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quinta-feira, 21 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho da Marinha Grande

Brasão de Marinha Grande

Localização

             O concelho de Marinha Grande encontra-se localizado no centro litoral de Portugal, no limite Norte da Estremadura, caracterizando-se pela extensa planície de chão arenoso e saibrento e abrangendo grande parte do Pinhal de Leiria, antigamente conhecido como o Pinhal do Rei. É composto por três freguesias: Marinha Grande na cidade homónima, Vieira de Leiria, com sede na vila do mesmo nome, e Moita; estendendo-se por uma área de 181.4 km2. 



História

            O território que constitui o atual concelho de Marinha Grande, depois de conquistado aos mouros, em 1142, por D. Afonso Henriques, foi inicialmente administrado pelos padres Crúzios do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, a quem D. Afonso Henriques doara em testamento, juntamente com o Castelo e todo o termo de Marinha Grande, todos os terrenos que compunham as terras que hoje pertencem aos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Porto de Mós e grande parte dos de Alcobaça, Vila Nova de Ourém (hoje Ourém) e Pombal. Essa jurisdição dos Crúzios exerceu-se até ao ano de 1309 e, por ordem do Rei D. Dinis, passou para o poder da Casa Real. Poucos dados existem sobre a origem e evolução de Marinha Grande, contudo, admite-se que eram as atividades ligadas ao Pinhal e alguma produção agrícola que ocupavam a maior parte da sua população ativa. Segundo a tradição, o povoamento efectivo do território da Marinha Grande ou Nossa Senhora do Rosário (inicialmente denominado de Marinha ou Santa Maria da Marinha) terá sido iniciado por colonos- povoadores (lavradores, carreiros, lenhadores, e serradores) recrutados pelo rei D. Dinis, que os encarregou da vigilância do Pinhal de Leiria, entre os séculos XII e XIII. Para alguns autores, a Marinha Grande terá sido fundada por alguns colonizadores que se instalaram no local, para extrair o sal das marinhas existentes na região, que eram formadas por água do mar trazida pelas marés altas através dos riachos afluentes do rio Lis, que como dizia o historiador Tito de Sousa Larcher a este respeito: "era bastante caudaloso e navegável até às portas da cidade". Até ao ano de 1600, Marinha Grande e as povoações em redor pertenceram à freguesia de S. Tiago do Arrabalde da Ponte (atual lugar da freguesia de Marrazes), de onde o povo tinha que se deslocar a pé e atravessar o rio Lis em barcos quando queriam ouvir missa, registar os nascimentos e óbitos ou tratar dos éditos para os casamentos; pelo que no final do século XVI, os moradores da Marinha Grande pediram ao bispo D. Pedro de Castilho que lhes permitisse edificar uma capela sob a égide de Nossa Senhora do Rosário, o que lhes foi concedido. Construída a capela em 1590, os moradores da povoação solicitaram depois ao bispo, licença para que ali se celebrasse missa. Ainda a pedido dos habitantes, em 1600 foi criada a paróquia de Nossa Senhora do Rosário da Marinha Grande. Em 1750, era embaixador de D. João V nas cortes inglesa e austríaca, Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido por Marquês de Pombal, que se empenhou fortemente no reforço do poder