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domingo, 28 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho de Arruda dos Vinhos

Brasão de Arruda dos Vinhos

Localização : 

              Concelho do distrito de Lisboa, Arruda dos Vinhos, dista da capital cerca de trinta e seis quilómetros, para Norte. Abrange uma área de 77.7 km2, distribuída por quatro freguesias, faz fronteira a Norte com o concelho de Alenquer; a Oeste, com Sobral de Monte Agraço; a Sudoeste, com Mafra; a Sul, com Loures; e a Este com Vila Franca de Xira.



História : 

        O povoamento do território que corresponde ao atual concelho de Arruda dos Vinhos é tido como bastante remoto, apesar de serem parcos os vestígios arqueológicos e toponímicos. Um dos topónimos mais importantes relativo ao povoamento primitivo desta região é o do lugar de Anta, referindo-se este nome à existência de uma edificação dolménica, na altura da atribuição do topónimo. No que diz respeito ao topónimo principal do concelho, é composto por dois elementos, sendo que o primeiro deriva do latim ruta, "arruda", com o prefixo árabe al; já segundo elemento, refere-se à abundância de vinhas na região. A primeira referência escrita relativa a Arruda dos Vinhos data de 1172, constando no documento de doação de D. Afonso Henrique de "Arruta" à Ordem de Santiago. No entanto, essa doação parece não ter sortido efeito, visto que D. Sancho I a repetiu, sem qualquer alusão ao igual ato de seu pai. Esta doação de D. Sancho foi feita a 26 de Outubro de 1185, citando-se expressamente o castelo, o que mostra ter sido Arruda uma praça forte. Anteriormente, havia D. Afonso Henriques concedido foral a Arruda dos Vinhos (1160) que mais tarde foi renovado por D. Manuel (1517).
Uma das particularidades mais notáveis dos tempos afonsinos de Arruda, concerne ao sítio que então se chamava Vilar, onde foi fundado uma espécie de Mosteiro de "freiras" da Ordem donatária, isto é, donas afiliadas à Ordem de Santiago, tendo a dona que exercia a função de superiora, o título de "comendadeira". Em 1255 já não se encontravam nesse local pois nesse ano o Mestre da Ordem, D. Paio Peres Correia e o comendador de Mértola, D. Gonçalo Peres, doam a Estêvão Mendes o lugar de Vilar onde haviam habitado as freiras. Segundo consta, essas "freiras" de Santiago do Vilar partiram, no reinado de D. Sancho I, para Lisboa, depois de construído por esse rei o Mosteiro de Santos-o-Velho e mais tarde, no reinado de D. João II, passaram para Santos-Novos, sendo conhecidas como comendadeiras de Santos. Eclesiasticamente, a paróquia de Santa Maria de Arruda remonta ao século XII, ou pelo menos aos princípios do século XIII, mas certamente antes do senhorio da vila pela Ordem de Santiago dado que o padroado lhe escapou, sendo da apresentação dos cónegos regrantes de Santo Agostinho do Mosteiro de S. Vicente de Fora, vigararia que depois passou a priorado. A vila permaneceu na posse da Ordem de Santiago até meados do século XVI. Depois foi doada ao primeiro Duque de Aveiro, em cuja sucessão se manteve a sua donataria até 1759, data em que foi extinta essa casa titular. Passou então à posse da coroa, situação em que se encontrava ainda no final do Antigo Regime. Era nessa época vila da província da Estremadura, diocese de Lisboa, comarca do Ribatejo e provedoria de Torres e tinha juiz ordinário. 
Em 1855, sendo extinto o concelho de Sobral de Monte Agraço foram anexas as freguesias deste ao concelho de Arruda dos Vinhos. Em 1887 a sede de concelho foi transferida para o Sobral, o que provocou desavenças entre as duas vilas, com agressões aos comerciantes que iam de uma à outra fazer negócio. Esse conflito manteve-se durante 3 anos e só foi resolvido com a formação de dois concelhos: Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço. 
A 26 de Setembro de 1895, o concelho de Arruda dos Vinhos foi extinto, tendo sido anexado ao de Vila Franca de Xira; veio a ser restaurado a 13 de Janeiro de 1898, com as freguesias que tinha à data da eliminação, excepto a de Sapataria (que ficou integrada em Sobral de Monte Agraço).

