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terça-feira, 26 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho das Caldas da Rainha

Brasão de Caldas da Rainha

Localização

           O concelho de Caldas da Rainha está integrado no distrito de Leiria, ocupa uma área de 255.9, distribuída por 16 freguesias, faz fronteira a Norte com o concelho de Alcobaça; a Este com o de Rio Maior, do distrito de Santarém; a Sul com o de Bombarral e Cadaval; a Sudoeste com Óbidos e a Oeste com o Oceano Atlântico. As principais unidades geomorfológicas do concelho de Caldas da Rainha são a Lagoa de Óbidos e as praias junto a ela; os escarpados; as formações aluvionares junto à baía de S. Martinho; e as arribas da Serra do Bouro. O concelho é percorrido no sentido Noroeste/Sudeste pela ribeira de Alfeizerão e pelo rio Tornada, ambos afluentes da baía de S. Marinho; no sentido Este/Oeste, o concelho é atravessado pelo rio da Cal, afluente da Lagoa de Óbidos. Na Praça da República (conhecida popularmente como "Praça da Fruta") realiza-se todos os dias, da parte da manhã, ao ar livre, o único mercado diário horto-frutícola do país, praticamente inalterável desde o final do século XIX. 


História

       A história do concelho de Caldas da Rainha está intimamente ligado com a criação da sua estância termal e hospital, pela influência da Rainha D. Leonor, sendo exatamente a este facto que deve o seu topónimo. Esta estância é já mencionada num documento de 1222, tratando-se do testamento de D. Zoudo que lega um morabitino para a melhoria dos banhos nas caldas de Óbidos, outro a uma albergaria ali existente e outro à confraria do Espírito Santo. As caldas são de novo mencionadas num compromisso de Gafaria de Santarém de 1223, onde se pode ler: "Se o gafo ou gafa quiser hir em Romaria ou aas calldas..." receberia o equivalente a 12 dias de ração. Já em 1336 são de novo mencionadas numa carta de Álvaro Pais, Bispo de Silves a D. Afonso IV em que informa que seguia para as caldas de Óbidos para se tratar de uma doença de pele. Em 1473, é celebrado o contrato de casamento entre D. João e D. Leonor, no qual são reconhecidos os direitos que caberão a D. Leonor sobre as vilas de Lagos, Sintra, Torres Vedras e Óbidos. Um ano depois, D. Afonso V concede privilégios a quem se fixar nas "caldas de Óbidos" e em 1482, D. Leonor é nomeada donatária do concelho de Óbidos. Em consequência da peste que assolara a cidade, D. João sai de Lisboa e ordena à Rainha que proceda da mesma forma, de modo que D. Leonor parte para as suas casas em Óbidos. Por essa altura, decide melhorar as condições dos banhos das Caldas, consultando o mestre António sobre a escolha da localização do estabelecimento. Em 1485 D. Leonor nomeia Álvaro Dias Borges "provedor das ditas caldas" e iniciam-se então as obras do balneário. Três anos depois, D. João II passa uma carta de privilégios e liberdades a 10 moradores e estabelece um couto de 20 homiziados. A partir dessa altura, as Caldas passam a ter uma "Câmara e Vereação de Juízes e Oficiais" independentes de Óbidos. No mesmo ano, o novo balneário recebe os primeiros doentes, sendo que D. Leonor deverá então ter dado ordem para o início do plano de construção de um hospital consagrado a Nossa Senhora do Pópulo. Em 1490, a rainha D. Leonor dá a sentença a propósito da demarcação meridional das terras dos coutos e das terras da coroa que estavam em causa no conflito entre Óbidos e a Abadia de Alcobaça. Por carta Régia de D. João II, é atribuído às caldas o privilégio de possuir Juiz de Sisas, tendo sido nomeado para essa encargo o provedor Dias Borges. Em 1495, foi autorizada, através da bula papal de Alexandre VI, a construção da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo. Em 1496, a rainha pede indulgências ao papa Alexandre VI para os visitantes da capela de Nossa Senhora do Pópulo que mandara edificar nas termas das Caldas, no mesmo ano dirige ao mesmo papa uma súplica para que seja instituída uma capelania privada na capela que mandara edificar nas termas das caldas de Óbidos, solicitando também a isenção da capela relativamente à jurisdição dos priores de S. João do Mocharro de Óbidos, o que lhe foi concedido. Entre os anos de 1496 e 1497 deu-se a conclusão das obras no hospital, sendo que em 1497, D. Manuel confirma a carta de privilégios concedidos aos moradores das Caldas e no ano seguinte, beneficia o se hospital com a possibilidade de "possuir até 300 reais de renda". Em 1501, D. Manuel torna mais extensivos os privilégios concedidos aos primeiros caldenses e dois anos depois a vila das Caldas possuía já tabelião próprio das notas e judicial. Através de carta régia de 1511, D. Manuel institui a vila de Caldas e demarca o seu termo e em 1526, D. João III confirma os privilégios aos moradores das Caldas. 
Em 1836, o concelho de Caldas da Rainha era formado pelas freguesias de Caldas da Rainha, Tornada, Coto, Salir de Matos, Carvalhal Benfeito, Santa Catarina, Alvorinha e Vidais. Já em 1855 foram integradas no concelho mais duas freguesias: Serra do Bouro e Salir do Porto. Em 1895, em consequência da reforma administrativa são integradas no concelho das Caldas as freguesias de S. Martinho, Alfeizerão e Famalicão, sendo que o concelho de Peniche, de terceira classe passou então a ser tutelado pelo das Caldas. Em 1896 as freguesias de Famalicão e Santa Catarina passam a integrar o concelho de Alcobaça. Em 1898 a freguesia de Santa Catarina volta a pertencer ao concelho das Caldas da Rainha, enquanto que S. Martinho do Porto e Alfeizerão regressam a Alcobaça. Em 1927, Caldas da Rainha é elevada à categoria de cidade.
Em 1957 foi criada a freguesia de Nadadouro, desmembrada da de Serra do Bouro.

