sendo os mais importantes os de Moita de Sebastião, Cabeço da Amoreira e Cabeço da Arruda; deles se têm retirado conchas de moluscos, misturados com ossos de animais, cinzas, carvões, utensílios de pedra, osso e chifre. Os cadáveres têm dado origem a controvérsias e discussões entre os mais versados no assunto, pois enquanto para uns pertenciam a um tipo antropológico não identificável, para outros o referido tipo de ossadas será uma variedade do homem de Cro-Magnon. 
"A história de Salvaterra de Magos está intimamente ligada à vida das cortes e dos nossos reis, especialmente aos seus tempos de lazer". A povoação foi fundada através do foral de 1295, de D. Dinis, que doou a vila ao Bispo de Lisboa, que um ano depois ali mandou construir a igreja da nova paróquia; este foral foi mais tarde confirmado por Foral Novo de D. Manuel I, a 20 de Agosto de 1517. 
Salvaterra de Magos foi uma comenda e senhorio dos Condes de Atalaia, que apresentavam o vigário; o senhorio da vila pertenceu sucessivamente ao Infante D. Fernando, Rodrigo Afonso, Pedro Correia e a D. Nuno Manuel; em 1542 a povoação é cedida ao Infante D. Luís, que ali mandou construir o famoso palácio real, em cujas tapadas se realizaram grandes caçadas ao javali. Alguns estudiosos afirmam que D. Luís não mandou construir, mas sim reconstruir um castelo que já existia; no entanto, Francisco Cancio, um conceituado monografista ribatejano, afirma que o primitivo castelo já existia, mas nas ruínas da Falcoaria Real. D. Pedro II beneficiou o palácio e mandou fazer grandiosos jardins. As corridas de toiros realizadas em Salvaterra de Magos, alternadamente com as caçadas ao javali, começaram a tornar-se bastante célebres. D. José inaugurou um sumptuoso teatro de Salvaterra de Magos e foi a sua corte que deu grande relevo às corridas de touros que vieram a ter um desenlace trágico com a morte na arena do 7º Conde dos Arcos; seu pai, o Marquês de Marialva vingou a morte do seu filho descendo à arena e matando o touro. Este acontecimento deu origem a uma magnífica obra de Rebelo da Silva: A última corrida de touros em Salvaterra.

A 17 de Setembro de 1817, um violento incêndio deflagrou na sala dos Archeiros, que se propagou a todo o edifício, escapando apenas a Capela Real e o Teatro. As obras de reconstrução começaram de imediato, terminando em Agosto do ano seguinte. Nesta mesma época, foram realizadas reparações na Falcoaria Real e no Telheiro dos Escaleres, local onde se guardavam os bergantins reais, que transportavam a corte pelo Tejo até Salvaterra de Magos. Nos finais do reinado de D. João VI, o palácio foi destruído por um novo incêndio, restando apenas algumas paredes que acabaram por ruir com o terramoto de 11 de Novembro de 1858. Um outro terramoto, a 23 de Abril de 1909, destruiu muitos edifícios em todo o concelho; foi o caso da Matriz de Salvaterra de Magos, mandada construir por D. João Martins de Soalhães, Bispo de Lisboa, da Misericórdia, fundada em 1660, e do palácio real, do qual subsistem apenas a capela real e as chaminés do antigo paço. Em 1845, a junta da paróquia de Salvaterra de Magos decidiu criar o "aforamento" daquela vasta área de terreno em que se constitui hoje parte do concelho. Iniciado de forma espontânea, o processo tinha como objectivo o desbravamento de todo o matagal que cobria o solo, tornando-o cultivável. O aforamento das terras não demorou a demonstrar o seu sucesso, surgindo novas formas de explorar a terra, como a exploração direta  de parceria e de arrendamento; todos estes sistemas favoreceram a fixação de pessoas naqueles territórios, e necessariamente, o grande incremento populacional se verificou.

Bandeira de Salvaterra de Magos

Heráldica : 

Brasão: de azul com um touro possante de ouro. Em chefe um cacho de uvas de púrpura folhado de ouro, acompanhado de dois molhos de três espigas cada um, do mesmo metal. Coroa de prata quatro torres. Por debaixo uma fita branca com os dizeres: «Vila de Salvaterra de Magos», de negro.

Bandeira: esquartelada de azul e amarelo. Cordões e borlas de ouro e de azul. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Salvaterra de Magos».