Bandeira de Arruda dos Vinhos

Heráldica : 

Brasão: de prata, com uma torre de vermelho sobre um terrado de sua cor. A torre cercada por três videiras de sua cor, frutadas, de prata e tendo sobre a porta o escudete das quinas. Coroa mural de prata de quatro torres.

Bandeira: esquartelada de vermelho e de branco por as peças principais, o castelo e os cachos terem estas cores. Por baixo das armas uma fita branca com letras pretas: «Arruda dos Vinhos».

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos».


Cultura e Turismo : 

O turismo no concelho de Arruda dos Vinhos tem maior expressão no espaço rural e também no denominado turismo de fim-de-semana. No entanto, o património arquitetónico existente, assim como as festas anuais, as touradas e a gastronomia, atraem cada vez mais novos visitantes. Do seu importante património arquitetónico e histórico destaca-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Salvação (séc. XVI); a Igreja da Misericórdia (séc. XVI); o chafariz grandioso de estilo barroco, cuja edificação remonta do século XVIII; a Ermida de Nossa Senhora do Monte, de onde se pode vislumbrar a característica paisagem de Arruda dos Vinhos, sendo que a esta capela, na Quinta-feira de Ascensão, acorrem inúmeros peregrinos; o antigo edifício da Câmara Municipal com uma torre sineira, cuja edificação remonta ao século XVIII; e as ruínas da fortaleza da Guerra Peninsular Napoleónica (linhas de torres).
No que diz respeito a espaços culturais, no concelho de Arruda dos Vinhos, o destaque vai para a Galeria Municipal, localizada no primeiro andar das instalações do Posto de Turismo e que acolhe de três em três semanas exposições de todos os campos das artes plásticas: pintura, escultura, fotografia, joalharia etc; sendo as exposições individuais ou colectivas.






Gastronomia :

        A gastronomia tradicional do concelho de Arruda dos Vinhos abrange desde o cozido à portuguesa, à costeleta de novilho grelhada, ao bacalhau assado na brasa, aos peixinhos da Horta. No que respeita à doçaria, o destaque vai para o creme de amêndoas, para as famosas delícias e para as "Bruxas d`Arruda".


Bacalhau assado na brasa


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho de Sobral de Monte Agraço

Brasão de Sobral de Monte Agraço

Localização : 

        Integrado no distrito de Lisboa, o concelho de Sobral de Monte Agraço abrange uma área de 52 km2, distribuída por três freguesias: Sobral de Monte Agraço, Sapataria e Santo Quintino, sendo limitado a Sudoeste, pelo concelho de Mafra; a Sudeste, pelo concelho de Arruda dos Vinhos; a Noroeste, pelo concelho de Torres Vedras; e a Nordeste, pelo concelho de Alenquer.
Sobral de Monte Agraço é um concelho com um relevo acentuado e irregular, apresentando vales apertados onde correm cursos de água, de regime torrencial.



