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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho da Figueira da Foz

Brasão de Figueira da Foz

Localização

        Administrativamente, o concelho da Figueira da Foz é composto por 18 freguesias, pelas vilas de Alhadas, Maiorca e Paião, e pela cidade da Figueira da Foz. Está integrado no distrito de Coimbra, na Região da Beira-Litoral e faz fronteira a Norte com o concelho de Cantanhede, a Sul com Pombal, a Leste com Montemor-o-Velho e Soure; e a Oeste com o Oceano Atlântico. O território concelhio é atravessado pelo rio Mondego de cuja rede hidrográfica fazem parte as lagoas de Salgueiros, Vela, Braças, Corvos e Leirosa. É conhecida por ser considerada a "Rainha da Costa de Prata" pelas suas praias extensas, recentemente o Cabo Mondego, um promontório na Serra da Boa Viagem nos arredores da Figueira da Foz, foi declarado Monumento Natural Nacional. A Figueira da Foz fica, portanto, situada no litoral atlântico, junto à foz do Rio Mondego e estendendo-se até ao Cabo Mondego, candidato a Património Mundial[2] por ser um lugar exemplar do jurássico de rara visibilidade.[3] É um dos centros turísticos mais importantes de Portugal, com um dos maiores casinos do país, o mais antigo de toda a Península Ibérica e único na região Centro, o Casino Figueira, uma praça de touros, um enorme areal com equipamentos lúdicos e desportivos, onde, de 1997 a 2004, se realizou o Mundialito de Futebol de Praia e etapas dos principais circuitos de frisbee (jogo do disco) e uma animada vida noturna  Foi também palco, em Outubro de 2009, do Enduro, um campeonato mundial de motociclismo fora de estrada. A cerca de dez quilómetros da cidade, já no limite do concelho e próximo de Montemor-o-Velho localiza-se o Sítio Classificado dos Montes de Santa Olaia e Ferrestelo com a estação de escavação mais importante do trabalho do arqueólogo figueirense António dos Santos Rocha. Encontrou monumentos e objetos da Idade do Ferro. No monte encontra-se ainda a capela de Santa Eulália com vista deslumbrante sobre os arrozais do Mondego aos seus pés, a maior parte dos veraneantes vêm de Coimbra, Beiras e sobretudo de Espanha (Estremadura, Leão e Castela e da Comunidade de Madrid), sendo que muitos destes têm a Figueira da Foz como a sua segunda residência. A população ativa reparte-se entre as várias atividades económicas da região, com destaque para a pesca, indústria vidreira, atividades ligadas ao turismo, construção naval, produção de celulose, indústria de sal e, como não podia deixar de ser, a agricultura. Mas quase tudo tem a ver com o turismo, sem o qual a cidade morreria.




História

        Lugar de ocupação humana muito antiga, fez parte do reino suevo, e mais tarde viria a ser conquistada aos mouros aquando a conquista de Coimbra por Fernando Magno em 1064, integrando o Reino de Leão e consequentemente o Condado Portucalense. A Figueira da Foz conheceu um grande crescimento no século XVIII devido ao movimento do porto e ao desenvolvimento da indústria de construção naval. Foi elevada à categoria de vila em 1771. Continuou a crescer ao longo do século XIX devido à abertura de novas vias de comunicação e à afluência de veraneantes. Em 20 de Setembro de 1882, foi elevada à categoria de cidade. Nos finais do século XIX e início do século XX construiu-se o chamado Bairro Novo, de malha regular, onde se instalaram os hotéis, o casino, restaurantes, bares noturnos e alguma atividade comercial. Outro local onde a atividade comercial é evidente é na Rua da República, que liga a zona de entrada da cidade (via Estação dos caminhos-de-ferro) à zona mais central da cidade. Nos últimos tempos foram construídos supermercados e hipermercados na zona mais periférica da cidade. Devido às condições naturais e ao equipamento turístico, a Figueira da Foz impôs-se como estância balnear não apenas para a zona centro de Portugal, mas também para famílias abastadas alentejanas e espanholas. A Figueira da Foz é conhecida como a "Rainha das Praias de Portugal". Foi próximo desta localidade que, no início do século XIX, desembarcaram as tropas inglesas comandadas por aquele que mais tarde seria Duque de Wellington que vieram ajudar Portugal na luta contra as Invasões Francesas. O Casino da Figueira da Foz foi inaugurado em 1927, sendo assim o mais antigo casino da Península Ibérica, a 30 de Janeiro de 1928 a Câmara Municipal da Figueira da Foz foi feita Comendadora da Ordem de Benemerência e a 31 de Dezembro de 1932 Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública. Em 1982, ano em que se comemorou o Primeiro Centenário da Elevação a Cidade da Figueira da Foz, foi inaugurada a Ponte Edgar Cardoso, que veio substituir a ponte antiga (que não permitia que embarcações passassem sob si). A nova ponte, que rapidamente se transformou num ex-libris da cidade, é considerada uma das mais bonitas e imponentes do país. Foi, recentemente, alvo de profundas obras de remodelação. A 6 de Julho desse ano a Cidade da Figueira da Foz foi feita Membro-Honorário da Ordem do Infante D. Henrique.

