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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Condeixa-a-Nova

Brasão de Condeixa-a-Nova

Localização

          O concelho de Condeixa-a-Nova pertence à província da Beira Litoral, distrito de Coimbra, e ocupa uma área de 141.2 km2, distribuída por dez freguesias, uma das quais (Condeixa-a-Nova) com sede em vila. Faz fronteira a Norte com o município de Coimbra, a Leste com Coimbra e Miranda do Corvo, a Sul com Penela e Soure e a Oeste igualmente com Soure e Montemor-o-Velho. Os rio dos Mouros e a ribeira de Alcabideque são os principais cursos de água do concelho. É considerada por alguns como a Vila portuguesa com mais casas apalaçadas. Podemos, num pequeno passeio encontrar o Palácio dos Costa Alemão, infelizmente já só temos uma pequena parte das ruínas da casa solarenga da Quinta de São Tomé, temos o Palácio dos Sotto Mayor, as atuais instalações da Câmara Municipal também eram um Palácio, na Praça da República temos mais uma casa senhorial e a recuperada Pousada de Santa Cristina, antigo palácio incendiado aquando das invasões francesas. Bem perto de Condeixa-a-Nova, estão localizadas as Ruínas de Conímbriga, pólo de grande interesse turístico ( o segundo local mais visitado, logo depois de Fátima) e de investigação histórica. 



História

           A história deste concelho está profundamente ligada com Conímbriga, cidade luso-romana, estabelecida no século II a.C., num promontório rochoso entre dois vales, ladeada meridionalmente pelo Rio Caralio, hoje Rio dos Mouros, e setentrionalmente pela planície. Durante a ocupação romana, mais precisamente sob a administração de Augusto, Conímbriga impôs-se como uma grande cidade, com a criação de balneários, de um fórum e de um aqueduto. Nos séculos I-II d.C., a demonstrar um importante estatuto político, a cidade, que passara a ser designada por Flavia Conímbriga, vai ser dotada de novos instrumentos de prestígio - um novo fórum (fórum flaviano) e novas termas (termas trajánicas). Na passagem do século III para o século IV, o estruturado Império Romano começa a desagregar-se e os povos "bárbaros", nómadas ou seminómadas, multiplicam as incursões pelo território. É desta época que datam as ainda imponentes muralhas da cidade, que no entanto não foram suficientes para a defender. Em meados do século V foi ocupada pelos suevos e depois pelos visigodos. No final do século VI o bispo de Conímbriga transfere-se para Aeminium/Coimbra. A primeira referência a Condeixa-a-Nova consta num manuscrito de 1219, em que aparece já com o atual topónimo, para se distinguir de outra Condeixa (a Velha). É durante o século XVI que Condeixa-a-Nova sofre um verdadeiro surto de desenvolvimento, impulsionado pela passagem de D. Manuel I por estas terras. Este monarca terá mandado edificar a Igreja Matriz e passou carta foral a 2 de Novembro de 1517. Com a Carta de Lei de D. Maria II, publicada em 17 de Abril de 1838, Condeixa-a-Nova alcançou a sua emancipação administrativa. O concelho então constituído era composto por nove freguesias Anobra, Belide, Bem da Fé, Condeixa-a-Nova, Condeixa-a-Velha, Ega, Furadouro, Sebal e Vila Seca. Em 1852, aquando da extinção do concelho de Rabaçal foi-lhe anexada a freguesia de Zambujal, ficando então o concelho de Condeixa-a-Nova com a configuração que apresenta atualmente.

Bandeira de Condeixa-a-Nova

Heráldica

Brasão: de azul, com faixa de prata com um açafate de vermelho com flores de suas cores. Em chefe, duas palmas de ouro cruzadas em aspa. Em contra-chefe, quatro espigas de trigo de ouro atadas em ponta de vermelho, acompanhando uma romã de sua cor, aberta de vermelho e sustida e folhada de ouro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres «Vila de Condeixa-a-Nova» de negro.

Bandeira: esquartelada de amarelo e de vermelho. Cordões e borlas de ouro e de vermelho. Haste e lança douradas.

Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas, sem indicações dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova".

Ruínas de Conímbriga

            Conímbriga é uma das maiores povoações romanas de que há vestígios em Portugal. Classificada Monumento Nacional, é a estação arqueológica romana mais bem estudada no país. Conímbriga foi à época da Invasão romana da Península Ibérica a principal cidade do Conventus Scallabitanus, província romana da Lusitânia. Localiza-se a 16 km de Coimbra, na freguesia de Condeixa-a-Velha, a 2 km de Condeixa-a-Nova. A estação inclui o Museu Monográfico de Conímbriga  onde estão expostos muitos dos artefatos encontrados nas escavações arqueológicas, incluindo moedas e instrumentos cirúrgicos. Conímbriga é uma das raras cidades romanas que conserva a cintura de muralhas, de planta aproximadamente triangular. O tramo Norte-Sul das muralhas divide a cidade em duas zonas. Particularmente notável pela planta e pela riqueza dos mosaicos que a pavimentam, é a grande villa urbana com peristilo central, a Norte da via. Em trabalhos junto à muralha Sul foi descoberto um grande edifício cuja finalidade seriam termas públicas, com as suas divisões características. Muitos estudiosos pretendem que a primitiva ocupação humana de seu sítio remonte a um castro de origem Celta da tribo dos Lusitanos. O que se sabe ao certo, entretanto, é que a campanha de escavações de 1913, encontrou testemunhos da Idade do Ferro, a eles podendo juntar-se peças de pedra e bronze que podem fazer recuar o início da povoação do local. E, nesse caso teríamos que relacionar o povo conii, o que para muitos explica a origem do topónimo atual de Coimbra, com a cultura megalitica da região sul de Portugal. 
Conímbriga localizava-se na via que ia de Olisipo (atual Lisboa) a Bracara Augusta (atual Braga). Foi ocupada pelos romanos durante as campanhas de Décimo Junio Bruto, em 139 a.C.. No reinado do imperador César Augusto (século I), a cidade sofreu importantes obras de urbanização, tendo sido construídas as termas públicas e o Forum. As referências a seu respeito em fontes literárias antigas são escassas: ao descrever a Lusitânia, a partir do Douro, Caius Plinius Secundus refere a oppida Conimbriga; o Itinerarium de Antonino, menciona-a como estação viária na estrada que liga Olisipo (Lisboa) a Bracara Augusta (Braga). Nos finais do século IV, e com o declínio do Império Romano, foi construída uma cintura muralhada de defesa urbana, com cerca de mil e quinhentos metros de extensão, possivelmente para substituir e reforçar a antiga muralha do tempo de Augusto. A maneira um tanto rústica como este muro está construído denota uma certa urgência na sua obra, evidenciando um clima de tensão e de iminentes ataques, por parte dos povos bárbaros. 
As primeiras escavações arqueológicas sistemáticas em seu sítio começaram em 1899 graças a um subsídio concedido pela rainha D. Amélia. Entre os seus pesquisadores destaca-se Virgílio Correia que, entre 1930 e 1944 (ano em que veio a falecer), escavou sistematicamente toda a área contígua à muralha Leste, colocando a descoberto, extramuros, as termas públicas e três vivendas. Entre estas últimas, destaca-se a chamada Casa dos Repuxos, com uma área de 569 m², pavimentada com mosaicos e com um jardim central onde se conservava todo um sistema de canalizações com mais de 500 repuxos. Na zona interna à muralha as escavações revelaram uma basílica paleocristã e uma luxuosa vivenda com termas privativas. As escavações revelaram ainda um fórum augustano, demolido na época dos Flávios, altura em que a cidade recebeu um estatuto municipal, para dar lugar a um novo fórum de maiores dimensões e monumentalidade; e umas termas, também construídas no reinado de Augusto. Entre estes sectores monumentais foi escavada uma zona habitacional, da época claudiana, constituída por insulae que seria ocupada pela classe média da população ligada ao artesanato. A partir de uma nascente localizada em Alcabideque a água era conduzida até Conímbriga por um aqueduto. Em meados do século XX, a partir de 1955 o ritmo das investigações intensificou-se. Os abundantes materiais arqueológicos de toda a espécie, que não era possível conservar no local encontram-se no Museu Monográfico de Conímbriga.