régio, diminuindo o poder de algumas casas nobres. Isto acontecia, em grande parte devido às dificuldades económicas do Reino, provocadas sobretudo pela interrupção na exploração do ouro brasileiro que obrigaram o Marquês a retomar a política de fomento industrial que havia sido iniciada com o Conde da Ericeira. Assim se compreende o interesse do Marquês de Pombal por Marinha Grande que, até meados do século XVIII, vivera exclusivamente do pinhal e pouco progredira; porém, a sua área e arredores havia ganho uma nova dinâmica devido a um acontecimento que constituiu um marco muito importante na história da sua economia e de todo o seu concelho: a transferência, em 1748, da fábrica de vidros de John Beare de Coina para a Marinha Grande, onde se encontravam as matérias-primas necessárias e o combustível abundante e barato, fornecido pelas matas inesgotáveis do Pinhal Real. Em 1769, dava-se a fundação da que se designou "Real Fábrica de Vidros", liderada inicialmente pelo inglês Guilherme Stephen, que a dotou com os mais aperfeiçoados maquinismos da época. Guilherme Stephens era proprietário dos fornos de cal de Alcântara e foi entusiasmado pelo Marquês de Pombal e pelo Ministro Francisco Xavier de Mendonça, recebendo como auxílio do Tesouro trinta e dois contos, sem juros, entre outras isenções concedidas. Após gerações e gerações de sucesso do sector vidreiro, o mesmo veio a atravessar uma fase difícil, contudo já ultrapassada, encontrando-se reativado o sector da produção de vidro e de cristal. Marinha Grande foi elevada à categoria de concelho em 1836, sendo por essa altura constituído pelas freguesias de Marinha Grande, Vieira de Leiria, Carnide, Monte Real, Maceira e o antigo lugar e agora freguesia da Moita que seria desanexado da freguesia de Pataias. Dois anos mais tarde, saía um novo decreto que revogava o despacho de 6 de Novembro de 1836, eliminando o concelho de Marinha Grande e anexando as suas freguesias ao concelho de Leiria. Em 1892 foi-lhe dada a categoria de vila, sendo o concelho restaurado em 1917 constituído pelas freguesias de Marinha Grande e Vieira de Leiria. A 11 de Março de 1988 Marinha Grande foi elevada à categoria de Cidade. Através da lei 28/2001 foi anexada ao concelho a freguesia de Moita. Em 1934, a Marinha Grande foi o palco do mais conhecido levantamento operário e onde este alcançou maior visibilidade pública. Foi na Marinha Grande que grupos de operários das fábricas de vidro, maioritariamente comunistas, conseguiram dominar a povoação e tentaram criar um "soviete" revolucionário, ações que não produziram efeitos nem tiveram durabilidade devido à rápida intervenção das forças policiais de Leiria. Este fracasso animou violentas discussões entre as células anarquistas e comunistas portuguesas, que se acusavam mutuamente da responsabilidade do sucedido na Marinha Grande e no "18 de Janeiro de 1934". O anarquismo foi perdendo força a nível político e de mobilização. Por outro lado, o sindicalismo livre desaparece também em Portugal, assim como são retirados da cena laboral muitos dos seus mentores e ativistas  devido à sua oposição ao corporativismo. No mundo operário, o anarco-sindicalismo perde expressão igualmente, com dirigentes e militantes a serem presos, deportados ou exilados.