Bandeira de Figueira da Foz

Heráldica

Brasão: de azul, com um navio de negro realçado de ouro, mastreado e encordoado de negro e vestido de prata, vogando sobre cinco faixas ondadas, três de prata, uma de verde e outra de azul. Em chefe, um sol de ouro. Orla de prata, com oito folhas de figueira de verde, carregadas cada uma de fruto de ouro. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco, com os dizeres, a negro: «Cidade da Figueira da Foz».

Bandeira: quarteada de quatro peças de amarelo e quatro de verde. Coroa e borlas de ouro e verde. Lança e haste douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicação dos esmaltes, e em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal da Figueira da Foz».

Cultura e Turismo

       O concelho da Figueira da Foz é conhecido pelas suas praias de areia fina, bastante concorridas na época estival e pelo seu casino; no entanto, são várias as atrações turísticas deste concelho, como as salinas de Morraceira, os seus monumentos históricos, as suas festividades e tradições gastronómicas. A Torre do Relógio (situada em frente à Esplanada Silva Guimarães, na Praia do Relógio e não Praia da Claridade) é, igualmente, uma das referências da cidade, bem como o Forte de Santa Catarina. Situa-se também nesta cidade o Palácio Sotto-Mayor, que marca história numa zona mais central da Figueira da Foz. O Parque das Abadias é um dos "pulmões" da cidade e um local de lazer, onde se realizam algumas provas de corta-mato e várias iniciativas com vista a proporcionar momentos agradáveis aos cidadãos do concelho. Este Parque atravessa a cidade ao meio, indo desde a zona norte da cidade até ao Jardim Municipal, que sofreu, recentemente, intervenções de remodelação. A Figueira da Foz foi palco do Mundialito de Futebol de Praia entre 1997 e 2004, o Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz teve a sua primeira edição em 1972, tendo sido realizado pela última vez em 2002.

                                                                                               Salinas da Morraceira
Parque das Abadias 

Gastronomia

           Da tradição gastronómica do concelho da Figueira da Foz, o destaque vai em grande medida para os pratos de peixe e mariscos, sendo de se destacar: os búzios com grão de bico, o caranguejo da pedra grelhado, a lagosta cozida, as percebas cozidas, a santola à pescador, o arroz de tremelga, as cabeças de bacalhau, o congro com ervilhas e o tamboril à Buarcos. Dos pratos de carne são famosos os borrachos de cebolada, o pato estufado, a galinha do campo assada no forno e os torresmos. Na doçaria tradicional, o destaque vai para o bolo de sangue, para as brisas da Figueira e para as papas de moado.

                                                                                                          Congro com ervilhas
Congro com  ErvilhasBroas Doces
Broas doces

Caranguejo Grelhado
Caranguejo grelhado







segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Mira

Brasão de Mira

Localização

            O concelho de Mira está integrado na região da Beira Litoral, no distrito de Coimbra, abrangendo uma área de 122 km2, sendo constituído por quatro freguesias e pelas vilas de Mira e Praia de Mira. É limitado a Norte pelo concelho de Vagos, a Sul e a Este por Cantanhede e a Oeste pelo Oceano Atlântico. O concelho é o cento da sub-região da Gândara que se desenvolve a partir da Serra da Boa Viagem até ao mar.



