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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho da Azambuja

Brasão de Azambuja

Localização :

           A Azambuja é uma vila portuguesa no Distrito de Lisboa, com cerca de 8 100 habitantes,  é sede de um município com 261,66 km² de área, subdividido em 9 freguesias, é limitado a norte pelo município de Rio Maior, a nordeste por Santarém, a leste pelo Cartaxo, a sueste por Salvaterra de Magos, a sul por Benavente e Vila Franca de Xira e a oeste por Alenquer e pelo Cadaval. 
Desde 2002 que está integrada na região estatística (NUTS II) do Alentejo e na sub-região estatística (NUTS III) da Lezíria do Tejo; continua, no entanto, a fazer parte da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, que manteve a designação da antiga NUTS II com o mesmo nome. Pertencia ainda à antiga província do Ribatejo, hoje porém sem qualquer significado político-administrativo.
De notar, ainda, que até 2004, o concelho da Azambuja fez parte da Área Metropolitana de Lisboa, passando então a integrar a Comunidade Urbana da Lezíria do Tejo, cujo território coincide com a NUTS III com o mesmo nome.



História :

         Segundo a tradição, o povoamento de Azambuja é bastante remoto, sendo que alguns autores afirmam que esta vila já existia na época do domínio romano e era conhecida pelo nome de Oleacastrum. Para essa afirmação, parecem basear-se no facto de "Azambuja" ser a designação de uma variedade de oliveira que se relaciona com o vocábulo latino Oleaster, daí se explica que alguns autores tenham feito a relação entre o topónimo principal e a suposta existência neste local de uma cidade romana. O topónimo principal do concelho é portanto uma referência à vegetação local, tendo sido aplicado em finais do século XII, por mandado real, em substituição de Vila Franca. Ainda segundo alguns autores, Azambuja foi mandada povoar, em 1147, por D. Childe Rolim, quinto filho do Conde de Chester, descendente dos reis de Inglaterra, ao qual D. Afonso Henriques a doou com seu termo, em prémio das façanhas por ele praticadas na tomada de Lisboa. No entanto, a documentação a respeito do repovoamento logo após a tomada de Lisboa por D. Childe Rolim não existe, pelo que esse facto não pode ser corraborado. Sabe-se, no entanto, que foi de facto doada a flandrenses por D. Sancho I para que estes a povoassem.
Esse monarca, em 1200, fez dela mercê a D. Rolim, dando-lhe então foral que foi confirmado por D. Afonso II, em Santarém, no ano de 1218. Em 1513 teve novo foral, passado por D. Manuel e nos meados do século XVIII tinha dois juízos ordinários, três vereadores e um procurador. No militar, tinha um capitão, um alferes, dois sargentos e uma companhia de ordenanças. No eclesiástico, dispunha de um vigário da vara, com escrivão e meirinho.A paróquia de Santa Maria da Azambuja foi instituída no século XIII, talvez do padroado dos povoadores flamengos.
Inicialmente, o concelho de Azambuja era constituído por oito freguesias, sendo que a sua freguesia mais recente é Maçussa, criada em 1985 (Lei 79/85 de 4 de Outubro), resultante da cisão da freguesia de Manique do Intendente.

Bandeira de Azambuja

Heráldica

Brasão: de prata com um zambujeiro de verde, frutado do mesmo e sustido e arrancado de negro, acompanhado por duas flores de lis de vermelho. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres: "Vila de Azambuja" de negro.

Bandeira: de verde. Cordões e borlas de prata e de verde. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: "Câmara Municipal de Azambuja".


Cultura e Turismo

             No concelho de Azambuja o turismo é uma atividade que se está a desenvolver bastante, impulsionado pelo património arquitetónico  histórico e etnográfico existente, aproveitando também alguns dos seus recursos naturais como, por exemplo, o rio Tejo.
O património arquitetónico existente no concelho é de grande valor destacando-se a Igreja Matriz da Azambuja (séc. XVI e XVII), a Igreja da Misericórdia (séc. XVI e XVII), o Pelourinho Manuelino, o Palácio das Obras Novas de estilo neoclássico, os restos do celeiro d`El-Rei e o castro existente perto de Vila Nova de S. Pedro. Azambuja é também conhecida pelas suas famosas lides de touros que atrai todos os anos bastantes visitantes.






Gastronomia

          Azambuja é um concelho com bastantes tradições gastronómicas, sendo o "torricado" uma das principais especialidades; de destacar também é a sopa de Peixe, a Caldeirada à Fragateiro, a açorda de alhos e coentros com sável frito e o ensopado de enguias. Na doçaria, merecem especial referência as queijadinhas de Azambuja e os Coscurões de Aveiras de Cima.