Bandeira de Marinha Grande

Cultura e Turismo

             O concelho de Marinha Grande é bastante atrativo em termos turísticos e culturais, em virtude quer dos seus recursos naturais, quer do seu valor patrimonial. De notar são os belos elementos do património cultural e edificado do concelho: o Centro Histórico da Marinha Grande, os Monumentos ao "Vidreiro", aos "Mortos da Grande Guerra" e aos patronos do Pinhal do Rei (D. Dinis e Rainha D. Isabel); a Casa Museu Afonso Lopes Vieira, a Fonte e a Fábrica dos Ingleses, o Palácio Vieira Lima, o Palácio dos Barosas, a Capela de Santa Bárbara e o edifício da Colónia de Férias "Afonso Lopes Vieira". Marinha Grande está repleta de belas praias, sendo a praia de S. Pedro de Muel uma das principais atrações turísticas do concelho e que deve as suas origens ao ribeiro de Muel que servia para transportar madeira até à costa. Esta praia separa a Marinha Grande do oceano, sendo que o mar é normalmente muito agitado, sendo por esse motivo muito procurada pelos praticantes de surf e outros desportos radicais. Em 1912, ao Norte da praia, foi inaugurado o farol de S. Pedro, um instrumento importante para a navegação. Também a praia da Vieira, outrora praia de pescadores, tornou-se um importante centro turístico e de veraneio. A mata de Leiria é também um importante recurso turístico deste concelho que proporciona um atrativo espaço de lazer, sendo de se destacar o Tromelgo e o ribeiro de Muel. Esta mancha florestal abrange praticamente todo o concelho de Marinha Grande, do qual ocupa cerca de dois terços da superfície. Começa junto à foz do rio Lis e estende-se pela faixa litoral, para Sul até Água de Madeiros, daí para o interior até à Guarda da Lagoa Cova; depois até quase em linha recta, até Vieira de Leiria; por fim segue o rio Lis até à sua foz. O concelho dispõe de várias colectividades e associações que levam a cabo a organização de várias atividades ao longo de todo o ano. Destacam-se a este nível o Sport Operário Marinhense, fundado em 1923, onde se realiza anualmente o Torneio Memorial Dr. José Vereda, integrado no Campeonato Nacional de Xadrez; o Sport Império Marinhense, fundado também em 1923; a Sociedade de Instrução e Recreio 1º de Maio, a mais antiga do concelho; a Biblioteca de Instrução Popular de Vieira de Leiria, palco de diversas atividades de índole cultural; o Atlético Clube Marinhense, o Sporting Clube Marinhense e o Sport Lisboa e Marinha. Ao longo do ano são realizados vários eventos desportivos, de que são exemplo o Rali Rota do Sol, realizado em Maio e cuja organização cabe ao Automóvel Clube Marinhense; o Concurso Internacional de Pesca; a Volta aos Sete, organizada pelo Sport Lisboa e Marinha e pela Federação Portuguesa de Ciclismo; e a Meia Maratona da Marinha Grande. No que diz respeito às infra-estruturas culturais do concelho, são de destacar o Teatro Stephens da Marinha Grande e o Cine-Teatro da Vieira e a Biblioteca Municipal. O concelho dispõe ainda de várias unidades museológicas, nomeadamente o Museu do Vidro, onde se podem encontrar várias peças de vidro, bem como as diferentes etapas da instalação desta indústria no concelho; o Museu Santos Barosa, cujo principal objectivo é também a divulgação da história da indústria vidreira; a Casa Museu Afonso Lopes Vieira e o Museu Municipal Joaquim Correia, onde se pode apreciar a obra do mestre Escultor Joaquim Correia.

Praia da Vieira 
                                                                                                   Praia de S. Pedro de Moel
Gastronomia

         A gastronomia do concelho de Marinha Grande caracteriza-se pela sua variedade, sendo característicos: a sopa do vidreiro, prato confeccionado com bacalhau; os carapaus abertos, bastante tradicional em Vieira de Leiria; o licor de leite; os bolos de pinhão; as enfiadas de pinhão; e as morcelas de arroz.

Sopa do Vidreiro 


quarta-feira, 20 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Leiria

Brasão de Leiria

Localização

         O concelho de Leiria é sede do distrito homónimo e ocupa uma área de 564.7 km2, distribuída por 29 freguesias, o concelho é atravessado de Sul para Norte pelo rio Lis que no seu extremo superior inflecte para Oeste, entrando no concelho de Marinha Grande, onde desagua. O rio Lis e o rio Lena constituem os principais recursos hidrográficos de Leiria. O concelho é limitado a Norte pelo concelho de Pombal; a Oeste pelo Oceano Atlântico e pelos concelhos de Marinha Grande e Alcobaça; a Sul pelos de Batalha e Porto de Mós; e a Este pelos concelhos de Pombal e Ourém, este último do distrito de Santarém.



