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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho da Mealhada

Brasão de Mealhada

Localização

          Mealhada é um concelho do distrito de Aveiro, de cuja sede dista aproximadamente trinta e sete quilómetros, e está assente numa zona de transição entre os distritos de Aveiro e Coimbra. Situa-se em pleno centro da região demarcada da Bairrada, entre olivais e vinhas, na margem direita do rio Cértima, afluente do rio Vouga, a 60 metros de altitude e, estende-se, em parte, entre a Serra do Buçaco e a orla gandareza de Cantanhede. O concelho da Mealhada tem uma área de cerca 112 Km2 onde se distribuem as suas oito freguesias: Antes, Barcouço, Casal Comba, Vacariça, Ventosa do Bairro, Luso, esta com sede na Vila do mesmo nome, assim como acontece com as de Mealhada e Pampilhosa. O município é limitado a norte pelo município da Anadia, a leste por Mortágua, a sueste por Penacova, a sueste e sul por Coimbra e a oeste por Cantanhede. Inserido numa paisagem uniforme e pouco acidentada, o concelho de Mealhada desfruta de ótimas condições geomorfológicas, a par de excelente situação que lhe permite ser nó importante de comunicações, motivo que constitui dos principais factores para o seu desenvolvimento. Com um clima mediterrânico/atlântico, caracterizado por Verões com dias quentes e noites frescas, a Bairrada é uma região de colinas suaves, soalheiras e barrentas, cujos limites naturais são os areais da orla marítima e as serras do Buçaco (Bussaco-Bos Sacrum dos romanos) e do Caramulo. A região é formada por solos de constituição mineral de diferentes épocas geológicas onde predominam os terrenos pobres, que variam desde os arenosos aos argilosos, encontrando-se também os franco-arenosos. 