                                                                                                                   Queijadinhas da Azambuja 
Açorda de Sável
Açorda de Sável 


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho do Cartaxo

Brasão de Cartaxo

Localização

           Integrado no distrito de Santarém, o concelho de Cartaxo é limitado a Norte, pelos concelhos de Santarém e Azambuja; a Sul, por Azambuja e Salvaterra de Magos; a Nascente, por Santarém e Almeirim; e a Poente, com Azambuja. Ocupa uma área de 158.2 km2, distribuída por oito freguesias, fica situado na margem direita do rio Tejo, que atravessa o concelho numa extensão de aproximadamente 12 quilómetros, integrando a região do Vale do Tejo e sub-região da Lezíria do Vale do Tejo. O concelho pode ser dividido em duas zonas: a planície aluvial e a peneplanície, cortada por várias linhas de água que afluem ao chamado "canal de Azambuja".
Em termos turísticos, o concelho do Cartaxo está integrado na Região de Turismo do Ribatejo.



História

            Segundo a tradição, Cartaxo deve o seu nome à Rainha Santa Isabel que terá começado a chamar "cartaxo" a este lugar por aí existirem muitas destas aves. No entanto, o topónimo é já mencionado antes do reinado de D. Sancho II, pelo que a povoação já deveria existir com esse nome nessa altura, de facto, é de crer que já existisse uma povoação em tempos anterior à Nacionalidade, sendo que terá ficado despovoada como resultado das constantes lutas entre mouros cristãos. D. Sancho II, considerando importante repovoar o lugar do Cartaxo, concedeu a terra reguenga a Pedro Pacheco que ficava obrigado à construção de uma albergaria. Uma vez que nem Pedro Pacheco nem os seus descendentes fizeram tal obra, os habitantes do lugar reivindicaram a D. Dinis uma nova carta de povoamento, ao que o monarca acedeu. Assim, recebeu carta foral de D. Dinis, a 21 de Março de 1312 que mais tarde foi confirmada D. João I a 27 de Junho de 1387 e por el-rei D. Manuel a 3 de Novembro de 1496. Durante o domínio Filipino, o Cartaxo recebeu também alguns privilégios, como o concedido por D. Filipe I que permitiu que houvesse no Cartaxo açougue separado de Santarém, vendendo-se carnes pelos preços por que se vendiam naquela vila, D. João IV por alvará de 10 de Dezembro de 1815 elevou o lugar a vila. Cartaxo foi elevado à categoria de Cidade a 21 de Junho de 1995.

Bandeira de Cartaxo

Heráldica

Brasão: escudo de ouro, uma rosa de vermelho acompanhada por duas quinas de Portugal antigo; passando entre a rosa e as quinas, duas hastes de videira de negro, que se passam em contra-chefe e repassam em chefe, folhadas de verde e frutadas, uma com dois cachos de prata e outra com dois cachos de púrpura, ficando dois em chefe e dois em contra-chefe, com os esmaltes alternados. Coroa mural de cinco torres de prata. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas: "CARTAXO".

Bandeira: gironada de oito peças, de branco e púrpura. Cordão e borlas de prata e púrpura. Haste e lança de ouro.

Selo: nos termos da Lei, com a legenda: "Câmara Municipal do Cartaxo".


Cultura e Turismo

           O concelho do Cartaxo é afamado pela qualidade dos seus vinhos. Através da "Rota do Vinho", pelas suas oito freguesias, o visitante pode conhecer a cultura e a vivência quotidiana da população desta região. Pode também visitar o Museu Rural do Vinho de temática rural e vitivinícola, instalado no Complexo Desportivo e Cultural da Quinta das Pratas, sendo que na sede de Junta de Freguesia de Ereira funciona um núcleo do Museu Rural do Vinho do Cartaxo. Ao nível de unidades museológicas há também a destacar neste concelho o Museu de Miniaturas do Ateneu Artístico Cartaxense.
Na freguesia de Valada, destacam-se como principais locais de interesse turístico a Quinta da Valada, a praia fluvial e a aldeia da palhota, uma típica aldeia de pescadores, constituída por casas assentes em pilares, para a proteção contra a cheias.





Gastronomia

         No que diz respeito à gastronomia tradicional do concelho do Cartaxo destacam-se a sopa de peixe, a fataça, a açorda de sável, o torricado, os pezinhos de Abóbora e os coscorões.