Bandeira de Caldas da Rainha

Heráldica :

          Caldas da Rainha mantêm como armas, o brasão da Rainha D. Leonor, ladeado à esquerda pelo seu próprio emblema (o camaroeiro) e à direita pelo emblema de D. João II (o pelicano). Ao manter estas armas, a cidade é das poucas povoações do país a possuir um brasão anterior à normalização da heráldica municipal levada a cabo no princípio do século. 

Cultura e Turismo

            O concelho de Caldas da Rainha é conhecido sobretudo pelo seu hospital termal, fundado por D. Leonor. Dadas as suas características, as águas das cinco nascentes desta estância termal (Pocinho da Copa, Piscina dos Homens, Piscina das Mulheres, Piscina Escura e Fonte do Arco) são particularmente recomendadas para o tratamento de reumatismos crónicos e outras perturbações do aparelho locomotor e do aparelho respiratório. Ainda ao nível de recursos naturais, o concelho beneficia da proximidade da lagoa de Óbidos. Esta lagoa é alimentada por água salgada e água doce e é palco de diversões de vários desportos náuticos, como a vela, windsurf, jetski, canoagem e pesca desportiva. Na confluência da lagoa com o mar localiza-se a praia de Foz do Arelho que para além de proporcionar agradáveis banhos de mar, dispõe de uma bonita paisagem da extensão da lagoa e das suas margens de densa vegetação. A este nível, destaca-se também a praia fluvial de Salir do Porto, banhada pelo rio Tornada (ou Salir) que desagua na Baía de S. Martinho do Porto. Um outro atrativo deste concelho é sem dúvida a sua riqueza patrimonial e os vários monumentos que a cidade possui, sendo de se destacar o já referido Hospital Termal, o Jardim D. Carlos, os Paços do Concelho e a Torre da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, mais uma das obras de D. Leonor. O parque D. Carlos I insere-se no conjunto que rodeia o hospital termal, projetado pelo arquitecto Rodrigo Berquó em 1889, este parque teve como antecedente o antigo passeio da Copa, este último aberto em 1799. Em 1948 foi remodelado por Francisco Caldeira Cabral, possuindo atualmente vários equipamentos recreativos e culturais. Os Paços do Concelho tiveram a sua origem em 1794, por ordem de D. Maria Ana da Áustria, esposa do rei D. João V e tinham como principal objectivo albergar a câmara e a prisão. Este é um belo exemplar de arquitetura Joanina, com uma fachada rematada na parte superior pelo escudo real e onde se integra um relógio e uma torre sineira, alterações efetuadas já no século XIX. O concelho de Caldas da Rainha dispõe também de várias unidades museológicas como o Museu do Hospital e das Caldas, o Museu José Malhoa, o Museu da Cerâmica, o Atelier-Museu António Duarte, o atelier Museu João Fragoso, o Museu da Fábrica das Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro e o Museu da Fábrica Secla. O Museu José Malhoa encontra-se localizado no Parque Carlos I e acolhe várias obras dos mais notáveis pintores portugueses, bem como uma biblioteca de arte que contém documentação sobre os artistas representados. No Museu da Cerâmica pode-se encontrar uma vasta coleção de peças de cerâmica dos vários pontos do país.
                                                                                                Lagoa de Óbidos 
Hospital Termal 

