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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho de Torres Vedras

Brasão de Torres Vedras

Localização

         Torres Vedras é um concelho do distrito de Lisboa, com uma área de 405.9 km2, distribuída por 20 freguesias, Torres Vedras faz fronteira a Norte, com o concelho da Lourinhã; a Este, com o de Alenquer; a Sudeste, com Sobral de Monte Agraço; a Sul com o concelho de Mafra; e a Oeste, tem o Oceano Atlântico.
Os principais recursos hidrográficos deste concelho são os rios Sizandro e Alcabrichel. O primeiro nasce junto a Patameira de Baixo (lugar da freguesia de Dois Portos) e desagua no oceano, junto à Praia Azul, no local designado por Foz do Sizandro, recebendo como afluentes os ribeiros de Gradil ou Pedrulhos, Safarujo, Alpilhão, Cuco ou Ilhas, Lamorosa, Cheleiros ou Dois Portos. O rio Alcabrichel nasce perto de Aldeia Grande (lugar da freguesia de Maxial) e desagua no oceano em Porto Novo (lugar da freguesia de Maceira), tendo por principais afluentes o Ribeiro do Caniçal, o Ribeiro da Pedra do Sino, a Regueira da Fonte do Casal, a Regueira do Vale Grande e o Rio da Várzea.
Na área deste concelho, estão registadas três nascentes de água mineral: na freguesia de A dos Cunhados, as Águas Santas do Vimieiro; na freguesia de Matacães, as Termas dos Cucos; e na freguesia de Ventosa, as da Quinta de Charnixe. Em redor da cidade existem diversas matas, das quais se destacam o pinhal de Penafirme e a Quinta de Paio Correia.  