                                                                                                         Migas
MigasBacalhau no Forno
Bacalhau no Forno 


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho de Almeirim

Brasão de Almeirim

Localização

            O concelho de Almeirim está inserido no distrito de Santarém, ocupando uma área de 221.8 Km2, distribuída por quatro freguesias, a Norte, faz fronteira com o concelho de Alpiarça; a Sul, com Salvaterra de Magos e Coruche; a Oeste, com Santarém e Cartaxo; e a Este com Chamusca. 
A Poente, o concelho é banhado pelo rio Tejo, sendo que integra a sub-região da Lezíria do Tejo. Um outro elemento hidrográfico importante de Almeirim é a ribeira de Muge. Em termos turísticos faz parte da Região de Turismo do Ribatejo.


História

            Apesar de não existirem documentos escritos que o provem, é crível que neste local existisse já povoamento em épocas primitivas, facto apenas comprovado pela arqueologia e pela geologia; a própria toponímia é pobre nesse aspecto, sendo que apenas o topónimo principal, "Almeirim", demonstra relativa antiguidade, por evidenciar influência arábica; assim, colocam-se duas hipóteses: poderá derivar de "Al-Meirim" conforme consta numa descrição de Pinho Leal "Foi fundada em 1411, em um sítio que os Mouros chamavam já Al-Meirim, nome próprio de homem...", tratando-se neste caso de um antropónimo; ou então poderá ter tido a sua origem no nome de planta, "almeirão", através do árabe "alamron" ou "alamiron", de origem, no entanto, latina, não como derivado mas como nome paralelo, tratando-se neste caso de um fitotopónimo. Através dos vestígios arqueológicos encontrados na Estação da Azeitada (Benfica do Ribatejo) e no Alto dos Cacos (Almeirim), sabe-se que a presença humana nesta região remonta ao Paleolítico Superior, sendo que existem também indícios das épocas do Bronze e do Ferro. Apesar de não se ter mantido constante o povoamento, depreende-se que o local não chegou a ficar em total despovoamento, facto que de certa forma não é admissível, dada a sua localização, próximo do Tejo, e dada a vontade de repovoamento e colonização sentida por diferentes monarcas ao longo dos séculos XII, XIII e XIV. 
Almeirim foi "criada" em 1411 por D. João I, a partir da criação da Coutada Real de Almeirim, cujo território foi demarcado em 1424; o mesmo monarca edificou no local um palácio, rodeando-o de amplos e belos jardins e hortas. Em 1430, D. Duarte, ainda Infante, mandou aqui construir uma torre que no entanto foi destruída a mando de D. João I. Em 1483, D. João II outorgou aos moradores de Almeirim, uma Carta de Mercê. 
No século XVI, D. João III mandou construir a Igreja e o Hospital de Nossa Senhora da Conceição, S. Roque e S. Sebastião, com uma confraria de que faziam parte a rainha e os infantes, o Duque de Bragança e inúmeros fidalgos de Lisboa. O Paço que havia sido edificado a mando de D. João I foi ampliado por D. Manuel I que aqui costumava passar o Inverno; nesta época, a corte era atraída pela presença do soberano que ali construiu boas casas e quintas, em volta do palácio real. Almeirim foi palco de importantes acontecimentos da História de Portugal: as cortes foram aqui convocadas duas vezes (primeiro por D. João III para o juramento do Príncipe D. João e depois pelo Cardeal Rei D. Henrique, por causa da sucessão do reino). Nesta terra também se celebraram os casamentos da Infanta D. Isabel com o Imperador Carlos V, e o de seu filho Filipe II com a Infanta D. Maria e aqui faleceu o Cardeal D. Henrique, em 1580.
Eclesiasticamente, Almeirim foi uma vigairaria do padroado real, com o rendimento de cem mil réis anuais, e com um coadjutor da mesma apresentação.

Bandeira de Almeirim

Heráldica

Brasão: escudo partido de uma pala de negro e duas de ouro, sendo a de negro carregada por uma águia aberta de ouro de voo abatido, acompanhado em chefe por uma seta de ouro carregada por uma quina de Portugal e em contra-chefe por três faixas ondadas, duas de prata e uma de azul. As palas de ouro são carregadas cada uma por uma trompa de caça de vermelho forrada de negro, acompanhada em chefe e em contra-chefe, por cachos de uvas de púrpura folhados e sustidos de verde. Coroa mural de cinco torres de prata. Listel branco com a legenda de negro: "CIDADE DE ALMEIRIM".

Bandeira: de púrpura, cordões e borlas de ouro e púrpura. Haste e lança de ouro.