História

        Os primeiros vestígios da presença humana na zona da Mealhada remontam ao Paleolítico, havendo, igualmente, múltiplos achados que testemunham a presença romana nesta região, tais como vestígios da via militar, Olissipo - Aemínium - Cale (Lisboa - Coimbra - Porto), e o marco miliário que data da época do Imperador Calígula (ano 39 d.C.). Porém, a povoação surge pela primeira vez documentada, apenas em 1288, e sob a designação de "Mealhada Má". O qualificativo (Má) caiu em desuso a partir do século XVI e, o topónimo Mealhada parece aludir à recolha de "mealhas", ou seja, contribuições em dinheiro miúdo. No início, a mealha não era uma moeda em si; chamava-se "medalia" em latim vulgar, e era a metade de um "denarius", que era partido em dois; estas "medaliae" (manaliae na Baixa Idade Média), ou seja, as mealhas, eram usadas no pagamento de impostos locais, e eram armazenadas nos chamados cofres mealheiros. As mealhas foram abolidas por decisão de D. Manuel I. Administrativamente, o território da Mealhada pertenceu desde sempre ao concelho de Vacariça, onde por volta do século IX, os beneditinos fundaram um mosteiro (Mosteiro da Vacariça) que seria extinto no século XI. O seu declínio foi acarretado pela restauração da Sé de Coimbra após a reconquista da cidade em 1064. O cenóbio foi doado, em 1093, pelo Conde D. Raimundo, ao bispo coimbrão, desaparecendo a comunidade monacal no início do século XII, época em que, segundo documentos da altura, já a vila do Luso, situada na vertente noroeste da Serra do Buçaco, aparecia ligada ao referido mosteiro. "Luso" é um topónimo que deriva, indiscutivelmente, de um antropónimo, embora não existam provas suficientes para se determinar com exatidão se teve origem no germânico "Lausus", se no latim "Lucius", apesar da evolução fonética da palavra apontar para a última hipótese. Segundo Ferraz da Silva "... a certidão de nascimento do Luso tem data de 1064, recolhida num inventário de vilas e lugares entre Vouga e Mondego, pertencentes ao Mosteiro da Vacariça, onde se refere, entre outras, a «vila de luso, que fuit de Abba Noguram cum su ecclesia vocabulo sancti Tomé»". Luso separou-se desta primordial paróquia ("sancti Tomé") em 1834, mantendo-se independente até à atualidade. Importante será também informar acerca do topónimo "Buçaco", para tal, será necessário recorrer à História nacional. No início da Nacionalidade, o país foi povoado por vários estrangeiros, principalmente vindos da atual França; este facto originou uma série de topónimos portugueses com origem provençal, sendo "busac", nome de uma família de águias das grandes alturas e com uma vista extraordinária, uma possível justificação para o topónimo "Buçaco"; esta analogia de altitude e amplitude de visão está de inteiro acordo com a própria Serra do Buçaco. A Vacariça recebeu carta de foral de D. Manuel I; porém, em 1557, D. João Soares, Bispo de Coimbra, doaria as igrejas da Vacariça, Luso e Pampilhosa ao Colégio Conventual da Graça, em Coimbra. Mais tarde, em 1628, três freires da congregação dos Carmelitas Descalços de Aveiro foram para a mata do Buçaco, com o intuito de edificar o cenóbio, de acordo com a sua regra: o desejo de viverem num ermitério, num local isolado, onde pudessem praticar o desenvolvimento florestal (o Buçaco era o lugar ideal para se cumprirem estes votos). Alberto da Virgem, um dos religiosos vindos de Aveiro, foi o responsável pelo traçado arquitetónico do convento, marcado pela sua simplicidade, dedicado a de Santa Teresa. O Convento dos Carmelitas Descalços extinguiu-se, como muitos outros, em 1834, dois anos antes da criação do concelho da Mealhada, por D. Maria II, ao que seguiu a extinção do velho concelho da Vacariça, embora só declarada, quase um ano mais tarde, a 4 de Julho de 1837, incorporando-se nesta altura as freguesias que a ele pertenciam: Vacariça, Tamengos, Aguim, Casal Comba, Luso e Ventosa do Bairro, no novo concelho da Mealhada. No ano de 1853, por Decreto de 31 de Dezembro foram impostas novas alterações à área administrativa do concelho: perdeu a Norte as freguesias de Tamengos e Aguim, para o vizinho concelho de Anadia e ganhou a Sul as freguesias de Barcouço, do extinto concelho de Ançã (atual vila pertencente ao concelho de Cantanhede) e de Pampilhosa da Serra do concelho de Coimbra. O concelho de Mealhada foi, após a publicação do Decreto de 24 de Outubro de 1855, integrado na área administrativa do distrito de Aveiro. Judicialmente o concelho é hoje sede de concelho, instalada recentemente no edifício da Casa da Cultura da Mealhada. Curiosamente e, passados que foram longos anos da data em que se tornou sede de concelho, a vila de Mealhada só se autonomizou da vetusta freguesia da Vacariça, no ano de 1944, pelo Decreto-Lei nº 33.370.

Bandeira de Mealhada

Heráldica

Brasão: de prata, com um carvalho de sua cor sobre um terrado, acompanhado de dois cachos de uvas de púrpura, folhados de verde. Coroa mural de quatro torres, de prata.

Bandeira: de verde, com as armas ao centro e por baixo um listel com a inscrição «Mealhada», de negro.