Jardim D. Carlos

Gastronomia :  

        O concelho de Caldas da Rainha dispõe de uma gastronomia variada e rica, sendo de se destacar os bivalves, as enguias, os choquinhos, os robalos e os linguados da Lagoa, acompanhados com deliciosos vinhos brancos aromáticos das encostas de Alvorninha. Na doçaria, o realce vai para as cavacas, os beijinhos, as trouxas de ovos e os queijinhos do céu.
                                                                                                                 
                                                                                                              Cavacas
Arroz de Enguias 

Trouxas de Ovos 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho da Nazaré

Brasão de Nazaré

Localização

        O concelho da Nazaré está integrado no distrito de Leiria, ocupando uma área de 80,5 km2, distribuída por três freguesias, duas das quais com sede em vila: Nazaré e Valado dos Frades. O concelho faz fronteira com Alcobaça, quase em toda a sua extensão apenas com a excepção do lado poente, delimitado pela costa atlântica. O concelho caracteriza-se por estar integrado numa região natural de grandes contrastes, entre as falésias do Sítio, as praias e os pinhais.


História

          A fundação da Nazaré está intimamente ligada com a célebre lenda de Nossa Senhora da Nazaré e a descoberta da sua imagem, uma das mais curiosas lendas do hagiológico lusitano. Conta-se que no século IV, um monge grego, Ciríaco fugira para Belém de Judá levando consigo uma imagem de Nossa Senhora da Nazaré que havia sido esculpida por S. José, na presença da mãe de Cristo e que foi posteriormente oferecida ao Mosteiro de Cauliniana, em Mérida. Quando os mouros invasores derrotaram os cristãos, na batalha de Guadalete, o rei Rodrigo fugiu para Mérida, encontrando-se então com frei Romano que não se julgando seguro, fugiu com o rei para Oeste, atingindo os dois a costa atlântica onde hoje se encontra a Pederneira. Romano trazia uma caixa de relíquias que Santo Agostinho dera ao Mosteiro de Cauliniana, enquanto que Rodrigo trazia a imagem venerada de Nossa Senhora. Segundo a tradição, chegaram ao monte de S. Bartolomeu, nas imediações da Nazaré, a 2 de Novembro de 713. Ali viveram alguns dias até que Rodrigo manifestou o desejo de viver só e frei Romano foi habitar outro monte fronteiro, o atual Sítio de Nazaré, levando consigo a imagem e as relíquias que escondeu numa lapa. A imagem de Nossa Senhora ficou então escondida nos rochedos por mais de quatro séculos até que, em 1179 alguns pastores que vagueavam pelos matos do Sítio, com os seus rebanhos, descobriram a imagem. Não tardou que a notícia se espalhasse reunindo-se ali muitos devotos que a veneravam. Em 1182, numa manhã de nevoeiro, caçava nas matas do Sítio um dos mais conhecidos cavaleiros de D. Afonso Henriques, D. Fuas Roupinho, alcaide mor de Porto de Mós. Em perseguição de um veado, seguiu até à ponta do promontório do Sítio, onde ia caindo. De súbito, vendo-se entre a vida e a morte, pediu auxílio a Nossa Senhora da Nazaré. O cavalo estancou então tão firme que parecia estar cravado na própria rocha. D. Fuas Roupinho, agradecido pela intervenção da Virgem, mandou chamar pedreiros de Leiria e Porto de Mós para a construção de uma capela no local, conhecida atualmente como a Ermida da Memória. Encontrou-se então a caixa de relíquias bem como uma relação da atribulada viagem da imagem venerada. Com autorização régia, D. Fuas Roupinho doou os terrenos onde a capela fora construída e outros próximos. Em 1377, D. Fernando visitou a imagem em piedosa romaria, mandando construir uma igreja mais vasta e espaçosa que se inaugurou a 5 de Agosto daquele ano. D. João I, em 1383, mandou edificar alpendres para abrigo dos romeiros; D. João II e D. Manuel beneficiaram o templo e fizeram novas doações. Antes da primeira viagem para a Índia, também Vasco da Gama visitou o templo. As primeiras referências sobre a pesca na Nazaré remontam a 1645 e em 1870 já tinha um considerável desenvolvimento, existindo por volta de cinquenta e oito cabanas para a arrecadação de aparelhos de pesca. O povoado mais antigo é sem dúvida a Pederneira, cujo nome figura em vários documentos medievais e aparece em antigas cartas como "Seno Petronero"; sabendo-se, por cartas de marear do século XIV e XV, que existiam na região mais portos interiores que estavam dependentes dos coutos de Alcobaça, desde a fundação do mosteiro, sendo os abades do dito mosteiro os donatários da vila. O concelho da Nazaré foi instituído apenas em 1912, pois anteriormente a categoria municipal pertencia a Pederneira, através do foral passado por D. Manuel I, em 1514. O concelho da Pederneira foi extinto em 1855 e anexado ao de Alcobaça, havendo sido restaurado em 1898. Em 1912 passou a chamar-se concelho da Nazaré, passando a Pederneira a constituir um lugar da freguesia sede.