História

         O povoamento do território que corresponde ao actual concelho de Torres Vedras é bastante remoto, tendo sido encontrados na sua área vários vestígios de povoados primitivos. Oliveira Freire afirma que a povoação foi fundada pelos Turdulos e Galo-Celtas no ano 38 A.C., não existindo no entanto qualquer prova deste facto. Ao certo, sabe-se que a região terá sido habitada desde a pré-história, sendo alguns dos seus vestígios mais antigos os vários castros descobertos por todo o concelho, entre os quais são de assinalar: o castro da Achada, situado no Monte da Achada, onde se pode ver o vestígio de uma muralha que corria paralelamente à escarpa do monte, e datado como pertencente ao inicio da Idade do Cobre; o Cabeço do Jardo, junto à freguesia de Maxial; o castro do Penedo, localizado 60 m acima do vale do Sizandro; o castro do Socorro, situado no cimo da Serra do Socorro; e o castro do Zambujal, um dos mais complexos povoados fortificados pré-históricos, situado a cerca de três quilómetros, a Sudoeste, da cidade de Torres Vedras. Da época de ocupação romana, foram também encontrados vários vestígios: no lugar de Quinta do Juncal (freguesia de Matacães), foi encontrada uma placa funerária, datada da segunda metade do século II; em Louriceira (freguesia de Torres Novas - S. Pedro e Santiago), descobriu-se uma estrela funerária de calcário, datada da segunda metade do século I; na Quinta da Macheia (freguesia de Matacães), encontrou-se um pedestal funerário, com a seguinte inscrição: LICINIA . P . F . MAXS / VMA . M . ANTISTI / VS . M . F . GAL . FACVND / VS . H . S . S / CORNELIA . T . F - BOVTIA / QVIVS . POSITA . EST / IN PRIMA . PARTE . IMA / GO . VIVA . SE . F . C, ou seja, " Licinia Máxima, filha de Públio, e Marco Antístio Facundo, filho de Marco, da tribo Galéria, estão aqui sepultados. Cornélia Búcia, filha de Tito, cujo retrato está colocado na parte superior, mandou em sua vida fazer (este monumento)"; em Santa Cruz (freguesia de Silveira), foi achado um túmulo romano com um epitáfio numa das cabeceiras; na Quinta de S. Gião (freguesia de Torres Novas - S. Pedro e Santiago), foi descoberta uma lápide, com a inscrição IVLIA . L . F . AMOE / NA . AN . XII . H . S . E / MA . D . S . F (Júlia Amena, filha de Lúcio, de doze anos de idade, está aqui sepultada. A mãe mandou fazer à sua custa). Deste modo, torna-se claro que a região foi bastante romanizada e a população deverá ter sido, nesses tempos, relativamente densa. Serão também desta época as "turres veteres" que originaram o topónimo Torres Vedras, sendo o segundo elemento do topónimo derivado do português arcaico vedras, "velhas", também encontrado na Galiza (por exemplo, Pontevedra), e que deriva do latim veteras, com o mesmo significado.
Após 711, a Península Ibérica é conquistada pelos povos muçulmanos e a região de Torres Vedras não escapou às invasões. Apesar de os vestígios relativos à presença deste povo serem parcos, chegaram até aos nossos dias, para além de várias lendas, referências a algumas igrejas que teriam sido antigas mesquitas, bem como a referência de que terá sido esse povo a reconstruir o castelo de Torres Vedras, por volta de 920. Em 1148, D. Afonso Henriques conquistou o castelo de Torres Vedras aos árabes, mandando reconstruir as fortificações e alguns edifícios na vila. Para atrair para o local habitantes cristãos, deu-lhe carta de privilégios, que lhe serviu de foral, até que em 15 de Agosto de 1250, D. Afonso III, estando na cidade de Évora, deu foral a Torres Vedras. A 25 de Fevereiro de 1267, o mesmo monarca doa o senhorio de Torres Vedras a sua mulher, D. Beatriz; em 1277, doa o padroado das igrejas da vila e por carta de 1279, o padroado da igreja de Santa Maria de Ribaldeira, a alcaidaria de Torres Vedras e vários bens em Matacães e vale de Mendaires. Segundo consta, foi a rainha D. Beatriz a fundadora dos paços velhos da vila de Torres Vedras, os quais existiram perto do castelo, no bairro de Carcavelos, e neles também edificou a capela, mais tarde ampliada pelo bispo de Lisboa D. João Martins, filho da dita soberana. Nesses paços se aposentavam e residiam os antigos reis de Portugal, sempre que passavam na vila. Pela morte de D. Beatriz, D. Dinis doou Torres Vedras, a sua mulher, a rainha D. Isabel de Aragão e a 20 de Março de 1293, o monarca concede a carta de feira de Torres Vedras que está na origem da criação da Feira de S. Pedro.
Em 1383, com a morte de D. Fernando, inicia-se a crise de sucessão, com a tomada de várias localidades pelos castelhanos, como foi o caso de Torres Vedras. A 10 de Dezembro de 1834, o mestre de Avis inicia o cerco ao castelo de Torres Vedras. Para isso, o mestre ordena a construção de um fosso por baixo do muro, em direcção do adro da igreja de Santa Maria, onde a galeria deveria ir romper. Principiaram-se os trabalhos disfarçadamente, debaixo de uma tenda de campanha e de modo que a galeria pudesse ser caminhada por soldados marchando dois a dois. As terras provenientes da cava iam sendo retiradas apenas durante a noite e levadas para longe, de modo a não levantar suspeitas do género de ataque que se preparava. Depois de exaustivos trabalhos, chegou a galeria ao local em que devia abrir dentro da praça, onde, porém, já alguns traidores haviam dado informações. Ao irromper no adro, travou-se a luta em extrema desigualdade de condições, por isso não chegou qualquer atacante de sair da cava, para onde os defensores atiravam pedras, tábuas, portas de casa, ao que lançavam fogo. Perante a inutilidade dessa operação, o mestre de Avis decidiu adotar outro recurso: o de abrir uma outra cava que minasse os alicerces da muralha e a fizesse derrubar. Este trabalho foi igualmente levado a cabo mas a resistência inutilizou também, por traiçoeiras informações, o seu êxito. O cerco foi levantado a 15 de Fevereiro de 1385, sem contudo lograr a sua conquista. Em 1413, estava em Torres Vedras D. João I e a sua corte, reunindo-se um conselho onde se discutiu a possibilidade de uma expedição a África, para renovar a guerra contra os mouros e alargar o domínio português. Da assembleia participaram os vários concelhos e, antes da sessão, houve missa solene do Espírito Santo, celebrada na capela dos paços. A 7 de Novembro de 1423, por alvará de D. João I, Torres Vedras e Alenquer passam a pertencer ao Termo de Lisboa.
Posteriormente, D. Duarte faz doação do senhorio de Torres Vedras a sua esposa D. Leonor de Aragão que fundou aqui a notável mercearia, destinada a sete donzelas ou viúvas pobres e de bom porte, daqui naturais, com a obrigação de ouvirem diariamente, cada uma das sete, uma missa por alma da régia instituidora, celebrada na capela dos paços velhos, obrigação que depois seria mudada para a igreja do mosteiro da Graça. As mercearias foram uma das mais importantes instituições de piedade e beneficência que existiram no país, antes do aparecimento das misericórdias. Eram casas que recebiam pessoas de ambos os sexos que tivessem possuído fortuna e que se vissem reduzidas à miséria, recolhendo também antigos combatentes. A rainha legou a esta mercearia de Torres Vedras a renda anual de 77 alqueires de trigo e para cada merceeira, 240 réis, pagos pelo almoxarifado de Torres Vedras. No caso de vaga, o lugar de merceeira era preenchido pela decisão de três vogais que eram o prior do mosteiro da Graça, o juiz de fora da comarca e o provedor da mesma, sendo depois confirmada a nomeação pela Mesa da Consciência e Ordens, em nome do rei. D. João II deu depois o senhorio de Torres Vedras a sua esposa, D. Leonor e D. Manuel procedeu de modo idêntico, pois o doou sucessivamente a suas mulheres, D. Isabel e D. Maria de Castela. Com esta acabou a série régia das senhoras de Torres Vedras, iniciada pela rainha D. Urraca de Castela. A 1 de Junho de 1514, D. Manuel concedeu Foral Novo à vila, sendo que o mesmo monarca, por alvará de 26 de Julho de 1520, institui a Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras. A 15 de Setembro de 1527 foi feito o recenseamento no concelho, sendo que a essa data, em Torres Vedras viviam 3 fidalgos, 15 cavaleiros, 23 escudeiros, 31 viúvas, 257 vizinhos, e "o mais o povo".  Por carta régia de D. João III, datada de 18 de Julho de 1533, Torres Vedras foi elevada a cabeça de comarca, sendo desanexada da comarca de Alenquer. No entanto, por oposição desta, aquela decisão só teve efeito prático em 1617, já em pleno período filipino. O mesmo monarca, por alvará de 26 de Setembro de 1542, concede aos frades torrienses da ordem de Santo Agostinho a gafaria de S. Lázaro, para no local desta se construir um novo convento. A escritura desta doação terá lugar a 20 de Setembro de 1544. A 1 de Novembro de 1755, um terramoto provoca grandes estragos no concelho, sendo o seu litoral varrido por um violento maremoto. Com o terramoto, foram destruídos, entre outros edifícios, o castelo de Torres Vedras, a casa grande da Quinta do Espanhol (S. Pedro da Cadeira) e a igreja de Santa Susana, em Maxial.
Em 1807, o exército francês, comandado pelo general Charlot, ocupa Torres Vedras e no ano seguinte dá-se a batalha do Vimeiro, tendo o exército francês, comandado por Junot, estabelecido quartel-general em Torres Vedras, enquanto que os britânicos desembarcavam em Porto Novo (freguesia de Maceira). A 3 de Novembro de 1809 inicia-se a construção do sistema de fortificações que ficará conhecido por "Linhas de Torres Vedras". As bases em que assentava o projeto concebido eram as seguintes: escolher uma posição que o inimigo não pudesse tornear nem deixar à retaguarda; que tivesse comunicação fácil e segura com o mar e que barrasse todas as comunicações dirigindo-se sobre Lisboa. Por outro lado, era necessário fortificar solidamente essa posição de forma a construir uma verdadeira praça de armas onde se concentrassem, reabastecessem e repousassem durante algum tempo, as forças do exército de campanha anglo-luso. Procedeu-se então à construção de uma série de redutos destacados e obras intermédias, cuja direita se apoiava no Tejo e a esquerda no mar, por meio do forte do Junqueiro. 
A 12 de Outubro de 1810, Massena estaciona as suas tropas frente às "Linhas de Torres", onde se tinha instalado, no dia 9 grande parte do exército anglo-luso comandado por Wellington. A 14 de Novembro o exército francês inicia a sua retirada dessas posições. No entanto, não será nesta época que Torres Vedras viverá a guerra mas sim aquando das guerras entre Liberais e Absolutistas, sendo que nos dias 19 e 20 de Dezembro de 1846 foi esta localidade ocupada por tropas constitucionais, comandadas pelo Conde de Bonfim  na noite de 21 para 22 foi a vez de chegar junto a Torres Vedras as tropas comandadas pelo Marechal Saldanha. A batalha de tomada de Torres Vedras deu-se nos dias 22 e 23, terminando com a rendição do Conde de Bonfim. 