História

             O topónimo principal deste concelho tem dado azo a várias interpretações relativamente à sua origem e significado. Assim, segundo alguns autores, o topónimo terá derivado de Lena-iria que significa "cidade de Lena"; outros, reportam a sua origem para a junção dos nomes Lis e Lena, os dois rios que banham a cidade; uma outra hipótese remete o topónimo para Leirion, nome comum grego, com o significado de "Lírio", ou "Lis"; pensa-se também que poderá ter derivado de Leira, disposição particular do terreno, ou de Léria, antiga cidade valenciana. Outras possíveis interpretações referem que "Leiria" poderá ter a sua raiz etimológica em Laéria, antrotopónimo romano; Laberia Galla, sacerdotiza romana, morta na região; ou ainda La Eirena, nome medieval de mulher. Esta última explicação, parece ser a mais aceitável, pois Eirena, antrotopónimo feminino é também o nome da santa que nasceu nos arredores da actual cidade e que veio também a dar origem do nome Santarém, onde se encontra o seu túmulo. A fundação de Leiria está envolta em várias lendas relacionadas principalmente com o município romano de Collippo. De facto, sabe-se que esta região sofreu uma forte romanização, tendo sido encontrados, nos arredores de Leiria, bastantes vestígios da permanência de romanos nesta região; no entanto, nada que de facto comprove a existência de tão grandiosa cidade romana neste local. No castelo de Leiria foram encontrados, ainda bem conservados, alguns exemplares de epigrafia romana, pelo que alguns autores consideraram a hipótese de no local onde se encontra o castelo, ter existido um castro romano. Já segundo Leite de Vasconcelos, aí se localizava a própria cidade de Collippo, o que não parece ser exato. Sobre a altura de ocupação sueva e visigótica, pouco ou nada se sabe, sendo que em 753 já se encontrava na posse dos mouros e sob a alçada de Córdova, em cujo domínio permaneceu até à reconquista. O sítio era ermo e desabitado quando D. Afonso Henriques, dentro de um plano estratégico de reconquista, ali fundou um castelo que tinha por principal objectivo constituir um importante defensáculo, ao Sul do castelo de Soure. O ano da fundação foi o de 1135 e o castelo foi confiado à guarda de D. Paio Guterres. Em 1137, os sarracenos cercaram o castelo, tendo sido retomado por D. Afonso Henriques pouco tempo depois. Paio Guterres, que escapou ao assaltou, voltou a assumir a sua alcaidaria mor. Em 1140 quando o rei se encontrava na Galiza, os serracenos voltaram a atacar dizimando parte da guarnição e aprisionando o restante. Novamente o rei retomou o castelo e o reconstruiu, concedendo a Leiria o título de vila e o seu primeiro foral. Eclesiasticamente, a vila passa então à posse do poderoso mosteiro dos cónegos regrantes de Santa Cruz de Coimbra, mediante a doação efetuada por volta de 1155; os privilégios dos Cónegos Regrantes sobre Leiria são confirmados por uma carta do Bispo de Lisboa, D. Gilberto, pelo qual renuncia, em 1156, aos direitos episcopais que possuía na vila. A fertilidade dos campos leirienses, banhados pelo rio Lis e pelo Lena, permitiu uma colonização rápida que os crúzios estimularam. No reinado de D. Sancho I, o povoado expande-se para fora das muralhas do castelo e estende-se pela plataforma que se levanta pelo nascente, tendo sido aí construída a segunda igreja leiriense, dedicada a S. Pedro, uma vez que a primeira, a matriz, ficava no castelo. A Igreja de S. Pedro talvez já existisse em 1190, sendo que D. Sancho I já se refere a ela no foral que passou a 13 de Abril de 1195. Em 1254, D. Afonso III reúne as cortes em Leiria, com a participação dos representantes dos concelhos. Não se sabe ao certo o local exato onde se reuniram as cortes, no entanto, supõe-se que terá sido no castelo ou nos paços que existiam na cerca. Já no reinado de D. Dinis, Leiria gozava de uma situação privilegiada entre as terras do país, uma vez que o rei habitava na vila e daí expedia documentos de longo alcance, como o da fundação da Universidade. A 4 de Julho de 1300, D. Dinis doa a D. Isabel, sua esposa, o castelo e a vila de que a priva transitoriamente em, 1320, quando a supõe comprometida com a rebeldia do príncipe D. Afonso. Mais tarde, D. Fernando doou o castelo e a vila a D. Leonor Teles, ambos aqui fazendo residência. Durante o reinado de D. João I a alcaidaria passou a pertencer a Lourenço Martins, um dos seus primeiros companheiros de aventura. Durante o reinado de D. Afonso V a vila, incluindo o seu termo, ficou empenhada ao Conde de Vila Real que ficou na posse do senhorio. A alcaidaria, que andava então na posse da família dos Barbas Alardos passou também para a casa de Vila Real no tempo de D. João III. No tempo de D. Manuel I, Leiria recebeu foral novo, passado em Santarém, a 1 de Maio de 1510. O mesmo monarca realizou também várias obras no castelo, construindo a sacristia da igreja de Pena. O aumento progressivo da povoação, que seguia a par e passo o desenvolvimento dos centros rurais, dificultava o exercício do ministério paroquial, dadas as dilatadas áreas das freguesias. Essa terá sido a principal razão da fundação do bispado e da elevação de Leiria a cidade. O bispado foi erecto por Paulo III, por bula de 22 de Maio de 1545, a pedido de D. João III, sendo que Leiria foi elevada a cidade pela mesma bula. A nova diocese ficou sufragânea da metrópole lisbonense, tendo sido o seu primeiro bispo, Frei Brás de Barros, reformador dos cónegos regrantes de Santa Cruz de Coimbra. A diocese de Leiria viria a ser extinta por sentença do Cardeal D. Américo, de 4 de Setembro de 1882. Bento XV, em 1918 restaurou o bispado que continuou sufragâneo de Lisboa e teve como prelado José Alves Correia e Silva. De início o bispado de Leiria compreendia apenas as terras do priorado dos cruzios, isto é as terras que correspondem de grosso modo aos atuais concelhos de Leiria, Marinha Grande e Batalha. Em 1585 foram-lhe anexadas as vilas de Ourém, Porto de Mós, Aljubarrota e Alpedriz, com seus termos. Atualmente a diocese adota o nome de Leiria-Fátima.
      