História :

         O primitivo povoamento da região, terá começado a partir do Monte Agraço, a 4 quilómetros da sede de concelho. Data de 1186 a primeira referência escrita relativa ao concelho, tratando-se de uma doação de D. Sancho I do reguengo do "Soveral" à Sé de Évora. Mais tarde, encontra-se novas referências à povoação nas Inquirições de D. Afonso III, relativas à igreja de Santa Maria de "Monteagraço", então pertença da igreja de Lisboa e à de S. Salvador do "Monte Agracio", esta no termo de Torres Vedras. A 20 de Outubro de 1519, D. Manuel deu foral a Monte Agraço, não é mencionado Sobral como sede de concelho, mas já deveria ser um importante centro populacional.
Em 1527, o Cadastro menciona Monte Agraço com o título de vila, sendo o seu donatário o Conde de Sortelha, mas já então o lugar mais importante da vila era Sobral, pois na vila propriamente dita (no Monte Agraço) não vivia ninguém, tinha somente uma igreja (a de Santa Maria), uns paços velhos e um pelourinho. O termo era constituído pelas aldeias de Vila Galega, Sobral, Barqueira, Cavela, Gozundeira, Bispeira e Cardosa. É de crer que a sede já então fosse no Sobral que no século XVIII aumenta de importância, especialmente depois de ser dado o seu senhorio, a 15 de Abril de 1771, a Joaquim Inácio da Cruz Sobral, tesoureiro do Real Erário; no mesmo ano da doação começou a construção do edifício da Câmara e Cadeia. A 3 de Novembro de 1809, dá-se início à construção do sistema de fortificações designado por Linhas de Torres Vedras, estando o Sobral inserido na primeira dessas linhas de defesa da capital.
Em 1821, o concelho de Sobral de Monte Agraço incluía apenas a freguesia da sede; em 1826, não há referências ao concelho, aparecendo isolada, a freguesia de S. Salvador. Se o concelho foi então extinto, essa extinção pouco tempo durou, sendo que em 1832 já aparece novamente como concelho que, em 1836 passou a incluir a freguesia de Santo Quintino, retirada do termo de Lisboa. Em 24 de Outubro de 1855, o concelho foi extinto e incorporado no de Arruda dos Vinhos. Torna a aparecer em 1880, para voltar a ser extinto com a reforma de 26 de Setembro de 1895 que anexou as suas freguesias ao concelho de Torres Vedras. Foi novamente restaurado a 13 de Janeiro de 1898, abrangendo já a freguesia de Sapataria.

Bandeira de Sobral de Monte Agraço

Heráldica : 

Brasão: de prata, sobreiro a verde assente num monte da mesma cor guarnecido a negro. Bordadura a negro carregada de 11 torres de prata, abertas e iluminadas de vermelho. Coroa mural de 4 torres de prata. Listel branco com a legenda a negro «Sobral de Monte Agraço».

Bandeira: esquartelada de branco e verde, com cordão e borlas de prata e verde. Haste e lança de ouro.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Sobral de Monte Agraço».


Cultura e Turismo : 

           O concelho de Sobral de Monte Agraço está integrado na Região de Turismo do Oeste "Terra de vinhedos e de mar", uma área particular da Região da Costa de Prata. Trata-se de um concelho interior, com acessos fáceis à costa e à área da Grande Lisboa e que dispõe de vários locais de interesse turístico, tendo a oferecer belas paisagens e um acervo patrimonial interessante, de destacar os vários moinhos de vento existentes no concelho, testemunhos da importância económica e social da atividade moageira na região, na primeira metade do séc. XX. De destacar ainda ao nível patrimonial: a Capela Medieval de Sobral de Monte Agraço, cuja construção remonta a finais do século XIII; a Igreja de Santo Quintino, obra do século XVI; e a Praça de Touros. A construção primitiva da Praça de Touros de sobral de Monte Agraço data de 1921, sendo que em 1970, encontrando-se já em avançado estado de degradação, foi doada pela Sociedade Tauromáquica à Santa Casa da Misericórdia que procedeu à demolição do edifício e construiu uma nova praça, com capacidade para 2.936 lugares.
O concelho dispõe ainda de várias infra-estruturas culturais, sendo de mencionar: o Núcleo Museológico do Vinho, instalado numa antiga adega, tem como principal objectivo dar testemunho daquela que foi, outrora, uma das principais atividades económicas do concelho - o cultivo da vinha e a produção de vinho; a Galeria Municipal, integrada no edifício dos paços do concelho; e o Auditório Municipal, instalado no edifício da Câmara Municipal.