Palácio Real e Mata Nacional do Buçaco

           O Palácio Real localiza-se na Mata Nacional do Buçaco, freguesia do Luso, concelho da Mealhada, distrito de Aveiro, em Portugal. Considerado como o último legado dos reis de Portugal constitui-se em um conjunto arquitetónico botânico e paisagístico único na Europa, onde está instalado atualmente o Palace Hotel do Bussaco, categorizado como um dos mais belos e históricos hotéis do mundo. O edifício foi projetado no último quartel do século XIX pelo arquiteto italiano Luigi Manini, cenógrafo do Teatro Nacional de São Carlos. Contou ainda com intervenções, em diferentes fases, dos arquitetos Nicola Bigaglia, Manuel Joaquim Norte Júnior e José Alexandre Soares, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1996. O edifício do atual hotel, em estilo neo manuelino  está decorado com painéis de azulejos, frescos e quadros alusivos à Epopeia dos Descobrimentos portugueses, todos eles assinados por alguns dos grandes mestres das artes. A estrutura exibe perfis da Torre de Belém lavrados em pedra de Ançã, motivos do claustro do Mosteiro dos Jerónimos, alguns arabescos e florescências do Convento de Cristo, alegando um gótico florido com episódios românticos em contraste com uma austera severidade monacal. Em seu interior destacam-se notáveis obras de arte de grandes mestres portugueses da época, desde a coleção de painéis de azulejos do mestre Jorge Colaço, evocando Os Lusíadas, os Autos de Gil Vicente e a Guerra Peninsular, graciosas esculturas de António Gonçalves e de Costa Mota, telas de João Vaz ilustrando versos da epopeia marítima de Luís Vaz de Camões, frescos de António Ramalho e pinturas de Carlos Reis. O mobiliário inclui peças portuguesas, indo-portuguesas e chinesas, realçadas por faustosas tapeçarias. Destaque ainda para o tecto mourisco, o notável soalho executado com madeiras exóticas e a galeria real. Os jardins e parque envolvente, o Convento de Santa Cruz do Buçaco, o Deserto monacal, o Sacromonte simbolizando Jerusalém e a paixão de Cristo, com os seus passos da Via Sacra, a Cruz Alta, as inúmeras ermidas e capelas, constituem o mais vasto conjunto arquitetónico edificado pela Ordem dos Carmelitas Descalços; o Vale dos Fetos e seus lagos, a Fonte Fria com a cascata artificial, de forte influência italiana pela mão de Maria Pia, e os miradouros românticos, são outras atrações. Complementarmente, o Museu Militar do Buçaco convida a uma incursão no historial da Guerra Peninsular, com destaque para a batalha do Buçaco na qual, em 1810, as tropas anglo-lusas lideradas pelo Duque de Wellington derrotaram o exército napoleónico.








Cultura e Turismo

         Encontram-se neste concelho vários edifícios e projetos destinados à cultura, ao desporto e ao lazer: Biblioteca Municipal, Casa da Cultura da Mealhada, Pavilhão Gimnodesportivo de Pampilhosa, Pavilhão Gimnodesportivo do Luso, Parque de Campismo, Piscina e Campo de Ténis do Luso e Piscina Municipal. Além destes, o concelho alberga outros importantes atractivos turísticos, como a Mata do Buçaco e as Termas do Luso. A termas, são estância de saúde e de férias, onde existe um dos mais avançados complexos termais de Portugal. Aqui, a tecnologia associa-se à acção fisiológica da água termal e aos restantes tratamentos especializados, onde os pormenores da saúde de cada aquista (pessoa em tratamento em local de águas medicinais) são acompanhados constantemente por equipas de médicos e técnicos de saúde qualificados. A Mata do Buçaco é um belo arvoredo com mais de 700 espécies vegetais, dedicado à meditação natural, protegido por muralhas e bulas papais, respeitado pelo ímpeto napoleónico de Massena contra Wellington e com um convento que os últimos reis de Portugal decoraram com arte neomanuelina para ser palácio e hotel deslumbrante. A floresta do Buçaco é única e primitiva e pertenceu aos monges carmelitas entre os anos de 1628 e 1834, monges que tinham por voto plantar árvores, protegê-las e amá-las, com o fervor de juntar à mata espécimes raros de outros continentes e tornar universal este templo da natureza. A Mata do Buçaco estende-se desde a Cruz Alta - o ponto mais alto da Serra do Buçaco, a 549 metros de altitude -, por dois vales separados pelo planalto onde se encontra o Palace Hotel (da autoria de Luigi Manini) e que se unem no cimo do escadório da Fonte Fria, formando o magnífico Vale dos Fetos.