Bandeira de Torres Vedras

Cultura e Turismo : 

            Torres Vedras prima pela diversidade de oferta turística, caracterizando-se pela sua beleza e riqueza natural, bem como pelo seu património cultural e edificado. O concelho de Torres Vedras abrange cerca de vinte quilómetros de costa marítima, dispondo de praias de considerável interesse. As mais conhecidas praias são as de Santa Rita, Porto Novo, Assenta e, de modo particular Santa Cruz. Na freguesia de Maceira, situa-se a praia de Santa Rita que, segundo a tradição deve o seu nome ao facto de ter naufragado nas suas águas um navio, de cujos destroços, foi dar à costa uma imagem de Santa Rita de Cássia. Por esse facto terá sido edificada, nas arribas uma ermida dedicada a Santa Rita. A Praia de Porto Novo situa-se na foz do rio Alcabrichel, na freguesia de Maceira; antigo porto piscatório, esta praia é também conhecida por ter sido o local de desembarque das tropas britânicas que viriam a combater na batalha do Vimeiro, aquando da primeira invasão francesa. Situada no extremo Sul do concelho, junto à estrada para a Ericeira, a praia de Assenta pertence à freguesia de S. Pedro da Cadeira.
A Praia de Santa Cruz destaca-se pelo seu extenso areal e é uma das mais procuradas durante a época balnear. Situa-se na freguesia de Silveira, tendo sido originalmente uma pequena aldeia de pescadores que se foi transformando numa estância de veraneio. A praia de Santa Cruz divide-se por várias praias: do lado Sul situam-se a praia das Amoeiras, a praia do Bidé (nome derivado do facto de as rochas formarem uma espécie de piscina pequena) e a Praia Formosa (antigo porto de abrigo); segue-se a praia do Gincho, e a antiga praia de Santa Cruz (propriamente dita) e que hoje é mais conhecida como da Torre ou do Cais da Azenha; a Norte, estão as praias da Fisica, do Pisão, do Mirante e do Navio (nome atribuído pelo facto de em Fevereiro de 1929 o navio norueguês Hay aí ter encalhado); seguindo o extenso areal encontram-se ainda as praias do Alemão, do Amanhã, do Além e do Seixo que fazem a ligação ao areal de Santa Rita, junto ao Porto Novo. Na Praia de Santa Cruz, os veraneantes dispõem também de um aeródromo com voos turísticos, um fosso olímpico de tiro, piscina e um vasto calendário de animação, durante os meses do Verão. O Aeródromo Municipal foi inaugurado a 27 de Julho de 1931 e é um dos aeródromos civis mais antigos do país. O aeródromo conta com um mini heliporto, e dois hangares onde se encontram as instalações dos principais operadores do aeródromo, o Aeroclube de Torres Vedras e a empresa Aeroplano - Planeamento, Exploração e Manutenção de Aeronaves, Lda. De destacar também ao nível de recursos naturais do concelho de Torres Vedras são as grutas dos Cucos e estâncias termais de Cucos e do Vimeiro. As grutas dos Cucos constituem um dos vários elementos patrimoniais da riqueza e diversidade geológica e histórico-cultural da área natural dos Cucos, situando-se a Sudoeste de Torres Vedras e a Sul das Termas dos Cucos. Administrativamente estas cavidades pertencem à freguesia de S. Pedro e Runa, concelho de Torres Vedras. De um modo geral estas cavidades apresentam um desenvolvimento muito reduzido e, consequentemente (embora não seja regra geral), pouco interesse tem do ponto de vista estritamente Espeleológico. No entanto, sob o aspecto Arqueológico, algumas delas são extremamente importantes para o conhecimento da pré-história já que estão situadas numa zona de importantes descobertas arqueológicas. Quanto as termas e nascentes de águas minero-medicinais existentes no concelho são de destacar, como já referido, as termas dos Cucos e do Vimeiro. As termas dos Cucos, cujo alvará de licença data de 25 de Outubro de 1893, situam-se a cerca de 2 km da cidade, a 33 m de altitude, na margem direita do rio Sizandro. As características das águas e lamas dos Cucos e as técnicas terapêuticas utilizadas estão indicadas para o tratamento de: Reumatismos Inflamatórios (Artrite Reumatoide, Espondilite Aquilosante, Artrite Psoriásica e outros); Reumatismo Degenerativos (Artroses, Espondilartroses, Gonartroses, Coxartrose); Reumatismos Metabólicos (gota); Ciática; Nevralgias; e Sequelas de Traumatismos. Quando às termas do Vimeiro, situam-se na povoação de Maceira, freguesia de A-dos-Cunhados, a 2 km da freguesia do Vimeiro (concelho da Lourinhã), que lhe deu o nome, estando em funcionamento desde 1896.
No que diz respeito ao património cultural e edificado do concelho, são vários os locais de interesse. O castelo de Torres Vedras, reconstruído por D. Afonso Henriques após a conquista aos Mouros, foi sofrendo várias alterações ao longo dos séculos; encontra-se implantado num monte, sendo constituído por muralha, capela, alcáçova e cisternas. Em virtude do terramoto de 1755, apenas restam panos de muralha que assentam em muros de épocas anteriores a Idade Media; uma pequena torre cilíndrica a S.E. (que tem no interior uma sala de dois corpos e dois planos com abóbada de nervuras); no terreiro sinais do antigo paço, locais de cisternas e as ruínas do Palácio dos Alcaides, construído sobre alicerces e muros de edificações anteriores. Esse palácio era originalmente composto por dois andares que davam para um pátio anterior, sendo que dele restam apenas as paredes exteriores, a porta de entrada e alguma tijoleira. Da mesma forma, as muralhas da vila perderam-se quase por completo, restando apenas alguns vestígios na parte Leste do castelo.
Destaque também para as várias igrejas de Torres Vedras: a igreja de Santa Maria, de fundação bastante remota, sendo ainda visíveis restos do portal românico e inscrições em caracteres unciais; a Igreja de S. Pedro, reconstruída no século XVI e que conserva na fachada um portal tipo manuelino com decoração de influência renascentista, encimado pelas armas de D. João III e de D. Catarina de Áustria; a igreja de Santiago, reconstruída na transição do século XVI pare o XVII, época de que se conservam janelões e contrafortes; e a Igreja da Misericórdia em Torres Vedras, construída entre 1681 e 1752. Ainda no que diz respeito ao património concelhio, é de realçar o convento da Graça, fundado no século XVI por eremitas calçados de Santo Agostinho, o convento está hoje ocupado em parte pelo Museu Municipal. O Museu Municipal Leonel foi inaugurado a 21 de Junho de 1929, tomou, em 1999, a designação de "Museu Municipal Leonel Trindade". Foi fundado com base num conjunto de coleções representativas do valor artístico e histórico do passado de Torres Vedras, tendo começado por ser um pequeno, mas significativo, museu de Arte Antiga. Inicialmente instalado nas Salas da Irmandade dos Clérigos Pobres, anexas à Igreja de S. Pedro, foi transferido, em 1944, para o antigo edifício-sede da Santa Casa da Misericórdia, aumentando consideravelmente a área de exposição. Ao longo dos anos, foi aumentando e diversificando o seu espólio, com especial destaque para a coleção de Arqueologia, que o fez ganhar uma projeção internacional. Em 1989 foi transferido para o antigo Convento de N. S. da Graça. O seu acervo é constituído por importantes coleções de arqueologia, epigrafia, pintura antiga, arte sacra, cerâmica, faiança, porcelana, azulejaria, numismática, medalhística, etnografia, mineralogia, paleontologia, pintura contemporânea, bem como por núcleos históricos dedicados ao município e às famosas Linhas de Torres.

                                                                                                   Praia da Areia Branca 
Termas dos Cucos 


Gastronomia

         Da gastronomia tradicional de Torres Vedras, destaque para: a cachola de porco, a carne de porco frita e o arroz de matança. Como doce típico do concelho, destaque para o pastel de feijão.