Cultura e Turismo : 

           Com esplêndidas paisagens, Salvaterra de Magos mantém também magníficos monumentos, sendo de destacar: a Igreja Paroquial, de invocação a S. Paulo, que data de 1296 e que também ficou bastante danificada com os terramotos; os edifícios da Real Falcoaria; a Capela do antigo Paço Real de Salvaterra de Magos; a Igreja da Misericórdia; e a Igreja de Glória do Ribatejo. De destacar também é a zona histórica da freguesia de Muge, integrando o vasto património cultural e edificado desta freguesia a casa Cadaval, a Igreja Matriz, o coreto, as fontes da Costa, da Nossa Senhora e a do Pião, os concheiros de Muge, a ponte romana e alguns moinhos de vento. 
Para além da sua zona histórica, a freguesia tem outros pontos de interesse para os locais e turistas, como: a ponte D. Amélia, a praia fluvial do Porto do Sabugueiro e a adega da casa Cadaval.
Ainda a destacar no concelho de Salvaterra de Magos é a barragem e albufeira de Magos, localizada na ribeira de Magos, na bacia hidrográfica do rio Tejo, projetada em 1936 e que apresenta condições naturais com vocação turística; a aldeia de pescadores do Tejo de Escacorim; e o parque natural da Mata Nacional.




Gastronomia :

               Da tradicional gastronomia do concelho destaca-se a açorda de sável à Ribatejana, a sopa camponesa, a furjoca, a lapardana, a açorda de saboga e rancho à moda dos foros.

                                                                                                          Broa
BroaBarretes
Barretes 


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho de Benavente

Brasão de Benavente

Localização :

         O Concelho de Benavente pertence ao distrito de Santarém que ocupa uma área de 521.5 km2 distribuída por quatro freguesias, está localizado na margem esquerda do rio Tejo, integrando a sub-região da Lezíria do Tejo e faz fronteira a Norte com o rio Tejo e o concelho de Salvaterra de Magos; a Sul, é limitado pelos concelhos de Montijo, Alcochete e Palmela; a Nascente por Coruche e a Poente, com Vila Franca de Xira.
No concelho de Benavente está integrada a Reserva Natural do Estuário do Tejo, com terrenos alúvio-mediterrânicos de natureza hidromórfica, com características naturais de pauis e sapais.



História :

          O topónimo principal do concelho parece indicar a colonização por leoneses da Ordem de Calatrava, sediada no castelo de Benavente, e da qual derivou a Ordem de Avis. Este topónimo aparece não só em Portugal, mas também em Espanha e Itália, sob a forma "Benevento". Dos primórdios da sua história, muito se tem escrito, contudo, sem fundamento ou provas; para alguns autores, é uma povoação antiquissíma  que já existia no tempo dos romanos; para outros, esteve na sua origem um núcleo de estrangeiros que se fixaram na margem sul do Tejo e cuja vinda para Portugal foi consequência da política de povoamento de D. Sancho I, no ano de 1199.
Não há vestígio algum do domínio romano nem do domínio muçulmano em Benavente, nem no seu antigo termo; contudo, o mais certo é que não se pode negar a existência de povoação antes do domínio português, mas era certamente pouca, tão diminuída que levou esta povoação a estar praticamente desabitada até ao reinado de D. Sancho I e, só a partir de então, a meados de 1200, D. Paio ou Pelágio, bispo de Évora a reedificou, povoou, e lhe deu foral a 23 de Março do mesmo ano, confirmado pelo referido monarca; este foral é o mais antigo documento que se conhece de Benavente.
O local onde foi fundada a povoação de Benavente, além de ser próximo do Tejo, apresentava um amplo espaço para o crescimento da população, com encostas que facilmente poderiam ser fortificadas e defendidas; vantagens sem dúvida de grande importância, numa época tão tumultuosa como era a dos finais do século XII, em plena reconquista.
No eclesiástico deve assinalar-se a instituição da paróquia de Santa Maria de Benavente, ao que tudo indica nos princípios do século XIII. A Ordem de Calatrava apresentava o pároco, razão porque aparece posteriormente como priorado apresentado pelo rei, este como grão-mestre da Ordem de Avis.

Bandeira de Benavente

Heráldica : 

Brasão: de prata uma cruz florenciada de verde, vazia do campo, ladeada por duas travas de vermelho em pala e acompanhada por uma bandeira quadrada, requifada em facha de prata e de verde, franjada e realçada de negro, desfraldada, para a sinistra no chefe e com a haste e lança de negro colocada em pala. Coroa mural de prata, quatro torres. Listel branco, com os dizeres a negro: «Benavente».

Bandeira: esquartelada de prata e verde; cordões e borlas de prata e verde; haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes e em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Benavente».