Bandeira de Nazaré

Heráldica

Brasão: de verde, com uma torre coberta e rematada por uma cruz, tudo de prata, aberta e iluminada de vermelho, assente num cômoro de sua cor, realçado de negro e de verde, cortado por três faixas ondadas, duas de prata e uma de verde, na qual assentam dois golfinhos afrontados de ouro, realçados de negro, com as caudas levantadas, acompanhando a torre. Coroa de mural de prata de quatro torres. Listel branco com a palavra «Nazaré», a negro.

Bandeira: esquartelada de amarelo e vermelho. Cordões e borlas de vermelho e prata.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal da Nazaré».

Cultura e Turismo

       Integrado numa belíssima região natural, o concelho de Nazaré tornou-se um importante pólo turístico quer pelos seus conjuntos históricos e patrimoniais, quer pelas suas praias e beleza natural. A praia de Nazaré encontra-se entre Alcobaça e Caldas da Rainha, sendo conhecida pelas suas famosas barracas de cores vivas. A ligação entre a praia e o Sítio faz-se através do Ascensor da Nazaré que permite a ligação entre as duas localidades. Este meio de trasporte foi construído em 1889 com o intuito de servir a população do Sítio e da Nazaré. Atualmente o "elevador" é visitado por milhares de pessoas tanto pela curiosidade quer pela fantástica vista que oferece. Entre as Povoações de Valado dos Frades e Fanhais (lugar da freguesia da Nazaré) encontra-se a Duna da Aguieira, a maior duna estabilizada da Europa, com cerca de 154 metros de altitude. São várias as unidades museológicas que podem ser visitadas neste concelho- O Museu de Arte Sacra Padre Luís Nesi, inaugurado a 7 de Julho de 1996, onde se encontram expostos objetos de prata, estatuetas, documentos históricos e paramentaria provenientes de ofertas a Nossa Senhora da Nazaré; o Museu Etnográfico Dr. Joaquim Manso, de carácter regional, possui várias coleções que abrangem desde a etnografia, a arqueologia, pintura, escultura, entre outros. No entanto, este museu é especialmente vocacionado à etnografia marítima possuindo exposições de vários tipos de embarcações de pesca artesanal da Nazaré e de trajes tradicionais. Os trajes típicos de Nazaré são uma das imagens de marca deste concelho. Os trajes femininos caracterizam-se pelas cores vivas das blusas de manga curta com renda, as chinelas, as típicas sete saias rodadas (por serem sete os dias da semana, sete as cores do arco-íris, e pelas várias lendas, tradições e ações bíblicas relacionadas com o número sete), o avental de seda bordado, o lenço sobre a cabeça e o chapéu preto com a borla do lado direito. Já no traje masculino, o homem encontra-se geralmente descalço, ceroulas de escocês apertadas nos tornozelos, calças seguras por uma faixa preta enrolada seis vezes à cintura, camisa de xadrez e barrete preto na cabeça.As touradas foram desde sempre um espetáculo bastante cultivado pelos nazarenos, o que se deverá essencialmente a dois factores. O primeiro de características geográficas, dada a proximidade com a sub-região do Ribatejo, o segundo de carácter histórico, pois associado a Nossa Senhora de Nazaré e aos círios estavam sempre grandes fidalgos que vinham assistir às touradas. Inicialmente, as touradas eram realizadas no terreiro em frente ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, com o passar dos tempos, o local onde eram realizadas as touradas foi mudando. Noutros tempos a programação das touradas era anunciada por um grupo de cavaleiros trajados a rigor com trombetas e tambores que anunciavam o espetáculo, atualmente  a principal tourada que se realiza na Nazaré é a 8 de Setembro, dia de Nossa Senhora de Nazaré. Ao nível de infraestruturadas culturais, um especial destaque para o teatro Chaby Pinheiro, inaugurado a 14 de Fevereiro de 1926, um teatro romântico do tipo italiano e cujo salão nobre é utilizado para exposições; para o Centro Cultural da Nazaré onde se podem encontrar várias exposições de pintura, traje e objetos de arte antiga e para as Bibliotecas Calouste Gulbenkian e a Biblioteca Municipal da Nazaré.