Cultura e Turismo

           O concelho de Condeixa-a-Nova é bastante rico no que diz respeito a infra-estruturas culturais e igualmente apelativo em termos turísticos. A este nível são de destacar o paúl de Arzila e as Buracas do Casmilo. O paúl de Arzila é um dos últimos biótopos restantes no vale do Mondego e serve de habitat a um variado número de animais que aqui se abrigam e reproduzem; o parque possui um centro de interpretação que dá informação e serviço de visitas guiadas aos visitantes. A Buracas do Casmilo são um dos ex-libris do concelho e constituem um dos fenómenos exemplares a nível espeleológico, denominado de incasão; são um bom local para a realização de pequenos acampamentos e prática de vários desportos (escalada, montanhismo, orientação, rappel...). O atrativo mais significativo do concelho de Condeixa-a-Nova é no entanto a antiga cidade de Conímbriga que apresentam ao público um conjunto de edifícios e monumentos e um museu monográfico destinado à guarda e exposição dos achados arqueológicos.

                                                                                                  Buracas do Casmilo
Paúl de Arzila 

Gastronomia

        A gastronomia de Condeixa-a-Nova é fortemente marcada pela tradição serrana. Dos pratos tradicionais, destacam-se os seguintes: o cabrito assado no forno, acompanhado por batatas assadas e grelos cozidos e o Queijo do Rabaçal. Bastante apreciado é também o licor de leite, confeccionado por processos artesanais, na zona do Rabaçal e Zambujal.




quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Coimbra

Brasão de Coimbra

Localização

           Coimbra é uma cidade portuguesa, capital do Distrito de Coimbra, a maior cidade da região Centro de Portugal e situada na sub-região do Baixo Mondego, cidade historicamente universitária, por causa da Universidade de Coimbra, fundada em 1290, conta atualmente com cerca de 30 mil estudantes. Banhada pelo Rio Mondego, Coimbra, é sede de um município com 319,41 km² de área e subdividido em 31 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Mealhada, a leste por Penacova, Vila Nova de Poiares e Miranda do Corvo, a sul por Condeixa-a-Nova, a oeste por Montemor-o-Velho e a noroeste por Cantanhede. É considerada uma das mais importantes cidades portuguesas, devido a infraestruturas, organizações e empresas para além da sua importância histórica e privilegiada posição geográfica no centro da espinha dorsal do país, Coimbra é também referência nas áreas do Ensino e da Saúde. O feriado municipal ocorre a 4 de Julho, em memória da Rainha Santa Isabel, padroeira da cidade. O rio Mondego atravessa o concelho, em sentido Nascente-Poente e tem como principais afluentes na margem esquerda: o rio Ceira, o rio Dueça e a ribeira de Antanhol; na margem direita, foi Capital Nacional da Cultura em 2003 e é uma das cidades mais antigas do país, tendo sido capital do Reino, e apresenta como principal ex-libris a sua Universidade, a mais antiga de Portugal e dos países de língua portuguesa, e uma das mais antigas da Europa.os principais afluentes são o rio Botão, a ribeira de Souzelas, a ribeira de Eiras e a ribeira de Ançã. 