Cultura e Turismo : 

        Integrado na lezíria ribatejana, numa paisagem de transição entre o Ribatejo e o Alentejo, o concelho de Benavente tem a oferecer ao visitante vários locais de interesse turístico. De facto, para além da belíssima paisagem da região, destacam-se neste concelho como locais a visitar, os Montes da Saúde e da Foz, este a cerca de três quilómetros da vila de Benavente, na margem do rio Sorraia; a Reserva Natural do Estuário do Tejo, criada em 1976, pelo Decreto-Lei 565/76 de 19 de Julho, e que é uma zona de transição entre as águas salgadas do oceano e doces do rio Tejo; e o Centro Equestre Berço de Prata, onde periodicamente se realizam vários eventos.
Benavente é também um concelho com um valor patrimonial considerável, de onde se destaca o cruzeiro Largo do Calvário, a Igreja de Nossa Senhora de Oliveira, o Pelourinho de Benavente, Cruzeiro e Igreja Matriz em Santo Estêvão, Igreja da Misericórdia, a Ermida de S. Brás e o Convento de Jericó, de frades arábicos, fundado pelo Infante D. Luís.
Em termos de unidades museológicas, o destaque vai para o Museu Municipal de Benavente, instalado num palacete do século XVIII. Anteriormente o edifício funcionou como casa de habitação, sendo que em meados do século XX passou aí a funcionar o Pensionato do Colégio de Benavente. Destaque ainda para o Núcleo Agrícola do Museu Municipal de Benavente, instalado no antigo edifício do Matadouro Municipal e que apresenta uma exposição dedicada à vida rural da região.
O concelho dispõe ainda de duas bibliotecas: a Biblioteca Municipal de Benavente, a funcionar na antiga Casa de Calheiros; e a Biblioteca de Samora Correia, instalada no Palácio do Infantado.



Gastronomia : 

         Dos pratos tradicionais confeccionados no concelho de Benavente, destacam-se as migas de bacalhau, a sopa de molho de toucinho, o ensopado de enguias e os linguadinhos fritos com arroz de feijão.
                                                                                                          Delícias de Batata 
Delícias de BatataMigas com Entrecosto
Migas com Entrecosto 

Viagem e visita ao concelho de Vila Franca de Xira

Brasão de Vila Franca de Xira

Localização : 

            Vila Franca de Xira é um concelho do distrito de Lisboa, com uma área de 293.9 km2, distribuída por 11 freguesias. A vila e sede do concelho dista cerca de 29 quilómetros de Lisboa e está situada na margem direita do rio Tejo, no Ribatejo. O concelho de Vila Franca de Xira é limitado a Norte pelos concelhos de Alenquer e Azambuja (separado deste e em pequena parte do de Azambuja pelo curso do Tejo); no extremo Nordeste, pelo concelho de Salvaterra de Magos; a Este, pelo concelho de Benavente (separado pelo rio Sorraia); a Sul, pelo estuário do Tejo e pelo concelho de Loures; e a Oeste, pelos concelhos de Loures e Arruda dos Vinhos. É atravessado pelo rio Tejo que nele começa a alargar o seu vasto estuário, formando três ínsuas, abrangidas na área do concelho: o Mouchão da Póvoa, o Mouchão do Lombo do Tejo e o Mouchão da Alhandra. Na margem direita fica a zona mais acidentada do concelho, mas também a mais populosa e mais industrializada; na margem esquerda, fica a vasta lezíria ribatejana, cortada pela estrada do cabo e ainda por cursos de água que fazem a drenagem das terras baixas e inundáveis, além do Sorraia, o Mar de Cães, o Esteiro do Vinagre, a Aberta do Infante, o esteiro do Ruivo, entre outros.



História : 

