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segunda-feira, 25 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho da Nazaré

Brasão de Nazaré

Localização

        O concelho da Nazaré está integrado no distrito de Leiria, ocupando uma área de 80,5 km2, distribuída por três freguesias, duas das quais com sede em vila: Nazaré e Valado dos Frades. O concelho faz fronteira com Alcobaça, quase em toda a sua extensão apenas com a excepção do lado poente, delimitado pela costa atlântica. O concelho caracteriza-se por estar integrado numa região natural de grandes contrastes, entre as falésias do Sítio, as praias e os pinhais.


História

          A fundação da Nazaré está intimamente ligada com a célebre lenda de Nossa Senhora da Nazaré e a descoberta da sua imagem, uma das mais curiosas lendas do hagiológico lusitano. Conta-se que no século IV, um monge grego, Ciríaco fugira para Belém de Judá levando consigo uma imagem de Nossa Senhora da Nazaré que havia sido esculpida por S. José, na presença da mãe de Cristo e que foi posteriormente oferecida ao Mosteiro de Cauliniana, em Mérida. Quando os mouros invasores derrotaram os cristãos, na batalha de Guadalete, o rei Rodrigo fugiu para Mérida, encontrando-se então com frei Romano que não se julgando seguro, fugiu com o rei para Oeste, atingindo os dois a costa atlântica onde hoje se encontra a Pederneira. Romano trazia uma caixa de relíquias que Santo Agostinho dera ao Mosteiro de Cauliniana, enquanto que Rodrigo trazia a imagem venerada de Nossa Senhora. Segundo a tradição, chegaram ao monte de S. Bartolomeu, nas imediações da Nazaré, a 2 de Novembro de 713. Ali viveram alguns dias até que Rodrigo manifestou o desejo de viver só e frei Romano foi habitar outro monte fronteiro, o atual Sítio de Nazaré, levando consigo a imagem e as relíquias que escondeu numa lapa. A imagem de Nossa Senhora ficou então escondida nos rochedos por mais de quatro séculos até que, em 1179 alguns pastores que vagueavam pelos matos do Sítio, com os seus rebanhos, descobriram a imagem. Não tardou que a notícia se espalhasse reunindo-se ali muitos devotos que a veneravam. Em 1182, numa manhã de nevoeiro, caçava nas matas do Sítio um dos mais conhecidos cavaleiros de D. Afonso Henriques, D. Fuas Roupinho, alcaide mor de Porto de Mós. Em perseguição de um veado, seguiu até à ponta do promontório do Sítio, onde ia caindo. De súbito, vendo-se entre a vida e a morte, pediu auxílio a Nossa Senhora da Nazaré. O cavalo estancou então tão firme que parecia estar cravado na própria rocha. D. Fuas Roupinho, agradecido pela intervenção da Virgem, mandou chamar pedreiros de Leiria e Porto de Mós para a construção de uma capela no local, conhecida atualmente como a Ermida da Memória. Encontrou-se então a caixa de relíquias bem como uma relação da atribulada viagem da imagem venerada. Com autorização régia, D. Fuas Roupinho doou os terrenos onde a capela fora construída e outros próximos. Em 1377, D. Fernando visitou a imagem em piedosa romaria, mandando construir uma igreja mais vasta e espaçosa que se inaugurou a 5 de Agosto daquele ano. D. João I, em 1383, mandou edificar alpendres para abrigo dos romeiros; D. João II e D. Manuel beneficiaram o templo e fizeram novas doações. Antes da primeira viagem para a Índia, também Vasco da Gama visitou o templo. As primeiras referências sobre a pesca na Nazaré remontam a 1645 e em 1870 já tinha um considerável desenvolvimento, existindo por volta de cinquenta e oito cabanas para a arrecadação de aparelhos de pesca. O povoado mais antigo é sem dúvida a Pederneira, cujo nome figura em vários documentos medievais e aparece em antigas cartas como "Seno Petronero"; sabendo-se, por cartas de marear do século XIV e XV, que existiam na região mais portos interiores que estavam dependentes dos coutos de Alcobaça, desde a fundação do mosteiro, sendo os abades do dito mosteiro os donatários da vila. O concelho da Nazaré foi instituído apenas em 1912, pois anteriormente a categoria municipal pertencia a Pederneira, através do foral passado por D. Manuel I, em 1514. O concelho da Pederneira foi extinto em 1855 e anexado ao de Alcobaça, havendo sido restaurado em 1898. Em 1912 passou a chamar-se concelho da Nazaré, passando a Pederneira a constituir um lugar da freguesia sede.