História

          A região onde se situa Mira já é habitada há longos tempos, apesar de sua história precoce ser bastante obscura. Sabe-se que esta povoação foi ocupada no tempo dos Romanos e é-lhes atribuído a sua expansão. Da época romana foram encontrados alguns materiais de construção, nomeadamente "tegulae" (telhas) e cerâmica doméstica. Pouco é conhecido sobre a área nos tempos dos Visigodos, mas durante o período de domínio árabe, Mira era já uma povoação com praça. No período Muçulmano esta região terá sido palco de guerras entre cristãos e árabes quando estes dominaram esta zona do litoral. Como era prática então, os invasores substituiam parte da população como gentes de outras áreas da península, e foi durante este tempo que a vila adquiriu o nome de Mira. Leva-se a crer que já os cristãos ali existentes tinham devoção predileta ao Apóstolo São Tomé, e os devotos chamavam a este local Terras do Senhor São Tomé, que segundo lenda levara os mouros a aceitarem o termo que em árabe é Emir. Mira é corrupção da palavra árabe mir ou Emir, que quer dizer senhor, chefe ou príncipe. Porém, há alguns historiadores que aceitam a ideia de que os árabes, dando-lhe este nome, quiseram distingui-la pela sua beleza, situação e amenidade do clima, chamando-lhe Terra do Senhor. A influência árabe foi muito nítida na região, sendo o local foco de moçarabismo.
Com a Reconquista Cristã, sobretudo na última conquista de Coimbra aos árabes em 1064, a história das terras de Mira passa a ficar mais claramente documentada. O povoado mouro foi capturado ainda antes da independência do condado Portucalense, talvez por D. Henrique, pais de D. Afonso Henriques. A povoação já aparece mencionada na doação que o primeiro governador de Coimbra, o moçarabe Sisnando, fizera no ano de 1094 aos novos povoadores de Montemor-o-Velho. A estes concedeu a posse desta terras gandaresas e todos os seus termos com a condição de lavrar e cultivar todos os terrenos incultos, não podendo doá-los, vendê-los ou trocá-los sem o consentimento do governador. A posse fora confirmada em Fevereiro de 1095, por D. Raimundo e D. Urraca, então Senhores de Portucale, a Soleima Godinho, doando todas as terras de São Tomé de Mira e nomeando-o seu proprietário e senhorio, sub condição de as arroteadas, valorizar e levar à criação de novos povoados. Em 1442, Dom Pedro, regente de Portugal e Duque de Coimbra, concedeu autonomia municipal a Mira e diversos privilégios para fixar população e desenvolver o local. Recebeu foral de D. Manuel I em Lisboa que a eleva a vila a 27 de Agosto de 1514 e nomeia como administrador e senhor da vila Dom Gonçalo de Tavares. Mais tarde, D. Manuel de Sousa Tavares foi senhor e alcaide-mor da vila. O Senhorio de Mira manteve-se nas mãos da família dos Tavares até ao século XVIII, quando passou a integrar a Casa das Rainhas. Aí se manteve até à extinção do regime senhorial em 1833. Contudo, a freguesia antecede o concelho. A igreja de S. Tomé de Mira, sendo a primitiva originalmente construída noutro local, foi mandada edificar pelo filho do proprietário Saleima, Zalema Godinho, que foi também o seu primeiro pároco. Zalema Godinho, após poucos anos de cura de almas, trocou a sua paróquia pelo o hábito de monge augustiniano, doando ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra a igreja de Mira. Passando a freguesia a ser apresentação de Santa Cruz de Coimbra, o geral dos cónegos fazia-se representar pelo vigário dando-lhe uma pensão de 401$250 réis. Aqui viveu grande parte da sua vida Francélio Vouguense, pseudónimo de Francisco Joaquim Bingre, poeta arcádico e pré-romântico português. Embora sendo natural de Canelas, Estarreja, aqui exerceu as funções de escrivão do Juízo, câmara e tabelião. Morreu aos 93 anos no dia 26 de Março de 1865. O concelho foi extinto em 7 de Setembro de 1895 após as reformas administrativas do início do liberalismo e incorporado no concelho de Cantanhede. Foi restaurado em 13 de Janeiro de 1898.