Cultura e Turismo

           São vários os pontos de interesse turístico no concelho de Almeirim, sendo que a nível patrimonial, merecem especial referência na vila de Almeirim a Igreja Matriz e as fontes de S. Roque e do Largo dos Namorados; outros locais de grande interesse turístico são as margens do rio Tejo e da Ribeira de Alpiarça, que para além de serem locais de grande beleza, contribuem também para a economia local. Ainda na vila, uma especial referência para o Museu Etnográfico, instalado na casa do povo; para a Biblioteca Municipal Marquesa do Cadaval e para a Galeria Municipal de Almeirim, situada no edifício dos Paços do Concelho e destinada a exposições temporárias. Já na freguesia de Fazendas de Almeirim, um pequeno destaque para o Pórtico do Paço dos Negros, uma magnífica portada de um antigo paço do século XVI, coroada por seis merlões manuelinos.



Gastronomia

            Da gastronomia tradicional do concelho de Almeirim, destaca-se: a cachola e espetadas de porco, o ensopado de enguias, a caldeirada à pescador, a massa à barrão e a sopa de pedra.


Sopa da Pedra

Melão
Melão 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho de Santarém

Brasão de Santarém

Localização

              O município de Santarém é a sede do distrito homónimo, estando integrado na sub-região da Lezíria do Tejo e ocupando uma área de 558.3 km2, distribuída por vinte e oito freguesias, a Norte, o concelho de Santarém faz fronteira com Porto de Mós, Alcanena e Torres Novas; a Sul, com Cartaxo e Almeirim; a Leste, com Golegã, Chamusca e Alpiarça; e a Oeste com Rio Maior e Azambuja. 
O concelho está situado na margem direita do rio Tejo que o limita a Leste e que foi, durante muito tempo, a principal via ribatejana, através da qual eram transportadas pessoas e mercadorias.
O rio Tejo é o principal elemento hidrográfico do concelho, no entanto existem uma extensa rede de canais e valas para rega e drenagem que nele desaguam, bem como diversos rios e ribeiros. Entre estes últimos, destacam-se como mais importantes o rio Maior (ou ribeira da Asseca, no troço concelhio), o rio Alviela e a ribeira de Santo António. No limite Norte do concelho, a serra constitui uma barreira contra os ventos frios do quadrante Norte, influindo assim nas características climáticas do concelho. Na zona do vale do Tejo o concelho torna-se mais plano e aí podem ser encontradas várias valas de rega com diques e vaiados.




História :

       A origem da cidade de Santarém anda envolta em algumas lendas, sendo uma das mais conhecidas a do príncipe Ábidis. Assim, conta-se que em tempos dominava a Lusitânia um rei chamado Gergoris ou Gorgoris, vivendo-se então uma época de grande prosperidade. Certo dia, chegou à foz do rio Tejo, Ulisses de Ítaca e, achando na amenidade do país, "gracioso assento para o seu descanso", decidiu fixar-se nesse sítio onde podia reanimar as forças perdidas e aguardar a propícia ocasião para voltar à sua terra. Gergoris tinha uma filha de nome Calipso, jovem de grande beleza e por quem Ulisses se apaixonou e do amor que os juntou nasceu Ábidis. Gergoris entra em cólera contra os gregos de Ulisses, no entanto, estes temendo a fúria do monarca, partiram e Gergoris ordena então que o corpo do pequeno Ábidis fosse encerrado numa cesta e lançado para o rio Tejo para que as águas do sereno rio se encarregassem de pôr um rápido fim ao fruto dos pecaminosos amores. No entanto, a maré cheia empurrou o cesto rio a cima, fazendo-o ancorar numas brenhas que serviam de covil a uma cerva, ou, segundo alguns autores, a uma loba. A criança foi alimentada pelo animal e fez-se homem até que um dia alguns caçadores, denotando-o, levaram-no à presença de Calipso, que o reconheceu como sendo o seu filho, pela marca de uma cicatriz que tivera à nascença. Também Gergoris, nesta data já idoso, e no termo de um longo reinado de 70 anos, teve notícia de tão estranho caso, e ganhou tanta afeição ao neto que logo o indicou para seu sucessor no trono da Lusitânia. Com a morte do velho rei, Ábidis foi com efeito, seu sucessor, e reza a lenda, rei tão sábio e tão justo nunca governou os reinos lusitanos. Não se esquecendo de todos os acontecimentos que haviam seguido ao seu nascimento, lembrando-se das brenhas onde passara os primeiros anos, decidiu fazer desse lugar inculto e silvestre uma grande e formosa cidade que perpetuasse, pelos tempos fora, a lembrança do seu acidentado nascimento. A esse local se chamou então Esca-Ábidis que significa "manjar ou iguaria de Ábidis". E essa teria sido a origem lendária de Santarém. Apesar das lendas, a realidade é que a região onde se encontra inserido o concelho de Santarém apresenta vestígios de ocupação humana bastante remota e com vestígios da passagem de diferentes povos. Com Júlio César inicia-se a pacificação da Península Ibérica, Santarém foi então tomado aos Túrdulos e recebe o nome Proesidium Jullium, "por assistir nela o mais do tempo que cá esteve", fazendo do seu novo burgo colónia e convento jurídico e uma das mais importantes povoações da Península Ibérica. Nos primórdios da era Cristã, Otávio pacifica por completo a terra peninsular dividindo-a em quatro "conventus": Mérida, Beja, Braga e Santarém, sendo Santarém considerada como um dos mais fortes baluartes da dominação romana, passando então a chamar-se Scalabicastrum.
Com a reforma do Imperador Vespasiano voltaram a existir na Lusitânia, como no tempo de César, três distritos ou "conventus" e Santarém continua a ser a capital de um deles, mantendo assim o seu antigo prestígio.
No século V os povos bárbaros (Alanos, Vândalos, Suevos e Visigodos) entram na península e por volta de 418 conquistam e saqueiam a cidade de Scalabicastrum, destruindo os mais sumptuosos monumentos para que não ficasse lembrança da antiga dominação latina. O nome Scalabicastrum é banido e a cidade passa a denominar-se Escalabis. Com a partida dos Alanos e Vândalos para o Norte de África e com a fixação dos Suevos na parte Norte da península, os Visigodos tornam-se os únicos senhores da Lusitânia. No ano de 653 o rei Recesvinto ocupa a cidade e muda-lhe o nome para Sancta Irene ou Sancta Herena, em memória do sacrifício da virgem nabantina Irene, cujo corpo degolado, segundo a tradição, havia sido conduzido pelas águas do Tejo até parar em frente do velho burgo.