Bandeira de Nazaré

Heráldica

Brasão: de verde, com uma torre coberta e rematada por uma cruz, tudo de prata, aberta e iluminada de vermelho, assente num cômoro de sua cor, realçado de negro e de verde, cortado por três faixas ondadas, duas de prata e uma de verde, na qual assentam dois golfinhos afrontados de ouro, realçados de negro, com as caudas levantadas, acompanhando a torre. Coroa de mural de prata de quatro torres. Listel branco com a palavra «Nazaré», a negro.

Bandeira: esquartelada de amarelo e vermelho. Cordões e borlas de vermelho e prata.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal da Nazaré».

Cultura e Turismo

       Integrado numa belíssima região natural, o concelho de Nazaré tornou-se um importante pólo turístico quer pelos seus conjuntos históricos e patrimoniais, quer pelas suas praias e beleza natural. A praia de Nazaré encontra-se entre Alcobaça e Caldas da Rainha, sendo conhecida pelas suas famosas barracas de cores vivas. A ligação entre a praia e o Sítio faz-se através do Ascensor da Nazaré que permite a ligação entre as duas localidades. Este meio de trasporte foi construído em 1889 com o intuito de servir a população do Sítio e da Nazaré. Atualmente o "elevador" é visitado por milhares de pessoas tanto pela curiosidade quer pela fantástica vista que oferece. Entre as Povoações de Valado dos Frades e Fanhais (lugar da freguesia da Nazaré) encontra-se a Duna da Aguieira, a maior duna estabilizada da Europa, com cerca de 154 metros de altitude. São várias as unidades museológicas que podem ser visitadas neste concelho- O Museu de Arte Sacra Padre Luís Nesi, inaugurado a 7 de Julho de 1996, onde se encontram expostos objetos de prata, estatuetas, documentos históricos e paramentaria provenientes de ofertas a Nossa Senhora da Nazaré; o Museu Etnográfico Dr. Joaquim Manso, de carácter regional, possui várias coleções que abrangem desde a etnografia, a arqueologia, pintura, escultura, entre outros. No entanto, este museu é especialmente vocacionado à etnografia marítima possuindo exposições de vários tipos de embarcações de pesca artesanal da Nazaré e de trajes tradicionais. Os trajes típicos de Nazaré são uma das imagens de marca deste concelho. Os trajes femininos caracterizam-se pelas cores vivas das blusas de manga curta com renda, as chinelas, as típicas sete saias rodadas (por serem sete os dias da semana, sete as cores do arco-íris, e pelas várias lendas, tradições e ações bíblicas relacionadas com o número sete), o avental de seda bordado, o lenço sobre a cabeça e o chapéu preto com a borla do lado direito. Já no traje masculino, o homem encontra-se geralmente descalço, ceroulas de escocês apertadas nos tornozelos, calças seguras por uma faixa preta enrolada seis vezes à cintura, camisa de xadrez e barrete preto na cabeça.As touradas foram desde sempre um espetáculo bastante cultivado pelos nazarenos, o que se deverá essencialmente a dois factores. O primeiro de características geográficas, dada a proximidade com a sub-região do Ribatejo, o segundo de carácter histórico, pois associado a Nossa Senhora de Nazaré e aos círios estavam sempre grandes fidalgos que vinham assistir às touradas. Inicialmente, as touradas eram realizadas no terreiro em frente ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, com o passar dos tempos, o local onde eram realizadas as touradas foi mudando. Noutros tempos a programação das touradas era anunciada por um grupo de cavaleiros trajados a rigor com trombetas e tambores que anunciavam o espetáculo, atualmente  a principal tourada que se realiza na Nazaré é a 8 de Setembro, dia de Nossa Senhora de Nazaré. Ao nível de infraestruturadas culturais, um especial destaque para o teatro Chaby Pinheiro, inaugurado a 14 de Fevereiro de 1926, um teatro romântico do tipo italiano e cujo salão nobre é utilizado para exposições; para o Centro Cultural da Nazaré onde se podem encontrar várias exposições de pintura, traje e objetos de arte antiga e para as Bibliotecas Calouste Gulbenkian e a Biblioteca Municipal da Nazaré.