História

       A cidade de Coimbra teve a sua origem num núcleo castrejo estabelecido no ponto mais elevado da colina da Alta, sobranceira ao Mondego que, além de proporcionar uma excelente posição estratégica, era um local de passagem quase obrigatório. Durante a ocupação romana, a cidade apresentava-se com o nome Aeminium, estando já instituída como centro administrativo. Além do fórum, localizado no centro da cidade, sabe-se que o povoado viu emergir no seu perímetro urbano vários edifícios como arcos honoríficos, um aqueduto, entre outros. Junto à via Olissipo-Braccara Augusta, atual Santa Cruz, supõem-se que se tenham construído umas termas ou banhos públicos.Com a ocupação visigótica, a cidade desenvolveu-se bastante, sendo deste período as primeiras notícias da organização eclesiástica de Coimbra, embora se desconheça quando ela teve a sua origem. De certo, sabe-se que em 563, no primeiro concílio de Braga, encontrava-se já presente um bispo de Coimbra, cuja a diocese tinha sede em Conímbriga. Coimbra esteve no poder dos muçulmanos durante mais de um século, tendo sido conquistada aos mouros em 878 pelo rei Afonso III de Leão que a mandou repovoar. Aí se instalou o bispo, foragido de Conímbriga que não se conseguia libertar das incursões inimigas e que acabou por ser abandonada pelos seus habitantes. Acabaram por se estabelecer em Emígio que terá tomado o nome da antiga sé episcopal, explicando-se deste modo a origem do atual topónimo de Coimbra. Após as bem sucedidas campanhas de Almançor, a região ficou de novo sob domínio dos mouros até 1064, ano em que D. Fernando reconquista definitivamente a cidade. Em 1094, assume o governo da província portucalense o Conde D. Henrique que faz de Coimbra o centro da sua ação política e militar; já então a cidade recebera foral, outorgado por Afonso VI, consagrando a organização municipal. Em 1111, o Conde D. Henrique e D. Teresa outorgam novo foral a Coimbra. Este foral é um documento notável pela minúcia com que estabelece os direitos e obrigações e pela transformação que opera no sistema tributário em detrimento do poder central. Por ele se averigua também que a população de Coimbra era constituída por nobres, infanções, cavaleiros, peões e colonos. Convém referir que durante o reinado de D. Afonso Henriques aconteceu o que viria em grande parte condicionar a vida da cidade: a fundação do Mosteiro de Santa Cruz. Por influência deste monarca, o mosteiro beneficiou de grandes privilégios e libertou-se da jurisdição ordinária do bispo. A proteção que usufruiu, permitiu-lhe acumular riquezas enormes e lançar-se no caminho da instrução superior, em oposição intencional à antiga escola do cabido. Em Coimbra reuniram-se as cortes desde muito cedo, sendo se de destacar as de 1385 onde, por influência de João das Regras, chega ao trono D. João I, Mestre de Avis. A 4 de Janeiro de 1451 concedia D. Afonso V a Coimbra, o primeiro privilégio importante de que a cidade nunca pertenceria a ninguém senão à corte. Anteriormente a cidade, que era segunda do reino, pertencera ao Infante D. Pedro que a recebera de D. João I seu pai. A Universidade de Coimbra teve uma grande influência na vida social, cultural e económica de Coimbra. Esta Universidade foi criada em 1290 por D. Dinis, começando a funcionar em Lisboa e transferindo-se em 1308 para Coimbra. Instalou-se então no lugar designado por "Estudos Velhos". Em 1338, no reinado de D. Afonso IV, transferiu-se de novo para Lisboa, para em 1354 voltar para Coimbra, instalando-se desta vez na parte baixa da cidade por onde o burgo se começava a estender. Em 1377, no reinado de D. Fernando, muda-se mais uma vez para Lisboa, onde agora vai permanecer por mais de um século e meio. Em 1537, no reinado de D. João III, dá-se a transferência definitiva para Coimbra e para o velho Paço da Alcáçova, acompanhada da reforma dos estudos e do ingresso de novos docentes. O atual concelho de Coimbra foi instituído por decreto de 24 de Outubro de 1855 que acrescentou ao concelho já existente a freguesia de Vil de Matos, desanexando-a de Cantanhede.

Bandeira de Coimbra

Heráldica

Brasão: de vermelho com uma taça de ouro realçada de púrpura, acompanhada de uma serpe alada e um leão batalhantes, ambos de ouro, armados e lampassados de púrpura. Em chefe, um busto de mulher, coroada de ouro, vestida de púrpura e com manto de prata, acompanhado por dois escudetes antigos das quinas. Colar da Ordem de Torre e Espada.

