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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Oliveira do Bairro

Brasão de Oliveira do Bairro

Localização : 

           Situado no distrito de Aveiro, o concelho de Oliveira do Bairro dista da sede distrital cerca de vinte quilómetros. O concelho possui uma área de cerca de 87.3 Km2, divididos pelas freguesias de Mamarrosa, Oiã que em área é a maior freguesia do concelho, e com sede na Vila com o mesmo nome; Bustos, Oliveira do Bairro, sediada na Vila homónima, Palhaça e Troviscal. Numa zona de transição entre as serras altas do interior (de que se destaca o conjunto do Caramulo e a Serra das Talhadas) e as terras da faixa litoral, o concelho de Oliveira do Bairro é dos dezanove concelhos do distrito, um dos quatro mais pequenos. Os seus terrenos caracterizam-se, numa grande parte, por serem predominantemente argilosos e fortes, incidindo na sua constituição o barro, e por possuir um relevo pouco acidentado, sem grandes desníveis e formas relativamente harmoniosas; daí que desfrute de condições privilegiadas para a sua principal atividade: a agricultura. De facto, este concelho é principalmente agrícola, como se pode constatar pela belíssima paisagem que o caracteriza, onde pontificam culturas ricas e diversificadas ao lado de considerável extensão florestal, sobretudo de pinheiros e eucaliptos como é vulgar na região bairradina. A paisagem rural do concelho apresenta aspectos de rara beleza natural como a panorâmica dos campos de arroz do rio Cértima e as tradicionais vinhas e oliveiras. Os vales dos rios Cértima e Levira são cobertos de uma vegetação espontânea, como as espadanas, o bunho e a canízia.



História : 

           O topónimo "Oliveira do Bairro" deriva do seu primeiro elemento do latim vulgar "ulvaria", "oliveira", sendo ainda na Idade Média designado de "S. Miguel de Ulveira". Quanto ao segundo elemento do composto "do Bairro", a julgar pelos documentos que chegaram até nós, este nome parece ter-se generalizado no século X. É vulgar afirmar-se que tem a sua origem na palavra barro, e de facto, é admissível a evolução de barro para bairro. Outros autores sugerem uma derivação do árabe "barri", isto é "lugar inculto"; porém, parece que é mais seguro dizer-se que vem do baixo-latim "barrium", "quinta, casal". Em Oliveira do Bairro, tal como acontece em muitas terras do país, a ação do tempo e da memória fez com que muitos dos momentos que fizeram a sua história caíssem no esquecimento, com prejuízo muitas das vezes irrecuperável para o seu povo. Aparece pela primeira vez como "Olivaria" em 2 de Junho do ano de 922, numa altura em que o Bispo de Coimbra organizava o Mosteiro de Crestuma e a Vila do mesmo nome, e lhe doa entre outras propriedades, Oliveira do Bairro. Posteriores a este documento muitos outros existem, com referências a esta terra, embora no geral esses testemunhos sejam essencialmente de carácter eclesiástico. A 30 de Janeiro de 1355, D. Fernando de Aragão toma posse dos casais, que pelo casamento com a Infanta D. Maria lhe haviam sido doados por D. Afonso IV, incluindo rendas dos Padroados da Igreja com jurisdições criminais e civis, o que vem acentuar a importância de Oliveira do Bairro. Numa declaração de propriedades do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, de 26 de Maio de 1431, propriedades de Oliveira do Bairro são referenciadas. Oliveira do Bairro teve como donatários os Condes de Miranda e o Marquês de Arronches, seguindo-se-lhes os Duques de Lafões. D. Manuel I concedeu-lhe Foral Novo, em 6 de Abril de 1514, que além de Oliveira do Bairro incluía: Repolão (lugar da vila sede de concelho de Oliveira do Bairro), Padela, Montelongo, Lavandeira e Bairro (todos lugares da vila sede de concelho de Oliveira do Bairro). Importante na história desta região é sem dúvida tudo o que é relativo ao cultivo da vinha na Bairrada que começou com a chegada das Legiões Romanas, e continuou no alvor da Nacionalidade pela mão dos frades medievais dos Mosteiros de Lorvão e da Vacariça. Em 1137, D. Afonso Henriques havia autorizado a plantação da vinha em Anadia e decretado como sua, uma quarta parte do vinho ali produzido. Em 1801 surge o projeto para a demarcação da Região da Bairrada, no entanto, só em 1978 a Região foi demarcada oficialmente, tornando-se importante no fator para o desenvolvimento económico dos concelhos nela incluídos, de que é exemplo Oliveira do Bairro.