Gastronomia

            A sopa de peixe, a caldeira à nazarena, os carapaus enjoados, os carapaus secos, a massa da peixe, o arroz de marisco, as sardinhas assadas, a espetada de tamboril, o cherne, o robalo, o sargo grelhado, a santola e a lagosta fazem parte dos tradicionais pratos da gastronomia nazarena. Na doçaria, destacam-se os támares e os nazarenos.



domingo, 24 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Alcobaça

Brasão de Alcobaça

Localização

            Concelho do distrito de Leiria, Alcobaça ocupa uma área de 417 km 2, sendo constituído por dezoito freguesias, oito das quais constituem vilas (Alfeizerão, Aljubarrota (Prazeres), Aljubarrota (S. Vicente), Benedita, Cela, Pataias, S. Martinho do Porto e Turquel) e a cidade de Alcobaça, é limitado a norte pelo município da Marinha Grande, a leste por Leiria, Porto de Mós e Rio Maior, a sudoeste pelas Caldas da Rainha e a oeste envolve por completo a Nazaré e tem dois troços de costa no Oceano Atlântico. Encontra-se inserido na região da Estremadura entre a serra de Candeeiros e a costa atlântica. É banhada pelos rios Alcoa e Baça, nomes de cuja aglutinação a tradição faz derivar o seu nome – o que está longe de ser consensual. Foi elevada a cidade em 1995.