                                                                                                         Pastéis de Feijão 
Pastéis de FeijãoCachola de Porco
Cachola de Porco 

Queijo Saloio
Queijo saloio 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho da Lourinhã

Brasão de Lourinhã

Localização

            Concelho do distrito de Lisboa, Lourinhã está integrado na Região de Turismo do Oeste, fazendo fronteira com os concelhos de Torres Vedras, a Sul; Cadaval, a Sudeste; Bombarral, a Este; e Peniche, a Norte, com uma área de 146.1 km2, o concelho abrange um total de 11 freguesias, três das quais com sede em vila (Lourinhã, Moita dos Ferreiros e Ribamar). Pelo concelho passa a ribeira de Alcabrichel, junto à qual se situam as Termas de Vimieiro.



História

          O povoamento do concelho de Lourinhã é bastante remoto, como pode ser confirmado pela toponímia concelhia. Um exemplo bastante significativo parte do topónimo principal do concelho, derivado do baixo latim [Villa] Laurinana, que significa "a quinta de Laurino". O território que compõe o atual concelho terá sido também ocupado pelos árabes e reconquistado por algum dos cavaleiros estrangeiros que ajudaram D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa. No tempo desse monarca um Jourdain ou Jordão, que se supõe ter sido cruzado, lhe deu foral, um documento curioso sobre a justiça da época. Para o assassinato, determinava que o matador fosse enterrado vivo e o morto lançado sobre ele (não era prevista a legítima defesa, nem qualquer atenuante). O roussador era preso e justiçado, mas se fugisse pagava 300 soldos e tinha que haver-se com os pais ou parentes da mulher roussada. Este foral foi depois confirmado em Santarém, em Março de 1218 e em Lisboa, a 16 de outubro de 1251. D. Manuel concedeu-lhe Foral Novo, datado de Lisboa de 1 de Junho de 1512.
No reinado de D. Afonso II, o senhorio era representado por um neto de D. Jordão, chamado Vicente Rodrigues que pelejou nas batalhas de Navas de Tolosa e de Alcácer do Sal. O senhorio passou depois aos de Taveiras, pelo casamento de D. Urraca, filha única de Vicente Rodrigues, com Rui Gonçalves Taveira. Quebrada a linha de sucessão direta  D. Afonso III incorporou na coroa o senhorio da Lourinhã, doando-o, pouco depois, em 1278, a seu filho infante D. Afonso. Morto D. Afonso III, os descendentes dos Taveiras lutaram para reaver o senhorio da terra, aproveitando as lutas de D. Dinis e o irmão. Por determinação régia, procederam-se às inquirições necessárias para ver quem deveria ter o senhorio que ficou a uma D. Urraca, dama idosa, bem casada, que vivia em Lisboa e entrou na posse do senhorio a 3 de Março de 1288. Em 1372, um neto de D. Urraca, Martim Gonçalves, deixou a vila a sua mulher, Maria Coelho, irmã de um dos assassinos de Inês de Castro. D. Fernando declarou a sucessão ilegal e incorporou a vila nos bens da coroa, para a doar, em 3 de Junho de 1373 a Gonçalo Vasques de Azevedo que veio a ser reconhecido como um dos principais descendentes de D. Jordão. Como Gonçalo de Azevedo viesse a seguir o partido de D. Leonor Teles, o Mestre de Avis, retirou-lhe todos os títulos e senhorios, dando o da Lourinhã ao arcebispo D. Lourenço. No tempo deste donatário a igreja matriz foi reconstruída, sobre as ruínas de uma antiga fortaleza, onde existia também uma ermida. Depois da morte de D. Lourenço, o senhorio passou ao Dr. João das Regras, transitando para a família dos Castros, condes de Monsanto, pelo casamento de D. Joana da Cunha (filha daquele jurisconsulto), com D. Afonso, um dos bastardos do infante D. João, filho de D. Pedro I e de D. Inês de Castro.
A 10 de Dezembro de 1867 o concelho da Lourinhã foi extinto e as suas freguesias foram então distribuídas pelos concelhos de Peniche e Torres Vedras. No ano seguinte, a população revoltou-se contra essa decisão e dessa revolta resultou o "assalto" à Câmara Municipal e a destruição do seu arquivo, bem como de todos os documentos relativos à história concelhia, entre os quais os seus forais. Não obstante da perda patrimonial, o ato teve resultados políticos favoráveis, uma vez que o concelho acabou por ser restaurado poucos anos depois.

Bandeira de Lourinhã

Heráldica

Brasão: de vermelho, com um loureiro de verde frutado de ouro num terrado de negro realçado de verde. O tronco acompanhado por duas flores-de-lis de ouro. Em chefe um crescente de prata e um sol de ouro. Coroa mural de prata com quatro torres. Listel de branco com os dizeres, a negro: "Vila da Lourinhã".

Bandeira: esquartelada de amarelo e de verde. Cordões e borlas de ouro e verde. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal da Lourinhã».


Cultura e Turismo :

            Os seus 12 quilómetros de costa, onde se combinam belas praias, penhascos recortados e tranquilas baías, são de uma riqueza paisagística única. Estas condições naturais convidam à prática de diversos desportos náuticos, pesca desportiva, caça submarina, fotografia subaquática, surf ou, entre outros, o jet ski. Das praias deste concelho, destaque para a Praia do Valmitão, o Porto Dinheiro, o Porto das Barcas, a Praia do Zimbral, a Praia do Areal, a Praia da Areia Branca, a Praia de Vale de Frades, a Praia do Caniçal e a Praia do Paimogo. Ainda no que diz respeito a locais de lazer, destaque para o Parque da Fonte Lima e para as Termas de Vimeiro. O Parque da Fonte Lima foi inaugurado a 26 de Setembro de 1999, tendo sido construído em torno de uma fonte natural e constitui um agradável espaço de lazer, equipado com parque de merendas, parque infantil e WC. As Termas de Vimeiro estão situadas a poucos quilómetros de Lourinhã, sendo as duas nascentes que a constituem (Rainha Santa e Frades) estão especialmente indicadas no tratamento de perturbações dispépticas, disfunções hepatovesiculares, afecções crónicas dos rins e bexiga, e certas dermatoses.
Do vasto património arquitetónico existente no concelho destaca-se o Forte de Paimogo, do século XVII; o Monumento da Batalha do Vimeiro, inaugurado em 21 de Agosto de 1908; a Igreja de Santa Maria do Castelo; a Igreja Matriz (século XIV); a Igreja da Misericórdia (século XVII) com uma porta manuelina; o Convento e a Igreja de Santo António; e a Igreja de Nossa Senhora da Anunciação. Destaque também para os vários moinhos de vento existentes por todo o concelho e que apesar de não terem a mesma importância que tiveram outrora, são um importante testemunho das antigas tradições do povo da Lourinhã. A esse nível, realce para o conjunto de cinco moinhos, situados na freguesia de Moita dos Ferreiros.
No que diz respeito a unidades museológicas, são de referir o Museu Rural do Reguengo Grande e o Museu da Lourinhã. O primeiro, inaugurado em 1989, apresenta uma coleção de objetos agrícolas e diversos artigos ligados à etnografia do concelho. O Museu da Lourinhã situa-se na vila de Lourinhã, tendo sido fundado em 1984. Para além das coleções aí existentes, abrangendo as áreas de Arqueologia, Arte Sacra, Etnografia e Paleontologia, este museu possui a maior coleção ibérica de fósseis de dinossauros do Jurássico Superior e uma das mais importantes a nível mundial. O Museu expõe uma série de dinossauros que são os únicos exemplares conhecidos destas espécies. Também é possível observar fósseis diferentes, invertebrados, peixes, crocodilos, pterossauros, tartarugas, mamíferos, entre outros.
                                                                                                  Praia do Valtimão 
Forte de Paigomo 