Bandeira de Leiria

Heráldica

Brasão: de ouro, um castelo de vermelho, aberto e iluminado de prata, acompanhado de dois pinheiros de verde, frutados de ouro e sustidos de negro, tudo saínte de um terrado de verde realçado de negro. Os pinheiros rematados cada um por um corvo de negro, voltados para o centro. A torre central acompanhada em chefe de duas estrelas de oito raios de vermelho. Em contra-chefe, três faixetas ondadas de prata e azul. Coroa de mural de cinco torres de prata. Listel branco com os dizeres: «Cidade de Leiria» a negro.

Bandeira: gironada de branco e vermelho, cordões e borlas de prata e de vermelho. Haste e lança de ouro.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes, tudo envolvido por dois círculos concêntricos onde corre a legenda: «Câmara Municipal de Leiria».

Cultura e Turismo :

              Subordinada à presença do rio Lis e do seu afluente, o Lena, toda esta região se caracteriza quer pelos seus atrativos naturais, quer pelo seu património histórico. Uma das marcas deste concelho é sem dúvida a Mata Nacional de Leiria que se estende desde as areias da Marinha Grande até ao concelho de Leiria. A Mata Nacional de Leiria é historicamente famosa por estar ligada ao rei D. Dinis que ordenou grandes plantações de pinheiro bravo e estabeleceu as primeiras normas de ordenamento e gestão da mata. Com D. Fernando transformou-se na fonte principal de abastecimento de madeira para a construção naval. Um outro importante recurso natural e turístico deste concelho são as termas de Monte Real, localizadas entre Leiria e a praia da Veira. São vários os núcleos museológicos que se podem encontrar neste concelho: a Casa Museu João Soares; o Museu da Fábrica de Cimento da Maceira Liz; o Museu de Leiria; o Museu de Arte Sacra do Seminário Diocesano; o Museu Etnológico de Monte Redondo; o Museu Escolar dos Marrazes; e o Museu da Imagem. Localizada na freguesia de Cortes, a poucos quilómetros de Leiria, na Casa-Museu João Soares funciona paralelamente à Fundação Mário Soares, sediada neste concelho. Aí está patente uma exposição permanente, dotada de meios audiovisuais, que apresenta uma visão sintética do Século XX Português. São também realizadas diversas exposições temporárias, quer exibindo as ofertas recebidas pelo Dr. Mário Soares ao longo da sua vida pública, como Primeiro-Ministro e depois como Presidente da República, quer sobre diversos temas de interesse cultural. Já o Museu Municipal de Leiria, foi instituído por Decreto de 10 de Janeiro de 1917, por iniciativa de Tito Larcher, tendo funcionado durante 10 anos no palácio episcopal  O Museu de Leiria integra coleções de Arqueologia, Cerâmica, Escultura, Etnologia Africana, Mobiliário, Numismática, Pintura e Vidro.