História

          O topónimo principal do concelho, "Alcobaça" parece ser de origem arábica, à semelhança do que acontece em muitos outros topónimos deste concelho. De facto, segundo Frei João de Sousa "Alcobaxa, vila acastelada. Significa os carneiros. Foi assim designada pelos muitos outeiros que a cercam". Pinho Leal, sustenta a mesma opinião ao afirmar que o nome desta vila "é composto do artigo al e de cobaxa (carneiros), isto é al-cobaxa, os carneiros". Outros autores defendem ainda que o topónimo "Alcobaça" resultou da junção do nome dos dois rios que atravessam o concelho: "Alcoa" e "Baça". No entanto, de acordo com Manuel Vieira Natividade, o topónimo é de origem mais recuada, remontando aos tempos de dominação romana, povo que aqui fundou a povoação de "Helcobatiae", estando aí a origem do topónimo e do povoado. O povoamento do território que corresponde ao atual concelho de Alcobaça é bastante remoto e certamente anterior à fundação da nacionalidade. Este facto é comprovado através da arqueologia que nos dá notícia de civilizações romanas e pré-romanas em vários pontos do concelho, nomeadamente nos arredores da cidade de Alcobaça, onde foi descoberta uma inscrição relativa a Minerva, caso singular na arqueologia portuguesa. A ocupação romana pode ser comprovada através dos vestígios encontrados na estação arqueológica de Parreitas, localizada na freguesia do Bárrio. Posteriormente, esta povoação foi habitada por uma colónia árabe que aí construiu um castelo.O concelho de Alcobaça está historicamente ligado à abadia cisterciense que influenciou de modo decisivo o povoamento e desenvolvimento desta região. Ligada a fundação do Mosteiro de Alcobaça está a célebre promessa que D. Afonso Henriques fizera ao passar a serra de Albardos para o assalto a Santarém em que se tivesse êxito doaria à Ordem de Cister, na pessoa de S. Bernardo, todo o território que dali se avistava até ao mar. No entanto, a verdade histórica parece ser outra: a fundação da famosa abadia parece ser resultado da política religiosa de D. Afonso Henriques, por intermédio dos grandes eclesiásticos portugueses do tempo. Assim, a 8 de Abril de 1153, D. Afonso Henriques outorga a carta de fundação de Alcobaça à Ordem de Cister, através da Abadia de Claraval. Em Maio de 1157, D. Afonso Henriques privilegiou o Mosteiro com uma carta de couto, privilégio esse que viria a ser confirmado, mais tarde, por vários monarcas. Ao longo da primeira dinastia, os vários reis foram concedendo cada vez mais privilégios, o que se traduzia na posse de um vasto território que abrangia na sua área treze coutos: Aljubarrota, Coz, Maiorga, Évora de Alcobaça, Turquel, Alvorninha, Pederneira, Cela, Alfeizerão, S. Martinho do Porto, Santa Catarina, Paredes e Alcobaça. É possível que algumas destas antigas vilas devam o seu nascimento aos aforamentos operados pela abadia, no entanto, na maior parte dos casos o aforamento fazia-se para promover o desenvolvimento da agricultura e para regular os direitos e deveres de vassalos e senhorio. O Mosteiro de Alcobaça gozou também de grande importância militar, pois uma Lei de D. Duarte ordenou que existissem nos coutos do mosteiro vinte e oito besteiros. O Mosteiro permaneceu donatário destas terras até finais do Antigo Regime, sendo que em 1834, com a extinção das ordens religiosas, o Mosteiro foi vendido em hasta pública e das treze vilas (concelhos) que lhe pertenciam, apenas Alcobaça permaneceu como sede de concelho. Um outro importante facto histórico relativo ao concelho de Alcobaça diz respeito a uma das vilas que o compõem. Trata-se da batalha de Aljubarrota. Esta batalha teve lugar a cerca de 12 quilómetros para Norte da povoação de Aljubarrota, onde se deu o encontro entre os exércitos português e castelhano, no dia 14 de Agosto de 1385 que marcou de forma decisiva a guerra luso-castelhana de 1384-1397. A esta batalha encontra-se ligada a célebre lenda da "Padeira de Aljubarrota". Segundo a tradição, em Aljubarrota viveu Brites de Almeida, natural de Faro e conhecida pela sua bravura e valentia, originária de uma família pobre e humilde. Apesar da sua reputação, um soldado, encantado com a sua bravura, propôs-lhe casamento, ao que Brites impôs a condição de lutarem antes do casamento. Como resultado o soldado ficou ferido de morte e Brites viu-se obrigada a fugir para Espanha, no entanto, o barco em que seguia foi capturado por piratas e Brites foi vendida como escrava em Argel. Com a ajuda de outros dois escravos portugueses, Brites conseguiu escapar para Portugal. Ainda procurada pela justiça, Brites cortou os cabelos, disfarçou-se de homem e tornou-se almocreve. Em Aljubarrota, aceitou o trabalho como padeira e casou-se com um lavrador. A 14 de Agosto de 1385, com o decorrer da Batalha de Aljubarrota, Brites não conseguiu resistir ao apelo da sua natureza guerreira e juntou-se ao exército português que naquele dia derrotou o invasor castelhano. Segundo a tradição, ao chegar a casa, Brites encontrou no seu forno sete castelhanos escondidos. Imediatamente pegou na sua pá de padeira e matou-os logo ali. Conta a história que a célebre "Padeira" acabou os seus dias junto do seu lavrador, ficando para a história como símbolo da independência portuguesa, sendo que a sua pá foi religiosamente guardada como estandarte de Aljubarrota por muitos séculos, fazendo parte da procissão do 14 de Agosto.  O Mosteiro de Alcobaça, classificado como património da Humanidade pela UNESCO em Dezembro de 1989, é atualmente a principal referência do concelho de Alcobaça. Este grandioso edifício com um comprimento de cerca de 220 metros é formado por três corpos: a igreja; e as Alas Norte e Sul onde, respectivamente, se situavam os aposentos dos reis e da corte em visita, e as residências do Abade e dos Monges. Na Igreja encontram-se os túmulos de D. Pedro e D. Inês de Castro (também abrangidos pela classificação da UNESCO), testemunhos da trágica história de amor entre estes dois personagens da História de Portugal. A vila de Alcobaça foi agraciada com a Torre e Espada por Decreto n.º 5.664 de 10 de Maio de 1919 e foi elevada à categoria de cidade em 21 de Janeiro de 1995.