Gastronomia

          Da gastronomia típica do concelho da Lourinhã, destacam-se os pratos de peixe e de marisco: as caldeiradas, os pratos de bacalhau, o peixe seco com batata cozida e a famosa lagosta suada. Destaque também para os ensopados de borrego, o cabrito e o sarrabulho. Na doçaria, especial referência para os amendoados, as areias brancas, as delícias do convento, o Paimogo e o pão de ló de Miragaia.

                                                                                                                     Caldeirada de Peixe
Pão de ló de Miragaia 

Delícias do Convento

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho do Bombarral

Brasão de Bombarral

Localização

           O concelho de Bombarral está abrangido administrativamente pelo distrito de Leiria, ocupando uma área de 90.4 km2, distribuída por cinco freguesias, faz fronteira a Norte com o concelho de Óbidos, a Este com o concelho de Caldas da Rainha, a Sudeste e Sul com Cadaval e a Sudoeste com o concelho da Lourinhã, com o qual confina também a Oeste. 
Localizado na área de influência das serras de Montejunto  Aires e Candeeiros, o concelho pertence ao vale tifónico das Caldas da Rainha. No plano hidrológico, o concelho de Bombarral está inserido na bacia hidrográfica da lagoa de Óbidos, sendo atravessado no sentido Sul-Norte pelo rio Real e seus afluentes.



História

         No século XIII, o topónimo principal do concelho aparece com a grafia "Monbarral". Segundo alguns autores, a origem do topónimo estaria em "Mons" do Barral, tratando-se de uma referência ao seu primitivo dono; outros ainda referem que o seu significado seria "monte de solo barrento", tratando-se então de uma referência à natureza argilosa dos solos da região. O povoamento primitivo do território que corresponde ao atual concelho de Bombarral é bastante remoto, recuando mesmo até à pré-história, o que é comprovado pelos muitos achados espalhados por todo o concelho do Bombarral, desde os castros de S. Mamede e Carvalhal até às grutas da Lapa, do Suão e da Pulga. 
Dos documentos conhecidos relativos a este concelho, ressaltam aqueles que se referem à compra e venda de terrenos, geralmente efetuadas entre instituições religiosas e particulares. No que respeita aos primeiros donatários da povoação, sabe-se que D. Afonso Henriques doou, nos inícios da Nacionalidade, as terras do Bombarral aos monges da Ordem de S. Bernardo, que vieram a exercer uma vasta influência nos métodos e técnicas agrícolas que economicamente beneficiaram toda a região.
O documento mais antigo que se conhece data de 1231 e refere a venda de uma herdade em "Mon Barral", de João Salvador e sua mulher, Mariana Pelágio, a um senhor de nome Mendo Pedro; nesta altura, Bombarral era apenas uma granja pertencente ao concelho de Alcobaça e tanto o abade D. Estevão, como o convento de Alcobaça, eram os intervenientes na maior parte destes documentos de compra e venda de propriedades. 
Em 1535, deu-se a primeira tentativa de criação do concelho do Bombarral, empreendida na altura por alguns dos seus moradores mais ilustres; contudo, as reclamações da Câmara de Óbidos fizeram gorar a tentativa e outras que se seguiram. A freguesia do Bombarral pertenceu ao concelho de Óbidos até ao final de 1836 e depois, pela divisão territorial de 6 de Novembro do mesmo ano, passou para o concelho de Cadaval, sendo novamente anexada ao de Óbidos, em 1855. Só em 1914, depois da publicação do novo Código Administrativo, foi finalmente criado o concelho do Bombarral com as freguesias de Bombarral, Carvalhal e Roliça, tomando posse a primeira Câmara de Vereadores em 29 de Junho de 1914. A 23 de Novembro de 1948, surge a freguesia de Vale Covo, por desanexação da freguesia de Bombarral e pela Lei 39784 foi criada a freguesia de Pó.

Bandeira de Bombarral

Heráldica

Brasão: escudo de prata, três cachos de uvas de púrpura, folhados e sustidos de verde. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas: "VILA de BOMBARRAL".

Bandeira: de púrpura. Cordão e borlas de prata e púrpura. Haste e lança de ouro.

Selo: nos termos da Lei, com a legenda: "Câmara Municipal de Bombarral".


Cultura e Turismo

             O concelho de Bombarral é bastante rico em termos culturais e locais de interesse turístico e patrimonial, como é o caso da Mata do Bombarral. Considerada Área de Interesse Público desde 1941, constitui a verdadeira sala de visitas do concelho, tratando-se de um verdadeiro museu vivo de espécies vegetais de raro valor ecológico, onde se podem encontrar plantas raras e protegidas. Já no século XV, existia aqui uma grande coutada, da qual chegaram até aos nossos dias o sobreiro, o carvalho, o medronheiro, o carrasco, o zambujeiro, o aroeira, o loureiro, arbustos e vegetação diversa. Esta coutada foi palco das caçadas do rei e da sua corte quando se deslocavam ao Bombarral. Por essa altura ficavam alojados no então Paço ou Casa da Coutada, atualmente conhecido como Palácio Camilo e onde funcionam os paços do concelho. Entre este último e a Mata Municipal encontra-se o Jardim Municipal. Trata-se de um jardim de estilo clássico de onde se destaca a forma simétrica artificial do coberto vegetal.
Ao nível de recursos museológicos, destaca-se o Museu Municipal do Bombarral. Este museu foi inaugurado em 1990 e encontra-se instalado no Palácio do Gorjão, antigo solar dos Cunhas e Coimbras. Possui várias coleções de arqueologia, escultura e medalhística, bem como salas dedicadas a personalidades ilustres deste concelho como é o caso de Júlio César Machado e Jorge de Almeida Monteiro. Para além destas exposições permanentes, o museu possui ainda uma sala para exposições temporárias; uma biblioteca, com obras sobre arqueologia, história, etnografia e história de Artes; e um arquivo histórico, com documentação sobre a história de Bombarral e uma coleção de jornais antigos.
Um especial destaque vai também para o Teatro Eduardo Brasão. Inaugurado em 21 de Fevereiro de 1921, este teatro é um raro e belo exemplar arquitetónico representativo dos teatros clássicos italianos, em forma de ferradura, tendo sido considerado Imóvel de Interesse Público por Decreto n.º 2/96, publicado em 6 de Março de 1996.
                                                                                               Quinta dos Loridos
Mata do Bombarral


Gastronomia

              As especialidades gastronómicas tradicionais do concelho de Bombarral são: o arroz de colada, feito com carne e miudezas de porco; o cabrito assado e a cozido à portuguesa. Na doçaria, o destaque vai para os mimosos de Bombarral, o pão-de-ló da avó e as broas de Natal.