Em 715, Santarém é ocupada pelos mouros, sendo que a partir dessa data cresce o seu valor estratégico-militar, sendo que por várias vezes a cidade vai mudando de ocupantes. Deste modo, sabe-se que Santarém passa ao poder dos cristãos pelas mãos do rei Fruela, que se apossa de muitas terras dos mouros, e vai, com as suas incursões até à Estremadura Espanhola. A reação dos árabes vai dar-se sete anos mais tarde, com Adberramão, do califado de Córdova, que reconquista todas as terras perdidas e atira com os cristãos novamente para o Norte, de onde tinham partido as incursões de Fruela I. Oitenta anos depois, em 842, Ramiro I ocupa Santarém, para no ano de 850 a deixar de novo cair em poder dos muçulmanos. Um século permanece nas mãos dos árabes até que um golpe mais forte por parte de Ordonho III, em 950, faz com que volte ao poder dos cristãos.
Em finais do século X, o grande Califa Almançor investe contra as fronteiras cristãs apossando-se de um grande número de castelos, e Santarém volta mais uma vez a ser pertença dos muçulmanos. A 30 de Setembro de 1093 o monarca leonês Afonso VI reconquista todas as terras que se encontravam até à Foz do rio Tejo e forma com elas um condado com capital em Santarém, cujo governo é entregue a Sueiro Mendes, debaixo da autoridade de D. Raimundo de Borgonha. Torna-se maior então a importância de Santarém, a quem D. Afonso VI concede foral. Porém, em 1110 uma reação mais forte dos Sarracenos trouxe-os de novo até junto de Santarém e após um longo assédio a cidade rendeu-se, diminuindo de extensão o poder dos leoneses. Santarém permanece então no poder dos mouros até ser reconquistada definitivamente por D. Afonso Henriques em 1147.

A tomada de Santarém foi, como o define Herculano, "um acontecimento extraordinário" pois a cidade era então considerada inexpugnável e conquistá-la era ter nas mãos um baluarte de primordial valor, centro de uma região fertilíssima de onde se podiam lançar novos ataques no próprio coração muçulmano na península. Diz Herculano que a conquista de Santarém foi devido a uma inspiração súbita e fecunda que assistiu ao rei dos portugueses. Não dispondo de recursos militares suficientes para conquistar a fortaleza por combate, porque isso acarretaria uma pesada derrota para as suas hostes, o príncipe português deliberou, depois de ouvidos todos os seus principais chefes, acometer Santarém pelo Lado Norte e nele entrar em golpe de surpresa. Era um novo método de combate que poderia agora mostrar-se útil, uma vez que estava provada a impossibilitada de atacar o castelo com o conhecimento dos defensores. Santarém deveria ser tomada mais pela astúcia do que pela força. D. Afonso Henriques tomaria Santarém "à sua moda", isto é, por surpresa. Assim, em 1147 o monarca aproveitando um período de tréguas com os muçulmanos do Tejo, envia a Santarém Mem Ramires, com a missão de estudar as condições de defesa do castelo e as possibilidades de um possível ataque à fortaleza. Só alguns cavaleiros fieis, como Lourenço Viegas, Pero Pais, Gonçalo de Sousa, o prior D. Teotónio e poucos mais, foram postos no conhecimento do que se passava.