Gastronomia : 

            A gastronomia concelhia é bastante diversificada, destacando-se, no entanto, os queijos de cabra e ovelha.
                                                                                                         Queijo fresco 
Queijinho frescoFritada
Fritada 


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho de Mafra

Brasão de Mafra

Localização : 

           Integrado no distrito de Lisboa, o concelho de Mafra ocupa uma área de 290.7 km2, distribuída por 17 freguesias, quatro das quais com sede em vila (Azueira, Ericeira, Mafra e Malveira), a vila de Mafra está situada numa colina, cercada por dois vales onde correm as ribeiras conhecidas por Rio Gordo e Rio dos Couros.
O concelho é limitado pelos concelhos de Torres Vedras, a Norte; Sobral de Monte Agraço, a Nordeste; Arruda dos Vinhos, a Este; Loures, a Sudeste; Sintra, a Sul; e pelo oceano Atlântico, a Oeste. Mafra apresenta uma grande diversidade morfológica sendo o concelho possuidor de uma extensa costa atlântica, onde pequenas praias são geralmente enquadradas por arribas rochosas ou falésias, também de destacar neste concelho é a Tapada de Mafra, criada no reinado de D. João V como parque de lazer para o monarca e da corte e onde existem javalis, veados e gamos, sendo uma área protegida.



História : 