Bandeira de Mira

Heráldica

Brasão: de negro com um ramo de espigas de milho folhadas e atadas em ponta, tudo de ouro. Bordadura cosida de verde carregada de oito conchas de ouro, realçadas de negro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com letras de negro.

Bandeira: amarela. Cordões e borlas de ouro e de negro. Lança e haste douradas.


Cultura e Turismo

         Mira é um concelho extremamente rico em termos de recursos turísticos, sendo conhecido pelas suas belíssimas praias, das quais se destacam a praia da Mira, a praia do Areão e a praia do Poço da Cruz.

                                                                                                       Praia do Areão 
Praia Poço da Cruz 

Gastronomia

           Dos pratos tradicionais do concelho de Mira destacam-se a caldeirada de peixe, as enguias suadas, o cozido de bacalhau, a sopa gandaresa, o sarrabulho e as sardinhas assadas na telha.


Sardinha assada na telha 



domingo, 24 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Cantanhede

Brasão de Cantanhede

Localização

          O concelho de Cantanhede está integrado na província da Beira Litoral, distrito de Coimbra e abrange uma área de 392.8 km2, é composto por 19 freguesias, pela cidade de Cantanhede e pelas vilas de Ançã, Febres e Tocha, o concelho faz fronteira a Norte com os concelhos de Mira, Vagos, Oliveira do Bairro e Anadia; a Sul com os concelhos da Figueira da Foz, Montemor-o-Velho e Coimbra; a Nascente com Anadia, Mealhada e Coimbra; e a Poente com o concelho de Mira e o Oceano Atlântico.O concelho encontra-se dividido em três sub-regiões naturais: a de Bairrada, a da Gândara e a do Baixo Mondego, a Bairrada caracteriza-se por uma topografia mais acidentada, com colinas e vales; já a Gândara, caracteriza-se pela predominância de pinhais. A Economia é predominantemente terciária na cidade, e primária nas restantes freguesias do concelho. Devido às propriedades argilosas do solo as culturas mais lucrativas são as pouco exigentes: batata, forragem e vinha. A paisagem vinhateira em planície rodeia a cidade de Cantanhede. O vinho de Cantanhede é reconhecido internacionalmente pelo seu sabor característico devido às condições de crescimento únicas da vinha. O concelho obteve foral manuelino em 1514.


História

      Embora não existam elementos que nos conduzam a uma data certa da fundação de Cantanhede, há alguns importantes achados arqueológicos que dão conta da presença humana no território pelo menos no Paleolítico Médio, cujo terminus ocorre por volta de 30.000 a 28.000 a.C.. Durante este período, o Homem de Neanderthal ocupou esta região e foi responsável pelos inúmeros artefatos em sílex encontrados em diversas estações arqueológicas de freguesias como Ançã, Outil e Portunhos. Esses achados, recolhidos ao longo de anos pelo arqueólogo Carlos Cruz, estão hoje em exposição no Museu da Pedra e compilados na Carta Arqueológica do Concelho de Cantanhede editada pelo Município de Cantanhede. O topónimo Cantanhede vem da raiz celta cant, que significa “pedra grande”, e relaciona-se com as pedreiras existentes na região. Daqui nasceu o primitivo “Cantonieti”, mencionado na documentação dos séculos XI, XII e XIII também com as grafias “Cantoniedi” “Cantonidi” “Cantonetu”. As primeiras referências históricas remontam a 1087, data em que D. Sisnando, governador de Coimbra, a teria mandado fortificar e povoar. Segundo alguns autores, D. Afonso II terá dado foral a Cantanhede, posteriormente confirmado pelo foral outorgado por D. Manuel I, em 20 de Maio de 1514. Foram seus donatários os Meneses, tendo sido D. Pedro de Meneses o primeiro Conde de Cantanhede, título nobiliárquico criado por D. Afonso V por carta datada de 6 de Julho de 1479. O título seria depois renovado por Filipe II, em 1618, na pessoa de seu neto e pai de D. António Luís de Meneses, 3º Conde de Cantanhede e 1º Marquês de Marialva, que se notabilizou nas Batalhas de Linhas de Elvas e Montes Claros e que foi um dos vultos mais importantes da Restauração de 1640. À família dos Meneses se ficaram a dever alguns exemplares da arte do Renascimento existentes no Concelho, e a casa que perpetua a sua memória acolhe as sessões de Câmara desde 1 805 (espaço a mais, entre 1 e 8), embora a fixação definitiva da sede municipal da autarquia no edifício só tenha ocorrido em finais dessa centúria. Das personalidades de vulto associadas a Cantanhede merecem ainda referência o Capitão Pedro Teixeira, conquistador da Amazónia; D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa, prelado, distinto orador sacro e Arcebispo Primaz de Braga entre 1876 e 1883; Jaime Cortesão, médico, historiador e ensaísta; Carlos de Oliveira, escritor e poeta; António de Lima Fragoso, pianista e compositor emérito; Augusto Abelaira, escritor, e Maria Amélia de Magalhães Carneiro, pintora.