Cabrito assado no Forno
Gorjões do Palácio 

domingo, 21 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho do Cadaval

Brasão de Cadaval

Localização

          O Cadaval é uma vila portuguesa no Distrito de Lisboa, região Centro e sub-região do Oeste, é sede de um município com 174,17 km² de área e subdividido em 10 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Caldas da Rainha, a leste por Rio Maior e pela Azambuja, a sul por Alenquer, a sudoeste por Torres Vedras, a oeste pela Lourinhã e a noroeste pelo Bombarral.



História

       O Concelho do Cadaval é uma região onde os vestígios da presença humana remontam à pré-história. Na Serra de Montejunto, em Pragança, foram localizadas grutas que terão servido de habitação durante o período neolítico.
A vila de Cadaval propriamente dita, que foi habitada pelos árabes durante a sua permanência na Península, recebeu foral em 1371, concedido pelo rei D. Fernando, beneficiando ainda da reforma administrativa empreendida por D. Manuel que, em 1513, lhe outorgou novos privilégios.
D. João IV, ao, consumar a independência de Portugal relativamente à Espanha, fê-la cabeça de ducado, dando assim nascimento a uma das mais sólidas casas nobres do país. Mesmo assim, em 1895, a vila perde as prerrogativas de sede do concelho, que readquire no entanto três anos depois, a 13 de Janeiro, data que por este facto se transformará no Feriado Municipal. Com a conquista do território pelos romanos toda a região da Estremadura Central foi colonizada e surgiram cidades e diversas vilas rurais onde os romanos se estabeleceram.
Perto de Óbidos edificaram a cidade de Eburobrittium e na sua área administrativa estava incluída a região do Cadaval. Uma ara romana epigrafada encontrada em S. Tomé de Lamas e datada do século II refere este município de Eburobrittium. Outros vestígios romanos do Cadaval foram encontrados na Quinta do Cidral, perto de Alguber, no Juncal, perto de Pragança, em Borjigas, perto da vila do Cadaval e na Quinta de S. Lourenço, no Peral.
Após o fim do Império romano e durante as ocupações bárbara e muçulmana a região continuou a ser povoada por gentes de origens diversas, nas quais se incluem os moçárabes. Com o advento da nacionalidade, a reconquista feita pelos exércitos cristãos expulsou progressivamente os muçulmanos. Após a conquista de Lisboa, em 1147, toda a Estremadura passou a estar sob domínio dos cristãos e rei português. Após a reconquista deu-se o início ao repovoamento cristão. O rei tomou posse dos castelos existentes e mandou construir outros. Óbidos, Torres Vedras e Alenquer desenvolveram-se com novos habitantes, foram dadas terras aos emigrantes e aos cruzados francos que ajudaram na reconquista. Foi o caso de Vila Verde dos Francos, doada por D. Afonso Henriques ao franco Dom Alardo em 1160. Começou com o primeiro rei a reorganização administrativa da região que foi continuada por D. Sancho I. O senhorio de Vila Verde dos Francos foi tornado concelho ainda no século XII e em finais deste século ou inícios do XIII foi constituído o concelho de Óbidos que incluía no seu termo a região do Cadaval. No século XIV dá-se novo arranjo na organização administrativa com a criação do concelho do Cadaval cuja área foi tirada ao termo de Óbidos.
Porém, ainda antes do Cadaval o Peral foi também concelho. Em 1371 o rei D. Fernando elevou o Peral a vila e incluiu neste concelho o Cercal. Foi de seguida este novo concelho doado a D. João Afonso Telo, conde de Barcelos. Mas poucos meses depois, a 1 de Dezembro de 1371, decidiu este rei elevar o Cadaval a vila integrando neste concelho as freguesias de Peral, Cercal, Vilar e Figueiros e foi novamente este concelho doado a D. Afonso Telo. Desde a criação do concelho do Cadaval até ao numeramento de 1527 verifica-se que o concelho deve ter tido um desenvolvimento populacional significativo pois foram surgindo mais algumas aldeias. No entanto a população total não devia ultrapassar os 2400 moradores e a vila de Cadaval, em 1527, não devia ter mais de 285 habitantes.
No século XVI havia já no concelho 21 aldeias, 17 casais e duas quintãs, sendo algumas aldeias, sobretudo as mais antigas, quase tão grandes como a própria vila. Tratava-se de uma região muito ruralizada, onde a vinha, os cereais e a criação de gado representavam a principal atividade económica, e mesmo a vila não seria mais do que uma grande aldeia rural.
No entanto, teria tido alguma importância social a julgar pelos casos de Afonso Esteves do Cadaval, que foi Alcaide de Atouguia no século XIV, do clérigo Pero Esteves do Cadaval, que no início do século XV possuía aqui bens e casas, e de alguns tabeliães que aqui exerciam a sua atividade  No concelho do Cadaval não havia apenas agricultores. Os documentos medievais referem um sapateiro na Vermelha, uma tecedeira com dois teares na Sobrena e ferreiros e alfaiates no Cercal. Neste século deram-se algumas alterações administrativas no concelho do Cadaval. A reforma de 1836 retirou-lhe as freguesias de Alguber, Cercal e Figueiros mas acrescentou-lhe as de Bombarral e Carvalhal. Em 1855 foi esta situação de novo invertida. Em 26 de Setembro de 1895, por decreto do governo, liderado pelo Partido Regenerador, foi extinto o concelho de Cadaval e as suas freguesias foram anexadas aos concelhos limítrofes. Oportunamente, no mês anterior, em 27 de Agosto, um incêndio tinha destruído as instalações da Câmara Municipal do Cadaval.
Porém, o povo manifestou-se contra a extinção do concelho e foi formada uma comissão, constituída pelos mais importantes homens da vila, para a sua restauração. Esta comissão e o povo do Cadaval estavam contra o partido do governo que tinha extinto o concelho. Em 1897 sobe ao poder o Partido Progressista. Provavelmente na sequência desta mudança política foi o concelho restaurado em 13 de Janeiro de 1898. Formou-se então uma Comissão Municipal Administrativa constituída por alguns dos homens que tinham lutado pela sua restauração. Outras pequenas alterações deram-se mais tarde, em 1915, com a criação da freguesia do Painho, e nos anos 30 com a integração na freguesia do Vilar das aldeias de Avenal e Rechaldeira pertencentes à freguesia alenquerense de Vila Verde dos Francos.
Durante séculos o Cadaval foi um concelho rural vivendo, sobretudo, da agricultura e da pecuária. Até ao século XIX a autoridade senhorial, que se limitava a colher as rendas, mandava mais que a autoridade concelhia. O concelho também nunca tirou proveito da revolução industrial e até finais do século XX conservou sempre as suas características rurais. Só depois do 25 de Abril de 1974, com o advento do Poder Autárquico, as populações puderam participar nos destinos do concelho.
Hoje, no Cadaval, ainda persiste o peso da economia agrícola mas assiste-se já a um desenvolvimento industrial significativo. Também a característica de aldeia rural que a vila do Cadaval teve durante séculos está hoje a mudar com um desenvolvimento urbano acentuado. No entanto, sendo desejável o progresso e o desenvolvimento económico e social, não se pode deixar de preservar o passado, a memória daquilo que o concelho foi durante séculos e que acaba por constituir a identidade cultural do próprio concelho e das suas populações.