Bandeira de Oliveira do Bairro

Cultura e Turismo : 

           Para melhor se conhecer a cultura destas gentes, nada melhor do que dedicar algum tempo para visitar as suas povoações, procurando algo interessante dentro delas, mas também ao longo das estradas, das ruas e nos cruzamentos rurais; visto que este não é um concelho rico em monumentos, oferece a sua cultura que tem como produto, todas as atividades e manifestações a que se dedicou a sua população ativa  muito ligada à terra e aos seus santos protetores - tudo o que constitui o seu principal património. Em Oliveira do Bairro, com a Bairrada a começar pelo Norte e pelo Noroeste,as aldeias mantiveram, durante muito tempo, o tipo de casa térrea ou de rés-do-chão bairradina, com a qual a gandaresa mantém semelhanças. As festas e romarias dedicadas aos santos da sua devoção marcavam, e marcam ainda, espaços em tempo de lazer e de descanso periódicos, em dias especialíssimos, durante os quais se repousa das tarefas normais e se come e bebe do bom e do melhor, com mais abundância. Assim, neste concelho, gentes e aldeias, nas quais as leiras de terra faziam parte do dia a dia das pessoas, não possibilitaram a grandiosidade, ainda que comedida, de monumentos, mas fizeram surgir recantos que convidam à apreciação de momentos de serenidade e de paz proporcionados pelas suas paisagens realçadas pelo vasto colorido da sua abundante vegetação. Para além das paisagens naturais, o visitante pode ainda desfrutar de alguns parques, onde poderá simultaneamente contemplar a natureza e desfrutar de algumas infraestruturas que lhe servem de apoio, nomeadamente zona de merendas, piscinas, espaço infantil e bar. Os parques mais relevantes são o parque da Pateira, o parque da Seara e o parque do Vieiro, onde pode também visitar o pequeno Museu do Agricultor.



Gastronomia : 

         O concelho de Oliveira do Bairro oferece rica e apetecível gastronomia, em que o leitão e a chanfana à Bairrada ocupam um lugar de destaque. O leitão à Bairrada e o vinho da Bairrada são os verdadeiros "ex-libris" desta região. Além do leitão, Oliveira do Bairro ainda apresenta como pratos típicos a cabidela e a feijoada de leitão, a vitela à Vouga e os rojões à moda da Bairrada.





quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Viagem e visita ao concelho de Vagos

Brasão de Vagos

Localização : 

           O concelho de Vagos tem onze freguesias distribuídas numa área total de 165,6 Km2, sendo a de Vagos, freguesia com sede na Vila homónima, que não é mais que a sede concelhia; está incluído no distrito de Aveiro e é limitado a Norte pelo concelho de Ílhavo, a Este pelos de Aveiro, Oliveira do Bairro e Cantanhede, a Sul pelos de Cantanhede e Mira e a Oeste pelo Oceano Atlântico. Banhado por um dos quatro braços da ria de Aveiro, que se prolonga de Ílhavo até à embocadura do rio Boco numa extensão de sete quilómetros, Vagos abrange o litoral dunar da parte Sul da ria. De acordo com estudos topográficos, terá aqui existido um golfo de pequenas dimensões, aberto ao Noroeste e bem protegido dos ventos, por onde terá passado alguma navegação marítima. Encontra-se um povoamento extremamente disperso, com inúmeras pequenas aldeias de baixa densidade habitacional, apenas tendo Vagos, Gafanha da Boa Hora e Sosa uma densidade populacional superior a 10 Hab./Ha. Pode considerar-se este povoamento como típico da região gandaresa, com uma dispersão ordenada ao longo dos caminhos, formando maiores aglomerados nas zonas de cruzamentos, com maior índice de concentração. O território concelhio é muito plano, com raríssimos declives superiores a 16%, estando a maior parte abaixo dos 40 metros de altitude. O solo é composto, sobretudo por areias e argilas e possui uma vasta área integrada na Reserva Agrícola Nacional, na Reserva Ecológica e uma área submetida ao Regime Florestal. Sendo uma região privilegiada pela sua beleza natural onde se conjugam harmoniosamente o mar e a ria, o turismo poderá constituir uma enorme fonte de receita no futuro. O concelho de Vagos possui um clima temperado mediterrânico de feição marítima, tendo temperaturas médias anuais que rondam os 14ºC, fracas amplitudes térmicas anuais e precipitações rondando os 1000mm, com máximos de chuva no Outono e Inverno e Verões de escassa precipitação.