A uma Segunda-feira de Março de 1147, saiu D. Afonso Henriques de Coimbra, com alguns cavaleiros e 250 homens de armas indo acampar nesse dia a Alfafar. Na Quinta-feira seguinte atingia-se a serra de Alvardos, sendo que António Brandão localiza aqui o episódio da promessa feita por D. Afonso a S. Bernardo, de doar à ordem cistercense todas as terras que se estendiam desde aquela serra até ao mar, com a fundação de um mosteiro grandioso, caso a boa sorte o acompanhasse na tomada de Santarém. Ao amanhecer de Sexta-feira estavam no alto de Pernes, onde passariam o dia, para à noite marcharem para a tomada do castelo. Só na mata de Pernes, D. Afonso Henriques expôs a todos os membros da sua hoste qual o seu plano de ataque e o imenso desejo que o invadia, de aumentar o património da terra nacional. Ao anoitecer desse dia, partiam todos e o ataque foi desencadeado na calada da noite. Os cristãos arremessaram-se contra os mouros em luta bravia e sangrenta e quando a manhã rompeu, já a bandeira de Santiago se encontrava sobre os muros do castelo de Santarém. A sua posse nas mãos das hostes cristãs representava o início das incursões metódicas e organizadas do soberano português com o fim de expulsar os agarenos dos territórios que estes ainda dominavam. O monarca concedeu então foral a Santarém, mercê que foi confirmada por D. Afonso II em Abril de 1214 e ampliada também pelo filho do rei povoador em 12 de Novembro de 1217.

Durante a primeira Dinastia, Santarém foi residência real e capital do reino durante o reinado de D. Afonso IV e lá se reuniram as cortes por diversas vezes, sobretudo até finais do século XV. As primeiras cortes em Santarém foram realizadas em 1273 e inseriam-se na luta entre D. Afonso III e o clero; voltaram a reunir as cortes em Santarém em 1331, desta feita com a presença de todos os concelhos do reino; em 1334 reuniram-se para tratar do casamento entre o Infante D. Pedro e D. Constança Manuel; em 1340 trataram-se os problemas de gastos excessivos em vestuário, alimentação e artigos de luxo; em 1373 foi assinado nas cortes, o tratado de paz com Castela. Foram realizadas ainda por outras ocasiões cortes em Santarém para tratar de dotes e despesas com casamentos reais, bem como pedidos de empréstimo para tratar de despesas do reino. A sua importância neste período documenta-se por inúmeros privilégios que constam nos seus forais e reflete se nos seus quinze conventos e mosteiros e cerca de quarenta ermidas, dois paços, palácios e solares da melhor nobreza do Reino.
Em 1506, D. Manuel concedia a Santarém o 7º foral da vila, confirmando e aumentando antigos privilégios.

Bandeira de Santarém

Heráldica

Brasão: de azul, com um castelo de prata aberto e iluminado de vermelho, tendo a torre central carregada pelas quinas antigas de Portugal. Coroa mural de prata de cinco torres. Envolvendo as armas, o colar da Torre e Espada, tendo pendente a insígnia respectiva. Listel branco com os dizeres: «Cidade de Santarém».

Bandeira: quarteada de quatro peças brancas e quatro de vermelho. Cordões e borlas de prata e de vermelho. Lança e haste douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, o colar da Torre e Espada, tendo, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Santarém».


Cultura e Turismo :