Bandeira de Cadaval

Heráldica

Brasão: de prata com um cacho de uvas de púrpura, folhado e troncado de verde. Bordadura de negro, com oito espigas seguidas de ouro, folhadas do mesmo. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres: «Vila do Cadaval», a negro.

Bandeira: esquartelada de amarelo e de púrpura. Cordões e borlas de ouro e de púrpura. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal do Cadaval».


Cultura e Turismo

          Quase no topo da Serra de Montejunto encontrará a Ermida de Nossa Senhora das Neves, edificada no séc. XIII. Situada junto às ruínas do primeiro convento Dominicano (séc. XIII) esta ermida é local de culto para milhares de cristãos. Na proximidade do convento pode visitar, ainda, a Ermida de S. João Baptista, com azulejos figurativos com temas da vida do Santo que lhe deu nome.
Antes de descer a Serra não deixe de visitar as Ruínas do Convento de Nossa Sra. da Visitação
de Vila Verde dos Francos, fundada por D. Pedro de Noronha, em meados do séc. XVI.




Gastronomia :

       A gastronomia da região é bastante rica e variada, com especial destaque para a doçaria. Quando vier visitar o Concelho de Cadaval não deixe de provar o pão-de-ló do Painho,o famoso doce das "vindimas" e o mel de Montejunto. Saboreie igualmente a pêra rocha da região, com as suas características exclusivamente nacionais.  
                                                                                                                             Bolo de Pera Rocha

Pão de Ló

Viagem e visita ao concelho de Alenquer

Brasão de Alenquer

Localização

          O concelho de Alenquer está integrado no distrito de Lisboa, ocupando uma área de 302.2 km2, distribuída por 16 freguesias, está situado na margem direita do rio de Alenquer (afluente do rio Tejo) e faz fronteira a Sul, pelos concelhos de Vila Franca de Xira, Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço; a Nascente, com o concelho de Azambuja e pelo rio Tejo; a Poente, com Torres Vedras; e a Norte, com os concelhos de Cadaval e Azambuja.
Com uma estrutura orográfica bastante acidentada, este concelho é dominado a Norte pela serra de Montejunto e a Oeste pelas serras Galega e Alta. A serra de Montejunto foi classificada Área de Paisagem Protegida em Julho de 1999, e Sítio da Rede Natura 2000 (lista europeia de sítios de interesse para a conservação da natureza). A serra tem uma extensão de 15 quilómetros, atingindo o seu ponto mais alto aos 666 m. Apesar das árvores já não constituírem uns dos elementos naturais mais comuns em Montejunto (devido aos fogos que nos últimos 15 anos devastaram a região), é ainda possível encontrar em Montejunto a sombra e a frescura de pequenos bosques de castanheiros, cedros, ciprestes, pinheiros e o verde da extensa manta das espécies arbustivas: carrascos, carvalhiça, azinheiras, loureiro, aroeira, medronheiros, etc.



História :

         Sobre o topónimo principal deste concelho, as opiniões dos estudiosos dividem-se. Segundo alguns historiadores, "Alenquer", deriva do nome germânico "Alen Kerk" ou "Alano-Kerk" que significa "Castelo dos Alanos", povo que governou parte da Lusitânia e teria reedificaram e fortificaram Alenquer no ano 418 a.C.. Uma outra interpretação remete o topónimo para o céltico "Aranker" que significa "junto ao rochedo" e que derivou em "Alenquer" através do baixo-latim "Alancar" que também originou o apelido Alencar. Dada a incerteza da origem do topónimo, surgiram a esse respeito várias lendas, uma das quais conta que estando o exército de D. Afonso Henriques a banhar-se no rio, notaram que notaram que um cão grande e pardo que vigiava as muralhas e que se chamava "Alão" calou-se e lhes fez muitas festas. El-rei tomando isto por bom presságio mandou começar o ataque, dizendo "O Alão quer!", palavras que serviram de futuro apelido à vila.
Acerca do povoamento primitivo de Alenquer pouco se sabe, sendo que a primeira documentação, a ele referente, surge apenas no século XII. A povoação deveria ser de certa importância em inícios da Nacionalidade, pois figura, pelo menos tradicionalmente, na lista de conquistas de D. Afonso Henriques aos mouros. No seu testamento, de Outubro de 1210, D. Sancho I declara deixar Alenquer à sua filha D. Sancha. O rei incluiu no testamento, a respeito de Alenquer, a cláusula de no caso de morrer primeiro do que ele, a infanta D. Sancha, ficar à outra infanta, D. Branca. No entanto, esta sua doação viria desencadear uma longa luta entre D. Afonso II e as suas irmãs. D. Afonso II principiou por não reconhecer à irmã o senhorio de Alenquer, intimando a entrega da povoação com o prazo de um mês. D. Sancha aproveitou esse prazo para fortificar melhor a vila acolher-se em Montemor, juntamente com a sua irmã, D. Branca, dando aos habitantes de Alenquer regalias de tributos diminuídos e mais privilégios e isenções municipais, com que procurou captar-lhes a fidelidade. Não tardou que a vila fosse atacada pelo exército real, com devastações nas cercanias, ação que resultou ineficaz, até porque o rei se viu logo a braços com a invasão leonesa nas fronteiras do Norte, em especial a Transmontana e teve de lhe acudir, deixando Alenquer cercada com menos forças. O papa Inocêncio III, procurando resolver a questão entre os irmãos, exigiu que o rei deixasse de molestar as infantas e delas que fizessem sair do castelo de Alenquer (e do de Montemor) todas as pessoas fiéis ao soberano e o entregasse a indivíduos que a D. Afonso II não pudessem causar danos, como preliminar para a concórdia, o que acabou por não surtir resultados. D. Afonso II cedera da parte útil, apenas reclamando a jurisdição real e eminente, ficando às irmãs os rendimentos, porém elas não se conformavam com essa solução. A questão prolongou-se sem solução definitiva, que só veio a acontecer em 1223, quando o pequeno rei S. Sancho II sucedeu a seu pai e os seus tutores realizaram com a infanta a concordata em que se assentava que Alenquer ficaria em senhorio conjunto das infantas D. Teresa e D. Sancha, devendo regressar à coroa após o falecimento da última sobrevivente; o concelho acompanharia os outros nas anúduvas e nele correria a moeda real. As infantas nomeariam os alcaides-mor mas escolhendo-os entre fidalgos de linhagem, com preito de homenagem ao rei, e os vizinhos de Alenquer teriam de ir à guerra estrangeira e aceitar a paz como o resto do reino. Ainda as infantas ficavam obrigadas a nunca alhear coisa alguma, à excepção de três azenhas e um reguengo que até à data haviam doado ao mosteiro de Celas. A infanta-rainha D. Teresa, a última a possuir Alenquer, pela concordata de 1223 faleceu em meados de 1250 e daí passou a vila e seu castelo à coroa. D. Afonso III doa então a vila à sua esposa D. Beatriz, por cuja morte, o novo rei, seu filho D. Dinis, a doou à esposa, rainha Santa Isabel.