Gastronomia

            A sopa de peixe, a caldeira à nazarena, os carapaus enjoados, os carapaus secos, a massa da peixe, o arroz de marisco, as sardinhas assadas, a espetada de tamboril, o cherne, o robalo, o sargo grelhado, a santola e a lagosta fazem parte dos tradicionais pratos da gastronomia nazarena. Na doçaria, destacam-se os támares e os nazarenos.



domingo, 24 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Alcobaça

Brasão de Alcobaça

Localização

            Concelho do distrito de Leiria, Alcobaça ocupa uma área de 417 km 2, sendo constituído por dezoito freguesias, oito das quais constituem vilas (Alfeizerão, Aljubarrota (Prazeres), Aljubarrota (S. Vicente), Benedita, Cela, Pataias, S. Martinho do Porto e Turquel) e a cidade de Alcobaça, é limitado a norte pelo município da Marinha Grande, a leste por Leiria, Porto de Mós e Rio Maior, a sudoeste pelas Caldas da Rainha e a oeste envolve por completo a Nazaré e tem dois troços de costa no Oceano Atlântico. Encontra-se inserido na região da Estremadura entre a serra de Candeeiros e a costa atlântica. É banhada pelos rios Alcoa e Baça, nomes de cuja aglutinação a tradição faz derivar o seu nome – o que está longe de ser consensual. Foi elevada a cidade em 1995.