Mata Nacional de Leiria 

Gastronomia

          As especialidades típicas de Leiria são os enchidos e ensopados de borrego, o arroz de marisco, a caldeirada e o creme de camarão, a morcela de arroz, a torta de laranja, o arroz doce, os bolos de pinhão, os ovos folhados, os carnudos e as brisas do lis.

                                                                                                               Brisas do Lis
Arroz de Marisco 



terça-feira, 19 de março de 2013

Viagem e visita ao concelho de Ourém

Brasão de Ourém

Localização

           Situado na parte Noroeste do distrito de Santarém, o concelho de Ourém abrange uma área de 416.5 km2, distribuída por 18 freguesias, é limitado a Poente pelos concelhos de Batalha e Leiria, a Norte por Pombal; a Nascente, com os concelhos de Alvaiázere, Ferreira do Zêzere e Tomar; e a Sul, com os concelhos de Torres Novas e Alcanena, nomeadamente com o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. Integrado na zona de transição entre o Ribatejo e o distrito de Leiria, Ourém pertence, em termos turísticos, à região da Rota do Sol, com sede em Leiria.


História

            O topónimo principal deste concelho tem dado origem a várias interpretações, estando inclusive envolta numa lenda. Segundo a tradição, vivia na região uma moura chamada Fátima que se apaixonou por Gonçalo Hermingues, o "Traga-Mouros", inimigo de seu pai, e com quem viria a casar. Converteu-se ela ao cristianismo e recebeu no batismo o nome de Ouroana e que terá dado origem a "Ourém". No entanto a fonética vem desmentir esta hipótese: "Ouroana" é a forma do nome pessoal feminino muito usado até ao século XII e XIII e que os documentos latinos e portugueses nos dão na forma "Aurodomna" (Auroomna > Ouroomna > Ouroona > Ouroana). A queda do "n" ou uma apócope a ponto de resultar "ém" é inadmissível, além de o topónimo já estar documentado - Ourém (Aurém) - na segunda metade do século XII. Desta forma, surgem duas interpretações possíveis para a origem do topónimo: a primeira dá-lhe origem germânica, enquanto que a segunda remete o topónimo para o árabe, Uhram, a cidade de Oran, na atual Argélia, indicação de um possível povoamento primitivo árabe. A referência escrita mais antiga que se conhece relativa a Ourém remonta a 1159, tratando-se de um diploma de doação aos templários do castelo de Ceras e seu termo e onde surge, nas confrontações deste, um local chamado "portum Ourens". Em 1178, é fundado o Castelo de Ourém e, dois anos depois, D. Teresa, filha de D. Afonso Henriques, concede o primeiro foral a Ourém, tornando-o um dos primeiros concelhos de Portugal. D. Afonso II confirmou esse foral em Coimbra, em Novembro de 1217. Em 1299 o povoamento desta vila, que entretanto revertera à coroa, continuava bastante fraco, pelo que nesse ano, D. Dinis doa a vila a Martim Lourenço da Cerveira para que este promovesse o povoamento. No século XIII, Ourém possuía quatro igrejas (Santa Maria, S. Pedro, Santiago e S. João), tendo sido elevado à categoria de Condado por volta de 1350. No século XIV o povoamento de Ourém equiparava-se ao de Torres Novas ou de Pombal, no que diz respeito a número de moradores. O período áureo de Ourém surgiu no século XV, graças ao empenho de D. Afonso (4º Conde de Ourém), neto de D. João I e de Nuno Álvares Pereira, sendo dessa época a maioria dos monumentos ainda hoje existentes. D. Manuel deu-lhe foral novo em Lisboa a 6 de maio de 1515 e D. Pedro II concedeu novo foral em 6 de Julho de 1695. Em 1831 a vizinha Aldeia da Cruz foi elevada a freguesia e para lá se transferiu a sede do concelho em 23 de Setembro de 1841, com o nome de Vila Nova de Ourém. Mais tarde, a 20 de Junho de 1991, Ourém é elevada a cidade, perdendo o primeiro elemento do topónimo "Vila Nova".