Bandeira de Cantanhede

Heráldica

Brasão: de prata, um pinheiro de verde frutado de ouro troncado e arrancado de negro, acompanhado de dois cachos de uva de púrpura folhados e sustidos de verde; chefe de azul, um anel de ouro com um rubi de vermelho, acompanhado de duas flores de lis de ouro. Coroa mural de cinco torres de prata listel branco com os dizeres «Cidade de Cantanhede», a negro.

Bandeira: gironada de oito peças de amarelo e púrpura. Cordões e borlas de ouro e púrpura, haste e lança de ouro.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicações dos esmaltes, tudo envolvido por dois círculos concêntricos, onde corre a legenda «Câmara Municipal de Cantanhede».

Cultura e Turismo

           O concelho de Cantanhede caracteriza-se pela sua situação privilegiada, no centro de uma vasta zona de interesse turístico. Um dos principais atrativos do concelho é sem dúvida a praia da Tocha, antiga aldeia de pescadores da freguesia de Tocha, onde ainda podem ser encontrados vestígios de antigos palheiros. No que diz respeito a infra-estruturas culturais, destaca-se a Biblioteca Municipal de Cantanhede, integrada na Rede de Leitura Pública; este espaço visa uma melhor democratização da sociedade, possibilitando a livre circulação da informação e de ideias.


Aldeia dos Pescadores 

Museu da Pedra

         O Museu da Pedra da cidade de Cantanhede foi inaugurado a 20 de Outubro de 2001 e desde então tem desenvolvido um trabalho notório tendo sido já distinguido com os prémios: Menção honrosa de melhor museu português 2001 e Geo-Conservação 2006. Instalado num edifício recuperado do século XVIII o museu dedica-se à abordagem da pedra sob as mais variadas perspectivas. Possuí artefatos arqueológicos recolhidos nas estações pré-históricas e romanas do concelho, achados paleontológicos oriundos das pedreiras locais, ornamentos realizados com "Pedra de Ançã", estatuária religiosa proveniente de igrejas e capelas da cidade e seu termo, e as ferramentas utilizadas na sua elaboração. O museu possuí também um núcleo de exposições temporárias, auditório e ateliers de artes plásticas nos quais são regularmente desenvolvidas atividades lúdico-pedagógicas dirigidas especialmente às escolas.

Gastronomia

         O Concelho de Cantanhede apresenta pratos de uma gastronomia rica e diversificada com características muito próprias, embora em alguns casos com manifestas influências de outras regiões, são eles, Sopa Gandaresa; Caldo Verde; Sopa de Feijão ou à Camponesa; Caldeirada de Peixe; Robalo Assado no Forno; Batata Assada na Areia; Bacalhau à Lagareiro; Sardinha Assada na Telha; Leitão à Bairrada; Cabidela de Leitão; Chanfana à Bairrada; Arroz Malandro; Bucho Recheado; Torresmos; Sarrabulho; Vitela Assada; Entrecosto em Vinho d'Alhos; Frango de Churrasco; Galo Velho; Açorda de Nabos, em relação aos doces podemos encontrar o Bolo de Ançã ; Folar da Páscoa; Tigelada; Arroz-doce; Aletria; Filhós de Abóbora; Papas de Abóbora Menina. Também de salientar outros petiscos como o Chouriça de Vinho d'Alho; Morcelas de Sangue; Farinheiras; Boroa de Milho; Tremoço de Cadima.