          Dadas as suas belezas naturais, bem como o seu património artístico e histórico, o concelho de Santarém constitui um importante polo turístico. De facto são vários os monumentos que merecem uma especial visita por todo o concelho, sendo de se destacar a este nível: as portas do Sol e de Santiago, o que resta da antiga muralha escalabitana; a Torre das Cabaças, uma das antigas torres defensivas das muralhas e cuja designação tem origem nas oito cabaças que se encontravam na parte da armação superior de ferro da torre; a Fonte das Figueiras, obra pública de abastecimento de água à população da freguesia de S. Salvador e que pela sua raridade e qualidade estética é uma das obra mais significativas em território nacional; a capela de Nossa Senhora do Monte que se localizava fora das muralhas, tendo sido construída no reinado de D. Afonso II e servia como templo da Gafaria de S. Lázaro; o Convento de Santa Clara, fundado por volta de 1264 por iniciativa de D. Leonor Afonso e que se erguia extra-muros; o convento de S. Francisco, obra de iniciativa régia, que inscreve-se no universo da arte gótica, na linha da arquitetura despojada das Ordens Mendicantes, tendo sido fundado em 1242 e patrocinado por D. Sancho II; a Igreja da Graça, mandada erigir por João Afonso Teles de Meneses por volta de 1380, embora a construção só se tenha realizado na primeira metade do século XV; a igreja da Misericórdia, edifício renascentista tardio, parcialmente destruída no terramoto de 1755; a Igreja de Santa Maria de Marvila, uma das mais antigas paróquias da cidade de Santarém, cuja data de construção é desconhecida; a igreja de S. João de Alporão que marca a transição entre o Românico e o aparecimento das primeiras formas góticas; a Igreja do Hospital de Jesus Cristo, inicialmente designada de Igreja do Convento de Nossa Senhora de Jesus do Sítio, mudando de nome na altura da extinção as ordens religiosas em 1834, tempo em que os frades franciscanos da Ordem Terceira abandonaram o cenóbio, transferindo-se para aqui o antigo Hospício baptizado com o nome de João Afonso de Santarém - fidalgo da corte de D. João I que, em 1426, fundou o primitivo templo de Jesus Cristo; a Igreja do Seminário dos Jesuítas, antiga Igreja do Colégio da Companhia de Jesus em Santarém; e a Igreja Matriz de Abitureiras, consagrada a Nossa Senhora da Conceição e cuja fundação remonta possivelmente ao século XIV.
Para além destes monumentos, são de destacar neste concelho as várias infra-estruturas culturais que detém, como é o caso do Teatro Taborda, o Cine-Teatro Rosa Damasceno, o Teatro Sá da Bandeira, o Auditório do Instituto Português da Juventude, o Grande Auditório do Centro Nacional de Exposições, o Centro Nacional de Exposições e o Auditório da Casa do Brasil. No que diz respeito a unidades museológicas, existem no concelho de Santarém o Núcleo Museológico do Tempo, instalado na Torre das Cabaças; o Núcleo Museológico do Santíssimo Milagre; a Casa Museu Anselmo Braamcamp Freire; o Museu Salgueiro Maia; o Museu Ferroviário - Núcleo de Santarém; e a Área Museológica do Cais do Sodré.

                                                                                                   Castelo de Santarém

Praça Sá da Bandeira


Gastronomia :

           Entre os pratos tradicionais da gastronomia escalabitana o destaque vai para a sopa de peixe, a açorda de sável e a fataça na telha (aldeia das Caneiras).Um especial destaque também para o bacalhau com mangusto, as espetadas em vara de loureiro, o entrecosto com arroz de feijoca, os molhinhos e, claro, a famosa massa à barrão. Da doçaria, realce para os arrepiados de Almoster, as celestes de Santa Clara e os queijinhos do céu do Convento das Donas.

                                                                                                              Sopa de Peixe
Sopa de PeixeFataça na Telha
Fataça na Telha

Queijinhos do Céu






segunda-feira, 15 de abril de 2013

Viagem e visita ao concelho de Alpiarça

Brasão de Alpiarça

Localização

           Integrado no distrito de Santarém, o concelho de Alpiarça ocupa uma área de 94.4 km2 e é constituído por apenas uma freguesia, é limitado a nordeste e leste pelo município da Chamusca, a sueste e sudoeste por Almeirim e a noroeste por Santarém.
Está situado na margem esquerda do rio Tejo, na planície ribatejana, sendo que em termos geomorfológicos faz parte da Bacia Sedimentar do Tejo/Sado. No concelho, predominam as superfícies planas de baixa altitude, resultado da acumulação de materiais resultantes da confluência dos cursos de água. O principal elemento hidrográfico de Alpiarça é o rio Tejo que forma, neste concelho a vala de Alpiarça.