       O território que corresponde ao actual concelho de Mafra foi ocupado desde épocas bastante remotas, apresentando vestígios da presença de vários povos. Da época de dominação romana foram encontrados vários vestígios, nomeadamente lápides, aras, sepulturas, moedas, tulhas, cerâmicas e vidros. A maioria data do século I ao século IV. Um dos vestígios mais importantes é a via romana que ligava Sintra a Peniche e que passava pelo concelho de Mafra, nas freguesias de Cheleiros, Mafra, Ericeira, Paço de Ilhas e S. Domingos da Fanga da Fé. São poucos os vestígios da ocupação visigótica, sendo que dessa época apenas se encontrou uma lápide, em Cheleiros, um friso, em Alcainça e ainda um tímpano paleocristão. Da ocupação árabe também são poucos os vestígios, tratando-se sobretudo de indícios toponímicos, como Alparrel, Almoerim, Alvarinhas, Alfôvar, Almada, Arrifana, Alqueidão, entre outros. Segundo alguns autores, o próprio topónimo principal do concelho tem origem árabe, derivando de Mahfara que significa "cova". No entanto, a origem do nome permanece ainda por explicar, sabendo-se, no entanto, que evoluiu de Mafara (1189), para Malfora (1201) e depois Mafora (1288), aparecendo com a grafia actual, nos Lusíadas. O que se pode afirmar mais concretamente é que Mafra é uma das vilas portuguesas mais antigas, pois já em 1185 D. Sancho I a denominava como tal. Essa designação repete-se no foral que o bispo D. Nicolau deu aos seus criados e vassalos moradores na sua "villa" de Mafra. 
Mafra foi conquistada aos mouros em 1146, data em que passou para os domínios da coroa até 1193, sendo cedida nessa data, por D. Sancho I, à freiria de Évora, de que era mestre Gonçalo Viegas. D. Afonso II confirmou-a em 1218, a D. Fernando, seu novo mestre. Em 1289, estava mais uma vez na posse da coroa e D. Dinis a deu, com todos os seus direitos reais, inclusive o padroado da igreja, a João Fernandes e sua mulher, D. Maria Anes de Aboim, em troca da vila, castelo e senhorio de Portel. O domínio particular da vila terminou com o último Marquês de Ponte de Lima, morto sem geração, no entanto, entre D. Maria Anes de Aboim e o último marquês de Ponte de Lima, houve: D. Diogo Afonso de Sousa; depois, seu filho primogénito Lopo Dias de Sousa; seu irmão Álvaro Dias de Sousa, marido de D. Maria Teles, irmã de D. Leonor Teles que por morte do marido a vendeu a Gonçalo Rodrigues de Sousa, que passou ao serviço de Castela e teve os seus bens confiscados pelo mestre de Avis. Por dote paterno, herdou Mafra, D. Leonor de Sousa que casou com Fernão Marins Coutinho. Em 1633, Mafra estava na posse de D. João Luís de Vasconcelos que morreu sem descendência e dela se apossou um outro D. João Luís de Vasconcelos, trineto bastardo do segundo Conde de Penela, casado com D. Maria de Noronha, de cujo consórcio nasceu D. Joana de Vasconcelos e Meneses que foi mulher de D. Diogo de Lima Brito de Nogueira, 8º Visconde de Vila Nova de Cerveira, a quem, por sentença régia, a vila de Mafra ficou pertencendo. Estes viscondes de Cerveira foram depois os marqueses de Ponte de Lima. 
Até à construção do convento, Mafra era um pequeno burgo circunscrito a uma centenas de fogos, agrupados em redor do seu desaparecido castelejo que deveria ter existido no local onde se encontra a igreja de Santo André e que D. Afonso Henriques terá conquistado aos Mouros em 1147. Já em 1624, D. João Luís de Meneses e Vasconcelos tinha planos de fundar nesta vila um convento de frades arrábidos, aplicando nessa obra os rendimentos que tinha na Ericeira. O projeto não foi por diante, porque indo D. João Luís a Madrid tratar do seu ambicionado título de Conde de Ribamar, ali morreu. Oitenta e cinco anos depois, em 1705, a ideia renasceu com outro senhor de Mafra, o 12º Visconde de Vila Nova de Cerveira, D. Tomás de Lima Vasconcelos Brito Nogueira que a transmitiu a dois frades arrábidos que se hospedaram na sua quinta de Mafra e estes por sua vez comunicaram ao seu provincial que mandou a Mafra o guardião do convento de Torres Vedras, Frei Carlos da Madre de Deus. Ficou assente edificar-se uma casa para 10 ou 12 frades, mas consultado, por ordem do rei, o Desembargo do Paço, este negou a oportunidade para essa realização, por estar o reino muito onerado de conventos mendicantes e não ser justo oprimir-se mais os povos com um novo encargo. O projeto ficou, dessa forma, pela segunda vez, sem efeito.