                                                                  Leitão á Bairrada 
Bolo de Ançã



sábado, 23 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Montemor-o-Velho

Brasão de Montemor-o-Velho

Localização

         Localizado no centro de Portugal, o concelho de Montemor-o-Velho está integrado no distrito de Coimbra, na sub-região do Baixo-Mondego. O concelho abrange uma área de 228.6 km2 , sendo constituído por 13 freguesias e pelas vilas de Azarede, Carapinheira, Montemor-o-Velho, Pereira, Tentúgal e Verride. Tem como limites a Norte o concelho de Cantanhede; a Sul, o de Soure; a Este o de Condeixa-a-Nova e Coimbra e a Oeste o concelho da Figueira da Foz, o concelho é atravessado pelo rio Mondego que é o seu principal elemento hidrográfico. Trata-se de um dos poucos municípios de Portugal territorialmente descontínuos. O caso de Montemor-o-Velho é único no contexto português, pois a descontinuidade do concelho deve-se à existência, na zona sudeste do seu território, de um pequeníssimo enclave pertencente ao vizinho concelho de Soure (freguesia de Figueiró do Campo), encaixado entre as freguesias montemaiorenses de Pereira e Santo Varão.



História

              Anteriormente era designada por Montemor sobre o Mondego, passando depois a chamar-se Montemor-o-Velho, para se diferenciar da outra vila de Montemor que existia no Alentejo. A ocupação do território que corresponde ao atual concelho de Montemor-o-Velho é bastante remota, estando comprovada a permanência dos romanos nesta região. Foram encontrados vários vestígios comprovativos desse facto, como blocos de cantaria, uma lápide de Lúcio Cádio Cela e uma lápide de Júpiter. Com a ocupação da Península Ibérica pelos mouros, no século VIII iniciou-se um período de lutas intensas em que Montemor-o-Velho e o seu castelo desempenharam um papel crucial, em parte devido à sua localização geográfica. Com a invasão da Península Ibérica no ano de 714, Montemor caiu no poder dos mouros, tendo sido reconquistada em 848 pelo rei leonês D. Ramiro. A este respeito é contada na região uma lenda interessante: O monarca leonês, após ter conquistado a vila, dirigiu-se ao Mosteiro de Lorvão para visitar o abade D. João, seu parente. Aí chegado, encontrou os monges que aí viviam em grande miséria e o convento em completo estado de ruína. Sentindo pela triste situação em que se encontravam, doou-lhes alguns campos no distrito de Coimbra e a vila de Montemor, mas com a condição de nela sustentarem uma prisão de soldados que a defendessem das hostes inimigas. O mencionado abade tomou assim conta da vila, onde passou a habitar com alguns dos seus companheiros. Decorrido algum tempo, um grande exército mauritano acampou no sopé do monte, fazendo um apertado cerco ao castelo. Os sitiados defenderam-se como puderam dos mouros, porém esgotando-se os mantimentos e vendo diante de si a rendição forçada, resolveu o abade que as mulheres, as crianças e os velhos que se encontravam dentro da fortaleza fossem por si e por seus companheiros sacrificados para evitar que caíssem nas mãos dos inimigos. Depois de aprovada esta ideia, cada um dos guerreiros tirou a vida aos seus entes mais queridos, degolando-os. Depois de venceram os mouros voltaram ao castelo, desgostosos pelo ato de crueldade que aí cometeram, e qual não foi o seu espanto quando aí voltaram a encontrar os que haviam degolado, mas com um círculo vermelho no pescoço, a recordar a tragédia. Em 990, voltou Montemor a sofrer as investidas dos mouros, desta feita levadas a cabo pelo terrível Almansor que atribuiu o seu governo a Froila Gonçalves. No reinado de Afonso V, a terra foi de novo recuperada pelos cristãos, para cair outra vez na posse dos mouros em 1026. Em 1034, Gonçalo Trastamires recupera-a para os cristãos e em 1064, a linha do Mondego considera-se definitivamente reconquistada. Neste período de relativa acalmia, D. Raimundo, governador de Coimbra, concede carta de povoação a Montemor em 1095. No entanto, em 1116, dá-se nova investida dos mouros, que destroem o vizinho castelo de Santa Olaia. Montemor resistiu, tendo o seu castelo sido reedificado em 1117. No reinado de D. Sancho I a vila tinha poucos moradores, motivo pelo qual este rei ordenou o seu repovoamento, como se vê pelo foral que lhe concedeu em 1201. Por seu falecimento, o mesmo monarca deixou a suas filhas, D. Teresa e D. Sancha, o senhorio de Montemor e de outras praças e mosteiros, o que originou grandes desavenças entre estas e o seu irmão, D. Afonso II. Os conflitos apenas foram resolvidos através da ação do papa que obrigou a entrega dos castelos aos templários e o senhorio da vila a D. Teresa, mas uma posterior composição, já falecido o rei, levaria de novo Montemor ao senhorio real. Anteriormente, as já mencionadas D. Sancha e D. Teresa deram foral a Montemor-o-Velho em Maio de 1212, o qual foi mais tarde confirmado por D. Afonso III, em 1248. Em 1286, D. Dinis doou a sua irmã, D. Branca, os padroados da vila e da igreja. Em 1322, o mesmo rei concedeu a seu filho, D. Afonso, o senhorio de Montemor. O Infante D. Pedro, Duque de Coimbra, foi também senhor desta vila. D. João II legou depois a seu filho, D. Jorge de Alencastre, as terras que haviam sido de pertença de D.Pedro e que passaram mais tarde para a Casa de Aveiro. Em 1516, o rei D. Manuel I concedeu foral novo ao "concelho e termo" de Montemor-o-Velho.