Bandeira: com 1 metro quadrado, quarteada de amarelo e de púrpura. Listel branco com letras pretas. Cordões e borlas de ouro e púrpura. Lança e haste de ouro.


Cultura e Turismo

               Coimbra é por si só um grande pólo turístico não só do distrito homónimo, como também de Portugal, sendo a cidade um dos locais mais procurados e visitados do país. No concelho são muitos os locais de inegável interesse turístico e cultural, como: o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, criado em 1772 no âmbito do Museu de História Natural instituído pelo Marquês de Pombal na Universidade de Coimbra; o Portugal dos Pequeninos, o grande precursor dos parques temáticos dedicados às crianças e onde se podem encontrar conjuntos miniaturais dedicados ao Império Colonial, bem como os mais importantes monumentos portugueses e casas tradicionais; e a Quinta das Lágrimas, cuja história está relacionada com a história de amor proibido entre D. Pedro e Inês de Castro. Segundo consta, as matas desta quinta teriam sido coutadas de caça da família Real que então residia em Coimbra e era aqui que se encontravam Pedro e Inês em segredo. Terá sido na mata desta quinta que Inês foi assassinada pelos três validos de D. Afonso IV e terão sido as lágrimas que então chorou que fez nascer a Fonte das Lágrimas, onde o sangue que do seu corpo saiu ainda hoje está gravado na rocha. A nível de unidades museológicas, o concelho de Coimbra é bastante rico sendo de se destacar: o Museu de Arte Sacra da Universidade; o Museu Académico, localizado no antigo Colégio de S. Jerónimo e cujas peças procuram retratar o estudante; o Museu Antropológico que, juntamente como os Museus da Botânica, de Mineralogia e o de Zoologia, faz parte da unidade orgânica de História Natural da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra; o Museu Bissaya Barreto; o Museu Nacional Machado de Castro, localizado no antigo Paço dos Bispos; e o Museu dos Transportes. Conhecida como a "cidade dos estudantes", Coimbra ficou imortalizada no fado de Raul Ferrão e José Galhardo que resume bem o espírito da cidade: 
Coimbra é uma lição/ de sonho e tradição/
 o lente é uma canção/ e a lua a faculdade/ 
o livro é uma mulher/ só passa quem souber/
 e aprende-se a dizer: saudade./ 
Coimbra do Choupal,/ ainda és capital/ do amor em Portugal, ainda./ 
Coimbra onde uma vez/ com lágrimas se fez/ 
a história dessa Inês tão linda./ 
Coimbra das canções/ tão meiga que nos pões/
 os nossos corações a nu./ Coimbra dos doutores/ 
para nós os teus cantores/ a fonte dos amores és tu.

                                                                                                         Mata Nacional de Vale de Canas
Penedo da Saudade 

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Jardim Botânico de Coimbra

Gastronomia

           Os pratos típicos de Coimbra são a chanfana ou os negalhos que se fazem do bandulho da cabra ou cabrito, o arroz de lampreia, o polvo cozido e a tibornada com batatas a murro. Na doçaria, destacam-se as arrufadas, as velhoses, os bolinhos bolinhós, o arroz doce, a sopa dourada das freiras de Santa Clara, o pudim de ovos, os biscoitos de canela, a lampreia de ovos, os capelos e as talhadas de príncipe.