Gastronomia

         A Bairrada, no centro da qual se encontra o Luso e todo o concelho da Mealhada, é uma referência e um ex-líbris no património gastronómico e dos vinhos de Portugal. A Mealhada é célebre pelos seus muitos restaurantes, onde bons vinhos e uma deliciosa especialidade, leitão assado, atraem muitos visitantes. O leitão assado é o seu grande cartão de visita, mas o pão da Mealhada (amassado e estendido por mãos sábias, que depois o levam a cozer em forno de lenha, entre pequenos segredos e sentidas preces), a chanfana de cabra, os caramujos e as cavacas do Luso não lhe ficam atrás. A cabidela de leitão é outra das relíquias da gastronomia local. Sabores que não dispensam a companhia dos apreciados néctares, produzidos criteriosamente nas adegas desta região vitivinícola, uma das mais antigas de Portugal.





terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho da Anadia

Brasão de Anadia

Localização

           Situado na sub-região da Bairrada, que dá nome aos vinhos aí produzidos, dos quais se destaca o afamado espumante natural, apreciado dentro e fora do país, o concelho de Anadia, composto por quinze freguesias, sendo as da Anadia e Sangalhos sediadas em Vilas com os mesmos nomes, ocupa uma área de 217,1 Km2, distando da sede distrital cerca de vinte e oito quilómetros. A evolução de Anadia tem acompanhado a própria evolução de toda a sub-região bairradina, pelo que a história de uma e outra acabam, muitas vezes, por se confundir. O solo argiloso e barrento, característica geológica que se estende por vales e colinas, fez desta uma região fértil para a agricultura, salientando-se os olivais, os pomares, as culturas do milho e do arroz. Possui uma extensa e rica área florestal, em que predomina o pinheiro, e do seu solo provém ainda a matéria-prima necessária à indústria de cerâmica, que aliás é atividade de raízes remotas, uma vez que existem vestígios das chamadas telhas romanas, bem como de tijolos, que apontam para antes da Reconquista Cristã. Mas, sem dúvida, que o bem maior dos terrenos argilosos da Bairrada são os vinhos maduros, vinhos fortes e "encorporados", além do referido espumante natural.


História

          A existência deste concelho distancia-se no tempo e está repleta de histórias e tradições. A antiguidade do povoamento do seu território faz com que não haja certezas quanto à origem do nome, para a qual existem diversas explicações. A mais provável, no entanto, aponta para a designação, do latim "aqua nativa", "fonte natural", ou seja água pura e boa para beber, e não de "Anadaria", como foi proposto no século XIX. Um documento de 1082, referente ao diferendo entre o Mosteiro da Vacariça e os minorinos do alvazir Sisnando, Conde de Coimbra, refere a "illa Nadia", um degrau intermédio na evolução do topónimo, cujo significado seria "limite de outras povoações". Também no tempo de D. Afonso Henriques, aparece com o mesmo sentido de limite, no documento em que este monarca fez couto para a Sé de Coimbra. Longe das pesquisas de arquivos e etimologias, também o povo achou que tinha algo a dizer quanto ao nome da terra. Assim, segundo a tradição popular o topónimo vem do nome de uma mulher que costumava vender na estrada de Coimbra o vinho que produzia. Isto tornou-a tão conhecida que as pessoas passaram a associar àquela povoação o nome dessa mulher, que era não mais do que...Ana Dias! Situado na região da Bairrada, que dá nome aos vinhos aí produzidos, o concelho de Anadia rapidamente se tornou um importante centro comercial e administrativo de uma fértil área agrícola. Foi o principal centro produtor de vinhos espumosos naturais, e a região do país onde foi iniciada a sua preparação com a ajuda de peritos franceses da região de Champagne, sendo as suas marcas geralmente apreciadas, e rivais dos produtos similares importados do estrangeiro. Seguramente, ao longo dos tempos, as terras férteis deste concelho mostraram ser de extrema importância; por exemplo, após a Reconquista, há relatos de que estas pertenceram a Santiago de Compostela; é também certo que o senhorio de Anadia pertenceu desde o reinado de D. Afonso Henriques, aos frades do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. No reinado de D. Sancho, outros casais passaram para a posse de um cavaleiro de nome Guterres Nunes. O foral do concelho então constituído, apenas foi concedido (pela sua povoação e uma parte de Arcos), em 21 de Agosto de 1514, pelo rei D. Manuel I, elevando a povoação a concelho, assim como acontecera a muitas outras, mais tarde extintas e neste concelho integradas, com o advento do liberalismo. Ao que parece, a sua elevação a concelho ficou a dever-se não só à situação geográfica, mas também ao mérito de algumas personalidades, entre as quais os Condes de Anadia (da família Sá e Melo), aristocratas e prestigiados diplomatas que terão exercido influência considerável na corte, especialmente na 2ª dinastia. Foi no reinado de D. João III, ainda na segunda dinastia, que o senhorio de Anadia passou para a Universidade de Coimbra, e em sua posse se conservou até às guerras liberais. O primeiro conde de Anadia foi João Rodrigues de Sá e Melo, que faleceu em 1809; o segundo foi José António de Sá Pereira Menezes; o terceiro Manuel Pais Sá do Amaral de Almeida; o quarto título pertenceu a José Maria de Sá Pereira Menezes Pais do Amaral de Almeida Vasconcelos Quifel Barbarino; o quinto foi Manuel Pais de Sá do Amaral Menezes Quifel e Barbarino e por último, nascido a 28 de Setembro de 1893, é nomeado 6º Conde de Anadia, José de Sá Pais do Amaral, cujos descendentes vivem em Mangualde.