Aconteceu porém, que seis anos mais tarde (1711), tendo D. João V casado em 1708 e ainda não havendo filhos, se encontrava no paço Frei António de S. José, também frade leigo da Arrábida e falando-se neste insucesso, o frade disse ao bispo D. Nuno da Cunha, capelão-mor, que "El Rei teria filhos se quisesse!". Passados alguns dias, Frei António explicou ao bispo a sua frase ambígua "Prometa el-rei a Deus fazer um convento na vila de Mafra, que logo Deus lhe dará sucessão". Comunicada a estranha profecia a D. João V, logo este e a rainha sua mulher a aceitaram com grande entusiasmo e fizeram votos de fundar em Mafra um convento a Santo António para a província de Arrábida. A 4 de Dezembro desse ano, nascia a princesa D. Maria Bárbara que veio a ser rainha de Espanha e D. João V cumpriu o voto que fizera. Desejava o visconde que o convento se fizesse na sua quinta, mas D. João V reservando-se no direito de escolha do sítio, preferiu o alto da vila que ficava a um quilometro para Nascente da vila. Entretanto, os arrábidos mandaram logo para Mafra três frades que organizaram um hospício provisório com 12 celas, refeitório, cozinha e enfermaria, junto da pequena ermida do Espírito Santo que D. João V mandou depois alargar para 20 frades, transformando-o em guardaria, em 1721, até que se construísse o convento. Em 1713, já se encontravam expropriados todos os terrenos que houve necessidade de adquirir para a régia edificação conventual. A primeira pedra foi lançada com grande cerimonial, a 17 de Novembro de 1717, sendo que 22 de Outubro de 1730 efetivou-se a sagração da basílica, apesar das obras ainda não se encontrarem completas. Em 1744, são considerados concluídos os trabalhos do complexo arquitetónico de Mafra, sendo o convento então habitado por 342 religiosos, 203 sacerdotes, 45 coristas, 10 noviços, 60 leigos e 24 donatos. Em 1770, um breve pontifício obriga os religiosos arrábidos a abandonar o convento que passa então a ser ocupado por cónegos regrantes de Santo Agostinho. Vinte e dois anos depois, por determinação de D. Maria, os agostinhos abandonam Mafra, regressando os arrábidos ao convento. Entre 1806 e 1807, o palácio funciona como residência real principal de D. João VI e D. Carlota Joaquina, registando-se variadas obras de beneficiação e redecoração dos interiores do palácio. Em 1834, com a expulsão das ordens religiosas, o convento de Mafra é incorporado na Fazenda Nacional.
Em 1855, quando da reforma administrativa do governo regenerador, o concelho de Mafra passou a integrar treze freguesias: Azueira (que anteriormente era concelho), Carvoeira (pertencia ao da Ericeira), Cheleiros (Sintra), Encarnação (Torres Vedras), Enxara do Bispo (Azueira), Ericeira (era concelho), Gradil (Azueira), Igreja Nova (Santa Maria de Sintra), Mafra (era concelho), Milharado (Enxara dos Cavaleiros), Santo Estevão das Galés (Olivais), Santo Isidoro (Mafra) e Sobral da Abelheira (Azueira). Posteriormente, em 1923, Malveira foi elevada a freguesia, o mesmo acontecendo a Vila Franca do Rosário, em 1939.  O concelho de Mafra é desde 1985 constituído por 17 freguesias, datando desse ano a elevação a freguesia de Venda do Pinheiro e S. Miguel de Alcainça, que até então pertenciam a Milharado e à Malveira, respectivamente.