                                                                                                                        Chanfana 
Arrufadas de Coimbra 

Sopa Dourada 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho da Mealhada

Brasão de Mealhada

Localização

          Mealhada é um concelho do distrito de Aveiro, de cuja sede dista aproximadamente trinta e sete quilómetros, e está assente numa zona de transição entre os distritos de Aveiro e Coimbra. Situa-se em pleno centro da região demarcada da Bairrada, entre olivais e vinhas, na margem direita do rio Cértima, afluente do rio Vouga, a 60 metros de altitude e, estende-se, em parte, entre a Serra do Buçaco e a orla gandareza de Cantanhede. O concelho da Mealhada tem uma área de cerca 112 Km2 onde se distribuem as suas oito freguesias: Antes, Barcouço, Casal Comba, Vacariça, Ventosa do Bairro, Luso, esta com sede na Vila do mesmo nome, assim como acontece com as de Mealhada e Pampilhosa. O município é limitado a norte pelo município da Anadia, a leste por Mortágua, a sueste por Penacova, a sueste e sul por Coimbra e a oeste por Cantanhede. Inserido numa paisagem uniforme e pouco acidentada, o concelho de Mealhada desfruta de ótimas condições geomorfológicas, a par de excelente situação que lhe permite ser nó importante de comunicações, motivo que constitui dos principais factores para o seu desenvolvimento. Com um clima mediterrânico/atlântico, caracterizado por Verões com dias quentes e noites frescas, a Bairrada é uma região de colinas suaves, soalheiras e barrentas, cujos limites naturais são os areais da orla marítima e as serras do Buçaco (Bussaco-Bos Sacrum dos romanos) e do Caramulo. A região é formada por solos de constituição mineral de diferentes épocas geológicas onde predominam os terrenos pobres, que variam desde os arenosos aos argilosos, encontrando-se também os franco-arenosos. 

História

        Os primeiros vestígios da presença humana na zona da Mealhada remontam ao Paleolítico, havendo, igualmente, múltiplos achados que testemunham a presença romana nesta região, tais como vestígios da via militar, Olissipo - Aemínium - Cale (Lisboa - Coimbra - Porto), e o marco miliário que data da época do Imperador Calígula (ano 39 d.C.). Porém, a povoação surge pela primeira vez documentada, apenas em 1288, e sob a designação de "Mealhada Má". O qualificativo (Má) caiu em desuso a partir do século XVI e, o topónimo Mealhada parece aludir à recolha de "mealhas", ou seja, contribuições em dinheiro miúdo. No início, a mealha não era uma moeda em si; chamava-se "medalia" em latim vulgar, e era a metade de um "denarius", que era partido em dois; estas "medaliae" (manaliae na Baixa Idade Média), ou seja, as mealhas, eram usadas no pagamento de impostos locais, e eram armazenadas nos chamados cofres mealheiros. As mealhas foram abolidas por decisão de D. Manuel I. Administrativamente, o território da Mealhada pertenceu desde sempre ao concelho de Vacariça, onde por volta do século IX, os beneditinos fundaram um mosteiro (Mosteiro da Vacariça) que seria extinto no século XI. O seu declínio foi acarretado pela restauração da Sé de Coimbra após a reconquista da cidade em 1064. O cenóbio foi doado, em 1093, pelo Conde D. Raimundo, ao bispo coimbrão, desaparecendo a comunidade monacal no início do século XII, época em que, segundo documentos da altura, já a vila do Luso, situada na vertente noroeste da Serra do Buçaco, aparecia ligada ao referido mosteiro. "Luso" é um topónimo que deriva, indiscutivelmente, de um antropónimo, embora não existam provas suficientes para se determinar com exatidão se teve origem no germânico "Lausus", se no latim "Lucius", apesar da evolução fonética da palavra apontar para a última hipótese. Segundo Ferraz da Silva "... a certidão de nascimento do Luso tem data de 1064, recolhida num inventário de vilas e lugares entre Vouga e Mondego, pertencentes ao Mosteiro da Vacariça, onde se refere, entre outras, a «vila de luso, que fuit de Abba Noguram cum su ecclesia vocabulo sancti Tomé»". Luso separou-se desta primordial paróquia ("sancti Tomé") em 1834, mantendo-se independente até à atualidade. Importante será também informar acerca do topónimo "Buçaco", para tal, será necessário recorrer à História nacional. No início da Nacionalidade, o país foi povoado por vários estrangeiros, principalmente vindos da atual França; este facto originou uma série de topónimos portugueses com origem provençal, sendo "busac", nome de uma família de águias das grandes alturas e com uma vista extraordinária, uma possível justificação para o topónimo "Buçaco"; esta analogia de altitude e amplitude de visão está de inteiro acordo com a própria Serra do Buçaco. A Vacariça recebeu carta de foral de D. Manuel I; porém, em 1557, D. João Soares, Bispo de Coimbra, doaria as igrejas da Vacariça, Luso e Pampilhosa ao Colégio Conventual da Graça, em Coimbra. Mais tarde, em 1628, três freires da congregação dos Carmelitas Descalços de Aveiro foram para a mata do Buçaco, com o intuito de edificar o cenóbio, de acordo com a sua regra: o desejo de viverem num ermitério, num local isolado, onde pudessem praticar o desenvolvimento florestal (o Buçaco era o lugar ideal para se cumprirem estes votos). Alberto da Virgem, um dos religiosos vindos de Aveiro, foi o responsável pelo traçado arquitetónico do convento, marcado pela sua simplicidade, dedicado a de Santa Teresa. O Convento dos Carmelitas Descalços extinguiu-se, como muitos outros, em 1834, dois anos antes da criação do concelho da Mealhada, por D. Maria II, ao que seguiu a extinção do velho concelho da Vacariça, embora só declarada, quase um ano mais tarde, a 4 de Julho de 1837, incorporando-se nesta altura as freguesias que a ele pertenciam: Vacariça, Tamengos, Aguim, Casal Comba, Luso e Ventosa do Bairro, no novo concelho da Mealhada. No ano de 1853, por Decreto de 31 de Dezembro foram impostas novas alterações à área administrativa do concelho: perdeu a Norte as freguesias de Tamengos e Aguim, para o vizinho concelho de Anadia e ganhou a Sul as freguesias de Barcouço, do extinto concelho de Ançã (atual vila pertencente ao concelho de Cantanhede) e de Pampilhosa da Serra do concelho de Coimbra. O concelho de Mealhada foi, após a publicação do Decreto de 24 de Outubro de 1855, integrado na área administrativa do distrito de Aveiro. Judicialmente o concelho é hoje sede de concelho, instalada recentemente no edifício da Casa da Cultura da Mealhada. Curiosamente e, passados que foram longos anos da data em que se tornou sede de concelho, a vila de Mealhada só se autonomizou da vetusta freguesia da Vacariça, no ano de 1944, pelo Decreto-Lei nº 33.370.