Bandeira de Anadia

Heráldica

Brasão: de negro, com uma vide de prata, com dois ramos passados em aspa, folhados de verde e frutados de dois cachos de uvas de púrpura, um à dextra e outro à sinistra. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com a legenda a negro: " ANADIA". 

Bandeira: gironada de oito peças de branco e púrpura. Cordões e borlas de prata e púrpura. Haste e lança de ouro.


Cultura e Turismo

           No que diz respeito aos valores culturais, pode encontrar neste concelho algumas manifestações de carácter popular (feiras, romarias, os trajes típicos e usos e costumes de riqueza tradicional). É verdade que certos usos e costumes tem tendência a desaparecer, no entanto, outros permanecem na memória e ainda são praticados, como a "Reza", no período da Quaresma, e a "Queima dos Judas" no Sábado Aleluia, véspera de Páscoa. Os visitantes podem apreciar as adegas locais e provar os vinhos antes de os comprar. Neste concelho localizam-se as famosas Termas da Curia, vértice do famoso triângulo Curia - Luso - Buçaco, possuindo condições excelentes sob o ponto de vista turístico e um ambiente oitocentista que a torna uma das estâncias termais mais frequentadas do país. As águas da Curia brotam de três nascentes: da Fonte Albano Coutinho, da Fonte Principal e da Fonte dos Olhos, e são especialmente recomendadas para doenças do aparelho circulatório, no tratamento da litíase e outras afecções das vias urinárias, na gota, no reumatismo e na hipertensão. Culturalmente, o concelho é de uma diversidade assinalável: Bandas de Música, agrupamentos folclóricos que preservam e divulgam o valioso património popular, e museus que oferecem a oportunidade de apreciar a riqueza dos valores patrimoniais da zona, clubes, associações, centros culturais, teatros, etc.

Termas da Curia 

Gastronomia

             Anadia destaca-se pelas suas potencialidades ligadas à gastronomia e que fazem parte integrante da sua riqueza cultural, o bacalhau à Sr. Prior de Tamengos, a cabidela de leitão, a chanfana à Bairrada, o leitão à Bairrada, os miúdos do leitão (coração, pulmões e fígado) cortados aos bocadinhos, sangue e batata, os negalhos, o sarrabulho e a tibornada (batata a murro com bacalhau assado no lagar) são os típicos pratos que fazem as delícias não só dos habitantes, como também dos visitantes. Na doçaria destacam-se: os amores da Curia, deliciosos pastéis à base de massa folhada e recheada com creme de ovos, a aletria, o arroz doce,as barrigas de Freira e o leite creme.