História :

          O povoamento do território que corresponde hoje ao concelho de Vagos é de origem antiquissíma não havendo memória da primeira fundação desta terra. Segundo alguns escritores, estes povos são descendentes dos fenícios, que depois de expulsos do Egipto, e saídos de Menfis, dirigiram-se para Norte entrando no rio Nilo, e mareando em direção ao Norte, chegaram ao Monte Atlas, onde embarcaram em canoas e navegaram pelo Atlântico seguindo a costa da Península Ibérica para Norte, até que chegaram à barra da antiga Mira, que hoje fica na grande lagoa próxima de "S. Tomé Velho". Depois de terem entrado pela terra adentro, caminharam até onde hoje fica Nossa Senhora da Conceição de Vagos, pelo lado Nascente do "forte" de que ainda hoje há alguns vestígios, e sendo estas terras uma ilha vaga, acharam um promontório onde poderiam viver em segurança, e assim povoaram e habitaram as terras de Vagos. Mesmo a designação, "Vagos" deve repousar no facto do território se encontrar despovoado, o que levou os primeiros povoadores a designa-lo de "Vacuus", significando etimologicamente "despejado". Segundo António Gomes da Rocha Madail, era costume os descendentes dos antigos fenícios terem sempre nas suas casas um recipiente com uma certa quantidade de água, uma fouce "forneira", e uma "pica". Eram sempre muito fiéis aos seus familiares e conterrâneos, mas eram desconfiados e pouco fiéis em relação aos de fora, pois os vaguenses como tinham andado homiziados e expatriados, tinham sempre medo de serem pilhados, e por tais razões, colocavam várias sentinelas e vigias para guardarem as suas terras e haveres, daí o nome do lugar que hoje se chama Vigia. Dedicaram-se à vida de pescadores, dado terem a Ria pelo Nascente, e outro braço pelo Norte e Poente, e mais tarde, dedicaram-se à pastorícia de gados, pois tinha sido esta a sua antiga ocupação, e daí os seus descendentes se transformarem em lavradores. Vagos era uma terra um pouco estéril, e apenas produzia em tempos remotos, tremoços bravos e figos dados por algumas figueiras aí existentes. O primeiro repovoamento talvez deva atribuir-se ao presbítero Rodrigo, a quem o Conde Sisnando doou, com o respectivo e vasto território despovoado e selvático, em 1088, a ermida de S. Cristóvão nele existente, para o repovoar, vivendo nela. Que a doação sisnandina abrangera Vagos, ou melhor, o lugar da atual vila, que beneficiaria de tal obra de povoação, mostram-no os limites do território doado ao presbítero Rodrigo, desde a nascente até ao litoral do Oceano, ou seja, abrangia quase a totalidade do actual concelho de Vagos, estando incluída Sosa ou toda a sua parte Nordeste, a oriente do rio de Vagos. A velha ermida, cuja doação ao presbítero Rodrigo foi feita em fins de Janeiro de 1088 "cum sua mata", deve ter possuído uma primeira fundação imemorial e o seu culto deve ter talvez substituído um outro, hispano-romano pagão. Pode dizer-se que Vagos entra na história verdadeiramente com os inícios do chamado santuário de Nossa Senhora de Vagos, cujos princípios remontam pelo menos aos começos da Nacionalidade. À sua volta surgiram lendas, interessantes mas nem sempre concordantes entre si e sem grande rigor cronológico. Diz a tradição, que no reinado D. Sancho I, mas em ano que se ignora, um navio francês naufragou próximo ao sítio da Vagueira, e o capitão apenas pôde salvar uma imagem da Santíssima Virgem, que trazia a bordo. O autor Pinho Leal, citando o que está escrito no tomo 4º, pág. 682, do Santuário Mariano, diz que o tal capitão, "escondeu-a em uma mata, chamada Soalhal, a uns 4 ou 5 quilómetros do mar, e logo com alguns companheiros partiu para a vila de Esgueira, (...), a dar parte ao pároco dela, para que, com a devoção que se devia à Senhora, tratasse de a ir buscar para a sua igreja". E assim, "o pároco da Esgueira acompanhado de muito povo, foi com muitos dos seus paroquianos, e com o tal capitão, à mata onde se havia escondido a dita imagem, mas não lhes foi possível encontrá-la". Entretanto, soube isto D. Sancho I, que estava então em Viseu, e logo marchou para Vagos, ordenando uma busca mais rigorosa, dando logo com a imagem. Sem hesitações, o rei "mandou imediatamente construir uma formosa ermida no sítio onde achara a Senhora, e perto dela, uma alterosa torre, para defender o santuário e os romeiros, das surpresas dos piratas berberescos, que com frequência invadiam as nossas costas, saqueando as povoações e levando cativos os seus habitantes". Mais tarde, um rico fidalgo das proximidades da Serra da Estrela de nome Estevão Coelho, estando atacado de lepra, ali se dirigiu para venerar a Santa. Tendo o devoto Estevão Coelho feito a oração a Nossa Senhora de Vagos, logo se achou totalmente curado e, vendo-se assim livre de tão feia e terrível enfermidade, fez voto à Santa imagem de viver e morrer na sua ermida onde de facto foi sepultado, deixando à Senhora muitas rendas que possuía no lugar de Sandomil, e que comprara no termo da vila de Vagos. Em l202, D. Fernando João doou àquela igreja as terras do couto de S. Romão. Por doação de D. Sancho I, o santuário e todas as suas rendas passaram a estar sob administração dos frades crúzios do Mosteiro de Grijó, e o prior do mosteiro encarregava um frade e um beneficiado, para o exercício do culto à Virgem. Posteriormente, os reis D. Afonso II, D. Sancho II, e D. Manuel I completaram um vasto conjunto de doações para a continuidade do culto à Virgem. Durante cerca de 400 anos, a ermida do santuário ficou no local primitivo e ao fim deste tempo foi necessário mudá-la para o local onde hoje se encontra, por causa da invasão das areias, sendo que, da antiga ermida, não resta vestígio algum. Foi D. Fernando quem fez a primeira doação da vila de Vagos, e recebeu-a Alice Gregório, tendo logo passado esta doação para senhorio dos Silvas, descendentes do rico homem Gonçalo Gomes da Silva, 1º Senhor de Vagos, alcaide-mor de Montemor-o-Velho. Dele e sua mulher, D. Leonor Coutinho, descenderam todos os senhores de Vagos, assim como João Gomes da Silva que recebeu doação da vila de Vagos por parte do Mestre de Aviz quando este era ainda defensor do reino, em reconhecimento dos serviços por ele prestados, convertendo aquela doação de temporária em perpétua, depois de nomeado rei. A importância de Vagos vem já desde a Idade Média, dado o facto de denominar-se Vagos "a porta das muralhas de Aveiro", e de mais tarde, ter recebido Foral Novo de D. Manuel I, passado em Lisboa, a 12 de Agosto de 1514.