Bandeira de Alcobaça

Heráldica

Brasão: escudo de vermelho, uma torre de ouro assente num contrachefe de cinco faixetas ondeadas, três de prata e duas de azul, acompanhada por dois crescentes de ouro; chefe de azul, carregado de três flores-de-lis de ouro. Coroa mural de prata de cinco torres. Colar da Ordem de Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas: «ALCOBAÇA».

Bandeira: gironada de oito peças de amarelo e azul, cordão e borlas de ouro e azul. Haste e lança de ouro.

Selo: nos termos da lei, com a legenda: «Câmara Municipal de Alcobaça».


Cultura e Turismo

             O concelho de Alcobaça, famoso pelo seu Mosteiro, considerado Património da Humanidade pela UNESCO, dispõe de várias atrações turísticas que possibilitam a prática de várias atividades  É o caso dos desportos náuticos, em S. Martinho do Porto; da pesca desportiva, nos vários cursos de água existentes no concelho; do termalismo, nas termas da Piedade (freguesia de Vestiaria); e ainda do veraneio, nas praias de S. Martinho do Porto e de Paredes da Vitória, esta última na freguesia de Pataias. O Museu Nacional do Vinho é a principal unidade museológica do concelho e aí pode-se encontrar exposições de alfaias agrícolas, máquinas e objetos ligados à vinicultura. Para além deste museu, pode-se visitar em Alcobaça o Museu Municipal, instalado na Ala Sul do Mosteiro de Alcobaça; e o Museu Agrícola da Escola Profissional de Agricultura de Cister que possui uma vasta coleção de alfaias agrícolas do século XIX. O concelho dispõe também de várias associações culturais responsáveis pela organização de variados eventos ao longo de todo o ano. Num desses eventos, o Concurso de Música Moderna, atuou pela primeira vez o grupo que se iria tornar um dos grandes fenómenos da música nacional: The Gift. Esta banda, originária de Alcobaça, formou-se em 1994, sendo composta por Sónia Tavares (Voz), Nuno Gonçalves (Teclas e programação de ritmos), John Gonçalves (baixo e samplers), Miguel Ribeiro (Guitarra e baixo) e Ricardo Braga (Bombardino). Em 1997, surgiu o primeiro trabalho discográfico, Digital Atmosphere, e um ano depois surge o álbum Vinyl, o principal êxito da banda. Os The Gift foram galardoados com vários prémios, entre os quais o de Melhor Disco Nacional do Ano de 1998 pelo Diário de Notícias; o Melhor Videoclip de 99, atribuído a "Ok! Do You Want Something Simple", na gala "TMN Videoclip do Ano 99" ; e Melhor Nacional, Melhor Single, Imagem Feminina 2000 (Sónia Tavares) e Melhor Banda em 2000, prémios atribuídos na "Gala Nova Era".
                                                                                               Museu do Vinho
Praia de S. Martinho do Porto

Gastronomia

             Da gastronomia tradicional do concelho de Alcobaça, destaca-se o frango na púcara e na doçaria, as delícias de Frei João, o pão-de-ló de Alfeizerão e o pudim de ovos do Convento de Alcobaça.
                                                                                                     Pão de ló de Alfeizerão                 

Frango na Púcara 

sábado, 23 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Porto de Mós

Brasão de Porto de Mós

Localização

         Integrado no distrito de Leiria, o concelho de Porto de Mós ocupa uma área de 264.9 km2 distribuída por treze freguesias, duas das quais com sede em vila: Juncal, Mira de Aire. Existe também a Vila de Porto de Mós, constituída por 2 freguesias sendo elas: Porto de Mós (S. João Baptista) e Porto de Mós (S. Pedro). Parte da área geográfica deste concelho está inserida no Parque Natural das Serras de Aire e dos Candeeiros, sendo dominada pelas bacias hidrográficas do Alviela e do Asseca.