                                                                           Amores da Curia 
Leitão á Bairrada

              

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Santa Comba Dão

Brasão de Santa Comba Dão

Localização

        O concelho de Santa Comba Dão está integrado no distrito de Viseu e abrange uma área de 112.5 Km2, é sede de um município com 112,54 km² de área e 11 597 habitantes, subdividido em 9 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Tondela, a leste por Carregal do Sal, a sueste por Tábua, a sul por Penacova e a oeste por Mortágua. Enquadrada entre os rios Dão e Mondego, encontra-se entre as cidades de Viseu e Coimbra, sensivelmente equidistante de ambas. Santa Comba Dão caracteriza-se pela abundância das linhas de água que assumem um papel bastante importante na orografia do concelho. O rio Mondego assume um especial relevo na zona com encostas suaves, e, esporadicamente, com afloramentos rochosos, limitando o concelho a Nascente e a Sul. No centro, surge o rio Dão que atravessa o concelho de Nordeste para Sudoeste; limitando o concelho a Poente, surge o rio Criz, correndo ao longo de uma zona acidentada e de relevo incerto. Todo o concelho de Santa Comba Dão localiza-se numa área aplanada, encontrando-se as maiores altitudes a leste.



História

       O povoamento do território a que corresponde o atual concelho de Santa Comba Dão é bastante antigo, remetendo-se muito provavelmente a uma época pré-histórica. A comprovar essa antiguidade encontram-se os vestígios arqueológicos descobertos na sua área, bem como as alusões relativas aos mesmos em documentos do século X, XI e XII. Um desses documentos refere um local denominado "castro de Santa Comba" e define a situação da presente vila na alta Idade Média, descrevendo as circunscrições eclesiásticas e administrativas a que então pertencia: estava integrada eclesiasticamente no território de Viseu e na terra mediévica de Besteiros que possuía aqui os seus termos meridionais. O primitivo nome do referido castro não é conhecido, sabendo-se que o de Santa Comba lhe foi imposto pela cristianização e representa uma substituição das devoções locais pagãs, embora não se saiba ao certo que Santa Comba é esta. Embora todos apontem para a abadessa de um mosteiro beirão (o de Arcas, entre Tarouca e Moimenta da Beira) chamada Comba Osores, que Almançor martirizou em finais do século X, como a Santa Comba que estava na origem do topónimo, tal identificação parece não corresponder à verdade, dado que essa abadessa é posterior à época em que esta vila já aparece com a designação "Santa Comba". O ter-se ligado o topónimo ao nome do rio deve-se ao desejo ou necessidade de distinção de outros iguais. Inicialmente seria Santa Comba de Ão que se assimilou à expressão toponímica presente e se enraizou. Em 22 de Julho de 974, um prócer poderoso desta região e talvez dela governador, Oveco Garcia, faz uma vasta doação ao Mosteiro de Lorvão, na qual constava metade da vila de Santa Comba. Onze anos depois encontrava-se outro prócere a doar também ao Mosteiro de Lorvão a outra metade da villa de Santa Comba, tratava-se de Múnio Gonçalves, filho de Gonçalves Moniz, célebre Conde Beirão e de D. Mumadona. Ainda em meados do século XIII, a maior parte do atual concelho de Santa Comba Dão era privilegiada, propriedade de mosteiros, igrejas e fidalgos. De facto, além das vastas possessões do Mosteiro de Lorvão, havia aqui o couto de S. João o qual pertencia naquela época, na sua quase totalidade, à Sé de Viseu; uma outra parte era do filho de algo D. Mem Sanches; e por fim, Silvares era da pertença do Mosteiro de Arganil. Nesta época, segundo as Inquirições, estava aqui instituído o concelho de Ovoa, ao que parece o único do território do atual concelho de Santa Comba Dão. Por carta de 1133, D. Afonso Henriques faz couto ao Mosteiro de Lorvão sobre as villas de Treixedo e outras da terra de Viseu. Em 1137, o mesmo monarca coutou ao bispo de Coimbra as "villas" de S. João de Areias, Currelos, Parada e Santa Comba Dão, situação que se manteve até 1472, ano em que D. Galvão, Bispo de Coimbra se intitula Conde de Santa Comba Dão. A 12 de Setembro de 1514, D. Manuel concede a Santa Comba Dão, carta de foral. Em 1836 foram extintos os concelhos de Ovoa, Couto do Mosteiro e Pinheiro de Ázere e integrados no concelho de Santa Comba Dão. Em 1895 foi também extinto o concelho de S. João de Areias e incorporado como freguesia no concelho de Santa Comba Dão, ficando este último com os limites territoriais que tem hoje em dia.