          O povoamento do território que corresponde ao atual concelho de Vila Franca de Xira é bastante remoto, datando do paleolítico inferior os mais antigos vestígios de ocupação humana, tratando-se de instrumentos de pedra lascada, recolhidos em Alverca do Ribatejo. Também na freguesia de Castanheira do Ribatejo foram encontrados artefatos de pedra lascada que testemunham acampamentos temporários de caçadores-recolectores nos terrenos junto ao rio. Do período do neolítico, chegaram até aos nossos dias vestígios da existência de pequenas comunidades que ocuparam as elevações sobranceiras ao Tejo e outras bacias hidrográficas como os vales de Vialonga, Calhandriz e S. João dos Montes. Já na Idade do Ferro, existiu em Castanheira do Ribatejo, o povoado fortificado do Monte dos Castelinhos que posteriormente foi romanizado. Da época de ocupação romana, foram também encontrados vários vestígios, disseminados pelas freguesias que compõe o atual concelho de Vila Franca de Xira, como é o caso das várias ânforas achadas no leito do Tejo, junto aos mouchões de Alhandra e da Póvoa de Santa Iria, e que denunciam a intensa atividade comercial romana; também lápides funerárias epigrafadas, existentes em várias freguesias do concelho, testemunham a presença romana. Eram duas as povoações que posteriormente deram origem ao topónimo composto do concelho e a uma só localidade, sendo essas: Vila Franca e Cira. A coroa, para promover o repovoamento desta região marginal do Tejo praticou a política das concessões territoriais a particulares nobres ou eclesiásticos. Assim, D. Sancho I doou em 1206 a "villa de Cira" a Froilhe Erminges, compreendendo nela o assento de Vila Franca; Alhandra foi doada aos bispos de Lisboa; S. João dos Montes parece ter sido atribuído aos Templários e Povos recebe foral próprio em 1195. Mais tarde, em 1203, o bispo Soeiro de Lisboa deu foral a Alhandra e em 1212 D. Froilhe Herminges outorga foral à sua "villa" de Cira. Nesse documento, distingue-se explicitamente a existência de uma primitiva herdade de Cira, situada mais no interior, e uma Vila Franca nas margens do rio. Principia o foral que estabelece o direito da inviolabilidade domiciliária, como garantia da segurança dos povoadores: quem entrasse pela força numa casa, usando armas, peitaria 500 soldos; se o violador ou "raptor" for morto dentro da casa violada, pagar-se-à deste crime, para satisfação da justiça, um maravedi; sendo apenas ferido o violador na casa, a multa era meio maravedi. Os crimes de homicídio e rousso públicos eram punidos com a multa de 500 soldos. Outro crime, excepcionalmente, considerado grave é o ferimento a couces e pontapés (equivalente a rousso ou homicídio), talvez por considerar-se lesivo da dignidade humana, como o lixo na boca. O foral trata depois do relego da dona da terra: durante o período reservado para ela a venda do seu vinho, não podia ninguém vender o seu, sob a pena de lhe pagar de multa (às duas primeiras vezes, cinco soldos por cada vez e à terceira de se lhe entornar todo o vinho, depois de dado o testemunho do atentado contra o relego); do vinho de fora que na localidade se vendesse, pagar-se-ia por cada carga um almude. Estabelecem-se depois os encargos sobre o pão, de que se daria a quinta parte; o vinho, de que se daria a oitava, no lagar; e no linho, de que se entregava a oitava também; dava-se ainda a oitava das azeitonas na tulha. Em seguida, o foral ocupava-se de outros casos de criminalidade: quem matasse alguém fora do couto peitaria sessenta soldos e quem ferisse, igualmente fora de balizas, peitaria trinta soldos; os ferimentos feitos na praça pública, equivaliam na multa, a meio homicídio. Mais tarde, D. Froilhe Ermiges declara que antes de Vila Franca receber foral, já o tinha recebido Xira. Faz tal declaração a fim de estender o foral de Xira a Vila Franca, permitindo a reunião das duas povoações, com igual foro. Em Maio de 1228, D. Froilhe doou a "villa" de Cira, inclusa Vila Franca, à Ordem do Templo, sendo mestre nos três reinos, D. Martim Sanches. Apesar de a doação ter sido feita à Ordem dos Templários, a verdade é que os Hospitalários também aí possuíam direitos, o que levantou, séculos depois, questões entre as duas ordens. No século XVI, Vila Franca e Xira passam a pertencer à Coroa. 
Em 1510, Vila Franca, Povos e Castanheira receberam Foral Novo, no âmbito da reforma dos forais promovida por D. Manuel I. O concelho de Vila Franca tinha então de termo, para a parte de Povos (concelho por si) um "tiro de besta"; para a de Alhandra (também concelho) meia légua; para a de Arruda, outra meia légua. Tratava-se, portanto, de um concelho muito diverso do atual  pois que para além daqueles concelhos (que atualmente são freguesias que o compõe) Castanheira também era concelho; S. João dos Montes pertencia aos Templários; Póvoa de Santa Iria era um lugar do concelho de Alverca; Calhandriz do termo de Lisboa; Cachoeiras da Casa da Rainha. Em 1527, pertenciam ao concelho de Vila Franca de Xira: o lugar de Aldeia dos Bispos e a "quintãa" do Paraíso, propriedade do Conde de Penela.
O inicio do século XIX, ficou marcado pelas invasões francesas, sendo que no concelho de Vila Franca de Xira se iniciava o sistema defensivo construído em grande sigilo entre 1810-1812, para fazer face ao invasor francês e que haveria de ficar conhecido por linhas de Torres Vedras. Um outro acontecimento importante do inicio desse século, a que ficou ligado o nome de Vila Franca de Xira, foi a "vilafrancada", golpe de estado comandado por D. Miguel que decorreu de 27 de Maio a 3 de Junho de 1823 em Vila Franca de Xira. Ainda no século XIX processou-se a reforma administrativa que viria a dar origem à constituição do concelho de Vila Franca de Xira, tal como hoje o conhecemos: em 1836 deu-se a extinção do concelho de Povos e no ano seguinte desapareceu o de Castanheira; em 1855 a reforma fez extinguir os concelhos de Alhandra e de Alverca, passando doravante Vila Franca de Xira a integrar toda esta área administrativa; em 1886, com a extinção do concelho dos Olivais, a freguesia de Vialonga passou para o concelho de Vila Franca e, finalmente, já no século XX, em 1926, a freguesia de Póvoa de Santa Iria foi também anexada alargando para Sul a área do município.