Bandeira de Ourém

Heráldica

Brasão: de prata, uma águia estendida de vermelho, bicada e sancada de negro, coleirada com coronel de ouro, sustendo nas garras o escudo de Portugal antigo; coroa mural de prata de cinco torres e listel branco com os dizeres: «Cidade de Ourém».

Bandeira: gironada de oito peças, de branco e vermelho, cordão e borlas de prata e vermelho. Haste lança de ouro.

Selo: circular, tendo ao centro as peças do brasão, sem indicação dos esmaltes, tudo envolvido por dois círculos concêntricos entre os quais corre a legenda: «Câmara Municipal de Ourém».


Cultura e Turismo

            O concelho de Ourém está integrado na Região Turismo de Leiria - Rota do Sol, possuindo grandes potencialidades turísticas quer devido ao seu património cultural e edificado quer em virtude da sua beleza paisagística. No que diz respeito ao património edificado, merecem um visita: o Castelo de Ourém, cuja origem remonta ao século XII, é formado por três torres num perímetro triangular, tendo no centro do seu terreiro uma curiosa e enorme cisterna ogival; o Paço dos Condes de Ourém que foi a morada oficial do Conde de Ourém, D. Afonso; a antiga vila de Ourém (Nossa Senhora das Misericórdias); e a Sé Colegiada, reconstruída em estilo barroco após o terramoto de 1755 que destruiu a primitiva igreja da colegiada, fundada em 1445. O concelho de Ourém dispõe, como já foi dito, de um considerável património Natural e Paisagístico, merecendo um especial realce: o Agroal, na freguesia de Formigais, onde se encontra a nascente do rio Nabão; as ribeiras de Olival e de Seiça, onde se pode encontrar a lampreia de riacho, espécie única e rara na Península Ibérica; e o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. A visitar também as Pegadas de Dinossauros. A jazida paleontológica de pegadas de dinossauros da Pedreira do Galinha, localiza-se na vertente oriental da Serra d`Aire e contém não só o mais antigo e o mais longo registo mundial de saurópodes, como também, os testemunhos de alguns dos maiores animais terrestres jamais existentes. Ao nível de infra estruturas culturais destaque para: o cine-teatro Municipal de Ourém, inaugurado em 1988 e com capacidade para 488 pessoas; e para a Biblioteca Pública de Ourém que iniciou o seu funcionamento em 1958 e que atualmente possui um acervo bibliotecário significativo. Também nas freguesias existem várias bibliotecas locais que funcionam em ligação com a Biblioteca Municipal, nomeadamente: a Biblioteca Pública da Atouguia, a Biblioteca Pública de Espite, a Biblioteca Pública de Freixianda, a Biblioteca Pública de Matas, a Biblioteca Pública de Olival e a Biblioteca Pública de Vilar dos Prazeres.

                                                                                                  Castelo de Ourém
Praia Fluvial do Agroal 


Gastronomia

         Os mais tradicionais pratos da gastronomia no concelho de Ourém são o carneiro à Vale Travesso, o coelho à bruxa, o ensopado de borrego de Vilar de Prazeres e os bolos de Arco de Ourém.

                                                                                                                             Bolos de Arco 
Coelho á bruxa