Bandeira de Santa Comba Dão

Heráldica

ESCUDO : De azul, com dois ramos de oliveira de ouro, frutados de negro, com os pés passados em aspa; Em chefe, uma pomba estendida de prata, sancada, bicada e animada de vermelho, entre dois cachos de uvas de ouro, folhados de prata; em contra-chefe, uma ponte de prata, lavrada de negro em ângulo, com seis arcos desiguais, firmada nos flancos e movente de um pé de burelas ondadas de prata e azul. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com a legenda a negro "SANTA COMBA DÃO".

Personalidades Célebres

      António de Oliveira Salazar (Vimieiro, Santa Comba Dão, 28 de Abril de 1889 — Lisboa, 27 de Julho de 1970) foi um político nacionalista português e professor catedrático da Universidade de Coimbra. O seu percurso político iniciou-se quando foi Ministro das Finanças por breves meses em 1926. Depois disso, foi também ministro das Finanças entre 1928 e 1932, procedendo ao saneamento das finanças públicas portuguesas. Instituidor do Estado Novo (1933-1974) e da sua organização política de suporte, a União Nacional, Salazar dirigiu os destinos de Portugal, como presidente do Ministério, entre 1932 e 1933, e como Presidente do Conselho de Ministros, entre 1933 e 1968. Os autoritarismos que surgiam na Europa foram amplamente experienciados por Salazar em duas frentes complementares: a propaganda e a repressão. Com a criação da Censura, da organização de tempos livres dos trabalhadores FNAT, da Mocidade Portuguesa, masculina e feminina, o Estado Novo procurava assegurar a doutrinação de largas massas da população portuguesa, enquanto que a polícia política (PVDE, posteriormente PIDE, a partir de 1945), em conjunto com a Legião Portuguesa, combatiam os opositores, que, quando objecto de julgamento, eram-no em tribunais especiais (Tribunais Militares Especiais e, posteriormente, Tribunais Plenários). Apoiando-se na doutrina social da Igreja Católica, Salazar orientou-se para um corporativismo de Estado, com uma linha de ação económica nacionalista assente no ideal da autarcia. Esse seu nacionalismo económico levou-o a tomar medidas de protecionismo e isolacionismo de natureza fiscal, tarifária, alfandegária, para Portugal e suas colonias, que tiveram grande impacto, sobretudo até aos anos sessenta. 
Em 1900, após completar os seus estudos na escola primária, com onze anos de idade, Oliveira Salazar, ingressou no Seminário de Viseu, onde permaneceu por oito anos. Em 1908, o seu último ano lectivo no seminário, tomou finalmente contacto com toda a agitação que reinava em Viseu e também em todo o país. Surgiam artigos que atacavam o Governo, o Rei e a Igreja Católica. Foi também nesse ano que se deu o assassínio do Rei D. Carlos e do seu filho, o Príncipe D. Luís Filipe. Não ficando indiferente a esses acontecimentos, Salazar, católico praticante, começou a insurgir-se contra os republicanos jacobinos em defesa da Igreja, escrevendo vários artigos nos jornais. Depois de completar os estudos, permaneceu em Viseu por mais dois anos. Porém, em 1910, mudou-se para Coimbra para estudar Direito. Em 1914, concluiu o curso de Direito com a alta classificação de 19 valores e torna-se, dois anos depois, assistente de Ciências Económicas. Assumiu a regência da cadeira de Economia Política e Finanças em 1917 a convite do professor José Alberto dos Reis e do professor Aniceto Barbosa, antes de se doutorar em 1918. Durante esse período em Coimbra, materializa o seu pendor para a política no Centro Académico de Democracia Cristã onde faz amigos como Mário de Figueiredo, José Nosolini, Juvenal de Araújo, os irmãos Dinis da Fonseca, Manuel Gonçalves Cerejeira, Bissaya Barreto, entre outros. Alguns haveriam de colaborar nos seus governos. Combate o anticlericalismo da Primeira República através de artigos de opinião que escreve para jornais católicos. Acompanha Cerejeira em palestras e debates. Enquanto estuda Maurras, Le Play e as encíclicas do Papa Leão XIII, vai consolidando o seu pensamento, explicitando-o em artigos e conferências, onde se revela que "Salazar nasceu para a política pugnando pelo acertar do passo com a Europa, e com a paixão pela Educação". As suas opiniões e ligações ao Centro Académico de Democracia Cristã levaram-no, em 1921, a concorrer por Guimarães como deputado ao Parlamento. Sendo eleito e não encontrando aí qualquer motivação, regressou à universidade passados três dias. Lá se manteve até 1926. 