Falecida D. Isabel, D. Afonso IV doou Alenquer, por carta de 7 de Agosto de 1340, a sua nora, a infanta D. Constança, mulher do infante D. Pedro, herdeiro da Coroa. Morrendo esta princesa, voltou de novo Alenquer à posse da Coroa e D. Fernando doou a vila e seu castelo à sua esposa D. Leonor Teles, o que veio a constituir a causa de várias lutas que decorram em Alenquer durante a Guerra da Independência, sequente à morte daquele monarca.  Após a revolução de Lisboa de 1383, que pôs no governo do país o Mestre de Avis, D. Leonor Teles recolheu-se na sua vila de Alenquer e daí pediu ação bélica ao seu genro, o rei de Castela, contra os rebeldes portugueses. Apesar destes tentarem tomar o castelo, não foram bem sucedidos, pela resistência oposta em razão de fidelidade jurada à donatária, considerada superior ao interesse nacional. Posteriormente, apercebendo-se das movimentações da rainha, a vila, considerando-se desligada da fidelidade, enviou ao regente e defensor do reino, a declaração que não só o castelo lhe seria entregue como os seus habitantes estavam prontos a combater pela causa nacional, apenas se devendo consentir-lhes o pagamento das rendas enquanto D. Leonor fosse viva e a inteira conservação de seus usos e privilégios. A este tempo dava-se a invasão castelhana e chegando o rei invasor às cercanias, o alcaide-mor de Alenquer, Vasco Pires de Camões, saiu ao seu encontro e entregou-lhe o castelo. O povo, não se submetendo a tal ato  e já da posse da carta de segurança do Mestre de Avis sobre o que antes havia reclamado como garantia e condição de entrega e cooperação, enviou-lhe o requerimento de ao menos 50 lanças para ajuda da tomada do castelo. Foi-lhes enviada gente por duas galés pelo Tejo, de que a vila não ficava muito afastada; essa gente, juntando-se ao povo, atacou o castelo destemidamente, mas sem êxito, tendo de ser abandonada a empresa. A vila foi saqueada e mais fortemente ocupada pelos invasores, situação em que ainda se encontrava nos últimos meses de 1384. As vitórias no Alentejo deram um novo ânimo aos habitantes de Alenquer, no sentido da sua libertação, embora seja de crer que nem todos estavam unidos pelo mesmo ideal político. Ao pedido que lhe foi feito nesse sentido, voltou o regente a enviar gente de armas em trinta e cinco galés e também por terra, sendo posto cerco à vila. Sucederam-se os combates até que a guarnição teve de capitular à falta de sustento e de água, em 10 de Dezembro de 1384, tendo o alcaide, Vasco Pires Camões, obtido as condições de a guarnição castelhana sair com as honras devidas e as respectivas bagagens, de ele, alcaide, continuar no seu cargo com guarnição escolhida pelo Chefe do Estado português e de a vila poder ser entregue à senhora, rainha D. Leonor, caso ela regressasse de Castela. Vasco Pires de Camões, no entanto, voltaria a dar voz em Alenquer por D. João I de Castela e neste reconhecimento se manteve até à batalha de Aljubarrota, em que o alcaide de Alenquer pereceu. Tendo ele levado consigo parte da guarnição, pôde Alenquer ser facilmente libertada depois da vitória.
A vila entrou depois na Casa da rainha D. Filipa de Lencastre, por morte da qual reverteu à coroa, vindo a tê-la a nova rainha D. Leonor de Aragão, esposa de D. Duarte. Após a aclamação do rei D. António em 1580, esteve este príncipe em Alenquer, hospedando-se no mosteiro de S. Francisco, onde recebeu o preito e menagem das justiças e autoridades locais, lavrando-se um auto que ele próprio assinou. A 27 de Agosto de 1580, a vila teve de se submeter à força da invasão espanhola; e quanto ao príncipe fugitivo, sempre grato ao apoio dado por Alenquer, introduziu no seu testamento, feito em Paris a 13 de Julho de 1595, esta cláusula "mando que os ditos meus ossos trasladados ao dito reino sejam sepultados no coro de S. Francisco de Alenquer e, não sendo pejado, no capítulo, em sepultura rasa com o chão, aonde se dirá para sempre uma missa quotidiana por minha alma". Esta cláusula, bem como a de D. Manuel, filho do prior do Crato, que manifestou igual vontade, nunca foi, ou não pôde ser cumprida. O senhorio das rainhas foi abolido pela dominação filipina, para criar o primeiro Marquês de Almoster, a 12 de Julho de 1616, D. Diogo da Silva, que recebeu as rendas e jurisdição da vila e termo, o que fez revoltar o povo e as suas justiças. Restaurada a independência, Almoster voltou à Casa das rainhas.

Bandeira de Alenquer

Heráldica

Brasão: de ouro, com um castelo de azul aberto e iluminado do campo. Em contrachefe, um cão de negro deitado, tendo a mão direita sobre a esquerda. Orla de catorze rosas naturais de vermelho folhadas de verde. Coroa mural de quatro torres. Listel branco com os dizeres: «Vila de Alenquer», de negro.

Bandeira: de azul. Cordões e borlas de ouro e azul. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas mas, sem a indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Alenquer».


Cultura e Turismo

                 O turismo tem potencialidades para se desenvolver no concelho de Alenquer, aproveitando os recursos naturais existentes, como a Serra de Montejunto e o diversificado e importante património arquitetónico e histórico. Entre as suas edificações mais importantes, são de destacar: as ruínas do antigo castelo; a igreja de S. Pedro, onde se encontram depositados os restos mortais de Damião de Góis; a Igreja da Misericórdia; o Convento de S. Francisco; e a igreja de Nossa Senhora da Piedade em Aldeia Galega da Merceana, construção de linhas renascentistas do século XVI.
No que diz respeito a unidades museológicas neste concelho, o destaque vai para o Museu Municipal Hipólito Cabaço onde se encontram documentadas as diversas fases da história deste concelho, desde o Paleolítico até à Idade Moderna.
                                                                                               Castelo de Alenquer



Gastronomia :

           Para além dos seus afamados vinhos, destacam-se como parte da gastronomia de Alenquer o bacalhau à Adega, sarrabulho e uvada (Aldeia Galega da Merceana), a Broa de Mel (Carregado) e as argolas (Meca).

Broas de mel
Broas de Mel