História

          O topónimo principal do concelho, "Alcobaça" parece ser de origem arábica, à semelhança do que acontece em muitos outros topónimos deste concelho. De facto, segundo Frei João de Sousa "Alcobaxa, vila acastelada. Significa os carneiros. Foi assim designada pelos muitos outeiros que a cercam". Pinho Leal, sustenta a mesma opinião ao afirmar que o nome desta vila "é composto do artigo al e de cobaxa (carneiros), isto é al-cobaxa, os carneiros". Outros autores defendem ainda que o topónimo "Alcobaça" resultou da junção do nome dos dois rios que atravessam o concelho: "Alcoa" e "Baça". No entanto, de acordo com Manuel Vieira Natividade, o topónimo é de origem mais recuada, remontando aos tempos de dominação romana, povo que aqui fundou a povoação de "Helcobatiae", estando aí a origem do topónimo e do povoado. O povoamento do território que corresponde ao atual concelho de Alcobaça é bastante remoto e certamente anterior à fundação da nacionalidade. Este facto é comprovado através da arqueologia que nos dá notícia de civilizações romanas e pré-romanas em vários pontos do concelho, nomeadamente nos arredores da cidade de Alcobaça, onde foi descoberta uma inscrição relativa a Minerva, caso singular na arqueologia portuguesa. A ocupação romana pode ser comprovada através dos vestígios encontrados na estação arqueológica de Parreitas, localizada na freguesia do Bárrio. Posteriormente, esta povoação foi habitada por uma colónia árabe que aí construiu um castelo.O concelho de Alcobaça está historicamente ligado à abadia cisterciense que influenciou de modo decisivo o povoamento e desenvolvimento desta região. Ligada a fundação do Mosteiro de Alcobaça está a célebre promessa que D. Afonso Henriques fizera ao passar a serra de Albardos para o assalto a Santarém em que se tivesse êxito doaria à Ordem de Cister, na pessoa de S. Bernardo, todo o território que dali se avistava até ao mar. No entanto, a verdade histórica parece ser outra: a fundação da famosa abadia parece ser resultado da política religiosa de D. Afonso Henriques, por intermédio dos grandes eclesiásticos portugueses do tempo. Assim, a 8 de Abril de 1153, D. Afonso Henriques outorga a carta de fundação de Alcobaça à Ordem de Cister, através da Abadia de Claraval. Em Maio de 1157, D. Afonso Henriques privilegiou o Mosteiro com uma carta de couto, privilégio esse que viria a ser confirmado, mais tarde, por vários monarcas. Ao longo da primeira dinastia, os vários reis foram concedendo cada vez mais privilégios, o que se traduzia na posse de um vasto território que abrangia na sua área treze coutos: Aljubarrota, Coz, Maiorga, Évora de Alcobaça, Turquel, Alvorninha, Pederneira, Cela, Alfeizerão, S. Martinho do Porto, Santa Catarina, Paredes e Alcobaça. É possível que algumas destas antigas vilas devam o seu nascimento aos aforamentos operados pela abadia, no entanto, na maior parte dos casos o aforamento fazia-se para promover o desenvolvimento da agricultura e para regular os direitos e deveres de vassalos e senhorio. O Mosteiro de Alcobaça gozou também de grande importância militar, pois uma Lei de D. Duarte ordenou que existissem nos coutos do mosteiro vinte e oito besteiros. O Mosteiro permaneceu donatário destas terras até finais do Antigo Regime, sendo que em 1834, com a extinção das ordens religiosas, o Mosteiro foi vendido em hasta pública e das treze vilas (concelhos) que lhe pertenciam, apenas Alcobaça permaneceu como sede de concelho. Um outro importante facto histórico relativo ao concelho de Alcobaça diz respeito a uma das vilas que o compõem. Trata-se da batalha de Aljubarrota. Esta batalha teve lugar a cerca de 12 quilómetros para Norte da povoação de Aljubarrota, onde se deu o encontro entre os exércitos português e castelhano, no dia 14 de Agosto de 1385 que marcou de forma decisiva a guerra luso-castelhana de 1384-1397. A esta batalha encontra-se ligada a célebre lenda da "Padeira de Aljubarrota". Segundo a tradição, em Aljubarrota viveu Brites de Almeida, natural de Faro e conhecida pela sua bravura e valentia, originária de uma família pobre e humilde. Apesar da sua reputação, um soldado, encantado com a sua bravura, propôs-lhe casamento, ao que Brites impôs a condição de lutarem antes do casamento. Como resultado o soldado ficou ferido de morte e Brites viu-se obrigada a fugir para Espanha, no entanto, o barco em que seguia foi capturado por piratas e Brites foi vendida como escrava em Argel. Com a ajuda de outros dois escravos portugueses, Brites conseguiu escapar para Portugal. Ainda procurada pela justiça, Brites cortou os cabelos, disfarçou-se de homem e tornou-se almocreve. Em Aljubarrota, aceitou o trabalho como padeira e casou-se com um lavrador. A 14 de Agosto de 1385, com o decorrer da Batalha de Aljubarrota, Brites não conseguiu resistir ao apelo da sua natureza guerreira e juntou-se ao exército português que naquele dia derrotou o invasor castelhano. Segundo a tradição, ao chegar a casa, Brites encontrou no seu forno sete castelhanos escondidos. Imediatamente pegou na sua pá de padeira e matou-os logo ali. Conta a história que a célebre "Padeira" acabou os seus dias junto do seu lavrador, ficando para a história como símbolo da independência portuguesa, sendo que a sua pá foi religiosamente guardada como estandarte de Aljubarrota por muitos séculos, fazendo parte da procissão do 14 de Agosto.  O Mosteiro de Alcobaça, classificado como património da Humanidade pela UNESCO em Dezembro de 1989, é atualmente a principal referência do concelho de Alcobaça. Este grandioso edifício com um comprimento de cerca de 220 metros é formado por três corpos: a igreja; e as Alas Norte e Sul onde, respectivamente, se situavam os aposentos dos reis e da corte em visita, e as residências do Abade e dos Monges. Na Igreja encontram-se os túmulos de D. Pedro e D. Inês de Castro (também abrangidos pela classificação da UNESCO), testemunhos da trágica história de amor entre estes dois personagens da História de Portugal. A vila de Alcobaça foi agraciada com a Torre e Espada por Decreto n.º 5.664 de 10 de Maio de 1919 e foi elevada à categoria de cidade em 21 de Janeiro de 1995.