Bandeira de Mafra

Heráldica : 

Brasão: de vermelho, com uma torre de ouro aberta e iluminada de esmalte do campo e carregada por uma cruz de Aviz, de verde. A torre acompanhada por dois crescentes de prata. Coroa mural de prata, de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Mafra», de negro.

Bandeira: amarela. Cordões e borlas de ouro e de vermelho. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Mafra».


Cultura e Turismo :

           O concelho de Mafra possui um dos mais importantes patrimónios arquitectónicos, históricos e culturais do país de onde se destaca o Convento de Mafra (séc. XVIII), que inclui também um Palácio, um Mosteiro e uma Basílica, que é ladeada por duas torres sineiras onde estão os famosos carrilhões. O palácio real de Mafra compreendia toda a fachada principal do Monumento, à excepção da Basílica, abrangendo os dois torreões e ainda, ao nível do 3º piso, as frentes Norte e Sul e parte da Nascente. O 3º piso funcionava como o andar nobre, sendo que os aposentos reais se situavam nos dois torreões; já os restantes pisos do palácio estavam ocupados pelas habitações do pessoal da Casa Real. O Palácio Real de Mafra atingiu o seu esplendor, nos primeiros anos do século XIX, altura em que os seus salões se encontravam ricamente decorados. No entanto, o Palácio conserva ainda algumas salas dignas de interesse, como são: a Sala de Audiências, a Sala da Bênção, as capelas de S. José e de Nossa Senhora do Livramento (oratórias reais), os aposentos reais dos dois torreões e ainda as salas de Diana, dos Veadores ou das Descobertas, dos Destinos ou Segunda do Docel, da Caça, da Música, entre outras. A Sala das Audiências destinava-se às recepções de gala, sendo as suas paredes revestidas com pinturas murais, executadas em princípios de oitocentos. Por sua vez, na Sala da Bênção, situavam-se as tribunas reais, de onde a família real assistia à missa, através das três janelas viradas para o interior da igreja. A Basílica é um imponente templo, cuja construção foi inspirada na Basílica de S. Pedro do Vaticano e na Igreja de Jesus de Roma. Tem ao todo 11 capelas, 45 tribunas, 6 órgãos e é servida por 18 portas, além das 63 que se encontram nas escadarias interiores. A ladear a Basílica, encontra-se as majestosas torres sineiras que se elevam a uma altura de 68 m do solo e em cada uma delas está instalado um gigantesco relógio e um soberbo carrilhão. Situada na ala nascente do Palácio de Mafra situa-se a biblioteca.
Quando os Cônegos Regrantes de Santo Agostinho se instalaram em Mafra, mantiveram ainda durante algum tempo os livros nas salas primitivas até que decidiram mudá-los para duas salas contíguas à inacabada "Casa da Livraria" que desde logo mandaram concluir, à custa dos fundos ricos, da sua Ordem, encomendando as majestosas estantes e os restantes trabalhos ao arquitecto Manuel Caetano de Sousa. No entanto, tendo D. Maria I ordenado em 1792 que os Cónegos Regrantes abandonassem o Convento de Mafra, para darem novamente lugar aos franciscanos, a obra ficou por concluir e assim os livros permaneceram ainda por espaço de dois anos fora do seu definitivo lugar. Finalmente, em 1794 foram usadas as novas estantes para alojar os livros. A biblioteca do convento é composta por cerca de 40.000 volumes, predominando as obras impressas dos séculos XVI, XVII e XVIII, nacionais e estrangeiras.
São também de destacar ao nível de património concelhio: a Igreja de Santo André em Mafra; a Igreja de S. Pedro de Grilhões na Azueira; a Igreja Paroquial na Carvoeira; a Igreja Matriz Manuelina em Cheleiros; a Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, na Encarnação; a Capela de Nossa Senhora do Monte do Carmo, na Venda do Pinheiro; a Igreja de S. Silvestre, no Gradil; a Capela de Nossa Senhora dos Remédios, na Malveira e o Forte da Ericeira. São várias as infra-estruturas culturais existentes no concelho de Mafra, com especial realce para: o Centro de recuperação do Lobo Ibérico; o Complexo Cultural da Quinta da Raposa, onde se encontra o Museu Soares Branco, espaço que alberga o espólio artístico do Mestre Escultor Domingos Soares Branco; o Auditório Municipal Beatriz Costa; o Museu Municipal Prof. Raúl de Almeida; as Casas da Cultura da Malveira, D. Pedro V e Jaime Lobo e Silva; e as bibliotecas Dr. Egas Freitas Ribeiro (Vila Franca do Rosário), da Venda do Pinheiro, da Ericeira e de Mafra.
De destacar no concelho de Mafra, ao nível de locais de lazer, são as suas várias praias e a Tapada Nacional. Tapada Nacional de Mafra, criada no reinado de D. João V, como parque de lazer para o rei e sua corte, possui 819 hectares. A floresta ocupa a quase totalidade do espaço e nela vivem populações de gamos, veados, javalis e outras espécies. Nesse espaço podem-se também encontrar marcas da passagem de outros reis de Portugal, nos seus retiros de caça ou lazer, como é o caso do chalé ou pavilhão de caça e o jardim do celabredo. Outras construções que aí se podem encontrar são a Casa de Campo e o Pavilhão de Eventos.
                                                                                                   Interior do Palácio Nacional de Mafra
Palácio Nacional de Mafra


Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra


Gastronomia : 

           Um dos produtos mais tradicionais da gastronomia do concelho de Mafra é o pão saloio.

                                                                                                                         Fradinho 
Mafrinhas