O princípio do fim de Salazar começou a 3 de Agosto de 1968, no Forte de Santo António, no Estoril. A queda de uma cadeira de lona, deixada em segredo primeiro, acabou por ditar o seu afastamento do Governo. António de Oliveira Salazar preparava-se para ser tratado pelo calista Hilário, quando se deixou cair para uma cadeira de lona. Com o peso, a cadeira cedeu e o chefe do Governo caiu com violência, sofrendo uma pancada na cabeça, nas lajes do terraço do forte onde anualmente passava as férias, acompanhado pela governanta D. Maria de Jesus. Levantou-se atordoado, queixou-se de dores no corpo, mas pediu segredo sobre a queda e não quis que fossem chamados médicos, segundo conta Franco Nogueira. Outra testemunha, o barbeiro Manuel Marques, contraria esta tese. Segundo ele, Salazar não caiu na cadeira, que estava fora do lugar, mas tombou no chão desamparado. Segundo Marques, Salazar costumava ser distraído e tinha o hábito de «saltar para as cadeiras». Nesse dia, preparando-se para ler o jornal, caiu onde habitualmente estava uma cadeira, mas que nesse dia tinha sido movida. Ainda outra testemunha diz que Salazar não caiu de uma cadeira, e sim de uma banheira, testemunha essa que acompanhou Salazar da casa de banho até ao quarto no dia do sucedido. A vida de António de Oliveira Salazar prosseguiu normalmente e só três dias depois é que o médico do Presidente do Conselho, Eduardo Coelho, soube do sucedido. Só 16 dias depois, a 4 de Setembro, Salazar admite que se sente doente: «Não sei o que tenho». A 6 de Setembro, à noite, sai um carro de São Bento. Com o médico, Salazar e, no lugar da frente, o diretor da PIDE, Silva Pais. Salazar é internado no Hospital de São José e os médicos não se entendem quanto ao diagnóstico - hematoma intracraniano ou trombose cerebral -, mas concordam que é preciso operar, o que acontece a 7 de Setembro. Salazar foi afastado do governo em 27 de Setembro de 1968, quando o então Presidente da República, Américo Tomás, chamou Marcello Caetano para substitui-lo. A 4 de Outubro desse ano (pelo 58.º aniversário da Implantação da República) recebeu o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique. Até morrer, em 1970, continuou a receber visitas como se fosse ainda Presidente do Conselho, nunca manifestando sequer a suspeita de que já o não era - no que não era contrariado pelos que o rodeavam.

                                                                                                                     Cortejo Fúnebre de Salazar
                    Salazar                                                                                                   no Vimieiro 
                                                                                             

Cultura e Turismo

        Santa Comba Dão apresenta um conjunto de potencialidades turísticas, nas quais se destacam os monumentos, os espaços culturais arqueológicos, os espaços culturais de índole religiosa e os espaços culturais de interesse histórico e arquitetónico. Bastante apelativo também em termos de recursos naturais, é de salientar a barragem da Aguieira, uma das maiores superfícies lagunares de natureza artificial do País. De igual modo, os Vales do Mondego e do rio Dão tornaram-se depósitos de águas paradas, permitindo todo o tipo de desportos náuticos, às quais acresce um conjunto de praias fluviais de grande beleza. 



Gastronomia

      Da gastronomia tradicional de Santa Comba Dão, destaca-se o apreciado arroz de lampreia.

Arroz de Lampreia