História :

          O topónimo principal do concelho deriva do termo romano "Porto Molarum", sendo uma referência às mós produzidas nas margens do rio Lena e que depois eram "exportadas" por via fluvial. Por altura da atribuição do topónimo, o rio Lena era navegável, ocupando o que hoje é conhecido por Vale do Lena. O território deste concelho foi habitado desde tempos bastante remotos, tendo sido encontrados vários vestígios da passagem de várias civilizações por esta região, sendo a mais notável talvez a romana. Nos arredores de Porto de Mós, tanto na Serra como no Vale do Lena, foi localização de várias estâncias romanas, sendo de crer que o atual castelo se ergue na base de um primitivo castro. É no século XII que aparecem as primeiras referências escritas relativas a Porto de Mós. Segundo alguns autores, o castelo de Porto de Mós terá sido edificado pelos mouros, por volta do século IX, que o utilizavam como abrigo e terá sido conquistado por D. Afonso Henriques, em 1148. No entanto, esta indicação não parece corresponder à verdade, sendo que a conquista de Porto de Mós deverá ter ocorrido entre a terceira reconquista de Leiria, em 1140 e a conquista de Lisboa em 1147. Isto no caso de efetivamente ter existido uma conquista e não estar já o castelo abandonado e refugiada a sua guarnição em Santarém, Sintra ou Lisboa. De resto, todas as memórias que se referem a Porto de Mós em inícios da Nacionalidade, estão rodeados em várias lendas, em volta do célebre D. Fuas Roupinho, o primeiro alcaide-mor da vila. D. Sancho I mandou reedificar o castelo, ampliando-o e a 24 de Julho de 1305, Porto de Mós recebeu foral de D. Dinis, posteriormente renovado por D. Manuel I a 18 de Fevereiro de 1515. O senhorio de Porto de Mós foi dado por D. João I a Nuno Álvares e deste passou para os Duques de Bragança. No século XV o castelo foi completamente reformado pelo Conde de Ourém que o transformou num paço solarengo. A vila e concelho era constituída pelas freguesias de Porto de Mós (S. João Baptista) (Colegiada e priorado de apresentação da Casa de Bragança e depois do padroado real); Porto de Mós (S. Pedro), também da mesma apresentação e da mesma colegiada; e Nossa Senhora dos Murtinhos (vigairaria da apresentação da Mitra e comenda da Ordem de Cristo). Em 1840 esta última foi anexada à freguesia de Porto de Mós (S. João Baptista), sendo que atualmente o concelho conta com treze freguesias.

Bandeira de Porto de Mós

Heráldica

Brasão: de vermelho, com um castelo de prata, realçado de negro aberto do campo. As torres laterais são rematadas cada uma por uma árvore de verde troncada de negro. O castelo é acompanhado em chefe por duas estrelas de prata de oito raios. Em contrachefe duas mós de prata abertas do campo, sustendo dois guarda-rios, também de prata, realçados de negro. No pé do escudo tem três parras de ouro, coroa mural de prata de quatro torres. No listel branco com os dizeres a negro «Vila de Porto de Mós».

Bandeira: esquartelada de branco e vermelho; cordões e borlas de prata e de vermelho; haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de circular concêntrica, os dizeres «Câmara Municipal de Porto de Mós».


Cultura e Turismo

           Integrado na Rota do Sol, da Sub-Região de Turismo Leiria-Fátima, o concelho de Porto de Mós está integrado num importante eixo de monumentos e locais de Interesse Turístico. O ex-librís desta vila é sem dúvida o seu castelo, construído com objectivos essencialmente militares e que viria a adquirir, com o passar dos tempos, uma arquitetura mais palaciana, tornando-se uma espécie de fortaleza-solar. O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, bem como as Grutas de Alvados, Santo António e Mira de Aire, constituem os pontos turísticos mais interessantes do concelho.