Bandeira de Alcobaça

Heráldica

Brasão: escudo de vermelho, uma torre de ouro assente num contrachefe de cinco faixetas ondeadas, três de prata e duas de azul, acompanhada por dois crescentes de ouro; chefe de azul, carregado de três flores-de-lis de ouro. Coroa mural de prata de cinco torres. Colar da Ordem de Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas: «ALCOBAÇA».

Bandeira: gironada de oito peças de amarelo e azul, cordão e borlas de ouro e azul. Haste e lança de ouro.

Selo: nos termos da lei, com a legenda: «Câmara Municipal de Alcobaça».


Cultura e Turismo

             O concelho de Alcobaça, famoso pelo seu Mosteiro, considerado Património da Humanidade pela UNESCO, dispõe de várias atrações turísticas que possibilitam a prática de várias atividades  É o caso dos desportos náuticos, em S. Martinho do Porto; da pesca desportiva, nos vários cursos de água existentes no concelho; do termalismo, nas termas da Piedade (freguesia de Vestiaria); e ainda do veraneio, nas praias de S. Martinho do Porto e de Paredes da Vitória, esta última na freguesia de Pataias. O Museu Nacional do Vinho é a principal unidade museológica do concelho e aí pode-se encontrar exposições de alfaias agrícolas, máquinas e objetos ligados à vinicultura. Para além deste museu, pode-se visitar em Alcobaça o Museu Municipal, instalado na Ala Sul do Mosteiro de Alcobaça; e o Museu Agrícola da Escola Profissional de Agricultura de Cister que possui uma vasta coleção de alfaias agrícolas do século XIX. O concelho dispõe também de várias associações culturais responsáveis pela organização de variados eventos ao longo de todo o ano. Num desses eventos, o Concurso de Música Moderna, atuou pela primeira vez o grupo que se iria tornar um dos grandes fenómenos da música nacional: The Gift. Esta banda, originária de Alcobaça, formou-se em 1994, sendo composta por Sónia Tavares (Voz), Nuno Gonçalves (Teclas e programação de ritmos), John Gonçalves (baixo e samplers), Miguel Ribeiro (Guitarra e baixo) e Ricardo Braga (Bombardino). Em 1997, surgiu o primeiro trabalho discográfico, Digital Atmosphere, e um ano depois surge o álbum Vinyl, o principal êxito da banda. Os The Gift foram galardoados com vários prémios, entre os quais o de Melhor Disco Nacional do Ano de 1998 pelo Diário de Notícias; o Melhor Videoclip de 99, atribuído a "Ok! Do You Want Something Simple", na gala "TMN Videoclip do Ano 99" ; e Melhor Nacional, Melhor Single, Imagem Feminina 2000 (Sónia Tavares) e Melhor Banda em 2000, prémios atribuídos na "Gala Nova Era".
                                                                                               Museu do Vinho
Praia de S. Martinho do Porto

Gastronomia

             Da gastronomia tradicional do concelho de Alcobaça, destaca-se o frango na púcara e na doçaria, as delícias de Frei João, o pão-de-ló de Alfeizerão e o pudim de ovos do Convento de Alcobaça.
                                                                                                     Pão de ló de Alfeizerão                 

Frango na Púcara 

sábado, 23 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Porto de Mós

Brasão de Porto de Mós

Localização

         Integrado no distrito de Leiria, o concelho de Porto de Mós ocupa uma área de 264.9 km2 distribuída por treze freguesias, duas das quais com sede em vila: Juncal, Mira de Aire. Existe também a Vila de Porto de Mós, constituída por 2 freguesias sendo elas: Porto de Mós (S. João Baptista) e Porto de Mós (S. Pedro). Parte da área geográfica deste concelho está inserida no Parque Natural das Serras de Aire e dos Candeeiros, sendo dominada pelas bacias hidrográficas do Alviela e do Asseca.