Bandeira de Montemor-o-Velho

Heráldica

Brasão: de púrpura com um castelo de ouro aberto e iluminado de negro. A torre central carregada por uma quina de Portugal antigo. O castelo acompanhado por duas flores de lis, de ouro. Em contrachefe três faixas ondadas, duas de prata e uma de azul. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Montemor-o-Velho», de negro.

Bandeira: esquartelada de amarelo e negro. Cordões e borlas de ouro e de negro. Hasta e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicações dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Montemor-o-Velho».


Cultura e Turismo

           Na margem Norte do Mondego sobressai a Serra de Montemor com o seu castelo, uma das principais atrações turísticas do concelho. Apresenta-se num bom estado de conservação e dele se pode desfrutar uma bela vista sobre os arrozais do rio Mondego e restantes terrenos de cultivo. Integrada no castelo, pode-se encontrar a Igreja de Santa Maria de Alcáçova, mandada edificar no século XI e reedificada no século seguinte. A nível de infra-estruturas culturais, destaca-se no concelho de Montemor-o-Velho o Teatro Ester de Carvalho; anteriormente designado Teatro Infante D. Manuel, com o advento da República passou a chamar-se Ester de Carvalho, como forma de homenagem a esta atriz, muito conceituada quer em Portugal quer no Brasil, no século XIX.


Gastronomia

            Prove as nossas especialidades gastronómicas: o arroz de lampreia, as papas laberças, o pato à moda do Mondego, o arroz malandro de cabidela, o sarrabulho, entre outras iguarias do nosso património gastronómico. Para a sobremesa delicie-se com a doçaria conventual, procurando assim a raiz histórica da presença e influência monástica neste espaço: são os papos de anjo, as barrigas de freira e as queijadas de Pereira, as espigas doces de Montemor, as queijadas e os pastéis de Tentúgal, o arroz doce e as papas de moado confeccionadas à base de sangue de porco e especiarias.

                                                                                                   Pasteis de Tentúgal
Arroz de Lampreia 

Papas Laberças