Cultura e Turismo : 

             Vagos possui um imponente Pavilhão de Desportos, ranchos musicais, Orfeão, grupos de teatro amador, associações desportivas e culturais, e outras instituições congeneres  Destaca-se a Filarmónica Vaguense, fundada em 1860 e que integra a Banda Vaguense, a Orquestra Ligeira de Vagos, um grupo de saxofones, uma banda juvenil e a escola de música. A ampla zona florestal convida a agradáveis piqueniques e passeios num salutar contacto com a Natureza. Mas o principal atrativo turístico desta zona, continua a ser a praia, com extensos areais. Um dos pontos mais apreciados é sem dúvida a praia da Vagueira, dotada de um parque de campismo e de ótimas condições para se passar um bom e repousado período de férias. Situada na Gafanha da Boa Hora, a cerca de 7 Km da Vila de Vagos, esta praia proporciona aos veraneantes, em simultâneo, o mar e a ria. Além disso, é ampla e tranquila, favorecida por um clima moderado de águas límpidas e convidativas. Além deste, Vagos tem outros locais, entre os quais merecem destaque especial as Pontes da Água Fria e da Fareja; as bonitas margens do rio Boco, as azenhas e os moinhos triangulares de madeira.



Gastronomia :

          No plano gastronómico, as especialidades deste concelho são as enguias de escabeche, a caldeirada de enguias, a caldeirada mista, o peixe grelhado, o coelho com molho de leitão, o leitão assado, a chanfana e o carneiro.