História :

          O topónimo principal do concelho deriva do termo romano "Porto Molarum", sendo uma referência às mós produzidas nas margens do rio Lena e que depois eram "exportadas" por via fluvial. Por altura da atribuição do topónimo, o rio Lena era navegável, ocupando o que hoje é conhecido por Vale do Lena. O território deste concelho foi habitado desde tempos bastante remotos, tendo sido encontrados vários vestígios da passagem de várias civilizações por esta região, sendo a mais notável talvez a romana. Nos arredores de Porto de Mós, tanto na Serra como no Vale do Lena, foi localização de várias estâncias romanas, sendo de crer que o atual castelo se ergue na base de um primitivo castro. É no século XII que aparecem as primeiras referências escritas relativas a Porto de Mós. Segundo alguns autores, o castelo de Porto de Mós terá sido edificado pelos mouros, por volta do século IX, que o utilizavam como abrigo e terá sido conquistado por D. Afonso Henriques, em 1148. No entanto, esta indicação não parece corresponder à verdade, sendo que a conquista de Porto de Mós deverá ter ocorrido entre a terceira reconquista de Leiria, em 1140 e a conquista de Lisboa em 1147. Isto no caso de efetivamente ter existido uma conquista e não estar já o castelo abandonado e refugiada a sua guarnição em Santarém, Sintra ou Lisboa. De resto, todas as memórias que se referem a Porto de Mós em inícios da Nacionalidade, estão rodeados em várias lendas, em volta do célebre D. Fuas Roupinho, o primeiro alcaide-mor da vila. D. Sancho I mandou reedificar o castelo, ampliando-o e a 24 de Julho de 1305, Porto de Mós recebeu foral de D. Dinis, posteriormente renovado por D. Manuel I a 18 de Fevereiro de 1515. O senhorio de Porto de Mós foi dado por D. João I a Nuno Álvares e deste passou para os Duques de Bragança. No século XV o castelo foi completamente reformado pelo Conde de Ourém que o transformou num paço solarengo. A vila e concelho era constituída pelas freguesias de Porto de Mós (S. João Baptista) (Colegiada e priorado de apresentação da Casa de Bragança e depois do padroado real); Porto de Mós (S. Pedro), também da mesma apresentação e da mesma colegiada; e Nossa Senhora dos Murtinhos (vigairaria da apresentação da Mitra e comenda da Ordem de Cristo). Em 1840 esta última foi anexada à freguesia de Porto de Mós (S. João Baptista), sendo que atualmente o concelho conta com treze freguesias.

Bandeira de Porto de Mós

Heráldica

Brasão: de vermelho, com um castelo de prata, realçado de negro aberto do campo. As torres laterais são rematadas cada uma por uma árvore de verde troncada de negro. O castelo é acompanhado em chefe por duas estrelas de prata de oito raios. Em contrachefe duas mós de prata abertas do campo, sustendo dois guarda-rios, também de prata, realçados de negro. No pé do escudo tem três parras de ouro, coroa mural de prata de quatro torres. No listel branco com os dizeres a negro «Vila de Porto de Mós».

Bandeira: esquartelada de branco e vermelho; cordões e borlas de prata e de vermelho; haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de circular concêntrica, os dizeres «Câmara Municipal de Porto de Mós».


Cultura e Turismo

           Integrado na Rota do Sol, da Sub-Região de Turismo Leiria-Fátima, o concelho de Porto de Mós está integrado num importante eixo de monumentos e locais de Interesse Turístico. O ex-librís desta vila é sem dúvida o seu castelo, construído com objectivos essencialmente militares e que viria a adquirir, com o passar dos tempos, uma arquitetura mais palaciana, tornando-se uma espécie de fortaleza-solar. O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, bem como as Grutas de Alvados, Santo António e Mira de Aire, constituem os pontos turísticos mais interessantes do concelho.

                                                                                                                   Grutas de Alvados
Castelo de Porto de Mós


Grutas de Santo António 
                                    
                                                                                                 Grutas de Mira D'Aire

Gastronomia :     

            Da gastronomia tradicional do concelho de Porto de Mós, são de se destacar a caldeirada; as morcelas e a cacholada.

                                                                                                        Morcela de Arroz 
Morcela de Arroz        Cabrito do Arrimal
         Cabrito do Arrimal