                                                                                                                   Grutas de Alvados
Castelo de Porto de Mós


Grutas de Santo António 
                                    
                                                                                                 Grutas de Mira D'Aire

Gastronomia :     

            Da gastronomia tradicional do concelho de Porto de Mós, são de se destacar a caldeirada; as morcelas e a cacholada.

                                                                                                        Morcela de Arroz 
Morcela de Arroz        Cabrito do Arrimal
         Cabrito do Arrimal                 
                       

sexta-feira, 22 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho da Batalha

Brasão de Batalha

Localização

             O concelho da Batalha está integrado administrativamente no distrito de Leiria, na região centro litoral de Portugal. Com uma área de 103.6 km2, dividida em quatro freguesias, o concelho da Batalha faz fronteira a Norte com Leiria, a Este com o concelho de Ourém e Alcanena; e a Sul com Porto de Mós. Grande parte do concelho é ocupado pela zona florestal do planalto de S. Mamede, uma área de terrenos pouco férteis para uso agrícola, composta sobretudo por pinheiros e sobreiros.
O principal curso de água da Batalha é o rio Lena que nasce na Serra d` Aire e desagua no rio Lis, próximo de Leiria. A Batalha está ainda integrada na Diocese Leiria/Fátima, faz parte dos municípios que constituem a Associação de Municípios da Alta Estremadura, a par de Leiria, Marinha Grande, Ourém, Pombal e Porto de Mós e integra a Região de Turismo Leiria/Fátima.


História

          O concelho da Batalha deve o seu nome à celebre batalha de Aljubarrota, sendo que a vila se desenvolveu em torno do mosteiro de Santa Maria da Vitória, erguido em memória da dita batalha. A cerca de 12 quilómetros para Norte da povoação de Aljubarrota, deu-se o encontro entre os exércitos português e castelhano, no dia 14 de Agosto de 1385, que marcou de forma decisiva a guerra luso-castelhana de 1384-1397. O rei de Castela, D. João I, alegando direitos de sucessão do trono português, invadiu o país contando com o auxílio de muitos fidalgos portugueses e com tropas constituídas por cerca de 22 000 homens. O mestre de Avis, D. João, aclamado rei em Coimbra quatro meses antes, tinha conseguido reunir apenas 7 000 soldados para se opor à invasão. Assim que, em inícios de Agosto, a invasão se definiu com segurança, pela Beira-Beixa, Nuno Álvares Pereira, que fora a Estremoz recolher gente para o combate, correu para Abrantes, onde o rei se encontrava. Aí se fez conselho onde Nuno Álvares expôs a necessidade de travar logo de início o invasor, em qualquer das linhas de ataque que este seguisse e tomar desde logo a iniciativa ofensiva para se opor ao adversário. Após o conselho, Nuno Álvares recolheu as suas tropas e avançou para Tomar e Porto de Mós ao mesmo tempo que os castelhanos chegavam a Leiria. A 13 de Agosto, viram os portugueses surgir das bandas de Leiria as tropas castelhanas. As tropas portuguesas, embora militarmente inferiores, conseguiram derrotar os Castelhanos graças ao excelente comando e às tácticas indicadas pelo Condestável Nuno Álvares. Durante três dias, a hoste portuguesa manteve-se no campo de Aljubarrota, em sinal de vitória, segundo o espírito cavaleiresco da época. Segundo a tradição, por ocasião de se preparar para a batalha de Aljubarrota, D. João I, Mestre de Avis, suplicou à Virgem santíssima que protegesse o seu exército e fez o voto de lhe erigir e dedicar um sumptuoso mosteiro caso lhe fosse concedida a vitória. Assim, no sentido de cumprir a sua promessa, o mestre de Avis mandou construir, a pouca distância do local de combate o convento de Santa Maria da Vitória, hoje conhecido como Mosteiro da Batalha e em torno do qual a povoação aí existente se desenvolveu. O povoamento do território que corresponde ao atual concelho de Batalha é bastante remoto, tendo sido encontrados vestígios que remontam à época de ocupação romana. De facto, segundo alguns achados arqueológicos encontrados na área, a cerca de quatro quilómetros para Norte da atual vila, é de crer que tivesse existido uma povoação romana denominada "Colipo". É um erro pensar-se que na altura da fundação do mosteiro, o local seria um ermo completo, bem pelo contrário, pois no lugar onde foi edificado e onde atualmente assenta a vila, existia uma grande "quintãa" chamada do Pinhal, junho à aldeia de Canoeira e que na altura pertencia a D. Maria Fernandes "de Meira" e a de seu filho Egas Coelho, um dos heróis de Aljubarrota. A aldeia de Canoeira constituiria pois as "fundações" daquela que viria a ser a vila da Batalha. No entanto, foi de facto a construção do mosteiro que fez desenvolver a região, tendo o povoado crescido primeiramente com a fixação dos operários que trabalhavam no mosteiro. O Mosteiro foi entregue à Ordem Dominicana logo em 1388 e esta doação prestigiou a Vila, nomeadamente ao nível dos estudos que no Mosteiro eram ministrados. O facto do Panteão de D. João I e da sua família estar neste Mosteiro deu-lhe também importância acrescida - uma tradição que se manteve até ao reinado de D. João II. Em 1498, a povoação era elevada à categoria de vila, antes mesmo de se tornar paróquia, o que só veio a acontecer em 1512, por iniciativa de D. Pedro, Bispo da Guarda. Nesse ano iniciou-se a construção da Igreja Paroquial sob a evocação da Exaltação da Santa Cruz que só veio a ser terminada durante o reinado de D. João III. O Mosteiro foi Convento dos Dominicanos até cerca de 1834, data da extinção das Ordens Religiosas em Portugal e 6 anos depois o monumento estava votado a um completo abandono. Em 1907 deu-se a sua classificação como Monumento Nacional e, em 1983 o Mosteiro passou a ser considerado Monumento do Património da Humanidade, pela UNESCO. Em 1855 a área administrativa do concelho da Batalha seria aumentada com a integração da freguesia de Reguengo do Fetal. Mais tarde, em 1895 o concelho foi extinto e anexado ao de Leiria, voltando a ser restaurado a 13 de Janeiro de 1898 e mantendo-se até à atualidade.