Bandeira de Vila Franca de Xira

Cultura e Turismo : 

          O concelho de Vila Franca de Xira caracteriza-se pela diversidade da sua paisagem, que vai desde a Lezíria, grande planície alagada nas margens do rio, despoluída, à zona interior mais acidentada. Ao longo dos tempos a pesca no rio Tejo e os trabalhos no campo, assim como, a criação e lide de cavalos e touros sempre marcaram vincadamente a cultura dos seus habitantes, sendo a tourada considerada um ex-libris deste concelho. O concelho destaca-se também pela sua riqueza patrimonial, destacando-se a esse nível: a Igreja da Misericórdia que alberga importantes obras de arte sacra; a Igreja de Alhandra; o Pelourinho Manuelino, considerado Monumento Nacional; o monumento ao Campino, peça de bronze datada de 1982 de autoria de Domingos Soares e António Trindade; a Praça de Touros Palha Blanco, inaugurada a 28 de Setembro de 1901 em substituição de um antigo tauródromo de madeira construído em 1810 e que ardeu nos finais do século XIX; a Igreja Matriz de Vila Franca de Xira (séc. XVII), antiga igreja da Ordem Terceira de S. Francisco, foi fundada em 1677 e reconstruída no século XX; o Monumento à Batalha das Linhas de Torres no Sobralinho; e a Capela de fundação Medieval no monte do Senhor da Boa Morte.
No que diz respeito a atividades culturais, a Câmara Municipal e as várias associações e colectividades existentes no concelho desenvolvem ao longo do ano um vasto leque de iniciativas, pretendendo ir ao encontro dos gostos e necessidades das diferentes camadas da população. De realçar a Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira que assume uma vertente de concurso de âmbito nacional, contando ainda com a participação de instituições, escolas e fotógrafos convidados pelo Comissariado e uma programação de exposições paralelas. O município assegura a programação de cinco galerias: a Galeria Municipal de Vila Franca de Xira e a Galeria de Exposições da Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira (Vila Franca de Xira); a Galeria do Fórum Cultural (Alverca do Ribatejo), a Galeria Municipal Augusto Bértholo – Casa/Museu Dr. Sousa Martins (Alhandra); e o Palácio Quinta da Piedade (Póvoa de Santa Iria). Dispõe ainda de dois auditórios, um em Alverca do Ribatejo (Auditório Municipal Scala) e outro em Vila Franca de Xira, na Biblioteca Municipal. A programação destes auditórios consiste sobretudo em actividades ligadas à música, ao teatro e á literatura.
O Museu Municipal de Vila Franca de Xira foi criado em 1951, por iniciativa do Dr. António Vidal Baptista que, em conjunto com Raúl de Carvalho, havia já fundado, quatro anos antes, a Biblioteca local. Em 1980, o museu foi encerrado, reabrindo cinco anos depois no edifício setecentista da Rua Serpa Pinto em Vila Franca de Xira. Em 1988 foi constituído o segundo núcleo museológico com a aquisição e recuperação de um Barco Varino do Rio Tejo, e em 1990 abriu o Núcleo Museológico de Alverca; já em 2001 foi inaugurado o Núcleo Museológico de Arte Sacra na Igreja do Mártir Santo São Sebastião em Vila Franca de Xira.




Gastronomia :

          Vila Franca de Xira é um concelho com grandes tradições, sendo os pratos típicos: peixe do rio (cozinhado de diversas maneiras), galinha do campo, sável frito com açorda de ovas, linguado frito, ensopado de enguias, enguias fritas e cabrito assado.
                                                                                                              Açorda de Sável
Açorda de SávelSopa de Bacalhau
Sopa de Bacalhau