História :

         O topónimo "Alpiarça" parece vir da ribeira do mesmo nome, assim chamada pelo embaraço causado à navegação pelas algas que nela abundavam; pois este topónimo tem origem em "peaça", que é um derivado de "peia" e cujo significado é "impedimento", com o prefixo arábico "al-".
Situada em plena planície ribatejana, junto à margem esquerda do Tejo, Alpiarça é habitada pelo homem desde tempos remotos, tendo sido recolhidos no local importantes achados arqueológicos do paleolítico inferior. Foram igualmente descobertos vários marcos milenários dedicados a Trajano, o primeiro imperador romano que não nasceu em Itália, o que confirma a passagem de uma das vias militares romanas que ligava Lisboa a Mérida. Nas Inquirições de D. Dinis, de 1295, encontra-se a primeira referência escrita a Alpiarça, naquele tempo designada "Alpearça". Posteriormente, em 1311, surge uma nova referência a Alpiarça, desta feita num arrendamento a Martim Anes que menciona a existência de uma herdade além "d`alpearça". Em 1338, na carta de coutada passada pela Chancelaria de D. Afonso IV surgem algumas informações relativas à localização do reguengo de Alpiarça, situado "no limite da vila de Santarém". Em 1436, surge uma nova referência, desta feita relativa ao rio de Alpiarça, em que o povo do concelho de Santarém pede ao rei que a pesca nesse rio seja feita com covões, pois pescar com cana não era rentável. O rei acede ao pedido e autoriza a utilização de covões em certas partes do rio. Nas cortes de 1439, o concelho de Santarém manifesta-se contra a coutada real do rio de Alpiarça, alegando que todos deveriam ter direito à pesca nesse local. Em 1442, o regente D. Pedro declara livre a pesca no rio Tejo, no entanto o rio Alpiarça permanece de coutada real.
Em 1716, a igreja de Alpiarça pertencia à Colegiada de Santa Maria de Alcáçova, o pároco era cura e recebia de côngrua um moio de cevada, um de trigo, uma pipa de vinho e cinco mil e seiscentos em dinheiro. Em 1836 a freguesia de Alpiarça, que até então estava integrada no concelho de Santarém passou a integrar o concelho de Almeirim. Pela Lei nº 129 de 2 de Abril de 1914 foi criado o concelho de Alpiarça, constituído por apenas uma freguesia. Entre 1919 e 1926 o concelho integrou a freguesia de Vale de Cavalos, sendo que depois de 1926 voltou de novo a ser composto unicamente, pela freguesia sede de Alpiarça.

Bandeira de Alpiarça

Heráldica

Brasão: de prata, com dois ramos de oliveira de verde frutados de negro, cruzados em ponta e atados de vermelho, acompanhados por dois pinheiros de verde frutados de ouro, troncados e arrancados de negro. Em chefe, um cacho de uvas de púrpura, folhado e sustido de verde. Em contrachefe, uma faixa ondada de azul, carregada de três peixes de prata realçados de negro. Coroa mural de quatro torres de prata. Listel branco com os dizeres: «Vila de Alpiarça», de negro.

Bandeira: esquartelada de verde e de negro. Cordões e borlas de verde e negro. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal de Alpiarça».


Cultura e Turismo

         O Concelho de Alpiarça dispõe de vários atrativos turísticos potenciados pelas estruturas existentes. O complexo de desporto de lazer dos Patudos situa-se junto à barragem dos Patudos, construída em 1982, e permite a prática da pesca desportiva, remo, canoagem e passeios de barco não motorizado. Este complexo dispõe também de um parque de merendas e um bar restaurante.
No concelho de Alpiarça, um destaque ainda para: a Reserva Natural do Cavalo do Sorraia, uma área dedicada à conservação e desenvolvimento de uma raça de cavalos em vias de extinção: o Cavalo Ibérico, também conhecido como Cavalo do Sorraia; e a aldeia do Pacatão e respectiva praia fluvial.
No que diz respeito a unidades museológicas, o destaque vai para a casa Museu dos Patudos que foi residência de José Mascarenhas Relva e foi edificada entre 1904/05, sendo que à morte do seu proprietário foi constituída como casa-museu. No Museu dos Patudos pode-se contemplar uma vasta e valiosa coleção constituída por tapeçarias portuguesas de arraiolos, azulejaria, mobiliário, porcelanas, faianças preciosas, esculturas e pinturas portuguesas e estrangeiras, algumas datadas do século XVI.
                                                                                                    Travessa dos sete cantos

Museu dos Patudos


Gastronomia :

           No concelho de Alpiarça destacam-se os seguintes pratos: cabrito guisado à moda de Alpiarça, a miga fervida, os molhinhos guisados, as papas de abóbora e a cachola. Na doçaria, as escolhas vão para as broas de Alpiarça, os quadradinhos de Alpiarça, as ferraduras, os "ss" de amêndoa e o pão-de-ló de Alpiarça.
                                                                                                         Sopa de Arroz com Feijoca
Sopa de Arroz com FeijocaFerraduras
Ferraduras

Patudos
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