Bandeira de Mealhada

Heráldica

Brasão: de prata, com um carvalho de sua cor sobre um terrado, acompanhado de dois cachos de uvas de púrpura, folhados de verde. Coroa mural de quatro torres, de prata.

Bandeira: de verde, com as armas ao centro e por baixo um listel com a inscrição «Mealhada», de negro.


Palácio Real e Mata Nacional do Buçaco

           O Palácio Real localiza-se na Mata Nacional do Buçaco, freguesia do Luso, concelho da Mealhada, distrito de Aveiro, em Portugal. Considerado como o último legado dos reis de Portugal constitui-se em um conjunto arquitetónico botânico e paisagístico único na Europa, onde está instalado atualmente o Palace Hotel do Bussaco, categorizado como um dos mais belos e históricos hotéis do mundo. O edifício foi projetado no último quartel do século XIX pelo arquiteto italiano Luigi Manini, cenógrafo do Teatro Nacional de São Carlos. Contou ainda com intervenções, em diferentes fases, dos arquitetos Nicola Bigaglia, Manuel Joaquim Norte Júnior e José Alexandre Soares, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1996. O edifício do atual hotel, em estilo neo manuelino  está decorado com painéis de azulejos, frescos e quadros alusivos à Epopeia dos Descobrimentos portugueses, todos eles assinados por alguns dos grandes mestres das artes. A estrutura exibe perfis da Torre de Belém lavrados em pedra de Ançã, motivos do claustro do Mosteiro dos Jerónimos, alguns arabescos e florescências do Convento de Cristo, alegando um gótico florido com episódios românticos em contraste com uma austera severidade monacal. Em seu interior destacam-se notáveis obras de arte de grandes mestres portugueses da época, desde a coleção de painéis de azulejos do mestre Jorge Colaço, evocando Os Lusíadas, os Autos de Gil Vicente e a Guerra Peninsular, graciosas esculturas de António Gonçalves e de Costa Mota, telas de João Vaz ilustrando versos da epopeia marítima de Luís Vaz de Camões, frescos de António Ramalho e pinturas de Carlos Reis. O mobiliário inclui peças portuguesas, indo-portuguesas e chinesas, realçadas por faustosas tapeçarias. Destaque ainda para o tecto mourisco, o notável soalho executado com madeiras exóticas e a galeria real. Os jardins e parque envolvente, o Convento de Santa Cruz do Buçaco, o Deserto monacal, o Sacromonte simbolizando Jerusalém e a paixão de Cristo, com os seus passos da Via Sacra, a Cruz Alta, as inúmeras ermidas e capelas, constituem o mais vasto conjunto arquitetónico edificado pela Ordem dos Carmelitas Descalços; o Vale dos Fetos e seus lagos, a Fonte Fria com a cascata artificial, de forte influência italiana pela mão de Maria Pia, e os miradouros românticos, são outras atrações. Complementarmente, o Museu Militar do Buçaco convida a uma incursão no historial da Guerra Peninsular, com destaque para a batalha do Buçaco na qual, em 1810, as tropas anglo-lusas lideradas pelo Duque de Wellington derrotaram o exército napoleónico.