Bandeira de Batalha

Heráldica

Brasão: de prata, com uma cruz de S. Jorge de vermelho, firmada nos bordos, carregada pela imagem de Nossa Senhora da Vitória com um menino ao colo, vestidos de azul com mantos de prata e resplendores de ouro. A cruz acantonada por duas cruzes da Melícia de Aviz de verde e por duas cruzes do timbre de Nuno Álvares de vermelho. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres: «Vila da Batalha» de negro.

Bandeira: de vermelho. Cordões e borlas de prata e de vermelho. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres: «Câmara Municipal da Batalha».


Cultura e Turismo

O concelho da Batalha está inserido numa região turística de grandes potencialidades, onde a natureza, o património histórico e as tradições se combinam, sendo o concelho conhecido pela diversidade das atividades culturais e recreativas que desenrolam ao longo de todo o ano. O concelho dispõe de várias unidades museológicas  com especial destaque para Casa-Museu do Rancho Folclórico Rosas do Lena, que inclui a reconstituição de uma casa estremenha, do século XIX e um interessante núcleo museológico com o espólio histórico do Rancho Folclórico Rosas do Lena. Ao nível de infra-estruturas de desporto e lazer, o concelho da Batalha possui vários pavilhões e ringues gimnodesportivos, Piscinas Municipais e um Kartódromo.

                                                                                                    Pia do Urso


Pia do Urso 

Pia do Urso 

Gastronomia

            Relativamente à gastronomia do concelho, a Batalha beneficiou da presença do mosteiro que deixou fortes tradições gastronómicas, sobretudo na área da doçaria sendo de se destacar: as morcelas de arroz; os pudins da batalha, bolos de ferradura e as cavacas. Um especial destaque vai também para o bucho recheado, a canja de galinha e cabidela e para o tchadéu (fritada de porco em tacho de barro).

                                                                                                      Cabidela de Galinha
Bolos de Ferradura