Cultura e Turismo

         Encontram-se neste concelho vários edifícios e projetos destinados à cultura, ao desporto e ao lazer: Biblioteca Municipal, Casa da Cultura da Mealhada, Pavilhão Gimnodesportivo de Pampilhosa, Pavilhão Gimnodesportivo do Luso, Parque de Campismo, Piscina e Campo de Ténis do Luso e Piscina Municipal. Além destes, o concelho alberga outros importantes atractivos turísticos, como a Mata do Buçaco e as Termas do Luso. A termas, são estância de saúde e de férias, onde existe um dos mais avançados complexos termais de Portugal. Aqui, a tecnologia associa-se à acção fisiológica da água termal e aos restantes tratamentos especializados, onde os pormenores da saúde de cada aquista (pessoa em tratamento em local de águas medicinais) são acompanhados constantemente por equipas de médicos e técnicos de saúde qualificados. A Mata do Buçaco é um belo arvoredo com mais de 700 espécies vegetais, dedicado à meditação natural, protegido por muralhas e bulas papais, respeitado pelo ímpeto napoleónico de Massena contra Wellington e com um convento que os últimos reis de Portugal decoraram com arte neomanuelina para ser palácio e hotel deslumbrante. A floresta do Buçaco é única e primitiva e pertenceu aos monges carmelitas entre os anos de 1628 e 1834, monges que tinham por voto plantar árvores, protegê-las e amá-las, com o fervor de juntar à mata espécimes raros de outros continentes e tornar universal este templo da natureza. A Mata do Buçaco estende-se desde a Cruz Alta - o ponto mais alto da Serra do Buçaco, a 549 metros de altitude -, por dois vales separados pelo planalto onde se encontra o Palace Hotel (da autoria de Luigi Manini) e que se unem no cimo do escadório da Fonte Fria, formando o magnífico Vale dos Fetos.


Gastronomia

         A Bairrada, no centro da qual se encontra o Luso e todo o concelho da Mealhada, é uma referência e um ex-líbris no património gastronómico e dos vinhos de Portugal. A Mealhada é célebre pelos seus muitos restaurantes, onde bons vinhos e uma deliciosa especialidade, leitão assado, atraem muitos visitantes. O leitão assado é o seu grande cartão de visita, mas o pão da Mealhada (amassado e estendido por mãos sábias, que depois o levam a cozer em forno de lenha, entre pequenos segredos e sentidas preces), a chanfana de cabra, os caramujos e as cavacas do Luso não lhe ficam atrás. A cabidela de leitão é outra das relíquias da gastronomia local. Sabores que não dispensam a companhia dos apreciados néctares, produzidos criteriosamente nas adegas desta região vitivinícola, uma das mais antigas de Portugal.